segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Milagres da Natureza

Duas flores bonitas que eu trouxe de Armação de Pêra para a minha amiga Nouredini, com um beijinho e um lamento, por não conseguir colocar comentário no seu Café e Bolinho.
Mesmo sem culpas, eu me sinto em falta com esta anomalía prolongada.


Abraços apertados para você amiguinha Nouredini.
Daqui, deste Portugal, da Dilita.

domingo, 5 de outubro de 2014

Mesmo na praia...

Olá amigas e amigos!

Neste momento em minha casa,a T.V. está a apresentar um jogo de Futebol entre o Benfica e o Arouca. O meu marido que entre nós se tem confessado "curado" ( o que não é verdade) está ali caladinho a roer a unha, porque o Benfica ainda não marcou.
Assim, benfiquista sofre.....

Um dia depois de chegarmos ao Algarve ele somou mais um aniversário. Já sabemos que a boa disposição tem de vir de nós, principalmente quando não há mais ninguém por perto que ajude à festa.
Então eu sósinha, cantei-lhe os parabéns, com os versos todos,como cantam os Brasileiros. E ofereci uma prenda que tinha comprado cá, e levei escondida.
Ele gostou muito, usou logo nesse dia, e em muitos mais. Vou colocar a foto, ela diz tudo...

 Só lhe falta a coroa de louros para parecer um romano, mas fora de tempo, pois  os dedos em V de vitória, referem-se ao Benfica.
Coloquei também esta, afinal "o velhote" ainda tem boa perna...

Outras escadas...


Seriam estas a meu gosto?
 São um pouco mais agradáveis, por serem de madeira e divididas em  patamares...
Mas são quarenta degraus... Mesmo assim tiveram a minha preferência, e como recordação a foto.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Há que descer, ou subir; para ler 4 versos.

Devo andar demasiado ocupada e distraída, pois nem dou pelo tempo passar. Confesso que acho desagradável, mas não há nada a fazer; isto é a realidade nua e crua. Mas pelo que me apercebi não sou só eu, porque quando estavamos a almoçar o meu marido fez alusão igual, ao lembrar  que já faz hoje oito dias que deixámos Armação. Pois, as férias deste ano já são passado, resta-nos a recordação e as fotos.
 As escadas do meu descontentamento... São vinte degraus, detestei descê-los.
Mas gostei da obra; simples, com as cores tradicionais e das piteiras quais sentinelas sempre firmes.
E onde houver poesia eu paro... E parei, e gostei desta quadra que nunca tinha lido, embora guarde em casa alguns versos deste autor.

Uma amostra de chuva...

Algarve é sobretudo praia;  com céu azul, sol muito luminoso e mar agradável.
Bandeira amarela, não estava nos planos, mas, o mar estava um pouco zangado...
 Daí a pouco uns pingos de chuva caíram do céu com alguma intensidade...
 Depois parou de chover e um arco-íris se formou rápidamente,
E logo após, o sol voltou para ficar, primeiro desmaiado, mas depois em todo o seu esplendor.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Chegámos a Armação de Pêra

O sol ergueu-se cêdo naquele Domingo, ultrapassou o rendado dos cortinados do quarto, e indiscreto acordou-nos. Belo despertar sem dúvida.
Breve dissemos adeus à linda Grândola, e fizemo-nos à estrada rumo a Armação. Foi práticamente um passeio, não tinhamos pressa; chegámos com tempo para nos acomodarmos, e depois ir almoçar ao restaurante de sempre. Como já para ali vamos há muitos anos, nada é novo, é tudo habitual, contudo gostamos de rever as pessoas de quem nos despedimos no ano anterior.


E de rever o jardim onde gostamos de voltar. Estar aqui é estar na praia, é só descer a escada e temos a areia aos pés. As palmeiras não param de crescer...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De passagem por Grândola

Disse adeus até breve, e felizmente aqui estou de novo. Eu sempre digo que gosto de sair para férias, mas também gosto muito de regressar, e regressei contente.
Foi tudo agradável, desde a viagem à estadia, e daqui a pouco até vou sentir saudades...
Naquele sábado ensolarado, saímos de casa de manhãzinha rumo "à nossa" Armação de Pêra, mas com a perspectiva de ficarmos no Alentejo, e só no Domingo seguirmos para o Algarve. E assim aconteceu, ficámos em Grândola. Outrora esquecida envolvida na planície, hoje ninguém ignora a existência da Grândola Vila Morena, mercê da canção criada por Zeca Afonso, e esta imortalizada por ter sido escolhida como a Senha que marcou o inicio da revolução de Abril.
Como diria o Carlos Malato, " já fui muito feliz em Grândola."
Permanecemos largo tempo no Jardim, muito arborizado, cheio de frescura, e depois fomos à procura de algo que recordásse o Zeca Afonso, e encontrámos.



Esta foto saiu errada, mais chão que céu; "pró ano eu rectifico..."

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Até breve...

Caras amigas e amigos que aqui me visitam e deixam a vossa estima, traduzida em palavras simpáticas com que me mimam, e também a todos os outros que não dizem nada, mas que têm a paciência de ler o que eu rabisco, quero dizer que vou dar férias ao blog.
Vou até ao Algarve, na expectativa de encontrar sol e mar de água tépida. Deixo a nossa linda Praia da Claridade apenas porque a água é fria, mas no dia em que este video foi feito, (na passada semana) ela rivalizava com qualquer praia do sul do País. Mas diz o provérbio "que Santos de ao pé da porta não fazem milagres" e mudar de ambiente também nos agrada, e faz bem ao espírito. Espero regressar no fim do mês. Aceitem os meus cumprimentos, e um abraço do tamanho do mundo. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Eram amigos, mas...

