Hoje ao proceder a uma organização na minha estante que estava um caos mais parecendo um arrumo de livros feito a esmo,encontrei o meu primeiro álbum de fotografias.Claro, não resisti e ali fiquei “a olhar para trás”... Lá estou eu em várias fotos muito pequenina e rechonchuda.Esta que vos mostro,que não estaria bem segura, soltou-se e foi ao chão; apanhei-a de imediato,e fiquei também a olhá-la pensando na razão da sua existência,na história que a minha mãe sempre me contava e que por isso nunca esqueci. “E quem são estes três da vida airada ?” O José Pinto, a Dilita e o primo do Zé, o Chico;moravam no Casal Novo do Rio e eram vizinhos. Naquela época as pessoas tinham fé nos Santos,a eles imploravam para boa produção de colheita e protecção do gado.Os pais dos meninos eram lavradores e toda a família se “apegava” a São Tomé,e na altura da Festa lá iam até à Ferreira cumprir as promessas porque São Tomésinho lhes tinha “ouvido” as súplicas”.Nesse ano (o meu primeiro a residir no Casal Novo do Rio) a minha mãe foi convidada pelas vizinhas e amigas (a Ti Marquitas e a Ti Milita) para ir com elas ao São Tomé. E fômos.O transporte eram dois carros de bois,enfeitados com flores naturais e de papel,uma colcha colorida fazia o tecto, as mulheres e as crianças sentavam-se no chão dos referidos (forrados com mantas),e no mesmo espaço também se acomodavam os cestos como farnel.Os maridos guiavam o gado,iam a pé.Era longe,necessário sair de madrugada e assim aconteceu. Era regra os carros à chegada,com a comitiva, darem determinado número de voltas à Capela,e só depois estacionar.Claro que não me lembro de ter passado por nada disto,nem mesmo do facto irrisório de ter enjoado durante a viagem... Mas sei que para as nossas mães,(que actualmente já não estão connosco) este passeio nunca foi esquecido.Para nós ficou o relato,várias vezes repetido,e a fotografia onde se distinguem nas nossas mãos uns brinquedos,recordação da festa de São Tomé.terça-feira, 13 de janeiro de 2009
TRÊS AMIGUINHOS
Hoje ao proceder a uma organização na minha estante que estava um caos mais parecendo um arrumo de livros feito a esmo,encontrei o meu primeiro álbum de fotografias.Claro, não resisti e ali fiquei “a olhar para trás”... Lá estou eu em várias fotos muito pequenina e rechonchuda.Esta que vos mostro,que não estaria bem segura, soltou-se e foi ao chão; apanhei-a de imediato,e fiquei também a olhá-la pensando na razão da sua existência,na história que a minha mãe sempre me contava e que por isso nunca esqueci. “E quem são estes três da vida airada ?” O José Pinto, a Dilita e o primo do Zé, o Chico;moravam no Casal Novo do Rio e eram vizinhos. Naquela época as pessoas tinham fé nos Santos,a eles imploravam para boa produção de colheita e protecção do gado.Os pais dos meninos eram lavradores e toda a família se “apegava” a São Tomé,e na altura da Festa lá iam até à Ferreira cumprir as promessas porque São Tomésinho lhes tinha “ouvido” as súplicas”.Nesse ano (o meu primeiro a residir no Casal Novo do Rio) a minha mãe foi convidada pelas vizinhas e amigas (a Ti Marquitas e a Ti Milita) para ir com elas ao São Tomé. E fômos.O transporte eram dois carros de bois,enfeitados com flores naturais e de papel,uma colcha colorida fazia o tecto, as mulheres e as crianças sentavam-se no chão dos referidos (forrados com mantas),e no mesmo espaço também se acomodavam os cestos como farnel.Os maridos guiavam o gado,iam a pé.Era longe,necessário sair de madrugada e assim aconteceu. Era regra os carros à chegada,com a comitiva, darem determinado número de voltas à Capela,e só depois estacionar.Claro que não me lembro de ter passado por nada disto,nem mesmo do facto irrisório de ter enjoado durante a viagem... Mas sei que para as nossas mães,(que actualmente já não estão connosco) este passeio nunca foi esquecido.Para nós ficou o relato,várias vezes repetido,e a fotografia onde se distinguem nas nossas mãos uns brinquedos,recordação da festa de São Tomé.quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Amigas à distância
Quando a minha filha mais nova andou na catequese, há vinte e sete anos, a Irmã Rosa, catequista, pediu-me se assinava a Família Cristã pois se ela conseguisse um número determinado de assinaturas ganhava uma viagem à Terra Santa.Eu concordei e disse-lhe que me trouxesse uma prenda de lá. Mas ela não conseguiu!Ainda hoje sou assinante da revista que tem textos sobre religião, família,actualidades diversas. Por algumas vezes troquei correspondência com leitoras, como a D.Tina, de Vila Real, isso já foi há dez anos e na altura fiz estas quadras:

É de noite
Já dorme a minha família
Meu sono inda não chegou
Pus-me a pensar,que quezília,
No tempo que já passou.
