Quantas folhas de calendários se desprenderam já, ao longo destes quarenta e seis anos, sem me ser possível esquecer esta data. É uma recordação triste, que ainda dói, mas mesmo assim quero guardá-la, quero que viva comigo enquanto eu tiver memória. Aquele dia amanheceu sem sol,o tempo estava seco mas enevoado. Porém eu tinha a alegria na alma. Quase ainda era noiva, pouco mais dum mês tinha passado sobre o dia em que casada, passei a viver naquele 2º andar espaçoso e soalheiro na Cova da Piedade. Costumava ao fim da tarde quando começava a anoitecer, vir para a janela porque ao fundo da rua estava uma paragem de autocarros, e o meu marido vinha num deles. Eu esperava-o ansiosa, alvoroçada e feliz; via-o saltar do autocarro e depois caminhar apressado rumo a nossa casa.
Eu não cabia em mim de contente, e um dia pensei -daqui a uns tempos eu quero ir a Montemor, quero ir ver o meu pai e pessoalmente dar-lhe conta da minha felicidade. Vou aparecer lá de surpresa. Será daqui a um mês, ou dois, mas vai ser.
Mas na sequência daquele projecto tão alegre, um receio me assaltou. -E se o meu pai entretanto parte para o além? Com toda a força da minha alma eu afastei de imediato tal pensamento negro, e como crente que era nessa altura,disse para mim própria, e em vóz alta, não! -Deus não me fará esse mal !-E continuei com alegria a alimentar o projecto.
Em frente à minha casa havia uma pequena mercearia,donde eu passei a gastar.Era o proprietário que atendia e tinha um empregado, um miúdo ainda, que todos os dias logo de manhã vinha saber o que eu precisava; tomava nota num bloco,e depois vinha entregar.
Naquele dia sem sol, o miúdo tocou-me à campainha como de costume, mas além do recado habitual, ele trazia outro que se apressou a dizer primeiro.- Um recado da terra da senhora.
-Para telefonar com urgência; ao mesmo tempo que me estendia um quadrado de papel com um numero de telefone. Pensei logo o pior, mas recusei acreditar.
Ansiosa saí de casa e caminhei até aos correios que não ficavam perto.Pouco depois no telefone surgiu a voz dum amigo, que apelando à minha coragem me deu a mais triste noticia que eu alguma vez queria ouvir. O meu pai já tinha adormecido para sempre. Paguei a chamada telefónica, e calada saí do edifício. Sósinha, sem conhecer ninguém ali, e chocada com a dura realidade daquela perda irreparável, eu senti-me como que perdida num espaço sem limites.
Algo tonta, uma sensação de vazio envolveu-me, vacilei e encostei-me ao muro duma pequena ponte que ali existia. Uns soluços descompassados mas sem lágrimas, abriam-me o peito...
Passaram segundos, talvez minutos, não sei... triste e desanimada deixei o muro, único amparo naqueles instantes, e voltei aos correios para telefonar ao meu marido, que no trabalho ignorava tudo isto.
Viajámos para Montemor no comboio internacional o SUD como era designado, que ia para França e só parava em Fátima e em Coimbra, onde descemos para apanhar um táxi. Durante toda a viagem um vasto rol de boas recordações apareciam uma a uma na minha imaginação, e que saudades eu sentia já. E indagava de mim própria com amargura, se enquanto o meu pai estava entre nós, eu teria sabido valorizar devidamente a sua enorme dedicação por mim... ele conduzia-me como pai, e mimava-me como avô, possivelmente em virtude da idade de avô que ele tinha quando eu nasci.
Ainda vivem Montemorenses que se recordam dos nossos passeios ao Domingo e eu a fotografar pormenores da Vila. E eu lembro também algumas expressões carinhosas das pessoas que encontrávamos e nos saudavam, e nós saudávamos; por exemplo esta " ó sr. Abel porque não pôs a esta menina o nome Marianinha ? o nome da sua mãesinha, ela é tal e qual a Ti Mariana que Deus tem..."
-E ele sorria e explicava -olhe receei que depois lhe chamassem Ana, e como não gósto...
E assim em catadupa tudo a memória me trazia, incluindo a ultima vez que pelo seu braço eu caminhei, foi até ao altar no dia do meu casamento,tinha sido há tão pouco tempo. Nunca mais o voltei a ver, e não mais o veria com vida.
No dia seguinte, no dia 11 de Março com alguns amigos à nossa volta, eu em extremo silêncio, vi o meu pai baixar à terra. Ouvi uma voz ao meu lado dizer para o meu marido -ó Olímpio tire a menina Dília daqui, leve-a... Era a Francelina,uma pessoa modesta, porém rica no sentir, quanto ao próximo. Um táxi aguardáva-nos ao portão, e de imediato fomos embora rumo à Capital.
Um tanto revoltada, senti que na minha terra eu já nada tinha, e nem mesmo uma visita àquele local a que chamamos sagrado, eu desejava fazer. E passaram anos sem eu voltar. Mas um dia voltei; levei um ramo de cravos, e tive de pedir auxilio ao empregado, porque entre as campas ornamentadas apenas pelas ervas que nascem espontâneas, eu não encontrava a que procurava. E então chorei, chorei o que não tinha chorado anos antes, naqueles inesquecíveis dias 10 e 11 de Março de 1966.
O meu pai tinha jazigo de família, mas cedo afirmou não querer ser lá colocado. Queria ser sepultado como a mãe, e para além desse sentimento, tinha passado a vida ao lado dos pobres, não seria na morte que se afastaria deles.E por isso ali estava ornamentado com as ervas que a natureza pródiga distribui sem reservas.Isso não o afectaria eu sei, mas era demasiado duro para mim, não aguentei.E logo no dia seguinte tratei da compra daquele chão, e de seguida mandei colocar uma campa como ele merecia, sem contudo entrar em luxos exagerados que ele condenaria. Numa placa mandei gravar também umas frases em que lhe peço perdão por o estar a contrariar, mas que de cabeça baixa lhe presto homenagem.
Nunca mais aconteceu não saber o local do seu repouso, pois jamais deixou de ter flores e uma luz acesa sempre,dia e noite.
Quis falar no meu pai, recordá-lo aqui na data do seu falecimento, mas agora que acabo de ler, reconheço que me faltou engenho, não soube fazê-lo devidamente, não gosto do que escrevi...
Num dos habituais passeios pela Vila consentiu que eu o fotografasse, sentado no muro da feira. Vou colocar aqui essa fotografia.
quarta-feira, 14 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
Distração prolongada....
Quase sem dar por isso chegou o sábado e reparei que já faz oito dias que chegámos ao Porto. Eu gosto do meu Portugal, poucos são os lugares que visitei onde não tenha encontrado belezas que não esqueço. Recordo a primeira vez que fui à Cidade Invícta; lembrava-me de ter ouvido algumas opiniões no sentido de que o Porto era feio, negro e triste, e nessa expectativa lá fui, ou melhor fomos, não em passeio mas mesmo assim ainda deu para ver um bocadinho da grande cidade, e do que vi gostei. Como viviamos em Braga, que na época sem vias rápidas nem boa estrada, ficava a sessenta kilómetros de distância,quase todos os meses ali nos deslocávamos por motivos relacionados com a profissão do meu marido. Iamos no fim do almoço, e passeavamos, porque só à noite depois do jantar tinham lugar os trabalhos. Descobrimos um restaurante do nosso agrado, o Antunes, que ainda hoje existe, e ficámos clientes. Lembro-me sempre que foi ali que passei a gostar de salada de agriões... e também não esqueço outro facto passado ali pertinho. Estavamos a chegar e à procura dum local para estacionar, quando reparámos num recanto mesmo a geito, aproveitámos, claro, e bemdissemos a sorte! Na vez seguinte seguimos no mesmo sentido, mas incrédulos diziamos "hoje não vamos ter sorte"... mas o recanto lá estava, livre, parecia estar à nossa espera...e assim sucedeu durante muito tempo, meses mesmo, até já lhe chamavamos nosso...
Até que um dia descançados da vida e ainda dentro do carro, reparámos que um grupo de trabalhadores que descançavam sentados numa obra ao lado, nos faziam sinais: deu para rir, porque não era a policia... na parede, quase encostado ao carro estava o sinal proibitivo de estacionar...
Ainda hoje me pergunto,como foi possivel nunca o termos visto ?
Para mim o Porto é uma cidade bonita, com as suas praças bem desenhadas, edificios em que a pedra ganhou formas pela mão de artistas famosos, as sacadas onde abunda o ferro forjado tipo renda de côr escura,as altas torres de pedra lavrada,as suas estátuas lembrando o passado e uns tantos portugueses ilustres,as muitas igrejas, a Sé Patriarcal,os jardins, o rio Douro, as pontes, a zona antiga muito caracteristica, sombría sim, mas única talvez. Depois a parte moderna, as largas avenidas e os altos edificios, não bonitos (no meu conceito) mas elegantes e cómodos. Emfim é sempre pouco, tudo quanto se diga sobre o Porto, é preciso ir até lá, e passear sem pressa. Um passeio de barco no Douro também não é de excluir. E já agora experimentar a sua gastronomia, e sentir a atenção do seu povo.
