quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Montemor-o-Velho na década de 50 - 6

Ponte na Barca.

Esta ponte que atravessava o Mondego à entrada do Casal Novo do Rio,apesar de ter sido construida há muitos anos, e restaurada algumas vezes, na altura em que fiz a foto estava perfeitamente operacional.A sua estrutura era basicamente o ferro,e até os passeios laterais pedonais eram de ferro, com relevos para não se escorregar. Foi num dos seus passeios que eu me decidi a andar sósinha, era pouco mais que bébé, mas a minha mãe sempre fez questão de me repetir "o feito" ligado à ponte.
Há uns anos atrás uma inundação de enormes proporções, numa época em que mercê de grandes obras efectuadas, as cheias não existiam mais,surgiu este imprevisto que ninguém sequer sonhava. A água avançou monstruosa e rápida, levando tudo na sua força destruidora. Chamaram-lhe a cheia do século, nunca tinha havido nada assim. Para trás ficou um enorme rol de prejuísos e máguas. A ponte também desapareceu nesse dia. Parte dela no fundo do rio, enquanto o resto dos ferros torcidos, ainda presos aos pilares já tortos, baloiçavam ao sabor da corrente medonha como se de bóias se tratássem.
Passado algum tempo uma nova ponte foi inaugurada, construída sob técnicas modernas,uma obra virada para o futuro, mas usufruída no presente.
Da velha ponte resta apenas a recordação!

Montermor-o-Velho na década de 50 - 5


Ponte Alagoa
Este era o Largo Macedo Sotto Mayor. A Ponte de Alagoa ficava a dois passos,por isso a zona adotou também este nome. Mas na casa no lado esquerdo tem uma placa em pedra de feitio oval onde em letras talhadas em relevo o nome do dito Sr. identifica o Largo. Na outra foto uma ruela,umas casitas, um passado longinquo.

Montemor-o-Velho na década de 50 - 4

As cheias do rio Mondego.

Este local coberto de água não era um rio ou lagoa,era sim fruto de mais uma cheia,facto repetido em todos os invernos.A zona baixa da Vila que era habitada, também ficava alagada. Só a parte situada na encosta do castelo era poupada. Nessa altura era bom morar no alto.

Montemor-o-Velho na década de 50 - 3



Ladeira de S. Miguel e Largo dos Anjos

Montemor era terra de lavradores.De manhã seguiam para os campos tratar da lavoura com os animais que além do trabalho agrícola também puxavam o carro, rústico e forte, feito de madeira pelos carpinteiros residentes na Vila. Também o chafariz era importante.Tinha um tanque de pedra que duma bica recebia água,e sempre cheio era lugar de paragem para os animais sedentos.Há direita começava a ladeira de São Miguel,subida bastante acentuada até ao castelo.A foto de cima feita de sentido inverso,mostra as casinhas antigas,com respectivos degraus em pedra,património pouco valorisado na altura.

Montemor-o-Velho na década de 50 - 2


Barcaça no rio Mondego.
Barcaça é um barco,é evidente. Porém este baseava-se num modelo antigo, que foi construido propositadamente para uma travessia, em que a passageira era sem mais nem menos uma raínha portuguesa, a rainha D. Maria I. Porém esta barcassa da foto, não transportava gente da realeza mas todos quantos iam trabalhar nos campos da outra margem. Iam as pessoas e os carros com os bois que os puxavam, as alfaias agricolas, e os produtos necessários.Era grande,chegava a levar tres carros. Era movido pela força de braços do barqueiro e da sua vara. Não tinha corda de segurança, e embora o rio tivesse um enorme caudal, perigoso por isso, nunca ouve acidente. Na foto de cima vê-se um carro e o gado já a passar no cais que era de madeira, e o lavrador à frente.Não muito longe da água, havia uma construção de pedras sobrepostas, um espaço reduzido, onde se recolhia o barqueiro, pois ali passava os dias e parte até das noites, ao serviço de quem o chamava duma ou doutra margem. Com a construção duma ponte sobre o rio, terminou este trabalho tão duro do barqueiro.E a barcaça também parou.

Montemor-o-Velho na década de 50 - 1


Fotografias tiradas por mim na década de 50. Rua Dr. José Galvão.

