quarta-feira, 29 de maio de 2013

Vamos ajudar a Miriam?!

Hoje quando o meu marido chegou a casa para almoçar, trazia um recorte de jornal para me mostrar. Antes de mo passar prá mão disse-me que se tinha sensibilizado até às lágrimas, quando leu aquela noticia. Eu em principio até julguei que fôsse algo de muito terno, algo de bom, assim comovente... eu que calculo tudo pela negativa, desta vez pensei positivo. Pensei e errei, pois trata-se dum caso de ternura sim, porque envolve uma criança com perto de dois anos, linda, um amor, como são todas as crianças, mas já a sofrer, e os pais amargurados por não lhe poderem valer. Chama-se Miriam e vive no Cacém (Sintra) com os pais, Conceição Marques e Moisés Aleixo, e Matilde a sua irmã gémea.
A Miriam sofre duma grave e invulgar malformação congénita da perna direita, e corre o risco de ter de ser amputada. Há ainda a alternativa duma intervenção cirurgica, mas para a qual são necessários 20 mil euros,se for feita numa clinica particular em Coimbra.
Os pais não teem este valor, e assim teem-se desdobrado em iniciativas para recolha de fundos, com o fim de juntar a quantia pretendida, que para quem for rico nem é muito, mas para quem o não é, esta importância é uma pequena fortuna.

Compreendi perfeitamente a sensibilidade do meu marido, e juntei-me a ele em alguns impropérios contra quem governou este País, gozando e gastando à descarada; ainda há dias se soube duns almoços pagos pelo governo a trezentos euros por pessoa... E para tratar duma criança, evitar que fique defeituosa, não existe um fundo especifico, uma comparticipação adequada, não existe nada. É muito triste!
Fôssemos nós ricos... Mas não somos; nada mesmo que se assemelhe a essa bela situação; porém, dentro das nossas possibilidades, iremos enviar qualquer coisita.
Há poucas horas falei com o pai da Miriam, por telefone, e fiquei a saber que possivelmente a operação irá acontecer, mas nos Estados Unidos. Não entrei em perguntas, mas deduzo que será necessário ainda mais dinheiro.
Mas, a solidariedade continua a existir ainda em muitos corações. Eu sinto que muita gente vai ajudar a Miriam, por isso coloco aqui o Nib, da sua conta bancária:

NIB - 00 33 0000 454 206111 32 05

domingo, 19 de maio de 2013

Será algodão doce? Ou montanhas de pipocas?


Nem algodão doce nem montanhas de pipocas, é apenas o céu da minha rua nesta manhã de Domingo, em que o sol não deixou de aparecer aqui na nossa Figueira, enquanto noutros pontos não muito distantes, chove torrencialmente. "Caprichos da Natureza..."

sábado, 18 de maio de 2013

Economizar? Mas que raio de modo de o conseguir...

Se não fosse o facto dos dias serem maiores, com mais horas de claridade, eu diria que estamos no inverno. Ontem à noite o vento assobiava alto, puxando a chuva que não tardou a chegar, e a cair com intensidade durante algum tempo, e por várias vezes até de manhã. Não se tratou de temporal, aqui pelo menos, mas o friosinho voltou e instalou-se. Na Serra da Estrela tem caído neve, e muita, tudo isto nos apresenta um perfeito inverno, embora calmo, mas em Maio o mês que antecede o verão... Parece que a Natureza se coloca ao lado do nosso país, numa solidariedade aparente com os que estão tristes, encobrindo a côr risonha do sol. Para muitos portugueses que lhes importa se o Verão não chegar? Se no seu espirito há muito que reside o escuro inverno?!

Quem ouvir a rádio, basta um noticiário por dia, para ficar chocado com o que ouve: até as instituições de solidariedade, se confessam já impotentes para ajudar as pessoas que necessitadas, as procuram.
Ouvi hoje mesmo uma voluntária duma instituição em Trás os Montes, numa freguesia de Bragança, que os stoks estavam mesmo no fim, e que pedia a toda a gente que ajudásse... Que tristeza, não posso deixar de pensar.

Mas daqui a pouco já nem haverá quem ajude, e isso o Governo não vê. Não vê porque não quer vêr. É duma insensibilidade atróz, porque depois de com o maior ávontade decidir pagar menos a quem trabalha para ele (Estado), depois de assaltar o mealheiro da reforma dos mais velhos, decide agora novamente tirar mais dinheiro ainda, a quem é seu funcionário. E com a maior naturalidade é o diz-se, e fáz-se!
Pelo meio há sempre "um pequeno arraial" entre partidos e respectivos chefes, mas que acaba por resumir-se a nada, e a coisa acontece sem apelo nem agravo...
Depois valorizando a respectiva habilidade, vêem ás Televisões e comunicam em pormenor o valor que rapinaram. Sim, porque não pagaram a quem tinham prometido pagar! Tudo explicado como sendo natural e ninguém tivesse ficado prejudicado. E com sorrisos usam as palavras economizar, poupar, e outras de igual teor...

Estas palavras deviam queimar a boca a quem as profere, assim de ânimo leve...

- Mas como se atrevem a dizer que economizaram? Mas que género de economia é esta, que se baseia em ficar com o dinheiro que não lhes pertence? Mas isto é economizar? E ainda dizem, encantados da vida, que com esta medida o Estado arrecadou... arrecadou...

Convenhamos que de facto, economizar assim é muito fácil. Mas também é demasiado degradante!!!

Mas é o que temos.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

O futebol, e as minhas histórias

Neste ultimos dias assistimos a uma certa dose de alvorôço no que respeita a desporto, cuja razão desse facto, foram as maiores equipas de futebol de Portugal. As rivalidades são salutares, se forem respeitadas as regras do equilibrio, e natural comportamento. E quanto a isso não ouve queixas. Já com os adeptos, há algo a censurar, o que é lamentável. Se o futebol é uma festa, para quê tornarem-no numa luta de raiva, como se de um combate se tratásse? Ontem até ouvi chamar "arêna" ao estádio de Amesterdão. Talvez esteja certo o nome, mas lembra-me o Circo Romano, que a história nos mostra com espetáculos de sangue e sofrimento. Acho vergonhoso que para se efectuar um jogo de futebol, um espetáculo tão apreciado, seja necessário um batalhão de policias para manter a integridade fisica de quem ali vai apenas para se distrair, e apreciar um desporto de que gosta. Já era tempo que as pessoas violentas tomássem um calmante, e fôssem até à praia... E não para os Estádios.

Para ser franca, confesso que não tenho preferência especial por nenhum clube; quando algum vai ao estrangeiro gosto que ganhe. Simpatizo com a Académica, e também com a Naval. Até digo que é a nossa Navalíta, porque é um clube modesto e tem o campo de jogos aqui pertinho da minha residência, práticamente em frente, costumo ir à janela ou à varanda ouvir o respectivo hino que antecede o jôgo, e por vezes fico a ver durante alguns minutos.

O meu marido é benfiquista desde a adolescência, e é um sofredor... Já quando casámos e viviamos na zona de Lisboa, saíamos de casa aos Domingos depois do almoço com o fim de irmos ao cinema, mas ao chegarmos perto, ele via os autocarros alinhados para seguirem para o Estádio do Benfica,e olhava-os de tal modo, que era eu mesmo que sugeria adiarmos o cinema em favor do futebol. E assim assisti a alguns jogos, era no tempo do Eusébio, do Torres que era muito alto, do Costa Pereira... Também me recordo dum jogo no Estádio Américo Tomáz, no Restelo, o estádio do Blenenses, era no alto de Belém e de lá avistava-se o mar. Nunca apreciei o dito jogo, mas também nunca o detestei, e assistia de bom grado,tirava partido do passeio, da imperial e dos tremoços, às vezes caracóis na Cervejaria Caracol, no regresso após o jôgo. Só uma coisa me era adversa, e nada tinha a ver com o futebol, tinha sim com o almoço. O meu marido gostava muito de grão de bico cosido com bacalhau,temperado com salsa e cebola picadinha, e azeite. Como não comia essa comida nos dias de trabalho,(dizia-se que os cabeleireiros não deviam comer ao almoço cebola ou alho crus, subentende-se porquê) era ao Domingo que calhava. Não era sempre, mas algumas vezes. Eu não apreciava mesmo nada este prato, mas também não fazia outra coisa para mim.-Quê, fazer comida diferente? Isso não se usava em minha casa... Comia igual, e claro como não me agradava, comia pouco. Então pela tarde adiante enquanto decorria o desafio, e os adeptos aplaudiam animados, eu caladinha só pensava num pão com uma fatia de queijo cabreiro fresco,que comeria se estivesse em casa... Pensava, mas não o confessava... Fazia-me forte, no meio da fraqueza estomacal...