Para vos incentivar,vou aqui deixar umas fotografias.
Até que um dia descançados da vida e ainda dentro do carro, reparámos que um grupo de trabalhadores que descançavam sentados numa obra ao lado, nos faziam sinais: deu para rir, porque não era a policia... na parede, quase encostado ao carro estava o sinal proibitivo de estacionar...
Ainda hoje me pergunto,como foi possivel nunca o termos visto ?
Para mim o Porto é uma cidade bonita, com as suas praças bem desenhadas, edificios em que a pedra ganhou formas pela mão de artistas famosos, as sacadas onde abunda o ferro forjado tipo renda de côr escura,as altas torres de pedra lavrada,as suas estátuas lembrando o passado e uns tantos portugueses ilustres,as muitas igrejas, a Sé Patriarcal,os jardins, o rio Douro, as pontes, a zona antiga muito caracteristica, sombría sim, mas única talvez. Depois a parte moderna, as largas avenidas e os altos edificios, não bonitos (no meu conceito) mas elegantes e cómodos. Emfim é sempre pouco, tudo quanto se diga sobre o Porto, é preciso ir até lá, e passear sem pressa. Um passeio de barco no Douro também não é de excluir. E já agora experimentar a sua gastronomia, e sentir a atenção do seu povo.
Para vos incentivar,vou aqui deixar umas fotografias.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Vi ouvi e meditei...
Eu tinha hibernado, pois já há meses que não saía de casa.Excepção para a ida às compras, mas isso não vale como passeio ou distração, primeiro porque o local fica a dois passos de casa, e em segundo gastar dinheiro não dá prazer.
Porém, para este fim de semana, depois de avanços e recuos relativamente a uma ida ao Porto, lá dei o sim. "Atirei " para dentro duma mala algumas farpélas mais quentes, que nos iriam ser uteis quando ao fim da tarde o sol se escondêsse, e a seguir a noite envolvêsse a cidade com o seu caracteristico frio, comemos uma sopa leve, e entrámos no carro rumo ao norte. Deixámos a Figueira pelas 14 horas, estava um sol magnifico até demasiado quente, e a certa altura a conversa caiu na falta de chuva, uma situação que a todos nós preocupa. Recordei o que ouvi aos mais velhos " o fevereiro quente tráz o diabo no ventre". O que nos espera?
Não sabemos, salta-nos à vista a nossa pequenês... só podemos aguardar, e temer.
Não tinhamos pressa e fomos devagar mas chegámos cedo.
"Chegámos ao nosso destino, chegámos ao Porto"! (como diz a canção.) Apesar de ser sábado e de tarde, a cidade fervilhava de gente, e até os automobilistas, alguns, se mostravam demasiado apressados, businavam, parecia que andavam por ali nervos descontrolados.
No dia seguinte Domingo amanheceu com céu nublado. Depois do pequeno almoço o Olímpio foi assistir a uma demonstração de moda relativa a cortes de cabelo. Foi essa a razão desta deslocação. Durante anos, eu sempre o acompanhava nestas sessões; por vezes aconteciam à noite, e eu ia sempre, e de boa vontade, mas não nego que não tendo eu nada a ver com esta profissão, acabei por saturar-me e passei a acompanhá-lo sim, mas não na sessão de trabalho. Desta vez foi igual, e como estava frio, fiquei no aconchego do hotel, mais própriamente no quarto. Um aparelho de TV de boas dimensões, ali ao meu alcance tentou-me, liguei na TV I. Uma musica sacra anunciava o inicio da Missa Dominical. Eu já aqui confessei a minha pouca fé... no entanto interesso-me pela homilia que o sacerdote profere, e que sempre se baseia no Evangelho. Neste Domingo era sobre a tentação a que Cristo fora sujeito, e que Ele como homem diferente que era, rejeitou de imediato. O Sacerdote de nome Avelino, numa linguagem clara dissertou e bem, sobre as consequências das muitas tentações actuais, eivadas de perigos a que nós humanos e imperfeitos estamos sujeitos, e nem sempre conseguimos dizer não.
Falou depois nos pobres, e da pouca caridade com que os ajudamos, e disse o porquê - damos uma moeda e afastamo-nos,damos uma esmola é certo, mas não damos atenção, não queremos sentir os seus males.Depois foi mais longe e contou um facto vivido por ele próprio, há alguns anos atrás.
E foi assim:
Estava o Padre Avelino em determinado local a iniciar o almôço, já com a comida na mesa e surgiu um homem que lhe pediu uma esmola. O Padre olhou para ele e algumas ideias lhe ocorreram, mas o homem cheirava tão mal, que a unica ideia que adotou foi livrar-se dele depressa. Ainda foi no tempo em que o nosso dinheiro era o escudo, deu-lhe duzentos escudos, (que na altura era bastante) e sentiu-se bem no momento, porque o homem podia ir almoçar a qualquer sitio.
Nessa noite porém, refletiu e sentiu-se em pecado, e porquê? Dizia para si próprio - o homem foi contente, mas eu sinto que fiz uma ofensa. Eu queria que fosse embora, para isso dei-lhe o dinheiro.Ofendi o pobre. Afastei-o como um ser desprezível, porque o seu mau cheiro me encomodava. Isto não é ser cristão!
Gostei de ouvir o Padre Avelino Alves,da Paróquia de Monte Lavar. (Sintra)
E não resisti a contar aos que aqui me visitam, e também dizer que ao ficar no
quarto neste Domingo de manhã não perdi o meu tempo.
Porém, para este fim de semana, depois de avanços e recuos relativamente a uma ida ao Porto, lá dei o sim. "Atirei " para dentro duma mala algumas farpélas mais quentes, que nos iriam ser uteis quando ao fim da tarde o sol se escondêsse, e a seguir a noite envolvêsse a cidade com o seu caracteristico frio, comemos uma sopa leve, e entrámos no carro rumo ao norte. Deixámos a Figueira pelas 14 horas, estava um sol magnifico até demasiado quente, e a certa altura a conversa caiu na falta de chuva, uma situação que a todos nós preocupa. Recordei o que ouvi aos mais velhos " o fevereiro quente tráz o diabo no ventre". O que nos espera?
Não sabemos, salta-nos à vista a nossa pequenês... só podemos aguardar, e temer.
Não tinhamos pressa e fomos devagar mas chegámos cedo.
"Chegámos ao nosso destino, chegámos ao Porto"! (como diz a canção.) Apesar de ser sábado e de tarde, a cidade fervilhava de gente, e até os automobilistas, alguns, se mostravam demasiado apressados, businavam, parecia que andavam por ali nervos descontrolados.
No dia seguinte Domingo amanheceu com céu nublado. Depois do pequeno almoço o Olímpio foi assistir a uma demonstração de moda relativa a cortes de cabelo. Foi essa a razão desta deslocação. Durante anos, eu sempre o acompanhava nestas sessões; por vezes aconteciam à noite, e eu ia sempre, e de boa vontade, mas não nego que não tendo eu nada a ver com esta profissão, acabei por saturar-me e passei a acompanhá-lo sim, mas não na sessão de trabalho. Desta vez foi igual, e como estava frio, fiquei no aconchego do hotel, mais própriamente no quarto. Um aparelho de TV de boas dimensões, ali ao meu alcance tentou-me, liguei na TV I. Uma musica sacra anunciava o inicio da Missa Dominical. Eu já aqui confessei a minha pouca fé... no entanto interesso-me pela homilia que o sacerdote profere, e que sempre se baseia no Evangelho. Neste Domingo era sobre a tentação a que Cristo fora sujeito, e que Ele como homem diferente que era, rejeitou de imediato. O Sacerdote de nome Avelino, numa linguagem clara dissertou e bem, sobre as consequências das muitas tentações actuais, eivadas de perigos a que nós humanos e imperfeitos estamos sujeitos, e nem sempre conseguimos dizer não.
Falou depois nos pobres, e da pouca caridade com que os ajudamos, e disse o porquê - damos uma moeda e afastamo-nos,damos uma esmola é certo, mas não damos atenção, não queremos sentir os seus males.Depois foi mais longe e contou um facto vivido por ele próprio, há alguns anos atrás.
E foi assim:
Estava o Padre Avelino em determinado local a iniciar o almôço, já com a comida na mesa e surgiu um homem que lhe pediu uma esmola. O Padre olhou para ele e algumas ideias lhe ocorreram, mas o homem cheirava tão mal, que a unica ideia que adotou foi livrar-se dele depressa. Ainda foi no tempo em que o nosso dinheiro era o escudo, deu-lhe duzentos escudos, (que na altura era bastante) e sentiu-se bem no momento, porque o homem podia ir almoçar a qualquer sitio.
Nessa noite porém, refletiu e sentiu-se em pecado, e porquê? Dizia para si próprio - o homem foi contente, mas eu sinto que fiz uma ofensa. Eu queria que fosse embora, para isso dei-lhe o dinheiro.Ofendi o pobre. Afastei-o como um ser desprezível, porque o seu mau cheiro me encomodava. Isto não é ser cristão!
