Neste Domingo fomos a Montemor, ao nosso, ao Velho, que está remoçado e ainda mais bonito. Também já visitei à anos o outro, o Montemor Novo, que é mais importante em comércio e industria (pelo menos assim me pareceu) contudo não tem a beleza do "meu" Montemor-o-Velho. Fomos então ao "nosso" Castelo, e que bem que ali se estava... Era de manhã, e o sossego era total.
Lá em baixo a vila, e ali aos nossos olhos toda uma paisagem rica, longa a perder de vista...
Os arbustos verdejantes atenuam em parte a rudeza das pedras, pois Castelo é fortaleza.
Entrámos na Igreja, situada dentro do Castelo; a sua fundação data de 1090. Porém dessa primitiva Igreja pouco resta. A actual é quase toda do século XV. O respectivo restauro aconteceu entre 1483-1543, a mando de D. Jorge de Almeida, Bispo de Coimbra, com grandes obras e trabalhos de arquitectura de Renascença. A Igreja em estilo gótico, é de tres naves com duas ordens de lindas colunas torcidas, de cantaria, a sustentar o teto apainelado de madeira. O chão todo em pedra, é também um pequeno panteão de campas rasas e pedras brasonadas de alguns ilustres daqueles tempos distantes. Deixámos a Igreja de Santa Maria de Alcáçova, que sempre conhecemos, mas à qual prometemos sempre voltar...
quarta-feira, 28 de maio de 2014
sábado, 17 de maio de 2014
O naperon da sala
Decidi colocar mais este. Não está ligado a nenhum segredo, é um crochet normal feito com um fio não muito fino. É grande, e costuma "estacionar" na mesa da sala de jantar.
E por agora não trago mais rendas, breve voltarei, mas com mais uma das minhas recordações; mais uma das minhas histórias verdadeiras.
E por agora não trago mais rendas, breve voltarei, mas com mais uma das minhas recordações; mais uma das minhas histórias verdadeiras.
sexta-feira, 16 de maio de 2014
O segredo do Algarve
Há uns anos atrás o crochet estava nos gostos de muita gente, jovem, adulta e idosa. Era comum em locais que exigissem espera, ou nos transportes, e também nos parques e na praia em tempo de lazer, vermos pessoas tecendo as suas rendas, mais ou menos elaboradas, mas sempre bonitas. Actualmente parece ter caído em desuso, e muitas jovens já nem apreciam esses trabalhos. Eu, como já não sou jovem, gosto muito de rendas, e tenho muitos desses trabalhos. E como gosto de os ver, dou-lhes uso. Na semana que passou, tive a empreitada de cuidar de alguns jogos de naperons, isto é, lavar e passar a ferro, tarefa um tanto morosa, mas para a qual tenho sempre boa vontade, e no fim até me sinto compensada ao olhá-los.
Hoje, antes de os guardar, resolvi fotografar e colocar aqui. É o chamado segredo do Algarve, é interessante pelo facto de nunca se partir a linha, isso é que é o segredo.
Tenho a certeza que vão gostar.
Hoje, antes de os guardar, resolvi fotografar e colocar aqui. É o chamado segredo do Algarve, é interessante pelo facto de nunca se partir a linha, isso é que é o segredo.
Tenho a certeza que vão gostar.
sexta-feira, 9 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
O aluguer...
De há uns anos para cá o primeiro Domingo de Maio passou a ser o dia da Mãe. Os mais novos desconhecem, mas dantes era no dia oito de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, havia festa na Igreja dedicada à Mãe de Jesus, e também a todas as mães sem excepção. Posteriormente, entenderam separar, criar outra data para as mães normais, isto é sem santidade canónica.
Não estou a escrever com o intuito de censurar esta mudança, nada disso, mas não aprecio que tenha de haver um dia especifico para cumprir deveres, ou devoções, quando o ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, e ainda mais um, quando é bissexto. Afinal ser-se amigo num só dia, é muito pouco... cheira a obrigação, e isso é triste.
Mas mais triste, é muita coisa que actualmente nos chega através dos meios da Comunicação Social: - Não percebi, se está já aprovado, ou se ainda carece de algo para o ser, uma lei que vai permitir que qualquer pessoa se preste a fabricar um filho por encomenda. Assim o casal fornece "os materiais" e esta pessoa dá (vende) a mão d'obra... Já há nome; "barriga de aluguer." Perdoem, mas eu permito-me dizer, a que estado isto chegou... Decerto que me dirão que a ciência é imparável.
(Mas, não é a maternidade um acto de amor, o amor dum casal vivendo dia a dia as transformações que se operam, os receios, as esperanças, uma espera a dois tão íntima e ansiosa, que só termina na alegria maior do momento do nascimento.)
Barriga de aluguer, que nome feio, e triste! O Ser humano a alugar partes de si próprio... Não sou capaz de entender.
Depois, quem é a mãe?
E mais não digo. Daqui a algum tempo, se ainda se celebrar o dia da mãe, alguém poderá perguntar; -Dia de qual mãe? Da mãe de familia ou da mãe de aluguer?...
Não estou a escrever com o intuito de censurar esta mudança, nada disso, mas não aprecio que tenha de haver um dia especifico para cumprir deveres, ou devoções, quando o ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, e ainda mais um, quando é bissexto. Afinal ser-se amigo num só dia, é muito pouco... cheira a obrigação, e isso é triste.
Mas mais triste, é muita coisa que actualmente nos chega através dos meios da Comunicação Social: - Não percebi, se está já aprovado, ou se ainda carece de algo para o ser, uma lei que vai permitir que qualquer pessoa se preste a fabricar um filho por encomenda. Assim o casal fornece "os materiais" e esta pessoa dá (vende) a mão d'obra... Já há nome; "barriga de aluguer." Perdoem, mas eu permito-me dizer, a que estado isto chegou... Decerto que me dirão que a ciência é imparável.
(Mas, não é a maternidade um acto de amor, o amor dum casal vivendo dia a dia as transformações que se operam, os receios, as esperanças, uma espera a dois tão íntima e ansiosa, que só termina na alegria maior do momento do nascimento.)
Barriga de aluguer, que nome feio, e triste! O Ser humano a alugar partes de si próprio... Não sou capaz de entender.
Depois, quem é a mãe?
E mais não digo. Daqui a algum tempo, se ainda se celebrar o dia da mãe, alguém poderá perguntar; -Dia de qual mãe? Da mãe de familia ou da mãe de aluguer?...
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Com atrazo, mas as plantas floriram
Só agora, a primavera chegou à entrada do edificio onde moro. A chuva prolongada e a ausência do sol prejudicou as flores, que este ano são em menor quantidade. No entanto estão bonitas como sempre, e eu apressei-me a trazê-las para aqui.
domingo, 20 de abril de 2014
O Rosário
Quando à noite contemplo taciturno
Estas contas antigas, o rosário
Das minhas orações,
Vejo em minh'alma o poema legendário
Dos velhos tempos das lonjínquas eras
De santas devoções.
A cruz ebúrnea, onde agoniza o Cristo,
É de um lavor subtil, que nos revela
Um génio magistral,
Obra de monge em merencória cela,
Piedoso artista há muito adormecido
Em velha catedral.
Tem séculos; talvez que nestas contas
Passásse outrora suas mãos esguias
A castelã senil,
Pensando triste nos ditosos dias
Em que a seus pés um menestrel vibrava
O mimoso arrabil.
Talvez que este rosário minorásse
As saudades da noiva lacrimante,
Que debalde esperou
Em cada nau, que vinha do Levante,
O seu donzel amado que partira
E nunca mais voltou.
Sobre a cota de um jovem cavaleiro,
Que o beijava por noites estreladas
Pensando em sua mãe,
Ele assistiu às guerras das cruzadas,
Atravessou talvez a Terra Santa
E viu Jerusalém.
Talvez alguma freira, em triste claustro,
De seus anos na doce primavera,
Só dele confiou
Seus loucos sonhos de falaz quimera,
E, apertando o rosário ao peito ansioso,
Consolada expirou.
Isto, o que leio no rosário antigo;
E, quando melancólico lhe beijo
As contas de marfim,
No ar escuto indefinido harpejo,
E então a crença, a mística toada,
Murmura dentro em mim.
(Gonçalves Crespo)
Para todos vós visitantes e amigos, os meus cumprimentos, com os desejos sinceros de que vivam o Domingo da Ressureição em Paz e Alegria. E que o vosso Ovo de Páscoa venha repleto de doçuras e surpresas boas.
