O céu da minha rua ontem perto das vinte horas. Foi um dia de várias côres; muito frio, chuvoso, depois com intermitências apareceu o sol, e ficou menos frio, e a esta hora quase a promessa da chegada de tempo sêco. Puro engano, daí a algumas horas a chuva era intensa.
A foto não está famosa, está torta, a pressa traiu-me... Mas o azul conquistou-me o suficiente para a colocar aqui.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
A Poesia
Poesia brota do nada e traz tudo
Não se constrói, nem se arquitecta.
Para a criar, não é preciso ter“canudo”
É do sentir de cada um, não se projecta.
É como semente que se torna raiz,
Tronco ou folhagem.
O fruto é cada verso, com ou sem rima.
É o sentir que a palavra tem e o que nos diz.
É a teia que o poeta tece e que assina.
Uns poemas trazem mensagem, outros não.
Outros falam de lutas, vidas e amor.
Outros, ainda, de mitos, dor ou ilusão,
De sonhos, liberdade, campos em flor.
Dos cravos, das rosas, das papoilas
De tanta coisa falam, mas também
Das formas belas e suaves das moçoilas
Que nos “levam” nos sonhos para o além.
Ainda que alguns, sejam plenos de fantasias,
Trazem-nos a esperança nas palavras
E luz que ilumina os nossos dias.
ARFER
É de bom tom depois de se ter pedido permissão, dizer que o texto que aparece, foi cedido pelo autor do mesmo. Porém, eu não posso seguir esse bom costume, porque simplesmente apropriei-me sem mais nem menos. Gostei tanto desta poesia, que não resisti, e trouxe-a. Pertence ao blog ARFERLANDIA, e o seu autor assina ARFER. Quero no entanto afirmar que apagarei de imediato, caso o Sr. Arfer assim o entenda.
Mas entretanto caros visitantes, párem para apreciar esta Poesia, e estou certa que não me vão condenar por a ter "roubado."
Não se constrói, nem se arquitecta.
Para a criar, não é preciso ter“canudo”
É do sentir de cada um, não se projecta.
É como semente que se torna raiz,
Tronco ou folhagem.
O fruto é cada verso, com ou sem rima.
É o sentir que a palavra tem e o que nos diz.
É a teia que o poeta tece e que assina.
Uns poemas trazem mensagem, outros não.
Outros falam de lutas, vidas e amor.
Outros, ainda, de mitos, dor ou ilusão,
De sonhos, liberdade, campos em flor.
Dos cravos, das rosas, das papoilas
De tanta coisa falam, mas também
Das formas belas e suaves das moçoilas
Que nos “levam” nos sonhos para o além.
Ainda que alguns, sejam plenos de fantasias,
Trazem-nos a esperança nas palavras
E luz que ilumina os nossos dias.
ARFER
É de bom tom depois de se ter pedido permissão, dizer que o texto que aparece, foi cedido pelo autor do mesmo. Porém, eu não posso seguir esse bom costume, porque simplesmente apropriei-me sem mais nem menos. Gostei tanto desta poesia, que não resisti, e trouxe-a. Pertence ao blog ARFERLANDIA, e o seu autor assina ARFER. Quero no entanto afirmar que apagarei de imediato, caso o Sr. Arfer assim o entenda.
Mas entretanto caros visitantes, párem para apreciar esta Poesia, e estou certa que não me vão condenar por a ter "roubado."
terça-feira, 1 de abril de 2014
A almofada bordada
Quem diria que esta almofada tem mais de sessenta anos... Mas é verdade, eu era práticamente uma criança quando fui aprender a bordar à máquina, e queria fazer tudo. Assim, vi este desenho numa revista de modas e bordados que se publicava na época, e logo me entusiasmei. A professora de bordados acarinhou a minha pretensão, indicou as côres das linhas a utilizar, assim como a côr do cetim, e acompanhou o trabalho com os seus ensinamentos. A maior parte do bordado é o chamado granité; as bolinhas e flores do xaile são a matiz, assim como o cabelo. É um motivo alusivo às festas de S.João em Lisboa, e a figura, uma varina com o lenço descaído, e o tradicional mangerico na mão...
Foram muitos dias a pedalar à máquina, e algum mêdo de não conseguir fazer bem feito. Mas consegui, e ainda me recordo quando concluí o trabalho, as meninas mais velhas a abraçarem-me, e eu toda contente por receber aqueles carinhos; eu só tinha treze anos. Estas "coisas" deixam marcas, marcas boas. O tempo já tirou algum brilho ao cetim, mas é natural, isto já é uma velharia, e eu também não a fechei numa mala...
Hoje olhei para a almofada e pensei, merece ser fotografada... e aqui está.
Foram muitos dias a pedalar à máquina, e algum mêdo de não conseguir fazer bem feito. Mas consegui, e ainda me recordo quando concluí o trabalho, as meninas mais velhas a abraçarem-me, e eu toda contente por receber aqueles carinhos; eu só tinha treze anos. Estas "coisas" deixam marcas, marcas boas. O tempo já tirou algum brilho ao cetim, mas é natural, isto já é uma velharia, e eu também não a fechei numa mala...
Hoje olhei para a almofada e pensei, merece ser fotografada... e aqui está.
sábado, 22 de março de 2014
O almoço de sábado
Parece madeira mas são bocados de abóbora menina para ser cozinhada.
Aqui já descascada, lavada e cortada em bocadinhos, pronta a ser cozida. Um pouquinho de água no fundo da vasilha, sal, e colocar ao lume.
Já cozida à espera de arrefecer um pouco para levar umas colheres de farinha, canela em pó e uma colher de azeite. A varinha mágica faz o resto. Depois novamente ao lume para uns minutos de fervura lenta, e mexida com colher de pau. Finalmente colocar em pratos individuais, para que cada apreciador utilize a quantidade de açucar que desejar.
São as papas de abóbora, um prato usado antigamente em especial nas casas dos lavradores, era considerado um mimo.
Mas duma maneira geral, toda a gente uma vez por outra fazia umas papinhas. Eu sempre gostei muito, e gosto, ao ponto de me servirem de refeição.
No entanto penso que poucas pessoas actualmente apreciem papas... perdeu de moda. Ou então estou a percipitar-me na afirmação.
Atrevo-me a dizer que experimentem, porque para além de tudo é uma comida saudável.
Aqui já descascada, lavada e cortada em bocadinhos, pronta a ser cozida. Um pouquinho de água no fundo da vasilha, sal, e colocar ao lume.
Já cozida à espera de arrefecer um pouco para levar umas colheres de farinha, canela em pó e uma colher de azeite. A varinha mágica faz o resto. Depois novamente ao lume para uns minutos de fervura lenta, e mexida com colher de pau. Finalmente colocar em pratos individuais, para que cada apreciador utilize a quantidade de açucar que desejar.
São as papas de abóbora, um prato usado antigamente em especial nas casas dos lavradores, era considerado um mimo.
Mas duma maneira geral, toda a gente uma vez por outra fazia umas papinhas. Eu sempre gostei muito, e gosto, ao ponto de me servirem de refeição.
No entanto penso que poucas pessoas actualmente apreciem papas... perdeu de moda. Ou então estou a percipitar-me na afirmação.
Atrevo-me a dizer que experimentem, porque para além de tudo é uma comida saudável.
O cão mais maroto que já vi!
As minhas filhas gostam muito de cães e a mais velha anda sempre a enviar-me videos engraçados com eles! Este mostra o que o cão faz quando a dona sai. Ele não devia ir para cima da cama, mas...vejam o que sucede!
