segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A solução da adivinha"complicada"

Esperei,mas concluo que não querem dizer a solução. Refiro-me à ultima adivinha.
Não gostaram? Acharam mórbida? Pois é o inverso,querem saber?
Poderíamos chamar-lhe até, elementos necessários para variações... em dó, ou ré, ou...
Pois: são as 12 cordas da guitarra e os 5 dedos da mão.

Um conselho

Reflexão
Para conseguir efeitos grandes,e para levar a cabo empresas dificultosas,
mais segura é uma ignorância bem aconselhada, que uma ciência presumida,
(Padre António Vieira)

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Terrivel mania

Hoje voltei às rimas,simples, coitadinhas,apenas para falar das minhas manias,que são muitas,mas por agora só conto esta:

Mas que terrivel mania
Eu fui encaixar na tóla,
De vir a acertar um dia
Nos treze do totobola.

E assim presa à quimera,
Lá fui jogando,jogando,
Mas acertar,quem me dera...
Será que acerto,mas quando?

Decerto nunca: que esperava?
A esperança me vai fugindo,
Mas que gostava,gostava...
O dinheirinho é tão lindo!

Mas não quero abandonar,
Tentar está-me no gôto...
Como este me está a falhar,
Vou mudar p’ró totolôto.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

A paciência

A paciência faz contra as ofensas o mesmo que as roupas fazem contra o frio; pois, se vestires mais roupas conforme o inverno aumenta, tal frio não te poderá afectar. De modo semelhante, a paciência deve crescer em relação às grandes ofensas; tais injúrias não poderão afectar a tua mente.

Leonardo da Vinci

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Adivinha

Hoje não estou bem de saúde,por isso não vou escrever sobre recordações ou sonhos... Mas quero dizer que gostei dos comentários que deixaram para mim. Continuem,agradeço. Para a Lenita que comunga comigo as recordações do Montemor antigo, um beijinho.

A adivinha anterior refere-se aos livros,a resposta são as respectivas folhas.

E de novo outra adivinha:

Doze mortos estendidos
E cinco vivos lhes dão
Os mortos soltam gemidos
E os vivos calados estão.

O que é ?

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Não há bela sem senão


Hoje é Domingo e, embora o sol já tenha feito uma aparição fugaz,nesta altura a chuva cai forte, mas é natural que faça frio e chova porque é Inverno.
Agora eu "não gosto"deste tempo escuro,torna-me mais melancólica ainda, mas há muitos anos atrás eu recebia o Inverno com boa disposição, e a chuva com alegria. E porquê ? Porque havia a perspectiva das cheias.A neve acumulava-se na serra e por vezes a chuva a seguir (que os mais velhos diziam ser morna)derretia a neve ,e aí vinha a água engrossar o Mondego que por sua vez alagava não só os campos,mas também alguns bocados da rua que atravessa ainda Montemor,e entrava no rés do chão da minha casa e nas outras.Não era muita água,por isso é que eu gostava,porque podia sair e andar descalça naquela água tão fria.Os adultos desejavam que ela fosse embora e quando eu ouvia dizer "já está a baixar",então é que eu ficava com pena.O tempo passou,apurou a mentalidade,e as enchentes deixaram de me fascinar,até porque ganharam maior volume,cobriam a rua inteira (do princípio ao fim),e impediam as pessoas de sair de casa.Instalava-se até uma certa apreensão e tristeza,especialmente quando a noite chegava. Tentava-se minorar fazendo um pouco de serão à janela conversando com as visinhas olhando a àgua e falando dela... uma a uma iam-se despedindo,ali ficava o silêncio,e dentro de casa um sono pouco tranquilo.E foi assim igual durante muitos anos,até ser possível alterar o curso do rio,e então acabaram as cheias.Não há bela sem senão,perdeu-se a beleza do rio,(sempre tão cantado por onde passa) perdeu-se a paisagem envolvente do Casal Novo do Rio,e a Vala que tão maltratada era,mas sendo um fio d´agua que atravessava a Vila podería ter sido aproveitada. Acabaram as cheias,na verdade não se pode ter tudo.