Passeios, cinema e futebol, prolongaram-se por um ano e pouco mais. Depois, um facto muito mais importante teve lugar, e naturalmente todo o nosso comportamento, em especial o meu, se alterou.
( fui mamã.)

Entretanto fomos viver para o norte do país, o meu marido continuou a ir aos estádios, e a apreciar o desporto rei, e naturalmente a torcer e a sofrer pelo seu Benfica agora à distância. Passados alguns anos mudámo-nos, e aqui permanecemos nesta cidade a que já chamamos nossa, a Figueira da Foz. Assim, Lisboa já não está tão longe, faz-se um passeio e vai-se ao Futebol. O meu marido adquiriu os adreços, ou simbolos, e de vez em quando vai ver o benfica jogar "ao vivo" no novo estádio, ao qual eles chamam a Catedral do Benfica.

Pela minha parte, continuo a acompanhá-lo durante os jogos do seu Benfica, mas em casa,frente ao televisor e cómodamente instalada no sofá. Há, e com a cozinha por perto!

Assim aconteceu durante estes dois ultimos jogos.


sábado, 11 de maio de 2013

Encontrei a Primavera

Num espaço de pouco tempo aconteceu esta maravilha. Fiquei surpreendida hoje ao transpôr a porta do edificio onde moro. De tal modo que voltei lá acima a casa, buscar a máquina para guardar esta riqueza; um presente da Natureza oferecido em silêncio, como se modesto fôsse...

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Recordações

Como já perceberam, estas travessas são de Louça das Caldas. Também elas marcam uma dáta, pois foram prenda do meu aniversário à muito tempo atrás.
Quando eu era jovem, fui pela primeira vez passear á Cidade das Caldas da Rainha. Foi num Domingo de Agosto, namorava com o meu marido à pouco tempo, e foi ele que sugeriu o passeio. Ele trabalhava em Lisboa, mas o patrão destacou-o para esta Cidade durante os tres meses de verão. A ideia agradou-me, e cedinho, numa manhã dum nevoeiro muito denso, lá fui eu acompanhada pela minha mãe e pela mãe dele, no combóio pela linha do oeste até á Cidade das Termas, e das Louças bonitas. Eu vivia a idade em que tudo é côr de rosa, e nada foi negativo. Gostei muito do parque que era enorme, povoado de estátuas arbustos e flores. Da mata (onde lanchámos) cheia de frescura do arvoredo e com uma fonte rústica no cimo. "Adorei" o Museu, que tem o nome de José Malhôa (grande pintor natural desta cidade) cheio de arte nos inumeros quadros a óleo, alguns enormes, magnificos, cuja beleza me cativou e eu contemplei sem pressa. Também as montras das lojas de louça me atrairam, se eu pudesse trazia tudo... mas para além dos preços que não eram convidativos, era Domingo, e por isso estava todo o comércio encerrado.
Regressámos ao fim da tarde, de novo no combóio, e eu  revia na memória todas as coisas bonitas que tinha visto e que já ficávam para trás.

Não trouxe nada, com pena minha; mas um dia mais tarde ao abrir um embrulho de papel forte, fui surpreendida com um presente, eram estas peças. Que alegria!

Há uns tempos ouvi dizer, e senti mágoa, que a Fábrica que produzia estas maravilhas ia fechar. Falava-se em diligências para impedir que se concretizasse tal maldade... não sei qual foi o desfecho.  

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A Cadeia, um triste lugar

Hoje na antena um, no programa da manhã, no espaço chamado Opinião Publica, porque é disso mesmo que se trata, os ouvintes foram convidados a falar sobre as Cadeias do nosso País. Não gostei da maior parte do que ouvi. Felismente, eu de Cadeias (ou Prisões) sei muito pouco e ainda bem, porque para mim aqueles edificios, alguns bonitos, o de Lisboa é um deles, foram sempre um local de expiação para alguém que num momento menos bom, prevaricou de modo grave. Este pensamento é antigo, vem dos tempos da minha juventude vivida em Montemor-o-Velho, uma vila histórica e pacata, onde até havia Cadeia, mas os motivos de ali ir parar, não eram crimes de sangue, resumiam-se a zaragatas e respectiva pancadaria, roubos nas eiras, ou ralhos entre visinhos com insultos, e pouco mais.
A cadeia era um edificio antigo, de rés do chão e primeiro andar, com uma escada larga em pedra; a cosinha enorme era igualmente pavimentada de lages de pedra polida pelo uso. O guarda (carcereiro) residia na própria cadeia com a familia.
Ele era um homem calmo, educado e bom, chamava-se Prudêncio; e a nora uma santa senhora, tinha o nome de Liberdade. Não deixa de ser curioso, estes nomes tão pouco adaptados ao local. Assim, quem fosse para a cadeia "encontrava ali a Liberdade..." As refeições dos presos estavam também a cargo desta familia.
Só uma vez entrei na cadeia própriamente dita, para ir visitar uma familiar. Era a minha comadre que na altura teria uns 40 anos e se envolvera numa cena de pancadaria. Não me recordo já o porquê da desavença, até porque eu não vi.
Mas,aquilo começou com duas pessoas, e no fim eram seis as envolvidas, arranhadas
e magoadas. Resultado:- processadas e julgamento; as duas fações no banco dos réus. O Dr. Juíz atribuiu pena a todas, mas remível a dinheiro. Declinaram; aí ouve unanimidade, não queriam gastar dinheiro, e escolheram ir prá cadeia. E foram! Como estavam de mal, e de mal continuaram, guardaram distância, um grupo dum lado da sala, as outras do outro lado, e assim se mantiveram.
Entrei, e disse adeus a todas, e percebi que estavam tristes, o que era natural.
Mas a minha comadre mostrava-se contente, ria-se, e dizia em voz alta de modo
que as outras ouvissem "- estou aqui muito bem! Eu até precisava de descançar... E enquanto aqui estou, estou a ganhar dinheiro..."
Mas a certa altura, quando as outras visitas falavam alto e estavam entretidas, ela chegou-se ao meu ouvido e baixinho segredou: - ai minha comadre, eu faço esta galhófa para elas não se gozarem de mim, mas sabe? no silêncio da noite eu farto-me de chorar... estes dias estão a ser os piores da minha vida.

Nesta altura eu era uma jovem, mas nunca mais me esqueci destas palavras.
Entretanto, desejei que não fosse necessário voltar mais a uma cadeia, mesmo só para uma simples visita. É sempre mau sinal.

Dizem que na cadeia e no hospital, todos temos um lugar...

Concordo. Mas será bom não o irmos ocupar.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Raivas? Para quê Sr.Presidente Cavaco Silva?

