| Um texto da autoria de Júlio Isidro. "NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!! NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO! Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril. E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade. Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente, ordenadamente, no respeito das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar. Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia. Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz. Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final. Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência. Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se. Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida. E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível. A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães. Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de sair de casa, suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores de geração espontânea, mas 81.000 licenciados estão desempregados. Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho. Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada” faz um milhão de espectadores. Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros. Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade. Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados. Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes. Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho… Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem? E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa. Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora. E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário. Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos. E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista… Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço. E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos. É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade." Júlio Isidro |
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Quero Ver a Cor de uma Nova Liberdade
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Ainda a dita cuja...
Ai minhas amigas, eu sei que não vos convenço, porque estas imagens nada têm de belo, muito, muito mesmo, pelo contrário. No entanto, modéstia à parte porque fui eu a cozinheira, tenho de confessar que estava uma delícia...para quem gosta. Como diriam as nossas queridas amigas brasileiras, meu marido adorou... Eu ganhei em duplicado porque além do prazer da refeição, ainda recebi elogios. " A vida faz-se destes pequenos nadas..."
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Lampreias no tempêro
Olá amigas!
Muito obrigada pelos vossos comentários acerca do peixe.
Achei imensa graça, fizeram-me sorrir, gostei muito.
Pois de facto trata-se de lampreias. São vertebrados aquáticos ciclóstomos, de forma cilindrica e alongada, identica à enguia. Vivem durante anos no mar, e posteriormente dirigem-se a alguns rios, com a finalidade de desovar, e morrer depois, se entretanto não forem pescadas.Têm pele viscosa sem escamas, e podem atingir um metro de comprimento.
Há quem nem queira ouvir falar em lampreia, e há quem faça longos kilómetros para a ir saborear em restaurante já conhecido. Alguns Lisboetas fazem isso, vêm até Penacova. Também no Minho, em Monção, existe esta especialidade e confecionada de acordo com os seus segredos.Nem todos os rios do nosso País são "condutores" de lampreia, só alguns mais a norte, e a duração da pesca é limitada e curta em todas as zonas, tornando assim a lampreia um peixe caro.
Aqui na periferia da minha Cidade, onde o rio Mondego caminha para a Foz, há pescadores de lampreia e lampreias, embora eles se queixem de que cada vez há menos quantidade.
Sem intermediários, o meu marido compra ao próprio pescador, que ano após ano sempre promete escolher duas grandinhas. Depois outro amigo (este de infância) que também deixou a nossa terra e vive aqui em contacto com a Natureza, numa casa rodeada de terreno até perder de vista, encarrega-se de as amanhar, e tratar; com vinho, vinagre, alhos, louro e salsa, e acondicionar de modo higiénico para o meu marido trazer no carro. E foi assim ontem, desembrulhei, tirei o têsto e fiz a fotografia.
Hoje arrumei-as na arca frigorífica. Talvez no Domingo cosinhe a primeira metade duma. E porquê só metade? Porque as nossas filhas não gostam. Entretanto, nós os dois gostamos bastante.
Pois amigas, eu compreendo que vos faça impressão, talvez pareça serpente... ou não apreciem o gosto do peixe ou dos condimentos, nomeadamente da nóz moscada...
Gostaria de vos dar a provar, mas antes teriam de ver cosinhar, e sentirem o cheirinho.
De novo, grata pela visitas, e comentários de todas vós.
Também um abraço ao Zito amigo, que sabe de marinadas...
Muito obrigada pelos vossos comentários acerca do peixe.
Achei imensa graça, fizeram-me sorrir, gostei muito.
Pois de facto trata-se de lampreias. São vertebrados aquáticos ciclóstomos, de forma cilindrica e alongada, identica à enguia. Vivem durante anos no mar, e posteriormente dirigem-se a alguns rios, com a finalidade de desovar, e morrer depois, se entretanto não forem pescadas.Têm pele viscosa sem escamas, e podem atingir um metro de comprimento.
Há quem nem queira ouvir falar em lampreia, e há quem faça longos kilómetros para a ir saborear em restaurante já conhecido. Alguns Lisboetas fazem isso, vêm até Penacova. Também no Minho, em Monção, existe esta especialidade e confecionada de acordo com os seus segredos.Nem todos os rios do nosso País são "condutores" de lampreia, só alguns mais a norte, e a duração da pesca é limitada e curta em todas as zonas, tornando assim a lampreia um peixe caro.
Aqui na periferia da minha Cidade, onde o rio Mondego caminha para a Foz, há pescadores de lampreia e lampreias, embora eles se queixem de que cada vez há menos quantidade.
Sem intermediários, o meu marido compra ao próprio pescador, que ano após ano sempre promete escolher duas grandinhas. Depois outro amigo (este de infância) que também deixou a nossa terra e vive aqui em contacto com a Natureza, numa casa rodeada de terreno até perder de vista, encarrega-se de as amanhar, e tratar; com vinho, vinagre, alhos, louro e salsa, e acondicionar de modo higiénico para o meu marido trazer no carro. E foi assim ontem, desembrulhei, tirei o têsto e fiz a fotografia.
Hoje arrumei-as na arca frigorífica. Talvez no Domingo cosinhe a primeira metade duma. E porquê só metade? Porque as nossas filhas não gostam. Entretanto, nós os dois gostamos bastante.
Pois amigas, eu compreendo que vos faça impressão, talvez pareça serpente... ou não apreciem o gosto do peixe ou dos condimentos, nomeadamente da nóz moscada...
Gostaria de vos dar a provar, mas antes teriam de ver cosinhar, e sentirem o cheirinho.
De novo, grata pela visitas, e comentários de todas vós.
Também um abraço ao Zito amigo, que sabe de marinadas...
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Como eles se entendem !

Encontrei esta ternura no blog do Zito, Arrozcatum, e tratei logo de o informar que ia ser roubado por mim, pois queria muito colocar esta foto no meu blog.Aviso feito, procedi à acção, e aqui está uma atitude de carinho, linda, que fará inveja aos humanos, adultos.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Ondas gigantes na ponta de Sagres
Dizem que amanhã o Atlântico vai ter uma das maiores tempestades de sempre. A inglaterra está à espera do pior. Por aqui também estão a avisar para as pessoa ficarem longe da costa. As ondas que aqui podem ver foram causadas pela tempestade Hércules, em janeiro. Isto é na ponta de Sagres, em Portugal. Muito bonito mas mete medo!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Tem lá dentro um passarinho
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Miguel Torga
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O Cinema em Tempos Idos
O cinema (os filmes)
Nesta época do ano esta arte é lembrada com mais assiduidade. Fala-se nos realizadores, nos atores, e nos filmes candidatos a óscares, e a césares, dão-se opiniões, fazem-se vaticinios, e na noite das entregas dos almejados troféus assiste-se à cerimónia, que vale a pena ver, até por razões de elegancia e luxo de indumentárias.
Comecei por pensar nesta realidade actual, mas acabei por me deter no passado, num recuo de muitos anos, situando-me nas recordações de que faço as minhas histórias. E lembrei-me do cinema, no meu Montemor-o-Velho, e eu pequenita a assistir quando ainda não havia classificação especial em relação à idade dos espectadores. Eu teria talvez uns cinco anos, podia estar ao colo... mas o meu pai não queria, e comprava sempre um lugar para mim. A minha mãe levava um banquito que ela própria tinha tornado confortável, acoplando-lhe uma almofada de tecido colorido. Colocava-o no lugar marcado e aí estava eu instalada à altura dos adultos. Só havia cinema de mês a mês, mesmo mais tarde, quando eu já não precisava do banquito...