Eu também gosto deles, neste caso dos cães, de os ver satisfeitos,
bonitos, bem tratados, acarinhados e sobretudo com donos responsáveis; mas que não seja eu. Não tenho atração para ter estes bichinhos em casa. Dou-lhes o valor que merecem, e fico incomodada quando surgem noticias sobre o mal que lhes fazem algumas pessoas, a quem nem deviamos chamar pessoas.
Tive em casa durante muitos anos passarinhos, periquitos, lindos, de várias cores. Cá nasciam cá viviam, e viveram até se extinguirem com a muita idade.
Voltando ao cão, este do video é engraçado, e procede sem cerimónia, mas lá está, na minha cama ou sofá, " isso não, Julião..."
E depois mais este...
domingo, 16 de março de 2014
Arroz doce
Pois ontem eu lembrei-me de fazer arroz doce. Era para fazer no dia do pai, mas pensei para quê esperar? Caladinha iniciei o cosinhado e disse para mim, amanhã até é Domingo calha bem ter um docinho, o nosso tão conhecido arroz doce. É bom e dá fartura, um pormenor que igualmente me agrada. Quando já estava pronto aparece a minha filha que foi "avisada" pelo cheirinho, vinha para rapar o tacho como também é hábito. Eu estava a dividi-lo: uma travessa para a filha casada, um pratinho para cada um de nós para o jantar, e uma travessa para o almoço e jantar de Domingo. Só que ainda deu para outro prato, e ela desta vez ficou prejudicada porque no tacho não ficou que rapar... Colocou a canela, e de seguida disse, vou fotografar. Confesso que nem reparei, eu já estava ocupada com o jantar. Só há noite antes de dormir, vim como sempre faço até ao computador e dei com a fotografia do arroz doce. Achei graça à surpresa, mas podia ter criado outro ambiente à volta do produto. Como a mesa da cosinha é de vidro, coloquei uns resguardos de cortiça por baixo das travessas que se vêem perfeitamente, e a toalha também não ajuda. Bem, eu já contei aqui que "infelismente para quem me atura eu sou perfecionista..." Está tudo dito.
Quero recordar aqui um facto veridico .
Na minha terra era hábito as noivas e os noivos oferecerem uma travessa ou um prato de arroz doce ás pessoas amigas, por ocasião do casamento. E havia umas Sras. que eram chamadas para o fazer, e faziam bem feito. Porém, uma delas usando os mesmos ingredientes (e falo deste modo porque ela também foi a minha casa fazer o meu arroz) fazia um produto altamente melhorado. Inconfundível. Ao ponto de ao começar a comer, qualquer pessoa aperceber -se logo, e de imediato dizer; - este arroz não foi feito pela Augusta... Está bom, mas não é da Augusta.
Sempre que se comenta (aqui em casa) esta realidade eu lembro- me dum livro que li quando era
jovem, parece-me que se chamava O Prato de Arroz Doce, da autoria de Teixeira de Vasconcelos.
Isto se não estou a fazer confusão, mas o curioso é que tinha uma personagem como a minha amiga Augusta, também o seu arroz doce era único.
Apenas uma diferença, no livro é ficção, na vida real que recordo foi facto veridico.
Gostei de falar na Augusta. Os amigos não morrem, apenas se antecipam a nós na partida.
Quero recordar aqui um facto veridico .
Na minha terra era hábito as noivas e os noivos oferecerem uma travessa ou um prato de arroz doce ás pessoas amigas, por ocasião do casamento. E havia umas Sras. que eram chamadas para o fazer, e faziam bem feito. Porém, uma delas usando os mesmos ingredientes (e falo deste modo porque ela também foi a minha casa fazer o meu arroz) fazia um produto altamente melhorado. Inconfundível. Ao ponto de ao começar a comer, qualquer pessoa aperceber -se logo, e de imediato dizer; - este arroz não foi feito pela Augusta... Está bom, mas não é da Augusta.
Sempre que se comenta (aqui em casa) esta realidade eu lembro- me dum livro que li quando era
jovem, parece-me que se chamava O Prato de Arroz Doce, da autoria de Teixeira de Vasconcelos.
Isto se não estou a fazer confusão, mas o curioso é que tinha uma personagem como a minha amiga Augusta, também o seu arroz doce era único.
Apenas uma diferença, no livro é ficção, na vida real que recordo foi facto veridico.
Gostei de falar na Augusta. Os amigos não morrem, apenas se antecipam a nós na partida.
sábado, 15 de março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
"Venha o café..."
Há muitos anos que não via estes doces perto de mim. No passado Domingo o meu marido foi a Lisboa ver o Benfica, e para me animar da ausência, trouxe uns pacotes deles. Claro que gostei.
São especialidade muito antiga duma cidade que até é rainha... E o nome deles nada tem a ver com o formato. Nesta ultima foto coloquei uma já cortada, prontinha a dar uma trincada...
Conhecem, não é verdade?
sábado, 8 de março de 2014
Eu, hoje
Pois é. Esta sou eu no dia de hoje. Velhota assumida pois claro, porque ser velha é um privilégio. E se a beleza fugiu, que me importa?! Existiu, fugiu, e entretanto eu ainda aqui estou, e com muitas coisas boas vividas, e outras nem tanto, mas o desagradável a gente deita ao vento e só recorda o melhor, é mais saudável.
Bem, queridas e queridos visitantes que por aqui passam, como sabem estão na moda os telemóveis que permitem os utilizadores fotografarem-se a si próprios. Na última cerimónia dos Óscares isso foi bem visível, a auto-foto com telemóvel correu mundo. Eu não tenho um objecto desses, para quê? Tenho um dos mais simples que me permite o que eu desejo, falar e ouvir, escrever mensagens e mais umas funções que eu nem utilizo. Mas eu não quero ser retrógrada e dizer mal do progresso! E também quis fotografar-me a mim própria. E fotografei, mas com a minha máquina fotográfica. No fim gostei da obra, e só lamentei não ter dado um toque de maquilhagem antes, mas nem me lembrei, porque estava com pressa para terminar a sessão, antes que o meu marido e a nossa filha chegassem a casa...
E assim aconteceu, só agora ficaram a saber. Estes são os tais pequenos nadas que nos fazem distrair, e também sorrir.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Enfarinhavam o Cabelo ás Raparigas
De vez em quando eu abro a arca das recordações. Vejo e revejo na memória, qual filme a ser projetado muito ao longe mas que mesmo assim consigo ver com clareza. Por vezes sorrio, noutras invade-me a melancolia, mas não entro em desânimo, afinal só não tem pena da infância e juventude que viveu, aquele ou aquela que nessa altura não foi feliz.
Então recordei-me do Carnaval desses tempos (anos cinquenta) em Montemor -o- Velho. Foi sempre uma festa com alguns divertimentos patéticos, sem graça, mas habituais, eram digamos um exclusivo do Carnaval. Uma dessas práticas mais usadas pelos rapazes, consistia em empoar as raparigas; colocar uma boa quantidade de farinha fina na cabeça, e impregná-la bem por todo o cabelo. A farinha também caía para as roupas, ficavam mais enfarinhadas do que se fossem moleiras.Elas fechavam-se em casa, mas eles entravam se a porta desse para abrir, ou alguma janela o permitisse. E se tinham de vir à rua fazer qualquer compra, já sabiam que havia sempre um rapaz à espera, com uma saqueta de farinha na mão. Elas ralhavam, faziam barulho, mas não havia escusa, eram empoadas; ficavam más e eles contentes, sentindo-se vitoriosos. Aquilo era desagradável, até porque lavar uma cabeça empoada era moroso, a farinha empapava com a água no couro cabeludo, as cabeleiras eram longas de cabelos apanhados em tótó, ou em tranças, e ainda o facto da maioria das casas não ter chuveiro, havia razão de sobra para fugir daquela tradição. Também eu fui empoada, uma vez apenas; mais sortuda porque tinha cabelo curto.
