domingo, 24 de fevereiro de 2013

Gostar de coisas bonitas

 Já tenho ouvido alguns reparos assim em geito de brincadeira, por causa dos meus gostos em relação às artes. O meu marido até me diz que eu tenho gostos aristocráticos... Tudo isto na risada, claro, mas se calhar não está totalmente afastado da verdade, porque de facto eu aprecio tudo o que é arte. Sou capaz de passar um dia inteiro num Museu nas salas onde "vive" a pintura. Quando ouço alguém censurar o nosso Rei D. João V, eu fico caladinha, não o posso recriminar, porque estou do lado dele. Desde o mobiliário, as   pratas, as esculturas, tantas maravilhas que ficaram ligadas ao seu reinado, isso tudo me fascina. Um dia visitamos (eu e o meu marido) o Convento de Mafra, que riqueza de arte, e só me refiro à Igreja, porque falar do recheio das salas que seriam habitação de férias para os Monarcas, fica para outra altura.
Também se ouvem criticas a esta obra enorme, o próprio Saramago o fez até em pormenor, mas, "o pensamento é livre como o vento," assim escreveu o poeta Manuel Alegre, e como tal, eu tenho opinião positiva em relação ao Rei vaidoso,  e afirmo que a arte é património, e saúdo com um bem haja quem a faz, e quem a manda fazer, para que fique para a posteridade.
Ai, mas onde esta conversa já vai... Eu vinha para falar só um pouquinho de Verdi, um compositor que nos deixou Óperas lindas, a sua música é duma doçura infinita, mas agora já não escrevo mais, prefiro pedir que vejam este pequeno filme, onde quanto a mim tudo ali é beleza.

(antes tenho de confessar que o belo-canto é outra das artes que me fascina.

Quanto ao filme foi-me enviado por uma amiga, a D. Zinha, também ela "navegadora" no campo das artes.)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Adeus Bento XVI

E o Carnaval já ficou para trás. Parece-me até que muitas pessoas, sobretudo aquelas que não se juntaram à festa nem se lembraram mais dele. Eu quase me esqueci no antes, no durante, e no após. Mas tenho gratas recordações dos Carnavais de há muitos anos atrás, e tenho pena que neste ano a chuva viesse inoportuna, "proibir" a diversão a quem ansiava por ela. Mas tudo passou, e ontem a noticia era outra: - o Papa vai renunciar - ouvi na rádio pela manhã. Não fiquei assim muito admirada, embora este facto não seja vulgar. Lembrei-me do anterior, o Papa João Paulo II quando da sua primeira vinda a Portugal. Era um homem cheio de saude, comunicativo, falava da fé com alegria, conquistou cristãos e ateus. E depois nos seus ultimos tempos de vida, minado pela doença, num autentico suplicio à vista de todos; por pouco que não o viamos no seu ultimo suspiro. Nessa altura eu perguntava a mim própria,se esta seria mesmo a vontade do Papa, que o vissem tão sofredor e tão triste. Não teria sido muito mais lógico ser observada a privacidade?
E não pude deixar de concluir que a Igreja valorisou aquele sofrimento, até porque o expôs, e em larga escala. Também estas ideias veem dos tempos antigos; se repararmos, se fizermos uma pesquisa em relação aos Santos, a maioria só ascendeu aos Altares, porque sofreu torturas e morte violenta.
Há aqueles que pelas suas virtudes, seu saber, sua bondade, foram igualmente santificados, mas são em menor numero.
Estamos em 2013, tudo evoluiu, para melhor, para pior... mas depois da escolha sempre fica algo positivo.
O Papa é um homem, não lhe chamem Santo assim que toma posse do mais alto cargo da Cristandade. Como homem está à mercê do desgáste que o tempo produz. A saúde escasseia, a força e a coragem diminuem, não há alternativa.
Há porém ainda, a inteligência, para decidir. ( antes que o inevitável aconteça)
Foi o que fez o Papa!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Fui roubada!!!

Pois é assim mesmo! Fui mesmo roubada!!!! Porque não é só a quem assalta pessoas e habitações, ou tira artigos do supermercado, que podemos acusar de que praticou roubo. Eu vou contar: - como é habitual ao fim do dia, o meu marido enquanto aguarda pelo jantar, vai abrir o computador para ver o correio. Neste dia, que não interessa a exatidão da data, algo o surpreendeu. Entusiasmado chamou-me com insistência, para que eu visse o que um amigo lhe tinha mandado. Fui ver, e de que se tratava afinal ? Dum video sobre Montemor-o-Velho.
Eu não contive o meu espanto, mas pela inversa, pela negativa. E porquê? Porque o que ali estava na minha frente era um conjunto de dezasseis fotografias da minha autoria. Sim, da minha autoria, e que eu havia colocado no meu blogue alguns meses antes. Fotografias realizadas há cinquenta anos atrás, com uma máquina que ainda guardo por estima, e, facto curioso, o fotografo que as revelou é daqui da Figueira, e ainda está vivo.

( No ano passado deu-me para recordar, e abri os albuns que guardam recordações de Montemor, eu não tenho só estas fotos, tenho mais, mas decidi colocar apenas estas no meu blogue, acompanhadas dumas palavras algo elucidativas, pois todas elas representam um passado já distante.Recebi comentários e emails  sobretudo do Brasil, que me agradaram imenso, e depois naturalmente esqueci o assunto.)

Voltando ao caso,esta criatura nem se deu ao trabalho de alterar a sequência das fotos, foi rapinar do blogue e proceder à obra, como se aquilo fosse tudo dele. Passada a surpresa, decidi identificar esta pessoa que até colocou o seu nome no referido video. O nome  e também o pseudónimo. De posse do seu endereço, decidi escrever-lhe. Como na altura não me sentia bem de saúde, encarreguei a minha filha (que até é advogada mas que sabe muito destas coisas por trabalhar na área criativa e na internet e precisar de proteger o que faz) de o fazer. Ela informou-o de que estas utilizações carecem da autorização do proprietário da coisa, mas que eu não me importava desde que ele colocasse lá o meu nome, pois as fotos têm dona, sou eu ,a autora. Respondeu impante, como se tivesse feito um ação muito bonita, e ainda impôs condições, ficando à espera delas, para depois, então, pôr o nome...!É preciso ser-se muito medíocre, muito pouco gente, para falar assim.

Contudo as fotos são minhas, estão registadas, são património exclusivamente meu. Fui roubada, e sem direito a receber desculpas, esta é a verdade nua e crua."Porque quem não tem vergonha, todo o mundo é seu." ainda não tomei medidas, mas já sei como proceder e irei fazê-lo. Isto não é correcto.