E era assim: com oito dias de antecedência aparecia nas poucas lojas da Vila a publicidade; um retangulo de papel de seda de côr garrida com a fotografia dum ou dois dos atores intervenientes, umas palavras chamativas, a data e a hora. Depois
no dia marcado, pelas quatro horas chegava a furgoneta com os apetrechos para a projeção, e logo, logo, instalavam na varanda do Teatro a aparelhagem sonora que transmitia em muito alta voz, fados, cançonetas, folclore, até à hora de jantar. O filme começava ás nove. Ir ao cinema em dia de semana era um prazer enorme. Eram filmes muito rodados, às vezes partiam, as pessoas lamentavam, mas ninguém refilava, era o que havia... Mas foi ali que vi o Vasco Santana, o António Silva, a Beatriz Costa,e mais grandes atores intervenientes nesses filmes portugueses, que ainda hoje vemos com agrado na TV Memória, ou que até guardamos na nossa estante.
Talvez por ter começado muito cedo a ir ao cinema, mesmo tendo em conta que pouco devia perceber, a verdade é que ainda hoje gosto bastante, embora não de todos os filmes da actualidade. Recordo que em Lisboa iamos de vez em quando ao cinema, e em Braga onde vivemos onze anos, iamos muitas vezes, nessa altura era barato. Agora o cinema tornou-se caro, algumas salas são desconfortáveis, e embora o grande ecran seja uma tentação, optamos pela comodidade do sofá e bastamo-nos com a imagem reduzida; o filme vem ter a casa, e se não agrada escolhe-se outro ou simplesmente anula-se a transmissão.Tudo fácil.
Mas o encanto daqueles tempos, apesar do péssimo sonoro, roufenho tantas vezes, da fita que partia,do filme que por vezes não valia nada, deixou marcas, tanto assim que hoje o recordei.
Nesta época do ano esta arte é lembrada com mais assiduidade. Fala-se nos realizadores, nos atores, e nos filmes candidatos a óscares, e a césares, dão-se opiniões, fazem-se vaticinios, e na noite das entregas dos almejados troféus assiste-se à cerimónia, que vale a pena ver, até por razões de elegancia e luxo de indumentárias.
Comecei por pensar nesta realidade actual, mas acabei por me deter no passado, num recuo de muitos anos, situando-me nas recordações de que faço as minhas histórias. E lembrei-me do cinema, no meu Montemor-o-Velho, e eu pequenita a assistir quando ainda não havia classificação especial em relação à idade dos espectadores. Eu teria talvez uns cinco anos, podia estar ao colo... mas o meu pai não queria, e comprava sempre um lugar para mim. A minha mãe levava um banquito que ela própria tinha tornado confortável, acoplando-lhe uma almofada de tecido colorido. Colocava-o no lugar marcado e aí estava eu instalada à altura dos adultos. Só havia cinema de mês a mês, mesmo mais tarde, quando eu já não precisava do banquito...
E era assim: com oito dias de antecedência aparecia nas poucas lojas da Vila a publicidade; um retangulo de papel de seda de côr garrida com a fotografia dum ou dois dos atores intervenientes, umas palavras chamativas, a data e a hora. Depois
no dia marcado, pelas quatro horas chegava a furgoneta com os apetrechos para a projeção, e logo, logo, instalavam na varanda do Teatro a aparelhagem sonora que transmitia em muito alta voz, fados, cançonetas, folclore, até à hora de jantar. O filme começava ás nove. Ir ao cinema em dia de semana era um prazer enorme. Eram filmes muito rodados, às vezes partiam, as pessoas lamentavam, mas ninguém refilava, era o que havia... Mas foi ali que vi o Vasco Santana, o António Silva, a Beatriz Costa,e mais grandes atores intervenientes nesses filmes portugueses, que ainda hoje vemos com agrado na TV Memória, ou que até guardamos na nossa estante.
Talvez por ter começado muito cedo a ir ao cinema, mesmo tendo em conta que pouco devia perceber, a verdade é que ainda hoje gosto bastante, embora não de todos os filmes da actualidade. Recordo que em Lisboa iamos de vez em quando ao cinema, e em Braga onde vivemos onze anos, iamos muitas vezes, nessa altura era barato. Agora o cinema tornou-se caro, algumas salas são desconfortáveis, e embora o grande ecran seja uma tentação, optamos pela comodidade do sofá e bastamo-nos com a imagem reduzida; o filme vem ter a casa, e se não agrada escolhe-se outro ou simplesmente anula-se a transmissão.Tudo fácil.
Mas o encanto daqueles tempos, apesar do péssimo sonoro, roufenho tantas vezes, da fita que partia,do filme que por vezes não valia nada, deixou marcas, tanto assim que hoje o recordei.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Passarinhos à Janela
Um dos lados do prédio onde moro dá para esta pracinha. Tem iluminação,verdura, algumas árvores e tem estas montanhas de cimento... Quando viemos para aqui viver, o chão que tinha sido terra de cultivo estava árido e sem vegetação alguma. Mas deste lado da casa, da varanda, eu via a encosta com mata e um bocado da Serra da Boa Viagem com umas casinhas lá no cimo. Foi assim durante algum tempo, mas um dia de manhã reparei que andavam uns homens a marcar o chão com tinta branca; fácilmente adivinhei a perspectiva. Era o principio da obra, esta, que me vedou a possibilidade de ver a Serra. Não me devia lamentar, porque ainda tinha mais duas frentes com o horisonte livre; só que esta também me agradava.
Mas não foi para fazer queixas que coloquei esta foto; eu até já me habituei a conviver com estes mamarráchos feitos casas. Hoje venho falar dos passarinhos: todos os dias ao fim da tarde, junta-se um enorme bando de passarinhos, que escolhem sempre os tres andares superiores do prédio que está em primeiro plano. Poisam no peitoril das seis janelas (nas varandas não) e dali saem num vôo, num bailado em voltas e reviravoltas, um encanto. Mas o mais surpreeendente, é que uns andam na revoada e uma grande quantidade deles está postada nas janelas como que a assistir. Eu acho que eles se revezam. Esta dança dura um bom bocado. Quis fotografá-los e consegui, porque o tempo estava de chuva e eles bailaram mais cêdo, mas como a distância ainda é considerável, quase não se percebe que estão lá, embora com tempo seco, eles sejam muitos mais. Aumentando a imagem consegue-se ver os pontinhos negros. A bailar não consigo fotografá-los, nem tento.
As pessoas que estudam o comportamento das aves, têm opinião para isto, eu não tenho, só que achei engraçado, e vim dar-vos conta desta descoberta que me entusiasmou.
Mas não foi para fazer queixas que coloquei esta foto; eu até já me habituei a conviver com estes mamarráchos feitos casas. Hoje venho falar dos passarinhos: todos os dias ao fim da tarde, junta-se um enorme bando de passarinhos, que escolhem sempre os tres andares superiores do prédio que está em primeiro plano. Poisam no peitoril das seis janelas (nas varandas não) e dali saem num vôo, num bailado em voltas e reviravoltas, um encanto. Mas o mais surpreeendente, é que uns andam na revoada e uma grande quantidade deles está postada nas janelas como que a assistir. Eu acho que eles se revezam. Esta dança dura um bom bocado. Quis fotografá-los e consegui, porque o tempo estava de chuva e eles bailaram mais cêdo, mas como a distância ainda é considerável, quase não se percebe que estão lá, embora com tempo seco, eles sejam muitos mais. Aumentando a imagem consegue-se ver os pontinhos negros. A bailar não consigo fotografá-los, nem tento.
As pessoas que estudam o comportamento das aves, têm opinião para isto, eu não tenho, só que achei engraçado, e vim dar-vos conta desta descoberta que me entusiasmou.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Igreja alagada
Cá venho eu com as minhas histórias, minhas mesmo...
Esta faz parte das recordações do nosso casamento, tem igualmente quarenta e oito anos.
A cerimónia foi marcada para janeiro, mas com antecedência começaram os preparativos. Um deles, era ir falar com o Padre. Como o noivo residia em Lisboa, e não se deslocava amiúde à nossa terra (Montemor-o-Velho) fui eu a casa do Sr. Reitor participar-lhe o casamento, convidá-lo para a Bôda e marcar o serviço religioso. Faltava ainda algum tempo, por isso ele até comentou a sorrir, que "era a longo prazo..."
