sábado, 3 de outubro de 2015

Monsaráz

 A vila medieval de Monsaraz (Monumento Nacional) é uma das mais antigas vilas de Portugal. Localizada numa região habitada desde os tempos pré-históricos, existindo na sua envolvente muitos monumentos megalíticos, Monsaraz é um primitivo castro que foi mais tarde romanizado e ocupado sucessivamente por visigodos, árabes, moçárabes e judeus, até ser definitivamente cristianizado no século XIII. Em 1167 foi conquistada aos muçulmanos por Geraldo Sem Pavor, caindo em 1173 para os almóadas na sequência da derrota de D. Afonso Henriques em Badajoz. Em 1232 voltou a ser conquistada aos árabes e em 1385 foi invadida pelas tropas castelhanas, mas cedo foi reconquistada por D. Nuno Álvares Pereira.

Depois da restauração da independência, em 1640, foi construída uma nova linha de fortificações, tornando Monsaraz numa vila praticamente inexpugnável. Monsaraz foi sede de concelho até 1851, ano em que se fixou definitivamente em Reguengos de Monsaraz. Em termos de património é importante destacar a Torre de Menagem, a Casa da Inquisição, a Porta da Vila, a Porta de Évora, a Porta da Alcoba, a Igreja Matriz de Nossa Sra. da Lagoa, o Pelourinho, a Igreja de Santiago, a Ermida de S. João Baptista, o edifício do Hospital do Espírito Santo e Casa da Misericórdia, a Ermida de S. José, os Antigos Paços da Audiência, a Cisterna e todo o casario característico da vila.

( Este texto foi copiado do Síte Oficial da Freguesia de Monsaráz.)

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As cores do Alentejo

Minhas amigas e amigos,
muito obrigada pelos vossos comentários.

Pois trata-se de Monsaraz, Vila que fica a uns quinze kilómetros depois de Reguengos de Monsaraz.
Deixamos Reguengos, a estrada corta a meio a planície, ladeada por enorme extensão de vinha (o já conhecido vinho de Reguengos, nasce ali...) e aos nossos olhos o longe do  horizonte sem fim, aliado a uma calma que nos contagia, faz-nos sentir que a vida vale a pena.
Encontramos um povoado com seu casario tipicamente alentejano, e com um belo Fontanário datado do século XVIII, é a aldeia do Telheiro, que descansa no sopé da grande colina que conduz a Monsarás, a Vila que lá no alto, na sua totalidade "mora" dentro do Castelo.


Alentejo da minha alma...




E agora já adivinharam?  O nome está aqui numa placa na saída. E assim já não dá para adivinhar, acabou a brincadeira... 
( É na Vila de Monsaráz.)

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Pelo Alentejo

Caros amigos, saudações para todos vós.

Afinal  acho que até me demorei.
Tenho de dizer que senti a vossa falta, e do computador também,
mas quem me dera voltar mais vezes...
Disse que ia à procura de histórias para contar, porém, não as encontrei...Trouxe alguns retalhos do Portugal antigo, (em fotografia) e mais algumas coisas que me prenderam atenção, e igualmente fotografei.
E agora vamos lá adivinhar, "onde estamos?"
 

sábado, 12 de setembro de 2015

Não me demoro...

Caros visitantes, amigas e amigos,

Vou dar descanso ao blog por uns dias. Vou procurar histórias para depois aqui contar...
Entretanto ficam duas fotos ; uma de Buarcos, outra da Vila de São Pedro, praias da minha actual Cidade a Figueira da Foz.
Abraços e desejos de bem estar para todos vós, e até breve.


segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Convulsão generalizada...