Eu era muito nova, sei lá talvez tivesse uns catorze anos, mas já ia ao baile acompanhada pela minha mãe, já usava sapatos de salto não muito alto, e já dançava. Havia um rapaz lá da terra que dançou algumas vezes comigo, durante as festas da Feira Anual em Setembro. Até me ofereceu uma imagem pequenina de Sto. António, em gêsso branco. Guardei-a com estima, é muito perfeitinha, e o curioso é que ainda hoje a conservo.
Quando meses depois chegou o Domingo Gordo, fui ao baile, fantasiada de dama antiga, e lá foi o moço dançar comigo. A seguir, na terça feira, Dia de Entrudo, saí de casa de manhã para ir comprar lã para uma camisola. Nunca pensei que iria ser empoada, pelo facto de ser ainda muito nova, e muito menos ainda, sê-lo pelo rapaz que dançava comigo. Mas, puro engano, quando já estava perto da loja vejo-o aproximar-se a toda a pressa e tratou de me empoar. Ainda lhe dei uns socos no braço, e numa fúria eu sei lá o que lhe disse... já não entrei na loja, voltei para trás e fui á pressa contar ao meu pai e pedir-lhe que o castigásse. Em vêz disso, o meu pai até achou graça, ele também nos seus tempos brincou a valer no Carnaval, e não viu neste caso, nada digno de reprovação. Eu argumentava indignada, e até já chorava... e ele secalhar já sem paciência, disse para mim ; - óh mulher, válha-te Deus, isso até é uma honra, e estás a chorar? - Mas o que é que tu queres afinal ? - Queres que eu chame a Guarda Républicana para agarrar o rapaz, e levá-lo para a cadeia?! E continuava a rir-se. Talvez para pôr fim aquela lamúria, acrescentou; - vai mas é tomar banho e lavar o cabelo, e olha, ainda um dia hás-de ter saudades disto...
Não acreditei que um dia teria saudades... continuei zangada, e fui ao baile à noite acalentando o propósito de vingança. Quando o baile começou, o mesmo rapaz agora todo sorridente, parou na minha frente e convidou-me para dançar. Eu olhei para ele e nada disse. Fiz de conta que não estava ali ninguém, continuei sentada e calada, e ele ali parado a olhar pra mim à espera... de nada. Quando percebeu, saiu da minha frente, e afastou-se. Passaram os anos, mas nunca mais nos falámos, nem uma só palavra.
Nunca me arrependi, mas isto só prova que as crianças são ás vezes muito cruéis. E nós, eu principalmente, embora crescidita, era mesmo uma criança ainda, mas uma criança má.
Então recordei-me do Carnaval desses tempos (anos cinquenta) em Montemor -o- Velho. Foi sempre uma festa com alguns divertimentos patéticos, sem graça, mas habituais, eram digamos um exclusivo do Carnaval. Uma dessas práticas mais usadas pelos rapazes, consistia em empoar as raparigas; colocar uma boa quantidade de farinha fina na cabeça, e impregná-la bem por todo o cabelo. A farinha também caía para as roupas, ficavam mais enfarinhadas do que se fossem moleiras.Elas fechavam-se em casa, mas eles entravam se a porta desse para abrir, ou alguma janela o permitisse. E se tinham de vir à rua fazer qualquer compra, já sabiam que havia sempre um rapaz à espera, com uma saqueta de farinha na mão. Elas ralhavam, faziam barulho, mas não havia escusa, eram empoadas; ficavam más e eles contentes, sentindo-se vitoriosos. Aquilo era desagradável, até porque lavar uma cabeça empoada era moroso, a farinha empapava com a água no couro cabeludo, as cabeleiras eram longas de cabelos apanhados em tótó, ou em tranças, e ainda o facto da maioria das casas não ter chuveiro, havia razão de sobra para fugir daquela tradição. Também eu fui empoada, uma vez apenas; mais sortuda porque tinha cabelo curto.
Eu era muito nova, sei lá talvez tivesse uns catorze anos, mas já ia ao baile acompanhada pela minha mãe, já usava sapatos de salto não muito alto, e já dançava. Havia um rapaz lá da terra que dançou algumas vezes comigo, durante as festas da Feira Anual em Setembro. Até me ofereceu uma imagem pequenina de Sto. António, em gêsso branco. Guardei-a com estima, é muito perfeitinha, e o curioso é que ainda hoje a conservo.
Quando meses depois chegou o Domingo Gordo, fui ao baile, fantasiada de dama antiga, e lá foi o moço dançar comigo. A seguir, na terça feira, Dia de Entrudo, saí de casa de manhã para ir comprar lã para uma camisola. Nunca pensei que iria ser empoada, pelo facto de ser ainda muito nova, e muito menos ainda, sê-lo pelo rapaz que dançava comigo. Mas, puro engano, quando já estava perto da loja vejo-o aproximar-se a toda a pressa e tratou de me empoar. Ainda lhe dei uns socos no braço, e numa fúria eu sei lá o que lhe disse... já não entrei na loja, voltei para trás e fui á pressa contar ao meu pai e pedir-lhe que o castigásse. Em vêz disso, o meu pai até achou graça, ele também nos seus tempos brincou a valer no Carnaval, e não viu neste caso, nada digno de reprovação. Eu argumentava indignada, e até já chorava... e ele secalhar já sem paciência, disse para mim ; - óh mulher, válha-te Deus, isso até é uma honra, e estás a chorar? - Mas o que é que tu queres afinal ? - Queres que eu chame a Guarda Républicana para agarrar o rapaz, e levá-lo para a cadeia?! E continuava a rir-se. Talvez para pôr fim aquela lamúria, acrescentou; - vai mas é tomar banho e lavar o cabelo, e olha, ainda um dia hás-de ter saudades disto...
Não acreditei que um dia teria saudades... continuei zangada, e fui ao baile à noite acalentando o propósito de vingança. Quando o baile começou, o mesmo rapaz agora todo sorridente, parou na minha frente e convidou-me para dançar. Eu olhei para ele e nada disse. Fiz de conta que não estava ali ninguém, continuei sentada e calada, e ele ali parado a olhar pra mim à espera... de nada. Quando percebeu, saiu da minha frente, e afastou-se. Passaram os anos, mas nunca mais nos falámos, nem uma só palavra.
Nunca me arrependi, mas isto só prova que as crianças são ás vezes muito cruéis. E nós, eu principalmente, embora crescidita, era mesmo uma criança ainda, mas uma criança má.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Perdoada, ou nem por isso?
Com a regularidade que me é possível eu visito os blogs dos quais sou seguidora. Nem sempre comento, mas gosto de ler o que escrevem, e até leio os comentários ( será coscuvilhice ? ) Se é, desde já mea culpa por tais maldades...