Esta era na altura a rua principal de Montemor. Também por aqui passava todo o transito automóvel. Esta foto mostra o lado esquerdo da rua. A outra o lado direito,no sentido norte. Nesta vê-se parte do lagar de azeite que então laborava e bem. Na outra a bomba (vê-se mal) onde se ia buscar a água.
Ao fundo a Igreja de Sta. Maria dos Anjos, monumento nacional, património valioso.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Ai caramba!




Veio da costa
Com o sorrir de quem chegava cedo
Trazia histórias
De baleias, de marés e medo
E aquela gente
Que nunca tinha visto o mar contado
Ouvia tudo
Como segredo que é revelado

E a filha do carpinteiro
Que era como uma sereia
Tão boa como água mansa
Fêmea como a lua cheia
De crescer água na boca
De sonhar a noite inteira
Ponham-me a pensar sozinho
Que ainda a deitava na areia

[Refrão]
Ai caramba!
Aquilo é que havia de ser caramba
Palavra de honra
Só me arrependia do que não fizesse
Ai se eu pudesse catraia
Levava-te a navegar
O teu lenço, a tua saia
Deitava os dois ao mar
E era o que Deus quisesse,
Ai catraia se eu pudesse...
E era o que Deus quisesse,
Ai catraia se eu pudesse...

Raio de moça
Que já me põe a falar sozinho
Ainda hei-de um dia
Aparecer-lhe à curva do caminho
Pode a nascente
Se levantar lá das terras da sorte
Hei-de dizer-lhe
Que é mais bravia que o vento norte

E um dia de manhazinha
O pescador perdeu o medo
Foi bater-lhe à porta e disse
Quero contar-te um segredo
E ela pior que as marés
Deu-lhe a resposta despachada
Vai mas é de volta ao mar
Que tu daqui não levas nada

[Refrão]

Ai se eu pudesse...

Ai caramba
Aquilo é que havia de ser caramba
Palavra de honra
Só me arrependia do que não fizesse

[Refrão]

Ai caramba!
Aquilo é que havia de ser caramba
Palavra de honra
Só me arrependia do que não fizesse
Ai se eu pudesse catraia
Levava-te a navegar
O teu lenço, a tua saia
Deitava os dois ao mar
E era o que Deus quisesse,
E era o que Deus quisesse,
Ai catraia se eu pudesse...

Um exemplo de música popular portuguesa. O grupo chama-se Quadrilha.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Portugal para descobrir!


Portugal mostrado pela TVE Espanhola

Um lindo documentário sobre Portugal. Está em espanhol mas a gente precebe.

