sábado, 15 de novembro de 2014

Veio para ficar

Passaram três mêses e meio, sobre o dia em que o passarinho voou para mim... Hoje decidi fotografá-lo, como fiz quando ele chegou; e comparando as fotos vejo com agrado que já está maior.



Está bonito, não acham? Eu até estou vaidosa  com ele...

sábado, 8 de novembro de 2014

Os pinheiros

Na pequena aldeia toda a gente o conhecia, era o homem que tinha habilidade para tudo. Era chamado para podar as árvores de fruto, para empar as vinhas, varejar as oliveiras aquando da apanha da azeitona, e era ele também que passava noites e dias no alambique, a fazer a aguardente dos homens ricos da terra. Era até apontado como especialista para a qualidade daquela bebida.
Também era habilidoso com as madeiras, e quando nascia um bébé logo o "ti Manel" era encarregado de fazer o berço, e depois uma arquíta para arrumar a roupinha ... Não era obra fina, mas servia. Também quando os pratos de loiça ou as caçarolas de barro se partiam, ele consertava. Punha uns agrafos de arame rematados com cal; davam-lhe o nome de gatos. ( Quem se recorda disso, actualmente? Quase ninguém...)
Sabia ler, mas pouco tempo andou na escola. Quase menino ainda, começou a trabalhar na lavoura com os pais, e deles seguiu também o exemplo da honestidade, e do respeito a ter por toda a gente.
Assim cresceu e chegou à idade adulta, e era muito estimado.

O ti Manel mais a sua Maria até tinham uma vida jeitosa, muito trabalho e duro, mas viviam com o suficiente. Tinham umas térrinhas que amanhavam, oliveiras, uma pequena vinha, e um bom bocado de pinhal donde traziam os ramos secos para o lume, e o moliço para o curral das vacas. Poupavam os pinheiros para crescerem, porque teriam mais valor quando quisessem vender alguns.

Uma manhã por volta das dez, estava a Maria a amassar a brôa, quando pelo postigo da porta da cozinha o vê a caminhar para casa  a passos largos, parecia zangado... preocupada, correu para a porta.
- Então homem, que aconteceu? ainda à pouco daqui saíste... Mas tu não trazes nada, então que fôste tu fazer ao monte?
Eu; eu; eu nem sei que te diga... eu até venho tonto; nunca pensei. Canalha! Se eu o tenho encontrado lá no pinhal eu estrafegáva-o, ai de certeza.
- Mas quem?! Oh homem, fála que se me parte o coração só de te ver assim... Valha-me Nossa Senhora, fála...
-Aquele safado, roubou-nos dois pinheiros dos maiores, vê lá tu, vê lá tu...
-Quem ?
- Quem, pois, quem ? Tens razão. O tráste do Zacarias, grande ladrão... Ah, mas ele paga-mas, tu vais ver...
A Maria já apertava as mãos na cabeça...
Mas, admirada repetia; - o Zacarias? Não pode ser! Então esse é o homem mais rico da terra, ele tem três ou quatro pinhais, tem pinheiros com fartura, havia de ir cortar os nossos?!
Tu tens a certeza que foi ele?

-Pois é o mais rico, e também o mais sem vergonha. Foi ele; o  nosso Padrinho Felício viu tudo e contou-me, mas pediu muito segredo, porque com aquele animal todo o cuidado é pouco.

Fiquei sem pinga de sangue, parece que até cambaleava... mas depois sentei-me numa pedra na beira da estrada já aqui perto, e procurei acalmar-me, e depois  fui a casa dele.
- O quê homem, o que me estás tu a dizer, foste a casa dele, fazer o quê?
- Olha fazer nada! Mas ao menos procurei.
-Sabendo eu o bruto que ele é, fui com boas fálas e disse-lhe que os trabalhadores dele tinham feito a asneira de cortar dois pinheiros meus, secalhar sem ele saber, porque o meu pinhal era mais perto. E que ele não tinha culpa, mas tinha o dever  de mos pagar, enfim, eu lá fiz das tripas coração para me atrever a falar assim...

-Então, e ele?
-Ele? destratou-me, ofereceu-me porrada, e gritou-me  que saísse dali depressa, se não queria que ele me  assanásse os cães...  Aquele ladrãozão! Fiquei tão triste e até envergonhado... Eu é que ainda fiquei envergonhado vê lá tu. Mas com uma danação tão forte que ainda não me passou! Eu nem sei explicar o que senti e ainda sinto!  Ah, mas isto não fica assim! Não fica não! Ele ainda se há-de arrepender, isso te juro eu...

-Ai homem, não digas isso! Acalma-te, por Deus te peço que te acalmes. Ai que estou com o coração mais negro do que a noite, e apertado que nem ervilha sêca...

-Tem paciência mulher; mas olha, ir dar parte na Guarda, de nada vale, eles vendem-se pelos garrafões de vinho e de azeite que ele lhes dá, portanto nada a fazer, mas ele não vai ficar a rir-se de mim, isso te garanto, ou eu não me chame Manuel Silva.