Algumas noivas não iam casar na Igreja Matriz. Pagavam uma licença, para ser numa das outras Igrejas que lá existem. Eu também tinha os meus gostos, e queria que fosse na Capela do Hospital. Era cuidada pelas Freirinhas, estava sempre impecável, e no exterior o pavimento era liso, numa rua larga ladeada de jardins, desde a entrada franqueada por um grande portão, bonito, de ferro forjado. Eu já me via ali a desfilar... Mas o Sr. Reitor é que não estava para aí virado. Disse-me logo que não, que já não havia essa clausula de ter de pagar, mas que na Capela do Hospital não podia ser. Já tinha sido, mas agora não podia. Eu bem lhe roguei com bons modos, e então ele acrescentou; - olhe a Rosa Maria fez igual pedido, e de igual modo recusei. Têm a Igreja dos Anjos, é tão bonita toda em pedra, e ainda é mais perto das vossas casas.
Contra a força não há resistência, mas eu ainda argumentei - e se a água inunda a Igreja? Naquela época as cheias inundavam a Vila com frequência no inverno, e a água permanecia naquela Igreja durante muitos dias, mesmo depois de ter secado nas ruas. Porém, ele desvalorisou o meu receio, com a esperança (infundada) de que não iria suceder.
O tempo passou, a Rosa Maria mandou lavar a Igreja depois da água ir embora, e casou lá em 26 de Dezembro. Quando chegou a minha vez, quinze dias depois, a Igreja tinha cinquenta centímetros de altura de água, desde a porta da entrada até ao degrau que antecede o Altar Mór... Não apoquentei o Padre, mas ele merecia...
Casei na modesta Capelinha do Côro, dessa mesma Igreja, onde se acedia por dois enormes lanços de escadas de pedra branca, (tipico dos Conventos)
Por um qualquer motivo de seu interesse, informou-me de que não seria ele a celebrar o casamento, mas que à hora marcada lá estaria um Sacerdote.Foi enorme a minha satisfação, ao ver quem apareceu devidamente paramentado, para realisar a cerimónia, era o Sr. Padre Alfredo que paroquiava numa localidade próxima. Não sendo íntimo, era meu conhecido, (e pormenores importantes para mim) era bonito, e boa figura, ia ficar bem nas fotografias...
(só vaidades, quando se é noiva...)
Mas era verdade, as pessoas diziam baixinho - mal empregado em ser padre... E tanto o pensaram e disseram, que lhe deve ter chegado ao subconsciente. Passado algum tempo, renunciou, deixou o Sacerdócio, e adotou o estatuto de Marido. Hoje, é o Sr. Dr. Alfredo Amado.
Esta faz parte das recordações do nosso casamento, tem igualmente quarenta e oito anos.
A cerimónia foi marcada para janeiro, mas com antecedência começaram os preparativos. Um deles, era ir falar com o Padre. Como o noivo residia em Lisboa, e não se deslocava amiúde à nossa terra (Montemor-o-Velho) fui eu a casa do Sr. Reitor participar-lhe o casamento, convidá-lo para a Bôda e marcar o serviço religioso. Faltava ainda algum tempo, por isso ele até comentou a sorrir, que "era a longo prazo..."
Algumas noivas não iam casar na Igreja Matriz. Pagavam uma licença, para ser numa das outras Igrejas que lá existem. Eu também tinha os meus gostos, e queria que fosse na Capela do Hospital. Era cuidada pelas Freirinhas, estava sempre impecável, e no exterior o pavimento era liso, numa rua larga ladeada de jardins, desde a entrada franqueada por um grande portão, bonito, de ferro forjado. Eu já me via ali a desfilar... Mas o Sr. Reitor é que não estava para aí virado. Disse-me logo que não, que já não havia essa clausula de ter de pagar, mas que na Capela do Hospital não podia ser. Já tinha sido, mas agora não podia. Eu bem lhe roguei com bons modos, e então ele acrescentou; - olhe a Rosa Maria fez igual pedido, e de igual modo recusei. Têm a Igreja dos Anjos, é tão bonita toda em pedra, e ainda é mais perto das vossas casas.
Contra a força não há resistência, mas eu ainda argumentei - e se a água inunda a Igreja? Naquela época as cheias inundavam a Vila com frequência no inverno, e a água permanecia naquela Igreja durante muitos dias, mesmo depois de ter secado nas ruas. Porém, ele desvalorisou o meu receio, com a esperança (infundada) de que não iria suceder.
O tempo passou, a Rosa Maria mandou lavar a Igreja depois da água ir embora, e casou lá em 26 de Dezembro. Quando chegou a minha vez, quinze dias depois, a Igreja tinha cinquenta centímetros de altura de água, desde a porta da entrada até ao degrau que antecede o Altar Mór... Não apoquentei o Padre, mas ele merecia...
Casei na modesta Capelinha do Côro, dessa mesma Igreja, onde se acedia por dois enormes lanços de escadas de pedra branca, (tipico dos Conventos)
Por um qualquer motivo de seu interesse, informou-me de que não seria ele a celebrar o casamento, mas que à hora marcada lá estaria um Sacerdote.Foi enorme a minha satisfação, ao ver quem apareceu devidamente paramentado, para realisar a cerimónia, era o Sr. Padre Alfredo que paroquiava numa localidade próxima. Não sendo íntimo, era meu conhecido, (e pormenores importantes para mim) era bonito, e boa figura, ia ficar bem nas fotografias...
(só vaidades, quando se é noiva...)
Mas era verdade, as pessoas diziam baixinho - mal empregado em ser padre... E tanto o pensaram e disseram, que lhe deve ter chegado ao subconsciente. Passado algum tempo, renunciou, deixou o Sacerdócio, e adotou o estatuto de Marido. Hoje, é o Sr. Dr. Alfredo Amado.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Bodas de Granito
É verdade, foi na passada semana que tal aconteceu. Chegámos às Bodas de Granito.
"Entre vagas alterosas e mar de pequena vaga, temo-nos mantido juntos e à superfície..."
Olho para trás e reparo, tanto tempo que passou, quatro dúzias de anos! E no entanto a memória traz-nos com nitidês a recordação desse dia único... E também saudades, como é natural.
Como tem acontecido ano após ano, mais uma vez "fugimos de casa" para ir jantar fora. O tempo, decidiu estar contra nós, projectámos sair, e ficar uns dias fora... mas a chuva impiedosa instalou-se, e eu com mau tempo não gosto de viajar, excepto de casa até ao restaurante, e vice-versa, aqui na nossa Cidade. E a viagem ficou adiada, mas prometida.
"Entre vagas alterosas e mar de pequena vaga, temo-nos mantido juntos e à superfície..."
Olho para trás e reparo, tanto tempo que passou, quatro dúzias de anos! E no entanto a memória traz-nos com nitidês a recordação desse dia único... E também saudades, como é natural.
Como tem acontecido ano após ano, mais uma vez "fugimos de casa" para ir jantar fora. O tempo, decidiu estar contra nós, projectámos sair, e ficar uns dias fora... mas a chuva impiedosa instalou-se, e eu com mau tempo não gosto de viajar, excepto de casa até ao restaurante, e vice-versa, aqui na nossa Cidade. E a viagem ficou adiada, mas prometida.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
A nuvem com perfil de gato
Caras amigas e amigos que me visitam:
O meu muito obrigada pela vossa vinda até aqui, e pela colaboração.
Diz o nosso amigo António Querido, do Blog Figueira Minha, que nós blogueiros, nos tornamos conhecidos, criamos amizades entre nós, trocamos ideias, enfim somos uma espécie de familia à distancia, e em simultâneo perto, acrescento eu.
Diz ainda que aprecia as opiniões, e gosta que comentem. Eu também gosto, Falar é bom, "fala para que te conheça"... disse alguém que sabia muito.
Bem, venho dizer onde está o gato; ( quanto a mim, pois posso ser só eu a vê-lo...)
O gato é a nuvem, que tem um formato aproximado. Se olharem com atenção e um pouco de boa vontade encontram os pormenores, o arredondado da cabeça,as orelhitas, as patas e o rabito.
Se assim não acontecer, não faz mal, amigos como dantes, o que vale é este intercâmbio de conversa entre todos nós.