As duas ambulâncias estacionaram em frente à entrada para as urgências do hospital. Tratava-se de casos graves, e os maqueiros apressaram-se a  entrar pedindo passagem livre, e sem parar desapareceram através da porta de vai e vem.
Um casal idoso que aguardava sentado, comentou em jeito de lamento - dois feridos graves, que terá sido? decerto um acidente de carro, está sempre a acontecer...

Sem coragem para mais, as esposas dos feridos ficaram junto duma das ambulâncias, com o coração a baloiçar entre o mêdo e a esperança.
Passou algum tempo, e entretanto os maqueiros reapareceram com as macas vazias, e encaminharam-se para as viaturas.
Não foi necessário eles falarem; a Luísa e a  Rosa abraçaram-se e confundiram entre ambas, os gritos e as lágrimas durante alguns minutos. Quando se acalmaram, ouviram que os maridos estavam em perigo de vida, e que ficavam internados.
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 Era um dia de primavera; tempo ameno, propício ao inicio das sementeiras. O Zé acordou cedinho como havia planeado, vestiu a roupa de trabalho,tratou do gado, foi almoçar, e de seguida pôs as vacas ao carro, (carro de madeira) neste colocou o arado, e outras alfaias agrícolas que lhe pareceram necessárias, e rumou ao campo onde tinha uma boa tira de terreno que havia herdado dos pais, e que ele cultivava com enorme gosto e esmero.
Antes olhou para a porta e chamou - Luísa! Luísa!  Ela apareceu:   - então não desces esses degraus para vires aqui  dizer-me até logo? Que é como quem diz, para me vires dar uma beijoca... Ela sorriu e desceu lésta. - Claro que não te deixava ir embora sem um agrado! Tu é que estás sempre cheio de pressa...
-Sou assim, tu já sabes. -Sei, claro que sei; logo vou lá ter contigo ao campo com o almoço, e olha que até levo broa mole, deve ficar cosida a tempo, já pus o lume ao forno. - Que bom, disse ele, já estou a ansiar por isso... bem, são horas de ir andando. E lá se pôs a caminho.

Agarrado ao arado que fundo sulcava a terra, o Zé nunca parou em toda a manhã, trabalhava animado, sempre a assobiar, musicas alegres, ele gostava mesmo do campo.
Agora que o sol estava a pino, a Luísa já não devia demorar... Desatrelou o gado, levou-o para a sombra e pôs-lhe alimento verde. Depois sentou-se ele também, à sombra.

Aguardando a sua Luísa e o almoço prometido, ele só tinha olhos para a serventia que antecedia as terras de cultivo. Reparou que outro carro de bois se dirigia para o campo, e cedo percebeu que o homem que conduzia o gado era o seu compadre Tibúrcio. Pôs-se de pé e esperou que ele se aproximásse. Ainda antes dos habituais cumprimentos, o Zé antecipou-se: - Ora ainda bem que veio, compadre! Estive toda a manhã sózinho! Não é que eu tenha mêdo; é que  um homem também gosta de falar!  - Tem razão  compadre Zé, respondeu o outro. Sabe, eu queria vir descarregar o fertilizante de manhã, mas não pude, assim,vim agora. Encaminhou-se para a sua nesga de terra, não sem antes ainda lhe perguntar pela comadre Luísa...

Estava tudo na paz de Deus, ou assim parecia, quando o Zé vê o Tiburcio a caminhar na sua direção e a praguejar- Admirado, e sem perceber a razão daquela atitude tão estranha, perguntou: - O que é isso compadre Tibúrcio?
- O que é isso, ainda me pergunta?
- Pois se não sei, pergunto, pois claro...
- Não se faça de anjinho, sabe muito bem que me anda a roubar.
- A roubar? Você está a brincar, ou a ofender-me? Eu ando a  roubar-lhe o quê?
-Quer que eu diga, pois eu digo. Desde há três anos que na altura das lavras, você me rouba sempre uma leiva de terra.É dali daquele lado. Já são três que você juntou ao seu terreno.Não tem vergonha? Ande diga lá se é mentira...
-Claro que é mentira. Eu não lhe admito, ouviu? Que disparate; as terras até estão sinalizadas com marcos.
E o Tibúrcio repisa; tem marcos mas de nada valem.
-Aqui o Zé perdeu a calma. -Sabe, eu não estou para lhe aturar tal difamação, ouviu? - Olhe que eu perco a cabeça e ainda lhe vou às fussas... e dito isto puxou dum foeiro do carro das vacas, e correu para ele. O Tibúrcio  por seu turno recuou, mas para ir buscar a forquilha, e logo de seguida investiu contra o compadre. Os dois envolveram-se em agressão mútua, uma agressão raivosa que só parou quando ambos caíram  por terra sem sentidos, e a esvaírem-se em sangue.

A Luísa chegou com o almoço e ainda os viu cair. Sentiu-se vacilar, mas tinha de ser forte. Correu, a gritar por socorro, e alguém a ouviu...
                                     