Os dias iam passando e o Manuel não voltou a falar no caso. Havia porém uma alteração no seu modo de vida;  passou a ir todas as noites à taberna. A Maria reparava, mas não ousava falar, com receio da razão de tal comportamento.
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Entretanto a oportunidade esperada chegou:
O Manuel estava na taberna quando viu o Zacarias entrar. Fez que não o viu, e continuou a fumar o cigarrito habitual após o café. Daí a pouco pagou a sua despesa disse adeus, e calmamente saiu.
Caminhou pela ruela de chão de terra batida até chegar á enorme  figueira, velha árvore situada na borda do caminho, mas cuja copa enorme se dividia entre a terra de semeadura e a estreita ruela.
Subiu pelo tronco escorregadio e acomodou-se entre os ramos, e depois esperou. "Quem espera sempre alçança, diz o provérbio..." quando o Zacarias ia de regresso a casa, ao passar por baixo da figueira, ele saltou-lhe pra cima. Embora de muito menor estatura, com este ataque imprevisto atirou-o ao chão, e não lhe perguntou quantas queria, deu-lhe forte e feio, até o deixar ferido e inanimado. Depois, conhecedor do local, deixou a ruela, entrou na terra de semedura, e daí a pouco estava em casa.

O Zacarias homem de teres e haveres, detestado por muitos, e amado por alguns, tinha os seus conhecimentos, e mesmo sem testemunhas, o Manuel teve de responder perante um Juíz.

No dia da audiência ao ouvir da parte do Juíz a pergunta - o sr. confessa que bateu no Sr. Zacarias?
O Manuel imperturbável respondeu:- Meritíssimo Juíz, não bati! Mas confesso que gostaria muito de ter batido!
-Ainda por cima é petulante, comentou o Juíz a meia voz.

Bem, o Manuel apanhou dez dias de cadeia, secalhar pela petulância...

E lá foi cumprir, contrariado, e toda a aldeia lamentava o facto: "o ti Manel um homem tão respeitador, e foi posto na cadeia... Foi roubado, e ainda por cima está preso..."

A Maria, todos os dias palmilhava a pé os sete kilómetros, para lhe ir levar o almoço. Por volta do meio dia, de cêsta à cabeça, ela entrava na cadeia, sempre triste; não conseguia evitar, por ver o seu Manuel preso como se fosse um malfeitor.

Tinham passado cinco dias, já era noite fechada, e a Maria já tinha comido; sentou-se, ia tecer na camisola até que o sono aparecesse. Nisto ouviu bater suavemente na janela, e também a vóz do seu Manuel, quase um susurro: - abre Maria sou eu! Ela estremeceu... seria verdade? Esperou, ouviu de novo; já não tinha dúvidas, correu a abrir e aflita murmurou - Ah, Manuel, tu fugiste, Tu fugiste da cadeia! Ai homem, tu desgraçáste-te a ti e a mim... Vá-lha-me Deus, e sem palavras desatou em pranto.
-Está calada mulher, ninguém me seguiu, quando derem pela minha falta não sabem onde eu estou, e não veem aqui, não estejas assim nessa aflição.
Ela calou-se, mas sempre aflita não conseguia ter sossego. Já via os guardas à porta, e o seu Manuel no meio deles a caminho da cadeia outra vez, e o povo a ver... aquelas horas foram um tormento.

Amanheceu, e a Maria sempre previdente disse: - ó Manuel, tu daqui a bocado voltas prá cadeia, não é? Eles não te vão castigar, o guarda é tão boa pessoa, fálas com ele, vais ver que ele não te denuncía...
- Não vou nada prá cadeia, bem me custou lá estar estes dias parado, a olhar pró sete-estrelo. Eu não roubei nada a ninguém e nem matei, portanto não volto pra lá.  Ora vamos mas é combinar:- tu logo à hora do costume, vais na mesma lá à cadeia levar-me a comida, porque pra todos os efeitos tu não sabes de nada. Ouves o que eles te vão dizer; eu fico aqui em casa à espera de ti, e das novidades que me vais trazer, e depois logo se vê o que eu hei-de fazer...

A Maria chorou que nem Madalena enquanto preparou o almoço e o arrumou na cêsta, e depois partiu rumo à cadeia, como tinha feito nos dias anteriores, mas hoje além da  tristeza, ia cheia de preocupação e receios.

Quando a Maria chegou à cadeia, com a cêsta da comida, foi informada de que o marido não estava porque tinha fugido. Então é que a Maria deu largas ao choro e aos lamentos verdadeiramente sentidos. Já não ouvia ninguém, só gritava, e agora? o que vai ser de mim? o que vai ser dele?
O guarda da cadeia deixou-a desabafar a sua mágoa, e depois amparando-a  carinhosamente, sorriu e disse com ar amigo: - não chore mais, não se aflija, vá para casa, e quando ele aparecer, porque ele vai aparecer, diga-lhe que a partir de amanhã ele já está livre. É a ordem que aqui tenho.

domingo, 2 de novembro de 2014

Serão mesmo caprichosas?

São as Boas-Noites. 
Não apreciam o sol, e por isso as suas flores permaneciam fechadas. Só quando a noite chegásse, elas iriam abrir, e mostrar a sua singela beleza.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Na feira - mentira e violência...