Bem hajam, voltem sempre, eu agradeço.
O meu muito obrigada pela vossa vinda até aqui, e pela colaboração.
Diz o nosso amigo António Querido, do Blog Figueira Minha, que nós blogueiros, nos tornamos conhecidos, criamos amizades entre nós, trocamos ideias, enfim somos uma espécie de familia à distancia, e em simultâneo perto, acrescento eu.
Diz ainda que aprecia as opiniões, e gosta que comentem. Eu também gosto, Falar é bom, "fala para que te conheça"... disse alguém que sabia muito.
Bem, venho dizer onde está o gato; ( quanto a mim, pois posso ser só eu a vê-lo...)
O gato é a nuvem, que tem um formato aproximado. Se olharem com atenção e um pouco de boa vontade encontram os pormenores, o arredondado da cabeça,as orelhitas, as patas e o rabito.
Se assim não acontecer, não faz mal, amigos como dantes, o que vale é este intercâmbio de conversa entre todos nós.
Bem hajam, voltem sempre, eu agradeço.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Não o Fechem no Panteão
Ninguém pediu a minha opinião, nem ela tem representação ou valor. É apenas assim um falar alto, comigo própria... Refiro-me ao Eusébio que infelismente já não está entre os vivos.
O seu falecimento foi algo inesperado, muita gente o chorou, e correu a oferecer flores, e símbolos do seu Clube, colocando-os ao redor da sua estátua situada no Estádio do Benfica.
Também, não sei de qual, mas a ideia partiu dum dos Partidos Políticos de: - posteriormente, serem os seus restos mortais colocados no Panteão Nacional - lugar de honra ao qual só acedem aqueles, poucos, que em vida fizeram algo de valoroso para o País; há mesmo uma lista de requisitos que tem de ser observada.
Depois duma certa controvérsia há uns anos atrás, colocaram lá a Amália Rodrigues, e agora, tristemente quanto a mim, invocaram esse facto para que o Eusébio ali venha a ficar. Não gostei daquela afirmação feia, de: - se aquela lá está, este também tem direito de lá estar. Enfim ...
Sim, na minha pobre opinião, o Eusébio também merece. Mas meus amigos não façam isso!- Não "roubem" o Eusébio aos portugueses! - Não o fechem no Panteão. Quem, da Província vai até Sta. Engrácia para lhe colocar uma flor no Túmulo? Eu não sei como é actualmente, mas ainda à pouco tempo a visita ao Panteão era paga.
Aqui, na minha Figueira adotiva, existe um monumento, uma estátua dedicada a um grande vulto português. Chamava-se Manuel Fernandes Tomás, foi Magistrado, e Político; ficou conhecido como "O Patriarca da Liberdade". No alto dum pedestal está a sua figura perpétuada em bronze, e no chão coberto com uma pedra de mármore repousam os seus restos mortais. Uma corda metálica delimita o espaço. Situa-se numa das mais bonitas Praças da Cidade.
Amigos do Eusébio, façam igual!!! - Já têm a estátua, e têm espaço ao seu redor. E têm o Estádio. Se dantes as pessoas formavam fila para uma fotografia junto à estátua de Eusébio, tenham a certeza que perante os seus restos mortais ali colocados, farão fila em sua memória, ou para deixar uma flor, quiçá até uma simples oração...
O seu falecimento foi algo inesperado, muita gente o chorou, e correu a oferecer flores, e símbolos do seu Clube, colocando-os ao redor da sua estátua situada no Estádio do Benfica.
Também, não sei de qual, mas a ideia partiu dum dos Partidos Políticos de: - posteriormente, serem os seus restos mortais colocados no Panteão Nacional - lugar de honra ao qual só acedem aqueles, poucos, que em vida fizeram algo de valoroso para o País; há mesmo uma lista de requisitos que tem de ser observada.
Depois duma certa controvérsia há uns anos atrás, colocaram lá a Amália Rodrigues, e agora, tristemente quanto a mim, invocaram esse facto para que o Eusébio ali venha a ficar. Não gostei daquela afirmação feia, de: - se aquela lá está, este também tem direito de lá estar. Enfim ...
Sim, na minha pobre opinião, o Eusébio também merece. Mas meus amigos não façam isso!- Não "roubem" o Eusébio aos portugueses! - Não o fechem no Panteão. Quem, da Província vai até Sta. Engrácia para lhe colocar uma flor no Túmulo? Eu não sei como é actualmente, mas ainda à pouco tempo a visita ao Panteão era paga.
Aqui, na minha Figueira adotiva, existe um monumento, uma estátua dedicada a um grande vulto português. Chamava-se Manuel Fernandes Tomás, foi Magistrado, e Político; ficou conhecido como "O Patriarca da Liberdade". No alto dum pedestal está a sua figura perpétuada em bronze, e no chão coberto com uma pedra de mármore repousam os seus restos mortais. Uma corda metálica delimita o espaço. Situa-se numa das mais bonitas Praças da Cidade.
Amigos do Eusébio, façam igual!!! - Já têm a estátua, e têm espaço ao seu redor. E têm o Estádio. Se dantes as pessoas formavam fila para uma fotografia junto à estátua de Eusébio, tenham a certeza que perante os seus restos mortais ali colocados, farão fila em sua memória, ou para deixar uma flor, quiçá até uma simples oração...
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O fim duma vida
Hoje, voltei atrás muitos anos, e senti-me no antigo Estádio da Luz em Lisboa. Eu já aqui contei que fui ali várias vezes, porque o meu marido benfiquista desde menino, preferia o futebol a todos os demais espetáculos. Ainda hoje não mudou muito quanto a essa escolha. As minhas idas com ele ao futebol duraram pouco mais dum ano, não deu para ficar adepta, mas deu para conhecer os jogadores. Ainda recordo os nomes de alguns, e a fisionomia de outros, entre eles o Torres que parecia um gigante, e era bonito; e também o Eusébio que hoje seguiu naquela viagem sem regresso que a todos nós está prometida. Ele apenas nos levou a dianteira...
Era um ídolo, e como tal as Rádios e Televisões preencheram os seus tempos de antena quáse exclusivamente com o falecimento do Eusébio. Muita gente sofreu com este desenlace, muitos amigos, conhecidos, e em enorme numero os adeptos que nunca o esqueceram. Eu acho que ele merecia ser velado, ser chorado, ser homenageado... e sobretudo recordado e não esquecido no futuro.
Mas francamente, para quê tanto exagêro...
Assisti pela Televisão a parte das cerimónias, nomeadamente a entrada do corpo no Estádio, e ouvi também a homilía proferída pelo Sr.Padre Milícias. Achei muita dignidade, e apreciei.
Depois o cortejo fúnebre para o cemitério, quanto a mim, foi horrível. Não me venham dizer que aquelas vozes que se ouviam aos berros, como se estivessem exaltados num campo de futebol, estavam daquela forma a homenagear um morto... Já dentro do cemitério, num ambiente de tristeza imensa (para muitos) que é proceder a um enterramento de noite, e debaixo de chuva intensa, aquelas vozes nunca se calaram. Vozes de claques, gente nova que nunca viu Eusébio jogar... Que mágoa sentiam eles? Até se ouviram asneiras à mistura, e risos em alguns rostos...
Eu tive pena, e grande, ao ver a D. Flora a viuva, de pé à beira da cova quando a urna baixava à terra, e aquelas vozes cantavam com uma letra "arranjada" a musica do Bailinho da Madeira...
O momento não pedia antes recolhimento? Em vez disso ouviu-se folclore mal amanhado.
Que dizer mais? Francamente não sei. Eu lido mal com a morte. Para mim a morte é o ultimo acto que acontece a um Ser. E na sequência merece dignidade e respeito.
Era um ídolo, e como tal as Rádios e Televisões preencheram os seus tempos de antena quáse exclusivamente com o falecimento do Eusébio. Muita gente sofreu com este desenlace, muitos amigos, conhecidos, e em enorme numero os adeptos que nunca o esqueceram. Eu acho que ele merecia ser velado, ser chorado, ser homenageado... e sobretudo recordado e não esquecido no futuro.