O Gabriel somou mais um ano. Fomos jantar na casa dele; ele fez questão que assim fôsse, só com a família e a Luna. No dia seguinte festejou com os amigos colegas da escola.
Como sempre, foi agradável, e quando chegou a altura de cantarmos os parabéns, a Clarinha tratou de nos acomodar para as fotografias, e fez várias.
Hoje ao abrir o correio encontrei esta brincadeira, e deu-me uma crise de riso.
Já agora, espero que também sorriam...



domingo, 6 de setembro de 2015

Natureza Viva

O prédio onde se situa o nosso apartamento é feio.
De arte, ou melhor, da arte que os prédios antigos ostentam, ou ostentavam, nada de nada este possui. Relativamente novo, é simplesmente um caixote grande, com caixotes pequenos encostados que são as varandas. Quatro caixotões devidamente separados entre si, formam a urbanização.Talvez a isto se chame arquitectura moderna; eu não poria aqui a palavra  arquitectura...  Mas nos átrios que circundam as construções, tem floreiras, e algumas plantas, e flores. E eu gosto de as ver, e de guardá-las em fotos...
Uma das floreiras que ladeia os poucos degraus que dão acesso ao portão de entrada.
A trepadeira deixou-se crescer quase até ao chão - já teve mais flores...
Esta magnifica rosa já adulta, encantou-me. Alguns botões ainda fechados estão no mesmo pé de roseira, mais uns dias e outras belezas vão aparecer.
E aqui o aromático incenso a estender-se sobre o banco de madeira...

sábado, 5 de setembro de 2015

Aniversário

Fazer anos!
Ou antes, somar aniversários...
Enquanto vivermos, não temos alternativa; começam por ser alguns, e quase sem darmos por isso o número aumenta, e no meu caso até já aumentou muito.
Mas, como já tenho "dito aqui", o que interessa é estar por cá, porque o lá, está prometido e certo.
Entretanto recebem-se bonitas palavras, e mimos.
Este foi o primeiro que recebi, e gostei muito.  

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Quem ainda se recordará?

Sereno corre o Mondego
Sem fadigas nem canseiras,
Beijando muito em segredo
As pernas ás lavadeiras

Assim são os namorados
Por essas estradas fora,
Sorridentes, descuidados,
Beijando-se a toda a hora.

Amor, amor, bem pouco duras,
És um rosário, só d'amarguras...
És um tormento, és um desejo,
Nasces dum sonho, morres num beijo!

Hoje quase sem dar por tal, achei-me a cantar estes versos... Aprendi-os com o meu pai, que os recordava duma récita de amadores, na qual tinha participado ainda relativamente jovem, onde fazia o papel do barqueiro, de vara na mão fingindo impulsionar  o barco que deslisava lento no palco entre salgueiros, simulando o rio Mondego. Durante "a travessia" ele cantava uma linda melodia, esta ode, ao rio, ás raparigas lavadeiras e ao amor.
Eu vim muito mais tarde, de modo que só imagino a cena, por ele contada muitas vezes.

Estou a falar da minha terra, Montemor-o-Velho, e do rio Mondego. Actualmente o rio já não corre sereno (nem alteroso) foi desviado o seu curso, não sei se era inevitável esta alteração tão drástica, só sei que tenho pena do nosso rio, e não sou eu a única.
Ainda me lembro de nele navegarem as grandes barcas, que vinham de Penacova, e o barco do sal que era do Casal Novo do Rio, e  que vinha buscar aquele tempero à Figueira da Foz, (minha actual cidade) para  depois ser  vendido a miúdo  ás gentes da Vila e dos arredores. O Mondego era navegável nessa altura numa enorme extensão, e tinha peixe, bom peixe, e os pescadores tinham cada um a sua bateira  (barco de madeira de fundo chato) e faziam-se à pesca e dessa faina sustentavam a sua família. Viviam humildemente, mas bastavam-se a si próprios, e eram honestos.

Na margem esquerda o rio corria encostado aos campos, tinha choupos de grande porte, e outras árvores, onde se abrigavam as aves. Pela manhã cedinho eram os passarinhos, que cheios de vida quebravam o silêncio com os seus  trinados ainda antes do nascer do sol.
Na margem direita era  areal, nuns locais areia mais fina, noutros nem tanto, mas areia e não terra, e também alguns tufos de salgueiros.
Toda a gente lavava no rio - e havia as lavadeiras de profissão. Formavam-se grupos que adoptavam locais, e fixavam lugares respectivos e pedras onde lavavam, determinação  respeitada  entre todas.