Sonhos politicos


Ainda não sei se sou ou não supersticiosa. Por vezes estamos convencidas que estamos acima disso e quando reparamos já não temos a certeza... mas a verdade é que nunca dei valor aos sonhos como sendo premonições.É raro lembrar-me do que sonhei,mas quando consigo, e o caso é fora de propósito, descabido,dá para sorrir...
Há uns dias atrás sonhei que caminhava para uma festa (não sei qual),mas devia ser importante a avaliar pela minha "indumentária".Vestido comprido de seda de côr clarinha,lindo,e pasme-se, quem me levava pelo braço? O dr. Ferro Rodrigues! Mas acordei durante o percurso... Ontem voltei a sonhar; os pintores tinham acabado de me pintar uma sala e eu fui ver como estava a obra; e quem é que eu encontro todo atarefado a colocar as sanefas de madeira? O engenheiro Sócrates... e ansioso pela minha aprovação, em relação à qualidade do trabalho...desta vez até ri alto!
(Querem ver que nalguma outra vida anterior eu era mulher de algum ministro ? )

Bordado à máquina


Desta vez um naperon bordado à máquina...

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O Carnaval dos anos 50


No Domingo e Terça-Feira Gorda as raparigas evitavam sair à rua porque os rapazes empoavam-nas.Esfregavam-lhe a cabeça com farinha deixando o cabelo fortemente empoado, a necessitar lavagem imediata.Eles entravam mesmo nas residências,era permitido,era tradição.As raparigas trancavam as portas,e gozavam-nos das janelas,mas por vezes os mais ousados iam buscar uma escada de mão,subiam, entravam e empoavam.Elas barafustavam e eles saíam triunfantes dum acto que só o Carnaval permitia.Animação na rua,era nada... apareciam uns mascarados desgarrados,agora dois,mais tarde outros tantos,um grupito,vestidos de andrajos,casacos d´homem voltados do avesso, abrigados com um chapéu de chuva todo deformado,a cara escondida por uma renda branca,e na cabeça um chapéu de feltro velho,ou um lenço já transformado em trapo.Percorriam as ruas proferindo uns sons guturais,acenando para as pessoas que se encontravam nas janelas.Ficavam felizes por não serem reconhecidos,e assim se divertiam.A nota mais graciosa eram as crianças,vestidas com trajes de fantasia; Nazarena,Gandareza,Minhota,
Lavadeira,Madeirense,Holandeza,Boneca,Tricana de Coimbra,e outros.Os meninos vestiam-se de Palhaço ou Campino.Passeavam-se em grupinhos e dançavam,danças de roda,tudo expontâneo como só as crianças sabem ser. E o Carnaval era isto ou pouco mais.Mas o ponto alto era o baile à noite,no Teatro Ester de Carvalho.Não era possível dançar bem porque o espaço era curto,mas entre encontrões e pedidos de desculpa,todos se divertiam, sob o olhar atento das mães que acompanhavam as filhas, e aguentavam penosamente até ao fim do baile sentadas,o barulho da orquestra e o calor,porque a afluência era muita e não havia ventilação.Num desses bailes no Domingo Gordo,depois da Orquestra Serra e Moura ter tocado e os pares dançado várias vezes,estando tudo animado,um membro da orquestra acercou-se do microfone e pediu silêncio,porque queria fazer uma comunicação importante.
Alguns dos presentes pensaram numa má noticia. Queria informar que tinha sido encontrado ali um objecto de valor e seria entregue a quem o reclamasse,provando que lhe pertencia.As raparigas afagaram de imediato o seu fio ou alfinete d´ouro,certificando-se da sua existência: os rapazes além do relógio de pulso nada mais usavam.O baile continuou e instalou-se a expectativa:o que seria que tinham encontrado? Pelo modo era coisa de valor,dizia-se em voz baixa...
Mais apelos iam sendo ouvidos,e agora já com mais pormenor: "Queremos entregá-lo ao legítimo dono,só terá de provar que é mesmo seu.Eu penso que nenhum de vós vai dizer que é vosso sem ser,até porque está aqui a Autoridade,a Guarda Republicana..."E os guardas deram dois passos em frente ! (Gostaram da referência.) O baile aproximava-se do fim,chegou o momento tão ansiosamente esperado: "Como até agora ninguém veio reclamar o objecto,que é de valor,eu vou mostrar.O dono vai aparecer porque ao vê-lo conhece logo que é seu,mas não se esqueça,tem de provar que realmente é. (Quem assim falava era o Germano.)
O espaço entre ele e o público era cada vez mais diminuto,todos ansiosos empurrando-se para verem bem de perto.Então ele com uma expressão muito séria,exclamou:O objecto é este! E erguendo bem alto o braço mostrou na mão uma enorme pinha de pinheiro bravo. Ouviu-se um "oh" de espanto e decepção,e toda a multidão masculina que hà pouco se acotovelava,recuou subitamente em silêncio...As espectadoras sentadas soltaram em uníssono gargalhada geral ! Ele mantinha-se firme no palanque da sua Orquestra com a pinha na mão,e sem se rir ainda perguntou:Então não pertence a ninguém? Têm vergonha de a vir buscar? Então aí vai ela...e atirou-a para o meio da sala. Alguém a apanhou. A dança recomeçou com o habitual passo-doble que finalizou aquele baile, que hoje gostei de recordar.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Uma nova adivinha