Na Vila,cheia de história e belezas naturais, a vida era demasiado pacata, mas à quarta feira de quinze em quinze dias, acontecia a feira. Era centenária, tinha lugar cativo, e como mercado era deveras importante. Ali se vendia de tudo; - desde o simples mólho de erva (escalrrácho) para o gado cavalar, até aos finos objectos do mais puro ouro. Tudo o que era necessário se comprava na feira. Neste dia a Vila transbordava de gente, das freguesias e terras ao redor, e mesmo de algumas situadas a alguns kilómetros de distância.
Os feirantes vinham de lugares distantes, de furgoneta velha mas grande, outros menos abastados tinham carroça e cavalo, outros de carro de bois, ou burro, dependia dos géneros que vinham vender. Tinham lugar marcado no chão de terra batida, e bancada de madeira, e em local perto mas afastado, estacionavam os animais, e mais ao lado as viaturas.
A feira estendia-se por todo o grande  Largo da Feira, frente à estrada, e seguindo por ela e andando uns bons metros chegava-se à feira da sardinha. Sardinha e carapaus maiores e menores, fresquinhos ou salgados, era o peixe que nunca faltava.
Neste bocado de estrada que separava relativamente as feiras, na espécie de valeta que ladeava a via, e observando algum espaço entre si, estavam os mendigos. Também eles vinham de longe, não eram da Vila. Era um espectáculo triste, deprimente, desolador... Sentados no chão, todos tinham mazelas;  braço empanado, perna coberta de ligaduras, grandes chagas, sujos, ali exibiam as suas desgraças e pediam ajuda com lamentos em alta voz. As pessoas (eram muitas neste dia) condoíam-se e davam...
E nada mudava, e na feira seguinte, era igual...
Neste grupo, estava um pedinte diferente: tinha um pedaço de manta no chão, e nele uma criança que aparentava uns oito anos, e tinha umas proteções de borracha nos joelhos e nos cotovelos. A criança rastejava no pequeno espaço. E ele de pé chamava a atenção e pedia nestes termos: - olhem para esta desimfeliz!  Não se levanta, é como um gato. Tenham pena da minha Xiquinha!  A miúda gritava a dizer - eu não sou isso! Sou Zulmira! - Não és nada!  Vêem? ela também é maluquinha da cabecinha dela, tenham pena!
Sobretudo as mulheres comoviam-se com a triste sorte da menina, e deitavam na "bandeja" uma moeda, ou alguns géneros que retiravam do que haviam comprado. E assim passou muito tempo, a menina até estava maior, e mais pena dava a quem a olhava, e ouviam-se comentários;- coitadinha está a tornar-se uma mulhersinha, e nesta desgraça.

Um dia a menina não veio, mas o pai estava no mesmo local, agora sentado no bocado de manta, e de camisa prêta. Na mesma estendia a mão à caridade, e às perguntas sucessivas que lhe faziam, respondia pesaroso que a sua Xiquinha tinha morrido num desastre, onde ele também ficara ferido, e ainda trazia a perna com talas.
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Era verão. Estava um sol bonito, mas sobretudo muito calor. Na fonte à beira da estrada no lado norte da Vila, a Nazaré e a Anita aguardavam que a água lhe enchesse  os cântaros, para regressarem a casa. Conversavam sobre a séca que neste ano estava a dar prejuísos enormes, e nem repararam que um pequeno automóvel havia parado do outro lado da rua. Só quando ouviram falar é que o viram, e se aperceberam de que no seu interior estava um casal. A senhora era nova (viram depois) e saiu rápida do carro dirigindo-se logo para a fonte. Sorridente, saudou as duas mulheres com um sonoro Boa Tarde! Depois acrecentou:
-Está  tanto calor, que eu estava desejando chegar aqui para beber água...
- Beba beba, que é fresquinha e não custa dinheiro... Mas diga-me uma coisa, disse a Anita  - então já sabia que havia aqui uma fonte? Mas a senhora não é daqui...  Querem ver que adivinha?
-Ela sorriu agradada com aquela quase familiaridade, e respondeu.
- Ah, quem me dera ter esse predicado, de adivinhar...Também eu, retorquiu a Anita; sobretudo se adivinhásse o numero da sorte grande; olhe, não andava mais a acartar a água, pagava a quem ma viesse buscar. A Nazaré que até aí tinha estado calada, resolveu também meter palavra; - não querias mais nada, ora esta? Só querias ficar rica, para te dares à molenguísse... ora, morrias logo, tu sabes lá estar quieta.
Riram-se em coro. O marido que entretanto saiu do carro juntou-se ao grupo, e também entrou na risada; depois olhou o relógio e disse, temos de ir andando.
Vinham do Pôrto e iam para Fátima, queriam chegar cedo, e já se despediam quando a Anita se lembrou ;- então, mas afinal não satisfez a minha curiosidade; - não disse ainda como sabia que havia aqui esta fonte....
Não é de cá, e agora já sei que vive no Norte...