domingo, 14 de agosto de 2011

Já era noite

Estavamos em Dezembro,altura em que a luminosidade do dia cede mais cedo o lugar ao escuro que antecede a noite. Não chuvia,mas também não se viam estrelas, só a iluminação pública permitia visibilidade a quem circulava a pé naquela avenida frente ao mar. Nós circulávamos de carro, não havia lugar a queixas.Tinha chegado ao fim mais um dia de trabalho e o meu marido e eu dirijiamo-nos para casa.Eu não sei já porque razão utilizámos aquela artéria,havia o caminho habitual que até era mais curto. Iamos devagar e o meu marido reparou num vulto que caminhava lento e com passo inseguro.Parou e perguntou: Quer vir Sr. Paulino? O homem acercou-se e respondeu: Mas por Deus!!!!! Quero, leva-me.Sabe onde moro? Bem,eu depois digo. Entrou no carro e lá foi repetindo o tal, "mas por Deus", que o caracterizava. Era um homem só,fazia uns trabalhitos,e como era educado e andava sempre asseado, toda a gente o estimava,apesar do seu gosto exagerado pela bebida.Quando regressava a casa alta noite cantava,elevava mesmo a voz,vinha sempre feliz. De carro depressa se chegou à azinhaga que dava acesso à casa do Paulino,e o meu marido aproximou o carro da berma e convidou-o a descer. Mas ele não quiz. Repetia, "mas por Deus", e continuava sentado, enquanto o meu marido argumentava que queria ir pra casa descançar,e insistia:"Vá lá, saia Sr.Paulino que já não é cedo".Mas ele queria lá saber!"Então Sr. Paulino, ora esta?! Eu meto-me em cada uma,"- já dizia o meu marido a meia voz -bem, tem de ser assim. Saiu do carro abriu a porta do lado dele, e puxou-lhe as pernas pra fora enquanto o aliciava com boas razões a sair do carro. Finalmente ele concordou,e lá caminhou para casa não sem antes agradecer a boleia, e repetir:"Mas por Deus!" E nós seguimos o nosso rumo algo sorridentes, convencidos de que não ia haver outra paragem. Convencidos,e errados!!! Uns metros adiante havia qualquer coisa na nossa faixa de rodagem,era um carro parado.Estavam também pessoas no passeio. Devagar aproximamo-nos,e quando o nosso carro parou sentimos algo a estilhaçar-se sob os pneus,e ouvimos também dispersos alguns insultos. Saímos do carro. À frente lá estava o carro avariado, mas isso era outra coisa, os insultos eram para nós, e agora mais intensos. Então o meu marido perguntou:"Mas o que é, homem,afinal o que é que eu tenho a ver com isto para ser assim tão mal tratado?" E o outro de imediato e com mau modo respondeu:"Então você partiu-me o triângulo e ainda está a perguntar-me o que é que fêz? Fez uma linda coisa! Não haja dúvida!"
Ainda não refeito da surpresa o meu marido como que falásse para si próprio, calmamente murmurou:"Ah,então foi isso..." O outro retorquiu:"Pois foi,foi! E agora estou sem triângulo a estas horas, e amanhã vou cedo para fora,acha bem,acha? Ora diga lá..." O meu marido respondeu:" Não, não acho,mas espere que se resolve já o assunto." E dito isto o meu marido abriu o porta-bagagem e tirou o triângulo do nosso carro,e acto continuo entregou-lho ao mesmo tempo que dizia em tom alegre:" Ora, se todas as guerras se pudessem resolver com esta facilidade,o mundo estaria melhor!" A assistência quase aplaudiu. Um dos presentes apanhou o triângulo partido e entregou-o ao meu marido,dizendo que mesmo partido ainda lhe podia vir a ser necessário... e até foi.
Aquilo acabou em sorrisos,ainda se trocaram cumprimentos e seguimos. Foi altura do meu marido desabafar em voz alta: "Depois dum dia inteiro a atender pessoas ainda me deu para trazer o Paulino alcoolisado,coitado, eu já me estava a aborrecer... depois livro-me dele e atropelo o triângulo..." Dizem que não há duas sem três, será que antes de chegar a casa ainda me envolvo noutro episódio?

(Felizmente tal não veio a suceder.)

Não existem só regras...Há também excepções!

Hoje volto à poesia. Apenas um soneto que guardo há muitos anos,é um pequeno recorte de jornal.Presumo que seja do Jornal Républica,actualmente desaparecido (infelizmente) e penso assim porque a autora foi redatora deste Jornal entre 1942 e 1945. O meu pai recebia o Républica entregue por correio diáriamente, e foi ele que me levou o papelinho,acrescentando que o soneto era muito bonito.Os anos passaram,mas não danificaram este mimo,que aconchegado nas páginas dum livro de poesia de vários autores, esperava pela minha visita.É da autoria de Manuela de Azevedo, a primeira mulher jornalista em Portugal.Escreveu poesia,conto,ensaio,foi uma lutadora contra o antigo regime,e uma incançável estudiosa relativamente à biografia de Luis de Camões,e à reconstrução da casa (à altura em ruínas) que se situa na Vila de Constância, e que teria sido propriedade da família do grande Poeta.
Ao folhear uma revista,fiquei a saber que no dia 31 de Agosto próximo,somam 100 anos sobre a data do nascimento em Lisboa,desta senhora que eu muito admiro, mas tenho de me penitenciar pelo facto de não saber se ainda está entre nós. De qualquer modo,os grandes vultos são eternos, porque jamais esquecidos.


Excepções


Entre o ouro da lei, há falsidade;
E entre as estrelas de maior grandeza
Há vultos sem fulgôr e sem beleza,
Como, até nas mentiras, há verdade!...


Entre as brumas da noite, há claridade,
Como surge, no riso, a subtileza
De uma lágrima cheia de tristeza
E, na bonança,surge a tempestade...


No antro do pecado, há criminosos
E há, na virtude, um vício insatisfeito
Como, em deserto, há bosques milagrosos...


E como em toda a regra há excepções,
Entre os homens há feras de respeito
E, entre as feras, há grandes corações!