Mas francamente, para quê tanto exagêro...
Assisti pela Televisão a parte das cerimónias, nomeadamente a entrada do corpo no Estádio, e ouvi também a homilía proferída pelo Sr.Padre Milícias. Achei muita dignidade, e apreciei.
Depois o cortejo fúnebre para o cemitério, quanto a mim, foi horrível. Não me venham dizer que aquelas vozes que se ouviam aos berros, como se estivessem exaltados num campo de futebol, estavam daquela forma a homenagear um morto... Já dentro do cemitério, num ambiente de tristeza imensa (para muitos) que é proceder a um enterramento de noite, e debaixo de chuva intensa, aquelas vozes nunca se calaram. Vozes de claques, gente nova que nunca viu Eusébio jogar... Que mágoa sentiam eles? Até se ouviram asneiras à mistura, e risos em alguns rostos...
Eu tive pena, e grande, ao ver a D. Flora a viuva, de pé à beira da cova quando a urna baixava à terra, e aquelas vozes cantavam com uma letra "arranjada" a musica do Bailinho da Madeira...
O momento não pedia antes recolhimento? Em vez disso ouviu-se folclore mal amanhado.
Que dizer mais? Francamente não sei. Eu lido mal com a morte. Para mim a morte é o ultimo acto que acontece a um Ser. E na sequência merece dignidade e respeito.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Os Presentes de Natal
O Natal que transporta todo o carinho e fraternidade entre os povos (ou devia transportar) já ficou para trás, e a noite de nascimento do Ano Novo, também já foi, e até o dia de Ano Novo está a terminar; isto é, a claridade está a desvanecer demasiado cêdo, apesar de poucos minutos terem passado após as cinco horas. Em parte pela chuva, que nos brindou nesta Quadra Natalicia, "mas que importa se chove lá fora, se em casa há luz acêsa e calor humano?!" Só é pena termos a certeza de que em muitos lares reinam mágoas de toda a ordem. É assim a vida, infelismente talhada de modo desigual.
Mas muitas pessoas festejaram, e isso dá-nos contentamento pois é muito mais agradável saber de alegrias do que de tristezas. Pela minha parte, vai longe o meu tempo de entusiasmos, agora é "o Maria vai com as outras", e eu não sou desmancha prazeres, desde que não me obriguem a deixar o meu conforto, no meu cantinho. Mas no meu reino eu estou activa, e não abdico... Assim, com a familia reunida e todos bem, nada mais eu desejo além de "querer estar cá para o ano..."
E como foi Natal, tive, tivemos mimos...
Estes vieram da minha amiga Anita, aquela Senhora que eu nunca vi, mas me estima muito. Tenho pena por ela sofrer tanto com a solidão. Se eu tivesse um irmão, ai! eu dava-lho de boa vontade, um irmão mais novo do que eu...
Como sabe que eu gosto do bolo tradicional da Madeira, faz gosto em mo mandar de lá, e junta sempre os coquinhos que são também uma delícia.
Mas muitas pessoas festejaram, e isso dá-nos contentamento pois é muito mais agradável saber de alegrias do que de tristezas. Pela minha parte, vai longe o meu tempo de entusiasmos, agora é "o Maria vai com as outras", e eu não sou desmancha prazeres, desde que não me obriguem a deixar o meu conforto, no meu cantinho. Mas no meu reino eu estou activa, e não abdico... Assim, com a familia reunida e todos bem, nada mais eu desejo além de "querer estar cá para o ano..."
E como foi Natal, tive, tivemos mimos...
Como sabe que eu gosto do bolo tradicional da Madeira, faz gosto em mo mandar de lá, e junta sempre os coquinhos que são também uma delícia.
Autores Nacionais
As prendas da família
Os livros, e desta vez diferentes; autores nacionais.E para eu não me coibir de ler na cama por causa do frio nas mãos, também um par de luvas, com dois meios dedos para me ser possível voltar a página.
A minha filha vinha um tanto contrariada, porque não encontrou luvas de côr clara... Que importa a côr, eu não sou racista!
Pecadilhos doces
Seria uma lacuna terem-se esquecido dos chocolates... Mas não, aqui estão eles.
E os Anjinhos são velas, era para eu colocar no Presépio, mas tive pena, vê-los a arder...
Então ficam como estatuetas.
E os Anjinhos são velas, era para eu colocar no Presépio, mas tive pena, vê-los a arder...
Então ficam como estatuetas.
sábado, 28 de dezembro de 2013
E assim se passaram cinco anos...
Pois é, caras amigas e amigos, faz hoje precisamente cinco anos que coloquei o primeiro post neste meu Birras. Em dia de aniversário, olho para trás e fico contente! Tive o prazer de escrever o que queria, nunca recebi censuras, mas sim palavras simpáticas, e até conquistei amizades!
Assim espero pela vossa companhia (em espirito, porque não pode ser em presença) para logo à noite tilintarmos os copos, num brinde por todos os blogueiros amigos. O champanhe, não o é, mas é gostoso e "faz pum" ao descolar a rolha... ser barato não é defeito.
Obrigada e beijinho.
Em geito de recordação aqui fica o post com que iniciei o Renda de Birras.
Eu gostava de rimar
Faze-lo com perfeição
Rimar amar com luar
Não me dá satisfação
Rimar só por si, é pouco
Preciso doutro sentido
Verso de conteúdo ôco
Não me fica no ouvido
Poetas de grande "porte"
Junqueiro, Antero e o Nobre
Gosto da poesia forte
Desdenho do verso pobre
Os de Antero, maviosos,
Mordazes os de Junqueiro,
Do Nobre muito mimosos
Como flores em canteiro
Quem me dera o seu rimar
De silabas tão certinhas!
Modesto o meu versejar
Não gosto das rimas minhas.
(e é verdade, não gosto, mas insisto)
Assim espero pela vossa companhia (em espirito, porque não pode ser em presença) para logo à noite tilintarmos os copos, num brinde por todos os blogueiros amigos. O champanhe, não o é, mas é gostoso e "faz pum" ao descolar a rolha... ser barato não é defeito.
Obrigada e beijinho.
Em geito de recordação aqui fica o post com que iniciei o Renda de Birras.
Eu gostava de rimar
Faze-lo com perfeição
Rimar amar com luar
Não me dá satisfação
Rimar só por si, é pouco
Preciso doutro sentido
Verso de conteúdo ôco
Não me fica no ouvido
Poetas de grande "porte"
Junqueiro, Antero e o Nobre
Gosto da poesia forte
Desdenho do verso pobre
Os de Antero, maviosos,
Mordazes os de Junqueiro,
Do Nobre muito mimosos
Como flores em canteiro
Quem me dera o seu rimar
De silabas tão certinhas!
Modesto o meu versejar
Não gosto das rimas minhas.
(e é verdade, não gosto, mas insisto)
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Sonho
Aquele velho Palácio outrora quase um castelo, tornou-se uma ruína. Pelas inumeras fendas dominantes em toda a sua estrutura, entrava o vento que furiosamente sibilava e, triunfante, repetia em cada rajada: - Vê velho palácio, de nada valeu teu porte altaneiro, tudo tem seu fim, o tempo aniquila... Tantos anos rodopiei em teu redor usando as minhas forças, parecias inexpugnável! Eu dizia para mim: - Não serás eterno! Eterno sou eu! E hoje aqui estou passeando livremente nas tuas salas como rei e senhor.
- Sabes Palácio, hoje é noite de Natal!
- E o velho Palácio semelhante a um velho Fidalgo de cãs embranquecidas e alquebrado pela idade, murmurou num misto de coragem e dignidade: - Sei sim, é Natal ! como poderia eu ter esquecido?
- Sim, recordas o conforto dos teus aposentos, as amenas cavaqueiras, a Familia, as lautas Ceias de Natal...
E o Palácio retorquiu agora com altivêz: - São famosos os serões na Província, aqui assisti a muitos. E também ás Consoadas aonde estavam presentes os Trabalhadores da Quinta e os Pobres do nosso pequeno Povoado; o Senhor Seabra era um bondoso coração!