Quais são as folhas que não crescem
mas fazem crescer?

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Quinto andar


Vivi em Montemor (minha terra) durante mais de vinte anos,e sempre na mesma habitação,até ao dia em que casei e fomos viver na nossa linda capital Lisboa.Foi a primeira vez que mudei de residência,e posso confessar que mercê das circunstâncias,eu adorei a minha nova casa,até porque era um andar semi-novo num prédio moderno e numa rua com movimento. Volvidos alguns anos mudámos não só de casa mas de cidade,instalámo-nos em Braga.Aí conheci mais duas residências,e julguei que seria aí que acabaria os meus dias(e as mudanças)mas não,pois quando menos esperava estavamos a caminho da Figueira.Nova casa portanto, mas aqui com um pormenor agradável-casa própria.Daí a uns tempos começámos a pensar numa outra casa talvez uma vivenda,e procurámos, mas acabámos por optar de novo por um andar,maior e com outras comodidades.Vimos crescer o prédio,fizemos algumas escolhas que foram atendidas,ficou pronto e fomos habitá-lo. Ó triste realidade,eu que tanta vez tinha mudado de casa sem sentir mossa,desta vez detestei o andar! Eu não gostava de nada,tudo me parecia mal,o meu desejo era sair daqui.No íntimo como que envergonhada do meu pensar,eu dizia a mim própria "quantas pessoas querem uma casa pequenina e não a têm",e ficava a censurar-me... sofri,sofri mesmo,feita tola. Quando já "estava melhor"fiz estas rimas,e hoje que"estou curada"escrevo-as a rir...
Confissão

Mudei-me para o novo quinto andar
E passei a viver cá nas alturas
Custou-me mesmo muito a habituar;
Olhar pela janela fazia-me tonturas...

O ser humano a tudo se habitua
E a minha pessoa não será excepção
Já não fico perturbada ao ver a rua,
Nem ao pensar a que distância estou do chão.

Mas recordo o desânimo e o medo,
Que me assaltavam na noite e madrugada,
Tudo se conjugava p´ra meu desassocego;
Até no elevador fiquei trancada!

Aos poucos vi então tantas belezas
Que só do alto os olhos podem ver:
Mas que saudade das casas portuguesas
Que nas aldeias ainda hão-de haver!

Sem grandes escadas,sem elevadores,
Com amigos que lá são os vizinhos;
Canteiros às portas,muitas flores,
Pássaros trinando;e nos beirais,os ninhos.