Eis os links para algumas delas caso queiram espreitar:
http://www.rendadebirras.blogspot.pt/2011/08/montermor-o-velho-na-decada-de-50-7.html
http://www.rendadebirras.blogspot.pt/2011/08/montermor-o-velho-na-decada-de-50-3.html

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ainda acerca do cão de Beja

Muita gente já falou do cão. O pitbul que causou a morte a uma criança. Já ouvi tantas opiniões acerca desta tragédia, que decidi também escrever qualquer coisa.
Só que eu volto sempre atrás. Antigamente poucas pessoas tinham um cão de estimação. Nessa altura alguns lavradores tinham um cão para guarda. Não era de raça especial, era um simples cão, este que estacionava a maior parte do tempo no páteo, cuja saída era um portão largo para acesso do carro de bois, e que permanecia fechado, porque o cão apesar de rafeiro também podia morder. E neste caso de que eu falo mordeu mesmo. Um breve descuido, portão entreaberto, e aí vai o cão que nem flecha ferrar numa criança que passava em frente, levando uma pequena cêsta à cabeça com umas folhas verdes para os coelhos. A criança gritou, caiu para um lado, cesta para o outro, e lá vem a dona do Tico aflita acudir e prender o cão; e imediatamente providenciar o curativo do ferimento na perna, resultante da dentada. E qual foi o tratamento? - Como era usual naqueles tempos, "curava-se a ferida feita pelo cão, com o pêlo do mesmo cão". Assim, foi buscar uma tesoura cortou um bocado de pêlo ao Tico, ferveu- o num pouco de azeite e depois de arrefecido aplicou, cobriu com uma ligadura de pano branco, e repetiu o tratamento diáriamente até á cicatrização total. A criança em causa era a minha mãe, que nunca se esqueceu do Tico, nem do que é uma dentada dum cão.

Vem isto a propósito do facto, de que todo o cão pode morder, quer se trate dum animal de pura raça, apontado como perigoso, como até dum vulgar rafeiro aparentemente inofensivo.

Actualmente tornou-se moda ter um cão, de preferência grande, e melhor se for de raça. Pois é, nós olhamos e achamos que o animal é bonito, e o dono gosta do reparo. Mas ter um cão abarca um conjunto de responsabilidades, e não só... um cão é um ser vivo, tem de receber carinho, ser ensinado, e tudo isso requer tempo, paciência, jeito e dedicação. Ter um cão não é só dar alimento e banho, é muito mais. Por isso é que assistimos à vergonha de haver cada vez mais cães abandonados, sobretudo nos meses de férias. Quem abandona um cão não tem sentimentos suficientes para o adquirir. Só tem capacidade monetária, mas dedicação não tem, e devia ser punído pela má ação do abandono que pratíca de animo leve.
Este caso do Zico talvez não esteja isento dos tais pormenores em falta, nomeadamente os carinhos, os ensinamentos, os cuidados. Depois se repararmos ninguém viu o que se passou. Diz-se que estavam ás escuras;- mas então que local é aquele onde estava uma criança pequenina sósinha, e um cão de sangue quente? E o que terá acontecido para o cão atacar,uma vez que era um cão que convivia há anos com a familia?! Coitado também dele, pois como ouço muitas vezes dizer "só lhe falta o falar, " e aqui era importante que falásse. Mas como não fala, e tem a infelicidade de ser arraçado de pitbul...
Se pensarmos com calma vamos reparar que o cão NÃO sabia que ia matar o menino! Mas mordeu (segundo dizem) e foi fatal. Todos lamentamos de todo o coração. Mas, e quando uma criança é atropelada mortalmente, o automobilista também incorre na pena de morte?- Claro que não! Mesmo que se confirme que está alcoolisado... Um humano que sabe o que faz porque é racional, tem atenuantes até em crimes monstruosos... Um animal cujo discernimento fica aquem, e não tem mesmo paralelo com  o pensar do homem, não merece compaixão.
Que paradoxo, apesar de estarmos em 2013.
Mas matar o cão já não tráz a vida à criança, nem diminui a mágoa aos familiares.

Tudo isto é muito triste e complexo, talvez prefira aceitar este drama como inevitável, e de ser este o destino marcado, sei lá... E dar como certa aquela frase muito conhecida e acreditada por muitos, que diz assim: - " Onde tiveres de ir, não podes fugir ! "

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Eu não gastei a mais...

Diz-se que Ano Novo vida nova... Pouco antes das badaladas da meia noite que inutilizam o ano velho, é costume deitar fora alguns utensilios já sem préstimo. Em geral são pratos de loiça que ao quebrar fazem barulho, a ajuntar ao ruído da habitual algazarra que se produz entre os que aguardam a entrada do Novo Ano, animados e esperançados. Recordo que numa vez em que fomos convidados para a passagem de ano em casa duma familia amiga, também corri escada abaixo com o prato na mão (que lá recebi) e fiz como todos fizeram, cácos e barulho. Entusiasmei-me e gostei, e nunca vou esquecer; até porque se tornou impossivel (infelismente) uma repetição daquela festa familiar.

Mas o Ano Novo já entrou em funções, e apesar dos adreços que lhe colocamos, nomeadamente de bom e mais coisas do género, a verdade é que ao ano pouco lhe cabe fazer; no entanto nós atiramos-lhe sempre com as culpas...Olhando para trás e usando de sinceridade, devo dizer que o 2012 não me deixou recordações tristes. Deixou-me sim como herança preocupações (de que ele não tem culpa) que se tornaram no pão nosso de cada dia, não só para mim mas para muitos portugueses.
Apesar das noticias e debates mostrados na T.V. serem uma séca, eu continuo a ver e a ouvir também na rádio. E por vezes até fálo alto sózinha. Hoje voltei a ouvir por mais do que uma vez aquela frase que já vem do ano passado, e que já deve estar gasta de tão repetida ser. Sabem qual é? Que Andámos a Gastar Acima das Nossas Possibilidades...... Eu gostava de saber quem foi o inventor desta afirmação, que atiram constantemente para cima de todos os portugueses. Mais, tomaram o facto como inevitável, e naturalmente aceitável. Mas é muito enternecedor que a pessoa em questão (que deve ser da alta) se coloque assim ao lado dos pobretanas dizendo andámos... Não quer assumir, e por isso usa o plural e alia-se ao Zé Povinho; que sensibilidade tão marcante... Mas percebo, não teve peito para dizer: - eu gastei a mais. Eu recebi a mais. O Governo meteu-se em cavalarias altas e gastou a mais. E mais coisas que toda a gente sabe...

Mas o que eu também sei, e sei de cór e salteado, é que nem eu nem o meu marido nunca gastámos acima das nossas possibilidades. E também nunca prejudicámos o Estado. Nem a Segurança Social. Talvez por isso chegámos a velhos sem enriquecer, mas cada um é para o que nasce, diziam os antigos, e nós descendemos deles nos hábitos e deveres.

Não me venham para cá com essa frase que eu já sinto asquerosa, que eu não a admito em relação a nós.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Boas Festas !

Natal

Numas palhinhas deitado,
Abrindo os olhos à luz,
Loiro, gordinho, rosado,
Nasce o Menino Jesus.