Estas contas antigas, o rosário
Das minhas orações,
Vejo em minh'alma o poema legendário
Dos velhos tempos das lonjínquas eras
De santas devoções.
A cruz ebúrnea, onde agoniza o Cristo,
É de um lavor subtil, que nos revela
Um génio magistral,
Obra de monge em merencória cela,
Piedoso artista há muito adormecido
Em velha catedral.
Tem séculos; talvez que nestas contas
Passásse outrora suas mãos esguias
A castelã senil,
Pensando triste nos ditosos dias
Em que a seus pés um menestrel vibrava
O mimoso arrabil.
Talvez que este rosário minorásse
As saudades da noiva lacrimante,
Que debalde esperou
Em cada nau, que vinha do Levante,
O seu donzel amado que partira
E nunca mais voltou.
Sobre a cota de um jovem cavaleiro,
Que o beijava por noites estreladas
Pensando em sua mãe,
Ele assistiu às guerras das cruzadas,
Atravessou talvez a Terra Santa
E viu Jerusalém.
Talvez alguma freira, em triste claustro,
De seus anos na doce primavera,
Só dele confiou
Seus loucos sonhos de falaz quimera,
E, apertando o rosário ao peito ansioso,
Consolada expirou.
Isto, o que leio no rosário antigo;
E, quando melancólico lhe beijo
As contas de marfim,
No ar escuto indefinido harpejo,
E então a crença, a mística toada,
Murmura dentro em mim.
(Gonçalves Crespo)
Para todos vós visitantes e amigos, os meus cumprimentos, com os desejos sinceros de que vivam o Domingo da Ressureição em Paz e Alegria. E que o vosso Ovo de Páscoa venha repleto de doçuras e surpresas boas.
Feliz Páscoa, e um abraço.
Dilita.
Dilita.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
A minha ida à Bruxa em 1972
Hoje vou contar a história da minha ida à bruxa; - à bruxa, sim, não foi engano o que leram, foi isso exactamente. Desde muito novita que me interesso pelas ciências ocultas; mas elas de tão ocultas, nada se deixaram transparecer ainda. Recordo-me de em miúda ver na minha terra, quando acontecia a alguma pessoa desmaiar, na rua, logo aparecer "alguém entendido", e vai de falar ao espírito - eu muito curiosa logo me acercava, mas nada via ou ouvia que me parecesse extraordinário.
O tempo foi passando, e quando eu já era mãe de familia e a residir em Braga, ouvi a uma amiga minha, falar duma senhora, acerca dos seus atributos espíritas, pessoa formidável nessa arte. Pensei, pensei, sózinha, (pois estas coisas não se dizem) e decidi ir lá fazer uma consulta. Puz a ideia em prática, e lá fui para a paragem do autocarro, que me levaria do centro da cidade de Braga até ao sopé do Bom Jesus do Monte.
Lá chegada, tomei lugar no Funicular (elevador sobre carris) e aí vou eu monte acima. Devo dizer que apreciei imenso aquela pequena viagem; o elevador ia lotado, e subia lentamente entre arbustos verdejantes, e sensivelmente a meio cruzou com o "colega" que descia, pois funcionam em simultâneo, e a sua energia motora é a água: - quando parou, eu estava no alto, no Parque do Bom Jesus, um local lindíssimo já meu conhecido, mas não deixei de reparar uma vez mais naquela maravilha da Natureza, e que a mão do homem soube aproveitar e bem. As árvores frondosas, abrigavam do sol dezenas de passarinhos, que chilreavam sem parar, naquela tarde de verão; flores de várias côres sobressaíam da verdura dos canteiros, um socêgo enorme contrastava com o bulício da cidade cá em baixo, convidando até à meditação: atravessei o Parque e dirigi-me ao Bazar, propriedade da dita senhora. Tive de aguardar, pois dois táxis á porta, esperavam a saída de clientes, que tinham ido de Viseu a Braga, pois lá diz o ditado, que Santos de ao pé da porta, não fazem milagres... Finalmente saíram, e eu apressei-me a contactar a senhora: ela pareceu-me ter mêdo a principio, e até tentou escusar-se, mas depois lá acedeu e mandou-me entrar: foi a minha vez de ter mêdo - é que eu não receio os espíritos, mas tenho mêdo dos vivos, e na verdade eu estava ali sózinha; - mas desistir não era meu desejo, por isso fui em frente.
Depois de entrar e reparar na senhora mais de perto, e constatar que ali não estava mais ninguém, até me envergonhei por ter pensado mal. A casa era uma única sala grande, prolongamento da loja, e ela uma pessoa de estatura baixa, já decrépita, talvez à volta dos setenta anos, e a completar ainda tinha uma perna coberta por ligaduras, do pé até ao joelho, cuja causa seria uma entorse, ou pequena fractura. O aposento demasiado modesto estava em ordem e asseio, mas no ar pairava um forte odor a aguardente, e a dois passos de mim sobre um móvel, estava a respectiva garrafa;
- a pobre senhora de vez em quando regava as ligaduras com o bagaço, mas cedo constatei que ela não teria só regado as ligaduras, pois se encontrava um pouco embriagada. Contou-me a história da fractura várias vezes, mostrou-me as radiografias, disse-me os nomes dos médicos e enfermeiros que a trataram, enfim, um não mais acabar de pormenores repetidos vezes sem conta, característica típica do estado em que ela estava. Eu comecei a arrepender-me de ter ido ali...
Mas entretanto ela calou-se, e tratou então de invocar os espíritos, mas com aquele cheiro tão pronunciado a aguardente, não ouve espirito que se aventurásse...
Despedi-me, e retornei à cidade. Gostei do passeio. Quanto à minha curiosidade, também não foi desta que fiquei esclarecida.
O tempo foi passando, e quando eu já era mãe de familia e a residir em Braga, ouvi a uma amiga minha, falar duma senhora, acerca dos seus atributos espíritas, pessoa formidável nessa arte. Pensei, pensei, sózinha, (pois estas coisas não se dizem) e decidi ir lá fazer uma consulta. Puz a ideia em prática, e lá fui para a paragem do autocarro, que me levaria do centro da cidade de Braga até ao sopé do Bom Jesus do Monte.
Lá chegada, tomei lugar no Funicular (elevador sobre carris) e aí vou eu monte acima. Devo dizer que apreciei imenso aquela pequena viagem; o elevador ia lotado, e subia lentamente entre arbustos verdejantes, e sensivelmente a meio cruzou com o "colega" que descia, pois funcionam em simultâneo, e a sua energia motora é a água: - quando parou, eu estava no alto, no Parque do Bom Jesus, um local lindíssimo já meu conhecido, mas não deixei de reparar uma vez mais naquela maravilha da Natureza, e que a mão do homem soube aproveitar e bem. As árvores frondosas, abrigavam do sol dezenas de passarinhos, que chilreavam sem parar, naquela tarde de verão; flores de várias côres sobressaíam da verdura dos canteiros, um socêgo enorme contrastava com o bulício da cidade cá em baixo, convidando até à meditação: atravessei o Parque e dirigi-me ao Bazar, propriedade da dita senhora. Tive de aguardar, pois dois táxis á porta, esperavam a saída de clientes, que tinham ido de Viseu a Braga, pois lá diz o ditado, que Santos de ao pé da porta, não fazem milagres... Finalmente saíram, e eu apressei-me a contactar a senhora: ela pareceu-me ter mêdo a principio, e até tentou escusar-se, mas depois lá acedeu e mandou-me entrar: foi a minha vez de ter mêdo - é que eu não receio os espíritos, mas tenho mêdo dos vivos, e na verdade eu estava ali sózinha; - mas desistir não era meu desejo, por isso fui em frente.
Depois de entrar e reparar na senhora mais de perto, e constatar que ali não estava mais ninguém, até me envergonhei por ter pensado mal. A casa era uma única sala grande, prolongamento da loja, e ela uma pessoa de estatura baixa, já decrépita, talvez à volta dos setenta anos, e a completar ainda tinha uma perna coberta por ligaduras, do pé até ao joelho, cuja causa seria uma entorse, ou pequena fractura. O aposento demasiado modesto estava em ordem e asseio, mas no ar pairava um forte odor a aguardente, e a dois passos de mim sobre um móvel, estava a respectiva garrafa;
- a pobre senhora de vez em quando regava as ligaduras com o bagaço, mas cedo constatei que ela não teria só regado as ligaduras, pois se encontrava um pouco embriagada. Contou-me a história da fractura várias vezes, mostrou-me as radiografias, disse-me os nomes dos médicos e enfermeiros que a trataram, enfim, um não mais acabar de pormenores repetidos vezes sem conta, característica típica do estado em que ela estava. Eu comecei a arrepender-me de ter ido ali...
