quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Insólito

Hoje tive outra surpresa, esta não foi de manhãsinha mas sim um pouco antes do almoço e não me agradou mesmo nada. Tinha terminado a confecção da comida, e começava a pôr a mesa, porque daí a pouco iriamos almoçar. Aguardava a chegada do meu marido que não tardou, indo de imediato ao meu encontro, mas bastante transtornado. E porquê? Porque uns cães o tinham atacado. Vinha de calça rôta, e arranhões na perna perto da nádega. Muito perturbado não sabia se devia ir ao centro médico ou se, se remediava na prata da casa...  Fui ver, não era mordedura, e assim mais uma vez fui promovida a enfermeira, (enfermeira de trazer por casa) e procedi ao tratamento assim: uma chuveirada e uma ensaboadela com sabão da roupa; depois três passagens com alcool com tres algodões limpos; e finalmente uma passagem com água oxigenada. A seguir o almoço e um cafésinho para activar, pois o homem estava mesmo abalado. Mas daí a uma hora já se confessava óptimo, e no local de trabalho a laborar.
Mas também este incidente não aconteceu por acaso... infelismente há pessoas que gostam de manter débitos indefenidamente. O meu marido decerto estaria bem disposto, e decidiu passar pela residencia dum desses "que gostam de ser recordados..." assim poupava-lhe passadas, e recebia, caso ele quisesse pagar. Mas nem o chegou a ver, os cães anteciparam-se e da pior forma. Valeu ter ali o carro, se assim não fosse teria sido bem pior.
E agora pergunto eu - e se fosse uma criança?
Que imprudência terem estes animais soltos...
E.mais não digo.


Aqui o estrago produzido pela pata do cão...
Convenhamos que era preferível ter ficado em casa quietinho...
além do grande susto e indisposição, ainda sobrepôs outro prejuiso.



 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Coisas simples, grandes gestos...


Hoje logo de manhãsinha fui presenteada com este mimo, uma flor linda ainda orvalhada, secalhar das caracteristicas orvalhadas de São João. E também algumas palavras muito bonitas, atenciosas, pois da amiga Viviana não se espera outra coisa que não sejam gentilezas, e amizade.

O blog da Viviana vale bem um visita. Passem por lá.
Como se chama ?
"Olhai o lirio do campo".
Vão ver que ficam com desejos de lá voltar sempre.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Poesia

              Refúgio

Se a solidão estrangulásse
Escolheria a roseira como ultimo refugio
Talvez não sobrevivesse ao impacto dos espinhos
E as rosas tombássem sobre mim,
Ou o seu viço amortecesse a minha queda.

Ou então,
Rasgariam no meu corpo um insólito epitáfio:
Aqui jaz para quem os sonhos se esfumaram
Ante pesadelos que em teima os superaram.

O futuro é o tributo de quem deliberadamente
Abandonou o passado
E vive num presente envenenado.

(Aníbal José de Matos)


O autor chamou-lhe Poema de Fim de Ano, e colocou-o no seu Blog em 29 - 12 - 2013.
Embora triste, achei-o muito bonito, e trouxe-o...


terça-feira, 29 de julho de 2014

Chegou pela manhã

Hoje trago mais uma das minhas histórias verdadeiras, esta é novinha.
Pois é verdade, aconteceu ontem de manhã.
Com o meu marido já no carro à minha espera para irmos a Montemor, saí de casa apressada desci no elevador e caminhei  pelo átrio em direcção à saída. Abri a porta, e com espanto vejo um passarinho a voar na minha direcção,  pousando ali mesmo ao meu alcance, num pequeno relevo da placa do intercomunicador. Eu tinha a mão esquerda ocupada com uns sacos e a carteira, e mesmo sem esperança aproximei do passarinho a mão direita, que é mais hábil, mas neste caso não resultou. Ele voou para o outro lado da porta e pousou em cima das caixas do correio. Ficou quieto a olhar para mim, e eu a olhar também.
Não pensei muito, chamei a minha filha, e o passarinho à espera... O resto adivinha-se, ela com as mãos livres não teve dificuldade em o agarrar. Logo percebemos que era um canário, novinho, lindo, um amor.
Depois, eu corri para o carro, pois os homens sofrem com esperas... e ela veio para cima contente com o passarinho, mas a dar voltas à cabeça sem saber aonde o "arrumar," provisoriamente é claro. Quando regressámos vim encontrar o passarinho tratado com pão molhado, e água, e sabem aonde? Isto o necessário é ter ideias rápidas; dentro duma fruteira de rede. Uma fruteira redonda e com tampa da mesma rede, e o habitante não se mostrava nada infeliz.

Depois do almoço a minha filha foi comprar uma gaiola, e alimento adequado, e agora andamos todos incluindo o meu marido, "a adorar o passarinho" (passe o exagero do termo adorar)

Bem, na verdade o passarinho veio ter comigo, e eu entendi que devia ficar com ele. Já tenho ouvido opiniões baseadas em estudos, dizerem que nada acontece por acaso...




A minha filha mais nova, a mãe do Gabriel, é dessa opinião, e até me disse que o passarinho veio para me trazer alegria.  Agrada-me essa perspectiva.

Quero adquirir para ele uma companhia, pois não gosto de ver o passarinho sozinho.

E agora caras amigas e amigos, digam lá se não é um canarinho cheio de formosura?! E simpático que até deixou que eu o fotografásse.
É um passarinho caseiro, não o roubei à Natureza, estou tranquila.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Um cão no ombro amigo.

O ombro do dono, é o lugar que o cão já conquistou à tempo. Mesmo em casa, assim que ele se senta, logo o cão pula de imediato e ali fica devidamente instalado. Aqui à beira do café, é igual, e o facto dá lugar a sorrisos de simpatia de parte dos clientes; o meu marido incluído, que já tinha contado aqui em casa, e hoje fez algumas fotos. Gostei desta e coloquei aqui.