Súbitamente o riso desapareceu completamente do rosto da senhora bonita, que ficou calada um momento como que a ganhar  coragem, mas depois respondeu:
- eu quase fui criada por aqui, as senhoras secalhar até me conheceram... E os olhos encheram-se-lhe de lágrimas, e o peito estremeceu-lhe em soluços que não conseguia evitar.
A Nazaré ficou sem palavras, e a  Anita muito aflita por ter sido a causadora, com a sua insistência, daquela reação, da qual não entendia o porquê. Quis manifestar-se, dizer algo que trouxesse de volta a boa disposição anterior, mas só lhe ocorreu perguntar:
- Então, e está a chorar só por isso? Por ter sido criada por aqui? Não é razão...
-Por um momento ela reprimiu as lágrimas teimosas e respondeu:
-Eu sou aquela menina, que rastejava na feira. Sou a Zulmira.
-Nunca fui deficiente, nem tolinha...

domingo, 26 de outubro de 2014

Pela Cidade de Tomar

 A tarde estava no fim, já não havia sol, e o Parque ficou deserto.
 Acho o Corêto engraçado; - páro sempre a apreciá-lo quando aqui venho. Parece-me um bolo de noiva; - só lhe falta ser branquinho...
A paisagem habitual do Outono, as folhas caídas fazendo tapete sobre a relva. A Natureza marcando seu ciclo, sem precisar de relógio.

sábado, 25 de outubro de 2014

Na Cidade dos Templários...

 As águas calmas do rio Nabão, numa tarde quentinha de Outono.
 A ponte a convidar-nos a atravessá-la e a entrarmos para um passeio no Parque.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Isto é Portugal

Subimos até ao alto e entrámos no Castelo Mourisco. Fotografei ao acaso, e na segunda foto sobressai um edificio de grandes dimensões, é o Hotel dos Templários. Qual é o nome desta cidade?
Eu sei que sabem, querem dizer-me?

sábado, 18 de outubro de 2014

Já fez cem anos

O sino da Igreja começou a repicar alegremente, e as pessoas que no adro esperavam para ver sair os noivos repetiam: - já está casada! Já está casada!  Umas quatro raparigas aproximaram-se da porta da Igreja, cada uma com um prato de pétalas de flores na mão, para as atirar ao casal assim que ali chegásse. A aldeia era pequena, todos se conheciam, e todos participavam das alegrias uns dos outros.
A comida para a boda estava decerto a esfriar, porque os abraços não acabavam mais, e retinham os noivos ainda no Adro da Igreja.

Uma familia em perspectiva, dizia um dos acompanhantes, ambos sabem bem tratar da lavoura, irão ter casa farta com o produto do seu trabalho. E assim aconteceu, fizeram as sementeiras, as  sachas e as mondas, e viram as searas crescer, porém o Zé já não fez as colheitas.
Num dia que foi demasiado triste para a Rita, o Zé recebeu ordem para se apresentar no Quartel, que ele já conhecia, porque iria ser mobilizado para seguir para França; a guerra  havia começado, e Portugal como aliado de Inglaterra ia participar.

A Rita gritou, e depois desfez-se em lágrimas. O Zé  fazia-se forte e repetia;- tem coragem mulher, nem todos que vão prá guerra lá ficam.- Eu hei-de voltar! - Eu volto, vais ver...  - Sei lá se voltas, dizia em lágrimas a Rita. - Estou cheia de maus presságios, tenho o coração negro como a noite...

Passados dois dias, o Zé lá partiu, e com ele também outros homens dos lugares próximos. Na aldeia só se ouviam lamentos, não se falava noutra coisa.

Entretanto o tempo foi passando, a Rita tomou coragem, e deitou mãos ao trabalho; a lavoura ocupava-lhe o tempo de sol a sol.
Começou a ter esperança, e pensava - talvez Deus o proteja... E à noite na cama sózinha, rezava e pedia a almejada proteção. Era crente, e a fé uma enorme força, agora já não queria pensar no pior, o seu Zé iria voltar, dizia em pensamento.

Mas não... numa manhã de céu enevoado, inesperadamente alguém bateu à porta:
- quem é? inquiriu a Rita antes de abrir...
A voz de fora respondeu - carteiro! Sobressaltada correu a abrir a porta, ansiosa...
- trago uma carta, é do exército; disse o Sr. João, o carteiro, com ar apreensivo.
- eu não sei ler, abra se faz favor, e diga-me o que é que aí vem... disse a Rita já de lágrimas nos olhos.

Choraram os dois, o Zé não voltaria mais, ficara naquela batalha maldita.

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A Rita vestiu o luto das viúvas, chorou a sua mágoa, viveu a desilusão e a tristeza, maldizendo aquela guerra estúpida e má, que tanto mal lhe tinha causado. As amigas davam coragem, com opiniões repetidas, que ela só tinha era de procurar conformar-se, porque já nada havia a fazer...

O tempo ia passando, a Rita continuava a trabalhar, e quantas vezes com as lágrimas a cairem na terra que cavava.

E um dia um primo do Zé, o Jorge, fez por se encontrar com ela no caminho para a mercearia. Falaram pouco tempo, ela tinha sempre pressa. A situação repetiu-se algumas vezes, sempre de modo igual. Mas um dia depois de muito pensar, ela decidiu dar crédito ao que ele lhe andava a propôr, e aceitou recebe-lo em casa para acertarem pormenores.

O Jorge todo palavroso, fazia-lhe referência favorável, dizendo que se sentia com sorte, pois ela até já tinha a casa posta, era um bom principio para ele. Começou o namoro... Combinaram casar daí a tres meses.
A Rita voltou a sonhar!
Mas o sonho acabou em pesadelo, quando um dia por uma questão fútil o Jorge se mostrou agastado e deixou de aparecer.

Ela deixou-se ficar "nas suas tamanquinhas" como sói dizer-se, mas daí a uma semana as lágrimas voltaram aos seus olhos. O Jorge ia casar com uma vizinha que já esperava um filho dele, e até a data para o casamento estava marcada.