Mas entretanto ela calou-se, e tratou então de invocar os espíritos, mas com aquele cheiro tão pronunciado a aguardente, não ouve espirito que se aventurásse...
Despedi-me, e retornei à cidade. Gostei do passeio. Quanto à minha curiosidade, também não foi desta que fiquei esclarecida.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
A Resposta...
A GARRAFEIRA DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES
"Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual Governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento.
Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?
É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal".
António Lobo Antunes
Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?
É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal".
António Lobo Antunes
domingo, 6 de abril de 2014
Gato por lebre...
Ainda não me esqueci devidamente da hora de inverno. E como o tempo tem continuado chuvoso, nunca acordo a horas certas. Hoje foi igual, estava escuro, e eu sem vontade nenhuma de sair da cama. Fez-se tarde, de modo que adiámos a saída prevista, que além de se desejar agradável, seria útil, porque iriamos passar numa feira para comprar uns artigos,que ali são mais baratos. Mas é bem verdade que a perguicite não dá resultados práticos; - não fui passear, não fiz as compras ( e terei de as fazer), o dia esteve bonito cheio de sol, e eu em casa. Em casa e a fazer o almôço. Aqui está no que dá ser mandriôna...
Bem, mas como nada disto me aborrece, tudo bem.
Quando estou na cozinha ligo o rádio, sou fã da antena 1. Assim fiz hoje; eu gosto de ouvir falar. Então ouvi, e ouvi com muita atenção, direi mesmo que ouvi e até respondi para mim própria, porque já me estava a assaltar uma certa indignação.
O tema era sobre o 25 de Abril que vai festejar 40 anos. Eu não consegui guardar os nomes dos entrevistados, mas o que garanto é que eram pessoas de categoria, e a exercerem trabalho no actual momento. O entrevistador pediu a comparação entre o antes do 25 de Abril e o agora... se o País e os Portugueses estão melhor?
O entrevistado principal foi pródigo em apontar só maravilhas. Quem tal ouvisse e não soubesse a verdade,desejaria ser português e aqui residente... Na afirmação dele, dantes é que não havia nada, e pormenorisou; que as mães não tinham água potável para ferver os biberons, e as crianças morriam. Também os nascimentos eram em casa e sem higiene. E que não havia hospitais... Não se vacinavam as crianças contra o tétano e a varíola... Eu páro por aqui, mas o rol de afirmações entre o mal antigo e o belo actual, não acabava mais. Valeu a aproximação do sinal horário...
Todos nós sabemos que o 25 de Abril era esperado, e em boa hora aconteceu. Bastava que com esta revolução só se tivesse conseguido acabar com a Guerra Colonial, essa triste desgraça de tantos anos, e também acabar com a Policia Hedionda que se chama Pide, para todos nós aplaudirmos a Revolta dos Cravos.
Agora não me venham com lérias, porque o bom é inimigo do ótimo... Nem dantes era tudo mau, nem agora é tudo bom.
Em 1967, eu fui pelo meu pé para a Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, e ali nasceu a minha primeira filha. Não paguei nem um tostão. Antes já tinha sido acompanhada (eu e mais grávidas) pela médica “da caixa” era assim que lhe chamavam, e sem pagar nada. Depois tive prémio de nascimento, também comparticipação na alimentação da bébé até aos 8 meses, e abono de familia. Era pouco? Era, mas nunca foi suspenso.
Agora quanto ás vacinas; pois se até eu fui vacinada contra a varíola quando tinha um ano, e depois fui vacinada na escola.Eu e todas as crianças. Ia lá o Sr.Dr.António Afonso delegado de saúde em Montemor-o-Velho, médico pago pela Câmara, chamado o médico dos pobres porque não cobrava nada pelas consultas. Ia com um enfermeiro e vacinava as crianças uma a uma. E dava a ordem para irem na data marcada, ao hospital da Vila para as vacinas injetáveis (estavamos no ano de 1946) nestas estava incluida a do tétano. Lembro-me muito bem porque eram muito dolorosas.
Eu acho que sim, em relação aos quarenta anos passados, havia mais que razão para termos melhor sistema de saúde, e mais melhorias em muita coisa. Mas não temos. O que temos, é lérias.... enquanto os doentes aguardam durante dias em macas, nos corredores de alguns hospitais. E outros morrem à espera duma ambulância. E as grávidas dão à luz na ambulância porque as maternidades próximas da sua residência foram anuladas. E aqui estão as melhorías tão propaladas que eu hoje ouvi.
Bem, mas como nada disto me aborrece, tudo bem.
Quando estou na cozinha ligo o rádio, sou fã da antena 1. Assim fiz hoje; eu gosto de ouvir falar. Então ouvi, e ouvi com muita atenção, direi mesmo que ouvi e até respondi para mim própria, porque já me estava a assaltar uma certa indignação.
O tema era sobre o 25 de Abril que vai festejar 40 anos. Eu não consegui guardar os nomes dos entrevistados, mas o que garanto é que eram pessoas de categoria, e a exercerem trabalho no actual momento. O entrevistador pediu a comparação entre o antes do 25 de Abril e o agora... se o País e os Portugueses estão melhor?
O entrevistado principal foi pródigo em apontar só maravilhas. Quem tal ouvisse e não soubesse a verdade,desejaria ser português e aqui residente... Na afirmação dele, dantes é que não havia nada, e pormenorisou; que as mães não tinham água potável para ferver os biberons, e as crianças morriam. Também os nascimentos eram em casa e sem higiene. E que não havia hospitais... Não se vacinavam as crianças contra o tétano e a varíola... Eu páro por aqui, mas o rol de afirmações entre o mal antigo e o belo actual, não acabava mais. Valeu a aproximação do sinal horário...
Todos nós sabemos que o 25 de Abril era esperado, e em boa hora aconteceu. Bastava que com esta revolução só se tivesse conseguido acabar com a Guerra Colonial, essa triste desgraça de tantos anos, e também acabar com a Policia Hedionda que se chama Pide, para todos nós aplaudirmos a Revolta dos Cravos.
Agora não me venham com lérias, porque o bom é inimigo do ótimo... Nem dantes era tudo mau, nem agora é tudo bom.
Em 1967, eu fui pelo meu pé para a Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, e ali nasceu a minha primeira filha. Não paguei nem um tostão. Antes já tinha sido acompanhada (eu e mais grávidas) pela médica “da caixa” era assim que lhe chamavam, e sem pagar nada. Depois tive prémio de nascimento, também comparticipação na alimentação da bébé até aos 8 meses, e abono de familia. Era pouco? Era, mas nunca foi suspenso.
Agora quanto ás vacinas; pois se até eu fui vacinada contra a varíola quando tinha um ano, e depois fui vacinada na escola.Eu e todas as crianças. Ia lá o Sr.Dr.António Afonso delegado de saúde em Montemor-o-Velho, médico pago pela Câmara, chamado o médico dos pobres porque não cobrava nada pelas consultas. Ia com um enfermeiro e vacinava as crianças uma a uma. E dava a ordem para irem na data marcada, ao hospital da Vila para as vacinas injetáveis (estavamos no ano de 1946) nestas estava incluida a do tétano. Lembro-me muito bem porque eram muito dolorosas.
Eu acho que sim, em relação aos quarenta anos passados, havia mais que razão para termos melhor sistema de saúde, e mais melhorias em muita coisa. Mas não temos. O que temos, é lérias.... enquanto os doentes aguardam durante dias em macas, nos corredores de alguns hospitais. E outros morrem à espera duma ambulância. E as grávidas dão à luz na ambulância porque as maternidades próximas da sua residência foram anuladas. E aqui estão as melhorías tão propaladas que eu hoje ouvi.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
O lindo azul do céu
O céu da minha rua ontem perto das vinte horas. Foi um dia de várias côres; muito frio, chuvoso, depois com intermitências apareceu o sol, e ficou menos frio, e a esta hora quase a promessa da chegada de tempo sêco. Puro engano, daí a algumas horas a chuva era intensa.