A Lareira, ainda cheia de lenha mas apagada, suspirou e repetiu tristemente: - era um bondoso coração... Para aqui estou, fria e inútil. No seu tempo eu crepitava e aquecia as crianças da aldeia sentadas à minha volta enquanto ele lhes contava histórias nas tardes frias de Inverno; de tanto as ouvir eu as aprendi: "Era uma vez um Capuchinho Vermelho que ia a..." - Cala-te velha desdentada! - rugiu o vento furioso, fazendo cair mais um pedaço de estuque; agora o Senhor sou eu, destruo a meu belo prazer e detesto ouvir falar de ternuras.
O luar deixou de brilhar, a Sala tornou-se negra como Brêu e, subitamente, um após outro, os relâmpagos rasgaram o Céu. Um trovão fantástico ecoou e num clarão imenso de mil cores a lenha da lareira incendiou-se dando luz e calor àquela sala triste. A porta rangeu nos gonzos e deixou passar um vulto, talvez o do velho Fidalgo - o Senhor Seabra - que avançou lentamente e alcançou o maple estofado a seda, gasto pelo uso e coberto de poeira. Sentou-se frente ao lume que crepitava e desenhava nas curtas labaredas danças fantasmagóricas jamais executadas. O silêncio voltou àquele Palácio em ruína.
Pouco depois vozes maviosas ouviam-se à distância entoando em côro canções de Natal e, pelo canto do vidro quebrado da janela, distinguia-se iluminada por uma bela estrela a Gruta de Belém.
Mas não eram as habituais figuras estáticas do Presépio que lá estavam. Ali tudo era físico, humano, e até o Menino Jesus ora dormia, ora chorava, como fazem os bébés recém nascidos.
" Maravilha", pensei; "vou pedir á Virgem Mãe que me deixe pegar o Menino nos meus braços!"
E corri; corri tanto, tanto, até cair de cansaço.
Queridas amigas e amigos, peço que aceitem os meus cumprimentos
com os desejos de Feliz Natal !
Que a alegria reine em vós, sempre, mas em especial nesta Quadra Natalicia.
( eu fico um pouquinho triste; - não consegui chegar à Gruta de Belém...)
- Sabes Palácio, hoje é noite de Natal!
- E o velho Palácio semelhante a um velho Fidalgo de cãs embranquecidas e alquebrado pela idade, murmurou num misto de coragem e dignidade: - Sei sim, é Natal ! como poderia eu ter esquecido?
- Sim, recordas o conforto dos teus aposentos, as amenas cavaqueiras, a Familia, as lautas Ceias de Natal...
E o Palácio retorquiu agora com altivêz: - São famosos os serões na Província, aqui assisti a muitos. E também ás Consoadas aonde estavam presentes os Trabalhadores da Quinta e os Pobres do nosso pequeno Povoado; o Senhor Seabra era um bondoso coração!
A Lareira, ainda cheia de lenha mas apagada, suspirou e repetiu tristemente: - era um bondoso coração... Para aqui estou, fria e inútil. No seu tempo eu crepitava e aquecia as crianças da aldeia sentadas à minha volta enquanto ele lhes contava histórias nas tardes frias de Inverno; de tanto as ouvir eu as aprendi: "Era uma vez um Capuchinho Vermelho que ia a..." - Cala-te velha desdentada! - rugiu o vento furioso, fazendo cair mais um pedaço de estuque; agora o Senhor sou eu, destruo a meu belo prazer e detesto ouvir falar de ternuras.
O luar deixou de brilhar, a Sala tornou-se negra como Brêu e, subitamente, um após outro, os relâmpagos rasgaram o Céu. Um trovão fantástico ecoou e num clarão imenso de mil cores a lenha da lareira incendiou-se dando luz e calor àquela sala triste. A porta rangeu nos gonzos e deixou passar um vulto, talvez o do velho Fidalgo - o Senhor Seabra - que avançou lentamente e alcançou o maple estofado a seda, gasto pelo uso e coberto de poeira. Sentou-se frente ao lume que crepitava e desenhava nas curtas labaredas danças fantasmagóricas jamais executadas. O silêncio voltou àquele Palácio em ruína.
Pouco depois vozes maviosas ouviam-se à distância entoando em côro canções de Natal e, pelo canto do vidro quebrado da janela, distinguia-se iluminada por uma bela estrela a Gruta de Belém.
Mas não eram as habituais figuras estáticas do Presépio que lá estavam. Ali tudo era físico, humano, e até o Menino Jesus ora dormia, ora chorava, como fazem os bébés recém nascidos.
" Maravilha", pensei; "vou pedir á Virgem Mãe que me deixe pegar o Menino nos meus braços!"
E corri; corri tanto, tanto, até cair de cansaço.
Queridas amigas e amigos, peço que aceitem os meus cumprimentos
com os desejos de Feliz Natal !
Que a alegria reine em vós, sempre, mas em especial nesta Quadra Natalicia.
( eu fico um pouquinho triste; - não consegui chegar à Gruta de Belém...)
domingo, 1 de dezembro de 2013
Futebol
Eu não conheço quais as técnicas relativas ao futebol como jogo que é. Por isso mesmo, não encontro aquela beleza que os relatores apregoam, e os adeptos avaliam e aplaudem. Ou quase choram, quando é o adversário que está em evidência como o melhor em campo.
Mas muitas vezes assisto aos jogos. O espetáculo entra pela casa dentro via T.V, e na frente do aparelho fica um adepto a sofrer, é o meu marido. Mas a sofrer pelo benfica... Quando acontece golo, grita a plenos pulmões. Há dias ao chegar a casa trazia esta novidade: - a vizinha de cima que também é benfiquista, disse-me agora, que ouve eu gritar quando o benfica marca. Sorri, mas não fiquei admirada, porque eu penso que aqueles brados devem mesmo chegar ao telhado... E recordei a visinha do piso inferior ao nosso, que há tempos, também me contou assim mais em pormenor, que dizia ao marido: - óh António vai ligar a T.V. depressa que foi golo, porque o Sr. de cima gritou...
Ao que parece neste prédio residem vários adeptos do benfica, o que é bom, pois com espiritos incompativeis nunca se sabe qual a reação em momentos acalorados.
Cá em casa é que é diferente, a nossa filha mais velha é adepta do Futebol Clube do Porto. Não é fervorosa, nada disso, mas às vezes consegue irritar o pai, porque ele a leva a sério... Eu quedo-me pela neutralidade, e a situação acaba por me fazer rir.
Não partilho afecto por nenhum clube em especial. Gosto da Naval, o clube desta cidade (com Estádio ao alcance da minha visão) que já viveu épocas magnificas e que actualmente está mal, muito mal.
E desde a minha juventude que simpatizo com a Académica, a equipa dos estudantes de Coimbra. Sempre que jogam desejo que ganhem, e nem sempre assim acontece, têm tido épocas muito más.
Mas ontem, jogaram com um dos grandes, com o Futebol Clube do Porto, e ganharam.
E hoje pela manhã, o meu marido secalhar com uma pontinha de mau pensamento, teve esta expressão:
- eu gostei que o Porto tivesse perdido. E eu com a maior das franquesas afirmei :
- eu gostei que a Académica tivesse ganho!
E a rir acrescentei; - a relativa satisfação é comum, mas os motivos divergem...
Rimo-nos, e hoje joga o Benfica. Haverá grito aqui em casa?.....
Mas muitas vezes assisto aos jogos. O espetáculo entra pela casa dentro via T.V, e na frente do aparelho fica um adepto a sofrer, é o meu marido. Mas a sofrer pelo benfica... Quando acontece golo, grita a plenos pulmões. Há dias ao chegar a casa trazia esta novidade: - a vizinha de cima que também é benfiquista, disse-me agora, que ouve eu gritar quando o benfica marca. Sorri, mas não fiquei admirada, porque eu penso que aqueles brados devem mesmo chegar ao telhado... E recordei a visinha do piso inferior ao nosso, que há tempos, também me contou assim mais em pormenor, que dizia ao marido: - óh António vai ligar a T.V. depressa que foi golo, porque o Sr. de cima gritou...