domingo, 6 de julho de 2014

Martelo Vencedor

Hoje venho falar dum facto que  me deu satisfação, sei lá talvez até alguma vaidade, vaidade de mãe coruja. Só agora vou contar, mas aconteceu no mês passado, Junho mês dos Santos populares. E o assunto teve mesmo a ver com São João, que se festeja a capricho na Cidade do Porto. Do programa dos festejos fazia parte também um concurso de martelinhos. Outrora usava-se só o alho-pôrro, uma planta de haste comprida, terminada numa grande flor de tons de liláz. Ninguém naquela noite de arraial, passava sem levar um toque com a flor na cabeça, e algum mais ousado dava mesmo com o alho, que é grande, e não com a flor, na cabeça. Os mais tolos davam com a flor no nariz da gente, o que é bem desagradável e metia as pessoas a fugir! O que era tradicional era dar as ervas, como a cidreira, a cheirar. Mas já quase não se usa. Mas ninguém se zangava, porque era tradição, era festa, e quem dava recebia igual, tudo no meio de alvoroço saudável e muita alegria. Posteriormente com a invasão do plástico, alguém teve a ideia de construir um martelinho nesse material, nos anos 60, que veio para ficar. Há à escolha em várias cores, tem um sistema que faz barulho ao bater (na cabeça) e não magoa. Mas não acabou com os alhos, eles persistem, até porque o aroma é  intenso e único, não é agradável, e assim, alhos e martelos no S. João do Porto estão sempre presentes e em grandes quantidades.
Mas voltando ao concurso dos martelinhos-  a minha filha concorreu e ganhou o primeiro prémio
O martelo foi até notícia no jornal. Na foto estão os Presidentes das entidades promotoras e o Vereador a mostrar os martelos vencedores. Lê-se no artigo do Jornal de Notícias:"É caso para dizer que martelos há muitos, mas,estes dois, os que estão à vista na foto, foram os melhores entre as quase 200 propostas apresentadas ao júri do "Martelinhos de S. João",um concurso da Fundação da Juventude que,este ano, cumpre a sua terceira edição. Um deles, em 3D, imita a filigrana e usa o papel. Foi feito por Maria Isabel Fernandes, ausente da cerimónia."
Especifíca ainda que, está desenhado e construído segundo a técnica de filigrana de papel (quilling), o martelo 3D vencedor incorpora elementos caraterísticos do S. João, como é o caso do alho pôrro, do fogareiro,e, claro está, do Santo que dá o nome à festa. Refere-se ainda aos vencedores do 2º e 3º prémios, género dos trabalhos, e os seus nomes, e aos valores monetários atribuídos.
"Primeiro lugar, Categoria 3D, na 3ª edição do Concurso da Fundação da Juventude, Porto. Trabalho realizado em quilling (filigrana de papel). Na sua construção foram cortadas, enroladas e coladas cerca de 650 fitas de papel. O martelo incorpora os símbolos do São João - manjericos, um fogareiro com sardinhas a assar, o alho porro, um pequeno martelo e um balão, além do santo popular. As cores dominantes são verde-manjerico e azul-douro por razões óbvias! Escolhi esta técnica porque queria obter um produto final popular. O martelo remete claramente para as decorações sanjoaninas, muitas delas feitas em papel, e ainda para o floreado do ferro que adorna tantas varandas e portas da cidade do Porto, sem esquecer, também que a filigrana (mas em metais nobres) é uma arte tradicional no norte do país. Uma semana de trabalho, que incluiu aprendizagem, desenho e finalização." Belinha Fernandes

E aqui está o motivo de eu ter ficado contente. E quem não ficaría? 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Grandes e boas!

Há uns bons anos atrás associava-se à cidade do Entroncamento tudo o que fosse fora do vulgar, geralmente frutos demasiado grandes, couve galega que crescia em altura parecendo arbusto, abóbora enorme, enfim, até se dizia - isso é fenómeno do Entroncamento.
Hoje, embora não considere fenómeno e o respectivo cultivo tenha sido aqui perto, na localidade de  Lávos, (Figueira da Foz) também reparei no tamanho destas batatas. E, fotografei...

Todos os anos o Sr.Delmindo, nosso conterrâneo, como nós a viver um pouco distante da nossa terra, nos oferece (ele e a esposa que é a grande lavradora) uma saca de batatas. Estas foram apanhadas ontem.
Nunca são miudas, mas neste ano cresceram ainda mais...


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Palavras minhas, para quê? Leiam estas...

A NAUSEA
Conhecem aquele tipo de beatas ou ratas de sacristia, essas matronas que se apoderam das igrejas católicas, mudam as dálias do altar, barricam o acesso aos padres e lhes engomam os paramentos em êxtases ambíguos, destratando os humildes e adiantando-se nas naves para serem as primeiras a comungar, de olhos em alvo e estendendo, papudas, as mãos à hóstia? Essas, precisamente! E sabem por que motivo me enervam mais do que qualquer pecador cristão? É simples: porque não pecam na casa delas, mas na de Jesus.Ora bem. É seguindo a mesma lógica que certos socialistas me revoltam mais do que qualquer burguesia exploradora, pelas mentiras, falcatruas e conspiratas que fazem, servindo-se dos clichês humanistas para depois se borrifarem nos pobres, aburguesando-se num crescendo assustador e apoderando-se, um a um, de todos os confortos dos ricos ou do que entendem por «alta sociedade»: o carrito de luxo, a casita com piscina, a contita na Suiça - tudo ambições humanas, mas anãs.Ao contrário, a Direita, sendo egoísta, comodista, diletante, individualista - tudo o que quiserem, reconheço - ao menos não mistifica as suas prioridades!Em suma: não há partidos, há pessoas, e a ambição é comum às duas margens, já o sabemos. Mas a de alguns socialistas é tão execravelmente hipócrita que acaba por enojar quem, como eu, neta de salazaristas, foi tão pronto a entender a bênção da democracia que chegou a dar-lhes, penitente e escrupuloso, o benefício da dúvida.O exemplo começou com o mais emblemático dos paladinos da liberdade e da justiça: El Rei Dom Mário Soares e os seus sucessivos citroëns de luxo, personalizados como um monograma, os tailleurs Chanel da Maria Barroso, talhados no Ayer, e as suas casinhas na cidade, serra e praia, para se aquecerem ou refrescarem consoante as estações do ano - e, finalmente, até uma Fundação para se distraírem na reforma; décadas depois, a coisa refinou: temos o Sócrates a vestir-se por estilistas da Rodeo Drive de Los Angeles, a ministrada anti-fascista a rolar em séries 5, e os quadros estratégicos das empresas públicas a ganharem salários que nem os banqueiros ganham - mete nojo!(Atenção: escreve-vos a sobrinha de um Director Geral do Turismo *, casado e com cinco filhos, de rendimento modestíssimo, que, em Abril de 74, foi enjaulado em Caxias como um vulgar delinquente por alegado crime de peculato, por gastar - segundo a grelha da (in)Justiça Revolucionária - «demasiada água do Luso»! Miseráveis: não lhe arranjaram mais nada! E agora digam-me: visitar um tio na prisão por servir garrafas de água, nas funções representativas que ocupava, e ter de encará-lo atrás das grades prostrado pela desonra, para agora ver esta maltosa arrivista em lugares-chave, alguns deles profundamente desconhecedores de maneiras ou protocolo, a jantarem no Eleven e a regarem-se a Chivas?)Palavra de honra: antes os políticos comunistas e bloquistas – autistas no seu radicalismo anacrónico e obviamente perigosos num cenário de poder – mas, apesar de tudo, com outra face, outra decência, outra coerência doutrinária!E digo-vos mais: nem deveria ser gente como eu, apenas crítica ou sangrando sobre os escombros de uma pátria pilhada e demolida, a revoltar-se, mas os próprios socialistas, honestos e convictos da consistência da sua ideologia, a demarcarem-se, exigindo o afastamento de quem tão gravemente os embaraça, compromete e, por associação, os arrasta para este lodo de troça e de descrédito!E só digo mais isto: coitados dos militares de Abril, analfabetos, que alinharam: foram usados! Cravos, sim, mas foi para lhes pregarem as mãos!
Texto de Rita Ferro