Acontece que passei num dos blogs do Sr. António Querido (Caminhada do Oeste) e senti-me na pele daquele frade que tudo quanto via, tudo cobiçava... e pior ainda do que ele, cobicei e trouxe. É o texto que coloquei antes deste, cujo título é, Quero Ver a Cor de uma Nova Liberdade; da autoria de Júlio Isidro
Ao Senhor António Querido apresento desculpas pela ousadia de não ter pedido primeiro permissão, fiz ao contrário, e fiquei na espectativa de ser perdoada. Serei ? Se não for, prometo já, que de imediato apagarei o referido texto, e renovarei as necessárias desculpas.
Cumprimentos.
Quero Ver a Cor de uma Nova Liberdade
| Um texto da autoria de Júlio Isidro. "NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!! NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO! Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril. E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade. Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente, ordenadamente, no respeito das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar. Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia. Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz. Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final. Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência. Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se. Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida. E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível. A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães. Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de sair de casa, suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores de geração espontânea, mas 81.000 licenciados estão desempregados. Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho. Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada” faz um milhão de espectadores. Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros. Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade. Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados. Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes. Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho… Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem? E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa. Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora. E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário. Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos. E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista… Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço. E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos. É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade." Júlio Isidro |
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Ainda a dita cuja...
Ai minhas amigas, eu sei que não vos convenço, porque estas imagens nada têm de belo, muito, muito mesmo, pelo contrário. No entanto, modéstia à parte porque fui eu a cozinheira, tenho de confessar que estava uma delícia...para quem gosta. Como diriam as nossas queridas amigas brasileiras, meu marido adorou... Eu ganhei em duplicado porque além do prazer da refeição, ainda recebi elogios. " A vida faz-se destes pequenos nadas..."
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Lampreias no tempêro
Olá amigas!
Muito obrigada pelos vossos comentários acerca do peixe.
Achei imensa graça, fizeram-me sorrir, gostei muito.
Pois de facto trata-se de lampreias. São vertebrados aquáticos ciclóstomos, de forma cilindrica e alongada, identica à enguia. Vivem durante anos no mar, e posteriormente dirigem-se a alguns rios, com a finalidade de desovar, e morrer depois, se entretanto não forem pescadas.Têm pele viscosa sem escamas, e podem atingir um metro de comprimento.
Há quem nem queira ouvir falar em lampreia, e há quem faça longos kilómetros para a ir saborear em restaurante já conhecido. Alguns Lisboetas fazem isso, vêm até Penacova. Também no Minho, em Monção, existe esta especialidade e confecionada de acordo com os seus segredos.Nem todos os rios do nosso País são "condutores" de lampreia, só alguns mais a norte, e a duração da pesca é limitada e curta em todas as zonas, tornando assim a lampreia um peixe caro.
Aqui na periferia da minha Cidade, onde o rio Mondego caminha para a Foz, há pescadores de lampreia e lampreias, embora eles se queixem de que cada vez há menos quantidade.
Sem intermediários, o meu marido compra ao próprio pescador, que ano após ano sempre promete escolher duas grandinhas. Depois outro amigo (este de infância) que também deixou a nossa terra e vive aqui em contacto com a Natureza, numa casa rodeada de terreno até perder de vista, encarrega-se de as amanhar, e tratar; com vinho, vinagre, alhos, louro e salsa, e acondicionar de modo higiénico para o meu marido trazer no carro. E foi assim ontem, desembrulhei, tirei o têsto e fiz a fotografia.
Hoje arrumei-as na arca frigorífica. Talvez no Domingo cosinhe a primeira metade duma. E porquê só metade? Porque as nossas filhas não gostam. Entretanto, nós os dois gostamos bastante.
Pois amigas, eu compreendo que vos faça impressão, talvez pareça serpente... ou não apreciem o gosto do peixe ou dos condimentos, nomeadamente da nóz moscada...
Gostaria de vos dar a provar, mas antes teriam de ver cosinhar, e sentirem o cheirinho.
De novo, grata pela visitas, e comentários de todas vós.
Também um abraço ao Zito amigo, que sabe de marinadas...
Muito obrigada pelos vossos comentários acerca do peixe.
Achei imensa graça, fizeram-me sorrir, gostei muito.
Pois de facto trata-se de lampreias. São vertebrados aquáticos ciclóstomos, de forma cilindrica e alongada, identica à enguia. Vivem durante anos no mar, e posteriormente dirigem-se a alguns rios, com a finalidade de desovar, e morrer depois, se entretanto não forem pescadas.Têm pele viscosa sem escamas, e podem atingir um metro de comprimento.
Há quem nem queira ouvir falar em lampreia, e há quem faça longos kilómetros para a ir saborear em restaurante já conhecido. Alguns Lisboetas fazem isso, vêm até Penacova. Também no Minho, em Monção, existe esta especialidade e confecionada de acordo com os seus segredos.Nem todos os rios do nosso País são "condutores" de lampreia, só alguns mais a norte, e a duração da pesca é limitada e curta em todas as zonas, tornando assim a lampreia um peixe caro.
Aqui na periferia da minha Cidade, onde o rio Mondego caminha para a Foz, há pescadores de lampreia e lampreias, embora eles se queixem de que cada vez há menos quantidade.
Sem intermediários, o meu marido compra ao próprio pescador, que ano após ano sempre promete escolher duas grandinhas. Depois outro amigo (este de infância) que também deixou a nossa terra e vive aqui em contacto com a Natureza, numa casa rodeada de terreno até perder de vista, encarrega-se de as amanhar, e tratar; com vinho, vinagre, alhos, louro e salsa, e acondicionar de modo higiénico para o meu marido trazer no carro. E foi assim ontem, desembrulhei, tirei o têsto e fiz a fotografia.
Hoje arrumei-as na arca frigorífica. Talvez no Domingo cosinhe a primeira metade duma. E porquê só metade? Porque as nossas filhas não gostam. Entretanto, nós os dois gostamos bastante.
Pois amigas, eu compreendo que vos faça impressão, talvez pareça serpente... ou não apreciem o gosto do peixe ou dos condimentos, nomeadamente da nóz moscada...
Gostaria de vos dar a provar, mas antes teriam de ver cosinhar, e sentirem o cheirinho.
De novo, grata pela visitas, e comentários de todas vós.
Também um abraço ao Zito amigo, que sabe de marinadas...
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Como eles se entendem !

Encontrei esta ternura no blog do Zito, Arrozcatum, e tratei logo de o informar que ia ser roubado por mim, pois queria muito colocar esta foto no meu blog.Aviso feito, procedi à acção, e aqui está uma atitude de carinho, linda, que fará inveja aos humanos, adultos.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Ondas gigantes na ponta de Sagres
Dizem que amanhã o Atlântico vai ter uma das maiores tempestades de sempre. A inglaterra está à espera do pior. Por aqui também estão a avisar para as pessoa ficarem longe da costa. As ondas que aqui podem ver foram causadas pela tempestade Hércules, em janeiro. Isto é na ponta de Sagres, em Portugal. Muito bonito mas mete medo!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Tem lá dentro um passarinho
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Miguel Torga
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O Cinema em Tempos Idos
O cinema (os filmes)
Nesta época do ano esta arte é lembrada com mais assiduidade. Fala-se nos realizadores, nos atores, e nos filmes candidatos a óscares, e a césares, dão-se opiniões, fazem-se vaticinios, e na noite das entregas dos almejados troféus assiste-se à cerimónia, que vale a pena ver, até por razões de elegancia e luxo de indumentárias.