Gostei de ouvir o Padre Avelino Alves,da Paróquia de Monte Lavar. (Sintra)
E não resisti a contar aos que aqui me visitam, e também dizer que ao ficar no
quarto neste Domingo de manhã não perdi o meu tempo.
sábado, 18 de fevereiro de 2012
O Carnaval mais antigo de Portugal
Em Podence, no norteste transmontano, no Carnaval, os Caretos saiem à rua para chocalhar as raparigas solteiras. Ao contrário do que sucede em muitas cidades do país onde se procura imitar o Carnaval do Brasil, aqui as tradições pagãs com mais de 200 anos permanecem vivas.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
O Cante Alentejano
De vez em quando eu abro a minha caixa de recordações, e sempre encontro alguma coisa para aqui escrever. Muito nova mesmo, eu comecei a ouvir música em casa. Vivia no Rio de Janeiro uma senhora natural de Montemor-o-Velho (a minha terra) que ainda era parente do meu pai. Ela vivia na cidade maravilhosa com o marido, brasileiro de nascimento e um casal de filhos. Todos os anos vinham a Portugal fazer férias, gastavam esse tempo em Coimbra e Montemor. Nessa altura a viagem era de barco, e levava bastantes dias, mas havia a possibilidade de trazer mais bagagem do que actualmente acontece com o avião. Assim numa dessas vindas a Portugal ela trouxe uma vitróla e respectivos discos, com musicas brasileiras da época e não só. O meu pai comprou este conjunto, e entretanto foi adquirindo peródicamente outros discos, de musica de dança, musica clássica, etc. Assim, bem cedo eu passei a ouvir grandes orquestras estrangeiras, e a decorar os nomes dos compositores, e de artistas do belo canto, que ainda hoje são recordados.
E a ouvir também as musicas do Brasil e as de Portugal, da época, ainda ali ouvi o Fernando Farinha e a Herminia Silva. Isto durante uns anos. Mas um dia à noite o meu pai apareceu com um caixotezito na mão, uma prenda... Era um rádio! Foi uma alegria! Ainda existe, e em perfeito estado de conservação, só que mudou de estatuto, é objecto de decoração e estimação, na estante ao lado dos livros. Com o rádio veio a oportunidade de conhecer mais, mas eu atribuo àquela iniciação algo precoce no que respeita à musica, a partir da vitrola, a razão de ter ficado para sempre apreciadora.
Foi a partir do rádio, que mais tarde eu ouvi pela primeira vez o Cante Alentejano. Era um grupo de trabalhadores do Alentejo que se intitulava Ceifeiros de Cuba. Embora se tratásse dum côro, era diferente dos córos e órfeons que eu tinha ouvido,e fiquei fã ...
E o tempo foi passando, casei, fui viver para a zona de Lisboa,mais própriamente para a Cova da Piedade. Esperava-me uma surprêsa: - num sábado há noite, ao serão, comecei a ouvir cantar, aquele coro diferente, a tal melodia alentejana... Aqueles sons vinham duma Taberna que se situava na "minha" rua. A Minhota, era o nome da Tasca.
Serão os Ceifeiros de Cuba? Pensei... Em breve saberia.
Tinha acontecido uma migração muito significativa de vários pontos do Alentejo para a periferia de Lisboa. As minhas vizinhas eram todas de Beja. Santas familias de quem só recordo atenções e carinho, e de quem tenho muitas saudades!
Os homens que cantavam eram alentejanos, alguns de facto tinham cantado naquele grupo, e noutros, porque o Cante é caracteristico de todo o Alentejo. Para matar saudades, todos os sábados à noite eles reuniam na Minhota para um copo, conversar, e cantar. E todos os sábados lá estava eu em casa com o ouvido à escuta, a deliciar-me...
Tudo isto vai muito distante, mas eu continuo a gostar do "Cante", e como tal não resisto à tentação
de colocar esta imagem completamente genuina, dum grupo alentejano na rua, de braços dados e cantando, exactamente como se fossem iniciar um dia de trabalho no campo.
O video tem outros grupos, outras cantigas, mas o mesmo género.
Está em estudo a candidatura do Cante, para património imaterial da humanidade.
Uma petição está aberta a assinaturas. Subentende-se que já assinei.
E a ouvir também as musicas do Brasil e as de Portugal, da época, ainda ali ouvi o Fernando Farinha e a Herminia Silva. Isto durante uns anos. Mas um dia à noite o meu pai apareceu com um caixotezito na mão, uma prenda... Era um rádio! Foi uma alegria! Ainda existe, e em perfeito estado de conservação, só que mudou de estatuto, é objecto de decoração e estimação, na estante ao lado dos livros. Com o rádio veio a oportunidade de conhecer mais, mas eu atribuo àquela iniciação algo precoce no que respeita à musica, a partir da vitrola, a razão de ter ficado para sempre apreciadora.
Foi a partir do rádio, que mais tarde eu ouvi pela primeira vez o Cante Alentejano. Era um grupo de trabalhadores do Alentejo que se intitulava Ceifeiros de Cuba. Embora se tratásse dum côro, era diferente dos córos e órfeons que eu tinha ouvido,e fiquei fã ...
E o tempo foi passando, casei, fui viver para a zona de Lisboa,mais própriamente para a Cova da Piedade. Esperava-me uma surprêsa: - num sábado há noite, ao serão, comecei a ouvir cantar, aquele coro diferente, a tal melodia alentejana... Aqueles sons vinham duma Taberna que se situava na "minha" rua. A Minhota, era o nome da Tasca.
Serão os Ceifeiros de Cuba? Pensei... Em breve saberia.
Tinha acontecido uma migração muito significativa de vários pontos do Alentejo para a periferia de Lisboa. As minhas vizinhas eram todas de Beja. Santas familias de quem só recordo atenções e carinho, e de quem tenho muitas saudades!
Os homens que cantavam eram alentejanos, alguns de facto tinham cantado naquele grupo, e noutros, porque o Cante é caracteristico de todo o Alentejo. Para matar saudades, todos os sábados à noite eles reuniam na Minhota para um copo, conversar, e cantar. E todos os sábados lá estava eu em casa com o ouvido à escuta, a deliciar-me...
Tudo isto vai muito distante, mas eu continuo a gostar do "Cante", e como tal não resisto à tentação
de colocar esta imagem completamente genuina, dum grupo alentejano na rua, de braços dados e cantando, exactamente como se fossem iniciar um dia de trabalho no campo.
O video tem outros grupos, outras cantigas, mas o mesmo género.
Está em estudo a candidatura do Cante, para património imaterial da humanidade.
Uma petição está aberta a assinaturas. Subentende-se que já assinei.
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Está muito frio em Portugal!
Temperaturas de -11 graus em Bragança, é realmente muito frio. Este casal, que não acho que seja português, enviaram-me para o email e não dizia mais nada, já resolveu o problema...
domingo, 29 de janeiro de 2012
Ainda algo acerca do Presidente
Ouvi muitas vezes dizer que as novidades não duram senão três dias. E defacto passado o impacto inicial de qualquer caso, mesmo importante, surge o desinteresse e posteriormente vem o esquecimento. É um processo natural, está certo.
E porque estou eu a escrever isto? Ora porque eu também vi e ouvi o Presidente da Républica com aquela confissão tão ingénua, tão patética vinda da pessoa que era. Logo no momento eu comentei o caso, e ri-me, e depois esqueci. Afinal este Senhor Presidente não raras vezes tem assim umas afirmações um tanto desalinhadas, parece que se alheia do posto que tem,toda a gente já sabe e nem costuma admirar-se. Só que desta vez a coisa aqueceu e se ouvesse liberdade para tal, o homem era já morto e esquartejado... Na falta disso fez-se petição para o remover, (agora fazem-se petições para tudo.) E arranjou-se logo gente para ir até Lisboa mostrar o descontentamento ine loco, e levar uns bens à guisa de esmola. Mais própriamente, deslocaram-se em excurssão para ir achincalhar o Presidente!
Todas as televisões fizeram cobertura maior ou menor e a Imprensa idem,idem, e ao inverso do habitual a novidade não durou só três dias, prolongou-se, porque a malta adorou...
E sobre tudo isto eu digo, que tristeza!!! Ao que os portugueses chegaram!!! As palavras do Presidente foram erradas, sim. E o comportamento destas pessoas foi elevado? Não!!! Quando não se respeita o mais alto representante do País para onde caminhamos? Espera-nos o caos, pois a ausência de valores morais actualmente arredados porque perderam de moda, a isso conduz.
Sinto-me perfeitamente à vontade para ter esta opinião, pelo facto de nunca ter tido simpatia nenhuma pelo Professor Cavaco Silva. Não aponto razões para isso, não as tenho. Também nunca votei nele, subentende-se. Mas uma vez que outros o elegeram e como tal se tornou Chefe do nosso País, merece pelo menos o respeito inerente ao cargo que ocupa.E dada a situação desastrosa em que estamos envolvidos, seria melhor que parássem com estas peregrinações folclóricas, e chamo-lhes assim, porque eu vejo os participantes a rir e a galhofar (salvo raras excepções) como se dum cortejo de festa se tratásse.