domingo, 15 de junho de 2014

Um sôco, em vez dum obrigado

Sofrer um fanico, um desmaio (os antigos diziam encobriu-se-lhe o coração) estamos todos sujeitos e por várias causas. É frequente acontecer, mas na maior parte das vezes nem chega ao domínio publico, há sempre alguém a acudir, e depois já passou. Porém no passado dia dez de junho, a vítima foi o Presidente da Républica de Portugal, que no momento em que estava a usar da palavra, fanicou. Não é nada agradável, inesperadamente vermos uma pessoa vergar os joelhos e cair ao chão, há que ajudar e evitar a queda, e assim aconteceu felizmente, e o facto em parte desagradável, já ficou para trás e sem consequências.
Vi parte deste episódio pela televisão, e mesmo sem procurar, acabei por  recordar algo que tem a ver com situações idênticas, vividas há alguns anos atrás.
Como já tenho "dito" sou de Montemor-o-Velho, e só deixei a minha terra quando casei. Ali vivi a meninice, a adolescência e a juventude. Aos Domingos, eu e a minha mãe iamos à Missa das onze horas. Aliás ia toda a gente, desde que o seu estado de saúde o permitisse.
Nunca sube a razão, mas não era raro acontecerem desmaios durante as celebrações, tanto em pessoas adultas como também nas jovens. Eu também sofri desse percalço mas nunca caí, porque assim que sentia algo esquisito, saía apressadamente da Igreja. No Adro havia sempre vento, e eu ficava logo bem, mas já não voltava a entrar.
Mas havia quem tombásse mesmo no chão, e quem estava perto ia logo levantar e acompanhar a pessoa.
A Igreja de São Martinho só tinha umas filas de bancos  logo à entrada, destinados exclusivamente aos homens, e de modo igual perto da capela-mor para as meninas mais novas. No resto havia cadeiras, propriedade das próprias utentes mas só para o sexo feminino (nós também tínhamos duas cadeiras, e até duas almofaditas para nos ajoelharmos) porque os homens ficavam sempre separados das senhoras.
Um casal já bem maduro que estava em férias em casa de familiares, foi à Missa naquele Domingo, aliás eles já tinham ido no Domingo anterior. Ele tinha o cabelo farto, ondulado e todo branquinho, contrastava com o fato azul escuro, aparentemente era mesmo um senhor. Impossível não se reparar nele, até porque ele foi com a esposa lá pra cima para o meio das senhoras, e assim era o único homem ali.
Aconteceu que durante a celebração da Missa, a esposa desmaiou, e malhou no chão. Houve assim um pequeno reboliço, e a minha mãe que era nova e saudável, e prestável, aproximou-se rápidamente e pegou nela, enquanto outras senhoras ajudavam também. Mas nisto aconteceu o insólito; ao mesmo tempo o homem disse - não faça barulho, não faça barulho, e no mesmo instante préga um sôco no lado esquerdo da testa da minha mãe. Naquela altura só o Padre falava na Igreja, os fiéis nunca falávam. Mas a minha mãe ignorou o lugar onde estava, olhou pra ele e disse-lhe em voz audível - o Sr. é muito estupido! Grande estupido! Voltou-lhe as costas e como entretanto tinha acabado a Missa viémos embora. O assunto "correu mundo"... comentários e censuras não faltaram sobre o Dr. Mexía, que devia estar parvo... Mas a minha mãe é que ficou com o sôco, que até nem foi leve, pois no dia seguinte estava marcado de negro. Depois disso ela perguntava a si própria, e dizia, se alguma vez voltaria a socorrer mais alguém...     

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Foi há 12 anos

Aquele pequeno Jornal foi como se fora um filho, nascido e criado por nós. Chamámos-lhe Terras de Montemor e Região Centro. E nasceu a 20 de Maio de 2002.
Era bonitinho...



Começou com uma festa no Restaurante Moagem, todo para nós naquela tarde, com um convivio e uma merenda onde não faltou sopa da pedra e churrásco.
Palavras de apresentação da nossa parte, palavras de incitamento de alguns dos convidados presentes, cumprimentos, abraços, (flores para mim) histórias pitorescas, anedotas, e fados de Coimbra.

O meu marido, quando fazia a apresentação do Jornal. É visível o seu entusiasmo... lamento mas não guardei o seu discurso; ou o guardei bem guardado e não sei onde.

 E eu falei assim;
-Caros amigos,
Perdoem a familiaridade, mas a vossa presença vindo junto a nós comemorar este "nascimento" dá-me a natural ousadia. - Terras de Montemor, nasceu, um jornal criação do Olímpio... admiração? Nem por isso, não é o Olímpio um sonhador? E como sabem o Homem sonha, Deus quer, a Obra nasce...  nasce  por vezes imperfeita, mas nasce; e esse facto é já uma realização pessoal. Urge burilá-la e torná-la mais adequada a todos os gostos. Embora na sombra, também eu estou ligada a este jornal, como sempre estive a todas as iniciativas em que o Olímpio ao longo dos anos sempre se envolveu, referentes às Associações de Montemor, e tantas foram, culminando agora na maior de todas, a construção dum jornal embora pequeno; poderá chamar-se a isto arrôjo? leviandade? ou sonho demasiado, dado a sua conhecida limitação cultural ? Só o futuro o dirá... o futuro, e todos vós, porque o jornal não é nosso, é dos Montemorences. Por isso atrevo-me a fazer dois pedidos: o primeiro, é que o leiam... O segundo, que manifestem as vossas opiniões; sujiram, critiquem,digam o que considerarem menos bom ou mesmo errado, pois só assim poderemos melhorar.
Obrigada a todos pela atenção.