Uma vaquinha bafeja
Seu lindo corpo divino,
De mansinho,que a não veja
E não se assuste o Menino!

Meia-Noite. Canta o galo.
Por essa Judeia além
Dormem os que hão-de matá-lo
Quando for homem também...

E, pensativa, a Mãe Pura
Ouve, fitando, Jesus,
Os rouxinóis na espessura
Dum cedro que há-de ser cruz!...

( João Saraiva
         em
   Na Mão de Deus")

Para todos quantos visitam o meu blog, para as amigas e amigos que sempre me deixam as suas opiniões, demonstrando assim a sua estima, que muito
valorizo e agradeço, quero aqui deixar os meus cumprimentos de Boas Festas.

Feliz Natal !

Um lamento, e um sorriso

Hoje é Natal, o relógio já bateu as doze badaladas da meia-noite, e nas Igrejas celebra-se ainda o nascimento de Cristo, o nascimento do menino Jesus.
Menino Jesus da minha infância como estás longe, e que saudades eu tenho de ti...
Nessa altura valorisava-se o Presépio em primeiro lugar, e também a árvore de Natal
com enfeites muito modestos. O Pai Natal ainda não tinha chegado a Portugal, estava muito ocupado nos países nórdicos,deslisando o seu trenó cheio de prendas, pela neve branquinha e fria.
Eu gostava de escrever algo agradável sobre a quadra natalicia, mas não encontro nada nesse sentido; e sabem porquê? Porque a antena 1 em simultaneo com musica a meu gosto, trouxe aos meus ouvidos factos que fazem mesmo entristecer.
Crianças a sofrer com falta de comida em casa, tristes na escola e caladas sobre isso por vergonha, e professoras de coração partido ao constatarem tal realidade. Entretanto outras funcionárias de secções diferentes, atrevem-se a negar almoço a crianças por pequenas dividas de almoços anteriores. Nunca julguei que no meu País se chegásse a este extremo.Isto já é demasiado triste, mas se nos lembrarmos que estamos no Natal, então é mesmo mais dificil passar ao lado.

Encontrei esta poesia no "meu museu."


A boneca


Caía uma chuva miudinha
E eu olhava aquela criancinha
D'olhos tristonhos, mas linda, estava só;
Parada numa montra de brinquedos
Pelo vidro deslizavam os seus dedos
Chocou-me o coração, metia dó.

Os seus olhitos verdes nem pestanejavam
Era indiferente a todos que passavam
E até a própria chuva não sentia;
Olhando uma boneca de cabelo louro
Parecia estar diante d'um tesouro
Observei-a, de vez em quando ria...

Cheguei mais perto e ela ouviu meus passos,
Querias essa boneca que tem laços?
E ela respondeu quase a chorar:
- Eu gosto dela, mas do meu mealheiro
Já fui tirar o resto do dinheiro
Pr'a vir buscar comer para o jantar!

Segurei -lhe na mão, estava fria
Da chuva miudinha que caía
Nessa tarde d'outono que findava;
A boneca lhe dei com todo o gosto
Pôs-se em bicos dos pés, beijou-me o rosto
Sua carita agora se alegrava.

Aconchegou-a logo ao coração
Seus olhos riam de satisfação
Dizendo: não me posso demorar;
A minha mãe deve estar em cuidado,
Tenho d'ir aviar o meu recado,
Porque a minha boneca  quer jantar!...

(Celeste Mingachos, Coimbra) 
                                      

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Seria por ser Natal?

A curta distância da minha casa, talvez a uns oitocentos metros existe um supermercado. Abriu portas há uns 17 anos, isto se a memória não me falha quanto à exatidão da data. Habituada ao comércio tradicional, só passado bastante tempo decidi ali entrar. Primeiro só para ver e consultar preços, mas aos poucos habituei- me, e tornei-me cliente certa, e na totalidade do que necessitava. Assim, uma vez por semana passei a ir lá gastar o dinheiro... Um dia reparei que ali pela entrada e até no interior do estabelecimento vagueava uma mulher. Já não era jovem, contudo estava muito longe de ser idosa. Feiota, muito morena, muito magra, e um pouco curvada, passava ali o dia todo e pedia uma moeda a toda a gente.Devo confessar que embirrei logo com ela; ignorava-a, e ela percebendo não me pedia nada. Eu em silêncio dizia para mim própria; ora esta, passo o meu tempo todo a trabalhar, tantas vezes já cançada, e esta creatura que ainda é nova não faz nada... E o tempo foi passando. Um dia pela primeira vez entrei no supermercado vestida de luto e triste, e ela aproximou-se indagando sobre o facto. Respondi, agradeci, e segui em frente. Passaram vários mêses, e chegou dezembro. Não sei porquê mas mudei de opinião, e um dia sem que ela se aproximásse ou me pedisse, puz-lhe no bolso do casaco algo que entendi, e acrescentei que era por ser Natal. E era de facto. Daí em diante, ela passou a pedir-me a moedita, a do carro, e eu passei a dar, sem me atrever (mesmo em silêncio) a fazer comparações acerca da mulher que não trabalhava.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Morte aos que precisam de comida!

De há uns tempos para cá, muitas são as Instituições que se dedicam a ajudar muitos dos portugueses e até estrangeiros, que privados de trabalho e gastos os subsidios que lhes foram atribuidos e entregues, não teem como alimentar-se nem como prover a outras necessidades que custam dinheiro. Se quisermos pensar, podemos avaliar o quanto será triste o viver actual desta larga camada da população. Louvo com todas as minhas forças, quem se dispõe a ajudar, desde aquele que dá, ao que deixa a sua casa e vai pedir, também ao que carrega, ao que organiza, emfim saúdo toda aquela equipa que se esquece de si próprio, e se preocupa pelo "irmão necessitado" que nem sequer conhece. No nosso país a situação de carência é permanente, de modo que a espaços curtos deparamos com peditórios, devidamente identificados, e cada um dá o que pode, e se não quiser não dá, ninguém lhe pergunta o motivo, até porque as pessoas ainda se recordam daquela máxima que diz assim: "cada um sabe de si..." E é verdade.
Hoje dei uma volta a visitar os blogs. Num deles que por acaso é o do meu marido,e no qual ele tinha escrito algo enaltecendo o trabalho do Banco Alimentar, logo apareceram os comentários dos donos da verdade absoluta, daqueles que teem sempre soluções para a vida dos outros, mestres em eloquência que nunca põem em prática, porque trabalhar faz moer a cabeça e o corpo, e ir para perto dos pobres faz-lhes enjoos porque cheiram mal. No entanto são duma prodigalidade espantosa a falar (só a falar) e então atiram tudo para cima do País... e aí eu até estou de acordo; pois claro, ninguém devia chegar ao ponto de estar à espera duma esmola (chamem-lhe como quiserem) para poder comer, ou dum trapo para cobrir o corpo.
Mas então, não é por demais evidente, que as finanças estão no abismo ? Que está na forja um plano para o ano 2013, portanto já para o mês que vem, em que menos dinheiro o Estado entregará aos seus operários?! E querem que o Governo transforme de imediato este estado de inferno num belo paraíso? Há, pois; como seria encantador! - mas todos sabemos que não vai ser, e nem sequer sabemos o que o futuro nos reserva, a longo ou a curto prazo. Então, no pensar destes mestres tão eruditos, o que está certo no seu conceito " É NÃO AJUDAR NINGUÉM ! - É DEIXÁ-LOS PASSAR FOME E FRIO. - É DEIXÁ-LOS MORRER !"