A foto não está famosa, está torta, a pressa traiu-me... Mas o azul conquistou-me o suficiente para a colocar aqui.
A foto não está famosa, está torta, a pressa traiu-me... Mas o azul conquistou-me o suficiente para a colocar aqui.
quarta-feira, 2 de abril de 2014
A Poesia
Poesia brota do nada e traz tudo
Não se constrói, nem se arquitecta.
Para a criar, não é preciso ter“canudo”
É do sentir de cada um, não se projecta.
É como semente que se torna raiz,
Tronco ou folhagem.
O fruto é cada verso, com ou sem rima.
É o sentir que a palavra tem e o que nos diz.
É a teia que o poeta tece e que assina.
Uns poemas trazem mensagem, outros não.
Outros falam de lutas, vidas e amor.
Outros, ainda, de mitos, dor ou ilusão,
De sonhos, liberdade, campos em flor.
Dos cravos, das rosas, das papoilas
De tanta coisa falam, mas também
Das formas belas e suaves das moçoilas
Que nos “levam” nos sonhos para o além.
Ainda que alguns, sejam plenos de fantasias,
Trazem-nos a esperança nas palavras
E luz que ilumina os nossos dias.
ARFER
É de bom tom depois de se ter pedido permissão, dizer que o texto que aparece, foi cedido pelo autor do mesmo. Porém, eu não posso seguir esse bom costume, porque simplesmente apropriei-me sem mais nem menos. Gostei tanto desta poesia, que não resisti, e trouxe-a. Pertence ao blog ARFERLANDIA, e o seu autor assina ARFER. Quero no entanto afirmar que apagarei de imediato, caso o Sr. Arfer assim o entenda.
Mas entretanto caros visitantes, párem para apreciar esta Poesia, e estou certa que não me vão condenar por a ter "roubado."
Não se constrói, nem se arquitecta.
Para a criar, não é preciso ter“canudo”
É do sentir de cada um, não se projecta.
É como semente que se torna raiz,
Tronco ou folhagem.
O fruto é cada verso, com ou sem rima.
É o sentir que a palavra tem e o que nos diz.
É a teia que o poeta tece e que assina.
Uns poemas trazem mensagem, outros não.
Outros falam de lutas, vidas e amor.
Outros, ainda, de mitos, dor ou ilusão,
De sonhos, liberdade, campos em flor.
Dos cravos, das rosas, das papoilas
De tanta coisa falam, mas também
Das formas belas e suaves das moçoilas
Que nos “levam” nos sonhos para o além.
Ainda que alguns, sejam plenos de fantasias,
Trazem-nos a esperança nas palavras
E luz que ilumina os nossos dias.
ARFER
É de bom tom depois de se ter pedido permissão, dizer que o texto que aparece, foi cedido pelo autor do mesmo. Porém, eu não posso seguir esse bom costume, porque simplesmente apropriei-me sem mais nem menos. Gostei tanto desta poesia, que não resisti, e trouxe-a. Pertence ao blog ARFERLANDIA, e o seu autor assina ARFER. Quero no entanto afirmar que apagarei de imediato, caso o Sr. Arfer assim o entenda.
Mas entretanto caros visitantes, párem para apreciar esta Poesia, e estou certa que não me vão condenar por a ter "roubado."
terça-feira, 1 de abril de 2014
A almofada bordada
Quem diria que esta almofada tem mais de sessenta anos... Mas é verdade, eu era práticamente uma criança quando fui aprender a bordar à máquina, e queria fazer tudo. Assim, vi este desenho numa revista de modas e bordados que se publicava na época, e logo me entusiasmei. A professora de bordados acarinhou a minha pretensão, indicou as côres das linhas a utilizar, assim como a côr do cetim, e acompanhou o trabalho com os seus ensinamentos. A maior parte do bordado é o chamado granité; as bolinhas e flores do xaile são a matiz, assim como o cabelo. É um motivo alusivo às festas de S.João em Lisboa, e a figura, uma varina com o lenço descaído, e o tradicional mangerico na mão...
Foram muitos dias a pedalar à máquina, e algum mêdo de não conseguir fazer bem feito. Mas consegui, e ainda me recordo quando concluí o trabalho, as meninas mais velhas a abraçarem-me, e eu toda contente por receber aqueles carinhos; eu só tinha treze anos. Estas "coisas" deixam marcas, marcas boas. O tempo já tirou algum brilho ao cetim, mas é natural, isto já é uma velharia, e eu também não a fechei numa mala...
Hoje olhei para a almofada e pensei, merece ser fotografada... e aqui está.
Foram muitos dias a pedalar à máquina, e algum mêdo de não conseguir fazer bem feito. Mas consegui, e ainda me recordo quando concluí o trabalho, as meninas mais velhas a abraçarem-me, e eu toda contente por receber aqueles carinhos; eu só tinha treze anos. Estas "coisas" deixam marcas, marcas boas. O tempo já tirou algum brilho ao cetim, mas é natural, isto já é uma velharia, e eu também não a fechei numa mala...
Hoje olhei para a almofada e pensei, merece ser fotografada... e aqui está.
sábado, 22 de março de 2014
O almoço de sábado
Parece madeira mas são bocados de abóbora menina para ser cozinhada.
Aqui já descascada, lavada e cortada em bocadinhos, pronta a ser cozida. Um pouquinho de água no fundo da vasilha, sal, e colocar ao lume.
Já cozida à espera de arrefecer um pouco para levar umas colheres de farinha, canela em pó e uma colher de azeite. A varinha mágica faz o resto. Depois novamente ao lume para uns minutos de fervura lenta, e mexida com colher de pau. Finalmente colocar em pratos individuais, para que cada apreciador utilize a quantidade de açucar que desejar.
São as papas de abóbora, um prato usado antigamente em especial nas casas dos lavradores, era considerado um mimo.
Mas duma maneira geral, toda a gente uma vez por outra fazia umas papinhas. Eu sempre gostei muito, e gosto, ao ponto de me servirem de refeição.
No entanto penso que poucas pessoas actualmente apreciem papas... perdeu de moda. Ou então estou a percipitar-me na afirmação.
Atrevo-me a dizer que experimentem, porque para além de tudo é uma comida saudável.
Aqui já descascada, lavada e cortada em bocadinhos, pronta a ser cozida. Um pouquinho de água no fundo da vasilha, sal, e colocar ao lume.
Já cozida à espera de arrefecer um pouco para levar umas colheres de farinha, canela em pó e uma colher de azeite. A varinha mágica faz o resto. Depois novamente ao lume para uns minutos de fervura lenta, e mexida com colher de pau. Finalmente colocar em pratos individuais, para que cada apreciador utilize a quantidade de açucar que desejar.
São as papas de abóbora, um prato usado antigamente em especial nas casas dos lavradores, era considerado um mimo.
Mas duma maneira geral, toda a gente uma vez por outra fazia umas papinhas. Eu sempre gostei muito, e gosto, ao ponto de me servirem de refeição.
No entanto penso que poucas pessoas actualmente apreciem papas... perdeu de moda. Ou então estou a percipitar-me na afirmação.
Atrevo-me a dizer que experimentem, porque para além de tudo é uma comida saudável.
O cão mais maroto que já vi!
As minhas filhas gostam muito de cães e a mais velha anda sempre a enviar-me videos engraçados com eles! Este mostra o que o cão faz quando a dona sai. Ele não devia ir para cima da cama, mas...vejam o que sucede!
Eu também gosto deles, neste caso dos cães, de os ver satisfeitos,
bonitos, bem tratados, acarinhados e sobretudo com donos responsáveis; mas que não seja eu. Não tenho atração para ter estes bichinhos em casa. Dou-lhes o valor que merecem, e fico incomodada quando surgem noticias sobre o mal que lhes fazem algumas pessoas, a quem nem deviamos chamar pessoas.
Tive em casa durante muitos anos passarinhos, periquitos, lindos, de várias cores. Cá nasciam cá viviam, e viveram até se extinguirem com a muita idade.
Voltando ao cão, este do video é engraçado, e procede sem cerimónia, mas lá está, na minha cama ou sofá, " isso não, Julião..."