E porque estou eu a escrever isto? Ora porque eu também vi e ouvi o Presidente da Républica com aquela confissão tão ingénua, tão patética vinda da pessoa que era. Logo no momento eu comentei o caso, e ri-me, e depois esqueci. Afinal este Senhor Presidente não raras vezes tem assim umas afirmações um tanto desalinhadas, parece que se alheia do posto que tem,toda a gente já sabe e nem costuma admirar-se. Só que desta vez a coisa aqueceu e se ouvesse liberdade para tal, o homem era já morto e esquartejado... Na falta disso fez-se petição para o remover, (agora fazem-se petições para tudo.) E arranjou-se logo gente para ir até Lisboa mostrar o descontentamento ine loco, e levar uns bens à guisa de esmola. Mais própriamente, deslocaram-se em excurssão para ir achincalhar o Presidente!
Todas as televisões fizeram cobertura maior ou menor e a Imprensa idem,idem, e ao inverso do habitual a novidade não durou só três dias, prolongou-se, porque a malta adorou...
E sobre tudo isto eu digo, que tristeza!!! Ao que os portugueses chegaram!!! As palavras do Presidente foram erradas, sim. E o comportamento destas pessoas foi elevado? Não!!! Quando não se respeita o mais alto representante do País para onde caminhamos? Espera-nos o caos, pois a ausência de valores morais actualmente arredados porque perderam de moda, a isso conduz.
Sinto-me perfeitamente à vontade para ter esta opinião, pelo facto de nunca ter tido simpatia nenhuma pelo Professor Cavaco Silva. Não aponto razões para isso, não as tenho. Também nunca votei nele, subentende-se. Mas uma vez que outros o elegeram e como tal se tornou Chefe do nosso País, merece pelo menos o respeito inerente ao cargo que ocupa.E dada a situação desastrosa em que estamos envolvidos, seria melhor que parássem com estas peregrinações folclóricas, e chamo-lhes assim, porque eu vejo os participantes a rir e a galhofar (salvo raras excepções) como se dum cortejo de festa se tratásse.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
As lontras de mão dada
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
domingo, 15 de janeiro de 2012
Recordar um Poeta Português
Gostos são gostos cada qual tem o seu, e nem sempre o que me agrada terá a aprovação de quem passa por aqui. Por isso apresento já as minhas desculpas aos caros visitantes que não gostem desta poesia.Perdoem a minha birra, mas eu quero aqui lembrar este grande português. Adivinhem o seu nome.......
A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa,porque o não merece.
Nem minha amada,porque é só madrasta.
Nem pátria minha,porque eu não mereço
a pouca sorte de nascido dela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela.
Saudosamente nela,mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza.
De mesquinhez,de fátua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre,castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros que deixam
moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro dum sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de Coração.
Eu te pertenço: mas seres minha, não.
(Jorge de Sena)
A Portugal
Esta é a ditosa pátria minha amada. Não.
Nem é ditosa,porque o não merece.
Nem minha amada,porque é só madrasta.
Nem pátria minha,porque eu não mereço
a pouca sorte de nascido dela.
Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta
quanto esse arroto de passadas glórias.
Amigos meus mais caros tenho nela.
Saudosamente nela,mas amigos são
por serem meus amigos, e mais nada.
Torpe dejecto de romano império;
babugem de invasões; salsugem porca
de esgoto atlântico; irrisória face
de lama, de cobiça, e de vileza.
De mesquinhez,de fátua ignorância;
terra de escravos, cu pró ar ouvindo
ranger no nevoeiro a nau do Encoberto;
terra de funcionários e de prostitutas,
devotos todos do milagre,castos
nas horas vagas de doença oculta;
terra de heróis a peso de ouro e sangue,
e santos com balcão de secos e molhados
no fundo da virtude; terra triste
à luz do sol caiada, arrebicada, pulha,
cheia de afáveis para os estrangeiros que deixam
moedas e transportam pulgas,
oh pulgas lusitanas, pela Europa;
terra de monumentos em que o povo
assina a merda o seu anonimato;
terra-museu em que se vive ainda
com porcos pela rua, em casas celtiberas;
terra de poetas tão sentimentais
que o cheiro dum sovaco os põe em transe;
terra de pedras esburgadas, secas
como esses sentimentos de oito séculos
de roubos e patrões, barões ou condes;
ó terra de ninguém, ninguém, ninguém:
eu te pertenço. És cabra, és badalhoca,
és mais que cachorra pelo cio,
és peste e fome e guerra e dor de Coração.
Eu te pertenço: mas seres minha, não.
(Jorge de Sena)
sábado, 14 de janeiro de 2012
Susto a bordo do Concordia
Esta noite este barco de luxo sofreu um acidente e agora está tombado na água. Saíu de Roma com destino a Barcelona. Vejam como ele é por dentro - tens hotéis, bares, galerias de lojas, restaurantes, piscinas que não são mostradas aqui. Este cruzeiro em 1º classe custava 1500 euros, mas não sei quantos dias durava. A decoração é muito bonita, vale a pena espreitar o video e ver como era este barco e espaço de lazer infelizmente acessível a poucos.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Maçonaria,a entrevista
Durante muito tempo não se ouviu a palavra Maçonaria. Pelo menos com o relevo que actualmente acontece. Mas continua a ser apontada como contendo algo de censurável. Há pouca informação acerca desta organização tão antiga, e à qual sempre estiveram ligados grandes vultos portugueses e não só. Eu recordo que há muitos anos atrás grande parte da população falava dos Maçónicos com medo, e nem sequer sabiam quem eram, nem tão pouco quais as suas regras e seus ideais. Mas actualmente ainda muitos portugueses os olham de soslaio,assim como a recear que dali venham todos os males.
Ontem fiz questão de assistir à grande entrevista na T.V.I., para ouvir o Dr. António Arnaut e o Dr. António Cordeiro ambos membros da Maçonaria, e respectivamente Grão Mestre num passado próximo. Gostei de ver a calma com que ambos queriam expor as suas convicções, e digo queriam, porque a entrevistadora deve ser anti-Maçon, e atirava as perguntas mas queria outras respostas. Duma entrevista eu sempre espero ficar a saber mais, porque duma forma geral o entrevistado é alguém que sabe mais do que eu, daí eu aguardar as respostas com muita atenção. Mas neste caso, repito, ela não queria aquelas verdades. Mas gostei de ouvir estes srs. Maçons no pouco que puderam dizer. Confesso que nada foi novo para mim, pois algumas das palavras que ouvi, recordo de as ter ouvido ainda na adolescência porque o meu pai também foi Maçon, ainda hoje guardo como recordação o documento correspondente à sua admissão. Sei portanto por experiência própria que a Maçonaria não corrompe o carácter, e não é uma seita de terror, muito pelo contrário,e estando nós em Democracia não entendo o porquê desta publicidade nefasta.
Ontem fiz questão de assistir à grande entrevista na T.V.I., para ouvir o Dr. António Arnaut e o Dr. António Cordeiro ambos membros da Maçonaria, e respectivamente Grão Mestre num passado próximo. Gostei de ver a calma com que ambos queriam expor as suas convicções, e digo queriam, porque a entrevistadora deve ser anti-Maçon, e atirava as perguntas mas queria outras respostas. Duma entrevista eu sempre espero ficar a saber mais, porque duma forma geral o entrevistado é alguém que sabe mais do que eu, daí eu aguardar as respostas com muita atenção. Mas neste caso, repito, ela não queria aquelas verdades. Mas gostei de ouvir estes srs. Maçons no pouco que puderam dizer. Confesso que nada foi novo para mim, pois algumas das palavras que ouvi, recordo de as ter ouvido ainda na adolescência porque o meu pai também foi Maçon, ainda hoje guardo como recordação o documento correspondente à sua admissão. Sei portanto por experiência própria que a Maçonaria não corrompe o carácter, e não é uma seita de terror, muito pelo contrário,e estando nós em Democracia não entendo o porquê desta publicidade nefasta.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
A filigrana portuguesa - vejam como se faz
Ao som da guitarra portuguesa, vejam como se faz a filigrana portuguesa. Muitas horas de trabalho e muita paciência para produzir cada peça. Lindo trabalho manual.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Os Presépios
Estamos em tempo de Natal, tempo de festa familiar, se não para todos, pelo menos para a maioria dos cristãos. Diz o poeta que o melhor da vida são as crianças, e eu acrescento que o Natal é, ou devia ser, dedicado sobremaneira ás crianças. Há algo de comum porque é celebrado um nascimento,uma criança nasceu, foi o menino Jesus.E no presépio, ali está Jesus bébé, uma ternura, como todos os bébés são.