Sim, é o que querem que aconteça, enquanto se fica à espera dum Portugal estável, mesmo que isso demore 50 anos. Saber esperar é uma virtude, "e estes pensantes" são virtuosos, olá que são!!!

Entretanto nem tudo é mau. - Agentes funerários, esfreguem as mãos!
Chegou a vossa oportunidade de legalmente ultrapassarem a crise!
O vosso negócio vai prosperar como nunca imaginaram! Acreditem; e esperem.....

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vinho Salazar

Na passada semana surgiu na imprensa um assunto que desta vez não tinha nada a ver com a crise, nem com os actuais politicos; coisa rara permitam-me que assim diga, porque nós de tão obsecados que estamos com a má situação do País, só pensamos nisso, incluindo os que leem e os que escrevem, de modo que os jornais pouco diferem até de dia para dia, mais forte ou mais leve, o assunto já se adivinha.
Mas este facto era novinho em folha. Foi o caso de alguém de Santa Comba Dão,
parece-me até que foi um membro da Autarquia, que deu a conhecer um produto para venda, ali produzido, nomeadamente um vinho de qualidade e rotulado com o nome de Salazar. "Caiu o Carmo e a Trindade com tal decisão..." As rádios falaram, a TV, os jornais; oh, foi um assunto e peras, para atordoar o Zé Povinho. Foram apontados perigos e coisas más que poderiam suceder, e por isso nada de Salazar, mas parece-me que o vinho não foi proibido, foi só o rótulo! Mas que eu saiba um rótulo não chega para etilizar ninguém, nem para fazer bulha... já o vinho, bem, a gente já viu como é, mas adiante.
Percebe-se fácilmente, que é opinião politica em ação.
Eu cresci ao lado dum pai republicano, (democrata dos antigos) que infelismente já não viu o 25 de abril, mas foi junto á sua campa coberta de cravos vermelhos que foram homenageados os democratas de Montemor-o-Velho. Escusado será dizer que ele detestava o Ditador, e eu sofri alguma influencia no mesmo sentido. Embora de modo mais brando (devido até à minha idade e condição feminina) mas também não simpatizava com um homem que permitia e mandava fazer crimes ( o ultimo foi a morte do general Umberto Delgado.) Com a revolução dos cravos vieram a publico todas, ou quase todas, as desgraças consentidas por aquele Sr. de voz melíflua ouvida nos seus discursos longos de palavras intermitentes; era cristão praticante, mas cuja doutrina não praticava, pois piedade era sentimento que não usava.
Era vaidoso, e era bajulado. Tinha estátuas e bustos por todo o lado. Praças e ruas com o seu nome, e a ponte sobre o Tejo em Lisboa era também ponte Salazar.
Morreu, e posteriormente caiu a Ditadura. Instalou-se a Democracia, e logo após deram cabo das estátuas,(obras de arte) apagaram o nome das ruas e da ponte de Lisboa, a qual passou a chamar-se Ponte 25 de Abril, uma obra inaugurada em1966, e que nada tinha a ver com a revolução de 1974.
Nesta ordem de ideias também não deveriam ter erigido uma estátua ao Marquês de Pombal, mas isso são outras histórias, mais antigas...
Eu escrevi isto tudo porque não encontro razão para a exclusão da marca do vinho, acho que ninguém se estaria a aproveitar como meio de publicidade fácil. - Dirão estes actuais pensadores tão cheios de patriotismo, "tão limpos", que seria uma forma de relembrar Salazar. E porque não? Só se pode recordar os Santos? Então e os Ditadores? - Dá ideia que querem passar uma borracha e apagar da história de Portugal o nome do Ditador Salazar. Não podem, ele ficará eternamente. Como de igual modo ficará para a posteridade a história do seu percurso politico, brilhante no inicio, depois os seus erros, as suas teimosias, as suas vinganças, as suas maldades, os seus crimes... E a Ditadura, quase interminável.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Inocentes, a pagar pelos erros dos sabidos

Hoje o dia amanheceu escuro. Pelo barulho dos automóveis a deslizar no piso molhado, apercebi-me de que tinha chuvido durante a noite. Talvez estivesse ainda a chuver... Eu sei como a chuva é valiosa, os lavradores da minha terra diziam quando chuvia " isto é ouro que está a cair."- Mas este tempo escuro deprime-me, fico ainda mais triste do que em geral estou. Eu era alegre, cantava, e qualquer coisa ou facto mais animado me fazia rir. Agora, e de há um tempo para cá estou diferente, nem os actuais cómicos que aparecem na TV me fazem sequer sorrir.
Mas estou a falar de hoje: como é hábito antes de preparar o pequeno almoço ligo o rádio. Sou fã da antena um, que também nem sempre me agrada inteiramente, mas algo me satisfaz. Hoje porém o tema era pesado, pelo menos para mim. Falava-se da pobreza instalada no nosso País, mais própriamente nas crianças que chegam ás escolas em jejum. E naquelas que por não terem 73 centimos para pagar o almoço não comem na cantina . (nem em parte nenhuma.) Mas em que ano estamos nós? Em 1950?  Nessa altura é que era assim, nem aquecimento nem pão as escolas tinham para confortar as crianças, que ali entravam ás 9 da manhã descalças e embrulhadas num xalito fino, quantas vezes todo molhado. Eu lembro-me bem de como era, e até recordo o nome dessas vitimas. Vitimas sim, duma sociedade insensível e hipócrita, onde havia a Mocidade Portuguesa, como que a alardear um País em franco progresso; e na reta-guarda a pobreza calada, se possivel escondida, porque ser pobre, era ser diminuido.
O tempo passou, esse mal foi esquecido porque o progresso proporcionou bem estar. E não é o bem estar, regrado é certo, um direito do ser humano, e em especial para uma criança, uma vida em flor, que se acha no mundo sem perceber porquê...
Então nasce para sofrer ? Logo na infância! Quando ainda nem sequer sabe o que é o pecado ou a maldade... Voltámos aos anos 50? -Senti que sim, e fiquei mais triste ainda. Eu sei, todos sabemos, que no nosso País uns mais do que outros, todos estamos mal, salvo excepções para aqueles que acumularam teres e haveres, e agora dão palpites, lérias, e vivem fartos e felizes. Gostaria de perguntar (aos próprios) a estes, e aos responsáveis atuais, se quando tomam conhecimento destas noticias tristes e verdadeiras, se não sentem remorsos... Dizia Padre Américo - " Mãe, como podes dormir tranquila, sabendo que enquanto os teus filhos dormem alimentados e quentes, outros iguais a eles, sofrem com fome e com frio..."