Depois das palmas o Dr. David Coutinho usou da palavra e respondeu-me... e eu ouvi com atenção, mas o meu marido sem dar por isso escondeu-me completamente; azar para quem é pequena, que sou eu.

Na sequência, muitos dos presentes usaram da palavra, e por fim (por vezes os ultimos serão os primeiros) falou o Dr. Luís Leal, Presidente da Câmara Municipal de Montemor (estava acompanhado por um Vereador ligado ao Pelouro da Cultura)
que entre palavras de estímulo, reafirmou o apoio Camarário préviamente prometido.

Os estômagos começavam a mostrar queixas, era altura de merendar; e assim aconteceu. A seguir foram as histórias, os fados, as guitarradas, as conversas, e a tarde a chegar ao fim.
Regressámos à Figueira, e entrámos em casa sobraçando as flores e a esperança, mas sentindo já o pêso das responsabilidades. A festa já ficara para trás...

Tinha havido um certo planeamento, a Câmara fizera promessas monetárias, que cumpriu com vista ao inicio do jornal, e iria comparticipar de futuro mensalmente; o meu marido arranjava publicidade, e por certo seria possível saldarmos as despezas inerentes. Tinhamos um grupo de amigos que escrevia as suas crónicas e noticias, a minha filha que práticamente fazia o jornal, eu administrava os dinheiros e os contactos escritos, e escrevia também umas croniquêlhas, e ninguém auferia qualquer vencimento.
Passaram dois meses, o Terras de Montemor era mensal, tinham saído dois e tinham agradado.
Mas, em tudo ou quase tudo há sempre "um mas..." - Numa reunião na Câmara naquelas em que se verificam despesas e contas, um funcionário que ali tinha assento nessa altura, manifestou-se calorosamente, afirmando que se havia dinheiro para este jornal, também tinha de haver para o dele que estava em preparação. Era um amigo nosso, de nome Victor, que eu tantas vezes peguei ao colo quando ele era pequenino, e tantas vezes mimei quando já era rapazinho; e até foi à festa do nosso jornal; - com amigos como este, não preciso de inimigos...
O resto adivinha-se, a Câmara não deu para o jornal dele, mas cortou imediatamente todo o apoio que nos tinha prometido. Ficámos entregues a nós próprios. Confesso que desejei desistir nesse momento. Perdi toda a força inicial, mas o meu marido não, e decidiu continuar. Mudou de tipografia para outra onde o trabalho de impressão e distribuição era  mais barato, pediu mais publicidade, as assinaturas foram aumentando, e embora com dificuldades aguentámo-nos durante um ano. Não podémos ir mais além.  Quando os assinantes pensavam renovar a assinatura, despedimo-nos. Costumo dizer que o Jornal Terras de Montemor, nasceu, viveu, e morreu com dignidade.
São 12 jornais que mandei encadernar e guardo como recordação, e junto com eles guardo também os meus agradecimentos e estima, a quem connosco colaborou, e assim tornou possível a realidade dum sonho, que foi curto é certo, mas bonito enquanto durou.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pedras com História

Neste Domingo fomos a Montemor, ao nosso, ao Velho, que está remoçado e ainda mais bonito. Também já visitei à anos o outro, o Montemor Novo, que é mais importante em comércio e industria (pelo menos assim me pareceu) contudo não tem a beleza do "meu" Montemor-o-Velho. Fomos então ao "nosso" Castelo, e que bem que ali se estava... Era de manhã, e o sossego era total.
 Lá em baixo a vila, e ali aos nossos olhos toda uma paisagem rica, longa a perder de vista...
 Os arbustos verdejantes atenuam em parte a rudeza das pedras, pois Castelo é fortaleza.
 Entrámos na Igreja, situada dentro do Castelo; a sua fundação data de 1090. Porém dessa primitiva Igreja pouco resta. A actual é quase toda do século XV. O respectivo restauro aconteceu entre 1483-1543, a mando de D. Jorge de Almeida, Bispo de Coimbra, com grandes obras e trabalhos de arquitectura de Renascença. A Igreja em estilo gótico, é de tres naves com duas ordens de lindas colunas torcidas, de cantaria, a sustentar o teto apainelado de madeira. O chão  todo em pedra, é também um pequeno panteão de campas rasas e pedras brasonadas de alguns ilustres daqueles tempos distantes. Deixámos a Igreja de Santa Maria de Alcáçova, que sempre conhecemos, mas à qual prometemos sempre voltar...

sábado, 17 de maio de 2014

O naperon da sala

Decidi colocar mais este. Não está ligado a nenhum segredo, é um crochet normal feito com um fio não muito fino. É grande, e costuma "estacionar" na mesa da sala de jantar.
E por agora não trago mais rendas, breve voltarei, mas com mais uma das minhas recordações; mais uma das minhas histórias verdadeiras.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O segredo do Algarve

Há uns anos atrás o crochet estava nos gostos de muita gente, jovem, adulta e idosa. Era comum em locais que exigissem espera, ou nos transportes, e também nos parques e na praia em tempo de lazer, vermos pessoas tecendo as suas rendas, mais ou menos elaboradas, mas sempre bonitas. Actualmente parece ter caído em desuso, e muitas jovens já nem apreciam esses trabalhos. Eu, como já não sou jovem, gosto muito de rendas, e tenho muitos desses trabalhos. E como gosto de os ver, dou-lhes uso. Na semana que passou, tive a empreitada de cuidar de alguns jogos de naperons, isto é, lavar e passar a ferro, tarefa  um tanto morosa, mas para a qual tenho sempre boa vontade, e no fim até me sinto compensada ao olhá-los.
Hoje, antes de os guardar, resolvi fotografar e colocar aqui. É o chamado segredo do Algarve, é interessante pelo facto de nunca se partir a linha, isso é que é o segredo.
Tenho a certeza que vão gostar.                  




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Lindos e Amigos


                     "Assim deveriamos ser todos nós"

domingo, 4 de maio de 2014

O aluguer...