Melancolia duma figa
Não quero dar-te atenção,
Desejei ter uma amiga
P´ra conversar ao serão...
Pus-me a pensar nas antigas
Do tempo da mocidade:
Todas têm suas vidas
Esqueceram-se,com a idade...
Tenho uma revista ao pé
E que leio p´ra meu contento?
Alguém que pede”sem fé”
Uma palavra d´alento...
Pego na caneta e digo,
A escrever claro está,
Que pode falar comigo
Eu de cá, ela de lá.
E assim,sem grande fadiga,
Com uma carta pequenina
Eu conheci uma amiga
Transmontana,é D. Tina.
VIDAS
(Sinto desejo de escrever “qualquer coisa” mas a inspiração está limitada; não vai aparecer um texto alegre.)
O candeeiro da sala suspenso do tecto tinha apenas uma luz: as lâmpadas estavam lá mas só figuravam,já não iluminavam.O ambiente era de total desmazelo e abandono.Um sofá e maples de napa,várias almofadas pelo chão, uma mesa e quatro cadeiras com estofos desbotados.Numa das paredes,um relógio de pesos marcava a hora distante em que deixaram de lhe dar corda; na outra em frente uma ampliação fotográfica recordava o dia do casamento do Manuel, casamento interrompido pela morte dela num acidente de automóvel.Ficou só,entregue ao desânimo sem coragem para se libertar do sentimento de culpa que o minava:e assim, dia após dia, foi resvalando para o submundo,primeiro com o álcool,depois”com amigos”que o iniciaram no uso de drogas.Sentada à mesa a Gabi escrevia algo parecido com um diário - tentava sempre escrever antes de se injectar,mas não conseguia,as ideias baralhavam-se na sua cabeça já doente;fôra boa menina,estudara,mas isso já ia longe... o Joca enterrado num dos maples,depois de várias gargalhadas hilariantes,soltava agora uns murmúrios ininteligíveis.O Manuel dono da casa,aniquilado,com o olhar baço e vago,preparava-se para o 5º whisky sem perceber que a garrafa já estava vazia.Os minutos corriam lentos naquele rés do chão Nº7,da rua 1O. Indiferentes aqueles jovens, não viviam vegetavam.No silêncio da noite uma ambulância e um carro da polícia aproximam-se,param junto ao Nº7; um dos elementos sai do carro e prime a campaínha: -A porta está aberta PÁ... não faças cerimónia, és dos nossos,somos todos irmãos, -diz a Gabi sem levantar os olhos da seringa que estava a preparar.Do escuro corredor,surge lenta a silhueta mal defenida dum homem fardado que pára comovido.A Gabi insiste sem olhar:- Então ficas aí? Não sejas parvo PÁ,não te faças anjinho...Daí a pouco, uma ambulancia com três jovens no seu interior,deixava o Nº 7 da rua 1O. No andar superior,por detrás da cortina a D. Violante,ainda de telemóvel na mão,deixava escapar uma lágrima teimosa pela face enrugada,e erguia as mãos ao Céu pedindo a Deus a regeneração daqueles infelizes.