Esta frase dum Santo, dita por ele há muitos anos, devia ser ouvida e sentida, por quem está ao leme desta barca cheia de rombos, que se chama Portugal.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ainda haverá esperança?


Depois de ter postado aquele texto de assunto triste, eu encontrei este poema de esperança, e não resisti a colocá-lo aqui. Tenho a certeza que todos vós amigas e amigos, que gentilmente me visitam passando pelo meu birras, terão como eu a mesma opinião da autora. Um mundo sem guerra, só de amor....


E porque não...

Eu quero crer num mundo sem fome
eu quero crer num mundo sem guerra
eu quero crer na dignidade e na paz
eu quero ver justiça na terra

Quero ver crianças brincando
quero ver o mundo se desarmando
quero crer na liberdade
quero ver a humanidade se amando

Eu quero crer e quero ver
um mundo mais justo com cada cidadão
eu quero crer e quero ver
apenas um mundo mais irmão

Quero crer na justiça do homem
porque creio na justiça divina
quero crer num mundo melhor
porque creio num mundo que ensina

Quero ver um sorriso num rosto sem fome
quero ver sempre uma bandeira branca hasteando
não quero muito, apenas um pouco
apenas cada um se conscientizando

Conscientizando que o mundo é de todos
mesmo obedecendo à hierarquia
governantes respeitando seus governados
para que haja paz e harmonia

Só é preciso que todos creiam como eu
que o mundo não está perdido
só é preciso que todos queiram como eu
um tempo melhor para ser vivido

Não combater a violência com mais violência
não mendigar migalhas pra fome matar
não levantar armas, mas os braços para abraçar
não criar mendigos, mas oportunidade para trabalhar

Um só mundo, uma grande familia
em harmonia como o céu que vemos
assim deve ser o Universo terreno
se cada um de nós crêrmos mais

Naquele, que não vemos.

 

( Célia Jardim)

 


As pedras que magôam a alma

Ainda sobre o que se passou ao cair da noite anteontem em Lisboa, e que só não viu quem não estava a ver. Eu vi tudo pela televisão; espetáculo triste!
Aproximavam-se as cinco horas, e decidi ligar a t.v. para ver "a opinião pública", rubrica habitual aquela hora, e da qual sou fã.
Mas a imagem que me apareceu em suficiente plano, foi um grupo de gente crescida (não eram miúdos) a carregar e a levar não sei para onde, as cancelas que sempre são colocadas para limitar a passagem para determinado local; neste caso era a Assembleia da Républica. Lembrei-me então que havia a manifestação préviamente anunciada, mas percebi também que a mesma já tinha terminado. No entanto uma multidão enorme ainda continuava ali.
Continuei a observar e comecei a ouvir rebentar qualquer coisa, eram petardos, percebi depois. Porém, não tardou que eu visse a tristeza maior: a cambada dos malandros a atirar pedras (que ao mesmo tempo arrancavam da calçada.) Atiravam-nas furiosamente contra os policias, e a turba ululava... Feliz! - Que vergonha!
Toda a gente viu que não eram só pedras; estão sem dinheiro "os coitaditos" mas ainda lhes sobrou para comprarem os petardos, os tomates, os limões e as embalagens com tinta, e as cervejas para fazerem aquele espetáculo degradante!!!
Os policias durante quase duas horas,aguentaram alinhados e quêdos, o ataque daquelas bestas.
Eu estava tão longe e em casa, mas senti-me aflita, ao lembrar-me que os policias estavam no seu trabalho,são homens, têm familia, também sofrem com os cortes no seu vencimento, e estavam ali a ser maltratados a que propósito?
Como isto acabou já todos sabemos, e sabemos também que assim tinha de ser.
E eu pergunto: - É com esta gente que ficou a atirar pedras, e também com os que ficaram a apoiar e a aplaudir, que vamos ter um país novo ???

Pobre Portugal ! Se para tal estás guardado...
E pobres de todos os portugueses decentes!

Poucos serão os portugueses que actualmente não terão motivo para se lamentar, e dar opiniões no sentido da situação melhorar. - Pois que se manifestem, sim! Que se queixem! Que exijam! Que gritem! Que se imponham! Mas que o façam com a força da dignidade e do respeito que a todos é devido.

 

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Uma amorosa poesia

Olá amigas e amigos!

Eu sei que passam aqui pelo meu "Birras" e nada de novo encontram. Apresento desculpas pelo facto, e peço mesmo que as aceitem, embora eu sinta que mereço criticas. Sinto, porque as faço a mim própria e sem dó nem piedade. Até me pergunto baixinho; -mas o que é isto? Malandrice? Desinteresse? Eu quero rejeitar estas duas palavras e seus correspondentes significados. Mas a verdade é que não tenho conseguido. Hoje também não vou escrever nada, o que prova que ainda não alcancei "a cura", mas haja esperança ! Digo em voz alta para eu própria ouvir,e agir.

Na sequência do que já aqui escrevi acerca do nosso Poeta João de Deus, natural de Messines, vou colocar uma poesia da sua autoria.  Atrêvo-me mesmo a dizer que seria dedicada às crianças, é tão simples, tão leve, tão graciosa, um mimo de sensibilidade...

Todas as pessoas da minha idade a recordam certamente, vinha num dos livros de leitura do ensino primário dessa época longínqua, e agora alcunhado (esse género de ensino) de obsolêto e sem préstimo.

Não sou a pessoa indicada para conjecturar ou afirmar sobre essa crítica, só quero lembrar esta poesia que nunca esqueci.



"Minha mãe, quem é aquele
Pregado naquela cruz?
- Aquele, filho, é Jesus...
É a santa imagem dele!

                   "E quem é Jesus? - É Deus!
                   "E quem é Deus? - Quem nos cria,
                   Quem nos manda a luz do dia
                    E fez a Terra e os Céus;

E veio ensinar à gente
Que todos somos irmãos,
E devemos dar as mãos
Uns aos outros irmãmente.

                     Todo amor, todo bondade!
                     " E morreu? - Para mostrar
                     Que a gente pela Verdade
                     Se deve deixar matar.