As pessoas eram alegres e cantavam muito, enquanto as mãos trabalhavam na lavagem das roupas, e quando se juntavam raparigas havia brincadeira quase sempre.

De vez em quando, faziam uma espécie de prova de resistência que, "pasme-se," consistia  em abrir uma cova grande no areal onde coubesse uma rapariga. Depois  ela embrulhava-se num dos lençóis que tinha para lavar, e deitava-se na cova, na horisontal. De seguida as outras cobriam-na com uma camada de areia de forma a ficar completamente tapada. E chegava o momento importante - era ela cantar uma cançoneta que já tinham escolhido. Uma a seguir a outra todas faziam a prova, e quem cantásse mais alto e melhor, era a vitoriosa. Gostavam de ouvir aquela voz vinda do chão...Para as pessoas mais velhas aquilo era uma aflição, mas para as jovens, era só risos.

Até ao dia em que a brincadeira ficou na história: - iniciaram-se os preparativos como de costume entre vozes e risadas, até a moça ficar "enterrada." Em voz alta ouviu-se então a ordem: - Vá, agora canta!  Canta! Canta! - exclamaram em coro. Mas ela não cantou. Repetiram a ordem, e nada, só silêncio e agora já aterrador.

Então a aflição generalizou-se... todas as mulheres saíram da água e correram em socorro.
-Desenterrem-na depressa ! - gritavam, já em lágrimas algumas das presentes, receando o pior. A união faz a força, e em poucos segundos a areia estava retirada  e o lençol à vista.
- Ao menos fala! Fala, diz alguma coisa! - pediam ansiosas as companheiras da brincadeira...
Porém ela continuava calada e imóvel.
Impotentes, desataram aos gritos, enquanto as mais velhas rezavam baixinho...
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A juventude sempre foi irreverente, e até insensata por ingenuidade.

"Já chegava, pensou ela talvez" - e uma forte gargalhada vinda de dentro do lençol, soou no meio daquela gente angustiada.
De seguida afastou o lençol, e a rir, a rir, começou a levantar-se, o que não aconteceu, porque uma das lavadeiras na ânsia de acudir, e sem se aperceber que a situação já tinha mudado, correu para ela com uma bacia que tinha ido encher ao rio, e atirou-lhe com toda a água que continha; e ela com o impacto caiu de novo na cova.

A cena, por momentos tornou-se hilariante, não fosse o facto da "lavadeira socorrista" ter desmaiado em seguida...
Mas tudo está bem, quando acaba bem, e foi o caso. Ressentimento era palavra e acto que ninguém ali acalentava.

        Era assim o Rio Mondego em Montemor -o- Velho em 1957
                        E eu também era assim, um pouco antes...




terça-feira, 18 de agosto de 2015

Os velhotes, o passeio, e as sardinhas da Nazaré

E então foi assim: - Era uma vez, dois velhotes que no passado sábado, feriado nacional, resolveram "fugir de casa" sem destino certo. Irem por aí abaixo, ou por aí acima, era indiferente, o essencial era ir.
Pararam na bomba de gasolina para alimentar o veículo, e depois motor a trabalhar viraram para sul. Foram para perto, grandes vôos não convinham... rumaram à Nazaré mais uma vez, a juntar a tantas outras vezes que ali estiveram.
Mas optaram por passear no Sítio, lá no alto, naquele local onde se diz ter acontecido o milagre que salvou da morte o D. Fuas Roupinho.
Diz-se que o cavalo galopava atrás duma corsa, ou veado, sem que o cavaleiro se apercebesse ou soubesse, que a enorme rocha de chão firme acabava  ali, e para além era o vácuo, o abismo do mar imenso a mais de cem metros abaixo...
Na eminência de cair ao mar, numa fração de segundo, o fidalgo gritou por Nossa Senhora, e o cavalo estacou.
Na rocha enegrecida, ainda à poucos anos era visivel uma pequena cova, simulando o feitio duma pata de cavalo, que atribuiam ao cavalo que estacou no limite do precipicio.
Existe uma Capelinha, chamada da Memória, que D. Fuas mandou erigir em 1182, como eterno agradecimento, e também para perpéctuar o milagre que o salvou.