De há uns anos para cá o primeiro Domingo de Maio passou a ser o dia da Mãe. Os mais novos desconhecem, mas dantes era no dia oito de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, havia festa na Igreja dedicada à Mãe de Jesus, e também a todas as mães sem excepção. Posteriormente, entenderam separar, criar outra data para as mães normais, isto é sem santidade canónica.
Não estou a escrever com o intuito de censurar esta mudança, nada disso, mas não aprecio que tenha de haver um dia especifico para cumprir deveres, ou devoções, quando o ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, e ainda mais um, quando é bissexto. Afinal ser-se amigo num só dia, é muito pouco... cheira a obrigação, e isso é triste.
Mas mais triste, é muita coisa que actualmente nos chega através dos meios da Comunicação Social: - Não percebi, se está já aprovado, ou se ainda carece de algo para o ser, uma lei que vai permitir que qualquer pessoa se preste a fabricar um filho por encomenda. Assim o casal fornece "os materiais" e esta pessoa dá (vende) a mão d'obra... Já há nome; "barriga de aluguer." Perdoem, mas eu permito-me dizer, a que estado isto chegou... Decerto que me dirão que a ciência é imparável.
(Mas, não é a maternidade um acto de amor, o amor dum casal vivendo dia a dia as transformações que se operam, os receios, as esperanças, uma espera a dois tão íntima e ansiosa, que só termina na alegria maior do momento do nascimento.)
Barriga de aluguer, que nome feio, e triste! O Ser humano a alugar partes de si próprio... Não sou capaz de entender.
Depois, quem é a mãe?
E mais não digo. Daqui a algum tempo, se ainda se celebrar o dia da mãe, alguém poderá perguntar; -Dia de qual mãe? Da mãe de familia ou da mãe de aluguer?...  

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Com atrazo, mas as plantas floriram


Só agora, a primavera chegou à entrada do edificio onde moro. A chuva prolongada e a ausência do sol prejudicou as flores, que este ano são em menor quantidade. No entanto estão bonitas como sempre, e eu apressei-me a trazê-las para aqui.

domingo, 20 de abril de 2014

O Rosário

Quando à noite contemplo taciturno
Estas contas antigas, o rosário
Das minhas orações,
Vejo em minh'alma o poema legendário
Dos velhos tempos das lonjínquas eras
De santas devoções.

A cruz ebúrnea, onde agoniza o Cristo,
É de um lavor subtil, que nos revela
Um génio magistral,
Obra de monge em merencória cela,
Piedoso artista há muito adormecido
Em velha catedral.

Tem séculos; talvez que nestas contas
Passásse outrora suas mãos esguias
A castelã senil,
Pensando triste nos ditosos dias
Em que a seus pés um menestrel vibrava
O mimoso arrabil.

Talvez que este rosário minorásse
As saudades da noiva lacrimante,
Que debalde esperou
Em cada nau, que vinha do Levante,
O seu donzel amado que partira
E nunca mais voltou.

Sobre a cota de um jovem cavaleiro,
Que o beijava por noites estreladas
Pensando em sua mãe,
Ele assistiu às guerras das cruzadas,
Atravessou talvez a Terra Santa
E viu Jerusalém.

Talvez alguma freira, em triste claustro,
De seus anos na doce primavera,
Só dele confiou
Seus loucos sonhos de falaz quimera,
E, apertando o rosário ao peito ansioso,
Consolada expirou.

Isto, o que leio no rosário antigo;
E, quando melancólico lhe beijo
As contas de marfim,
No ar escuto indefinido harpejo,
E então a crença, a mística toada,
Murmura dentro em mim.

 (Gonçalves Crespo)



Para todos vós visitantes e amigos, os meus cumprimentos, com os desejos sinceros de que vivam o Domingo da Ressureição em Paz e Alegria. E que o vosso Ovo de Páscoa venha repleto de doçuras e surpresas boas.
Feliz Páscoa, e um abraço.
Dilita.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A minha ida à Bruxa em 1972

Hoje vou contar a história da minha ida à bruxa; - à bruxa, sim, não foi engano o que leram, foi isso exactamente. Desde muito novita que me interesso pelas ciências ocultas; mas elas de tão ocultas, nada se deixaram transparecer ainda. Recordo-me de em miúda ver na minha terra, quando acontecia a alguma pessoa desmaiar, na rua, logo aparecer "alguém entendido", e vai de falar ao espírito - eu muito curiosa logo me acercava, mas nada via ou ouvia que me parecesse extraordinário.
O tempo foi passando, e quando eu já era mãe de familia e a residir em Braga, ouvi a uma amiga minha, falar duma senhora, acerca dos seus atributos espíritas, pessoa formidável nessa arte. Pensei, pensei, sózinha, (pois estas coisas não se dizem) e decidi ir lá fazer uma consulta. Puz a ideia em prática, e lá fui para a paragem do autocarro, que me levaria do centro da cidade de Braga até ao sopé do Bom Jesus do Monte.
Lá chegada, tomei lugar no Funicular (elevador sobre carris) e aí vou eu monte acima. Devo dizer que apreciei imenso aquela pequena viagem; o elevador ia lotado, e subia lentamente entre arbustos verdejantes, e sensivelmente a meio cruzou com o "colega" que descia, pois funcionam em simultâneo, e a sua energia motora é a água: - quando parou, eu estava no alto, no Parque do Bom Jesus, um local lindíssimo já meu conhecido, mas não deixei de reparar uma vez mais naquela maravilha da Natureza, e que a mão do homem soube aproveitar e bem. As árvores frondosas, abrigavam do sol dezenas de passarinhos, que chilreavam sem parar, naquela tarde de verão; flores de várias côres sobressaíam da verdura dos canteiros, um socêgo enorme contrastava com o bulício da cidade cá em baixo, convidando até à meditação: atravessei o Parque e dirigi-me ao Bazar, propriedade da dita senhora. Tive de aguardar, pois dois táxis á porta, esperavam a saída de clientes, que tinham ido de Viseu a Braga, pois lá diz o ditado, que Santos de ao pé da porta, não fazem milagres... Finalmente saíram, e eu apressei-me a contactar a senhora: ela pareceu-me ter mêdo a principio, e até tentou escusar-se, mas depois lá acedeu e mandou-me entrar: foi a minha vez de ter mêdo - é que eu não receio os espíritos, mas tenho mêdo dos vivos, e na verdade eu estava ali sózinha; - mas desistir não era meu desejo, por isso fui em frente.
Depois de entrar e reparar na senhora mais de perto, e constatar que ali não estava mais ninguém, até me envergonhei por ter pensado mal. A casa era uma única sala grande, prolongamento da loja, e ela uma pessoa de estatura baixa, já decrépita, talvez à volta dos setenta anos, e a completar ainda tinha uma perna coberta por ligaduras, do pé até ao joelho, cuja causa seria uma entorse, ou pequena fractura. O aposento demasiado modesto estava em ordem e asseio, mas no ar pairava um forte odor a aguardente, e a dois passos de mim sobre um móvel, estava a respectiva garrafa;
- a pobre senhora de vez em quando regava as ligaduras com o bagaço, mas cedo constatei que ela não teria só regado as ligaduras, pois se encontrava um pouco embriagada. Contou-me a história da fractura várias vezes, mostrou-me as radiografias, disse-me os nomes dos médicos e enfermeiros que a trataram, enfim, um não mais acabar de pormenores repetidos vezes sem conta, característica típica do estado em que ela estava. Eu comecei a arrepender-me de ter ido ali...
Mas entretanto ela calou-se, e tratou então de invocar os espíritos, mas com aquele cheiro tão pronunciado a aguardente, não ouve espirito que se aventurásse...
Despedi-me, e retornei à cidade. Gostei do passeio. Quanto à minha curiosidade, também não foi desta que fiquei esclarecida.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

A Resposta...