O candeeiro da sala suspenso do tecto tinha apenas uma luz: as lâmpadas estavam lá mas só figuravam,já não iluminavam.O ambiente era de total desmazelo e abandono.Um sofá e maples de napa,várias almofadas pelo chão, uma mesa e quatro cadeiras com estofos desbotados.Numa das paredes,um relógio de pesos marcava a hora distante em que deixaram de lhe dar corda; na outra em frente uma ampliação fotográfica recordava o dia do casamento do Manuel, casamento interrompido pela morte dela num acidente de automóvel.Ficou só,entregue ao desânimo sem coragem para se libertar do sentimento de culpa que o minava:e assim, dia após dia, foi resvalando para o submundo,primeiro com o álcool,depois”com amigos”que o iniciaram no uso de drogas.Sentada à mesa a Gabi escrevia algo parecido com um diário - tentava sempre escrever antes de se injectar,mas não conseguia,as ideias baralhavam-se na sua cabeça já doente;fôra boa menina,estudara,mas isso já ia longe... o Joca enterrado num dos maples,depois de várias gargalhadas hilariantes,soltava agora uns murmúrios ininteligíveis.O Manuel dono da casa,aniquilado,com o olhar baço e vago,preparava-se para o 5º whisky sem perceber que a garrafa já estava vazia.Os minutos corriam lentos naquele rés do chão Nº7,da rua 1O. Indiferentes aqueles jovens, não viviam vegetavam.No silêncio da noite uma ambulância e um carro da polícia aproximam-se,param junto ao Nº7; um dos elementos sai do carro e prime a campaínha: -A porta está aberta PÁ... não faças cerimónia, és dos nossos,somos todos irmãos, -diz a Gabi sem levantar os olhos da seringa que estava a preparar.Do escuro corredor,surge lenta a silhueta mal defenida dum homem fardado que pára comovido.A Gabi insiste sem olhar:- Então ficas aí? Não sejas parvo PÁ,não te faças anjinho...Daí a pouco, uma ambulancia com três jovens no seu interior,deixava o Nº 7 da rua 1O. No andar superior,por detrás da cortina a D. Violante,ainda de telemóvel na mão,deixava escapar uma lágrima teimosa pela face enrugada,e erguia as mãos ao Céu pedindo a Deus a regeneração daqueles infelizes.
sábado, 3 de janeiro de 2009
AS MINHAS RENDAS DE BILROS



Estas são algumas das primeiras rendas de bilros que fiz quando tinha 20 anos. Não estão muito perfeitas!!Não aprendi numa escola, foi uma amiga. Fizemos um acordo: eu ensinava-a a fazer renda de frioleiras e ela ensinava-me os bilros!Ainda tenho a almofada,os ganchos e os bilros de madeira.
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
A renda de bilros
(Folheto que trouxe de Peniche com motivo de renda de bilros)Quando eu era jovem pouquíssimas famílias possuiam um aparelho de televisão. Algumas e nessas me incluo tinham Rádio (de mesa).Era agradável no silêncio da casa ouvir música ao mesmo tempo que os olhos e as mãos se mantinham em actividade.E qual era a actividade das jovens nos tempos livres? Os bordados e as rendas. Assim eu comecei pelo simples crochet,depois pelas graciosas frioleiras,e finalmente pela renda de bilros.E a trocar os bilros de mão em mão passei tardes inteiras de Domingos de inverno tecendo os naperons que haveriam de compôr os móveis no dia do casamento e seguintes. Ainda os tenho,nós fazíamos enxoval para duas gerações... Hoje poucas jovens se dedicam a este trabalho,requere muita dedicação e persistência. São bonitas as rendas de bilros,mas bastante morosa a sua confecção.Em Peniche dá-se continuidade a esta arte existe até uma escola a funcionar e anualmente acontece uma exposição festa em que a renda é o motivo. Em Vila do Conde “idem” com a particularidade acrescida da existência dum Museu dedicado à renda de bilros,factos a aplaudir,pois tudo que seja arte entendo dever ser protegido e preservado. Esta renda é confeccionada sobre uma almofada dura,de modelo cilíndrico,e com alfinetinhos de cabeça (muitos), claro também os bilros (peça delicada de madeira) e dois espetos de metal, desenhos em cartolina fina, linha especial,mãos levesinhas e a agilidade adquire-se a pouco e pouco.
(Ao recordar a rádio e as rendas lembrei tambem “A Canção das Rendilheiras” interpretada por Luis Piçarra:
Rendilheira que teceis
As finas rendas à mão
Eu dou-vos se vós quereis
Pr´almofada o coração...
Ó vem à janela,como a noite é bela,vem ver o luar,
Linda rendilheira,deixa a travesseira,vem ouvir cantar,
Ó vem à janela, como a noite é bela, vem ver o luar,
Linda rendilheira,deixa a travesseira,vem ouvir cantar...)
(Ao recordar a rádio e as rendas lembrei tambem “A Canção das Rendilheiras” interpretada por Luis Piçarra:
Rendilheira que teceis
As finas rendas à mão
Eu dou-vos se vós quereis
Pr´almofada o coração...