Comecei por pensar nesta realidade actual, mas acabei por me deter no passado, num recuo de muitos anos, situando-me nas recordações de que faço as minhas histórias. E lembrei-me do cinema, no meu Montemor-o-Velho, e eu pequenita a assistir quando ainda não havia classificação especial em relação à idade dos espectadores. Eu teria talvez uns cinco anos, podia estar ao colo... mas o meu pai não queria, e comprava sempre um lugar para mim. A minha mãe levava um banquito que ela própria tinha tornado confortável, acoplando-lhe uma almofada de tecido colorido. Colocava-o no lugar marcado e aí estava eu instalada à altura dos adultos. Só havia cinema de mês a mês, mesmo mais tarde, quando eu já não precisava do banquito...
E era assim: com oito dias de antecedência aparecia nas poucas lojas da Vila a publicidade; um retangulo de papel de seda de côr garrida com a fotografia dum ou dois dos atores intervenientes, umas palavras chamativas, a data e a hora. Depois
no dia marcado, pelas quatro horas chegava a furgoneta com os apetrechos para a projeção, e logo, logo, instalavam na varanda do Teatro a aparelhagem sonora que transmitia em muito alta voz, fados, cançonetas, folclore, até à hora de jantar. O filme começava ás nove. Ir ao cinema em dia de semana era um prazer enorme. Eram filmes muito rodados, às vezes partiam, as pessoas lamentavam, mas ninguém refilava, era o que havia... Mas foi ali que vi o Vasco Santana, o António Silva, a Beatriz Costa,e mais grandes atores intervenientes nesses filmes portugueses, que ainda hoje vemos com agrado na TV Memória, ou que até guardamos na nossa estante.
Talvez por ter começado muito cedo a ir ao cinema, mesmo tendo em conta que pouco devia perceber, a verdade é que ainda hoje gosto bastante, embora não de todos os filmes da actualidade. Recordo que em Lisboa iamos de vez em quando ao cinema, e em Braga onde vivemos onze anos, iamos muitas vezes, nessa altura era barato. Agora o cinema tornou-se caro, algumas salas são desconfortáveis, e embora o grande ecran seja uma tentação, optamos pela comodidade do sofá e bastamo-nos com a imagem reduzida; o filme vem ter a casa, e se não agrada escolhe-se outro ou simplesmente anula-se a transmissão.Tudo fácil.
Mas o encanto daqueles tempos, apesar do péssimo sonoro, roufenho tantas vezes, da fita que partia,do filme que por vezes não valia nada, deixou marcas, tanto assim que hoje o recordei.
Nesta época do ano esta arte é lembrada com mais assiduidade. Fala-se nos realizadores, nos atores, e nos filmes candidatos a óscares, e a césares, dão-se opiniões, fazem-se vaticinios, e na noite das entregas dos almejados troféus assiste-se à cerimónia, que vale a pena ver, até por razões de elegancia e luxo de indumentárias.
Comecei por pensar nesta realidade actual, mas acabei por me deter no passado, num recuo de muitos anos, situando-me nas recordações de que faço as minhas histórias. E lembrei-me do cinema, no meu Montemor-o-Velho, e eu pequenita a assistir quando ainda não havia classificação especial em relação à idade dos espectadores. Eu teria talvez uns cinco anos, podia estar ao colo... mas o meu pai não queria, e comprava sempre um lugar para mim. A minha mãe levava um banquito que ela própria tinha tornado confortável, acoplando-lhe uma almofada de tecido colorido. Colocava-o no lugar marcado e aí estava eu instalada à altura dos adultos. Só havia cinema de mês a mês, mesmo mais tarde, quando eu já não precisava do banquito...
E era assim: com oito dias de antecedência aparecia nas poucas lojas da Vila a publicidade; um retangulo de papel de seda de côr garrida com a fotografia dum ou dois dos atores intervenientes, umas palavras chamativas, a data e a hora. Depois
no dia marcado, pelas quatro horas chegava a furgoneta com os apetrechos para a projeção, e logo, logo, instalavam na varanda do Teatro a aparelhagem sonora que transmitia em muito alta voz, fados, cançonetas, folclore, até à hora de jantar. O filme começava ás nove. Ir ao cinema em dia de semana era um prazer enorme. Eram filmes muito rodados, às vezes partiam, as pessoas lamentavam, mas ninguém refilava, era o que havia... Mas foi ali que vi o Vasco Santana, o António Silva, a Beatriz Costa,e mais grandes atores intervenientes nesses filmes portugueses, que ainda hoje vemos com agrado na TV Memória, ou que até guardamos na nossa estante.
Talvez por ter começado muito cedo a ir ao cinema, mesmo tendo em conta que pouco devia perceber, a verdade é que ainda hoje gosto bastante, embora não de todos os filmes da actualidade. Recordo que em Lisboa iamos de vez em quando ao cinema, e em Braga onde vivemos onze anos, iamos muitas vezes, nessa altura era barato. Agora o cinema tornou-se caro, algumas salas são desconfortáveis, e embora o grande ecran seja uma tentação, optamos pela comodidade do sofá e bastamo-nos com a imagem reduzida; o filme vem ter a casa, e se não agrada escolhe-se outro ou simplesmente anula-se a transmissão.Tudo fácil.
Mas o encanto daqueles tempos, apesar do péssimo sonoro, roufenho tantas vezes, da fita que partia,do filme que por vezes não valia nada, deixou marcas, tanto assim que hoje o recordei.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Passarinhos à Janela
Um dos lados do prédio onde moro dá para esta pracinha. Tem iluminação,verdura, algumas árvores e tem estas montanhas de cimento... Quando viemos para aqui viver, o chão que tinha sido terra de cultivo estava árido e sem vegetação alguma. Mas deste lado da casa, da varanda, eu via a encosta com mata e um bocado da Serra da Boa Viagem com umas casinhas lá no cimo. Foi assim durante algum tempo, mas um dia de manhã reparei que andavam uns homens a marcar o chão com tinta branca; fácilmente adivinhei a perspectiva. Era o principio da obra, esta, que me vedou a possibilidade de ver a Serra. Não me devia lamentar, porque ainda tinha mais duas frentes com o horisonte livre; só que esta também me agradava.
Mas não foi para fazer queixas que coloquei esta foto; eu até já me habituei a conviver com estes mamarráchos feitos casas. Hoje venho falar dos passarinhos: todos os dias ao fim da tarde, junta-se um enorme bando de passarinhos, que escolhem sempre os tres andares superiores do prédio que está em primeiro plano. Poisam no peitoril das seis janelas (nas varandas não) e dali saem num vôo, num bailado em voltas e reviravoltas, um encanto. Mas o mais surpreeendente, é que uns andam na revoada e uma grande quantidade deles está postada nas janelas como que a assistir. Eu acho que eles se revezam. Esta dança dura um bom bocado. Quis fotografá-los e consegui, porque o tempo estava de chuva e eles bailaram mais cêdo, mas como a distância ainda é considerável, quase não se percebe que estão lá, embora com tempo seco, eles sejam muitos mais. Aumentando a imagem consegue-se ver os pontinhos negros. A bailar não consigo fotografá-los, nem tento.
As pessoas que estudam o comportamento das aves, têm opinião para isto, eu não tenho, só que achei engraçado, e vim dar-vos conta desta descoberta que me entusiasmou.