(João de Deus)

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A nova hóspede



Os animais nossos amigos. Recordo-me de ter lido esta frase num livro; e se não me falha a memória foi num livro de leitura da muito antiga terceira ou quarta classe.
Nunca me esqueci desta afirmação, e agora por experiência própria, sei que de facto os animais são amigos,e nem nunca reclamam se o dono ou dona chega tarde a casa, embora tenham sofrido com a ansiedade da espera.
A minha filha que na infância e juventude quase tinha pavôr de alguns animais inclusivé dos cães, perdeu esse mêdo, e até comprou um shar pei pequenino que com os seus cuidados cresceu,e viveu durante sete anos. Formavam a equipa perfeita, e foi com pena, mesmo muita pena, que ela o viu terminar. Ficou muito chocada com a sua falta, era uma presença em casa que não existia mais, recordava-o a todo o momento, e dizia que tão cêdo não queria outro. Até porque outro, não era aquele. Deu a comida que ficou e era bastante, deu os medicamentos, também alguns tapetes, mas guardou as taças (os pratos) dele.
Pouco tempo passou, secalhar nem um mês: estava eu a fazer o jantar, quando a vejo aparecer à porta da cozinha com um cão ao colo. Fiquei admirada, mas pensei que fosse de alguém amigo, a quem ela estivesse a fazer o jeito por alguns dias.
Ela toda sorridente contou- me a história: - não tinha aguentado a pena, e resolveu ir a uma instituição, aquela para onde ela tinha feito as ofertas, só para fazer uma visita aos cães que ali estão abandonados pelos donos. - Estão lá muitos dizia-me ela, bonitos, cães de raça até. Disse que não ia a pensar em trazer nenhum, mas o certo é que esta (é uma fêmea) se encantou com ela e com o Gabriel, e isso não admira pois os animais também gostam de ter um dono, e sair dali. Diz-se que a simpatia é recíproca, e foi mesmo. As sras. do "asilo" ficaram admiradas pela preferência, pois trata-se dum animal sénior, embora não pareça.
Estava decidido, cumpridas as formalidades que são algumas, a Nucha veio. Esperava-a um banho, e no dia seguinte veterinário; foi observada, fez ecografia, análises, e de facto tem alguns problemas de saúde, consequência da idade. Não lhe auguram vida longa. Mas a minha filha diz que nunca é tarde para se viver uma vida melhor, e se a Nucha tem pouco tempo de vida, ao menos que nesse espaço ela tenha conforto e bem estar. E quem sabe se não viverá mais tempo do que o apontado no prognóstico?

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O Algarve não é só praia. Também é doce!

Os doces de amêndoa recheados de ovos-moles, uma delicia tradicional do Algarve.A imagem não saiu nitida ao ponto de se poder ver bem a beleza destes bolinhos. São miniaturas de frutos, pintados á mão, por vezes até dá pena comê-los... Estes foram-me oferecidos.Alás todos os anos a proprietária da casa que habitamos durante as férias, nos oferece mimos quando nos despedimos.

A arte numa simples pedra

Na estante da salíta onde passo mais tempo (eu até lhe chamo a minha sala de estar) ao lado das fotos do meu neto quando era bébé, coloquei a pedra que o Zé Júlio construiu naquela  manhã de sábado, para me oferecer. Ela ainda é mais bonita ao natural, o flach alterou um pouco, assim como a uma das fotos do Gabriel.Ela poderá ser uma legenda "pedras e fôlhas" tem a ver com a Catita.

Dissémos adeus...

Estavamos de saída. Apenas mais uma foto. Lá estão os cinco môchos de pedra rosada por cima da porta e a identificação da casa. E as trepadeiras lindas.
Adeus Zé Júlio!!!



Entre flores e arbustos aromáticos

Nós os Fernandes, ainda na entrada da Casa Catita. -Um local para férias em Alcantarilha,ou um recanto do Paraíso?

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Em Portimão. O rio, a ponte e o barco...

Não consegui saber quem está perpétuado nesta pedra. Ao longo da beira rio mais esculturas 
do mesmo género existem. O rio é o Aráde, e a ponte em ferro, mais parece feita de renda. É vélhinha,mas foi há pouco restaurada. Remoçou, e cativou-me para a fotografar, a ela e ao Barco.
 

Por Terras Algarvias

 
Fizemos questão duma fotografia junto à estátua do Poeta João de Deus na sua Terra Natal, a linda São Bartolomeu de Messines.
Apresenta-se sentado, tendo na mão o livro por ele criado A Cartilha Maternal. Parece atento às duas crianças que também sentadas e de livro nos joelhos, estudam decerto as primeiras letras...
Uma bela homenagem dos seus conterrâneos, e uma honra para estes.

João de Deus o Poeta de Messines

Volto a falar das férias. Agora já são passado, mas que importa, só o passado se pode recordar...E foi assim; naquela manhã de setembro deixámos Almeirim e retomámos a viagem cujo destino era Armação de Pêra. Embora fazendo algumas breves paragens, e respeitando os limites de velocidade, cêdo chegámos ao Algarve. Decidimos almoçar em São Bartolomeu de Messines. Parece-me que se trata duma Vila e não duma cidade, mas se estou errada que me perdoem os Messinences, porque não estou a menospresar a localidade, de maneira nenhuma. Ela é linda, limpa e branquinha, atributos comuns das terras algarvias, sobretudo daquelas que não têm praia. Logo encontrámos estacionamento, e a dois passos um restaurante. Não procurámos mais; entrámos  e  não nos arrependêmos. No fim do almoço fomos passear a pé, e deparámos com uma estátua grandiosa de mármore branco, dedicada a um ilustre filho da terra, o Poeta e Pedagogo João de Deus. Recuei à minha infância e lembrei-me de quando estudei na instrução primária (assim chamada na altura) a Professora ter ensinado que João de Deus era o Poeta das crianças, o Poeta da ternura, da bondade, dos versos lindos, que eu e as outras meninas entendiamos e gostávamos. Com o passar do tempo vim a saber que João de Deus era muito mais, do que só o Poeta terno e bom. Era também o autor da cartilha maternal que o celebrisou em 1876, e por onde tantas crianças aprenderam a juntar as primeiras letras, sem o sofrimento que era aprender por livros inadequados para tal. Também era formado em Direito; foi Deputado às Cortes pelo Concelho de Silves e ganhou; foi escritor,tradutor e Poeta de grande mérito. Hoje toda a gente sabe quem foi João de Deus, pelo que me abstenho de escrever  em pormenor sobre o seu percurso literário e não só, apenas quero referir que foi homenageado em 1895, uma grande homenagem a que se associou o rei D. Carlos. Foi-lhe proposto um titulo nobiliárquico,que ele recusou. A Academia das Ciências proclamou-o Sócio de Honra. Estudantes de todo o País também o homenagearam: organizaram-se e nesse sentido dirigiram-se em cortejo até á sua residência,em Lisboa. 
O Sr. Dr. João de Deus, da sua varanda agradeceu, e rimando, disse de improviso.

Estas honras e este culto
Bem se podiam prestar
A homens de grande vulto.
Mas a mim, poeta inculto,
Espontâneo, popular...
É deveras singular!

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"Só que ele não era inculto..." 
Mas os grandes Homens,são sempre modestos.