( Manuela de Azevedo)

sábado, 13 de agosto de 2011

Num Domingo em Agosto

Por vezes dou comigo a reparar que situações que haviam sido postas de lado estão a ser novamente usadas, quase como novidade e decerto até são, porque o tempo passou e o passado, como o nome indica, é passado e não raro esquecido.
Vi num pequeno apontamento de reportagem, algo oferecido aos residentes duma terra alentejana; uma empresa disponibiliza aos Domingos um autocarro para que as pessoas possam ir à praia. São 40 lugares que são preenchidos entre adultos e crianças.Hora marcada, vão pela manhã, cedinho, e regressam ao fim do dia. Transporte directo,mesmo assim a viagem leva hora e meia. O custo do bilhete não fixei, prendi a atenção na satisfação que aquele grupo manifestava,e disse para mim própria "é preciso tão pouco para umas horas de felicidade."
Não são só as conversas que são como as cerejas, as recordações também se assemelham. E por isso cá estou a recordar.
Foi num Domingo de Agosto, época muito quente, e a praia da Figueira da Foz o lugar de eleição. Carro próprio era luxo de poucos, excepção apenas para quem o veículo era mesmo necessário.Assim, havia o autocarro, a carreira que aos Domingos se multiplicava para levar toda a gente que estivesse nas paragens à espera. A empresa tinha dois ou três autocarros novos, barulhentos que bastasse, e vários arrumados por velhice, mas aos Domingos vinha tudo para a estrada. Mesmo assim, não ficou para a história memória de acidente, mas também à velocidade a que seguiam nunca o perigo seria muito.
Eu com o meu pai,que ia para a pesca, e a minha mãe que me acompanhava, embarcámos em Montemor nossa terra,na primeira camionete, a tal mais nova,e connosco outros Montemorences,iamos todos para a praia. O autocarro ficou logo lotado, e, ao aproximar das paragens,o motorista afrouxava e com a mão fazia sinal aos passageiros que vinha outro autocarro a seguir. Só parámos para sair já na Figueira, encantadas com a rapidez da viagem. Até aqui tudo bem,na praia idem,enfim,um Domingo em beleza. O pior ainda estava para vir ao fim da tarde. Dirijimo-nos para o local da partida,era na rua, ainda não havia Terminal Rodoviário.Entretanto começavam a chegar os respectivos passageiros. Mas quais respectivos? Aquilo era um mar de gente que não parava de aparecer.Estava na hora de sair e a camionete  ainda não estava ali. Todos pensavam que não viria só uma mas várias. Puro engano, veio só uma, e das velhas...!Algumas pessoas precipitaram-se aos empurrões e entraram.O motorista fechou logo as portas e informou pela janela, que voltava depois de ir levar aqueles passageiros,e arrancou. Aborrecidas, as pessoas comentavam e manifestavam o desconforto. Já era noite fechada, não havia ali nenhum café,a borda do passeio servia de assento.Entretanto a camionete ia e vinha, ia e vinha, e os ânimos começaram a exaltar-se,e a certa altura num dos momentos de mais um embarque, ouvimos alguém que gritava "anda aqui bulha, andam à pancada dentro da camionete". Logo de seguida o motorista saiu e foi a correr chamar a polícia que ficava sediada ali perto.Regressou a calma e a resignação.
Não foram minutos,foram horas que ali estivemos à espera! Agora já falo de mim e dos meus,embarcámos era meia-noite na última camionete,já nem falávamos,nem sequer para nos lamentarmos ou recordarmos o bom da tarde.
Mas ficou a recordação deste regresso atribulado,que passado algum tempo já nos fazia sorrir!

domingo, 24 de julho de 2011

A beleza das mãos

Ao ver estas mãos transformadas em coisas tão bonitas,eu quis escrever algo sobre a habilidade do artista, mas depois de ler este soneto de Manuel Alegre,fiquei sem palavras,ele disse tudo.

As Mãos

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

( Manuel Alegre)

sábado, 23 de julho de 2011

O mundo da publicidade






















Recebi por email e achei que era digno de ser partilhado!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fantasmas !

O vigário de Deus na terra disse um dia
Aos batalhões do clero :
Tragam-me o manto d'oiro e seda que cobria
As espáduas de Nero.

E trouxeram-lhe o manto,um manto de brocado,
Da púrpura mais fina,
Com manchas de lôdo obsceno,inda empastado
No sangue de Agripina.

E o papa continuou :«preciso armar o braço,
Para ditar as leis;
Fabriquem-me uma espada enorme,com o aço
Das espadas dos reis.»

E trouxeram-lhe o gládio. O papa ficou mudo,
Num assombro d'espectro,
De súbito exclamou : « ainda não é tudo ;
Tragam-me agora um cetro !»