Bolsa da rendinha

Tinha 13 anos quando bordei esta bolsinha.Desenhei o patinho, e bordei tudo à mão. Guardava aqui dentro a renda, a agulha de farpa e o novelo de linha.Fazia a renda com esta saquinha enfiada no braço com o novelo lá dentro o que evitava que a linha se sujasse.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Mais uma adivinha para hoje

Lutos são trajos meus,
duro é o meu coração;
com as gotas do meu sangue
as trevas fugindo vão.
Quem sou eu?

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Advinha

Ontem deixei aqui uma citação,hoje é uma adivinha:
Por onde é que passa um elefante e não passa um mosquito?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Uma citação antiga

"Enquanto fores feliz, terás muitos amigos; Se o céu se toldar, ficarás sozinho."Ovídio

sábado, 24 de janeiro de 2009

Vem aí o Carnaval!


Habituei-me a pensar e a dizer que o tempo passa depressa, e o certo é que ele continua igual no seu ritmo certinho, não está agora mais rápido, nada disso.Eu e como eu muitas pessoas é que adoptámos um estilo de vida que nos preenche de tal modo que nem damos pelo tempo passar,e nesta altura constatamos que ainda há pouco era Natal,e já o Carnaval se avizinha.Esta festa não me entusiasma e valorizo quem tem alegria interior para se divertir e proporcionar risos e animação em seu redor.Aplaudo portanto os foliões e desejo que nunca acabem.
Eu tenho boas recordações dos carnavais da minha infância e juventude.Aquelas festas eram quase nada,mas eu esperava ansiosa pelo Domingo Gordo para vestir uma fantasia e andar toda a tarde rua abaixo rua acima, com as outras meninas.Sempre sonhei vestir um fato de Minhota, mas tal nunca aconteceu (para pena minha).A última vez que vesti uma fantasia,já era moça crescidita: já calçava sapatos de salto alto e já dançava.Fui ao baile de vestido comprido,uma alegoria à Primavera-é a foto que ilustra o blog. Outros carnavais se sucederam e foi num desses bailes no Teatro que conheci o meu marido.Eu digo conheci porque embora residissemos na mesma localidade,nunca nos tinhamos encontrado,nem falado,foi necessário ser carnaval e haver baile para nos conhecermos!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Florinhas azuis e amarelas

Esta flores bordadas fiz quando tinha 13 anos.Como podem ver o matiz ainda está muito rudimentar!!! Todos os pedacinhos de tecido se aproveitavam!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

O legado dos Templários,um bom livro

A contas com uma gripe massadora que não me leva para a cama mas me tira disposição e paciência,agarro-me à tábua de salvação que para mim é a leitura,nos tempos livres que até são de curta duração,mas duma enorme eficácia.Quando leio alheio-me de tudo à minha volta,é o livro, eu, e nada mais.Assim acabei de ler hoje uma obra que me agradou embora peque por demasiado extensa:O LEGADO DOS TEMPLÁRIOS,de Steve Berry.Muito do que está escrito é criação do autor,mas baseia-se especialmente em factos verídicos.Dos Templários muito se tem escrito, sabemos que possuiam enormes conhecimentos, eram duros nas suas regras,misteriosos, e detentores de fortuna fabulosa,que nunca foi encontrada.Eram dominadores, controlavam os reis e até o papa,sendo tambem administradores das suas riquesas.Mas “grande nau grande tormenta”,a inveja e a ambição do rei Filipe,o Belo,ditaram o fim dos Cavaleiros do Templo em 1314 em circunstâncias bastante penosas.Viveram em França mas também no nosso país,a Cidade de Tomar guarda ainda belas recordações,no meu entender pouco divulgadas.O cinema não os esqueceu,exemplo disso O Código Da Vinci,que tive oportunidade de ver há pouco tempo na TV,e,gostei.