Em terras de santidade, os milagres podem suceder-se :  -  então eles, os velhotes, ainda se atreveram a arrumar esta quantidade de alimento?!  Se me dissessem eu nem acreditava, mas a fotografia é bem ilucidativa... Não há dúvida que passear faz bem, e a mim em especial. Temos de voltar. Para a próxima será à Pederneira, outra povoação lá no alto, mais um pedaço da Nazaré.

Retalhos da Nazaré

 A praia da Nazaré fotografada do Sítio,no alto do promontório a mais de 100 metros de altitude.
 Um pormenor do imenso casario da Nazaré, e da escada de acesso pedonal ao Sítio.
O sol escondeu-se,  deu lugar à cor cinza, e aos chuviscos. Mesmo assim é visivel um dos elevadores. Já "o colega" mais distante, mal se vê...

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

No Sítio - na Nazaré

 Estarão de mal um com o outro? Tão calmos e tão distantes. Nem só um olhar entre si...
 As Nazarenas sempre teceram lindas rendas, esta cortina confirma o que sabemos.
Uma porta de entrada duma casinha lá no alto, no Sítio da Nazaré. Característico o conjunto, a porta de madeira escura com postigo, a aldraba (batente) e as barras pintadas de amarelo, em contraste com as paredes brancas.
Derresto lá no Sítio, tudo é diferente, ruas estreitinhas, largos floridos, e a paisagem enorme a perder de vista...

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Desabafo

O dia caminhava para o fim,ainda havia muito sol mas  na varanda já estava sombra, encaminhei-me para lá -  a temperatura agradável convidava a ali permanecer...  olhei ao redor, e observei o panorama mais uma vez. E pensei, como é bonito o que daqui a minha vista alcança; contudo é raro eu vir a esta varanda, como tenho também uma janela na mesma divisão, até me esqueço... Resolvi ficar até ver chegar o meu marido. O transito começava a aumentar, fruto do regresso a casa, de quem trabalhou fora todo o dia. Os semáforos caprichosos impunham regras, e os automobilistas acatavam, pois, nem outra coisa era de esperar.
Entretanto comecei a ouvir umas vozes de insatisfação, em baixo frente ao portão das garagens. Dada a altura a que eu estava situada, a principio não entendia o que diziam.

Mas não tardou  percebi - era um carro estacionado indevidamente, que impedia o acesso ou a saída das garagens. Está lá fixado na parede e bem visivel o sinal proibitivo  de estacionamento - mas quem nunca prevaricou, por distração, que atire a primeira pedra...

Há aqui um salão de cabeleireiro, e de vez em quando lá aparece uma cliente apressada que nem olha para a parede e arruma o carro ali, pois está tão a jeito... Depois com o barulho dos secadores não dá conta de nada, e quando regressa já o reboque trabalhou...

E desta vez a coisa estava a encaminhar-se nesse sentido, mas só de ameaças ainda, quando a criatura aparece e calmamente se dirije ao carro impávida e serena...
A D. Rosa dirigiu-lhe umas palavras de censura, feiosas, mas ela ligou a ignição e partiu sem uma palavra.

Apenas com uns segundos de diferença, e atrás dela saiu outra cliente, esta apressada - tinha o carro um pouco mais adiante e em local normal. Ligou a ignição e iniciou a marcha devagar para sair do estacionamento. Então a D. Rosa começa a acusá-la - ela parou e respondeu-lhe que não tinha nada a ver com a transgressão da outra senhora, e que nem a conhecia... E que tinha estacionado o seu carro no parque em lugar devido, nada havia para reparo. Dito isto, avança para a estrada, mas pára de novo e sai do carro, porque a D. Rosa continuava a maltratá-la com palavras, em voz cada vez mais alta. Gera-se uma discussão entre as duas, quase cara a cara. Confesso que receei que fossem mais além. O dono duma loja situada ao lado  do portão veio falar com elas, e colocando-se quase entre ambas, serenou um pouco os ânimos, e entretanto a senhora voltou ao carro e foi embora.