No dia do casamento, a Rita, pela janela entreaberta viu o cortejo com os noivos todos sorridentes.
Também ela esperava um filho do Jorge... Em lágrimas ajoelhou-se no chão da cozinha,  e desta vez não pediu ao seu Deus qualquer proteção. Pediu para aquela mulher que hoje era noiva, que se gozásse tanto do marido, como ela, que foi enganada na sua boa fé, e estava só.


Um mês depois, também o Jorge foi mobilizado, e mandado para a guerra. Morreu no campo de batalha em França.
Não chegou a conhecer o filho legitimo, nem a filha da Rita, ambos da mesma idade.

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( Estamos em 2014.  100 anos sobre o inicio da primeira Guerra Mundial )
Escrevi este texto, simples, baseado em factos verídicos)

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Presentes da Natureza

Não sei qual será o nome destas flores, mas atrevo-me a chamar-lhes sorrisos.
                     E a estas chamaria esperança e prosperidade...
Quem pela hera passou, e uma folhinha não apanhou, dos seus amores não se lembrou...
                                       Eu lembrei-me....

Na varanda

Hoje amanheceu enevoado, a anunciar que a chuva não tardaria a cair. Estamos assim numa espécie de inverno antecipado; mas sem frio.
Abri a janela, e tinha uma visita na varanda, uma pombinha.Tenho de dizer que me  esperava, pois se até ficou à espera que eu fôsse buscar a máquina para a fotografar...
Só depois sem pressa ou qualquer susto, voou ao encontro das companheiras,

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Adeus Algarve

 
O tempo magnifico, quentinho, o mar em que eu vejo sempre beleza, e a ausência de  tarefas de que ainda não me divorciei e que na Figueira me aguardavam, fez-me sentir pena de me ausentar sem termo, deste Paraíso. Um tanto penalizada, fotografei, e disse adeus...  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Natureza em paz

       As pedras que parecem restos de animais mumificados...
                                    O anoitecer à beira mar.

Sem mêdo da água...

 O Cão dos vizinhos, do chapéu ao lado do nosso, só queria brincar e ser simpático.

Ainda o mar

Pela manhã cedinho, com sol pouco intenso e pouca gente também.
Caprichos da água no chão rochoso.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Milagres da Natureza

Duas flores bonitas que eu trouxe de Armação de Pêra para a minha amiga Nouredini, com um beijinho e um lamento, por não conseguir colocar comentário no seu Café e Bolinho.
Mesmo sem culpas, eu me sinto em falta com esta anomalía prolongada.


Abraços apertados para você amiguinha Nouredini.
Daqui, deste Portugal, da Dilita.

domingo, 5 de outubro de 2014

Mesmo na praia...

Olá amigas e amigos!

Neste momento em minha casa,a T.V. está a apresentar um jogo de Futebol entre o Benfica e o Arouca. O meu marido que entre nós se tem confessado "curado" ( o que não é verdade) está ali caladinho a roer a unha, porque o Benfica ainda não marcou.
Assim, benfiquista sofre.....

Um dia depois de chegarmos ao Algarve ele somou mais um aniversário. Já sabemos que a boa disposição tem de vir de nós, principalmente quando não há mais ninguém por perto que ajude à festa.
Então eu sósinha, cantei-lhe os parabéns, com os versos todos,como cantam os Brasileiros. E ofereci uma prenda que tinha comprado cá, e levei escondida.
Ele gostou muito, usou logo nesse dia, e em muitos mais. Vou colocar a foto, ela diz tudo...

 Só lhe falta a coroa de louros para parecer um romano, mas fora de tempo, pois  os dedos em V de vitória, referem-se ao Benfica.
Coloquei também esta, afinal "o velhote" ainda tem boa perna...

Outras escadas...


Seriam estas a meu gosto?
 São um pouco mais agradáveis, por serem de madeira e divididas em  patamares...
Mas são quarenta degraus... Mesmo assim tiveram a minha preferência, e como recordação a foto.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Há que descer, ou subir; para ler 4 versos.

Devo andar demasiado ocupada e distraída, pois nem dou pelo tempo passar. Confesso que acho desagradável, mas não há nada a fazer; isto é a realidade nua e crua. Mas pelo que me apercebi não sou só eu, porque quando estavamos a almoçar o meu marido fez alusão igual, ao lembrar  que já faz hoje oito dias que deixámos Armação. Pois, as férias deste ano já são passado, resta-nos a recordação e as fotos.
 As escadas do meu descontentamento... São vinte degraus, detestei descê-los.
Mas gostei da obra; simples, com as cores tradicionais e das piteiras quais sentinelas sempre firmes.
E onde houver poesia eu paro... E parei, e gostei desta quadra que nunca tinha lido, embora guarde em casa alguns versos deste autor.

Uma amostra de chuva...