Um pequeno naperon de crochet


sábado, 17 de janeiro de 2009

SOITO da RUIVA,uma aldeia pequenina

Descobri um sítio muito interessante: é uma aldeia onde vivem 19 pessoas.
Ver mais coisas em aldeia do Soito da Ruiva!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

TEMPOS ANTIGOS:A EMISSORA NACIONAL


Claro que “advinhei” logo quem me deixou o extenso comentário! Modéstia à parte gostei dos elogios,mas estou certa das minhas limitações.No entanto eu tive sempre gosto em escrever,e continuo.A primeira vez que eu escrevi para ser ouvida tinha 17 anos; a Emissora Nacional,que nessa altura transmitia só durante algumas horas,convidou os ouvintes a mandar um texto cujo tema seria a sua terra (do ouvinte).Pus logo mãos à obra,escrevi, rasguei escrevi,e com a ajuda do meu pai que cortou e emendou o que estaria menos bem,dactilografei o texto onde falava do nosso Montemor-o-Velho,da sua história,das colectividades existentes,das profissões que ocupavam os homens nessa altura,das feiras e das belezas naturais.Eu nunca tinha viajado,do país só conhecia Coimbra e seus monumentos,e da Figueira da Foz, a praia,no entanto afirmei que Montemor era uma das mais bonitas terras de Portugal.Chegou o dia da transmissão (anunciada dias antes),e foi com muita alegria (aquela dos 17 anos) que eu ouvi o meu texto e o meu nome ser lido pelo grande locutor e senhor: Pedro Moutinho.Os Montemorenses que tinham rádio também gostaram,e manifestaram-se com palavras bonitas,que eu gostei muito de ouvir.
Como isto está distante... mas ainda perto,porque não esqueci.E agora um beijinho para a Lenita,que indirectamente me trouxe a inspiração para “falar” da nossa terra.Prometo dizer mais coisas.


Retirei da Wikipédia:


"A Emissora Nacional foi essencialmente definida à imagem de congéneres europeias. Concebida num quadro político interno e externo em que as rádios nacionais desempenhavam sobretudo um papel de veículo dos interesses do Governo, esta característica acentuou-se ainda mais no caso português em função do regime totalitário que vigorou até 1974.
Em
1940, libertou-se da tutela dos CTT, iniciando-se, nessa altura, o modelo de implantação regional no continente e ilhas.
Baseada num modelo sóbrio de apresentação e recorrendo a locutores de alta qualidade, a Emissora Nacional, embora assumindo sistematicamente o seu papel de órgão de propaganda do chamado
Estado Novo, soube desenvolver uma cultura própria que influenciou fortemente a sociedade e marcou decisivamente a história da rádio em Portugal.
Da dinâmica inicial, que se estendeu ao longo dos
anos 50, surgiram as orquestras da Emissora Nacional - Sinfónica, Típica e Ligeira - o Centro de Formação de Artistas da Rádio, onde se revelaram alguns dos grandes nomes da música portuguesa, o teatro radiofónico, de que são paradigma os folhetins e programas, com destaque para o "Domingo Sonoro" e os "Diálogos da Lelé e do Zequinha" que ficaram na memória colectiva dos portugueses. Este modelo pouco se altera até ao 25 de Abril de 1974."

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

TRÊS AMIGUINHOS

Hoje ao proceder a uma organização na minha estante que estava um caos mais parecendo um arrumo de livros feito a esmo,encontrei o meu primeiro álbum de fotografias.Claro, não resisti e ali fiquei “a olhar para trás”... Lá estou eu em várias fotos muito pequenina e rechonchuda.Esta que vos mostro,que não estaria bem segura, soltou-se e foi ao chão; apanhei-a de imediato,e fiquei também a olhá-la pensando na razão da sua existência,na história que a minha mãe sempre me contava e que por isso nunca esqueci. “E quem são estes três da vida airada ?” O José Pinto, a Dilita e o primo do Zé, o Chico;moravam no Casal Novo do Rio e eram vizinhos. Naquela época as pessoas tinham fé nos Santos,a eles imploravam para boa produção de colheita e protecção do gado.Os pais dos meninos eram lavradores e toda a família se “apegava” a São Tomé,e na altura da Festa lá iam até à Ferreira cumprir as promessas porque São Tomésinho lhes tinha “ouvido” as súplicas”.Nesse ano (o meu primeiro a residir no Casal Novo do Rio) a minha mãe foi convidada pelas vizinhas e amigas (a Ti Marquitas e a Ti Milita) para ir com elas ao São Tomé. E fômos.O transporte eram dois carros de bois,enfeitados com flores naturais e de papel,uma colcha colorida fazia o tecto, as mulheres e as crianças sentavam-se no chão dos referidos (forrados com mantas),e no mesmo espaço também se acomodavam os cestos como farnel.Os maridos guiavam o gado,iam a pé.Era longe,necessário sair de madrugada e assim aconteceu. Era regra os carros à chegada,com a comitiva, darem determinado número de voltas à Capela,e só depois estacionar.Claro que não me lembro de ter passado por nada disto,nem mesmo do facto irrisório de ter enjoado durante a viagem... Mas sei que para as nossas mães,(que actualmente já não estão connosco) este passeio nunca foi esquecido.Para nós ficou o relato,várias vezes repetido,e a fotografia onde se distinguem nas nossas mãos uns brinquedos,recordação da festa de São Tomé.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Amigas à distância