Ó vem à janela,como a noite é bela,vem ver o luar,
Linda rendilheira,deixa a travesseira,vem ouvir cantar,
Ó vem à janela, como a noite é bela, vem ver o luar,
Linda rendilheira,deixa a travesseira,vem ouvir cantar...)

(Outro folheto com excerto de livro sobre a renda de bilros de Peniche e amostra de renda. Já existia no séc. XVII, aparece renda de bilros nas pinturas de Josefa de Óbidos. Também no Brasil se tecem as "rendas da praia" com artefactos semelhantes.)
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
SONHO
Estamos ainda na Quadra Natalícia,longe vão os tempos em que esperava esta festa com ansiedade e alvoroço.O tempo passou,alterou forma de pensar e agir mas ficou a recordação. E hoje senti-me bem a recordar... recordei histórias e resolvi criar tambem uma história de Natal,oxalá tenha engenho para o que me proponho.
Aquele velho Palácio outrora quase um Castelo,tornou-se uma ruína.Pelas inúmeras fendas dominantes em toda a sua estrutura entrava o vento que furiosamente sibilava,e, triunfante,repetia em cada rajada:
- Vê velho Palácio,de nada valeu teu porte altaneiro,tudo tem seu fim, o tempo aniquila... Tantos anos rodopiei em teu redor usando as minhas forças,parecias inexpugnável!Eu dizia para mim: -Não serás eterno! Eterno sou eu ! E hoje aqui estou passeando livremente nas tuas salas como rei e senhor.Sabes Palácio,hoje é Noite de Natal !
E o velho Palácio semelhante a um velho Fidalgo de cãs embranquecidas e alquebrado pela idade,murmurou num misto de coragem e dignidade:
- Sei, sim,é Natal! Como poderia eu ter esquecido?
- Sim,recordas o conforto dos teus aposentos,as amenas cavaqueiras,a Família,as lautas Ceias de Natal...
E o Palácio retorquiu agora com altivez :
-São famosos os serões na Província,aqui assisti a muitos.E tambem às Consoadas aonde estavam presentes os Trabalhadores da Quinta e os pobres do nosso pequeno Povoado; o Senhor Seabra era um bondoso coração !
A Lareira,ainda cheia de lenha mas apagada,suspirou e repetiu tristemente:
-Era um bondoso coração... Para aqui estou, fria e inútil. No seu tempo eu crepitava e aquecia as crianças da Aldeia sentadas à minha volta,enquanto ele lhes contava histórias nas tardes frias de inverno; de tanto as ouvir eu as aprendi: “Era uma vez um Capuchinho Vermelho que ia a ...”
-Cala-te velha desdentada ! -rugiu o vento furioso,fazendo cair mais um pedaço de estuque;agora o Senhor sou eu,destruo a meu belo prazer e detesto ouvir falar de ternuras.
O luar deixou de brilhar,a sala tornou-se negra como brêu e subitamente,um após outro,os relâmpagos rasgaram o céu. Um trovão fantástico ecoou e num clarão imenso de mil côres a lenha da lareira incendiou-se dando luz e calor àquela sala triste. A porta rangeu nos gonzos e deixou passar um vulto,talvez o do velho Fidalgo - o Senhor Seabra- que avançou lentamente e alcançou o maple estofado a seda,gasto pelo uso e coberto de poeira. Sentou-se frente ao lume que crepitava e desenhava nas curtas labaredas danças fantasmagóricas jamais executadas. O silêncio voltou àquele Palácio em ruína.
Pouco depois vozes maviosas ouviam-se à distância entoando em côro canções de Natal e, pelo canto do vidro quebrado da janela,distinguia-se iluminada por uma bela estrela a Gruta de Belém.
Mas não eram as habituais figuras estáticas do Presépio que lá estavam. Ali tudo era físico,humano, e até o Menino Jesus ora dormia,ora chorava,como fazem os bébés recém nascidos.
“Maravilha” pensei, “vou pedir à Virgem Mãe que me deixe pegar o Menino nos meus braços! “ E corri; corri tanto, tanto, até cair de cansaço.
Aquele velho Palácio outrora quase um Castelo,tornou-se uma ruína.Pelas inúmeras fendas dominantes em toda a sua estrutura entrava o vento que furiosamente sibilava,e, triunfante,repetia em cada rajada:
- Vê velho Palácio,de nada valeu teu porte altaneiro,tudo tem seu fim, o tempo aniquila... Tantos anos rodopiei em teu redor usando as minhas forças,parecias inexpugnável!Eu dizia para mim: -Não serás eterno! Eterno sou eu ! E hoje aqui estou passeando livremente nas tuas salas como rei e senhor.Sabes Palácio,hoje é Noite de Natal !