                                       
Os homens estavam muito maltratados. O Zé a contas com perfurações no intestino, foi operado de urgência, e o Tibúrcio com fraturas e traumatismos, também não se livrou de várias intervenções cirúrgicas.
Estiveram com prognóstico reservado, permaneceram no hospital durante três meses, mas escaparam.
Passado o período crítico, foram colocados na enfermaria, cada um em sua cama, mas ao lado um do outro. (seria por castigo? )  Mesmo assim, continuavam enraivecidos, não se falavam, nem se olhavam sequer, e assim viveram quase até ao fim do internamento.

A Rosa e a Luísa iam juntas ao hospital diáriamente, alhearam-se das zangas deles, só queriam que ambos se curássem. Visitavam os dois, e para ambos tinham boas palavras.

Uma semana antes de receberem alta, o Tibúrcio logo de manhã pouco depois de acordar, soergueu-se na cama e chamou,     - compadre Zé, está acordado?  -  Estarei a sonhar, interrogou-se o Zé... mas respondeu que sim.
Então ouça; - quero pedir-lhe que me perdôe pelos males que lhe causei. Eramos tão amigos! Tornei-me um obsecado avarento, e vi o mal onde ele não existia, andei cego de olhos abertos...
Foi preciso estar na eminência de me juntar à terra, e fundir-me com ela, para ver como estava errado, e arrepender-me.  Repito, perdoa-me?
-O Zé surpreendido, achou que também lhe devia pedir perdão, por o ter agredido tão brutalmente, porém, não lhe ocorreram as palavras adequadas para isso; chegou-se para a beira da cama, e em silêncio estendeu-lhe a mão.

E enquanto permaneciam de mãos apertadas, murmurou; - curaram-nos o corpo, mas não só, também a alma ficou mais sã!




domingo, 31 de agosto de 2014

A vidraça indiscreta

Depois duma noite bem dormida, ele acordou muito cedo. Das janelas compostas com cortinas de tecido fino, apenas sobressaía uma ténue claridade, era o alvorecer. A seu lado a esposa dormia placidamente o sono dos justos. Reparou nela, não era feia nem bonita, mas fora o seu grande amor. Tinham passado já alguns anos, quantos? Se calhar alguns 10, quando ele, terminado o curso universitário e arrumado num emprego, se apaixonou pela filha do seu próprio patrão. Já a conhecia dos tempos em que ambos estudavam na mesma Universidade, sem contudo alguma vez lhe ter falado mais do que uma fugaz saudação. Mas estava escrito no destino e, numa manhã de primavera, ambos ajoelharam na Igreja junto ao altar, trocaram as promessas habituais, as alianças, e receberam as bênçãos matrimoniais da igreja católica, embora ele fosse ateu.
Entenderam-se, e foram felizes, até aquele fim de tarde em que a mulher, da sua casa, o viu abraçado à Júlia, a vizinha da frente, na casa dela. Ficava perto, e a vidraça estava aberta. Sentiu que o mundo desabava e com ele todos os sonhos e esperanças que acalentava. Após uma troca de palavras duras, e algumas lágrimas, tornaram-se dois estranhos, mas continuaram a viver lado a lado.

Ainda a recordar o passado, ele  levantou-se devagarinho e saiu do quarto. Pouco depois entrava na cozinha, e olhando pela janela viu o que sempre quisera esquecer.Aquela vidraça antiga a uns metros de distância  ainda  ali estava, qual testemunha acusatória. A Júlia partira para o estrangeiro, e só a recordação ficara. - Não, nunca a amei! Tenho a certeza! - disse a meia voz. Contudo fora ela a causadora  da facada no seu matrimónio, e que alterou a sua vida para sempre.E de que forma? Depois de tanto email para que fosse a sua casa, mandou aquela sms em que afirmava com juras, que se suicidava se ele não fosse. Ele, ingénuo, acreditou. E foi.



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Este é o Teco

Muito bonito, e fotogénico... E sabem a quem pertence?
À minha amiga Viviana;
que junto com a sua estima, me mandou a foto deste seu amiguinho.
Gostei muito, e não resisti ao desejo de o colocar aqui.
Obrigada Viviana por partilhar. Ele é mesmo uma beleza...


sábado, 16 de agosto de 2014

A rir também se denuncía

Oh, BES salgado! Quanto do teu capital,
São furtos a Portugal?
Pra te encheres, quantos
Perderam aos milhares!?
Que vigários foste subornar?
Quais se deixaram comprar
BES salgado
Pra tudo tu surripiares!

Quantos aumentos acções fundos
Inventaste imundos
Como mandaste tanto tempo
Em todos os regimes,
Sem idoneidade, que portento,
Pois que sem nada arriscares
Acabas por a muitos afogar
Em dívidas, aos mares!

Quantos projectos ceifaste,
Do tesouro público por saber.
Inda vais, da soberana
A todos enliar...
Só por te encheres
Até abarrotar!
Descansa, oh BES!
Cadeia tu não vais aguentar!

Um Espírito Santo te virá salvar!


( Recebi à pouco, desconheço o autor, que se inspirou em Fernando Pessoa.
Creio que o Poeta não levaria a mal...)