E depois mais este...
domingo, 16 de março de 2014
Arroz doce
Pois ontem eu lembrei-me de fazer arroz doce. Era para fazer no dia do pai, mas pensei para quê esperar? Caladinha iniciei o cosinhado e disse para mim, amanhã até é Domingo calha bem ter um docinho, o nosso tão conhecido arroz doce. É bom e dá fartura, um pormenor que igualmente me agrada. Quando já estava pronto aparece a minha filha que foi "avisada" pelo cheirinho, vinha para rapar o tacho como também é hábito. Eu estava a dividi-lo: uma travessa para a filha casada, um pratinho para cada um de nós para o jantar, e uma travessa para o almoço e jantar de Domingo. Só que ainda deu para outro prato, e ela desta vez ficou prejudicada porque no tacho não ficou que rapar... Colocou a canela, e de seguida disse, vou fotografar. Confesso que nem reparei, eu já estava ocupada com o jantar. Só há noite antes de dormir, vim como sempre faço até ao computador e dei com a fotografia do arroz doce. Achei graça à surpresa, mas podia ter criado outro ambiente à volta do produto. Como a mesa da cosinha é de vidro, coloquei uns resguardos de cortiça por baixo das travessas que se vêem perfeitamente, e a toalha também não ajuda. Bem, eu já contei aqui que "infelismente para quem me atura eu sou perfecionista..." Está tudo dito.
Quero recordar aqui um facto veridico .
Na minha terra era hábito as noivas e os noivos oferecerem uma travessa ou um prato de arroz doce ás pessoas amigas, por ocasião do casamento. E havia umas Sras. que eram chamadas para o fazer, e faziam bem feito. Porém, uma delas usando os mesmos ingredientes (e falo deste modo porque ela também foi a minha casa fazer o meu arroz) fazia um produto altamente melhorado. Inconfundível. Ao ponto de ao começar a comer, qualquer pessoa aperceber -se logo, e de imediato dizer; - este arroz não foi feito pela Augusta... Está bom, mas não é da Augusta.
Sempre que se comenta (aqui em casa) esta realidade eu lembro- me dum livro que li quando era
jovem, parece-me que se chamava O Prato de Arroz Doce, da autoria de Teixeira de Vasconcelos.
Isto se não estou a fazer confusão, mas o curioso é que tinha uma personagem como a minha amiga Augusta, também o seu arroz doce era único.
Apenas uma diferença, no livro é ficção, na vida real que recordo foi facto veridico.
Gostei de falar na Augusta. Os amigos não morrem, apenas se antecipam a nós na partida.
Quero recordar aqui um facto veridico .
Na minha terra era hábito as noivas e os noivos oferecerem uma travessa ou um prato de arroz doce ás pessoas amigas, por ocasião do casamento. E havia umas Sras. que eram chamadas para o fazer, e faziam bem feito. Porém, uma delas usando os mesmos ingredientes (e falo deste modo porque ela também foi a minha casa fazer o meu arroz) fazia um produto altamente melhorado. Inconfundível. Ao ponto de ao começar a comer, qualquer pessoa aperceber -se logo, e de imediato dizer; - este arroz não foi feito pela Augusta... Está bom, mas não é da Augusta.
Sempre que se comenta (aqui em casa) esta realidade eu lembro- me dum livro que li quando era
jovem, parece-me que se chamava O Prato de Arroz Doce, da autoria de Teixeira de Vasconcelos.
Isto se não estou a fazer confusão, mas o curioso é que tinha uma personagem como a minha amiga Augusta, também o seu arroz doce era único.
Apenas uma diferença, no livro é ficção, na vida real que recordo foi facto veridico.
Gostei de falar na Augusta. Os amigos não morrem, apenas se antecipam a nós na partida.
sábado, 15 de março de 2014
quinta-feira, 13 de março de 2014
"Venha o café..."
Há muitos anos que não via estes doces perto de mim. No passado Domingo o meu marido foi a Lisboa ver o Benfica, e para me animar da ausência, trouxe uns pacotes deles. Claro que gostei.
São especialidade muito antiga duma cidade que até é rainha... E o nome deles nada tem a ver com o formato. Nesta ultima foto coloquei uma já cortada, prontinha a dar uma trincada...
Conhecem, não é verdade?
sábado, 8 de março de 2014
Eu, hoje
Pois é. Esta sou eu no dia de hoje. Velhota assumida pois claro, porque ser velha é um privilégio. E se a beleza fugiu, que me importa?! Existiu, fugiu, e entretanto eu ainda aqui estou, e com muitas coisas boas vividas, e outras nem tanto, mas o desagradável a gente deita ao vento e só recorda o melhor, é mais saudável.
Bem, queridas e queridos visitantes que por aqui passam, como sabem estão na moda os telemóveis que permitem os utilizadores fotografarem-se a si próprios. Na última cerimónia dos Óscares isso foi bem visível, a auto-foto com telemóvel correu mundo. Eu não tenho um objecto desses, para quê? Tenho um dos mais simples que me permite o que eu desejo, falar e ouvir, escrever mensagens e mais umas funções que eu nem utilizo. Mas eu não quero ser retrógrada e dizer mal do progresso! E também quis fotografar-me a mim própria. E fotografei, mas com a minha máquina fotográfica. No fim gostei da obra, e só lamentei não ter dado um toque de maquilhagem antes, mas nem me lembrei, porque estava com pressa para terminar a sessão, antes que o meu marido e a nossa filha chegassem a casa...
E assim aconteceu, só agora ficaram a saber. Estes são os tais pequenos nadas que nos fazem distrair, e também sorrir.
segunda-feira, 3 de março de 2014
Enfarinhavam o Cabelo ás Raparigas
De vez em quando eu abro a arca das recordações. Vejo e revejo na memória, qual filme a ser projetado muito ao longe mas que mesmo assim consigo ver com clareza. Por vezes sorrio, noutras invade-me a melancolia, mas não entro em desânimo, afinal só não tem pena da infância e juventude que viveu, aquele ou aquela que nessa altura não foi feliz.
Então recordei-me do Carnaval desses tempos (anos cinquenta) em Montemor -o- Velho. Foi sempre uma festa com alguns divertimentos patéticos, sem graça, mas habituais, eram digamos um exclusivo do Carnaval. Uma dessas práticas mais usadas pelos rapazes, consistia em empoar as raparigas; colocar uma boa quantidade de farinha fina na cabeça, e impregná-la bem por todo o cabelo. A farinha também caía para as roupas, ficavam mais enfarinhadas do que se fossem moleiras.Elas fechavam-se em casa, mas eles entravam se a porta desse para abrir, ou alguma janela o permitisse. E se tinham de vir à rua fazer qualquer compra, já sabiam que havia sempre um rapaz à espera, com uma saqueta de farinha na mão. Elas ralhavam, faziam barulho, mas não havia escusa, eram empoadas; ficavam más e eles contentes, sentindo-se vitoriosos. Aquilo era desagradável, até porque lavar uma cabeça empoada era moroso, a farinha empapava com a água no couro cabeludo, as cabeleiras eram longas de cabelos apanhados em tótó, ou em tranças, e ainda o facto da maioria das casas não ter chuveiro, havia razão de sobra para fugir daquela tradição. Também eu fui empoada, uma vez apenas; mais sortuda porque tinha cabelo curto.
Eu era muito nova, sei lá talvez tivesse uns catorze anos, mas já ia ao baile acompanhada pela minha mãe, já usava sapatos de salto não muito alto, e já dançava. Havia um rapaz lá da terra que dançou algumas vezes comigo, durante as festas da Feira Anual em Setembro. Até me ofereceu uma imagem pequenina de Sto. António, em gêsso branco. Guardei-a com estima, é muito perfeitinha, e o curioso é que ainda hoje a conservo.
Quando meses depois chegou o Domingo Gordo, fui ao baile, fantasiada de dama antiga, e lá foi o moço dançar comigo. A seguir, na terça feira, Dia de Entrudo, saí de casa de manhã para ir comprar lã para uma camisola. Nunca pensei que iria ser empoada, pelo facto de ser ainda muito nova, e muito menos ainda, sê-lo pelo rapaz que dançava comigo. Mas, puro engano, quando já estava perto da loja vejo-o aproximar-se a toda a pressa e tratou de me empoar. Ainda lhe dei uns socos no braço, e numa fúria eu sei lá o que lhe disse... já não entrei na loja, voltei para trás e fui á pressa contar ao meu pai e pedir-lhe que o castigásse. Em vêz disso, o meu pai até achou graça, ele também nos seus tempos brincou a valer no Carnaval, e não viu neste caso, nada digno de reprovação. Eu argumentava indignada, e até já chorava... e ele secalhar já sem paciência, disse para mim ; - óh mulher, válha-te Deus, isso até é uma honra, e estás a chorar? - Mas o que é que tu queres afinal ? - Queres que eu chame a Guarda Républicana para agarrar o rapaz, e levá-lo para a cadeia?! E continuava a rir-se. Talvez para pôr fim aquela lamúria, acrescentou; - vai mas é tomar banho e lavar o cabelo, e olha, ainda um dia hás-de ter saudades disto...