Algarve é sobretudo praia;  com céu azul, sol muito luminoso e mar agradável.
Bandeira amarela, não estava nos planos, mas, o mar estava um pouco zangado...
 Daí a pouco uns pingos de chuva caíram do céu com alguma intensidade...
 Depois parou de chover e um arco-íris se formou rápidamente,
E logo após, o sol voltou para ficar, primeiro desmaiado, mas depois em todo o seu esplendor.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Chegámos a Armação de Pêra

O sol ergueu-se cêdo naquele Domingo, ultrapassou o rendado dos cortinados do quarto, e indiscreto acordou-nos. Belo despertar sem dúvida.
Breve dissemos adeus à linda Grândola, e fizemo-nos à estrada rumo a Armação. Foi práticamente um passeio, não tinhamos pressa; chegámos com tempo para nos acomodarmos, e depois ir almoçar ao restaurante de sempre. Como já para ali vamos há muitos anos, nada é novo, é tudo habitual, contudo gostamos de rever as pessoas de quem nos despedimos no ano anterior.


E de rever o jardim onde gostamos de voltar. Estar aqui é estar na praia, é só descer a escada e temos a areia aos pés. As palmeiras não param de crescer...

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

De passagem por Grândola

Disse adeus até breve, e felizmente aqui estou de novo. Eu sempre digo que gosto de sair para férias, mas também gosto muito de regressar, e regressei contente.
Foi tudo agradável, desde a viagem à estadia, e daqui a pouco até vou sentir saudades...
Naquele sábado ensolarado, saímos de casa de manhãzinha rumo "à nossa" Armação de Pêra, mas com a perspectiva de ficarmos no Alentejo, e só no Domingo seguirmos para o Algarve. E assim aconteceu, ficámos em Grândola. Outrora esquecida envolvida na planície, hoje ninguém ignora a existência da Grândola Vila Morena, mercê da canção criada por Zeca Afonso, e esta imortalizada por ter sido escolhida como a Senha que marcou o inicio da revolução de Abril.
Como diria o Carlos Malato, " já fui muito feliz em Grândola."
Permanecemos largo tempo no Jardim, muito arborizado, cheio de frescura, e depois fomos à procura de algo que recordásse o Zeca Afonso, e encontrámos.



Esta foto saiu errada, mais chão que céu; "pró ano eu rectifico..."

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Até breve...

Caras amigas e amigos que aqui me visitam e deixam a vossa estima, traduzida em palavras simpáticas com que me mimam, e também a todos os outros que não dizem nada, mas que têm a paciência de ler o que eu rabisco, quero dizer que vou dar férias ao blog.
Vou até ao Algarve, na expectativa de encontrar sol e mar de água tépida. Deixo a nossa linda Praia da Claridade apenas porque a água é fria, mas no dia em que este video foi feito, (na passada semana) ela rivalizava com qualquer praia do sul do País. Mas diz o provérbio "que Santos de ao pé da porta não fazem milagres" e mudar de ambiente também nos agrada, e faz bem ao espírito. Espero regressar no fim do mês. Aceitem os meus cumprimentos, e um abraço do tamanho do mundo. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Eram amigos, mas...

As duas ambulâncias estacionaram em frente à entrada para as urgências do hospital. Tratava-se de casos graves, e os maqueiros apressaram-se a  entrar pedindo passagem livre, e sem parar desapareceram através da porta de vai e vem.
Um casal idoso que aguardava sentado, comentou em jeito de lamento - dois feridos graves, que terá sido? decerto um acidente de carro, está sempre a acontecer...

Sem coragem para mais, as esposas dos feridos ficaram junto duma das ambulâncias, com o coração a baloiçar entre o mêdo e a esperança.
Passou algum tempo, e entretanto os maqueiros reapareceram com as macas vazias, e encaminharam-se para as viaturas.
Não foi necessário eles falarem; a Luísa e a  Rosa abraçaram-se e confundiram entre ambas, os gritos e as lágrimas durante alguns minutos. Quando se acalmaram, ouviram que os maridos estavam em perigo de vida, e que ficavam internados.
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 Era um dia de primavera; tempo ameno, propício ao inicio das sementeiras. O Zé acordou cedinho como havia planeado, vestiu a roupa de trabalho,tratou do gado, foi almoçar, e de seguida pôs as vacas ao carro, (carro de madeira) neste colocou o arado, e outras alfaias agrícolas que lhe pareceram necessárias, e rumou ao campo onde tinha uma boa tira de terreno que havia herdado dos pais, e que ele cultivava com enorme gosto e esmero.
Antes olhou para a porta e chamou - Luísa! Luísa!  Ela apareceu:   - então não desces esses degraus para vires aqui  dizer-me até logo? Que é como quem diz, para me vires dar uma beijoca... Ela sorriu e desceu lésta. - Claro que não te deixava ir embora sem um agrado! Tu é que estás sempre cheio de pressa...
-Sou assim, tu já sabes. -Sei, claro que sei; logo vou lá ter contigo ao campo com o almoço, e olha que até levo broa mole, deve ficar cosida a tempo, já pus o lume ao forno. - Que bom, disse ele, já estou a ansiar por isso... bem, são horas de ir andando. E lá se pôs a caminho.

Agarrado ao arado que fundo sulcava a terra, o Zé nunca parou em toda a manhã, trabalhava animado, sempre a assobiar, musicas alegres, ele gostava mesmo do campo.
Agora que o sol estava a pino, a Luísa já não devia demorar... Desatrelou o gado, levou-o para a sombra e pôs-lhe alimento verde. Depois sentou-se ele também, à sombra.