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Insólito

Hoje tive outra surpresa, esta não foi de manhãsinha mas sim um pouco antes do almoço e não me agradou mesmo nada. Tinha terminado a confecção da comida, e começava a pôr a mesa, porque daí a pouco iriamos almoçar. Aguardava a chegada do meu marido que não tardou, indo de imediato ao meu encontro, mas bastante transtornado. E porquê? Porque uns cães o tinham atacado. Vinha de calça rôta, e arranhões na perna perto da nádega. Muito perturbado não sabia se devia ir ao centro médico ou se, se remediava na prata da casa...  Fui ver, não era mordedura, e assim mais uma vez fui promovida a enfermeira, (enfermeira de trazer por casa) e procedi ao tratamento assim: uma chuveirada e uma ensaboadela com sabão da roupa; depois três passagens com alcool com tres algodões limpos; e finalmente uma passagem com água oxigenada. A seguir o almoço e um cafésinho para activar, pois o homem estava mesmo abalado. Mas daí a uma hora já se confessava óptimo, e no local de trabalho a laborar.
Mas também este incidente não aconteceu por acaso... infelismente há pessoas que gostam de manter débitos indefenidamente. O meu marido decerto estaria bem disposto, e decidiu passar pela residencia dum desses "que gostam de ser recordados..." assim poupava-lhe passadas, e recebia, caso ele quisesse pagar. Mas nem o chegou a ver, os cães anteciparam-se e da pior forma. Valeu ter ali o carro, se assim não fosse teria sido bem pior.
E agora pergunto eu - e se fosse uma criança?
Que imprudência terem estes animais soltos...
E.mais não digo.


Aqui o estrago produzido pela pata do cão...
Convenhamos que era preferível ter ficado em casa quietinho...
além do grande susto e indisposição, ainda sobrepôs outro prejuiso.



 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Coisas simples, grandes gestos...


Hoje logo de manhãsinha fui presenteada com este mimo, uma flor linda ainda orvalhada, secalhar das caracteristicas orvalhadas de São João. E também algumas palavras muito bonitas, atenciosas, pois da amiga Viviana não se espera outra coisa que não sejam gentilezas, e amizade.

O blog da Viviana vale bem um visita. Passem por lá.
Como se chama ?
"Olhai o lirio do campo".
Vão ver que ficam com desejos de lá voltar sempre.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Poesia

              Refúgio

Se a solidão estrangulásse
Escolheria a roseira como ultimo refugio
Talvez não sobrevivesse ao impacto dos espinhos
E as rosas tombássem sobre mim,
Ou o seu viço amortecesse a minha queda.

Ou então,
Rasgariam no meu corpo um insólito epitáfio:
Aqui jaz para quem os sonhos se esfumaram
Ante pesadelos que em teima os superaram.

O futuro é o tributo de quem deliberadamente
Abandonou o passado
E vive num presente envenenado.

(Aníbal José de Matos)


O autor chamou-lhe Poema de Fim de Ano, e colocou-o no seu Blog em 29 - 12 - 2013.
Embora triste, achei-o muito bonito, e trouxe-o...


terça-feira, 29 de julho de 2014

Chegou pela manhã

Hoje trago mais uma das minhas histórias verdadeiras, esta é novinha.
Pois é verdade, aconteceu ontem de manhã.
Com o meu marido já no carro à minha espera para irmos a Montemor, saí de casa apressada desci no elevador e caminhei  pelo átrio em direcção à saída. Abri a porta, e com espanto vejo um passarinho a voar na minha direcção,  pousando ali mesmo ao meu alcance, num pequeno relevo da placa do intercomunicador. Eu tinha a mão esquerda ocupada com uns sacos e a carteira, e mesmo sem esperança aproximei do passarinho a mão direita, que é mais hábil, mas neste caso não resultou. Ele voou para o outro lado da porta e pousou em cima das caixas do correio. Ficou quieto a olhar para mim, e eu a olhar também.
Não pensei muito, chamei a minha filha, e o passarinho à espera... O resto adivinha-se, ela com as mãos livres não teve dificuldade em o agarrar. Logo percebemos que era um canário, novinho, lindo, um amor.
Depois, eu corri para o carro, pois os homens sofrem com esperas... e ela veio para cima contente com o passarinho, mas a dar voltas à cabeça sem saber aonde o "arrumar," provisoriamente é claro. Quando regressámos vim encontrar o passarinho tratado com pão molhado, e água, e sabem aonde? Isto o necessário é ter ideias rápidas; dentro duma fruteira de rede. Uma fruteira redonda e com tampa da mesma rede, e o habitante não se mostrava nada infeliz.

Depois do almoço a minha filha foi comprar uma gaiola, e alimento adequado, e agora andamos todos incluindo o meu marido, "a adorar o passarinho" (passe o exagero do termo adorar)

Bem, na verdade o passarinho veio ter comigo, e eu entendi que devia ficar com ele. Já tenho ouvido opiniões baseadas em estudos, dizerem que nada acontece por acaso...




A minha filha mais nova, a mãe do Gabriel, é dessa opinião, e até me disse que o passarinho veio para me trazer alegria.  Agrada-me essa perspectiva.

Quero adquirir para ele uma companhia, pois não gosto de ver o passarinho sozinho.

E agora caras amigas e amigos, digam lá se não é um canarinho cheio de formosura?! E simpático que até deixou que eu o fotografásse.
É um passarinho caseiro, não o roubei à Natureza, estou tranquila.



quarta-feira, 16 de julho de 2014

Um cão no ombro amigo.