Decidimos levar o nosso neto até Montemor-o-Velho (nossa Terra) para ver o presépio, erguido numa das salas do 1º andar da Igreja da Misericórdia.No rés do chão logo à entrada, damos de caras com um Pai-Natal que ao som duma musica alegre se bamboleia todo divertido. Subimos a escada de pedra ao encontro do presépio, este só diferente do tradicional porque tem movimento: as ovelhas circulam, a água que corre numa levada aciona a roda da azenha, no Castelo a porta abre e fecha, as luzes acendem, e até a sagrada familia se movimenta também. O Gabriel nos seus 9 anitos irrequietos, gostou de ver e tudo serviu para brincar. Dançou com o Pai-Natal lado a lado, e o avô fotografou. O dia era para ele, de modo que almoçámos num restaurante ali ao lado, e a seguir fomos ao castelo porque ele queria repetir a visita do ano passado. Estava um sol magnifico, e era ainda muito cedo para vir para casa. Por isso seguimos por estradas secundárias e atalhando, rumámos a uma localidade denominada Tocha, a dois passos da praia do mesmo nome, para vermos um presépio de rua,que estava situado numa praça ajardinada a dois passos da Igreja. Embora estático, gostei muito, pelo facto duma maior aproximação à realidade. Não recria Belém, mas não perde por isso, porque tudo ali está representado em tamanho natural, inclusivé o estábulo, as figuras humanas, os anjos, e os animais.Lá estão também os pastores e as ovelhas, os Reis Magos com os seus cofres dourados, e os respectivos camelos.
Resumindo, um dia agradável para recordar.
Desta vez não foi o Gabriel a fazer as fotos da ordem, foi o avô, que não teve mãos a medir quanto à exigência do neto, que gostava de ser fotografado em todo o sitio, e para isso juntou-se à Sagrada Familia no Presépio da Tocha.
Na segunda foto, um bocadinho do Presépio de Montemor-o-Velho.
Decidimos levar o nosso neto até Montemor-o-Velho (nossa Terra) para ver o presépio, erguido numa das salas do 1º andar da Igreja da Misericórdia.No rés do chão logo à entrada, damos de caras com um Pai-Natal que ao som duma musica alegre se bamboleia todo divertido. Subimos a escada de pedra ao encontro do presépio, este só diferente do tradicional porque tem movimento: as ovelhas circulam, a água que corre numa levada aciona a roda da azenha, no Castelo a porta abre e fecha, as luzes acendem, e até a sagrada familia se movimenta também. O Gabriel nos seus 9 anitos irrequietos, gostou de ver e tudo serviu para brincar. Dançou com o Pai-Natal lado a lado, e o avô fotografou. O dia era para ele, de modo que almoçámos num restaurante ali ao lado, e a seguir fomos ao castelo porque ele queria repetir a visita do ano passado. Estava um sol magnifico, e era ainda muito cedo para vir para casa. Por isso seguimos por estradas secundárias e atalhando, rumámos a uma localidade denominada Tocha, a dois passos da praia do mesmo nome, para vermos um presépio de rua,que estava situado numa praça ajardinada a dois passos da Igreja. Embora estático, gostei muito, pelo facto duma maior aproximação à realidade. Não recria Belém, mas não perde por isso, porque tudo ali está representado em tamanho natural, inclusivé o estábulo, as figuras humanas, os anjos, e os animais.Lá estão também os pastores e as ovelhas, os Reis Magos com os seus cofres dourados, e os respectivos camelos.
Resumindo, um dia agradável para recordar.
Desta vez não foi o Gabriel a fazer as fotos da ordem, foi o avô, que não teve mãos a medir quanto à exigência do neto, que gostava de ser fotografado em todo o sitio, e para isso juntou-se à Sagrada Familia no Presépio da Tocha.
Na segunda foto, um bocadinho do Presépio de Montemor-o-Velho.
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
No Parlamento Europeu este deputado diz o que pensa
No Parlamento Europeu, o sr. Bloom diz que os países que estão endividados o estão porque os seus políticos foram estúpidos, ridiculamente ineficazes e incompetentes e que é imoral pedir aos contribuintes honestos que agora paguem o que eles gastaram, muitas vezes ineficazmente, que gastaram sempre a mais do que cobraram em impostos ou até do que aquilo que podiam cobrar. Mas estes políticos, digo eu, não são penalizados, basta ver que o sr. Sócrates fez o que fez, toda a gente já sabe, e agora está em Paris a estudar filosofia e a comer do bom e do melhor. Mas as coisas estão a mudar pois até Chirac já foi condenado por má gestão. Só que por ca´ainda vai demorar até se fazer Justiça e esta gente aprender que um país tem de ser governado e que eles são nossos funcionários, devendo prestar contas do que fazem, se bem, muito bem, se mal, então devem ser penalizados por isso, como acontece a qualquer empregado ou funcionário...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
A minha árvore de Natal para todos vós
Paz
União
Alegria
Esperança
Amor . Sucesso
Realizações . Luz
Respeito . Harmonia
Saúde . Solidariedade
Felicidade . Humildade
Confraternização . Pureza
Amizade . Sabedoria . Perdão
Igualdade . Liberdade . Boa - Sorte
Sinceridade . Abundância . Fraternidade
Equilíbrio . Dignidade . Benevolência
Fé . Bondade . Paciência . Gratidão
Força
Jesus
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Recordar Ary dos Santos
Passei na avenida e vi o mar, grandioso e bonito,mas enfurecido, pronto a tornar-se
cruel, e lembrei-me dos pescadores. Heróis todos os dias, e nunca medalhados.
Ainda envolvida por estes pensamentos, hoje vou colocar aqui uma poesia.
A Pesca
O bafio o safio a enguia o atum
Um para todos todos para um
Mas nenhum por todos
E todos por nenhum.
Ai a raia ai a raiva
De pescar em jejum.
Amadores da fala das marés
Cicatrizes da faina amadises da gala
Duma cauda de renda duma onda de espuma
Este mar aprendiz da vossa força
Aprende a ser o vosso
Ou de coisa nenhuma.
Obrigai-o a dar-vos o que a vós
Deve em suor e choro.
Quando dizeis em coro
À uma à uma à uma
Se não for vosso o barco
Há-de ser vossa a voz
Ou de coisa nenhuma.
Uma lua uma vela uma lula uma estrela
Que lindo e mole é tudo
Mas quem dará por elas
Mais do que um pão de silêncio uma pedra de vinho.
Ah não!
Deveis vencê-las
Às vagas que vos saem ao caminho.
Garanhões das correntes
Campeões
Dos músculos da água
Ide
Ide e voltai contentes
Com vossas redes cheias dos latentes
Peixes da nossa mágoa.
Trazei monstros marinhos e ancestrais
Piranhas tubarões moreias e serpentes
Mas sobretudo os peixes canibais
Que se nutrem de gente.
Despejai-os na lota como ao ódio
Escamado que vos cobre:
Durante a luta
Haveis de ver quem morre.
(José Carlos Ary dos Santos)
cruel, e lembrei-me dos pescadores. Heróis todos os dias, e nunca medalhados.
Ainda envolvida por estes pensamentos, hoje vou colocar aqui uma poesia.
A Pesca
O bafio o safio a enguia o atum
Um para todos todos para um
Mas nenhum por todos
E todos por nenhum.
Ai a raia ai a raiva
De pescar em jejum.
Amadores da fala das marés
Cicatrizes da faina amadises da gala
Duma cauda de renda duma onda de espuma
Este mar aprendiz da vossa força
Aprende a ser o vosso
Ou de coisa nenhuma.
Obrigai-o a dar-vos o que a vós
Deve em suor e choro.
Quando dizeis em coro
À uma à uma à uma
Se não for vosso o barco
Há-de ser vossa a voz
Ou de coisa nenhuma.
Uma lua uma vela uma lula uma estrela
Que lindo e mole é tudo
Mas quem dará por elas
Mais do que um pão de silêncio uma pedra de vinho.
Ah não!
Deveis vencê-las
Às vagas que vos saem ao caminho.
Garanhões das correntes
Campeões
Dos músculos da água
Ide
Ide e voltai contentes
Com vossas redes cheias dos latentes
Peixes da nossa mágoa.
Trazei monstros marinhos e ancestrais
Piranhas tubarões moreias e serpentes
Mas sobretudo os peixes canibais
Que se nutrem de gente.
Despejai-os na lota como ao ódio
Escamado que vos cobre:
Durante a luta
Haveis de ver quem morre.
(José Carlos Ary dos Santos)
domingo, 11 de dezembro de 2011
A Lenda do Pintarroxo
A minha amiga Anita que vive na Ilha da Madeira, aquela senhora que gosta de receber correio porque vive sózinha, e a quem eu escrevo ás vezes, e outras telefono, (aquela que me mandou as plantas) não se crusou com a felicidade, caminharam sempre em caminhos opostos, e assim o tempo passou por ambas, e elas sempre distantes. Tinha e tem sonhos como todos nós, mas parece que se ficam por aí sonhos apenas. Nem de saúde que é um bem próprio, ela usufrui. Há pessoas assim, que parecem destinadas a prescindir, sem que elas o desejem. Porém não se manifesta desesperada, por vezes lá vem um pequeno lamento, mas pouco consistente, ela está por tudo com boa vontade. É cristã, e possivelmente a fé lhe dará a força necessária.Tem a fé que a mim me falta, eu nem sei se já lho confessei, mas em todas as cartas que me envia, sempre junta umas pagelas com orações.Com os bolinhos e as plantas, que recebi na passada semana, vinha a cartinha que não fujiu à regra em relação ás orações, mas desta vez trazia também uma folha que ela tirou dum livro,e nesta uma Lenda cheia de ternura, que logo decidi aqui colocar.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
As 10 coisas que mais gosto
A minha filha indicou-me para dar continuidade a um MEME no blogue dela, o Palavras-Cruzadas. Ela explicou-me que é uma corrente que os blogs fazem- as pessoas escrevem sobre um tema, ou colocam fotos. Passaram-lho a ela e ela a mim e eu vou responder e depois passar a algumas das minhas visitantes: 10 pessoas. Depois essas 10 pessoas podem fazer também o MEME: responder e indicar mais 10 pessoas. Não é obrigatório, mas é engraçado.Assim, as 10 coisas que mais gosto são:
- Gosto de lombo assado com batatas à volta, e arroz com passinhas e pinhões, é fácil de executar, e sai sempre bem.