Aguardando a sua Luísa e o almoço prometido, ele só tinha olhos para a serventia que antecedia as terras de cultivo. Reparou que outro carro de bois se dirigia para o campo, e cedo percebeu que o homem que conduzia o gado era o seu compadre Tibúrcio. Pôs-se de pé e esperou que ele se aproximásse. Ainda antes dos habituais cumprimentos, o Zé antecipou-se: - Ora ainda bem que veio, compadre! Estive toda a manhã sózinho! Não é que eu tenha mêdo; é que  um homem também gosta de falar!  - Tem razão  compadre Zé, respondeu o outro. Sabe, eu queria vir descarregar o fertilizante de manhã, mas não pude, assim,vim agora. Encaminhou-se para a sua nesga de terra, não sem antes ainda lhe perguntar pela comadre Luísa...

Estava tudo na paz de Deus, ou assim parecia, quando o Zé vê o Tiburcio a caminhar na sua direção e a praguejar- Admirado, e sem perceber a razão daquela atitude tão estranha, perguntou: - O que é isso compadre Tibúrcio?
- O que é isso, ainda me pergunta?
- Pois se não sei, pergunto, pois claro...
- Não se faça de anjinho, sabe muito bem que me anda a roubar.
- A roubar? Você está a brincar, ou a ofender-me? Eu ando a  roubar-lhe o quê?
-Quer que eu diga, pois eu digo. Desde há três anos que na altura das lavras, você me rouba sempre uma leiva de terra.É dali daquele lado. Já são três que você juntou ao seu terreno.Não tem vergonha? Ande diga lá se é mentira...
-Claro que é mentira. Eu não lhe admito, ouviu? Que disparate; as terras até estão sinalizadas com marcos.
E o Tibúrcio repisa; tem marcos mas de nada valem.
-Aqui o Zé perdeu a calma. -Sabe, eu não estou para lhe aturar tal difamação, ouviu? - Olhe que eu perco a cabeça e ainda lhe vou às fussas... e dito isto puxou dum foeiro do carro das vacas, e correu para ele. O Tibúrcio  por seu turno recuou, mas para ir buscar a forquilha, e logo de seguida investiu contra o compadre. Os dois envolveram-se em agressão mútua, uma agressão raivosa que só parou quando ambos caíram  por terra sem sentidos, e a esvaírem-se em sangue.

A Luísa chegou com o almoço e ainda os viu cair. Sentiu-se vacilar, mas tinha de ser forte. Correu, a gritar por socorro, e alguém a ouviu...
                                     
                                       
Os homens estavam muito maltratados. O Zé a contas com perfurações no intestino, foi operado de urgência, e o Tibúrcio com fraturas e traumatismos, também não se livrou de várias intervenções cirúrgicas.
Estiveram com prognóstico reservado, permaneceram no hospital durante três meses, mas escaparam.
Passado o período crítico, foram colocados na enfermaria, cada um em sua cama, mas ao lado um do outro. (seria por castigo? )  Mesmo assim, continuavam enraivecidos, não se falavam, nem se olhavam sequer, e assim viveram quase até ao fim do internamento.

A Rosa e a Luísa iam juntas ao hospital diáriamente, alhearam-se das zangas deles, só queriam que ambos se curássem. Visitavam os dois, e para ambos tinham boas palavras.

Uma semana antes de receberem alta, o Tibúrcio logo de manhã pouco depois de acordar, soergueu-se na cama e chamou,     - compadre Zé, está acordado?  -  Estarei a sonhar, interrogou-se o Zé... mas respondeu que sim.
Então ouça; - quero pedir-lhe que me perdôe pelos males que lhe causei. Eramos tão amigos! Tornei-me um obsecado avarento, e vi o mal onde ele não existia, andei cego de olhos abertos...
Foi preciso estar na eminência de me juntar à terra, e fundir-me com ela, para ver como estava errado, e arrepender-me.  Repito, perdoa-me?
-O Zé surpreendido, achou que também lhe devia pedir perdão, por o ter agredido tão brutalmente, porém, não lhe ocorreram as palavras adequadas para isso; chegou-se para a beira da cama, e em silêncio estendeu-lhe a mão.

E enquanto permaneciam de mãos apertadas, murmurou; - curaram-nos o corpo, mas não só, também a alma ficou mais sã!




domingo, 31 de agosto de 2014

A vidraça indiscreta

Depois duma noite bem dormida, ele acordou muito cedo. Das janelas compostas com cortinas de tecido fino, apenas sobressaía uma ténue claridade, era o alvorecer. A seu lado a esposa dormia placidamente o sono dos justos. Reparou nela, não era feia nem bonita, mas fora o seu grande amor. Tinham passado já alguns anos, quantos? Se calhar alguns 10, quando ele, terminado o curso universitário e arrumado num emprego, se apaixonou pela filha do seu próprio patrão. Já a conhecia dos tempos em que ambos estudavam na mesma Universidade, sem contudo alguma vez lhe ter falado mais do que uma fugaz saudação. Mas estava escrito no destino e, numa manhã de primavera, ambos ajoelharam na Igreja junto ao altar, trocaram as promessas habituais, as alianças, e receberam as bênçãos matrimoniais da igreja católica, embora ele fosse ateu.
Entenderam-se, e foram felizes, até aquele fim de tarde em que a mulher, da sua casa, o viu abraçado à Júlia, a vizinha da frente, na casa dela. Ficava perto, e a vidraça estava aberta. Sentiu que o mundo desabava e com ele todos os sonhos e esperanças que acalentava. Após uma troca de palavras duras, e algumas lágrimas, tornaram-se dois estranhos, mas continuaram a viver lado a lado.