Trouxeram-lho. E, depois dum silêncio profundo,
Rugiu como um leão :
«Tragam-me agora o mundo!» E puseram-lhe o mundo
Na palma da sua mão.

E soprando o globo e arrancando o montante
Enorme da baínha,
Bradou pela amplidão :«Sou Júpiter-tonante!
Humanidade, és minha !

Eu tenho o gládio e o cetro,a excomunhão e a bula ;
Sou o Deus, sou a Fé.
Miserável réptil, Humanidade,oscula
A ponta do meu pé !»

E, sentando-se sobre o coração de Itália,
O sátrapa romano
Estendeu,desdenhoso, o bico da sandália
Para o género humano !

Nesse instante, um fantasma entrou nos régios paços,
Sereno e formidável.
Encarou fixamente o rei,cruzando os braços
No peito inabalável.

E trovejou,deixando o papa sacrossanto
Lívido, espavorido :
«Sou a Fraternidade. Entrega-me esse manto
E essa espada, bandido !»

Despedaçou-lhe o gládio e a túnica purpúrea,
E saiu triunfal.
E o papa horrorizado, espumando de fúria,
Uivou como um chacal :

«Nesta invencível mão d'abutre encarquilhada
Guardo o meu tesoiro.
Ficou-me ainda o cetro. Era de ferro a espada...
Prefiro o cetro... é d'oiro !»

E o papa viu então, oh trágica ansiedade !
Um vulto sobre-humano
Avançar e bramir : - o meu nome é Igualdade ;
Dá-me o cetro, tirano ! -

Quebrou o cetro e foi-se. E o papa como um lobo
Sombrio, respondeu :
«Na minha forte mão ainda sustento o globo ...
Ainda o globo é meu ! ...»

E desatou a rir ... um riso sanguinário
De pantera. Depois,
Surgiu novo fantasma hercúleo,extraordinário,
Maior que os outros dois.

E como o rebentar potente dum trovão
Que abala a imensidade,
O fantasma rugiu : - Não me conheces, não !
Chamo-me a Liberdade !

«Venho buscar o mundo. Entrega-o, salteador,
É meu o globo, harpia !»
E arrancou-lho. Soltando um grito, no estertor
Convulso da agonia,

Tombou por terra o papa. E repentinamente
Viu surgir-lhe do lado
Um esqueleto a rir, todo fosforescente,
Podre, desengonçado,

Que lhe disse:- Morreu,ó papa, o nosso império,
Morreu o mundo antigo.
Tu chamas-te Alexandre,eu chamo-me Tibério ! ...
Vem deitar-te comigo !...

E como um caçador fantástico que leva,
Sangrenta e moribunda,
Uma hiena a gemer,de rastos, pela treva
Numa noite profunda,

O esqueleto levou para a cripta sombria
O cadáver do irmão,
Indo dormir os dois na eterna mancebia
Da mesma podridão !



( De Guerra Junqueiro )

terça-feira, 5 de julho de 2011

Fatalidade é uma coisa. Incompetência é outra!!!

Eu prometi a mim própria não fazer mais comentários em relação à situação do nosso país,nem a casos graves que todos os dias os jornais nos mostram, e as televisões repetem de hora a hora.Prometi,mas não cumpri,e até estou a fazer um reparo em relação aos jornalistas pois parece quererem tirar partido das desgraças, insistindo em descrever e fotografar em pormenor, situações por vezes chocantes,e que eu iria jurar que não deve ser do agrado dos familiares das vitimas,e entendo que deveria haver mais recato e respeito,e não aquele arraial, passe o termo que é impróprio,mas agora não tenho outro.
Bem, mas eu não queria falar de coisas tristes,nem do governo, porque ele caiu,mas já se levantou outra vez, e já se vêem de novo sorrisos nos politicos porque tristezas não pagam dividas,e também porque não são eles que estão tristes.
No entanto é do dominio publico a situação aflitiva de grande parte da população portuguesa, muita tristeza abafada,muita lágrima escondida por vergonha,e muita miséria a todos os níveis,alguma exposta aos olhos de todo o transeunte. Todos lamentamos, e nada podemos,mas compreendemos e sentimos (mesmo que ao de leve) a desgraça alheia,e vivemos no receio porque " hoje aqueles,amanhã nós, ou um familiar, um vizinho,um amigo..." Todos estamos afinal no mesmo barco que é demasiado frágil.
Nesta perspectiva,fiquei pasmada quando à poucos dias ouvi ao Presidente da Républica assim de ânimo leve, estas palavras -O QUE ACONTECEU AO NOSSO PAÍS NÃO É UMA FATALIDADE!!!! Tudo se há-de resolver,etc... Fiquei a falar sózinha,não é fatalidade? Então o que é? Mas depois de me passar o pasmo,eu encontrei a razão.-O Presidente deixou fugir-lhe a boca para a verdade! Pois é! Fatalidade, é destino; acaso infeliz; funesto; algo inevitável; consequência desastrosa; desgraça que ninguém prevê e acontece, mas não há culpados.