- Gosto de ouvir dizer poesia: gostava do Mário Viegas, do Manuel Lereno, do Pedro Homem de Melo, e actualmente do Manuel Alegre.
- Gosto de ler,tenho sempre um livro à minha espera. Acabei há pouco Diz Adeus,de Lisa Garden. Não gostei muito, embora o tema forte da história seja sobremaneira actual. As aranhas são também ali parte importante. Tarântulas e outros tipos, tem até explicação interessante para quem goste.
- Gosto do belo Canto,voz a solo, aquelas áreas deliciam-me. Não sei porque gosto.
- Gosto do fado de Coimbra, daquele estilo único, e as guitarradas prendem-me, gosto das serenatas nesta cidade.
- Gosto de estar à janela quando o dia finda e anoitece, gosto do escuro da noite cortado pelas luzes dos faróis dos automóveis, gosto de ver cá do alto.
- Gosto de visitar museus onde haja pintura, ourivesaria, louça. (coisas bonitas)
- Gosto de estar na praia com pouca gente, sentada a contar as ondas que se vão formando ao longe, e sentir a brisa morna á sombra do chapéu colorido.
- Gosto dos espectáculos de equitação com os cavalos executando provas de saltos.Acho vistoso todo o ambiente que embora preparado é Natureza há verdura e flores,e cavalo e cavaleiro são conjunto elegante. Também a arte de conduzir o cavalo, acho bonito.
- Gosto de conversar, gosto de escrever e de interpretar as cartas de Tarot.
http://aviagem1.blogspot.com/ -Evanir
http://henristo.blogspot.com/ - Ivone
http://riscadoagiz.blogspot.com/ - Tetisq
http://olhaioliriodocampo.blogspot.com/ - Viviana
http://poemaseavessos.blogspot.com/ - Gersonita
http://petalasdeumaflormorenah.blogspot.com/ - Flor Morena
http://traoselaos.blogspot.com/ - Regina Fernandes
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
domingo, 4 de dezembro de 2011
Excesso de zêlo?
Ainda influenciada pela desigualdade que grassa entre os povos, nomeadamente na Europa, e claro no nosso torrão à beira mar plantado, que dela faz parte não sei se pra bem se pra mal. Mas enfim também os países não escolhem o local de nascimento, penso eu. Achei-me a recordar o tempo em que às crianças era incutido desde cedo, que era necessário trabalhar. Não se esperava nada do Estado.
Quem é que ia pedir uma casa ou algum subsídio a alguém do Governo? Nem sabiam como o fazer, mesmo que fosse possível. Daí que os homens naquela época (salvo excepções ) quando assumiam um trabalho aplicavam-se, observavam aquela máxima do "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje", trabalhavam com gosto e assim viveram.
Bem, nós casal Fernandes, vimos dessas gerações, e naturalmente também nos ensinaram que o trabalho é honra, e o certo é que nós acreditámos, e temo-nos dado bem com esse conselho dos mais velhos.
Mas eu quero falar duma situação, que igualmente tem a ver com trabalho, e sempre me tem feito sorrir.
Foi há uns 30 anos atrás, aqui na Figueira. Estavamos na quadra da Páscoa, e a Sexta-Feira-Santa era considerada feriado. Porém, os cabeleireiros tinham-se entendido com o sindicato, e com as próprias empregadas, no sentido de trabalharem nesse dia. Depois na segunda era o habitual descanço, e na terça também seria, correspondendo assim ao dia de sexta, a que tinham direito. Isto já acontecia há alguns anos, e elas até gostavam porque eram dias seguidos em que paravam a respectiva actividade.
Mas neste ano gerou-se alguma confusão, o sindicato ora era favorável, ora pedia que esperassem pela confirmação. Sem novas do sindicato, subentendeu-se que iria ser como nos anos anteriores, e na dita sexta feira foi um dia normal de trabalho.
Daí a dias vem a surpresa, processados os responsáveis dos maiores salões que existiam na Figueira naquela altura. E no dia marcado, depois das inevitáveis (chatices) formalidades inerentes, lá foram sentar-se no banco dos réus os três homens. O senhor Mourinha (já na casa dos 50), o Mário Bertô, e o Olímpio, mais novos (ainda nos 40). Foram absolvidos, claro.
Mas não deixa de ser hilariante,
" TRÊS HOMENS NO BANCO DO RÉUS
POR ESTAREM A TRABALHAR! "
Quem é que ia pedir uma casa ou algum subsídio a alguém do Governo? Nem sabiam como o fazer, mesmo que fosse possível. Daí que os homens naquela época (salvo excepções ) quando assumiam um trabalho aplicavam-se, observavam aquela máxima do "não deixes para amanhã o que podes fazer hoje", trabalhavam com gosto e assim viveram.
Bem, nós casal Fernandes, vimos dessas gerações, e naturalmente também nos ensinaram que o trabalho é honra, e o certo é que nós acreditámos, e temo-nos dado bem com esse conselho dos mais velhos.
Mas eu quero falar duma situação, que igualmente tem a ver com trabalho, e sempre me tem feito sorrir.
Foi há uns 30 anos atrás, aqui na Figueira. Estavamos na quadra da Páscoa, e a Sexta-Feira-Santa era considerada feriado. Porém, os cabeleireiros tinham-se entendido com o sindicato, e com as próprias empregadas, no sentido de trabalharem nesse dia. Depois na segunda era o habitual descanço, e na terça também seria, correspondendo assim ao dia de sexta, a que tinham direito. Isto já acontecia há alguns anos, e elas até gostavam porque eram dias seguidos em que paravam a respectiva actividade.
Mas neste ano gerou-se alguma confusão, o sindicato ora era favorável, ora pedia que esperassem pela confirmação. Sem novas do sindicato, subentendeu-se que iria ser como nos anos anteriores, e na dita sexta feira foi um dia normal de trabalho.
Daí a dias vem a surpresa, processados os responsáveis dos maiores salões que existiam na Figueira naquela altura. E no dia marcado, depois das inevitáveis (chatices) formalidades inerentes, lá foram sentar-se no banco dos réus os três homens. O senhor Mourinha (já na casa dos 50), o Mário Bertô, e o Olímpio, mais novos (ainda nos 40). Foram absolvidos, claro.
Mas não deixa de ser hilariante,
" TRÊS HOMENS NO BANCO DO RÉUS
POR ESTAREM A TRABALHAR! "
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Os cães, nossos amigos!
O Chiquinho acompanhou a dona ao Centro de Saúde de Rio de Mouro. Doente, a senhora saíu dali de ambulância e não mais regressou a casa. O cão nunca mais deixou as imediações do Centro de Saúde, continuou à espera que saísse, fizesse sol ou chuva. A televisão mostrou a reportagem e este homem de Queluz foi buscar o animal. Na altura todos se lembraram de Hatchi!
A história de Hachiko - A dog's story tornou-se popular no Ocidente depois do filme com Richard Gere ter estreado em 2009. Pela manhã o cão acompanhava o dono, um professor, até à estação de comboios, e no final do dia ia de novo à estação esperá-lo. Essa rotina terá durado um ano, findo o qual o professor sofrei um AVC, morrendo. Durante os 10 anos seguintes o cão continuou a ir esperar o seu amigo ao comboio. Custa até a acreditar, verdade?
Mas já antes, em 1987, existia Hachico Monogatari, filme japonês que relatava a história verídica do cão mais famoso do Japão. Eu não vi nenhum dos dois filmes. terça-feira, 29 de novembro de 2011
A planta que viajou de avião
Foi há mais ou menos quatro anos. Num dia em que eu estava particularmente deprimida por um luto que me fazia sofrer muito. O correio trouxe-me uma revista da qual eu era assinante, e que na maior parte das vezes eu folheava quase a êsmo.
Mas desta vez fui lendo com algum interesse,e encontrei um apelo duma senhora que pedia correspondencia de alguém. Residia na Ilha da Madeira, vivia muito só, e uma cartinha com uma palavra simpática ia fazer-lhe bem (dizia ela). Como disse, eu estava muito triste e decidi, vou escrever, talvez me faça bem a mim também. Recordo que escrevi pouco, e fui franca disse-lhe que não estava nada animada, e que por isso talvez nem fosse a pessoa indicada para lhe minimisar com as minhas palavras a sua solidão. Mas eu estava errada, porque sem nunca nos vermos, até já somos amigas. O nome dela é Ana, mas como tem menos 10 anos do que eu, para mim é a Anita. E a Anita ainda não perdeu a esperança de nos ver na Madeira, e impossível não é, só que ainda não se proporcionou. Ela é muito doente, já passou por intervenções cirurgicas, e actualmente prefere medicamentos naturais, para lhe acalmar o sofrimento que não raro a atormenta. Nós contactamos por mensagens e telefone. Numa das conversas habituais, fiquei a saber que o medicamento de que ela mais precisava, não estava à venda na farmácia de lá. Eu disse que ia procurar aqui e que mandava. Ela aceitou, claro, as amigas são para as ocasiões digo eu, e assim aconteceu, a própria firma o enviou para a Madeira. Fiquei contente, eu penso que aquele que oferece algo, é o primeiro a sentir alegria. O que recebe já está em segundo lugar.