Ainda a recordar o passado, ele  levantou-se devagarinho e saiu do quarto. Pouco depois entrava na cozinha, e olhando pela janela viu o que sempre quisera esquecer.Aquela vidraça antiga a uns metros de distância  ainda  ali estava, qual testemunha acusatória. A Júlia partira para o estrangeiro, e só a recordação ficara. - Não, nunca a amei! Tenho a certeza! - disse a meia voz. Contudo fora ela a causadora  da facada no seu matrimónio, e que alterou a sua vida para sempre.E de que forma? Depois de tanto email para que fosse a sua casa, mandou aquela sms em que afirmava com juras, que se suicidava se ele não fosse. Ele, ingénuo, acreditou. E foi.



segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Este é o Teco

Muito bonito, e fotogénico... E sabem a quem pertence?
À minha amiga Viviana;
que junto com a sua estima, me mandou a foto deste seu amiguinho.
Gostei muito, e não resisti ao desejo de o colocar aqui.
Obrigada Viviana por partilhar. Ele é mesmo uma beleza...


sábado, 16 de agosto de 2014

A rir também se denuncía

Oh, BES salgado! Quanto do teu capital,
São furtos a Portugal?
Pra te encheres, quantos
Perderam aos milhares!?
Que vigários foste subornar?
Quais se deixaram comprar
BES salgado
Pra tudo tu surripiares!

Quantos aumentos acções fundos
Inventaste imundos
Como mandaste tanto tempo
Em todos os regimes,
Sem idoneidade, que portento,
Pois que sem nada arriscares
Acabas por a muitos afogar
Em dívidas, aos mares!

Quantos projectos ceifaste,
Do tesouro público por saber.
Inda vais, da soberana
A todos enliar...
Só por te encheres
Até abarrotar!
Descansa, oh BES!
Cadeia tu não vais aguentar!

Um Espírito Santo te virá salvar!


( Recebi à pouco, desconheço o autor, que se inspirou em Fernando Pessoa.
Creio que o Poeta não levaria a mal...)

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Insólito

Hoje tive outra surpresa, esta não foi de manhãsinha mas sim um pouco antes do almoço e não me agradou mesmo nada. Tinha terminado a confecção da comida, e começava a pôr a mesa, porque daí a pouco iriamos almoçar. Aguardava a chegada do meu marido que não tardou, indo de imediato ao meu encontro, mas bastante transtornado. E porquê? Porque uns cães o tinham atacado. Vinha de calça rôta, e arranhões na perna perto da nádega. Muito perturbado não sabia se devia ir ao centro médico ou se, se remediava na prata da casa...  Fui ver, não era mordedura, e assim mais uma vez fui promovida a enfermeira, (enfermeira de trazer por casa) e procedi ao tratamento assim: uma chuveirada e uma ensaboadela com sabão da roupa; depois três passagens com alcool com tres algodões limpos; e finalmente uma passagem com água oxigenada. A seguir o almoço e um cafésinho para activar, pois o homem estava mesmo abalado. Mas daí a uma hora já se confessava óptimo, e no local de trabalho a laborar.
Mas também este incidente não aconteceu por acaso... infelismente há pessoas que gostam de manter débitos indefenidamente. O meu marido decerto estaria bem disposto, e decidiu passar pela residencia dum desses "que gostam de ser recordados..." assim poupava-lhe passadas, e recebia, caso ele quisesse pagar. Mas nem o chegou a ver, os cães anteciparam-se e da pior forma. Valeu ter ali o carro, se assim não fosse teria sido bem pior.
E agora pergunto eu - e se fosse uma criança?
Que imprudência terem estes animais soltos...
E.mais não digo.


Aqui o estrago produzido pela pata do cão...
Convenhamos que era preferível ter ficado em casa quietinho...
além do grande susto e indisposição, ainda sobrepôs outro prejuiso.



 

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Coisas simples, grandes gestos...


Hoje logo de manhãsinha fui presenteada com este mimo, uma flor linda ainda orvalhada, secalhar das caracteristicas orvalhadas de São João. E também algumas palavras muito bonitas, atenciosas, pois da amiga Viviana não se espera outra coisa que não sejam gentilezas, e amizade.

O blog da Viviana vale bem um visita. Passem por lá.
Como se chama ?
"Olhai o lirio do campo".
Vão ver que ficam com desejos de lá voltar sempre.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Poesia

              Refúgio

Se a solidão estrangulásse
Escolheria a roseira como ultimo refugio
Talvez não sobrevivesse ao impacto dos espinhos
E as rosas tombássem sobre mim,
Ou o seu viço amortecesse a minha queda.

Ou então,
Rasgariam no meu corpo um insólito epitáfio:
Aqui jaz para quem os sonhos se esfumaram
Ante pesadelos que em teima os superaram.

O futuro é o tributo de quem deliberadamente
Abandonou o passado
E vive num presente envenenado.

(Aníbal José de Matos)


O autor chamou-lhe Poema de Fim de Ano, e colocou-o no seu Blog em 29 - 12 - 2013.
Embora triste, achei-o muito bonito, e trouxe-o...