E o velho Palácio semelhante a um velho Fidalgo de cãs embranquecidas e alquebrado pela idade,murmurou num misto de coragem e dignidade:
- Sei, sim,é Natal! Como poderia eu ter esquecido?
- Sim,recordas o conforto dos teus aposentos,as amenas cavaqueiras,a Família,as lautas Ceias de Natal...
E o Palácio retorquiu agora com altivez :
-São famosos os serões na Província,aqui assisti a muitos.E tambem às Consoadas aonde estavam presentes os Trabalhadores da Quinta e os pobres do nosso pequeno Povoado; o Senhor Seabra era um bondoso coração !
A Lareira,ainda cheia de lenha mas apagada,suspirou e repetiu tristemente:
-Era um bondoso coração... Para aqui estou, fria e inútil. No seu tempo eu crepitava e aquecia as crianças da Aldeia sentadas à minha volta,enquanto ele lhes contava histórias nas tardes frias de inverno; de tanto as ouvir eu as aprendi: “Era uma vez um Capuchinho Vermelho que ia a ...”
-Cala-te velha desdentada ! -rugiu o vento furioso,fazendo cair mais um pedaço de estuque;agora o Senhor sou eu,destruo a meu belo prazer e detesto ouvir falar de ternuras.
O luar deixou de brilhar,a sala tornou-se negra como brêu e subitamente,um após outro,os relâmpagos rasgaram o céu. Um trovão fantástico ecoou e num clarão imenso de mil côres a lenha da lareira incendiou-se dando luz e calor àquela sala triste. A porta rangeu nos gonzos e deixou passar um vulto,talvez o do velho Fidalgo - o Senhor Seabra- que avançou lentamente e alcançou o maple estofado a seda,gasto pelo uso e coberto de poeira. Sentou-se frente ao lume que crepitava e desenhava nas curtas labaredas danças fantasmagóricas jamais executadas. O silêncio voltou àquele Palácio em ruína.
Pouco depois vozes maviosas ouviam-se à distância entoando em côro canções de Natal e, pelo canto do vidro quebrado da janela,distinguia-se iluminada por uma bela estrela a Gruta de Belém.
Mas não eram as habituais figuras estáticas do Presépio que lá estavam. Ali tudo era físico,humano, e até o Menino Jesus ora dormia,ora chorava,como fazem os bébés recém nascidos.
“Maravilha” pensei, “vou pedir à Virgem Mãe que me deixe pegar o Menino nos meus braços! “ E corri; corri tanto, tanto, até cair de cansaço.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Não gosto das rimas minhas
Hoje é Domingo. O tempo enevoado e frio,é Inverno... predispõe à melancolia que desejo afastar de mim. Assim fui ao encontro dum dos meus passatempos favoritos, as rimas e, comecei assim:
Eu gostava de rimar
Fazê-lo com perfeição
Rimar luar com amar
Não me dá satisfação
Rimar só por si,é pouco
Preciso doutro sentido
Verso de conteúdo ôco
Não me fica no ouvido
Poetas de grande”porte”
Junqueiro,Antero e o Nobre
Gosto da Poesia forte
Desdenho do verso pobre
Os de Antero,maviosos,
Mordazes os de Junqueiro,
Do Nobre muito mimosos
Como flores em canteiro
Quem me dera o seu rimar
De sílabas tão certinhas!
Modesto o meu versejar
Não gosto das rimas minhas.
(E é verdade não gosto,mas insisto.)
Eu gostava de rimar
Fazê-lo com perfeição
Rimar luar com amar
Não me dá satisfação
Rimar só por si,é pouco
Preciso doutro sentido
Verso de conteúdo ôco
Não me fica no ouvido
Poetas de grande”porte”
Junqueiro,Antero e o Nobre
Gosto da Poesia forte
Desdenho do verso pobre
Os de Antero,maviosos,
Mordazes os de Junqueiro,
Do Nobre muito mimosos
Como flores em canteiro
Quem me dera o seu rimar
De sílabas tão certinhas!
Modesto o meu versejar
Não gosto das rimas minhas.
(E é verdade não gosto,mas insisto.)
sábado, 13 de dezembro de 2008
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