Hoje, logo de manhã o correio trouxe-me uma encomendinha. De onde vinha? Da Anita, da Madeira. Curiosa abri, e o que tinha? Bolinhos regionais, e um outro maravilhoso, o tradicional bolo da Madeira. Mas ainda não é tudo, num saquinho aconchegadas 3 plantinhas da Ilha. Valentes, viajaram de avião, e chegaram em boas condições. Logo,logo, a minha filha foi tratar da plantação, e como nada acontece por acaso, até havia na marquise um vaso com terra, pronto a acolhê-las.
E que dizer mais? Que gostei! Gostei de tudo, ( eu até sou gulosa por estes doces da bela Ilha). E sobremaneira gostei do gesto simpático e amigo da Anita.
Mas desta vez fui lendo com algum interesse,e encontrei um apelo duma senhora que pedia correspondencia de alguém. Residia na Ilha da Madeira, vivia muito só, e uma cartinha com uma palavra simpática ia fazer-lhe bem (dizia ela). Como disse, eu estava muito triste e decidi, vou escrever, talvez me faça bem a mim também. Recordo que escrevi pouco, e fui franca disse-lhe que não estava nada animada, e que por isso talvez nem fosse a pessoa indicada para lhe minimisar com as minhas palavras a sua solidão. Mas eu estava errada, porque sem nunca nos vermos, até já somos amigas. O nome dela é Ana, mas como tem menos 10 anos do que eu, para mim é a Anita. E a Anita ainda não perdeu a esperança de nos ver na Madeira, e impossível não é, só que ainda não se proporcionou. Ela é muito doente, já passou por intervenções cirurgicas, e actualmente prefere medicamentos naturais, para lhe acalmar o sofrimento que não raro a atormenta. Nós contactamos por mensagens e telefone. Numa das conversas habituais, fiquei a saber que o medicamento de que ela mais precisava, não estava à venda na farmácia de lá. Eu disse que ia procurar aqui e que mandava. Ela aceitou, claro, as amigas são para as ocasiões digo eu, e assim aconteceu, a própria firma o enviou para a Madeira. Fiquei contente, eu penso que aquele que oferece algo, é o primeiro a sentir alegria. O que recebe já está em segundo lugar.
Hoje, logo de manhã o correio trouxe-me uma encomendinha. De onde vinha? Da Anita, da Madeira. Curiosa abri, e o que tinha? Bolinhos regionais, e um outro maravilhoso, o tradicional bolo da Madeira. Mas ainda não é tudo, num saquinho aconchegadas 3 plantinhas da Ilha. Valentes, viajaram de avião, e chegaram em boas condições. Logo,logo, a minha filha foi tratar da plantação, e como nada acontece por acaso, até havia na marquise um vaso com terra, pronto a acolhê-las.
E que dizer mais? Que gostei! Gostei de tudo, ( eu até sou gulosa por estes doces da bela Ilha). E sobremaneira gostei do gesto simpático e amigo da Anita.
Deixámos de ver sorrisos...
Actualmente vivemos a era do desassossego. Ele está instalado e parece que para ficar. Penso que nesta altura não há ninguém que não tenha uma queixa, um problema maior ou menor, aflições, desânimo, infelicidade. Na maioria é a falta de dinheiro a causa, e depois por acréscimo vem a pouca saude e outros males. Deixámos de ver sorrisos expontaneos no rosto dos simples.
Felismente parece que ainda há ricos, oxalá triplicássem, haveria menos pobres.
Eu venho do tempo em que a vida era identica à actual. Na minha terra aos sábados, um grupo de pobres, idosos, homens e mulheres que já não podiam trabalhar, percorriam as ruas recebendo de casa em casa uns poucos tostões. Andavam em fila pela beira da estrada, parecia a procissão. Aqui e ali paravam, juntavam-se, e um deles dirijia-se á porta e recebia para todos, e de seguida fazia logo a distribuição. Entendiam-se muito bem, é triste dizer, mas parece que a pobreza une as pessoas.
E nem iam infelizes, aquela situação tornou-se natural, tanto para eles como para quem dava. Mas é triste, o ser humano ser assim castigado. Não desejo voltar a ver o mesmo quadro,ao vivo, pois na minha imaginação ele ainda está bem nítido apesar dos muitos anos passados.
O carrocel do tempo foi girando, girando, e melhores dias vieram. As residências aos poucos foram-se alindando, as pessoas passaram a viver melhor, e a usufruir de bens que eram necessários há muito, mas como os desconheciam, não lhes sentiam a falta. Os pobres também um a um, foram para o céu. Porque, do inferno iam eles.
Penso que durante anos as pessoas viveram desafogadas.
Felizes? Oxalá que sim!!!
Porque afinal ainda as esperava o reverso da medalha.
Ele aí está, instalado, e parece que para ficar.
Felismente parece que ainda há ricos, oxalá triplicássem, haveria menos pobres.
Eu venho do tempo em que a vida era identica à actual. Na minha terra aos sábados, um grupo de pobres, idosos, homens e mulheres que já não podiam trabalhar, percorriam as ruas recebendo de casa em casa uns poucos tostões. Andavam em fila pela beira da estrada, parecia a procissão. Aqui e ali paravam, juntavam-se, e um deles dirijia-se á porta e recebia para todos, e de seguida fazia logo a distribuição. Entendiam-se muito bem, é triste dizer, mas parece que a pobreza une as pessoas.
E nem iam infelizes, aquela situação tornou-se natural, tanto para eles como para quem dava. Mas é triste, o ser humano ser assim castigado. Não desejo voltar a ver o mesmo quadro,ao vivo, pois na minha imaginação ele ainda está bem nítido apesar dos muitos anos passados.
O carrocel do tempo foi girando, girando, e melhores dias vieram. As residências aos poucos foram-se alindando, as pessoas passaram a viver melhor, e a usufruir de bens que eram necessários há muito, mas como os desconheciam, não lhes sentiam a falta. Os pobres também um a um, foram para o céu. Porque, do inferno iam eles.
Penso que durante anos as pessoas viveram desafogadas.
Felizes? Oxalá que sim!!!
Porque afinal ainda as esperava o reverso da medalha.
Ele aí está, instalado, e parece que para ficar.
domingo, 27 de novembro de 2011
O padre polémico a refletir sobre a Greve Geral
Jornalista e escritor, ex-pároco de Macieira da Lixa, conhecido pelas suas polémicas, sobre a última Greve Geral.
Mais coisas sobre o Padre Mário: http://mailx.fe.up.pt/~ec91137/index.htm
O jornal do Padre: http://www.jornalfraternizar.pt.vu/
sábado, 26 de novembro de 2011
Será Montemorense a primeira Dama de Portugal?
Subimos de carro a ladeira de São Miguel, e estacionámos no largo em frente à entrada do castelo. Caminhámos em direção à porta denominada Arco da Traição, ou Arco da Peste, e entrámos. Eu e o Olímpio fomos rever, mas o Gabriel foi conhecer, era a primeira vez que entrava num castelo, e assim tudo era novidade. Espreitar pelas ameias das muralhas e ver a vila cá em baixo, ver as pessoas que pareciam pequenas, subir e descer escadinhas, correr, rolar na relva, ele gostou de tudo, só não gostou muito de vir embora quando o momento chegou, mas não ficou amuado nem triste, ele não é mimalho.
Encaminhámo-nos para a saída. No Arco da Traição encostada ao grande portão de madeira, estava uma rapariga que nos cumprimentou. Muito simples, fininha, simpática talvez em demasia, caraterística de quem precisa de ajuda monetária, que era até a razão da sua permanência ali.Era casada (disse) mas antes não fosse, pois de pouco lhe valia ser.
Dava informações a quem delas precisava e aceitava umas moedas.Quando soube que era de Montemor perguntei-lhe quem era a mãe, pois eu devia conhecê-la dos meus tempos de solteira, quando também ali residia. Ao que ela respondeu, com certa firmeza, que era sobrinha do Dr. Cavaco Silva, porque a mãe dela, é irmã da esposa dele. Para além da surpresa a identificação saíu curta, mas daí a pouco eu estava elucidada, e de facto eu recordo-me bem da família dela. Dissemos adeus e regressámos à Figueira. O Gabriel todo animado, manteve-me tão distraída durante todo o percurso, que praticamente esqueci aquela afirmação por de mais espontânea. Mas no dia seguinte ela voltou, e eu procurei lembrar-me de algo a este respeito. Eu até conheço a história por a ouvir contar, pois na altura eu devia ser muito menina ainda, e quando mais tarde eu começo a entender, já os factos estavam consumados.