Quando a minha filha mais nova andou na catequese, há vinte e sete anos, a Irmã Rosa, catequista, pediu-me se assinava a Família Cristã pois se ela conseguisse um número determinado de assinaturas ganhava uma viagem à Terra Santa.Eu concordei e disse-lhe que me trouxesse uma prenda de lá. Mas ela não conseguiu!Ainda hoje sou assinante da revista que tem textos sobre religião, família,actualidades diversas. Por algumas vezes troquei correspondência com leitoras, como a D.Tina, de Vila Real, isso já foi há dez anos e na altura fiz estas quadras:


É de noite


Já dorme a minha família
Meu sono inda não chegou
Pus-me a pensar,que quezília,
No tempo que já passou.

Melancolia duma figa
Não quero dar-te atenção,
Desejei ter uma amiga
P´ra conversar ao serão...

Pus-me a pensar nas antigas
Do tempo da mocidade:
Todas têm suas vidas
Esqueceram-se,com a idade...

Tenho uma revista ao pé
E que leio p´ra meu contento?
Alguém que pede”sem fé”
Uma palavra d´alento...

Pego na caneta e digo,
A escrever claro está,
Que pode falar comigo
Eu de cá, ela de lá.

E assim,sem grande fadiga,
Com uma carta pequenina
Eu conheci uma amiga
Transmontana,é D. Tina.

VIDAS

(Sinto desejo de escrever “qualquer coisa” mas a inspiração está limitada; não vai aparecer um texto alegre.)

O candeeiro da sala suspenso do tecto tinha apenas uma luz: as lâmpadas estavam lá mas só figuravam,já não iluminavam.O ambiente era de total desmazelo e abandono.Um sofá e maples de napa,várias almofadas pelo chão, uma mesa e quatro cadeiras com estofos desbotados.Numa das paredes,um relógio de pesos marcava a hora distante em que deixaram de lhe dar corda; na outra em frente uma ampliação fotográfica recordava o dia do casamento do Manuel, casamento interrompido pela morte dela num acidente de automóvel.Ficou só,entregue ao desânimo sem coragem para se libertar do sentimento de culpa que o minava:e assim, dia após dia, foi resvalando para o submundo,primeiro com o álcool,depois”com amigos”que o iniciaram no uso de drogas.Sentada à mesa a Gabi escrevia algo parecido com um diário - tentava sempre escrever antes de se injectar,mas não conseguia,as ideias baralhavam-se na sua cabeça já doente;fôra boa menina,estudara,mas isso já ia longe... o Joca enterrado num dos maples,depois de várias gargalhadas hilariantes,soltava agora uns murmúrios ininteligíveis.O Manuel dono da casa,aniquilado,com o olhar baço e vago,preparava-se para o 5º whisky sem perceber que a garrafa já estava vazia.Os minutos corriam lentos naquele rés do chão Nº7,da rua 1O. Indiferentes aqueles jovens, não viviam vegetavam.No silêncio da noite uma ambulância e um carro da polícia aproximam-se,param junto ao Nº7; um dos elementos sai do carro e prime a campaínha: -A porta está aberta PÁ... não faças cerimónia, és dos nossos,somos todos irmãos, -diz a Gabi sem levantar os olhos da seringa que estava a preparar.Do escuro corredor,surge lenta a silhueta mal defenida dum homem fardado que pára comovido.A Gabi insiste sem olhar:- Então ficas aí? Não sejas parvo PÁ,não te faças anjinho...Daí a pouco, uma ambulancia com três jovens no seu interior,deixava o Nº 7 da rua 1O. No andar superior,por detrás da cortina a D. Violante,ainda de telemóvel na mão,deixava escapar uma lágrima teimosa pela face enrugada,e erguia as mãos ao Céu pedindo a Deus a regeneração daqueles infelizes.