A vingança mesquinha de Cavaco

Ao abrir hoje o computador deparei-me com esta frase. Não me surpreendeu, porque já há dias a imprensa tinha dado a noticia de que o Presidente da Républica representante do nosso País, convidado de honra na Feira do Livro de Bogotá, ao discursar sobre literatura e escritores portugueses, falou de Camões, mas omitiu o nome do escritor José Saramago, o nosso Prémio Nóbel. Já quando ele faleceu, o Presidente Cavaco Silva estando em férias nos Açores com a familia, não as quis interromper, e não esteve presente no funeral. Hoje que as longas distâncias se vencem em horas, e aos Açôres se chega em pouco tempo, logo se percebeu que em primeiro plano estava o homem a sofrer de raivinhas e não o Chefe dum País que se chama Portugal. O Presidente da Républica tem de agir de acordo com o cargo em que está investido, enquanto lá estiver, e não como o cidadão Cavaco Silva que é. O povo tem uma frase interessante, de que eu gosto muito e é assim:
- " POR CAUSA DOS SANTOS, BEIJAM-SE AS PEDRAS..." O Presidente Cavaco Silva decerto nunca a ouviu, e se ouviu, não a valorisou, nem pensou reger-se por ela. Pois é! Mas esta frase diz muito, e eu permito-me apontar: - Como Homem, ele estaria de candeias às avessas com o Saramago. Mas como Presidente da Républica, tinha o dever de comparecer no funeral do escritor, que não era um qualquer escrevinhador, era o Prémio Nóbel, um português que nos trouxe uma honra para o nosso País, e de que todos nos devemos orgulhar, e não menosprezar nem esquecer.
O tempo passou, e agora em Bogotá, de novo o Presidente arréda o Saramago. Que mentalidade tão tacanha... Que baixeza, quando todos sabemos que ele age assim por vingança. Um Presidente que se preze não acalenta vinganças, está acima dessas minudências. Pobre país o nosso, onde tão pouco se valorisam os grandes vultos. E é de cima que parte o desprezo, não é justo.
Ainda hoje ouvi na rádio nacional, um jornalista pronunciar-se acerca de alguns escritores portugueses. Conhecidos uns, e outros surgidos à pouco, vencedores de prémios em Portugal, e a estes mais novos, o Brasil já está a acarinhar. Como não podia deixar de ser, falou no nosso Nóbel para dizer que Saramago é adorado no Brasil.

Disse mais, disse que SARAMAGO É A BANDEIRA DAS LETRAS NO BRASIL !

E eu pergunto-me, haverá algum português que desdenhe desta expressão?.....

A próxima Feira do Livro será em Frankfurt, e o Brasil é convidado de honra. Talvez nessa altura, o escritor português José Saramago, Prémio Nóbel, seja lembrado, mas na palavra dum cidadão brasileiro. - Talvez? Não. Tenho a certeza!

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Jovens com 100 anos

                     Guardo-os religiosamente.São antigos de verdade, eram da minha avó.
                     São bonitos, não acham?
                     Parece estarem no chão, mas não. É por a mesa ser de vidro.

sábado, 13 de abril de 2013

A Primavera é feita de flores


















Recebi por email, do Sr. Aníbal José de Matos, e não resisti a partilhar aqui, agora que, finalmente o sol começou a brilhar e a chuva se foi embora. São flores compostas por corpos humanos. Admirável, não acham?

segunda-feira, 8 de abril de 2013

O chocolate no meu conceito, é rei !

Não devia colocar em pé de igualdade, mas atrevo-me a dizer que gosto tanto de ler, quanto aprecio o sabor do chocolate. Como não faço segredo desse "pecado", há sempre quem se lembre de mim...
Recebi mais, mas já tratei de os "arrumar..."

Prendas nas datas festivas


Os meus presentes preferidos, os livros. Um foi prenda no ultimo Natal, os outros dois neste ano pela Páscoa.  "Apaixonei-me" pela escrita deste Sr. - o Ken Follett

domingo, 7 de abril de 2013

As Festas

E as comemorações Pascais também já passaram, acabaram as festas de índole exclusivamente Cristã, e agora com os dias maiores e quentinhos (será que virão?) teem lugar festividades diferentes, mistas, pois se inserem na santidade homenagiando os Santos, mas também com arraiais, musica alegre e ruidosa, foguetes e comes e bebes... Acontecem por todo o país, mas na província do Minho que tem muitas povoações pequenas espalhadas por montes e vales, todas elas com a sua capelinha ou ermida, um observador mais atento verifica que Domingo após Domingo, uma a uma, todas estarão em festa venerando o respectivo orago da sua devoção. Eu vivi na cidade de Braga durante onze anos, e nos primeiros dois morei à entrada da cidade, quase na perifería; e do alto da minha casa, das janelas das traseiras, podia observar ao longe por entre o arvoredo que "ainda" era denso, pequenos grupos distantes entre si, de casas baixinhas. Eram alguns dos tais povoados. Quando a lua tomava o lugar do sol, e o fumo das lareiras se elevava no ar, distinguiam-se uns pontos de luz coada pelas pequenas vidraças, num cenário a rivalisar com um autentico presépio... E na altura própria também conseguia ouvir não de forma muito distinta, a musica onde entravam as concertinas, e os ferrinhos. Os foguetes, esses sim, eram perfeitamente audíveis; era a alegria da gente do norte, um predicado caracteristico e bem conhecido.
Depois há as grandes festas:- a da Senhora da Agonía em Viana do Castelo, um cartaz turistico de excelência, e a das Cruzes em Barcelos, rica também de beleza e tradição. Que Guimarães e mais Cidades Minhotas me perdôem a omissão, as suas Romarias são também valiosas e merecedoras, mas fica para a próxima.

Comecei a escrever para falar dos presentes que "ganhei" pela Páscoa, e enveredei pelas recordações do passado. Isto só acontece a quem é tagaréla; é o meu caso. E o pior é que se trata duma patologia crónica. "Mea Culpa"! - Nada há a fazer...

sábado, 6 de abril de 2013

Recordar, pode ser amargo e doce

Sou conservadora e tenho uma tendência enorme para guardar; guardo as amizades, mas também os papéis. Refiro-me a recortes de jornais onde mora a poesia, ou assunto que me prenda a atenção, e que por isso eu guardo para voltar a ler quando calhar. Com este modo de proceder desde sempre, enchi gavetas, eu até lhes chamo o meu museu, mas para ser franca tenho de confessar, que poucas foram as ocasiões em que ali voltei para ler de novo algo do que tinha gostado antes. Ontem precisei de fazer umas arrumações, e lembrei-me daqueles espaços. Decidida, abri uma das gavetas no propósito de a esvasiar, e mandar para a reciclagem a maior parte daqueles papéis. A intenção falhou, porque comecei a ler, e acabei enternecida, e até bastante comovida... Entre os vários recortes de papel com poesia, ali encontrei lindas e carinhosas palavras de felicitações, escritas em postais escolhidos a preceito, e a mim dirijidas, por amigas que eu perdi porque já partiram para o Além, e de quem eu sinto tanta falta, e tantas saudades... Ao segurar nas mãos aquelas mensagens que o tempo não destruiu, e que eu agora relí uma após outra, senti como é errada aquela afirmação de que "recordar é viver..." Poder recordar, é sinónimo de ter vivido mais para além de determinada data, ou datas, é certo, e gratificante. Porém este recordar, trouxe-me tristeza,foi um amargo e doce em simultâneo de que não consegui alhear-me.
Agrupei todos os postais por ordem e em massinhos, e quase religiosamente coloquei tudo de novo arrumadinho na gaveta.
Apenas uma folha branca permanece ainda na minha frente, e nela, numa caligrafia muito certinha, estas sugestões tão importantes...

Filosofando

Provado está que a vida é curta e bela...
E que se morre um pouco em cada dia,
Não queira "sem querer" dar cabo dela,
Não se irrite. - Sorria!

Queira ser indulgente e confiante;
Seja a própria justiça quem o guie.
E quando vir errar seu semelhante,
Não critique. - Auxilie!

Seja calmo, sereno, recto e bom!
Faça do amar a base, o alicerce;
Tente da voz não alterar o tom:
Não grite. - Converse.

Ponha o "caso " em si sempre que possa,
Deixe falar quem fala... nem repare,
E ouvindo a consciência, amiga nossa:
Não acuse. - Ampare.