Eu cá de cima, muito  acima, sem que ninguém reparásse em mim, assisti a este triste espetáculo, e embora sem ouvir na integra tudo o que disseram, o que vi e ouvi, chegou para entender que nem sempre "estamos" livres de nos incomodarmos.

E também acho que a maldade humana anda exacerbada, não de modo generalizado, mas existe, e faz estragos. Fiquei com a desconfiança que aqui houve um gosto de embirrar por embirrar, porque eu não vi a D. Rosa usar a garagem após o incidente. Pelo contrário, vi-a a caminhar a pé.
Para quê então esta provocação? E, pior, dirigida a quem não tinha transgredido.
Eu não queria chegar a esta conclusão, mas...

Embora alheia a tudo isto, posteriormente não me livrei de ocupar a mente com este episódio tão feio,
ao qual eu preferia não ter assistido - devia ter voltado as costas antes do fim...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Na Serra da Boa Viagem - na Figueira da Foz

Lá em baixo o azul do mar confunde-se com o azul celeste. E aqui na paisagem agreste algumas  pedras,mas uma sobressai pelo tamanho, e por algo que tem nela escrito. Vamos ler...
Quando há alguns anos atrás um horroroso incêndio ateado por mãos criminosas, queimou todo o arvoredo da linda Serra da Boa Viagem, transformando-a numa triste paisagem Lunar, também este Restaurante situado no alto da Serra, ficou reduzido a escombros, em total ruína.
Hoje, mais parecendo que tal desgraça não passou dum pesadêlo, O Abrigo da Montanha aqui está, renascido das cinzas, igualzinho ao que era dantes.

domingo, 28 de junho de 2015

Na praia da Vieira, onde o céu é mais azul...

 Até breve Praia da Vieira, havemos de voltar, mas agora é tempo de regressar a casa.
 Mas antes, eu poderia lá passar e não entrar para ver estas belezas?  Eu já as conheço, mas não resisto... São as Vieirenses (estará  certa a palavra?) e as Nazarenas, nos seus trajes antigos, aqui bonequinhas de recordação.

sábado, 27 de junho de 2015

Ainda na Praia da Vieira

 Frente ao mar,um ótimo local para um refresco, ou mesmo uma refeição completa.
         Aqui a animação começa mais tarde,lá para o fim do dia
Fico sempre a olhar para esta casinha, ano após ano - uma casinha de férias em terra de praia, neste caso, na Praia da Vieira. Como não posso chamar-lhe minha, posso tê-la em fotografia. 
De ilusões também se vive...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Na Praia de Vieira de Leiria


De vez em quando, até mesmo no inverno, vamos até á Praia da Vieira. Agora já é verão, embora pouco quente, porém muito agradável para passear. Mas só hoje reparei neste simples mas valoroso monumento, que perpetúa uma enorme tragédia. Tantas vidas, algumas na flor da idade, destruídas por este mar tão bonito, e simultâneamente também tão cruel. Foi à muito tempo, mas os heróis não devem ser esquecidos, mas sim recordados e venerados eternamente. E assim é, nesta terra de pescadores.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Nostalgia


O sol estava a despontar e depressa a sua claridade alaranjada se projectou naquele banco adornado de azulejos. Era cêdo, a rua estava deserta, e o sol tomou a palavra...
- Estás velho amigo banco, tu e os outros cinco que te fazem companhia...
-Não, não estou; - eu sou mesmo velho, e os meus azulejos de que me orgulho tanto, ainda são mais idosos do que eu. Mas eu ainda estou forte, eles coitados é que estão fragilizados, também graças a ti e aos outros elementos, ditos naturais.
- A mim ? Eu, o sol, que tudo faço germinar ?!
- Fazes germinar quando não queimas com o teu calor impiedoso! Vocês são os culpados!
- Vocês? Então, além de mim, quem mais?
-O vento, a chuva, a geada o granizo - em anos e anos de agressões, provocam danos bem visíveis.

És capaz de ter razão, eu  sou distraído, e ando até um tanto esquecido...