Não acreditei que um dia teria saudades... continuei zangada, e fui ao baile à noite acalentando o propósito de vingança. Quando o baile começou, o mesmo rapaz agora todo sorridente, parou na minha frente e convidou-me para dançar. Eu olhei para ele e nada disse. Fiz de conta que não estava ali ninguém, continuei sentada e calada, e ele ali parado a olhar pra mim à espera... de nada. Quando percebeu, saiu da minha frente, e afastou-se. Passaram os anos, mas nunca mais nos falámos, nem uma só palavra.
Nunca me arrependi, mas isto só prova que as crianças são ás vezes muito cruéis. E nós, eu principalmente, embora crescidita, era mesmo uma criança ainda, mas uma criança má.
Então recordei-me do Carnaval desses tempos (anos cinquenta) em Montemor -o- Velho. Foi sempre uma festa com alguns divertimentos patéticos, sem graça, mas habituais, eram digamos um exclusivo do Carnaval. Uma dessas práticas mais usadas pelos rapazes, consistia em empoar as raparigas; colocar uma boa quantidade de farinha fina na cabeça, e impregná-la bem por todo o cabelo. A farinha também caía para as roupas, ficavam mais enfarinhadas do que se fossem moleiras.Elas fechavam-se em casa, mas eles entravam se a porta desse para abrir, ou alguma janela o permitisse. E se tinham de vir à rua fazer qualquer compra, já sabiam que havia sempre um rapaz à espera, com uma saqueta de farinha na mão. Elas ralhavam, faziam barulho, mas não havia escusa, eram empoadas; ficavam más e eles contentes, sentindo-se vitoriosos. Aquilo era desagradável, até porque lavar uma cabeça empoada era moroso, a farinha empapava com a água no couro cabeludo, as cabeleiras eram longas de cabelos apanhados em tótó, ou em tranças, e ainda o facto da maioria das casas não ter chuveiro, havia razão de sobra para fugir daquela tradição. Também eu fui empoada, uma vez apenas; mais sortuda porque tinha cabelo curto.
Eu era muito nova, sei lá talvez tivesse uns catorze anos, mas já ia ao baile acompanhada pela minha mãe, já usava sapatos de salto não muito alto, e já dançava. Havia um rapaz lá da terra que dançou algumas vezes comigo, durante as festas da Feira Anual em Setembro. Até me ofereceu uma imagem pequenina de Sto. António, em gêsso branco. Guardei-a com estima, é muito perfeitinha, e o curioso é que ainda hoje a conservo.
Quando meses depois chegou o Domingo Gordo, fui ao baile, fantasiada de dama antiga, e lá foi o moço dançar comigo. A seguir, na terça feira, Dia de Entrudo, saí de casa de manhã para ir comprar lã para uma camisola. Nunca pensei que iria ser empoada, pelo facto de ser ainda muito nova, e muito menos ainda, sê-lo pelo rapaz que dançava comigo. Mas, puro engano, quando já estava perto da loja vejo-o aproximar-se a toda a pressa e tratou de me empoar. Ainda lhe dei uns socos no braço, e numa fúria eu sei lá o que lhe disse... já não entrei na loja, voltei para trás e fui á pressa contar ao meu pai e pedir-lhe que o castigásse. Em vêz disso, o meu pai até achou graça, ele também nos seus tempos brincou a valer no Carnaval, e não viu neste caso, nada digno de reprovação. Eu argumentava indignada, e até já chorava... e ele secalhar já sem paciência, disse para mim ; - óh mulher, válha-te Deus, isso até é uma honra, e estás a chorar? - Mas o que é que tu queres afinal ? - Queres que eu chame a Guarda Républicana para agarrar o rapaz, e levá-lo para a cadeia?! E continuava a rir-se. Talvez para pôr fim aquela lamúria, acrescentou; - vai mas é tomar banho e lavar o cabelo, e olha, ainda um dia hás-de ter saudades disto...
Não acreditei que um dia teria saudades... continuei zangada, e fui ao baile à noite acalentando o propósito de vingança. Quando o baile começou, o mesmo rapaz agora todo sorridente, parou na minha frente e convidou-me para dançar. Eu olhei para ele e nada disse. Fiz de conta que não estava ali ninguém, continuei sentada e calada, e ele ali parado a olhar pra mim à espera... de nada. Quando percebeu, saiu da minha frente, e afastou-se. Passaram os anos, mas nunca mais nos falámos, nem uma só palavra.
Nunca me arrependi, mas isto só prova que as crianças são ás vezes muito cruéis. E nós, eu principalmente, embora crescidita, era mesmo uma criança ainda, mas uma criança má.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Perdoada, ou nem por isso?
Com a regularidade que me é possível eu visito os blogs dos quais sou seguidora. Nem sempre comento, mas gosto de ler o que escrevem, e até leio os comentários ( será coscuvilhice ? ) Se é, desde já mea culpa por tais maldades...
Acontece que passei num dos blogs do Sr. António Querido (Caminhada do Oeste) e senti-me na pele daquele frade que tudo quanto via, tudo cobiçava... e pior ainda do que ele, cobicei e trouxe. É o texto que coloquei antes deste, cujo título é, Quero Ver a Cor de uma Nova Liberdade; da autoria de Júlio Isidro
Ao Senhor António Querido apresento desculpas pela ousadia de não ter pedido primeiro permissão, fiz ao contrário, e fiquei na espectativa de ser perdoada. Serei ? Se não for, prometo já, que de imediato apagarei o referido texto, e renovarei as necessárias desculpas.
Cumprimentos.
Quero Ver a Cor de uma Nova Liberdade
| Um texto da autoria de Júlio Isidro. "NÃO, NÃO ESTOU VELHO!!!!!! NÃO SOU É SUFICIENTEMENTE NOVO PARA JÁ SABER TUDO! Passaram 40 anos de um sonho chamado Abril. E lembro-me do texto de Jorge de Sena…. Não quero morrer sem ver a cor da liberdade. Passaram quatro décadas e de súbito os portugueses ficam a saber, em espanto, que são responsáveis de uma crise e que a têm que pagar…. civilizadamente, ordenadamente, no respeito das regras da democracia, com manifestações próprias das democracias e greves a que têm direito, mas demonstrando sempre o seu elevado espírito cívico, no sofrer e ….calar. Sou dos que acreditam na invenção desta crise. Um “directório” algures decidiu que as classes médias estavam a viver acima da média. E de repente verificou-se que todos os países estão a dever dinheiro uns aos outros…. a dívida soberana entrou no nosso vocabulário e invadiu o dia a dia. Serviu para despedir, cortar salários, regalias/direitos do chamado Estado Social e o valor do trabalho foi diminuído, embora um nosso ministro tenha dito decerto por lapso, que “o trabalho liberta”, frase escrita no portão de entrada de Auschwitz. Parece que alguém anda à procura de uma solução que se espera não seja final. Os homens nascem com direito à felicidade e não apenas à estrita e restrita sobrevivência. Foi perante o espanto dos portugueses que os velhos ficaram com muito menos do seu contrato com o Estado que se comprometia devolver o investimento de uma vida de trabalho.Mas, daqui a 20 anos isto resolve-se. Agora, os velhos atónitos, repartem o dinheiro entre os medicamentos e a comida. E ainda tem que dar para ajudar os filhos e netos num exercício de gestão impossível. A Igreja e tantas instituições de solidariedade fazem diariamente o miagre da multiplicação dos pães. Morrem mais velhos em solidão, dão por eles pelo cheiro, os passes sociais impedem-nos de sair de casa, suicidam-se mais pessoas, mata-se mais dentro de casa, maridos, mulheres e filhos mancham-se de sangue , 5% dos sem abrigo têm cursos superiores, consta que há cursos superiores de geração espontânea, mas 81.000 licenciados estão desempregados. Milhares de alunos saem das universidades porque não têm como pagar as propinas, enquanto que muitos desistem de estudar para procurar trabalho. Há 200.000 novos emigrantes, e o filme “Gaiola Dourada” faz um milhão de espectadores. Há terras do interior, sem centro de saúde, sem correios e sem finanças, e os festivais de verão estão cheios com bilhetes de centenas de euros. Há carros topo de gama para sortear e auto-estradas desertas. Na televisão a gente vê gente a fazer sexo explícito e explicitamente a revelar histórias de vida que exaltam a boçalidade. Há 50.000 trabalhadores rurais que abandonaram os campos, mas há as grandes vitórias da venda de dívida pública a taxas muito mais altas do que outros países intervencionados. Há romances de ajustes de contas entre políticos e ex-políticos, mas tudo vai acabar em bem...estar para ambas as partes. Aumentam as mortes por problemas respiratórios consequência de carências alimentares e higiénicas, há enfermeiros a partir entre lágrimas para Inglaterra e Alemanha para ganharem muito mais do que 3 euros à hora, há o romance do senhor Hollande e o enredo do senhor Obama que tudo tem feito para que o SNS americano seja mesmo para todos os americanos. Também ele tem um sonho… Há a privatização de empresas portuguesas altamente lucrativas e outras que virão a ser lucrativas. Se são e podem vir a ser, porque é que se vendem? E há a saída à irlandesa quando eu preferia uma…à francesa. Há muita gente a opinar, alguns escondidos com o rabo de fora. E aprendemos neologismos como “inconseguimento” e “irrevogável” que quer dizer exactamente o contrário do que está escrito no dicionário. Mas há os penalties escalpelizados na TV em câmara lenta, muito lenta e muito discutidos, e muita conversa, muita conversa e nós, distraídos. E agora, já quase todos sabemos que existiu um pintor chamado Miró, nem que seja por via bancária. Surrealista… Mas há os meninos que têm que ir à escola nas férias para ter pequeno- almoço e almoço. E as mães que vão ao banco…. alimentar contra a fome , envergonhadamente , matar a fome dos seus meninos. É por estes meninos com a esperança de dias melhores prometidos para daqui a 20 anos, pelos velhos sem mais 20 anos de esperança de vida e pelos quarentões com a desconfiança de que não mudarão de vida, que eu não quero morrer sem ver a cor de uma nova liberdade." Júlio Isidro |
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Ainda a dita cuja...