A GARRAFEIRA DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES


"Perguntam-me muitas vezes por que motivo nunca falo do governo nestas crónicas e a pergunta surpreende-me sempre. Qual Governo? É que não existe governo nenhum. Existe um bando de meninos, a quem os pais vestiram casaco como para um baptizado ou um casamento.

Existe um Aguiar Branco e um Poiares Maduro. Porque não juntar-lhes um Colares Tinto ou um Mateus Rosé?

É que tenho a impressão de estar num jogo de índios e menos vinho não lhes fazia mal".

António Lobo Antunes

Passei no MARCHA DO VAPOR, gostei destas opiniões, e perguntei ao amigo Rogério se podia trazer para o meu blog. Ele sempre me autoriza, e desta vez nem disse nada.Portanto este silêncio diz tudo "quem cala consente." 

domingo, 6 de abril de 2014

Gato por lebre...

Ainda não me esqueci devidamente da hora de inverno. E como o tempo tem continuado chuvoso, nunca acordo a horas certas. Hoje foi igual, estava escuro, e eu sem vontade nenhuma de sair da cama. Fez-se tarde, de modo que adiámos a saída prevista, que além de se desejar agradável, seria  útil, porque iriamos passar numa feira para comprar uns artigos,que ali são mais baratos. Mas é bem verdade que a perguicite não dá resultados práticos; - não fui passear, não fiz as compras ( e terei de as fazer), o dia esteve bonito cheio de sol, e eu em casa. Em casa e a fazer o almôço. Aqui está no que dá ser mandriôna...
Bem, mas como nada disto me aborrece, tudo bem.
Quando estou na cozinha ligo o rádio, sou fã da antena 1. Assim fiz hoje; eu gosto de ouvir falar. Então ouvi, e ouvi com muita atenção, direi mesmo que ouvi e até respondi para mim própria, porque já me estava a assaltar uma certa indignação.
O tema era sobre o 25 de Abril que vai festejar 40 anos. Eu não consegui guardar os nomes dos entrevistados, mas o que garanto é que eram pessoas de categoria, e a exercerem trabalho no actual momento. O entrevistador pediu a comparação entre o antes do 25 de Abril e o agora... se o País e os Portugueses estão melhor?
O entrevistado principal foi pródigo em apontar só maravilhas. Quem tal ouvisse e não soubesse a verdade,desejaria ser português e aqui residente... Na afirmação dele, dantes é que não havia nada, e pormenorisou; que as mães não tinham água potável para ferver os biberons, e as crianças morriam. Também os nascimentos eram em casa e sem higiene. E que não havia hospitais... Não se vacinavam as crianças contra o tétano e a varíola... Eu páro por aqui, mas o rol de afirmações entre o mal antigo e o belo actual, não acabava mais. Valeu a aproximação do sinal horário...

Todos nós sabemos que o 25 de Abril era esperado, e em boa hora aconteceu. Bastava que com esta revolução só se tivesse conseguido acabar com a Guerra Colonial, essa triste desgraça de tantos anos, e também acabar com a Policia Hedionda que se chama Pide, para todos nós aplaudirmos a Revolta dos Cravos.
Agora não me venham com lérias, porque o bom é inimigo do ótimo... Nem dantes era tudo mau, nem agora é tudo bom.
Em 1967, eu fui pelo meu pé para a Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, e ali nasceu a minha primeira filha. Não paguei nem um tostão. Antes já tinha sido acompanhada (eu e mais grávidas) pela médica “da caixa” era assim que lhe chamavam, e sem pagar nada. Depois tive prémio de nascimento, também comparticipação na alimentação da bébé até aos 8 meses, e abono de familia. Era pouco? Era, mas nunca foi suspenso.

Agora quanto ás vacinas; pois se até eu fui vacinada contra a varíola quando tinha um ano, e depois fui vacinada na escola.Eu e todas as crianças. Ia lá o Sr.Dr.António Afonso delegado de saúde em Montemor-o-Velho, médico pago pela Câmara, chamado o médico dos pobres porque não cobrava nada pelas consultas. Ia com um enfermeiro e vacinava as crianças uma a uma. E dava a ordem para irem na data marcada, ao hospital da Vila para as vacinas injetáveis (estavamos no ano de 1946) nestas estava incluida a do tétano. Lembro-me muito bem porque eram muito dolorosas.

Eu acho que sim, em relação aos quarenta anos passados, havia mais que razão para termos melhor sistema de saúde, e mais melhorias em muita coisa. Mas não temos. O que temos, é lérias.... enquanto os doentes aguardam durante dias em macas, nos corredores de  alguns hospitais. E outros morrem à espera duma ambulância. E as grávidas dão à luz na ambulância porque as maternidades próximas da sua residência foram anuladas. E aqui estão as melhorías tão propaladas que eu hoje ouvi.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

O lindo azul do céu

O céu da minha rua ontem perto das vinte horas. Foi um dia de várias côres; muito frio, chuvoso, depois com intermitências apareceu o sol, e ficou menos frio, e a esta hora quase a promessa da chegada de tempo sêco. Puro engano, daí a algumas horas a chuva era intensa.
A foto não está famosa, está torta, a pressa traiu-me... Mas o azul conquistou-me o suficiente para a colocar aqui.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A Poesia

Poesia brota do nada e traz tudo
Não se constrói, nem se arquitecta.
Para a criar, não é preciso ter“canudo”
É do sentir de cada um, não se projecta.
É como semente que se torna raiz,
Tronco ou folhagem.

O fruto é cada verso, com ou sem rima.
É o sentir que a palavra tem e o que nos diz.
É a teia que o poeta tece e que assina.
Uns poemas trazem mensagem, outros não.
Outros falam de lutas, vidas e amor.
Outros, ainda, de mitos, dor ou ilusão,
De sonhos, liberdade, campos em flor.
Dos cravos, das rosas, das papoilas
De tanta coisa falam, mas também
Das formas belas e suaves das moçoilas
Que nos “levam” nos sonhos para o além.
Ainda que alguns, sejam plenos de fantasias,
Trazem-nos a esperança nas palavras
E luz que ilumina os nossos dias.