Estes conselhos tão sensatos foram-me enviados por uma grande amiga, juntamente com a sua amizade, que vincou na respectiva dedicatória. Não são
da sua autoria, mas tinham o seu apreço.
Se o Céu existe, lá estará esta querida amiga, a Sra. D. Isaura Carvalho.

sexta-feira, 29 de março de 2013

Os Homens do Blusão Vermelho

A manhã começou chuvosa, mas algum tempo depois a chuva diminuiu de intensidade deixando ver as nuvens de tom cinza, antecipando as branquinhas e até o sol, muito anémico é certo e meio escondido, mas lá deu um ar de sua graça, embora não tivésse vindo para ficar. Apressei-me no sentido de aproveitar aquele interregno, para ir à rua fazer as compras que tinham ficado adiadas da véspera. Por precaução achei que devia fechar a janela, e nesse sentido aproximei-me, e vi em baixo na rua uns homens de blusões e bonés vermelhos, que aproveitando a zona dos semáforos onde os carros tinham de parar, se dirigiam aos automobilistas. Logo percebi que se tratava dum peditório. Pensei que seriam bombeiros, pela indumentária vermelha, e tentei ler a inscrição que tinham nas costas. Não consegui, porque embora estivessem perto, a altitude a que eu estava era mais um ponto negativo, e a minha visão já há muito que deixou de ser excelente. Como sou persistente, fui buscar o meu binóculo, actualmente um objecto de estimação, que se não tiver oitenta anos, poucos lhes hão- de faltar para isso. Nem assim eu consegui satisfazer a curiosidade, só li Associação, e vi que traziam o cartão de identificação que baloiçava preso no bolso do peito. Comecei então a recriminar- me: - Mas para que estou eu aqui a perder tempo? Acaso são contas do meu rosário? Só estou a atrasar- me... E estava, de facto.
Mas eu pensava que eram bombeiros, e intimamente passei a censurar os automobilistas porque não davam nada. A maioria dos carros eram grandes, e eu dizia para mim; - ora estas pessoas não podiam contribuir ? Quem não dá muito, dá pouco, o que é preciso é que todos dêem... Mas só acenavam com a mão pela negativa. E eu continuava; - chamam-se os bombeiros para tudo, e nestas ocasiões não há memória...
Dei por terminado o meu monólogo, deixei a janela e saí de casa em direção ao supermercado, e entretanto esqueci este cenário. Demorei-me, e no regresso quem vem ter comigo de maço de bilhetes na mão? Um dos homens de blusão vermelho... Fiquei então a saber que não aceitavam donativos, tentavam a venda dos bilhetes para um sorteio "simpático" cujo produto pertence à Associação Portuguesa dos Veteranos de Guerra, com vista à construção dum Centro de Dia com Cuidados Continuados para os Veteranos de Guerra e seus Familiares. Finalmente fiquei a saber que não eram bombeiros, mas para mim o caso não mudou muito, tratava-se duma Associação com carências... e a precisar de ajuda. O sr. fez questão de me apontar os prémios, pormenor que despenso, porque eu nunca espero que me calhe, mas não é por isso que não compro, desde que tenha dinheiro no bolso. Assim trouxe os bilhetes comigo e regressei a casa.
Guardei-os na escrevaninha em lugar visivel, porque a data do sorteio ainda vem longe. Inesperadamente surgiu-me um pensamento negativo; - isto será verdade? Ou será um bando que por aqui apareceu para enganar o próximo?... Eram vários homens, já não eram novos, e os bilhetes reuniam as informações habituais dum assunto que se diz sério, mas... mesmo assim, sei lá. E fiquei com "o mas" a moer- me a imaginação, ao ponto de me interrogar;- teriam sido iguais duvidas a razão do não, da maior parte dos automobilistas abordados? E eu teria sido enganada na minha boa fé? Fiquei sem resposta, mas com uma certeza.- Com a miséria de valores morais com que actualmente nos confrontamos, não devo censurar os cautelosos.

Mas talvez possa! Agora! Depois de ter ido pesquisar na Internett, e constatar toda a verdade e seriedade do assunto.
Afinal eu estava certa quando ajudei com o meu contributo. Tudo está bem, quando acaba bem.


sábado, 23 de março de 2013

O Arco Iris, ou Arco da Velha

Quando eu era nova, o tempo não me influenciava. Chuva ou sol e até o frio, nunca foram factores que alterássem os meus projectos. E se fazia frio?! Abrir a janela pela manhã e ver o espaço que ladeava a vala, branquinho de geáda, era comum dia após dia. A vala era um curso de água desviado do Mondego e que atravessava a Vila. Assim, uma fila de casas de norte a sul, tinham como vista principal a água, e logo depois as terras compostas com o verde das searas pouco depois das sementeiras, e do béje aquando das colheitas. Recordo todo esse percurso da Natureza, e o trabalho do Homem. Recordo e présto o meu respeito aos lavradores, que ali andavam dias inteiros segurando o arado, comandando o gado e "falando" com ele... Eram os Emilios, tres irmãos todos lavradores. Logo pela manhã com o gado puxando o carro, lá ia o Sr.Francisco... Se eu estava á porta ele dizia adeus, e tirava o chapéu. Eu acho que antigamente havia mais estima entre as pessoas... Estarei a pensar errado? Não sei. Sei que estimava muito este Sr. que era afilhado do meu Pai. Aliás eram afilhados do casamento os tres irmãos.
A vala hoje já não existe, estou a falar da minha terra, de Montemor-o-Velho.
Mas eu comecei por dar a entender que actualmente o tempo me influencía, e é verdade. Aproximação de trovoada dá-me mesmo mal estar, não é mania. Tempo escuro faz-me ficar triste. E ontem foi mesmo isso que me aconteceu. Eu tinha ouvido na rádio repetidas vezes que em Lisboa o sol tinha-se ausentado, que o céu estava cinzentão e que estava a chover. No entanto aqui na minha Figueira estava um sol brilhante e quentinho, que bom! Mas a certa altura também se escondeu. E daí a pouco o som duns pingos de chuva fez-se ouvir nos vidros da janela; e a seguir veio o granizo e o tempo escureceu. Aborrecida, levantei-me, e fui à varanda: fiquei a olhar a rua, os automóveis seguindo devagar por precaução, e o céu côr de chumbo. Daí a pouco começou a aclarar, e um arco iris apareceu no céu. Tão colorido, tão bonito! E coisa rara, inteiro; "parecia" começar no estádio de futebol e terminar no parque de campismo... A sua curva, qual abóbada, retinha dentro de si toda a urbanisação, onde num dos prédios eu me encontrava. Lamentei não ter uma máquina fotográfica que captásse por inteiro o bonito Arco Irís.
Fui buscar a minha pequenina, e como se costuma dizer "cada um dá o que tem..."

Fotografei só, dois pedacinhos do arco. A totalidade, ficou apenas na minha memória, e a imaginação ajudará a quem ler o que contei.

sexta-feira, 8 de março de 2013

O passado tão presente

Já tinha saudades de tocar as teclas deste incondicional companheiro que é chamado computador. Mas hoje recebi A Voz da Figueira, um semanário que é publicado nesta cidade, que agora também já é a minha cidade.
E na segunda página deste pequeno jornal, eu encontrei uma coluna que logo me prendeu a atenção. E tanto, que mesmo sem pedir licença à sua Autora, eu vou "roubar" e colocar aqui, algumas das suas palavras, e também a sua poesia.

Depois de referir que escreveu este poema em Maio de 1948 quando tinha dezoito anos, ela escreveu assim:

- Hoje, diante de um país ingrato e sem método, entregue a lideranças dúbias e mal formadas, nos meus oitenta e três anos de idade consumados em Novembro passado e, ao rever o que escrevera há mais de seis décadas, apercebi-me da actualidade do escrito. O desalento e a consciência das injustiças de então, são no todo semelhantes ao que sinto, e pressinto, em Março de 2013. Assim, passe a imodéstia de o fazer, trago esse jovem poema a público. Quem sabe possa ser relevante, sobretudo para algumas pessoas menos atentas que pouco refletem na situação politica e social do presente português.

Esperança?

Ruge um mar alteroso no meu peito
É terrível, horrendo, este bramir!
Tudo o que é paz, em mim fica desfeito,
Tudo o que é luta, em mim volta a surgir!

Tudo o que é dor, em mim não tem proveito,
Tudo o que é sangue, em mim, é doce advir!
Tu, justiça do Povo, tão sujeito,
Julgarás, matarás o que mentir...

Só assim, frente a frente, sem receios,
Sem armas, sem prisão, sem tiranias,
Cada um pode dizer dos seus anseios

Cada um pode julgar as cobardias!
E assim, sem temor, sem negras listas
Sereis julgados um dia, fascistas!