O ombro do dono, é o lugar que o cão já conquistou à tempo. Mesmo em casa, assim que ele se senta, logo o cão pula de imediato e ali fica devidamente instalado. Aqui à beira do café, é igual, e o facto dá lugar a sorrisos de simpatia de parte dos clientes; o meu marido incluído, que já tinha contado aqui em casa, e hoje fez algumas fotos. Gostei desta e coloquei aqui.

domingo, 6 de julho de 2014

Martelo Vencedor

Hoje venho falar dum facto que  me deu satisfação, sei lá talvez até alguma vaidade, vaidade de mãe coruja. Só agora vou contar, mas aconteceu no mês passado, Junho mês dos Santos populares. E o assunto teve mesmo a ver com São João, que se festeja a capricho na Cidade do Porto. Do programa dos festejos fazia parte também um concurso de martelinhos. Outrora usava-se só o alho-pôrro, uma planta de haste comprida, terminada numa grande flor de tons de liláz. Ninguém naquela noite de arraial, passava sem levar um toque com a flor na cabeça, e algum mais ousado dava mesmo com o alho, que é grande, e não com a flor, na cabeça. Os mais tolos davam com a flor no nariz da gente, o que é bem desagradável e metia as pessoas a fugir! O que era tradicional era dar as ervas, como a cidreira, a cheirar. Mas já quase não se usa. Mas ninguém se zangava, porque era tradição, era festa, e quem dava recebia igual, tudo no meio de alvoroço saudável e muita alegria. Posteriormente com a invasão do plástico, alguém teve a ideia de construir um martelinho nesse material, nos anos 60, que veio para ficar. Há à escolha em várias cores, tem um sistema que faz barulho ao bater (na cabeça) e não magoa. Mas não acabou com os alhos, eles persistem, até porque o aroma é  intenso e único, não é agradável, e assim, alhos e martelos no S. João do Porto estão sempre presentes e em grandes quantidades.
Mas voltando ao concurso dos martelinhos-  a minha filha concorreu e ganhou o primeiro prémio
O martelo foi até notícia no jornal. Na foto estão os Presidentes das entidades promotoras e o Vereador a mostrar os martelos vencedores. Lê-se no artigo do Jornal de Notícias:"É caso para dizer que martelos há muitos, mas,estes dois, os que estão à vista na foto, foram os melhores entre as quase 200 propostas apresentadas ao júri do "Martelinhos de S. João",um concurso da Fundação da Juventude que,este ano, cumpre a sua terceira edição. Um deles, em 3D, imita a filigrana e usa o papel. Foi feito por Maria Isabel Fernandes, ausente da cerimónia."
Especifíca ainda que, está desenhado e construído segundo a técnica de filigrana de papel (quilling), o martelo 3D vencedor incorpora elementos caraterísticos do S. João, como é o caso do alho pôrro, do fogareiro,e, claro está, do Santo que dá o nome à festa. Refere-se ainda aos vencedores do 2º e 3º prémios, género dos trabalhos, e os seus nomes, e aos valores monetários atribuídos.
"Primeiro lugar, Categoria 3D, na 3ª edição do Concurso da Fundação da Juventude, Porto. Trabalho realizado em quilling (filigrana de papel). Na sua construção foram cortadas, enroladas e coladas cerca de 650 fitas de papel. O martelo incorpora os símbolos do São João - manjericos, um fogareiro com sardinhas a assar, o alho porro, um pequeno martelo e um balão, além do santo popular. As cores dominantes são verde-manjerico e azul-douro por razões óbvias! Escolhi esta técnica porque queria obter um produto final popular. O martelo remete claramente para as decorações sanjoaninas, muitas delas feitas em papel, e ainda para o floreado do ferro que adorna tantas varandas e portas da cidade do Porto, sem esquecer, também que a filigrana (mas em metais nobres) é uma arte tradicional no norte do país. Uma semana de trabalho, que incluiu aprendizagem, desenho e finalização." Belinha Fernandes

E aqui está o motivo de eu ter ficado contente. E quem não ficaría? 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Grandes e boas!

Há uns bons anos atrás associava-se à cidade do Entroncamento tudo o que fosse fora do vulgar, geralmente frutos demasiado grandes, couve galega que crescia em altura parecendo arbusto, abóbora enorme, enfim, até se dizia - isso é fenómeno do Entroncamento.
Hoje, embora não considere fenómeno e o respectivo cultivo tenha sido aqui perto, na localidade de  Lávos, (Figueira da Foz) também reparei no tamanho destas batatas. E, fotografei...

Todos os anos o Sr.Delmindo, nosso conterrâneo, como nós a viver um pouco distante da nossa terra, nos oferece (ele e a esposa que é a grande lavradora) uma saca de batatas. Estas foram apanhadas ontem.
Nunca são miudas, mas neste ano cresceram ainda mais...


segunda-feira, 30 de junho de 2014

Palavras minhas, para quê? Leiam estas...