ARFER


É de bom tom depois de se ter pedido permissão, dizer que o texto que aparece, foi cedido pelo autor do mesmo. Porém, eu não posso seguir esse bom costume, porque simplesmente apropriei-me sem mais nem menos. Gostei tanto desta poesia, que não resisti, e trouxe-a. Pertence ao blog ARFERLANDIA, e o seu autor assina ARFER. Quero no entanto afirmar que apagarei de imediato, caso o Sr. Arfer assim o entenda.


Mas entretanto caros visitantes, párem para apreciar esta Poesia, e estou certa que não me vão condenar por a ter "roubado."

terça-feira, 1 de abril de 2014

A almofada bordada

Quem diria que esta almofada tem mais de sessenta anos... Mas é verdade, eu era práticamente uma criança quando fui aprender a bordar à máquina, e queria fazer tudo. Assim, vi este desenho numa revista de modas e bordados que se publicava na época, e logo me entusiasmei. A professora de bordados acarinhou a minha pretensão, indicou as côres das linhas a utilizar, assim como a côr do cetim, e acompanhou o trabalho com os seus ensinamentos. A maior parte do bordado é o chamado granité;  as bolinhas e flores do xaile são a matiz, assim como o cabelo. É um motivo alusivo às festas de S.João em Lisboa, e a figura, uma varina com o lenço descaído, e o tradicional mangerico na mão...
Foram muitos dias a pedalar à máquina, e algum mêdo de não conseguir fazer bem feito. Mas consegui, e ainda me recordo quando concluí o trabalho, as meninas mais velhas a abraçarem-me, e eu toda contente por receber aqueles carinhos; eu só tinha treze anos. Estas "coisas" deixam marcas, marcas boas. O tempo já tirou algum brilho ao cetim, mas é natural, isto já é uma velharia, e eu também não a fechei numa mala...
Hoje olhei para a almofada e pensei, merece ser fotografada... e aqui está.

sábado, 22 de março de 2014

O almoço de sábado

 Parece madeira mas são bocados de abóbora menina para ser cozinhada.
 Aqui já descascada, lavada e cortada em bocadinhos, pronta a ser cozida. Um pouquinho de água no fundo da vasilha, sal, e colocar ao lume.
Já cozida à espera de arrefecer um pouco para levar umas colheres de farinha, canela em pó e uma colher de azeite. A varinha mágica faz o resto. Depois novamente ao lume para uns minutos de fervura lenta, e mexida com colher de pau. Finalmente colocar em pratos individuais, para que cada apreciador  utilize a quantidade de açucar  que desejar.
São as papas de abóbora, um prato usado antigamente em especial nas casas dos lavradores, era considerado um mimo.
Mas duma maneira geral, toda a gente uma vez por outra fazia umas papinhas. Eu sempre gostei muito, e gosto, ao ponto de me servirem de refeição.
No entanto penso que poucas pessoas actualmente apreciem papas... perdeu de moda. Ou então estou a percipitar-me na afirmação.
Atrevo-me a dizer que experimentem, porque para além de tudo é uma comida saudável.

O cão mais maroto que já vi!



Olá amigas dos animais
As minhas filhas gostam muito de cães e a mais velha anda sempre a enviar-me videos engraçados com eles! Este mostra o que o cão faz quando a dona sai. Ele não devia ir para cima da cama, mas...vejam o que sucede!
Eu também gosto deles, neste caso dos cães, de os ver satisfeitos,
bonitos, bem tratados,  acarinhados e sobretudo com donos responsáveis; mas que não seja eu. Não tenho atração para ter estes bichinhos em casa. Dou-lhes o valor que merecem, e fico incomodada quando surgem noticias sobre o mal que lhes fazem algumas pessoas, a quem nem deviamos chamar pessoas.
Tive em casa durante muitos anos passarinhos, periquitos, lindos, de várias cores. Cá nasciam cá viviam, e viveram até se extinguirem com a muita idade.
Voltando ao cão, este do video é engraçado, e procede sem cerimónia, mas lá está, na minha cama ou sofá, " isso não, Julião..."

E depois mais este...

             

domingo, 16 de março de 2014

Arroz doce

Pois ontem eu lembrei-me de fazer arroz doce. Era para fazer no dia do pai, mas pensei para quê esperar? Caladinha iniciei o cosinhado e disse para mim, amanhã até é Domingo calha bem ter um docinho, o nosso  tão conhecido arroz doce. É bom e dá fartura, um pormenor que igualmente me agrada. Quando já estava pronto aparece a minha filha que foi "avisada" pelo cheirinho, vinha para rapar o tacho como também é hábito. Eu estava a dividi-lo: uma travessa para a filha casada, um pratinho para cada um de nós para o jantar, e uma travessa para o almoço e jantar de Domingo. Só que ainda deu para outro prato, e ela desta vez ficou prejudicada porque no tacho não ficou que rapar... Colocou  a canela, e de seguida disse, vou fotografar. Confesso que nem reparei, eu já estava ocupada com o jantar. Só há noite antes de dormir, vim como sempre faço até ao computador e dei com a fotografia do arroz doce. Achei graça à surpresa, mas podia ter criado outro ambiente à volta do produto. Como a mesa da cosinha é de vidro, coloquei uns resguardos de cortiça por baixo das travessas que se vêem perfeitamente, e a toalha também não ajuda. Bem, eu já contei aqui que "infelismente para quem me atura eu sou perfecionista..." Está tudo dito.

Quero recordar aqui um facto veridico .
Na minha terra era hábito as noivas e os noivos oferecerem uma travessa ou um prato de arroz doce ás pessoas amigas, por ocasião do casamento. E havia umas Sras. que eram chamadas para o fazer, e faziam bem feito. Porém, uma delas usando os mesmos ingredientes (e falo deste modo porque ela também foi a minha casa fazer o meu arroz) fazia um produto altamente melhorado. Inconfundível. Ao ponto  de ao começar a comer, qualquer  pessoa aperceber -se logo, e de imediato dizer; - este arroz não foi feito pela Augusta... Está bom, mas não é da Augusta.