Estas são palavras datadas, sentimentos duma jovem em 1948, agrilhoada na ocasião a um país pobre, autoritário e sem futuro risonho, mas, embora o termo "fascistas" seja hoje demasiado forte ou excessivo, reitero em Março de 2013 o sentido global do poema!

 Maria Teresa
        Coimbra
      
Sra. D. Maria Teresa, mil perdões pela minha ousadia, mas confesso que senti pena ante a perspectiva "deste grito" ficar confinado apenas a um jornal...
Assim, aqui, voará como o vento !!!

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Gostar de coisas bonitas

 Já tenho ouvido alguns reparos assim em geito de brincadeira, por causa dos meus gostos em relação às artes. O meu marido até me diz que eu tenho gostos aristocráticos... Tudo isto na risada, claro, mas se calhar não está totalmente afastado da verdade, porque de facto eu aprecio tudo o que é arte. Sou capaz de passar um dia inteiro num Museu nas salas onde "vive" a pintura. Quando ouço alguém censurar o nosso Rei D. João V, eu fico caladinha, não o posso recriminar, porque estou do lado dele. Desde o mobiliário, as   pratas, as esculturas, tantas maravilhas que ficaram ligadas ao seu reinado, isso tudo me fascina. Um dia visitamos (eu e o meu marido) o Convento de Mafra, que riqueza de arte, e só me refiro à Igreja, porque falar do recheio das salas que seriam habitação de férias para os Monarcas, fica para outra altura.
Também se ouvem criticas a esta obra enorme, o próprio Saramago o fez até em pormenor, mas, "o pensamento é livre como o vento," assim escreveu o poeta Manuel Alegre, e como tal, eu tenho opinião positiva em relação ao Rei vaidoso,  e afirmo que a arte é património, e saúdo com um bem haja quem a faz, e quem a manda fazer, para que fique para a posteridade.
Ai, mas onde esta conversa já vai... Eu vinha para falar só um pouquinho de Verdi, um compositor que nos deixou Óperas lindas, a sua música é duma doçura infinita, mas agora já não escrevo mais, prefiro pedir que vejam este pequeno filme, onde quanto a mim tudo ali é beleza.

(antes tenho de confessar que o belo-canto é outra das artes que me fascina.

Quanto ao filme foi-me enviado por uma amiga, a D. Zinha, também ela "navegadora" no campo das artes.)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Adeus Bento XVI

E o Carnaval já ficou para trás. Parece-me até que muitas pessoas, sobretudo aquelas que não se juntaram à festa nem se lembraram mais dele. Eu quase me esqueci no antes, no durante, e no após. Mas tenho gratas recordações dos Carnavais de há muitos anos atrás, e tenho pena que neste ano a chuva viesse inoportuna, "proibir" a diversão a quem ansiava por ela. Mas tudo passou, e ontem a noticia era outra: - o Papa vai renunciar - ouvi na rádio pela manhã. Não fiquei assim muito admirada, embora este facto não seja vulgar. Lembrei-me do anterior, o Papa João Paulo II quando da sua primeira vinda a Portugal. Era um homem cheio de saude, comunicativo, falava da fé com alegria, conquistou cristãos e ateus. E depois nos seus ultimos tempos de vida, minado pela doença, num autentico suplicio à vista de todos; por pouco que não o viamos no seu ultimo suspiro. Nessa altura eu perguntava a mim própria,se esta seria mesmo a vontade do Papa, que o vissem tão sofredor e tão triste. Não teria sido muito mais lógico ser observada a privacidade?
E não pude deixar de concluir que a Igreja valorisou aquele sofrimento, até porque o expôs, e em larga escala. Também estas ideias veem dos tempos antigos; se repararmos, se fizermos uma pesquisa em relação aos Santos, a maioria só ascendeu aos Altares, porque sofreu torturas e morte violenta.
Há aqueles que pelas suas virtudes, seu saber, sua bondade, foram igualmente santificados, mas são em menor numero.
Estamos em 2013, tudo evoluiu, para melhor, para pior... mas depois da escolha sempre fica algo positivo.
O Papa é um homem, não lhe chamem Santo assim que toma posse do mais alto cargo da Cristandade. Como homem está à mercê do desgáste que o tempo produz. A saúde escasseia, a força e a coragem diminuem, não há alternativa.
Há porém ainda, a inteligência, para decidir. ( antes que o inevitável aconteça)
Foi o que fez o Papa!

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Fui roubada!!!

Pois é assim mesmo! Fui mesmo roubada!!!! Porque não é só a quem assalta pessoas e habitações, ou tira artigos do supermercado, que podemos acusar de que praticou roubo. Eu vou contar: - como é habitual ao fim do dia, o meu marido enquanto aguarda pelo jantar, vai abrir o computador para ver o correio. Neste dia, que não interessa a exatidão da data, algo o surpreendeu. Entusiasmado chamou-me com insistência, para que eu visse o que um amigo lhe tinha mandado. Fui ver, e de que se tratava afinal ? Dum video sobre Montemor-o-Velho.
Eu não contive o meu espanto, mas pela inversa, pela negativa. E porquê? Porque o que ali estava na minha frente era um conjunto de dezasseis fotografias da minha autoria. Sim, da minha autoria, e que eu havia colocado no meu blogue alguns meses antes. Fotografias realizadas há cinquenta anos atrás, com uma máquina que ainda guardo por estima, e, facto curioso, o fotografo que as revelou é daqui da Figueira, e ainda está vivo.

( No ano passado deu-me para recordar, e abri os albuns que guardam recordações de Montemor, eu não tenho só estas fotos, tenho mais, mas decidi colocar apenas estas no meu blogue, acompanhadas dumas palavras algo elucidativas, pois todas elas representam um passado já distante.Recebi comentários e emails  sobretudo do Brasil, que me agradaram imenso, e depois naturalmente esqueci o assunto.)

Voltando ao caso,esta criatura nem se deu ao trabalho de alterar a sequência das fotos, foi rapinar do blogue e proceder à obra, como se aquilo fosse tudo dele. Passada a surpresa, decidi identificar esta pessoa que até colocou o seu nome no referido video. O nome  e também o pseudónimo. De posse do seu endereço, decidi escrever-lhe. Como na altura não me sentia bem de saúde, encarreguei a minha filha (que até é advogada mas que sabe muito destas coisas por trabalhar na área criativa e na internet e precisar de proteger o que faz) de o fazer. Ela informou-o de que estas utilizações carecem da autorização do proprietário da coisa, mas que eu não me importava desde que ele colocasse lá o meu nome, pois as fotos têm dona, sou eu ,a autora. Respondeu impante, como se tivesse feito um ação muito bonita, e ainda impôs condições, ficando à espera delas, para depois, então, pôr o nome...!É preciso ser-se muito medíocre, muito pouco gente, para falar assim.

Contudo as fotos são minhas, estão registadas, são património exclusivamente meu. Fui roubada, e sem direito a receber desculpas, esta é a verdade nua e crua."Porque quem não tem vergonha, todo o mundo é seu." ainda não tomei medidas, mas já sei como proceder e irei fazê-lo. Isto não é correcto.


Eis os links para algumas delas caso queiram espreitar:
http://www.rendadebirras.blogspot.pt/2011/08/montermor-o-velho-na-decada-de-50-7.html
http://www.rendadebirras.blogspot.pt/2011/08/montermor-o-velho-na-decada-de-50-3.html

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Ainda acerca do cão de Beja

Muita gente já falou do cão. O pitbul que causou a morte a uma criança. Já ouvi tantas opiniões acerca desta tragédia, que decidi também escrever qualquer coisa.
Só que eu volto sempre atrás. Antigamente poucas pessoas tinham um cão de estimação. Nessa altura alguns lavradores tinham um cão para guarda. Não era de raça especial, era um simples cão, este que estacionava a maior parte do tempo no páteo, cuja saída era um portão largo para acesso do carro de bois, e que permanecia fechado, porque o cão apesar de rafeiro também podia morder. E neste caso de que eu falo mordeu mesmo. Um breve descuido, portão entreaberto, e aí vai o cão que nem flecha ferrar numa criança que passava em frente, levando uma pequena cêsta à cabeça com umas folhas verdes para os coelhos. A criança gritou, caiu para um lado, cesta para o outro, e lá vem a dona do Tico aflita acudir e prender o cão; e imediatamente providenciar o curativo do ferimento na perna, resultante da dentada. E qual foi o tratamento? - Como era usual naqueles tempos, "curava-se a ferida feita pelo cão, com o pêlo do mesmo cão". Assim, foi buscar uma tesoura cortou um bocado de pêlo ao Tico, ferveu- o num pouco de azeite e depois de arrefecido aplicou, cobriu com uma ligadura de pano branco, e repetiu o tratamento diáriamente até á cicatrização total. A criança em causa era a minha mãe, que nunca se esqueceu do Tico, nem do que é uma dentada dum cão.