Ao que parece neste prédio residem vários adeptos do benfica, o que é bom, pois com espiritos incompativeis nunca se sabe qual a reação em momentos acalorados.
Cá em casa é que é diferente, a nossa filha mais velha é adepta do Futebol Clube do Porto. Não é fervorosa, nada disso, mas às vezes consegue irritar o pai, porque ele a leva a sério... Eu quedo-me pela neutralidade, e a situação acaba por me fazer rir.
Não partilho afecto por nenhum clube em especial. Gosto da Naval, o clube desta cidade (com Estádio ao alcance da minha visão) que já viveu épocas magnificas e que actualmente está mal, muito mal.
E desde a minha juventude que simpatizo com a Académica, a equipa dos estudantes de Coimbra. Sempre que jogam desejo que ganhem, e nem sempre assim acontece, têm tido épocas muito más.
Mas ontem, jogaram com um dos grandes, com o Futebol Clube do Porto, e ganharam.
E hoje pela manhã, o meu marido secalhar com uma pontinha de mau pensamento, teve esta expressão:
- eu gostei que o Porto tivesse perdido. E eu com a maior das franquesas afirmei :
- eu gostei que a Académica tivesse ganho!
E a rir acrescentei; - a relativa satisfação é comum, mas os motivos divergem...
Rimo-nos, e hoje joga o Benfica. Haverá grito aqui em casa?.....
sábado, 30 de novembro de 2013
Milagres da Natureza
Diz-se que candeia que vai à frente alumía duas vezes...
Nesse sentido tudo pode acontecer um pouco mais cêdo, sendo maior a surprêsa. O mês de Dezembro começa amanhã, mas eu já recebi hoje o primeiro presente de Natal !
Frutas bonitas e perfumadas; dá gosto estar por perto...
Gostei muito! Tanto, que decidi fotografá-las.
Do sabôr, que já adivinho, falarei depois.
Nesse sentido tudo pode acontecer um pouco mais cêdo, sendo maior a surprêsa. O mês de Dezembro começa amanhã, mas eu já recebi hoje o primeiro presente de Natal !
Frutas bonitas e perfumadas; dá gosto estar por perto...
Gostei muito! Tanto, que decidi fotografá-las.
Do sabôr, que já adivinho, falarei depois.
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
O casaco branco
Eu julgava que já tinha contado as minhas histórias todas, mas hoje sem procurar, a imaginação trouxe-me esta. Foi há tanto tempo, anos sessenta...
Eu tenho a impressão que naquela altura, as pessoas, sobretudo jovens, eram mais vaidosas. Ligava-se muito ao vestuário, não havia roupas de marca, era tudo confecionado por medida, ao geito do corpo. Havia modistas, alfaiates, e costureiras que trabalhavam diáriamente na arte da costura. E algumas casas em Lisboa já recebiam roupas prontas, feitas não sei onde, mas que marcavam a moda e eram caras.
O meu marido que nessa altura residia na Capital, e era apenas meu conversado (era assim que se chamava) fez compras numa dessas lojas de moda, e quando chegou o mês de setembro época das festas da Vila, veio a Montemor-oVelho onde eu residia. Apareceu-me todo elegante, vestido com calça preta e casaco de linho branco, e engravatado, claro, naquela altura era assim.
No principio do ano seguinte casámos, ficámos a residir na zona de Lisboa, e quando acabou a lua de mel, eu com vagares, tratei de pôr as roupas em ordem. Lá encontrei o casaco branco devidamente acondicionado numa mala, e o meu marido até me recomendou cuidados com ele, que vestiria depois na primavera. Coloquei-o no guarda fatos e não pensei mais.
Quando o mês de Maio chegou, aconteceu termos de vir a Coimbra tratar dum assunto. Seria no dia 28 de Maio que há época era feriado nacional. O tempo tinha aquecido, apetecia roupa um pouco mais leve, e então o meu marido uns dias antes disse-me que nesse dia iria vestir aquele casaco branco. Perfecionista como sempre, entendi que o dito cujo não estava devidamente limpo, e em vez de o levar á lavandaria para limpar a seco como fazia com os fatos escuros, tratei de o meter no tanque e comecei a lavá-lo com sabão. Fiquei estarrecida... o que eu tinha nas mãos já não era um casaco, era um monte de tecido retorcido, todo encolhido, dum lado maior do que do outro, todo assimétrico, uma lástima. E eu amargurada com a minha obra...
Há noite quando o meu marido chegou, lá arranjei forças para lhe dizer que tinha estragado o casaco. Ele a principio até pensou que eu estava a brincar, mas quando a realidade foi mais forte, ficou decepcionado; "o casaco que era novo e tinha sido caro..." e repetia uma e outra vez. Fez-me censuras, pois claro... e naquela altura do campeonato, ainda casados de fresco, aquilo foi para mim o fim do mundo... Recordo que nem jantei, comi uma canja, e fui prá cama chorar.
No dia previsto viajámos para Coimbra no combóio, e eu sempre a pensar no casaco... Depois de tratarmos do assunto que ali nos levou, fomos visitar os Padrinhos. A certa altura a Madrinha fez questão de me levar só a mim ao andar superior da residência para falarmos, e fomos ao terraço; uma vista lindíssima sobre o Mondego, fiquei maravilhada. Mas eu estava aflita, e contei-lhe do casaco: ela como desconhecia a dimensão do estrago que era total, animou-me, e disse que eu com o meu jeito iria descoser e remediar...
De facto remediei. Mas como? Fiz eu um casaco novo.
No rés do chão do nosso prédio havia uma lojinha de tecidos. Fui lá buscar umas amostras de algo parecido e que agradásse ao"prejudicado".Tecido aprovado, comprei, assim como entretela e forro.
Eu não sabia corte de alfaiate, mas sabia como fazer para o arranjar.
Um alfaiate muito conceituado com estabelecimento na rua Augusta, tinha feito uns fatos para o meu marido, e também a indumentária para o casamento. Sacrifiquei um lençol usado, e colocando uns pedaços dele sobre um dos casacos, com muito cuidado, cortando aos poucos, construí todos os moldes necessários e completamente à medida. Depois, confecionar não era problema, fiz uma obra perfeita. Do casaco retorcido aproveitei apenas os botões.
Uns dias depois, quando o meu marido chegou e entrou no quarto, encontrou "em pose" em cima da cama, o casaco novo. Gostou.
No dia seguinte já o levou para o trabalho. Naquele salão só as empregadas usavam bata. Os homens trabalhavam de fato inteiro e gravata, fosse verão ou inverno. Todos repararam no casaco e à pergunta normal "onde compráste" veio a resposta, secalhar com alguma doze de vaidade, foi a minha mulher que fez! Mesmo à distância eu senti os louros... mas não merecia todos, porque o corte pertencia ao grande Alfaiate. Só que isso, eu não disse a ninguém.
Eu tenho a impressão que naquela altura, as pessoas, sobretudo jovens, eram mais vaidosas. Ligava-se muito ao vestuário, não havia roupas de marca, era tudo confecionado por medida, ao geito do corpo. Havia modistas, alfaiates, e costureiras que trabalhavam diáriamente na arte da costura. E algumas casas em Lisboa já recebiam roupas prontas, feitas não sei onde, mas que marcavam a moda e eram caras.
O meu marido que nessa altura residia na Capital, e era apenas meu conversado (era assim que se chamava) fez compras numa dessas lojas de moda, e quando chegou o mês de setembro época das festas da Vila, veio a Montemor-oVelho onde eu residia. Apareceu-me todo elegante, vestido com calça preta e casaco de linho branco, e engravatado, claro, naquela altura era assim.
No principio do ano seguinte casámos, ficámos a residir na zona de Lisboa, e quando acabou a lua de mel, eu com vagares, tratei de pôr as roupas em ordem. Lá encontrei o casaco branco devidamente acondicionado numa mala, e o meu marido até me recomendou cuidados com ele, que vestiria depois na primavera. Coloquei-o no guarda fatos e não pensei mais.
