" E sempre quem, quem vai e vem,
há-de afirmar:
-que a Santarém, hei-de voltar..."
E é certo, acreditem, porque a nós já aconteceu, várias vezes.
E no passado mês voltámos a Santarém, a linda capital do Ribatejo. Subimos até ás Portas do Sol para mais uma vez apreciarmos dali o belo panorama da lezíria imensa. Lá está a ponte velhinha e o rio Tejo, que imperturbável segue o seu rumo, correndo calmo agora, mas assustador no inverno quando o seu caudal se eleva e ultrapassa as margens alagando a campina.
Voltamos as costas ao panorama que nos prende, e olhamos o grande espaço ajardinado; estamos no que foi um grande castelo. Rodeado pelos respectivos panos de muralha, ainda se vêem os recortes das ameias de pedra escura - árvores de grande porte, canteiros com flores,bancos de pedra decorados de azulejos com imagens de cenas históricas, e estátuas em pedra, ou bronze, homenagem a portugueses que não devem ser esquecidos - formam um local atractivo onde sempre se quer voltar...
O sol começava a esconder-se, era altura de seguirmos para o centro da cidade, daí a pouco seria hora de jantar.
Gostei do ambiente típico do restaurante - mobiliário escuro, quadros nas paredes com motivos alusivos à campina e aos toiros, e sobretudo espaço. Toalhas brancas de algodão nas mesas, e as louças acastanhadas de barro vidrado, com o nome da casa pintado em cada prato, e os copos do vinho bem pequenos, de vidro liso e grosso. Também o café servido em copos do mesmo género, me trouxe à memória tempos distantes, quando nas festas da minha terra e também nos poucos cafés existentes na altura, o café era servido em copos como aqueles.
Recordar é viver? Neste caso será talvez reviver...
A comida foi do nosso agrado, e a bebida, um vinho do Alentejo.
" O que é Nacional é Bom!"
E numa cidade, acordar de manhã com os trinados dos passarinhos, é quanto a mim um privilégio, e assim nos aconteceu na capital do Ribatejo.
E por aqui se chega a esta linda cidade - e em sentido inverso também se lhe diz adeus.
Em silêncio respeitoso, ficámos estáticos durante alguns momentos recordando Salgueiro Maia.
É tal a semelhança no bronze que comove e emociona...
No chão numa placa pode ler-se :
"Por isso ficarás com quem vem
Dar outro rosto ao rosto da cidade
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
Trazendo a espada e a flor da liberdade"
(Manuel Alegre)
No canto inferior da mesma, a data da homenagem - 25 anos sobre o dia da revolução
E no canto oposto, a respectiva dedicatória.