Vem isto a propósito do facto, de que todo o cão pode morder, quer se trate dum animal de pura raça, apontado como perigoso, como até dum vulgar rafeiro aparentemente inofensivo.

Actualmente tornou-se moda ter um cão, de preferência grande, e melhor se for de raça. Pois é, nós olhamos e achamos que o animal é bonito, e o dono gosta do reparo. Mas ter um cão abarca um conjunto de responsabilidades, e não só... um cão é um ser vivo, tem de receber carinho, ser ensinado, e tudo isso requer tempo, paciência, jeito e dedicação. Ter um cão não é só dar alimento e banho, é muito mais. Por isso é que assistimos à vergonha de haver cada vez mais cães abandonados, sobretudo nos meses de férias. Quem abandona um cão não tem sentimentos suficientes para o adquirir. Só tem capacidade monetária, mas dedicação não tem, e devia ser punído pela má ação do abandono que pratíca de animo leve.
Este caso do Zico talvez não esteja isento dos tais pormenores em falta, nomeadamente os carinhos, os ensinamentos, os cuidados. Depois se repararmos ninguém viu o que se passou. Diz-se que estavam ás escuras;- mas então que local é aquele onde estava uma criança pequenina sósinha, e um cão de sangue quente? E o que terá acontecido para o cão atacar,uma vez que era um cão que convivia há anos com a familia?! Coitado também dele, pois como ouço muitas vezes dizer "só lhe falta o falar, " e aqui era importante que falásse. Mas como não fala, e tem a infelicidade de ser arraçado de pitbul...
Se pensarmos com calma vamos reparar que o cão NÃO sabia que ia matar o menino! Mas mordeu (segundo dizem) e foi fatal. Todos lamentamos de todo o coração. Mas, e quando uma criança é atropelada mortalmente, o automobilista também incorre na pena de morte?- Claro que não! Mesmo que se confirme que está alcoolisado... Um humano que sabe o que faz porque é racional, tem atenuantes até em crimes monstruosos... Um animal cujo discernimento fica aquem, e não tem mesmo paralelo com  o pensar do homem, não merece compaixão.
Que paradoxo, apesar de estarmos em 2013.
Mas matar o cão já não tráz a vida à criança, nem diminui a mágoa aos familiares.

Tudo isto é muito triste e complexo, talvez prefira aceitar este drama como inevitável, e de ser este o destino marcado, sei lá... E dar como certa aquela frase muito conhecida e acreditada por muitos, que diz assim: - " Onde tiveres de ir, não podes fugir ! "

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Eu não gastei a mais...

Diz-se que Ano Novo vida nova... Pouco antes das badaladas da meia noite que inutilizam o ano velho, é costume deitar fora alguns utensilios já sem préstimo. Em geral são pratos de loiça que ao quebrar fazem barulho, a ajuntar ao ruído da habitual algazarra que se produz entre os que aguardam a entrada do Novo Ano, animados e esperançados. Recordo que numa vez em que fomos convidados para a passagem de ano em casa duma familia amiga, também corri escada abaixo com o prato na mão (que lá recebi) e fiz como todos fizeram, cácos e barulho. Entusiasmei-me e gostei, e nunca vou esquecer; até porque se tornou impossivel (infelismente) uma repetição daquela festa familiar.

Mas o Ano Novo já entrou em funções, e apesar dos adreços que lhe colocamos, nomeadamente de bom e mais coisas do género, a verdade é que ao ano pouco lhe cabe fazer; no entanto nós atiramos-lhe sempre com as culpas...Olhando para trás e usando de sinceridade, devo dizer que o 2012 não me deixou recordações tristes. Deixou-me sim como herança preocupações (de que ele não tem culpa) que se tornaram no pão nosso de cada dia, não só para mim mas para muitos portugueses.
Apesar das noticias e debates mostrados na T.V. serem uma séca, eu continuo a ver e a ouvir também na rádio. E por vezes até fálo alto sózinha. Hoje voltei a ouvir por mais do que uma vez aquela frase que já vem do ano passado, e que já deve estar gasta de tão repetida ser. Sabem qual é? Que Andámos a Gastar Acima das Nossas Possibilidades...... Eu gostava de saber quem foi o inventor desta afirmação, que atiram constantemente para cima de todos os portugueses. Mais, tomaram o facto como inevitável, e naturalmente aceitável. Mas é muito enternecedor que a pessoa em questão (que deve ser da alta) se coloque assim ao lado dos pobretanas dizendo andámos... Não quer assumir, e por isso usa o plural e alia-se ao Zé Povinho; que sensibilidade tão marcante... Mas percebo, não teve peito para dizer: - eu gastei a mais. Eu recebi a mais. O Governo meteu-se em cavalarias altas e gastou a mais. E mais coisas que toda a gente sabe...

Mas o que eu também sei, e sei de cór e salteado, é que nem eu nem o meu marido nunca gastámos acima das nossas possibilidades. E também nunca prejudicámos o Estado. Nem a Segurança Social. Talvez por isso chegámos a velhos sem enriquecer, mas cada um é para o que nasce, diziam os antigos, e nós descendemos deles nos hábitos e deveres.

Não me venham para cá com essa frase que eu já sinto asquerosa, que eu não a admito em relação a nós.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Boas Festas !

Natal

Numas palhinhas deitado,
Abrindo os olhos à luz,
Loiro, gordinho, rosado,
Nasce o Menino Jesus.

Uma vaquinha bafeja
Seu lindo corpo divino,
De mansinho,que a não veja
E não se assuste o Menino!

Meia-Noite. Canta o galo.
Por essa Judeia além
Dormem os que hão-de matá-lo
Quando for homem também...

E, pensativa, a Mãe Pura
Ouve, fitando, Jesus,
Os rouxinóis na espessura
Dum cedro que há-de ser cruz!...

( João Saraiva
         em
   Na Mão de Deus")

Para todos quantos visitam o meu blog, para as amigas e amigos que sempre me deixam as suas opiniões, demonstrando assim a sua estima, que muito
valorizo e agradeço, quero aqui deixar os meus cumprimentos de Boas Festas.

Feliz Natal !

Um lamento, e um sorriso

Hoje é Natal, o relógio já bateu as doze badaladas da meia-noite, e nas Igrejas celebra-se ainda o nascimento de Cristo, o nascimento do menino Jesus.
Menino Jesus da minha infância como estás longe, e que saudades eu tenho de ti...
Nessa altura valorisava-se o Presépio em primeiro lugar, e também a árvore de Natal
com enfeites muito modestos. O Pai Natal ainda não tinha chegado a Portugal, estava muito ocupado nos países nórdicos,deslisando o seu trenó cheio de prendas, pela neve branquinha e fria.
Eu gostava de escrever algo agradável sobre a quadra natalicia, mas não encontro nada nesse sentido; e sabem porquê? Porque a antena 1 em simultaneo com musica a meu gosto, trouxe aos meus ouvidos factos que fazem mesmo entristecer.
Crianças a sofrer com falta de comida em casa, tristes na escola e caladas sobre isso por vergonha, e professoras de coração partido ao constatarem tal realidade. Entretanto outras funcionárias de secções diferentes, atrevem-se a negar almoço a crianças por pequenas dividas de almoços anteriores. Nunca julguei que no meu País se chegásse a este extremo.Isto já é demasiado triste, mas se nos lembrarmos que estamos no Natal, então é mesmo mais dificil passar ao lado.