Ai minhas amigas, eu sei que não vos convenço, porque estas imagens nada têm de belo, muito, muito mesmo, pelo contrário. No entanto, modéstia à parte porque fui eu a cozinheira, tenho de confessar que estava uma delícia...para quem gosta. Como diriam as nossas queridas amigas brasileiras, meu marido adorou... Eu ganhei em duplicado porque além do prazer da refeição, ainda recebi elogios. " A vida faz-se destes pequenos nadas..."
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Lampreias no tempêro
Olá amigas!
Muito obrigada pelos vossos comentários acerca do peixe.
Achei imensa graça, fizeram-me sorrir, gostei muito.
Pois de facto trata-se de lampreias. São vertebrados aquáticos ciclóstomos, de forma cilindrica e alongada, identica à enguia. Vivem durante anos no mar, e posteriormente dirigem-se a alguns rios, com a finalidade de desovar, e morrer depois, se entretanto não forem pescadas.Têm pele viscosa sem escamas, e podem atingir um metro de comprimento.
Há quem nem queira ouvir falar em lampreia, e há quem faça longos kilómetros para a ir saborear em restaurante já conhecido. Alguns Lisboetas fazem isso, vêm até Penacova. Também no Minho, em Monção, existe esta especialidade e confecionada de acordo com os seus segredos.Nem todos os rios do nosso País são "condutores" de lampreia, só alguns mais a norte, e a duração da pesca é limitada e curta em todas as zonas, tornando assim a lampreia um peixe caro.
Aqui na periferia da minha Cidade, onde o rio Mondego caminha para a Foz, há pescadores de lampreia e lampreias, embora eles se queixem de que cada vez há menos quantidade.
Sem intermediários, o meu marido compra ao próprio pescador, que ano após ano sempre promete escolher duas grandinhas. Depois outro amigo (este de infância) que também deixou a nossa terra e vive aqui em contacto com a Natureza, numa casa rodeada de terreno até perder de vista, encarrega-se de as amanhar, e tratar; com vinho, vinagre, alhos, louro e salsa, e acondicionar de modo higiénico para o meu marido trazer no carro. E foi assim ontem, desembrulhei, tirei o têsto e fiz a fotografia.
Hoje arrumei-as na arca frigorífica. Talvez no Domingo cosinhe a primeira metade duma. E porquê só metade? Porque as nossas filhas não gostam. Entretanto, nós os dois gostamos bastante.
Pois amigas, eu compreendo que vos faça impressão, talvez pareça serpente... ou não apreciem o gosto do peixe ou dos condimentos, nomeadamente da nóz moscada...
Gostaria de vos dar a provar, mas antes teriam de ver cosinhar, e sentirem o cheirinho.
De novo, grata pela visitas, e comentários de todas vós.
Também um abraço ao Zito amigo, que sabe de marinadas...
Muito obrigada pelos vossos comentários acerca do peixe.
Achei imensa graça, fizeram-me sorrir, gostei muito.
Pois de facto trata-se de lampreias. São vertebrados aquáticos ciclóstomos, de forma cilindrica e alongada, identica à enguia. Vivem durante anos no mar, e posteriormente dirigem-se a alguns rios, com a finalidade de desovar, e morrer depois, se entretanto não forem pescadas.Têm pele viscosa sem escamas, e podem atingir um metro de comprimento.
Há quem nem queira ouvir falar em lampreia, e há quem faça longos kilómetros para a ir saborear em restaurante já conhecido. Alguns Lisboetas fazem isso, vêm até Penacova. Também no Minho, em Monção, existe esta especialidade e confecionada de acordo com os seus segredos.Nem todos os rios do nosso País são "condutores" de lampreia, só alguns mais a norte, e a duração da pesca é limitada e curta em todas as zonas, tornando assim a lampreia um peixe caro.
Aqui na periferia da minha Cidade, onde o rio Mondego caminha para a Foz, há pescadores de lampreia e lampreias, embora eles se queixem de que cada vez há menos quantidade.
Sem intermediários, o meu marido compra ao próprio pescador, que ano após ano sempre promete escolher duas grandinhas. Depois outro amigo (este de infância) que também deixou a nossa terra e vive aqui em contacto com a Natureza, numa casa rodeada de terreno até perder de vista, encarrega-se de as amanhar, e tratar; com vinho, vinagre, alhos, louro e salsa, e acondicionar de modo higiénico para o meu marido trazer no carro. E foi assim ontem, desembrulhei, tirei o têsto e fiz a fotografia.
Hoje arrumei-as na arca frigorífica. Talvez no Domingo cosinhe a primeira metade duma. E porquê só metade? Porque as nossas filhas não gostam. Entretanto, nós os dois gostamos bastante.
Pois amigas, eu compreendo que vos faça impressão, talvez pareça serpente... ou não apreciem o gosto do peixe ou dos condimentos, nomeadamente da nóz moscada...
Gostaria de vos dar a provar, mas antes teriam de ver cosinhar, e sentirem o cheirinho.
De novo, grata pela visitas, e comentários de todas vós.
Também um abraço ao Zito amigo, que sabe de marinadas...
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Como eles se entendem !

Encontrei esta ternura no blog do Zito, Arrozcatum, e tratei logo de o informar que ia ser roubado por mim, pois queria muito colocar esta foto no meu blog.Aviso feito, procedi à acção, e aqui está uma atitude de carinho, linda, que fará inveja aos humanos, adultos.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Ondas gigantes na ponta de Sagres
Dizem que amanhã o Atlântico vai ter uma das maiores tempestades de sempre. A inglaterra está à espera do pior. Por aqui também estão a avisar para as pessoa ficarem longe da costa. As ondas que aqui podem ver foram causadas pela tempestade Hércules, em janeiro. Isto é na ponta de Sagres, em Portugal. Muito bonito mas mete medo!
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Tem lá dentro um passarinho
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...
Miguel Torga
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
O Cinema em Tempos Idos
O cinema (os filmes)
Nesta época do ano esta arte é lembrada com mais assiduidade. Fala-se nos realizadores, nos atores, e nos filmes candidatos a óscares, e a césares, dão-se opiniões, fazem-se vaticinios, e na noite das entregas dos almejados troféus assiste-se à cerimónia, que vale a pena ver, até por razões de elegancia e luxo de indumentárias.