Mas não foi para fazer queixas que coloquei esta foto; eu até já me habituei a conviver com estes mamarráchos feitos casas. Hoje venho falar dos passarinhos: todos os dias ao fim da tarde, junta-se um enorme bando de passarinhos, que escolhem sempre os tres andares superiores do prédio que está em primeiro plano. Poisam no peitoril das seis janelas (nas varandas não) e dali saem num vôo, num bailado em voltas e reviravoltas, um encanto. Mas o mais surpreeendente, é que uns andam na revoada e uma grande quantidade deles está postada nas janelas como que a assistir. Eu acho que eles se revezam. Esta dança dura um bom bocado. Quis fotografá-los e consegui, porque o tempo estava de chuva e eles bailaram mais cêdo, mas como a distância ainda é considerável, quase não se percebe que estão lá, embora com tempo seco, eles sejam muitos mais. Aumentando a imagem consegue-se ver os pontinhos negros. A bailar não consigo fotografá-los, nem tento.
As pessoas que estudam o comportamento das aves, têm opinião para isto, eu não tenho, só que achei engraçado, e vim dar-vos conta desta descoberta que me entusiasmou.
domingo, 26 de janeiro de 2014
Igreja alagada
Cá venho eu com as minhas histórias, minhas mesmo...
Esta faz parte das recordações do nosso casamento, tem igualmente quarenta e oito anos.
A cerimónia foi marcada para janeiro, mas com antecedência começaram os preparativos. Um deles, era ir falar com o Padre. Como o noivo residia em Lisboa, e não se deslocava amiúde à nossa terra (Montemor-o-Velho) fui eu a casa do Sr. Reitor participar-lhe o casamento, convidá-lo para a Bôda e marcar o serviço religioso. Faltava ainda algum tempo, por isso ele até comentou a sorrir, que "era a longo prazo..."
Algumas noivas não iam casar na Igreja Matriz. Pagavam uma licença, para ser numa das outras Igrejas que lá existem. Eu também tinha os meus gostos, e queria que fosse na Capela do Hospital. Era cuidada pelas Freirinhas, estava sempre impecável, e no exterior o pavimento era liso, numa rua larga ladeada de jardins, desde a entrada franqueada por um grande portão, bonito, de ferro forjado. Eu já me via ali a desfilar... Mas o Sr. Reitor é que não estava para aí virado. Disse-me logo que não, que já não havia essa clausula de ter de pagar, mas que na Capela do Hospital não podia ser. Já tinha sido, mas agora não podia. Eu bem lhe roguei com bons modos, e então ele acrescentou; - olhe a Rosa Maria fez igual pedido, e de igual modo recusei. Têm a Igreja dos Anjos, é tão bonita toda em pedra, e ainda é mais perto das vossas casas.
Contra a força não há resistência, mas eu ainda argumentei - e se a água inunda a Igreja? Naquela época as cheias inundavam a Vila com frequência no inverno, e a água permanecia naquela Igreja durante muitos dias, mesmo depois de ter secado nas ruas. Porém, ele desvalorisou o meu receio, com a esperança (infundada) de que não iria suceder.
O tempo passou, a Rosa Maria mandou lavar a Igreja depois da água ir embora, e casou lá em 26 de Dezembro. Quando chegou a minha vez, quinze dias depois, a Igreja tinha cinquenta centímetros de altura de água, desde a porta da entrada até ao degrau que antecede o Altar Mór... Não apoquentei o Padre, mas ele merecia...
Casei na modesta Capelinha do Côro, dessa mesma Igreja, onde se acedia por dois enormes lanços de escadas de pedra branca, (tipico dos Conventos)
Por um qualquer motivo de seu interesse, informou-me de que não seria ele a celebrar o casamento, mas que à hora marcada lá estaria um Sacerdote.Foi enorme a minha satisfação, ao ver quem apareceu devidamente paramentado, para realisar a cerimónia, era o Sr. Padre Alfredo que paroquiava numa localidade próxima. Não sendo íntimo, era meu conhecido, (e pormenores importantes para mim) era bonito, e boa figura, ia ficar bem nas fotografias...
(só vaidades, quando se é noiva...)
Mas era verdade, as pessoas diziam baixinho - mal empregado em ser padre... E tanto o pensaram e disseram, que lhe deve ter chegado ao subconsciente. Passado algum tempo, renunciou, deixou o Sacerdócio, e adotou o estatuto de Marido. Hoje, é o Sr. Dr. Alfredo Amado.
Esta faz parte das recordações do nosso casamento, tem igualmente quarenta e oito anos.
A cerimónia foi marcada para janeiro, mas com antecedência começaram os preparativos. Um deles, era ir falar com o Padre. Como o noivo residia em Lisboa, e não se deslocava amiúde à nossa terra (Montemor-o-Velho) fui eu a casa do Sr. Reitor participar-lhe o casamento, convidá-lo para a Bôda e marcar o serviço religioso. Faltava ainda algum tempo, por isso ele até comentou a sorrir, que "era a longo prazo..."
Algumas noivas não iam casar na Igreja Matriz. Pagavam uma licença, para ser numa das outras Igrejas que lá existem. Eu também tinha os meus gostos, e queria que fosse na Capela do Hospital. Era cuidada pelas Freirinhas, estava sempre impecável, e no exterior o pavimento era liso, numa rua larga ladeada de jardins, desde a entrada franqueada por um grande portão, bonito, de ferro forjado. Eu já me via ali a desfilar... Mas o Sr. Reitor é que não estava para aí virado. Disse-me logo que não, que já não havia essa clausula de ter de pagar, mas que na Capela do Hospital não podia ser. Já tinha sido, mas agora não podia. Eu bem lhe roguei com bons modos, e então ele acrescentou; - olhe a Rosa Maria fez igual pedido, e de igual modo recusei. Têm a Igreja dos Anjos, é tão bonita toda em pedra, e ainda é mais perto das vossas casas.
Contra a força não há resistência, mas eu ainda argumentei - e se a água inunda a Igreja? Naquela época as cheias inundavam a Vila com frequência no inverno, e a água permanecia naquela Igreja durante muitos dias, mesmo depois de ter secado nas ruas. Porém, ele desvalorisou o meu receio, com a esperança (infundada) de que não iria suceder.
O tempo passou, a Rosa Maria mandou lavar a Igreja depois da água ir embora, e casou lá em 26 de Dezembro. Quando chegou a minha vez, quinze dias depois, a Igreja tinha cinquenta centímetros de altura de água, desde a porta da entrada até ao degrau que antecede o Altar Mór... Não apoquentei o Padre, mas ele merecia...
Casei na modesta Capelinha do Côro, dessa mesma Igreja, onde se acedia por dois enormes lanços de escadas de pedra branca, (tipico dos Conventos)
Por um qualquer motivo de seu interesse, informou-me de que não seria ele a celebrar o casamento, mas que à hora marcada lá estaria um Sacerdote.Foi enorme a minha satisfação, ao ver quem apareceu devidamente paramentado, para realisar a cerimónia, era o Sr. Padre Alfredo que paroquiava numa localidade próxima. Não sendo íntimo, era meu conhecido, (e pormenores importantes para mim) era bonito, e boa figura, ia ficar bem nas fotografias...
(só vaidades, quando se é noiva...)
Mas era verdade, as pessoas diziam baixinho - mal empregado em ser padre... E tanto o pensaram e disseram, que lhe deve ter chegado ao subconsciente. Passado algum tempo, renunciou, deixou o Sacerdócio, e adotou o estatuto de Marido. Hoje, é o Sr. Dr. Alfredo Amado.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Bodas de Granito
É verdade, foi na passada semana que tal aconteceu. Chegámos às Bodas de Granito.