 


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Quando o sol diz adeus... Em Armação de Pêra

Ele se despede magestoso,em toda a sua grandiosidade de poder e beleza!
Ele não se "afoga no mar..."  Esconde-se para lá da serra. E é a noite que avança.

Armação de Pêra

A praia que me aguardava. Estava linda, calma, e quentinha. Era Setembro, dia 19.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

"Porque a beleza é fugidía, como a aurora...

"Quem te viu, e quem te vê..." Apetece-me dizer, depois de reparar na fotografia da postagem anterior, onde estamos eu e o meu marido ladeando o frade. O tempo ao passar contribui progressivamente para a ascenção, para a beleza, que tem um espaço de alguns anos, e depois, de igual modo ajuda ao apagar dos atributos inerentes. Tudo o que nasce vem com o mesmo designio, quer seja plantas, animais, ou pessoas; crescer, florescer,multiplicar-se e envelhecer. Depois vem o acabar, mas isso não é para falar agora.
Bem, mas nós ainda cá estamos (por ora) apesar de já muito para além do florescer, essa etapa linda da vida, da qual já usufruimos.
Mas voltando ao inicio, e á fotografia feita em Almeirim junto ao monumento que perpetua a história da sopa da pedra : - o meu marido ainda se apresenta mais forte do que o frade, apesar de nesta altura o frade já ter comido a sopa toda, visto que a panela estava vazia. Eu vi!




Mas ele não foi sempre assim grandalhão em largura. Para provar a minha afirmação,visto que sou suspeita,coloquei esta foto,que é uma recordação.
- E depois digam lá se eu não tive bom gosto na escolha...


domingo, 7 de outubro de 2012

A Casa Catita em Alcantarilha

Há uns tempos atrás encontrei mais um blog que me prendeu a atenção e do qual me tornei de imediato seguidora. Só que não foi assim mais um, simplesmente.Pois eu pensei logo que um dia iriamos visitar o Zé Júlio. E quem é o Zé Júlio? Subentende-se que é quem assina o blog, e é na verdade. Só que ele é muito mais do que isso. Eu vou dizer, se conseguir...
Estavamos no Algarve, só sabiamos que A CASA CATITA se situa em Alcantarilha a poucos Km. de Armação onde viviamos. Enviei um curto recado para os comentários dele (unico ponto que tinha para comunicar) a dizer que no dia seguinte iamos fazer-lhe uma vizita; mandei dum local de internett público, de modo que não voltei lá a saber a resposta. Fomos à sorte, e sorte tivemos porque depois de algumas tentativas frustradas, encontrámos a casinha, direi inédita no seu estilo, e o seu proprietário duma simpatia e amabilidade encantadoras. Dirigimos o carro pela serventia privada, e logo o avistámos à frente a trabalhar, sorridente à nossa espera. Sem preconceitos, com as mãos cobertas de pó rosado, duma pedra que estava a transformar na escultura de mais um môcho,( ele chama-lhe a familia de môchos pois de facto já tem vários) recebeu-nos de braços abertos. Por cima da entrada em pequenos azulejos lá estava o nome da casa. O jardim que a circunda é por de mais interessante, pedras antigas colocadas em assimetria, água a rumurejar por entre plantas, uma espécie de pequeno lago quáse riácho com peixes lindos coloridos, escadinhas,nichos, tudo duma rusticidade que nos atrai e envolve. Plantas de muitas espécies, ornamentais,odoriferas,arbustos, árvores de fruto, e tudo isto existe pelo trabalho do Zé Júlio, direi mesmo pelo amor que ele sente pela natureza. Não lhe perguntei qual é o seu grau académico, mas em Botânica e assuntos da Natureza pelo que ouvi e  vi, ele deve ter um mestrado... Ficaria a ouvi-lo falar do nome e da vida das plantas,durante uma semana, e decerto ainda não ouviria tudo.
Em estilo diferente, de linhas direitas como tem de ser,uma mini-piscina, decorada com bica de pedra, e um cacto verde que se estende pela parede estilo muralha.
A casa tem igualmente a mão do artista, que sabe escolher; tudo á moda antiga, mas com o conforto moderno. Camas com docel de tule branco dão graciosidade e levesa. Por fim a simpatia do anfitrião, um galã de 41 anos, despido de vaidades, sempre natural, recorda a sua juventude em Sintra, alguns anos nos Estados Unidos, e dez anos a fazer renascer a CATITA dum quase monte de escombros.
Tinhamos de dizer adeus; com o ar natural que já referi, entregou-me um presente, uma escultura em pedra branca,reprodusindo duas folhas sobre uma pedra, e acrescentou, estive a fazê-la de manhã até chegarem. - Como eu gostei desta atenção!
Já tinha feito questão de provármos as ameixas, mas ainda faltava as uvas, por isso apressou-se a pegar numa tesoura e cortou tres cachos lindos, que eu acondicionei o melhor possivel, e levei para
casa.


Á entrada da casa catita,eu e o Zé Júlio.

    (eu sempre gostei dos altos... Baixa basto eu)









 

As ameixas e as uvas douradas pelo sol quente algarvio.
Deixámos A CATITA, e ganhámos um Amigo. Pela forma como nos recebeu não sei chamá-lo doutro modo.

Quero deixar o endereço do blog dele, que é lindo.

Http://o-bau-do-zejulio.blogspot.pt.

(Pedras Plantas e Companhia)



sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Frade e a sopa da pedra



Naquela terça feira de sol radioso, projetámos sair após as treze horas. Iamos para o Algarve, mas passariamos a noite em Grândola, à qual o José Afonso chamou de Vila Morena. Mas o programa foi alterado, e só partimos com o bater das dezassete horas, facto que não nos encomodou nada de nada. A viagem foi decorrendo com normalidade e até agradável, e quando o sol começou a perder cor, desistimos de Grândola que estava ainda distante e decidimo-nos por Almeirim, terra de cavalos e toiros ali no coração do Ribatejo. Eu não sou aficionada e até sou contra as touradas, contudo gosto muito de Almeirim, até gostava de lá viver,é uma cidade onde voltamos sempre com agrado.Áh, e também gosto dos tão referenciados melões de Almeirim.E também da sopa da pedra. Foi aliás o que escolhemos para jantar.
Eu também a confeciono e bem, (modéstia à parte, porque ser humilde em excesso sôa a falso) mas sentar-me e ela aparecer ali na mesa a fumegar, bem perfumada, pronta a cair no meu prato, é facto que não me ofende.
A cidade reclama para si a origem da sopa, mas toda aquela zona Ribatejana faz igual, não sei quem tem razão. No entanto aqui num local apropriado, lá está perpétuado no bronze o Frade que pela primeira vez com a sua astúcia conseguiu cosinhar sopa duma pedra.
Só para quem não conhece (e poucos são) eu vou contar a história, se for capaz.

Era uma vez...