sábado, 3 de janeiro de 2009

AS MINHAS RENDAS DE BILROS


Estas são algumas das primeiras rendas de bilros que fiz quando tinha 20 anos. Não estão muito perfeitas!!Não aprendi numa escola, foi uma amiga. Fizemos um acordo: eu ensinava-a a fazer renda de frioleiras e ela ensinava-me os bilros!Ainda tenho a almofada,os ganchos e os bilros de madeira.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A renda de bilros

(Folheto que trouxe de Peniche com motivo de renda de bilros)

Quando eu era jovem pouquíssimas famílias possuiam um aparelho de televisão. Algumas e nessas me incluo tinham Rádio (de mesa).Era agradável no silêncio da casa ouvir música ao mesmo tempo que os olhos e as mãos se mantinham em actividade.E qual era a actividade das jovens nos tempos livres? Os bordados e as rendas. Assim eu comecei pelo simples crochet,depois pelas graciosas frioleiras,e finalmente pela renda de bilros.E a trocar os bilros de mão em mão passei tardes inteiras de Domingos de inverno tecendo os naperons que haveriam de compôr os móveis no dia do casamento e seguintes. Ainda os tenho,nós fazíamos enxoval para duas gerações... Hoje poucas jovens se dedicam a este trabalho,requere muita dedicação e persistência. São bonitas as rendas de bilros,mas bastante morosa a sua confecção.Em Peniche dá-se continuidade a esta arte existe até uma escola a funcionar e anualmente acontece uma exposição festa em que a renda é o motivo. Em Vila do Conde “idem” com a particularidade acrescida da existência dum Museu dedicado à renda de bilros,factos a aplaudir,pois tudo que seja arte entendo dever ser protegido e preservado. Esta renda é confeccionada sobre uma almofada dura,de modelo cilíndrico,e com alfinetinhos de cabeça (muitos), claro também os bilros (peça delicada de madeira) e dois espetos de metal, desenhos em cartolina fina, linha especial,mãos levesinhas e a agilidade adquire-se a pouco e pouco.


(Ao recordar a rádio e as rendas lembrei tambem “A Canção das Rendilheiras” interpretada por Luis Piçarra:

Rendilheira que teceis
As finas rendas à mão
Eu dou-vos se vós quereis
Pr´almofada o coração...

Ó vem à janela,como a noite é bela,vem ver o luar,
Linda rendilheira,deixa a travesseira,vem ouvir cantar,
Ó vem à janela, como a noite é bela, vem ver o luar,
Linda rendilheira,deixa a travesseira,vem ouvir cantar...)

(Outro folheto com excerto de livro sobre a renda de bilros de Peniche e amostra de renda. Já existia no séc. XVII, aparece renda de bilros nas pinturas de Josefa de Óbidos. Também no Brasil se tecem as "rendas da praia" com artefactos semelhantes.)

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

SONHO

Estamos ainda na Quadra Natalícia,longe vão os tempos em que esperava esta festa com ansiedade e alvoroço.O tempo passou,alterou forma de pensar e agir mas ficou a recordação. E hoje senti-me bem a recordar... recordei histórias e resolvi criar tambem uma história de Natal,oxalá tenha engenho para o que me proponho.