Encontrei esta poesia no "meu museu."


A boneca


Caía uma chuva miudinha
E eu olhava aquela criancinha
D'olhos tristonhos, mas linda, estava só;
Parada numa montra de brinquedos
Pelo vidro deslizavam os seus dedos
Chocou-me o coração, metia dó.

Os seus olhitos verdes nem pestanejavam
Era indiferente a todos que passavam
E até a própria chuva não sentia;
Olhando uma boneca de cabelo louro
Parecia estar diante d'um tesouro
Observei-a, de vez em quando ria...

Cheguei mais perto e ela ouviu meus passos,
Querias essa boneca que tem laços?
E ela respondeu quase a chorar:
- Eu gosto dela, mas do meu mealheiro
Já fui tirar o resto do dinheiro
Pr'a vir buscar comer para o jantar!

Segurei -lhe na mão, estava fria
Da chuva miudinha que caía
Nessa tarde d'outono que findava;
A boneca lhe dei com todo o gosto
Pôs-se em bicos dos pés, beijou-me o rosto
Sua carita agora se alegrava.

Aconchegou-a logo ao coração
Seus olhos riam de satisfação
Dizendo: não me posso demorar;
A minha mãe deve estar em cuidado,
Tenho d'ir aviar o meu recado,
Porque a minha boneca  quer jantar!...

(Celeste Mingachos, Coimbra) 
                                      

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Seria por ser Natal?

A curta distância da minha casa, talvez a uns oitocentos metros existe um supermercado. Abriu portas há uns 17 anos, isto se a memória não me falha quanto à exatidão da data. Habituada ao comércio tradicional, só passado bastante tempo decidi ali entrar. Primeiro só para ver e consultar preços, mas aos poucos habituei- me, e tornei-me cliente certa, e na totalidade do que necessitava. Assim, uma vez por semana passei a ir lá gastar o dinheiro... Um dia reparei que ali pela entrada e até no interior do estabelecimento vagueava uma mulher. Já não era jovem, contudo estava muito longe de ser idosa. Feiota, muito morena, muito magra, e um pouco curvada, passava ali o dia todo e pedia uma moeda a toda a gente.Devo confessar que embirrei logo com ela; ignorava-a, e ela percebendo não me pedia nada. Eu em silêncio dizia para mim própria; ora esta, passo o meu tempo todo a trabalhar, tantas vezes já cançada, e esta creatura que ainda é nova não faz nada... E o tempo foi passando. Um dia pela primeira vez entrei no supermercado vestida de luto e triste, e ela aproximou-se indagando sobre o facto. Respondi, agradeci, e segui em frente. Passaram vários mêses, e chegou dezembro. Não sei porquê mas mudei de opinião, e um dia sem que ela se aproximásse ou me pedisse, puz-lhe no bolso do casaco algo que entendi, e acrescentei que era por ser Natal. E era de facto. Daí em diante, ela passou a pedir-me a moedita, a do carro, e eu passei a dar, sem me atrever (mesmo em silêncio) a fazer comparações acerca da mulher que não trabalhava.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Morte aos que precisam de comida!

De há uns tempos para cá, muitas são as Instituições que se dedicam a ajudar muitos dos portugueses e até estrangeiros, que privados de trabalho e gastos os subsidios que lhes foram atribuidos e entregues, não teem como alimentar-se nem como prover a outras necessidades que custam dinheiro. Se quisermos pensar, podemos avaliar o quanto será triste o viver actual desta larga camada da população. Louvo com todas as minhas forças, quem se dispõe a ajudar, desde aquele que dá, ao que deixa a sua casa e vai pedir, também ao que carrega, ao que organiza, emfim saúdo toda aquela equipa que se esquece de si próprio, e se preocupa pelo "irmão necessitado" que nem sequer conhece. No nosso país a situação de carência é permanente, de modo que a espaços curtos deparamos com peditórios, devidamente identificados, e cada um dá o que pode, e se não quiser não dá, ninguém lhe pergunta o motivo, até porque as pessoas ainda se recordam daquela máxima que diz assim: "cada um sabe de si..." E é verdade.
Hoje dei uma volta a visitar os blogs. Num deles que por acaso é o do meu marido,e no qual ele tinha escrito algo enaltecendo o trabalho do Banco Alimentar, logo apareceram os comentários dos donos da verdade absoluta, daqueles que teem sempre soluções para a vida dos outros, mestres em eloquência que nunca põem em prática, porque trabalhar faz moer a cabeça e o corpo, e ir para perto dos pobres faz-lhes enjoos porque cheiram mal. No entanto são duma prodigalidade espantosa a falar (só a falar) e então atiram tudo para cima do País... e aí eu até estou de acordo; pois claro, ninguém devia chegar ao ponto de estar à espera duma esmola (chamem-lhe como quiserem) para poder comer, ou dum trapo para cobrir o corpo.
Mas então, não é por demais evidente, que as finanças estão no abismo ? Que está na forja um plano para o ano 2013, portanto já para o mês que vem, em que menos dinheiro o Estado entregará aos seus operários?! E querem que o Governo transforme de imediato este estado de inferno num belo paraíso? Há, pois; como seria encantador! - mas todos sabemos que não vai ser, e nem sequer sabemos o que o futuro nos reserva, a longo ou a curto prazo. Então, no pensar destes mestres tão eruditos, o que está certo no seu conceito " É NÃO AJUDAR NINGUÉM ! - É DEIXÁ-LOS PASSAR FOME E FRIO. - É DEIXÁ-LOS MORRER !"

Sim, é o que querem que aconteça, enquanto se fica à espera dum Portugal estável, mesmo que isso demore 50 anos. Saber esperar é uma virtude, "e estes pensantes" são virtuosos, olá que são!!!

Entretanto nem tudo é mau. - Agentes funerários, esfreguem as mãos!
Chegou a vossa oportunidade de legalmente ultrapassarem a crise!
O vosso negócio vai prosperar como nunca imaginaram! Acreditem; e esperem.....

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vinho Salazar

Na passada semana surgiu na imprensa um assunto que desta vez não tinha nada a ver com a crise, nem com os actuais politicos; coisa rara permitam-me que assim diga, porque nós de tão obsecados que estamos com a má situação do País, só pensamos nisso, incluindo os que leem e os que escrevem, de modo que os jornais pouco diferem até de dia para dia, mais forte ou mais leve, o assunto já se adivinha.
Mas este facto era novinho em folha. Foi o caso de alguém de Santa Comba Dão,
parece-me até que foi um membro da Autarquia, que deu a conhecer um produto para venda, ali produzido, nomeadamente um vinho de qualidade e rotulado com o nome de Salazar. "Caiu o Carmo e a Trindade com tal decisão..." As rádios falaram, a TV, os jornais; oh, foi um assunto e peras, para atordoar o Zé Povinho. Foram apontados perigos e coisas más que poderiam suceder, e por isso nada de Salazar, mas parece-me que o vinho não foi proibido, foi só o rótulo! Mas que eu saiba um rótulo não chega para etilizar ninguém, nem para fazer bulha... já o vinho, bem, a gente já viu como é, mas adiante.
Percebe-se fácilmente, que é opinião politica em ação.
Eu cresci ao lado dum pai republicano, (democrata dos antigos) que infelismente já não viu o 25 de abril, mas foi junto á sua campa coberta de cravos vermelhos que foram homenageados os democratas de Montemor-o-Velho. Escusado será dizer que ele detestava o Ditador, e eu sofri alguma influencia no mesmo sentido. Embora de modo mais brando (devido até à minha idade e condição feminina) mas também não simpatizava com um homem que permitia e mandava fazer crimes ( o ultimo foi a morte do general Umberto Delgado.) Com a revolução dos cravos vieram a publico todas, ou quase todas, as desgraças consentidas por aquele Sr. de voz melíflua ouvida nos seus discursos longos de palavras intermitentes; era cristão praticante, mas cuja doutrina não praticava, pois piedade era sentimento que não usava.
Era vaidoso, e era bajulado. Tinha estátuas e bustos por todo o lado. Praças e ruas com o seu nome, e a ponte sobre o Tejo em Lisboa era também ponte Salazar.
Morreu, e posteriormente caiu a Ditadura. Instalou-se a Democracia, e logo após deram cabo das estátuas,(obras de arte) apagaram o nome das ruas e da ponte de Lisboa, a qual passou a chamar-se Ponte 25 de Abril, uma obra inaugurada em1966, e que nada tinha a ver com a revolução de 1974.
Nesta ordem de ideias também não deveriam ter erigido uma estátua ao Marquês de Pombal, mas isso são outras histórias, mais antigas...
Eu escrevi isto tudo porque não encontro razão para a exclusão da marca do vinho, acho que ninguém se estaria a aproveitar como meio de publicidade fácil. - Dirão estes actuais pensadores tão cheios de patriotismo, "tão limpos", que seria uma forma de relembrar Salazar. E porque não? Só se pode recordar os Santos? Então e os Ditadores? - Dá ideia que querem passar uma borracha e apagar da história de Portugal o nome do Ditador Salazar. Não podem, ele ficará eternamente. Como de igual modo ficará para a posteridade a história do seu percurso politico, brilhante no inicio, depois os seus erros, as suas teimosias, as suas vinganças, as suas maldades, os seus crimes... E a Ditadura, quase interminável.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Inocentes, a pagar pelos erros dos sabidos