A NAUSEA
Conhecem aquele tipo de beatas ou ratas de sacristia, essas matronas que se apoderam das igrejas católicas, mudam as dálias do altar, barricam o acesso aos padres e lhes engomam os paramentos em êxtases ambíguos, destratando os humildes e adiantando-se nas naves para serem as primeiras a comungar, de olhos em alvo e estendendo, papudas, as mãos à hóstia? Essas, precisamente! E sabem por que motivo me enervam mais do que qualquer pecador cristão? É simples: porque não pecam na casa delas, mas na de Jesus.Ora bem. É seguindo a mesma lógica que certos socialistas me revoltam mais do que qualquer burguesia exploradora, pelas mentiras, falcatruas e conspiratas que fazem, servindo-se dos clichês humanistas para depois se borrifarem nos pobres, aburguesando-se num crescendo assustador e apoderando-se, um a um, de todos os confortos dos ricos ou do que entendem por «alta sociedade»: o carrito de luxo, a casita com piscina, a contita na Suiça - tudo ambições humanas, mas anãs.Ao contrário, a Direita, sendo egoísta, comodista, diletante, individualista - tudo o que quiserem, reconheço - ao menos não mistifica as suas prioridades!Em suma: não há partidos, há pessoas, e a ambição é comum às duas margens, já o sabemos. Mas a de alguns socialistas é tão execravelmente hipócrita que acaba por enojar quem, como eu, neta de salazaristas, foi tão pronto a entender a bênção da democracia que chegou a dar-lhes, penitente e escrupuloso, o benefício da dúvida.O exemplo começou com o mais emblemático dos paladinos da liberdade e da justiça: El Rei Dom Mário Soares e os seus sucessivos citroëns de luxo, personalizados como um monograma, os tailleurs Chanel da Maria Barroso, talhados no Ayer, e as suas casinhas na cidade, serra e praia, para se aquecerem ou refrescarem consoante as estações do ano - e, finalmente, até uma Fundação para se distraírem na reforma; décadas depois, a coisa refinou: temos o Sócrates a vestir-se por estilistas da Rodeo Drive de Los Angeles, a ministrada anti-fascista a rolar em séries 5, e os quadros estratégicos das empresas públicas a ganharem salários que nem os banqueiros ganham - mete nojo!(Atenção: escreve-vos a sobrinha de um Director Geral do Turismo *, casado e com cinco filhos, de rendimento modestíssimo, que, em Abril de 74, foi enjaulado em Caxias como um vulgar delinquente por alegado crime de peculato, por gastar - segundo a grelha da (in)Justiça Revolucionária - «demasiada água do Luso»! Miseráveis: não lhe arranjaram mais nada! E agora digam-me: visitar um tio na prisão por servir garrafas de água, nas funções representativas que ocupava, e ter de encará-lo atrás das grades prostrado pela desonra, para agora ver esta maltosa arrivista em lugares-chave, alguns deles profundamente desconhecedores de maneiras ou protocolo, a jantarem no Eleven e a regarem-se a Chivas?)Palavra de honra: antes os políticos comunistas e bloquistas – autistas no seu radicalismo anacrónico e obviamente perigosos num cenário de poder – mas, apesar de tudo, com outra face, outra decência, outra coerência doutrinária!E digo-vos mais: nem deveria ser gente como eu, apenas crítica ou sangrando sobre os escombros de uma pátria pilhada e demolida, a revoltar-se, mas os próprios socialistas, honestos e convictos da consistência da sua ideologia, a demarcarem-se, exigindo o afastamento de quem tão gravemente os embaraça, compromete e, por associação, os arrasta para este lodo de troça e de descrédito!E só digo mais isto: coitados dos militares de Abril, analfabetos, que alinharam: foram usados! Cravos, sim, mas foi para lhes pregarem as mãos!
Texto de Rita Ferro

domingo, 15 de junho de 2014

Um sôco, em vez dum obrigado

Sofrer um fanico, um desmaio (os antigos diziam encobriu-se-lhe o coração) estamos todos sujeitos e por várias causas. É frequente acontecer, mas na maior parte das vezes nem chega ao domínio publico, há sempre alguém a acudir, e depois já passou. Porém no passado dia dez de junho, a vítima foi o Presidente da Républica de Portugal, que no momento em que estava a usar da palavra, fanicou. Não é nada agradável, inesperadamente vermos uma pessoa vergar os joelhos e cair ao chão, há que ajudar e evitar a queda, e assim aconteceu felizmente, e o facto em parte desagradável, já ficou para trás e sem consequências.
Vi parte deste episódio pela televisão, e mesmo sem procurar, acabei por  recordar algo que tem a ver com situações idênticas, vividas há alguns anos atrás.
Como já tenho "dito" sou de Montemor-o-Velho, e só deixei a minha terra quando casei. Ali vivi a meninice, a adolescência e a juventude. Aos Domingos, eu e a minha mãe iamos à Missa das onze horas. Aliás ia toda a gente, desde que o seu estado de saúde o permitisse.
Nunca sube a razão, mas não era raro acontecerem desmaios durante as celebrações, tanto em pessoas adultas como também nas jovens. Eu também sofri desse percalço mas nunca caí, porque assim que sentia algo esquisito, saía apressadamente da Igreja. No Adro havia sempre vento, e eu ficava logo bem, mas já não voltava a entrar.
Mas havia quem tombásse mesmo no chão, e quem estava perto ia logo levantar e acompanhar a pessoa.
A Igreja de São Martinho só tinha umas filas de bancos  logo à entrada, destinados exclusivamente aos homens, e de modo igual perto da capela-mor para as meninas mais novas. No resto havia cadeiras, propriedade das próprias utentes mas só para o sexo feminino (nós também tínhamos duas cadeiras, e até duas almofaditas para nos ajoelharmos) porque os homens ficavam sempre separados das senhoras.
Um casal já bem maduro que estava em férias em casa de familiares, foi à Missa naquele Domingo, aliás eles já tinham ido no Domingo anterior. Ele tinha o cabelo farto, ondulado e todo branquinho, contrastava com o fato azul escuro, aparentemente era mesmo um senhor. Impossível não se reparar nele, até porque ele foi com a esposa lá pra cima para o meio das senhoras, e assim era o único homem ali.
Aconteceu que durante a celebração da Missa, a esposa desmaiou, e malhou no chão. Houve assim um pequeno reboliço, e a minha mãe que era nova e saudável, e prestável, aproximou-se rápidamente e pegou nela, enquanto outras senhoras ajudavam também. Mas nisto aconteceu o insólito; ao mesmo tempo o homem disse - não faça barulho, não faça barulho, e no mesmo instante préga um sôco no lado esquerdo da testa da minha mãe. Naquela altura só o Padre falava na Igreja, os fiéis nunca falávam. Mas a minha mãe ignorou o lugar onde estava, olhou pra ele e disse-lhe em voz audível - o Sr. é muito estupido! Grande estupido! Voltou-lhe as costas e como entretanto tinha acabado a Missa viémos embora. O assunto "correu mundo"... comentários e censuras não faltaram sobre o Dr. Mexía, que devia estar parvo... Mas a minha mãe é que ficou com o sôco, que até nem foi leve, pois no dia seguinte estava marcado de negro. Depois disso ela perguntava a si própria, e dizia, se alguma vez voltaria a socorrer mais alguém...     