Era um casal muito pobre, com muitos filhos, seis; ele era pescador no rio, e a esposa trabalhava no campo, e no que aparecia para fazer, porque a vida era muito difícil nos anos 40. Outro nascimento aconteceu, mais uma menina,que seria a última, pois a mãe não resistiu a uma patologia infeciosa muito grave, que só a penicilina poderia debelar, mas ela não tinha dinheiro para esse medicamento que era muito caro, e nem mesmo o hospital da vila lho concedeu, apesar de ela lá estar internada. Ampararam-na na morte, mas pouco na vida. Ficou a bébé, que a Conferência de São Vicente de Paulo, integrada por algumas senhoras que se dedicavam a ajudar quem de ajuda carecia em situações extremas,colocou em local adequado dizia-se que em Coimbra no Ninho dos Pequeninos. Os outros filhos, três meninas, ficaram com a tia, mulher já madura igualmente de recursos limitados, gente de trabalho que com ele subsistia, e os rapazes também três, continuaram a viver com o pai. Nestes estava o mais novo o Carlinhos, assim o pai o tratava por ser ainda tão pequenito. Imaginemos as privações por que passaram todos, mas os rapazes mais, tendo em conta que o pai também se tornou alcoólico. Porém, a fatalidade que os atingiu logo na infância, não interferiu na sua dignidade, venceram na vida com trabalho e honra, merecendo por eles próprios a estima de toda gente.
Se esta bébé, que foi a sétima filha deste casal tão pobre, é a esposa do actual Presidente da República de Portugal, só ela o saberá. Há contudo uma coincidência relevante, a D. Maria Cavaco Silva foi adotada, ela mesmo o diz. E também diz, que lamenta não ter conhecido a mãe. (li numa revista).
Ninguém sabe quando nasce, pra que nasce uma pessoa... Assim escreveu o poeta, assim alguém o disse cantando. E também se diz que há males que vêm por bem...
Encaminhámo-nos para a saída. No Arco da Traição encostada ao grande portão de madeira, estava uma rapariga que nos cumprimentou. Muito simples, fininha, simpática talvez em demasia, caraterística de quem precisa de ajuda monetária, que era até a razão da sua permanência ali.Era casada (disse) mas antes não fosse, pois de pouco lhe valia ser.
Dava informações a quem delas precisava e aceitava umas moedas.Quando soube que era de Montemor perguntei-lhe quem era a mãe, pois eu devia conhecê-la dos meus tempos de solteira, quando também ali residia. Ao que ela respondeu, com certa firmeza, que era sobrinha do Dr. Cavaco Silva, porque a mãe dela, é irmã da esposa dele. Para além da surpresa a identificação saíu curta, mas daí a pouco eu estava elucidada, e de facto eu recordo-me bem da família dela. Dissemos adeus e regressámos à Figueira. O Gabriel todo animado, manteve-me tão distraída durante todo o percurso, que praticamente esqueci aquela afirmação por de mais espontânea. Mas no dia seguinte ela voltou, e eu procurei lembrar-me de algo a este respeito. Eu até conheço a história por a ouvir contar, pois na altura eu devia ser muito menina ainda, e quando mais tarde eu começo a entender, já os factos estavam consumados.
Era um casal muito pobre, com muitos filhos, seis; ele era pescador no rio, e a esposa trabalhava no campo, e no que aparecia para fazer, porque a vida era muito difícil nos anos 40. Outro nascimento aconteceu, mais uma menina,que seria a última, pois a mãe não resistiu a uma patologia infeciosa muito grave, que só a penicilina poderia debelar, mas ela não tinha dinheiro para esse medicamento que era muito caro, e nem mesmo o hospital da vila lho concedeu, apesar de ela lá estar internada. Ampararam-na na morte, mas pouco na vida. Ficou a bébé, que a Conferência de São Vicente de Paulo, integrada por algumas senhoras que se dedicavam a ajudar quem de ajuda carecia em situações extremas,colocou em local adequado dizia-se que em Coimbra no Ninho dos Pequeninos. Os outros filhos, três meninas, ficaram com a tia, mulher já madura igualmente de recursos limitados, gente de trabalho que com ele subsistia, e os rapazes também três, continuaram a viver com o pai. Nestes estava o mais novo o Carlinhos, assim o pai o tratava por ser ainda tão pequenito. Imaginemos as privações por que passaram todos, mas os rapazes mais, tendo em conta que o pai também se tornou alcoólico. Porém, a fatalidade que os atingiu logo na infância, não interferiu na sua dignidade, venceram na vida com trabalho e honra, merecendo por eles próprios a estima de toda gente.
Se esta bébé, que foi a sétima filha deste casal tão pobre, é a esposa do actual Presidente da República de Portugal, só ela o saberá. Há contudo uma coincidência relevante, a D. Maria Cavaco Silva foi adotada, ela mesmo o diz. E também diz, que lamenta não ter conhecido a mãe. (li numa revista).
Ninguém sabe quando nasce, pra que nasce uma pessoa... Assim escreveu o poeta, assim alguém o disse cantando. E também se diz que há males que vêm por bem...
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Passeio no Zoo em Montemor-o- Velho
Foi num Domingo em Setembro que voltei ao Paradise em Montemor. E voltei porque prometemos ao Gabriel levá-lo a passar um dia connosco fora de casa.
Estavam iniciados os festejos da Feira Anual, mas preferimos levá-lo ao parque zoológico, ver os animais ao perto, e usufruir daquele ambiente tão natural que o homem não destruiu. As árvores de várias espécies que ali existiam há muito, lá ficaram, os arbustos, as plantas expontaneas, toda a rusticidade de outrora do Monte da Gardôa foi mantida, e os animais ali vivem práticamente em liberdade, e tantos e de tão variadas espécies que ali estão, aquilo é um encanto.
O Gabriel queria fotografar todos. Os cisnes que deslisavam elegantes nas lagoas, as araras e os papagaios que empoleirados nas árvores pareciam espreitar-nos, os macacos que saltitavam de ramo em ramo, e no restôlho no chão as zêbras preguiçavam, enquanto os veados ensaiavam algumas corridas. Com toda esta vida em movimento não era fácil captar imagens, mas com a ajuda do avô a entreter os cisnes, o Gabriel lá foi disparando a máquina, e algo ficou para recordar.
Subindo aqui, descendo ali e caminhando muito, esquecemos o tempo, e só quando o estomago começou a reclamar é que olhámos o relógio, era hora de partir em busca de almoço. Fomos a Tentúgal, a Vila dos pastéis do mesmo nome,ótima delicia, mas não era o que procuravamos, mas sim almoço que encontrámos a nosso gosto. Ainda descançámos à sombra das árvores perto da estrada, e depois sem pressa regressámos a Montemor e fomos ao Castelo...
Sobre o resto do passeio falarei a seguir.
E como avó vaidosa que sou, decidi colocar aqui estas duas fotos feitas pelo nosso neto,
recordação do passeio no Zoo Paradise em Montemor.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
As Três Peneiras de Sócrates
Um homem foi ao encontro de Sócrates levando ao filósofo uma informação que julgava de seu interesse:
- Quero contar-te uma coisa a respeito de um amigo teu!
- Espera um momento – disse Sócrates – Antes de contar-me, quero saber se fizeste passar essa informação pelas três peneiras.
- Três peneiras? Que queres dizer?
- Vamos peneirar aquilo que quer me dizer. Devemos sempre usar as três peneiras. Se não as conheces, presta bem atenção. A primeira é a peneira da VERDADE. Tens certeza de que isso que queres dizer-me é verdade?
- Bem, foi o que ouvi outros contarem. Não sei exatamente se é verdade.
- A segunda peneira é a da BONDADE. Com certeza, deves ter passado a informação pela peneira da bondade. Ou não?
Envergonhado, o homem respondeu
- Devo confessar que não.
- A terceira peneira é a da UTILIDADE. Pensaste bem se é útil o que vieste falar a respeito do meu amigo?
- Útil? Na verdade, não.
- Então, disse-lhe o sábio, se o que queres contar-me não é verdadeiro, nem bom, nem útil, então é melhor que o guardes apenas para ti.
O texto de filipenses 4:8, nos fala de tudo que é verdadeiro ,honesto, justo ,puro, amável, de boa fama, nisto pensai. Amados isso é as três peneiras. Use e você evitará grandes problemas para sua vida. Como pouparemos magoas se aplicarmos esses princípios.
Diz-se que nada acontece por acaso, mas foi assim que encontrei este blog do Sr. Pastor, Figueiredo de seu nome.Gostei do que li, os textos que ali coloca trazem-nos alguma mensagem, nomeadamente do bem, sempre em primeiro plano. Pedi -lhe permissão para trazer para aqui As Três Peneiras, com gentileza ele acedeu, o que eu agradeço.
Tenho a certeza que vão gostar, como eu gostei.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Rio - desenhos animados mesmo animados
A minha filha mais velha e o meu netinho adoram desenhos animados. O Gabriel é capaz de ver o mesmo filme 6 vezes seguidas! Ela anda sempre a mostrar-me os últimos filmes que viu. Não há dúvida que até os adultos gostam destes passarinhos do Rio!
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