Um frade que vinha peregrinando de longa caminhada, e sentiu fome. Estava frente a um portão que indiciava casa de lavrador. Entrou no páteo e pediu ao casal que o recebeu se o deixava dormir no palheiro,pois estava exausto. Condoídos logo concordaram. Ele cheio de modéstia agradeceu, mas disse que vinha com fome, e que com premissão deles, ele próprio cosinhava uma sopinha, só precisava duma panela com água e lume. Com pena do frade, logo o mandaram entrar e sentar à beira da lareira onde a lenha crepitava. Deram-lhe a panela de ferro com a água, que ele logo pôs ao lume.De dentro do hábito escuro e grosso que vestia, tirou uma pedra que colocou dentro da panela. A água entretanto começou a ferver, e a dona da casa fez perguntas; - então a pedra dá bom gosto? - Dá sim, é muito bom sopa da pedra, disse ele; mas sabe, isto precisava dum pouco de feijão de côr e um bocadinho de toucinho, uma orelha... Ela foi logo buscar.Daí a pouco a fervura cheirava bem, e ela elogiou.Ele sorriu agradado, finório, e acrescentou; ainda falta, se tivesse um chouriço, e umas batatinhas...E assim aos poucos o frade conseguiu todos os ingredientes necessários para a sopa, que é de tudo menos da pedra, porque essa não dá gosto.

Actualmente a famosa sopa da pedra, é perfumada com raminhos de coentros, e temperos ao critério do cosinheiro, e no fundo da terrina lá encontrâmos a famosa pedra, a origem do nome da sopa.
    

Voltei

Caros visitantes, saudações amigas.

Diz-se que erva ruím, geada não mata... Assim, felismente fui e voltei sem nada de mau a apontar, mas não nego um certo azedume quase constante,que a força da mente nem sempre conseguiu banir. O pulso magoado, o dedo fracturado, parte da mão imobilisada, um edema enorme, dores só atenuadas por medicamentos,são pormenores muito pouco simpáticos em qualquer altura, e muito menos em tempo de férias. Mas não tive alternativa senão aguentar, já que ninguém me quis fazer o favor de tomar o meu lugar, e suportar isto por mim.
Mesmo assim eu gostei de voltar ao Algarve, e de estar em Armação de Pêra. É uma repetição ano após ano; são as mesmas pessoas, a mesma casa, o grito  igual das gaivotas que se elevam no ar, e todas as manhãs acordar com o bater das oito horas, quando o relógio da torre da igreja na pracinha ali ao lado, inicía a sua tarefa, que só cala às onze da noite, para não interromper o socêgo dos que querem dormir cêdo. Não é o meu caso, aproveito para ler até tarde,outro beneficio das férias do qual não prescindo.
Queria falar dos livros que li, mas estou adoentada fica para a próxima.
Já tinha saudades do computador...

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Até breve

Caros visitantes

Hoje escrevo só para vós. E porquê ? Porque me vou ausentar da blogosfera por alguns dias, e não gostava que as minhas amigas e amigos aqui viessem e encontrássem dia a dia o mesmo post, sem mais explicações.
Felismente, vamos voltar ao Algarve para uns dias diferentes, sem horários a cumprir, sem tarefas inadiáveis, tudo na ordem do deixa andar, e ainda com o beneficio simpático do sol lindo e quentinho, e o mar de água tépida.
Eu tive um certo azar neste sábado, caí desamparada na calçada do passeio, aqui pertinho de casa, e além de me ter magoado muito, ainda fui presenteada com uma fratura num dos dedos da mão direita. O meu primeiro pensamento foi desistir das férias, e assim continuei pois a dôr era intensa e interminável. Mas no Domingo os Srs. Drs.de bata branca, no Hospital cuidaram-me do fisico, e aos poucos o psiquico também reagiu, e embora com a mão imobilisada " e gôrda", eu voltei a querer ir viajar. E assim, lá vou então amanhã "fugir com o meu marido" para longe de casa.
Espero voltar no fim do mês, e continuar com os meus textos simples, sem pretensões que não sejam o prazer de dizer o que penso, e ler com gosto os comentários que amávelmente me dedicam.

Para todos vós, os meus cumprimentos com os desejos de bem estar.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Recordações

Foi há cinco anos atrás. Numa tarde de sábado em Setembro entrei no carro rumo ao Algarve, mais própriamente a Armação de Pêra. Dissémos adeus à minha filha mais nova, ao marido e ao Gabriel, enquanto a filha primeira, viajou connosco. A viagem de que eu gostava tanto nos anos anteriores por ser longa e sem pressas, com várias paragens para descançar,beber água e comer uma fruta, desta vez apresentou-se destituida de todos os bons predicados que eu sempre lhe encontrava e usufruia. Mas só porque a minha disposição a isso me conduzia, pois tirando o facto de chegarmos ao destino já de noite, nada de desagradável nos aconteceu. O Algarve para nós é sobretudo praia, e nesse sentido logo no dia seguinte atravessámos a rua, descemos a escada e logo a areia se fez sentir nos nossos pés,macia e ainda fresca aquela hora matinal.
Os dias iam passando sempre iguais, duma monotonia já prevista por mim, porque a alegria não vem com o vento, temos nós de a criar, fazer pela sua conquista.
Costumavamos eu e o meu marido caminhar pela beira mar diáriamente; num dia iamos para norte, no outro para sul, apróximadamente durante uma hora.Tornou-se mesmo um quase ritual, do qual já não prescindiamos. Num desses passeios, no meio de tantos veraneantes desconhecidos, ouvimos alguém que alegremente se nos dirigia: - Olá! Ora vivam os meus conterrâneos! Já nem dizem adeus... Surpreendidos parámos, e vimos quem assim faláva. Era a D. Herminia uma senhora da nossa terra que também estava em férias com a familia, em Armação. Ao lado dela o irmão mais velho que igualmente nos abraçou. Trocámos meia duzia de palavras, gostámos do encontro inesperado, e recordámos a frase "o mundo é pequeno..." Dissemos adeus e prosseguimos o passeio, em sentido oposto do dos nossos amigos.
No regresso voltamos a cruzar-nos, e ela veio de novo até nós, mas para eu confirmar (pois o irmão não queria acreditar) que esta era a Dilita de que ele ainda se lembrava, e que já não via há muitos anos. De facto eu estava com mau aspecto, tinha emagrecido, estava triste, e de roupas negras, nada aliás me favorecia. Eu olhei para ele e sorri tristemente...
Infelismente ele já faleceu, e apesar do tempo que passou eu ainda recordo esta cena ao pormenor, agora até com mais ternura. Ele estava ali na minha frente, e olhava para mim com um ar um tanto pezaroso, e sem conseguir calar a sua sinceridade exclamou, "era tão bonita..."

Mentiria se não dissésse que gostei de ouvir aquela afirmação.Voltei a sorrir, e apressei-me a dizer-lhe: - diz bem, Sr. Evaristo, " Eu era"... " Eu era..."

 
Como estou em fase de recordações,
porque não colocar aqui uma fotografia dessa tal Dilita?