Sempre que se comenta (aqui em casa) esta realidade eu lembro- me dum livro que li quando era
jovem, parece-me que se chamava O Prato de Arroz Doce, da autoria de Teixeira de Vasconcelos.
Isto se não estou a fazer confusão, mas o curioso é que tinha uma personagem como a minha amiga Augusta, também o seu arroz doce era único.
Apenas uma diferença, no livro é ficção, na vida real que recordo foi  facto veridico.
Gostei de falar na Augusta. Os amigos não morrem, apenas se antecipam a nós na partida.





sábado, 15 de março de 2014

São servidos?

Acabadinho de fazer, ainda está quentinho! Arroz doce! 
Cheira pela casa toda, ao limão e à canela!

quinta-feira, 13 de março de 2014

"Venha o café..."



Há muitos anos que não via estes doces perto de mim. No passado Domingo o meu marido foi a Lisboa ver o Benfica, e para me animar da ausência, trouxe uns pacotes deles. Claro que gostei.
São especialidade muito antiga duma cidade que até é rainha... E o nome deles nada tem a ver com o formato. Nesta ultima foto coloquei uma já cortada, prontinha a dar uma trincada...
Conhecem, não é verdade?

sábado, 8 de março de 2014

Eu, hoje


Pois é. Esta sou eu no dia de hoje. Velhota assumida pois claro, porque ser velha é um privilégio. E se a beleza fugiu, que me importa?! Existiu, fugiu, e entretanto eu ainda aqui estou, e com muitas coisas boas vividas, e outras nem tanto, mas o desagradável a gente deita ao vento e só recorda o melhor, é mais saudável.
Bem, queridas e queridos visitantes que por aqui passam, como sabem estão na moda os telemóveis que permitem os utilizadores fotografarem-se a si próprios. Na última cerimónia dos Óscares isso foi bem visível, a auto-foto com telemóvel correu mundo. Eu não tenho um objecto desses, para quê? Tenho um dos mais simples que me permite o que eu desejo, falar e ouvir, escrever mensagens e mais umas funções que eu nem utilizo. Mas eu não quero ser retrógrada e dizer mal do progresso! E também quis fotografar-me a mim própria. E fotografei, mas com a minha máquina fotográfica. No fim gostei da obra, e só lamentei não ter dado um toque de maquilhagem antes, mas nem me lembrei, porque estava com pressa para terminar a sessão, antes que o meu marido e a nossa filha chegassem a casa...
E assim aconteceu, só agora ficaram a saber. Estes são os tais pequenos nadas que nos fazem distrair, e também sorrir.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Enfarinhavam o Cabelo ás Raparigas

De vez em quando eu abro a arca das recordações. Vejo e revejo na memória, qual filme a ser projetado muito ao longe mas que mesmo assim consigo ver com clareza. Por vezes sorrio, noutras invade-me a melancolia, mas não entro em desânimo, afinal só não tem pena da infância e juventude que viveu, aquele ou aquela que nessa altura não foi feliz.
Então recordei-me do Carnaval desses tempos (anos cinquenta) em Montemor -o- Velho. Foi sempre uma festa com alguns divertimentos patéticos, sem graça, mas habituais, eram digamos um exclusivo do Carnaval. Uma dessas práticas mais usadas pelos rapazes, consistia em empoar as raparigas; colocar uma boa quantidade de farinha fina na cabeça, e impregná-la bem por todo o cabelo. A farinha também caía para as roupas, ficavam mais enfarinhadas do que se fossem moleiras.Elas fechavam-se em casa, mas eles entravam se a porta desse para abrir, ou alguma janela o permitisse. E se tinham de vir à rua fazer qualquer compra, já sabiam que havia sempre um rapaz à espera, com uma  saqueta de farinha na mão. Elas ralhavam, faziam barulho, mas não havia escusa, eram empoadas; ficavam más e eles contentes, sentindo-se vitoriosos. Aquilo era desagradável, até porque lavar uma cabeça empoada era moroso, a farinha empapava com a água no couro cabeludo, as cabeleiras eram longas de cabelos apanhados em tótó, ou em tranças, e ainda o facto da maioria das casas não ter chuveiro, havia razão de sobra para fugir daquela tradição. Também eu fui empoada, uma vez apenas; mais sortuda porque tinha cabelo curto.
Eu era muito nova, sei lá talvez tivesse uns catorze anos, mas já ia ao baile acompanhada pela minha mãe, já usava sapatos de salto não muito alto, e já dançava. Havia um rapaz lá da terra que dançou algumas vezes comigo, durante as festas da Feira Anual em Setembro. Até me ofereceu uma imagem pequenina de Sto. António, em gêsso branco. Guardei-a com estima, é muito perfeitinha, e o curioso é que ainda hoje a conservo.
Quando meses depois chegou o Domingo Gordo, fui ao baile, fantasiada de dama antiga, e lá foi o moço dançar comigo. A seguir, na terça feira, Dia de Entrudo, saí de casa de manhã para ir comprar lã para uma camisola. Nunca pensei que iria ser empoada, pelo facto de ser ainda muito nova, e muito menos ainda, sê-lo pelo rapaz que dançava comigo. Mas, puro engano, quando já estava perto da loja vejo-o aproximar-se a toda a pressa e tratou de me empoar. Ainda lhe dei uns socos no braço, e numa fúria eu sei lá o que lhe disse... já não entrei na loja, voltei para trás e fui á pressa contar ao meu pai e pedir-lhe que o castigásse. Em vêz disso, o meu pai até achou graça, ele também nos seus tempos brincou a valer no Carnaval, e não viu neste caso, nada digno de reprovação. Eu argumentava indignada, e até já chorava... e ele secalhar já sem paciência, disse para mim ; - óh mulher, válha-te Deus, isso até é uma honra, e estás a chorar? - Mas o que é que tu queres afinal ? - Queres que eu chame a Guarda Républicana para agarrar o rapaz, e levá-lo para a cadeia?! E continuava a rir-se. Talvez para  pôr fim aquela lamúria, acrescentou; - vai mas é tomar banho e lavar o cabelo, e olha,  ainda um dia hás-de ter saudades disto...
Não acreditei que um dia teria saudades... continuei zangada, e fui ao baile à noite acalentando o propósito de vingança. Quando o baile começou, o mesmo rapaz agora todo sorridente, parou na minha frente e convidou-me  para dançar. Eu olhei para ele e nada disse. Fiz de conta que não estava ali ninguém, continuei sentada e calada, e ele ali parado a olhar pra mim à espera... de nada. Quando percebeu, saiu da minha frente, e afastou-se. Passaram os anos, mas nunca mais nos falámos, nem uma só palavra.
Nunca me arrependi, mas isto só prova que as crianças são ás  vezes muito cruéis. E nós, eu principalmente, embora crescidita, era mesmo uma criança ainda, mas uma criança má.