-Pois eu tenho boa memória, e agora vivo de recordações, e são muitas - algumas alegres, e outras de muita mágoa.
- A sério ? Eu tenho tempo posso ouvir-te, queres desabafar?
- Quero sim, então ouve:
-Tenho saudades do tempo em que este edifício onde me encosto, era o Hospital de Nossa Senhora de Campos. Aqui vinham os doentes tratar da saúde, era um espaço prá vida, embora para alguns, ela aqui tivesse o seu fim. Ainda cá nasceram bébés... paravam aqui casais cheios de alegria, com o seu pequenino, e colocavam a alcofa em mim, enquanto esperavam o táxi que os levava para casa ; como eu gostava desses momentos...

-Agora é um Lar da Terceira Idade - nome pompôso - para um Internato de pessoas velhas. E não faltam as vozes piedosas, ainda novas, pois claro, com a afirmação de que não há velhos, porque velhos são os trapos! As pessoas não!
- Lérias! Velho é velho, e não há retorno para voltar a ser novo...

E este jardim?! Estava sempre cheio de flores... Até tinha um lago com peixinhos vermelhos, que eram o encanto da pequenada.
Esta zona era o local de passeio Domingueiro, e até de semana também, para os poucos que podiam vir até  aqui espairecer... As árvores fronteiras davam frescura e aroma. Agora, já lá não estão...
- Esta é a minha maior mágoa - não terem dó de cortar aquelas "vidas"... aquilo não eram árvores, aquilo eram monumentos! Enormes, saudáveis, e antigas... Não havia ninguém em duas gerações, que não tivesse comido as bagas doces que elas produziam. Hoje são só saudade.

-O sol que ouvia em silêncio, murmurou - mas porque fizeram isso? Foi um sacrificio em nome do progresso? Se assim foi...
-Mas qual progresso, malvadez humana lhe chamo eu, e  no meu entender de pedra dura, foi um crime! - Mataram-nas! - eu não lhes perdôo, mataram as minhas vizinhas queridas!

-O sol começou a esmorecer... Entendo o teu desânimo, mas não sei que te diga. Conta-me algo mais alegre, se é que consegues lembrar-te.

-Lembro sim: foi há muito tempo, anos sessenta. Na época em que os casamentos eram para toda a vida, e começavam pelo namoro, que  não era nada como é hoje.
-Assim num dia de primavera, um par de namorados em passeio veio sentar-se aqui. Percebi que namoravam à pouco tempo, estavam  na fase do encantamento. Ele aproveitando o facto de não passar ninguém, nem nenhum automóvel  naquele momento, sorridente pegou-lhe na mão, e numa pressa disse:- somos namorados, vou dar-te um beijo, e deu.  Ela nem tempo teve para dizer algo, corou até ás orelhas com aquele beijo rápido, que era afinal o primeiro do género, em sua vida. A seguir, ainda sorridente, ele senhor de si, falou:- então, eu dei, tu não deste, estou à espera...ela confusa acedeu e deu-lhe um beijo, muito apressado e completamente desajeitado, e corou ainda mais...
-Precisas de praticar, foi um beijo sem perfeição - mas não faz mal - disse-lhe ele ao ouvido, enquanto com as suas mãos segurava a mão dela com firmeza, e sorria.
Olharam o relógio, e daí a pouco, deixaram-me.

O sol animou-se e disse  - gostei da recordação desta ternura. E eles voltaram mais vezes?

-Só de tempos a tempos, mas beijinho não vi mais. Na rua, não era conveniente. Ele queria casar com ela, (e casou) e certamente não gostaria de dar azo a más interpretações. O povo daquela época era cruel, costumava dizer "mulher beijada, é mulher desgraçada"- preconceitos, a tocar o Medieval...
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-Mas sabes que eles me adotaram desde logo ?  Passaram a chamar-me "o nosso banco" e agora depois de tantos anos, ainda gostam de olhar para mim. Vê lá caro sol, que até me fotografaram...

-És um sortudo, e ainda te lamentas! Fico contente por ti, acredita, exclamou o sol.
Mas agora tenho de partir, e digo-te adeus, mas voltarei para me contares outra das tuas recordações.
Até breve...