Hoje o dia amanheceu escuro. Pelo barulho dos automóveis a deslizar no piso molhado, apercebi-me de que tinha chuvido durante a noite. Talvez estivesse ainda a chuver... Eu sei como a chuva é valiosa, os lavradores da minha terra diziam quando chuvia " isto é ouro que está a cair."- Mas este tempo escuro deprime-me, fico ainda mais triste do que em geral estou. Eu era alegre, cantava, e qualquer coisa ou facto mais animado me fazia rir. Agora, e de há um tempo para cá estou diferente, nem os actuais cómicos que aparecem na TV me fazem sequer sorrir.
Mas estou a falar de hoje: como é hábito antes de preparar o pequeno almoço ligo o rádio. Sou fã da antena um, que também nem sempre me agrada inteiramente, mas algo me satisfaz. Hoje porém o tema era pesado, pelo menos para mim. Falava-se da pobreza instalada no nosso País, mais própriamente nas crianças que chegam ás escolas em jejum. E naquelas que por não terem 73 centimos para pagar o almoço não comem na cantina . (nem em parte nenhuma.) Mas em que ano estamos nós? Em 1950?  Nessa altura é que era assim, nem aquecimento nem pão as escolas tinham para confortar as crianças, que ali entravam ás 9 da manhã descalças e embrulhadas num xalito fino, quantas vezes todo molhado. Eu lembro-me bem de como era, e até recordo o nome dessas vitimas. Vitimas sim, duma sociedade insensível e hipócrita, onde havia a Mocidade Portuguesa, como que a alardear um País em franco progresso; e na reta-guarda a pobreza calada, se possivel escondida, porque ser pobre, era ser diminuido.
O tempo passou, esse mal foi esquecido porque o progresso proporcionou bem estar. E não é o bem estar, regrado é certo, um direito do ser humano, e em especial para uma criança, uma vida em flor, que se acha no mundo sem perceber porquê...
Então nasce para sofrer ? Logo na infância! Quando ainda nem sequer sabe o que é o pecado ou a maldade... Voltámos aos anos 50? -Senti que sim, e fiquei mais triste ainda. Eu sei, todos sabemos, que no nosso País uns mais do que outros, todos estamos mal, salvo excepções para aqueles que acumularam teres e haveres, e agora dão palpites, lérias, e vivem fartos e felizes. Gostaria de perguntar (aos próprios) a estes, e aos responsáveis atuais, se quando tomam conhecimento destas noticias tristes e verdadeiras, se não sentem remorsos... Dizia Padre Américo - " Mãe, como podes dormir tranquila, sabendo que enquanto os teus filhos dormem alimentados e quentes, outros iguais a eles, sofrem com fome e com frio..."

Esta frase dum Santo, dita por ele há muitos anos, devia ser ouvida e sentida, por quem está ao leme desta barca cheia de rombos, que se chama Portugal.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Ainda haverá esperança?


Depois de ter postado aquele texto de assunto triste, eu encontrei este poema de esperança, e não resisti a colocá-lo aqui. Tenho a certeza que todos vós amigas e amigos, que gentilmente me visitam passando pelo meu birras, terão como eu a mesma opinião da autora. Um mundo sem guerra, só de amor....


E porque não...

Eu quero crer num mundo sem fome
eu quero crer num mundo sem guerra
eu quero crer na dignidade e na paz
eu quero ver justiça na terra

Quero ver crianças brincando
quero ver o mundo se desarmando
quero crer na liberdade
quero ver a humanidade se amando

Eu quero crer e quero ver
um mundo mais justo com cada cidadão
eu quero crer e quero ver
apenas um mundo mais irmão

Quero crer na justiça do homem
porque creio na justiça divina
quero crer num mundo melhor
porque creio num mundo que ensina

Quero ver um sorriso num rosto sem fome
quero ver sempre uma bandeira branca hasteando
não quero muito, apenas um pouco
apenas cada um se conscientizando

Conscientizando que o mundo é de todos
mesmo obedecendo à hierarquia
governantes respeitando seus governados
para que haja paz e harmonia

Só é preciso que todos creiam como eu
que o mundo não está perdido
só é preciso que todos queiram como eu
um tempo melhor para ser vivido

Não combater a violência com mais violência
não mendigar migalhas pra fome matar
não levantar armas, mas os braços para abraçar
não criar mendigos, mas oportunidade para trabalhar

Um só mundo, uma grande familia
em harmonia como o céu que vemos
assim deve ser o Universo terreno
se cada um de nós crêrmos mais

Naquele, que não vemos.

 

( Célia Jardim)

 


As pedras que magôam a alma

Ainda sobre o que se passou ao cair da noite anteontem em Lisboa, e que só não viu quem não estava a ver. Eu vi tudo pela televisão; espetáculo triste!
Aproximavam-se as cinco horas, e decidi ligar a t.v. para ver "a opinião pública", rubrica habitual aquela hora, e da qual sou fã.
Mas a imagem que me apareceu em suficiente plano, foi um grupo de gente crescida (não eram miúdos) a carregar e a levar não sei para onde, as cancelas que sempre são colocadas para limitar a passagem para determinado local; neste caso era a Assembleia da Républica. Lembrei-me então que havia a manifestação préviamente anunciada, mas percebi também que a mesma já tinha terminado. No entanto uma multidão enorme ainda continuava ali.
Continuei a observar e comecei a ouvir rebentar qualquer coisa, eram petardos, percebi depois. Porém, não tardou que eu visse a tristeza maior: a cambada dos malandros a atirar pedras (que ao mesmo tempo arrancavam da calçada.) Atiravam-nas furiosamente contra os policias, e a turba ululava... Feliz! - Que vergonha!
Toda a gente viu que não eram só pedras; estão sem dinheiro "os coitaditos" mas ainda lhes sobrou para comprarem os petardos, os tomates, os limões e as embalagens com tinta, e as cervejas para fazerem aquele espetáculo degradante!!!
Os policias durante quase duas horas,aguentaram alinhados e quêdos, o ataque daquelas bestas.
Eu estava tão longe e em casa, mas senti-me aflita, ao lembrar-me que os policias estavam no seu trabalho,são homens, têm familia, também sofrem com os cortes no seu vencimento, e estavam ali a ser maltratados a que propósito?
Como isto acabou já todos sabemos, e sabemos também que assim tinha de ser.
E eu pergunto: - É com esta gente que ficou a atirar pedras, e também com os que ficaram a apoiar e a aplaudir, que vamos ter um país novo ???

Pobre Portugal ! Se para tal estás guardado...
E pobres de todos os portugueses decentes!

Poucos serão os portugueses que actualmente não terão motivo para se lamentar, e dar opiniões no sentido da situação melhorar. - Pois que se manifestem, sim! Que se queixem! Que exijam! Que gritem! Que se imponham! Mas que o façam com a força da dignidade e do respeito que a todos é devido.