Comecei por pensar nesta realidade actual, mas acabei por me deter no passado, num recuo de muitos anos, situando-me nas recordações de que faço as minhas histórias. E lembrei-me do cinema, no meu Montemor-o-Velho, e eu pequenita a assistir quando ainda não havia classificação especial em relação à idade dos espectadores. Eu teria talvez uns cinco anos, podia estar ao colo... mas o meu pai não queria, e comprava sempre um lugar para mim. A minha mãe levava um banquito que ela própria tinha tornado confortável, acoplando-lhe uma almofada de tecido colorido. Colocava-o no lugar marcado e aí estava eu instalada à altura dos adultos. Só havia cinema de mês a mês, mesmo mais tarde, quando eu já não precisava do banquito...
E era assim: com oito dias de antecedência aparecia nas poucas lojas da Vila a publicidade; um retangulo de papel de seda de côr garrida com a fotografia dum ou dois dos atores intervenientes, umas palavras chamativas, a data e a hora. Depois
no dia marcado, pelas quatro horas chegava a furgoneta com os apetrechos para a projeção, e logo, logo, instalavam na varanda do Teatro a aparelhagem sonora que transmitia em muito alta voz, fados, cançonetas, folclore, até à hora de jantar. O filme começava ás nove. Ir ao cinema em dia de semana era um prazer enorme. Eram filmes muito rodados, às vezes partiam, as pessoas lamentavam, mas ninguém refilava, era o que havia... Mas foi ali que vi o Vasco Santana, o António Silva, a Beatriz Costa,e mais grandes atores intervenientes nesses filmes portugueses, que ainda hoje vemos com agrado na TV Memória, ou que até guardamos na nossa estante.
Talvez por ter começado muito cedo a ir ao cinema, mesmo tendo em conta que pouco devia perceber, a verdade é que ainda hoje gosto bastante, embora não de todos os filmes da actualidade. Recordo que em Lisboa iamos de vez em quando ao cinema, e em Braga onde vivemos onze anos, iamos muitas vezes, nessa altura era barato. Agora o cinema tornou-se caro, algumas salas são desconfortáveis, e embora o grande ecran seja uma tentação, optamos pela comodidade do sofá e bastamo-nos com a imagem reduzida; o filme vem ter a casa, e se não agrada escolhe-se outro ou simplesmente anula-se a transmissão.Tudo fácil.
Mas o encanto daqueles tempos, apesar do péssimo sonoro, roufenho tantas vezes, da fita que partia,do filme que por vezes não valia nada, deixou marcas, tanto assim que hoje o recordei.
Nesta época do ano esta arte é lembrada com mais assiduidade. Fala-se nos realizadores, nos atores, e nos filmes candidatos a óscares, e a césares, dão-se opiniões, fazem-se vaticinios, e na noite das entregas dos almejados troféus assiste-se à cerimónia, que vale a pena ver, até por razões de elegancia e luxo de indumentárias.
Comecei por pensar nesta realidade actual, mas acabei por me deter no passado, num recuo de muitos anos, situando-me nas recordações de que faço as minhas histórias. E lembrei-me do cinema, no meu Montemor-o-Velho, e eu pequenita a assistir quando ainda não havia classificação especial em relação à idade dos espectadores. Eu teria talvez uns cinco anos, podia estar ao colo... mas o meu pai não queria, e comprava sempre um lugar para mim. A minha mãe levava um banquito que ela própria tinha tornado confortável, acoplando-lhe uma almofada de tecido colorido. Colocava-o no lugar marcado e aí estava eu instalada à altura dos adultos. Só havia cinema de mês a mês, mesmo mais tarde, quando eu já não precisava do banquito...
E era assim: com oito dias de antecedência aparecia nas poucas lojas da Vila a publicidade; um retangulo de papel de seda de côr garrida com a fotografia dum ou dois dos atores intervenientes, umas palavras chamativas, a data e a hora. Depois
no dia marcado, pelas quatro horas chegava a furgoneta com os apetrechos para a projeção, e logo, logo, instalavam na varanda do Teatro a aparelhagem sonora que transmitia em muito alta voz, fados, cançonetas, folclore, até à hora de jantar. O filme começava ás nove. Ir ao cinema em dia de semana era um prazer enorme. Eram filmes muito rodados, às vezes partiam, as pessoas lamentavam, mas ninguém refilava, era o que havia... Mas foi ali que vi o Vasco Santana, o António Silva, a Beatriz Costa,e mais grandes atores intervenientes nesses filmes portugueses, que ainda hoje vemos com agrado na TV Memória, ou que até guardamos na nossa estante.
Talvez por ter começado muito cedo a ir ao cinema, mesmo tendo em conta que pouco devia perceber, a verdade é que ainda hoje gosto bastante, embora não de todos os filmes da actualidade. Recordo que em Lisboa iamos de vez em quando ao cinema, e em Braga onde vivemos onze anos, iamos muitas vezes, nessa altura era barato. Agora o cinema tornou-se caro, algumas salas são desconfortáveis, e embora o grande ecran seja uma tentação, optamos pela comodidade do sofá e bastamo-nos com a imagem reduzida; o filme vem ter a casa, e se não agrada escolhe-se outro ou simplesmente anula-se a transmissão.Tudo fácil.
Mas o encanto daqueles tempos, apesar do péssimo sonoro, roufenho tantas vezes, da fita que partia,do filme que por vezes não valia nada, deixou marcas, tanto assim que hoje o recordei.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Passarinhos à Janela
Um dos lados do prédio onde moro dá para esta pracinha. Tem iluminação,verdura, algumas árvores e tem estas montanhas de cimento... Quando viemos para aqui viver, o chão que tinha sido terra de cultivo estava árido e sem vegetação alguma. Mas deste lado da casa, da varanda, eu via a encosta com mata e um bocado da Serra da Boa Viagem com umas casinhas lá no cimo. Foi assim durante algum tempo, mas um dia de manhã reparei que andavam uns homens a marcar o chão com tinta branca; fácilmente adivinhei a perspectiva. Era o principio da obra, esta, que me vedou a possibilidade de ver a Serra. Não me devia lamentar, porque ainda tinha mais duas frentes com o horisonte livre; só que esta também me agradava.
Mas não foi para fazer queixas que coloquei esta foto; eu até já me habituei a conviver com estes mamarráchos feitos casas. Hoje venho falar dos passarinhos: todos os dias ao fim da tarde, junta-se um enorme bando de passarinhos, que escolhem sempre os tres andares superiores do prédio que está em primeiro plano. Poisam no peitoril das seis janelas (nas varandas não) e dali saem num vôo, num bailado em voltas e reviravoltas, um encanto. Mas o mais surpreeendente, é que uns andam na revoada e uma grande quantidade deles está postada nas janelas como que a assistir. Eu acho que eles se revezam. Esta dança dura um bom bocado. Quis fotografá-los e consegui, porque o tempo estava de chuva e eles bailaram mais cêdo, mas como a distância ainda é considerável, quase não se percebe que estão lá, embora com tempo seco, eles sejam muitos mais. Aumentando a imagem consegue-se ver os pontinhos negros. A bailar não consigo fotografá-los, nem tento.
As pessoas que estudam o comportamento das aves, têm opinião para isto, eu não tenho, só que achei engraçado, e vim dar-vos conta desta descoberta que me entusiasmou.
Mas não foi para fazer queixas que coloquei esta foto; eu até já me habituei a conviver com estes mamarráchos feitos casas. Hoje venho falar dos passarinhos: todos os dias ao fim da tarde, junta-se um enorme bando de passarinhos, que escolhem sempre os tres andares superiores do prédio que está em primeiro plano. Poisam no peitoril das seis janelas (nas varandas não) e dali saem num vôo, num bailado em voltas e reviravoltas, um encanto. Mas o mais surpreeendente, é que uns andam na revoada e uma grande quantidade deles está postada nas janelas como que a assistir. Eu acho que eles se revezam. Esta dança dura um bom bocado. Quis fotografá-los e consegui, porque o tempo estava de chuva e eles bailaram mais cêdo, mas como a distância ainda é considerável, quase não se percebe que estão lá, embora com tempo seco, eles sejam muitos mais. Aumentando a imagem consegue-se ver os pontinhos negros. A bailar não consigo fotografá-los, nem tento.
As pessoas que estudam o comportamento das aves, têm opinião para isto, eu não tenho, só que achei engraçado, e vim dar-vos conta desta descoberta que me entusiasmou.
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