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Foi há 12 anos

Aquele pequeno Jornal foi como se fora um filho, nascido e criado por nós. Chamámos-lhe Terras de Montemor e Região Centro. E nasceu a 20 de Maio de 2002.
Era bonitinho...



Começou com uma festa no Restaurante Moagem, todo para nós naquela tarde, com um convivio e uma merenda onde não faltou sopa da pedra e churrásco.
Palavras de apresentação da nossa parte, palavras de incitamento de alguns dos convidados presentes, cumprimentos, abraços, (flores para mim) histórias pitorescas, anedotas, e fados de Coimbra.

O meu marido, quando fazia a apresentação do Jornal. É visível o seu entusiasmo... lamento mas não guardei o seu discurso; ou o guardei bem guardado e não sei onde.

 E eu falei assim;
-Caros amigos,
Perdoem a familiaridade, mas a vossa presença vindo junto a nós comemorar este "nascimento" dá-me a natural ousadia. - Terras de Montemor, nasceu, um jornal criação do Olímpio... admiração? Nem por isso, não é o Olímpio um sonhador? E como sabem o Homem sonha, Deus quer, a Obra nasce...  nasce  por vezes imperfeita, mas nasce; e esse facto é já uma realização pessoal. Urge burilá-la e torná-la mais adequada a todos os gostos. Embora na sombra, também eu estou ligada a este jornal, como sempre estive a todas as iniciativas em que o Olímpio ao longo dos anos sempre se envolveu, referentes às Associações de Montemor, e tantas foram, culminando agora na maior de todas, a construção dum jornal embora pequeno; poderá chamar-se a isto arrôjo? leviandade? ou sonho demasiado, dado a sua conhecida limitação cultural ? Só o futuro o dirá... o futuro, e todos vós, porque o jornal não é nosso, é dos Montemorences. Por isso atrevo-me a fazer dois pedidos: o primeiro, é que o leiam... O segundo, que manifestem as vossas opiniões; sujiram, critiquem,digam o que considerarem menos bom ou mesmo errado, pois só assim poderemos melhorar.
Obrigada a todos pela atenção.

Depois das palmas o Dr. David Coutinho usou da palavra e respondeu-me... e eu ouvi com atenção, mas o meu marido sem dar por isso escondeu-me completamente; azar para quem é pequena, que sou eu.

Na sequência, muitos dos presentes usaram da palavra, e por fim (por vezes os ultimos serão os primeiros) falou o Dr. Luís Leal, Presidente da Câmara Municipal de Montemor (estava acompanhado por um Vereador ligado ao Pelouro da Cultura)
que entre palavras de estímulo, reafirmou o apoio Camarário préviamente prometido.

Os estômagos começavam a mostrar queixas, era altura de merendar; e assim aconteceu. A seguir foram as histórias, os fados, as guitarradas, as conversas, e a tarde a chegar ao fim.
Regressámos à Figueira, e entrámos em casa sobraçando as flores e a esperança, mas sentindo já o pêso das responsabilidades. A festa já ficara para trás...

Tinha havido um certo planeamento, a Câmara fizera promessas monetárias, que cumpriu com vista ao inicio do jornal, e iria comparticipar de futuro mensalmente; o meu marido arranjava publicidade, e por certo seria possível saldarmos as despezas inerentes. Tinhamos um grupo de amigos que escrevia as suas crónicas e noticias, a minha filha que práticamente fazia o jornal, eu administrava os dinheiros e os contactos escritos, e escrevia também umas croniquêlhas, e ninguém auferia qualquer vencimento.
Passaram dois meses, o Terras de Montemor era mensal, tinham saído dois e tinham agradado.
Mas, em tudo ou quase tudo há sempre "um mas..." - Numa reunião na Câmara naquelas em que se verificam despesas e contas, um funcionário que ali tinha assento nessa altura, manifestou-se calorosamente, afirmando que se havia dinheiro para este jornal, também tinha de haver para o dele que estava em preparação. Era um amigo nosso, de nome Victor, que eu tantas vezes peguei ao colo quando ele era pequenino, e tantas vezes mimei quando já era rapazinho; e até foi à festa do nosso jornal; - com amigos como este, não preciso de inimigos...
O resto adivinha-se, a Câmara não deu para o jornal dele, mas cortou imediatamente todo o apoio que nos tinha prometido. Ficámos entregues a nós próprios. Confesso que desejei desistir nesse momento. Perdi toda a força inicial, mas o meu marido não, e decidiu continuar. Mudou de tipografia para outra onde o trabalho de impressão e distribuição era  mais barato, pediu mais publicidade, as assinaturas foram aumentando, e embora com dificuldades aguentámo-nos durante um ano. Não podémos ir mais além.  Quando os assinantes pensavam renovar a assinatura, despedimo-nos. Costumo dizer que o Jornal Terras de Montemor, nasceu, viveu, e morreu com dignidade.
São 12 jornais que mandei encadernar e guardo como recordação, e junto com eles guardo também os meus agradecimentos e estima, a quem connosco colaborou, e assim tornou possível a realidade dum sonho, que foi curto é certo, mas bonito enquanto durou.