Quando o mês de Maio chegou, aconteceu termos de vir a Coimbra tratar dum assunto. Seria no dia 28 de Maio que há época era feriado nacional. O tempo tinha aquecido, apetecia roupa um pouco mais leve, e então o meu marido uns dias antes disse-me que nesse dia iria vestir aquele casaco branco. Perfecionista como sempre, entendi que o dito cujo não estava devidamente limpo, e em vez de o levar á lavandaria para limpar a seco como fazia com os fatos escuros, tratei de o meter no tanque e comecei a lavá-lo com sabão. Fiquei estarrecida... o que eu tinha nas mãos já não era um casaco, era um monte de tecido retorcido, todo encolhido, dum lado maior do que do outro, todo assimétrico, uma lástima. E eu amargurada com a minha obra...
Há noite quando o meu marido chegou, lá arranjei forças para lhe dizer que tinha estragado o casaco. Ele a principio até pensou que eu estava a brincar, mas quando a realidade foi mais forte, ficou decepcionado; "o casaco que era novo e tinha sido caro..." e repetia uma e outra vez. Fez-me censuras, pois claro... e naquela altura do campeonato, ainda casados de fresco, aquilo foi para mim o fim do mundo... Recordo que nem jantei, comi uma canja, e fui prá cama chorar.
No dia previsto viajámos para Coimbra no combóio, e eu sempre a pensar no casaco... Depois de tratarmos do assunto que ali nos levou, fomos visitar os Padrinhos. A certa altura a Madrinha fez questão de me levar só a mim ao andar superior da residência para falarmos, e fomos ao terraço; uma vista lindíssima sobre o Mondego, fiquei maravilhada. Mas eu estava aflita, e contei-lhe do casaco: ela como desconhecia a dimensão do estrago que era total, animou-me, e disse que eu com o meu jeito iria descoser e remediar...
De facto remediei. Mas como? Fiz eu um casaco novo.
No rés do chão do nosso prédio havia uma lojinha de tecidos. Fui lá buscar umas amostras de algo parecido e que agradásse ao"prejudicado".Tecido aprovado, comprei, assim como entretela e forro.
Eu não sabia corte de alfaiate, mas sabia como fazer para o arranjar.
Um alfaiate muito conceituado com estabelecimento na rua Augusta, tinha feito uns fatos para o meu marido, e também a indumentária para o casamento. Sacrifiquei um lençol usado, e colocando uns pedaços dele sobre um dos casacos, com muito cuidado, cortando aos poucos, construí todos os moldes necessários e completamente à medida. Depois, confecionar não era problema, fiz uma obra perfeita. Do casaco retorcido aproveitei apenas os botões.
Uns dias depois, quando o meu marido chegou e entrou no quarto, encontrou "em pose" em cima da cama, o casaco novo. Gostou.
No dia seguinte já o levou para o trabalho. Naquele salão só as empregadas usavam bata. Os homens trabalhavam de fato inteiro e gravata, fosse verão ou inverno. Todos repararam no casaco e à pergunta normal "onde compráste" veio a resposta, secalhar com alguma doze de vaidade, foi a minha mulher que fez! Mesmo à distância eu senti os louros... mas não merecia todos, porque o corte pertencia ao grande Alfaiate. Só que isso, eu não disse a ninguém.
sábado, 16 de novembro de 2013
Mais um pôr do sol
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
Sumi, mas estou de volta...
Olá amigas e amigos!
Grata pelas atenções recebidas, desejos de melhoras e palavras encorajadoras; eu recebi esses mimos todos, por email, por telefone, e aqui no meu birras; contudo a falta de disposição afastou-me do computador... Renovo agradecimentos, e junto o meu pedido de desculpas.
Mas hoje aqui estou! Ainda não é caso para deitar foguetes, mas como já me sinto melhor, estou animada e vim contar-vos.
Também por enquanto ólho o trabalho com má vontade, e como as teclas deste meu amigo me cativam sobremaneira, vim ao que gósto, e vou colocar uma poesia que encontrei num jornal à algum tempo já, precisamente em Março de 2008. "Gostei, guardei."
" Sombra dos mortos,maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera".
(Manuel Alegre)
E quem poderia ser, senão ele, a falar em verso desta forma?!
Grata pelas atenções recebidas, desejos de melhoras e palavras encorajadoras; eu recebi esses mimos todos, por email, por telefone, e aqui no meu birras; contudo a falta de disposição afastou-me do computador... Renovo agradecimentos, e junto o meu pedido de desculpas.
Mas hoje aqui estou! Ainda não é caso para deitar foguetes, mas como já me sinto melhor, estou animada e vim contar-vos.
Também por enquanto ólho o trabalho com má vontade, e como as teclas deste meu amigo me cativam sobremaneira, vim ao que gósto, e vou colocar uma poesia que encontrei num jornal à algum tempo já, precisamente em Março de 2008. "Gostei, guardei."
" Sombra dos mortos,maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... E o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.
Sepultos insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera".
(Manuel Alegre)
E quem poderia ser, senão ele, a falar em verso desta forma?!
domingo, 3 de novembro de 2013
Obras, um mal necessário
Pois amigos e amigas visitantes,
Procuro trazer para aqui coisas bonitas, ou pouco feias, mas desta vez trouxe o que me acompanhou durante cinco dias em que vivi atormentada. Obras em casa, mais própriamente desfazer na totalidade um quarto de banho, e refaze-lo com tudo novo.Os trabalhadores corretos, aplicadíssimos, nem um instante se descuidavam, uma equipa perfeita. Mas tudo leva seu tempo, e o pior foi o pó, que mesmo com o cuidado de fechar portas e tapar móveis, alastrou a quase toda a casa.
Já passou, mas creiam que ainda não tenho a casa em ordem; e seja ou não por causa destes pós, eu voltei a piorar em relação aos brônquios. Há quatro dias que estou de novo doente. Para arranjar ânimo, vim aqui contar "os meus males", porque desabafar, alivía.
Abraços para todos vós.
Aqui no patamar da entrada começava o estaleiro. Bom mesmo é o visinho só aqui vir de férias...
Porta aberta, casa guardada... era assim das oito da manhã às sete da tarde.
Procuro trazer para aqui coisas bonitas, ou pouco feias, mas desta vez trouxe o que me acompanhou durante cinco dias em que vivi atormentada. Obras em casa, mais própriamente desfazer na totalidade um quarto de banho, e refaze-lo com tudo novo.Os trabalhadores corretos, aplicadíssimos, nem um instante se descuidavam, uma equipa perfeita. Mas tudo leva seu tempo, e o pior foi o pó, que mesmo com o cuidado de fechar portas e tapar móveis, alastrou a quase toda a casa.
Já passou, mas creiam que ainda não tenho a casa em ordem; e seja ou não por causa destes pós, eu voltei a piorar em relação aos brônquios. Há quatro dias que estou de novo doente. Para arranjar ânimo, vim aqui contar "os meus males", porque desabafar, alivía.
Abraços para todos vós.
Aqui no patamar da entrada começava o estaleiro. Bom mesmo é o visinho só aqui vir de férias...
Porta aberta, casa guardada... era assim das oito da manhã às sete da tarde.
Lixo em duplicado
Mas isto era o quarto de banho ? E ficou assim em poucos minutos...
E isto, será o hall da minha casa? Quem tal pensaria...
E isto, será o hall da minha casa? Quem tal pensaria...
Tijolos e pouco mais
Desta varinha mágica é que eu gostei ! Em breves minutos estava a cola batida...
Quando começou a ganhar forma, mas muito rudimentar ainda...
Quando começou a ganhar forma, mas muito rudimentar ainda...
Um fim desejado
A obra ficou pronta, foram cinco dias, mas pareceu uma eternidade...
O Gabriel aproveitou a oportunidade; todo sorrisos, que nos contagiaram...
O Gabriel aproveitou a oportunidade; todo sorrisos, que nos contagiaram...
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