Aquele velho Palácio outrora quase um Castelo,tornou-se uma ruína.Pelas inúmeras fendas dominantes em toda a sua estrutura entrava o vento que furiosamente sibilava,e, triunfante,repetia em cada rajada:
- Vê velho Palácio,de nada valeu teu porte altaneiro,tudo tem seu fim, o tempo aniquila... Tantos anos rodopiei em teu redor usando as minhas forças,parecias inexpugnável!Eu dizia para mim: -Não serás eterno! Eterno sou eu ! E hoje aqui estou passeando livremente nas tuas salas como rei e senhor.Sabes Palácio,hoje é Noite de Natal !
E o velho Palácio semelhante a um velho Fidalgo de cãs embranquecidas e alquebrado pela idade,murmurou num misto de coragem e dignidade:
- Sei, sim,é Natal! Como poderia eu ter esquecido?
- Sim,recordas o conforto dos teus aposentos,as amenas cavaqueiras,a Família,as lautas Ceias de Natal...
E o Palácio retorquiu agora com altivez :
-São famosos os serões na Província,aqui assisti a muitos.E tambem às Consoadas aonde estavam presentes os Trabalhadores da Quinta e os pobres do nosso pequeno Povoado; o Senhor Seabra era um bondoso coração !
A Lareira,ainda cheia de lenha mas apagada,suspirou e repetiu tristemente:
-Era um bondoso coração... Para aqui estou, fria e inútil. No seu tempo eu crepitava e aquecia as crianças da Aldeia sentadas à minha volta,enquanto ele lhes contava histórias nas tardes frias de inverno; de tanto as ouvir eu as aprendi: “Era uma vez um Capuchinho Vermelho que ia a ...”
-Cala-te velha desdentada ! -rugiu o vento furioso,fazendo cair mais um pedaço de estuque;agora o Senhor sou eu,destruo a meu belo prazer e detesto ouvir falar de ternuras.
O luar deixou de brilhar,a sala tornou-se negra como brêu e subitamente,um após outro,os relâmpagos rasgaram o céu. Um trovão fantástico ecoou e num clarão imenso de mil côres a lenha da lareira incendiou-se dando luz e calor àquela sala triste. A porta rangeu nos gonzos e deixou passar um vulto,talvez o do velho Fidalgo - o Senhor Seabra- que avançou lentamente e alcançou o maple estofado a seda,gasto pelo uso e coberto de poeira. Sentou-se frente ao lume que crepitava e desenhava nas curtas labaredas danças fantasmagóricas jamais executadas. O silêncio voltou àquele Palácio em ruína.
Pouco depois vozes maviosas ouviam-se à distância entoando em côro canções de Natal e, pelo canto do vidro quebrado da janela,distinguia-se iluminada por uma bela estrela a Gruta de Belém.
Mas não eram as habituais figuras estáticas do Presépio que lá estavam. Ali tudo era físico,humano, e até o Menino Jesus ora dormia,ora chorava,como fazem os bébés recém nascidos.
“Maravilha” pensei, “vou pedir à Virgem Mãe que me deixe pegar o Menino nos meus braços! “ E corri; corri tanto, tanto, até cair de cansaço.



domingo, 28 de dezembro de 2008

Não gosto das rimas minhas

Hoje é Domingo. O tempo enevoado e frio,é Inverno... predispõe à melancolia que desejo afastar de mim. Assim fui ao encontro dum dos meus passatempos favoritos, as rimas e, comecei assim:

Eu gostava de rimar
Fazê-lo com perfeição
Rimar luar com amar
Não me dá satisfação

Rimar só por si,é pouco
Preciso doutro sentido
Verso de conteúdo ôco
Não me fica no ouvido

Poetas de grande”porte”
Junqueiro,Antero e o Nobre
Gosto da Poesia forte
Desdenho do verso pobre

Os de Antero,maviosos,
Mordazes os de Junqueiro,
Do Nobre muito mimosos
Como flores em canteiro

Quem me dera o seu rimar
De sílabas tão certinhas!
Modesto o meu versejar
Não gosto das rimas minhas.

(E é verdade não gosto,mas insisto.)