quarta-feira, 28 de maio de 2014

Pedras com História

Neste Domingo fomos a Montemor, ao nosso, ao Velho, que está remoçado e ainda mais bonito. Também já visitei à anos o outro, o Montemor Novo, que é mais importante em comércio e industria (pelo menos assim me pareceu) contudo não tem a beleza do "meu" Montemor-o-Velho. Fomos então ao "nosso" Castelo, e que bem que ali se estava... Era de manhã, e o sossego era total.
 Lá em baixo a vila, e ali aos nossos olhos toda uma paisagem rica, longa a perder de vista...
 Os arbustos verdejantes atenuam em parte a rudeza das pedras, pois Castelo é fortaleza.
 Entrámos na Igreja, situada dentro do Castelo; a sua fundação data de 1090. Porém dessa primitiva Igreja pouco resta. A actual é quase toda do século XV. O respectivo restauro aconteceu entre 1483-1543, a mando de D. Jorge de Almeida, Bispo de Coimbra, com grandes obras e trabalhos de arquitectura de Renascença. A Igreja em estilo gótico, é de tres naves com duas ordens de lindas colunas torcidas, de cantaria, a sustentar o teto apainelado de madeira. O chão  todo em pedra, é também um pequeno panteão de campas rasas e pedras brasonadas de alguns ilustres daqueles tempos distantes. Deixámos a Igreja de Santa Maria de Alcáçova, que sempre conhecemos, mas à qual prometemos sempre voltar...

sábado, 17 de maio de 2014

O naperon da sala

Decidi colocar mais este. Não está ligado a nenhum segredo, é um crochet normal feito com um fio não muito fino. É grande, e costuma "estacionar" na mesa da sala de jantar.
E por agora não trago mais rendas, breve voltarei, mas com mais uma das minhas recordações; mais uma das minhas histórias verdadeiras.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O segredo do Algarve

Há uns anos atrás o crochet estava nos gostos de muita gente, jovem, adulta e idosa. Era comum em locais que exigissem espera, ou nos transportes, e também nos parques e na praia em tempo de lazer, vermos pessoas tecendo as suas rendas, mais ou menos elaboradas, mas sempre bonitas. Actualmente parece ter caído em desuso, e muitas jovens já nem apreciam esses trabalhos. Eu, como já não sou jovem, gosto muito de rendas, e tenho muitos desses trabalhos. E como gosto de os ver, dou-lhes uso. Na semana que passou, tive a empreitada de cuidar de alguns jogos de naperons, isto é, lavar e passar a ferro, tarefa  um tanto morosa, mas para a qual tenho sempre boa vontade, e no fim até me sinto compensada ao olhá-los.
Hoje, antes de os guardar, resolvi fotografar e colocar aqui. É o chamado segredo do Algarve, é interessante pelo facto de nunca se partir a linha, isso é que é o segredo.
Tenho a certeza que vão gostar.                  




sexta-feira, 9 de maio de 2014

Lindos e Amigos


                     "Assim deveriamos ser todos nós"

domingo, 4 de maio de 2014

O aluguer...

De há uns anos para cá o primeiro Domingo de Maio passou a ser o dia da Mãe. Os mais novos desconhecem, mas dantes era no dia oito de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, havia festa na Igreja dedicada à Mãe de Jesus, e também a todas as mães sem excepção. Posteriormente, entenderam separar, criar outra data para as mães normais, isto é sem santidade canónica.
Não estou a escrever com o intuito de censurar esta mudança, nada disso, mas não aprecio que tenha de haver um dia especifico para cumprir deveres, ou devoções, quando o ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, e ainda mais um, quando é bissexto. Afinal ser-se amigo num só dia, é muito pouco... cheira a obrigação, e isso é triste.
Mas mais triste, é muita coisa que actualmente nos chega através dos meios da Comunicação Social: - Não percebi, se está já aprovado, ou se ainda carece de algo para o ser, uma lei que vai permitir que qualquer pessoa se preste a fabricar um filho por encomenda. Assim o casal fornece "os materiais" e esta pessoa dá (vende) a mão d'obra... Já há nome; "barriga de aluguer." Perdoem, mas eu permito-me dizer, a que estado isto chegou... Decerto que me dirão que a ciência é imparável.
(Mas, não é a maternidade um acto de amor, o amor dum casal vivendo dia a dia as transformações que se operam, os receios, as esperanças, uma espera a dois tão íntima e ansiosa, que só termina na alegria maior do momento do nascimento.)
Barriga de aluguer, que nome feio, e triste! O Ser humano a alugar partes de si próprio... Não sou capaz de entender.
Depois, quem é a mãe?
E mais não digo. Daqui a algum tempo, se ainda se celebrar o dia da mãe, alguém poderá perguntar; -Dia de qual mãe? Da mãe de familia ou da mãe de aluguer?...