"Entre vagas alterosas e mar de pequena vaga, temo-nos mantido juntos e à superfície..."
Olho para trás e reparo, tanto tempo que passou, quatro dúzias de anos! E no entanto a memória traz-nos com nitidês a recordação desse dia único... E também saudades, como é natural.
Como tem acontecido ano após ano, mais uma vez "fugimos de casa" para ir jantar fora. O tempo, decidiu estar contra nós, projectámos sair, e ficar uns dias fora... mas a chuva impiedosa instalou-se, e eu com mau tempo não gosto de viajar, excepto de casa até ao restaurante, e vice-versa, aqui na nossa Cidade. E a viagem ficou adiada, mas prometida.
"Entre vagas alterosas e mar de pequena vaga, temo-nos mantido juntos e à superfície..."
Olho para trás e reparo, tanto tempo que passou, quatro dúzias de anos! E no entanto a memória traz-nos com nitidês a recordação desse dia único... E também saudades, como é natural.
Como tem acontecido ano após ano, mais uma vez "fugimos de casa" para ir jantar fora. O tempo, decidiu estar contra nós, projectámos sair, e ficar uns dias fora... mas a chuva impiedosa instalou-se, e eu com mau tempo não gosto de viajar, excepto de casa até ao restaurante, e vice-versa, aqui na nossa Cidade. E a viagem ficou adiada, mas prometida.
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
A nuvem com perfil de gato
Caras amigas e amigos que me visitam:
O meu muito obrigada pela vossa vinda até aqui, e pela colaboração.
Diz o nosso amigo António Querido, do Blog Figueira Minha, que nós blogueiros, nos tornamos conhecidos, criamos amizades entre nós, trocamos ideias, enfim somos uma espécie de familia à distancia, e em simultâneo perto, acrescento eu.
Diz ainda que aprecia as opiniões, e gosta que comentem. Eu também gosto, Falar é bom, "fala para que te conheça"... disse alguém que sabia muito.
Bem, venho dizer onde está o gato; ( quanto a mim, pois posso ser só eu a vê-lo...)
O gato é a nuvem, que tem um formato aproximado. Se olharem com atenção e um pouco de boa vontade encontram os pormenores, o arredondado da cabeça,as orelhitas, as patas e o rabito.
Se assim não acontecer, não faz mal, amigos como dantes, o que vale é este intercâmbio de conversa entre todos nós.
Bem hajam, voltem sempre, eu agradeço.
O meu muito obrigada pela vossa vinda até aqui, e pela colaboração.
Diz o nosso amigo António Querido, do Blog Figueira Minha, que nós blogueiros, nos tornamos conhecidos, criamos amizades entre nós, trocamos ideias, enfim somos uma espécie de familia à distancia, e em simultâneo perto, acrescento eu.
Diz ainda que aprecia as opiniões, e gosta que comentem. Eu também gosto, Falar é bom, "fala para que te conheça"... disse alguém que sabia muito.
Bem, venho dizer onde está o gato; ( quanto a mim, pois posso ser só eu a vê-lo...)
O gato é a nuvem, que tem um formato aproximado. Se olharem com atenção e um pouco de boa vontade encontram os pormenores, o arredondado da cabeça,as orelhitas, as patas e o rabito.
Se assim não acontecer, não faz mal, amigos como dantes, o que vale é este intercâmbio de conversa entre todos nós.
Bem hajam, voltem sempre, eu agradeço.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Não o Fechem no Panteão
Ninguém pediu a minha opinião, nem ela tem representação ou valor. É apenas assim um falar alto, comigo própria... Refiro-me ao Eusébio que infelismente já não está entre os vivos.
O seu falecimento foi algo inesperado, muita gente o chorou, e correu a oferecer flores, e símbolos do seu Clube, colocando-os ao redor da sua estátua situada no Estádio do Benfica.
Também, não sei de qual, mas a ideia partiu dum dos Partidos Políticos de: - posteriormente, serem os seus restos mortais colocados no Panteão Nacional - lugar de honra ao qual só acedem aqueles, poucos, que em vida fizeram algo de valoroso para o País; há mesmo uma lista de requisitos que tem de ser observada.
Depois duma certa controvérsia há uns anos atrás, colocaram lá a Amália Rodrigues, e agora, tristemente quanto a mim, invocaram esse facto para que o Eusébio ali venha a ficar. Não gostei daquela afirmação feia, de: - se aquela lá está, este também tem direito de lá estar. Enfim ...
Sim, na minha pobre opinião, o Eusébio também merece. Mas meus amigos não façam isso!- Não "roubem" o Eusébio aos portugueses! - Não o fechem no Panteão. Quem, da Província vai até Sta. Engrácia para lhe colocar uma flor no Túmulo? Eu não sei como é actualmente, mas ainda à pouco tempo a visita ao Panteão era paga.
Aqui, na minha Figueira adotiva, existe um monumento, uma estátua dedicada a um grande vulto português. Chamava-se Manuel Fernandes Tomás, foi Magistrado, e Político; ficou conhecido como "O Patriarca da Liberdade". No alto dum pedestal está a sua figura perpétuada em bronze, e no chão coberto com uma pedra de mármore repousam os seus restos mortais. Uma corda metálica delimita o espaço. Situa-se numa das mais bonitas Praças da Cidade.
Amigos do Eusébio, façam igual!!! - Já têm a estátua, e têm espaço ao seu redor. E têm o Estádio. Se dantes as pessoas formavam fila para uma fotografia junto à estátua de Eusébio, tenham a certeza que perante os seus restos mortais ali colocados, farão fila em sua memória, ou para deixar uma flor, quiçá até uma simples oração...
O seu falecimento foi algo inesperado, muita gente o chorou, e correu a oferecer flores, e símbolos do seu Clube, colocando-os ao redor da sua estátua situada no Estádio do Benfica.
Também, não sei de qual, mas a ideia partiu dum dos Partidos Políticos de: - posteriormente, serem os seus restos mortais colocados no Panteão Nacional - lugar de honra ao qual só acedem aqueles, poucos, que em vida fizeram algo de valoroso para o País; há mesmo uma lista de requisitos que tem de ser observada.
Depois duma certa controvérsia há uns anos atrás, colocaram lá a Amália Rodrigues, e agora, tristemente quanto a mim, invocaram esse facto para que o Eusébio ali venha a ficar. Não gostei daquela afirmação feia, de: - se aquela lá está, este também tem direito de lá estar. Enfim ...
Sim, na minha pobre opinião, o Eusébio também merece. Mas meus amigos não façam isso!- Não "roubem" o Eusébio aos portugueses! - Não o fechem no Panteão. Quem, da Província vai até Sta. Engrácia para lhe colocar uma flor no Túmulo? Eu não sei como é actualmente, mas ainda à pouco tempo a visita ao Panteão era paga.
Aqui, na minha Figueira adotiva, existe um monumento, uma estátua dedicada a um grande vulto português. Chamava-se Manuel Fernandes Tomás, foi Magistrado, e Político; ficou conhecido como "O Patriarca da Liberdade". No alto dum pedestal está a sua figura perpétuada em bronze, e no chão coberto com uma pedra de mármore repousam os seus restos mortais. Uma corda metálica delimita o espaço. Situa-se numa das mais bonitas Praças da Cidade.
Amigos do Eusébio, façam igual!!! - Já têm a estátua, e têm espaço ao seu redor. E têm o Estádio. Se dantes as pessoas formavam fila para uma fotografia junto à estátua de Eusébio, tenham a certeza que perante os seus restos mortais ali colocados, farão fila em sua memória, ou para deixar uma flor, quiçá até uma simples oração...
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O fim duma vida
Hoje, voltei atrás muitos anos, e senti-me no antigo Estádio da Luz em Lisboa. Eu já aqui contei que fui ali várias vezes, porque o meu marido benfiquista desde menino, preferia o futebol a todos os demais espetáculos. Ainda hoje não mudou muito quanto a essa escolha. As minhas idas com ele ao futebol duraram pouco mais dum ano, não deu para ficar adepta, mas deu para conhecer os jogadores. Ainda recordo os nomes de alguns, e a fisionomia de outros, entre eles o Torres que parecia um gigante, e era bonito; e também o Eusébio que hoje seguiu naquela viagem sem regresso que a todos nós está prometida. Ele apenas nos levou a dianteira...
Era um ídolo, e como tal as Rádios e Televisões preencheram os seus tempos de antena quáse exclusivamente com o falecimento do Eusébio. Muita gente sofreu com este desenlace, muitos amigos, conhecidos, e em enorme numero os adeptos que nunca o esqueceram. Eu acho que ele merecia ser velado, ser chorado, ser homenageado... e sobretudo recordado e não esquecido no futuro.
Mas francamente, para quê tanto exagêro...
Assisti pela Televisão a parte das cerimónias, nomeadamente a entrada do corpo no Estádio, e ouvi também a homilía proferída pelo Sr.Padre Milícias. Achei muita dignidade, e apreciei.
Depois o cortejo fúnebre para o cemitério, quanto a mim, foi horrível. Não me venham dizer que aquelas vozes que se ouviam aos berros, como se estivessem exaltados num campo de futebol, estavam daquela forma a homenagear um morto... Já dentro do cemitério, num ambiente de tristeza imensa (para muitos) que é proceder a um enterramento de noite, e debaixo de chuva intensa, aquelas vozes nunca se calaram. Vozes de claques, gente nova que nunca viu Eusébio jogar... Que mágoa sentiam eles? Até se ouviram asneiras à mistura, e risos em alguns rostos...
Eu tive pena, e grande, ao ver a D. Flora a viuva, de pé à beira da cova quando a urna baixava à terra, e aquelas vozes cantavam com uma letra "arranjada" a musica do Bailinho da Madeira...
O momento não pedia antes recolhimento? Em vez disso ouviu-se folclore mal amanhado.
Que dizer mais? Francamente não sei. Eu lido mal com a morte. Para mim a morte é o ultimo acto que acontece a um Ser. E na sequência merece dignidade e respeito.
Era um ídolo, e como tal as Rádios e Televisões preencheram os seus tempos de antena quáse exclusivamente com o falecimento do Eusébio. Muita gente sofreu com este desenlace, muitos amigos, conhecidos, e em enorme numero os adeptos que nunca o esqueceram. Eu acho que ele merecia ser velado, ser chorado, ser homenageado... e sobretudo recordado e não esquecido no futuro.
Mas francamente, para quê tanto exagêro...
Assisti pela Televisão a parte das cerimónias, nomeadamente a entrada do corpo no Estádio, e ouvi também a homilía proferída pelo Sr.Padre Milícias. Achei muita dignidade, e apreciei.
Depois o cortejo fúnebre para o cemitério, quanto a mim, foi horrível. Não me venham dizer que aquelas vozes que se ouviam aos berros, como se estivessem exaltados num campo de futebol, estavam daquela forma a homenagear um morto... Já dentro do cemitério, num ambiente de tristeza imensa (para muitos) que é proceder a um enterramento de noite, e debaixo de chuva intensa, aquelas vozes nunca se calaram. Vozes de claques, gente nova que nunca viu Eusébio jogar... Que mágoa sentiam eles? Até se ouviram asneiras à mistura, e risos em alguns rostos...
Eu tive pena, e grande, ao ver a D. Flora a viuva, de pé à beira da cova quando a urna baixava à terra, e aquelas vozes cantavam com uma letra "arranjada" a musica do Bailinho da Madeira...
O momento não pedia antes recolhimento? Em vez disso ouviu-se folclore mal amanhado.
Que dizer mais? Francamente não sei. Eu lido mal com a morte. Para mim a morte é o ultimo acto que acontece a um Ser. E na sequência merece dignidade e respeito.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
Os Presentes de Natal
O Natal que transporta todo o carinho e fraternidade entre os povos (ou devia transportar) já ficou para trás, e a noite de nascimento do Ano Novo, também já foi, e até o dia de Ano Novo está a terminar; isto é, a claridade está a desvanecer demasiado cêdo, apesar de poucos minutos terem passado após as cinco horas. Em parte pela chuva, que nos brindou nesta Quadra Natalicia, "mas que importa se chove lá fora, se em casa há luz acêsa e calor humano?!" Só é pena termos a certeza de que em muitos lares reinam mágoas de toda a ordem. É assim a vida, infelismente talhada de modo desigual.
Mas muitas pessoas festejaram, e isso dá-nos contentamento pois é muito mais agradável saber de alegrias do que de tristezas. Pela minha parte, vai longe o meu tempo de entusiasmos, agora é "o Maria vai com as outras", e eu não sou desmancha prazeres, desde que não me obriguem a deixar o meu conforto, no meu cantinho. Mas no meu reino eu estou activa, e não abdico... Assim, com a familia reunida e todos bem, nada mais eu desejo além de "querer estar cá para o ano..."
E como foi Natal, tive, tivemos mimos...
Estes vieram da minha amiga Anita, aquela Senhora que eu nunca vi, mas me estima muito. Tenho pena por ela sofrer tanto com a solidão. Se eu tivesse um irmão, ai! eu dava-lho de boa vontade, um irmão mais novo do que eu...
Como sabe que eu gosto do bolo tradicional da Madeira, faz gosto em mo mandar de lá, e junta sempre os coquinhos que são também uma delícia.
Mas muitas pessoas festejaram, e isso dá-nos contentamento pois é muito mais agradável saber de alegrias do que de tristezas. Pela minha parte, vai longe o meu tempo de entusiasmos, agora é "o Maria vai com as outras", e eu não sou desmancha prazeres, desde que não me obriguem a deixar o meu conforto, no meu cantinho. Mas no meu reino eu estou activa, e não abdico... Assim, com a familia reunida e todos bem, nada mais eu desejo além de "querer estar cá para o ano..."
E como foi Natal, tive, tivemos mimos...
Como sabe que eu gosto do bolo tradicional da Madeira, faz gosto em mo mandar de lá, e junta sempre os coquinhos que são também uma delícia.
Autores Nacionais
As prendas da família
Os livros, e desta vez diferentes; autores nacionais.E para eu não me coibir de ler na cama por causa do frio nas mãos, também um par de luvas, com dois meios dedos para me ser possível voltar a página.
A minha filha vinha um tanto contrariada, porque não encontrou luvas de côr clara... Que importa a côr, eu não sou racista!
Pecadilhos doces
Seria uma lacuna terem-se esquecido dos chocolates... Mas não, aqui estão eles.
E os Anjinhos são velas, era para eu colocar no Presépio, mas tive pena, vê-los a arder...
Então ficam como estatuetas.
E os Anjinhos são velas, era para eu colocar no Presépio, mas tive pena, vê-los a arder...
Então ficam como estatuetas.
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