Tem toda a razão o Presidente! Relativamente ao nosso país a expressão FATALIDADE é incorreta, porque a nossa crise tem culpados,e por isso o nome é outro,ou outros. Afinal todos sabiamos, só que não nos lembrávamos... Foi preciso o Presidente falar verdade...

Bem haja Sr.Presidente!!!!!!!!!!

domingo, 3 de julho de 2011

Férias em Junho

Pois é verdade! Fui de férias,regressei de férias... Eu já tenho dito e é verdade, que sinto certa satisfação nos preparativos para o regresso,se bem que seja maçador refazer malas, estas já um tanto à balda é certo,mas não muito, porque sou perfeccionista,um defeito que não consigo corrigir.
A chegada a casa é um prazer,acho-a sempre mais bonita,sensação ilusória claro,e lá volta a minha afirmação repetida ano após ano "eu gosto de ir,e gosto de voltar".
O pior é no dia seguinte, é mesmo o reverso da medalha... o meu marido vai para férias,acumula energia,na viagem de regresso já vem a traçar planos de trabalho,e no dia imediato manhã cedo com disposição excelente, lá vai trabalhar como se fosse para uma festa,enquanto eu que nas férias me habituei ao descanço,e até ao desmazêlo,que até é pecado,ao voltar à vida a sério ando a pedir a um pé, licênça para mover o outro... Como as férias já foram,alguns dias já passaram,hoje abandonei a semi-indolência,e voltei a exercer o cargo de fada do lar e estou contente por isso.
E aonde fomos nós fazer férias? Cá dentro pois claro!!! Como opina o Presidente! "Que nós estamos muito atentos aos seus conselhos"... Sobre poupanças eu sou Licenciada há muitos,muitos anos, mas não quero falar disso.
Fomos para o Algarve em Armação de Pera,onde encontrámos sol bonito e água temperada,e uma tranquilidade que apreciamos. Num Domingo, para matar saudades fomos até Vila Real de Santo António,que por sinal é uma grande Cidade, limpa e bonita: gostei de voltar a passear nas ruas Pombalinas,e olhar o Guadiana. Decidimos ver o rio mais de perto, embarcámos no Ferri,subimos para o piso superior e dali observámos "tudo o que pudémos" durante a travessia, e entretanto chegámos a Espanha,mais própriamente a Aiamonte. É engraçado numa das margens do rio é Portugal, logo na outra é Espanha,com mais uma hora em relação a nós. Também gostei muito de Aiamonte,e só lamento não podermos ter visitado em pormenor.Há uns anos atrás em situações identicas, eu dizia havemos de voltar... actualmente projectos desse teor não é conveniente traçá-los.
Para ser franca comigo,eu quero confessar "baixinho,"que já sinto saudades destes ultimos quinze dias de junho,as nossas férias deste ano.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os pepinos são mesmo fantásticos

Não escrevi este texto, recebi-o por email, da minha filha, que também o recebeu assim. Mas vem muito a propósito por causa do alarme causado pela descoberta das infecções na Alemanha. Afinal não eram os pepinos os culpados, mas muito produtores de Espanha e Portugal têm tido prejuizo.

1. PEPINOS contém a maioria das vitaminas que tu precisas diariamente. Só um pepino contém Vitaminas B1, B2, B3, B5, B6, C,Ácido Fólico, Cálcio, Ferro, Magnésio, Fósforo, Potássio e Zinco.
2. Sentes-te cansado à tarde, dispensa a cafeína e come um Pepino. Os Pepinos são óptimas fontes de Vitaminas B e Carbonatos que fornecem aquela '' animação'' que dura por horas.
3. Cansado de ver o espelho da casa de banho embaciado depois do banho?Tenta esfregar uma rodela de pepino no espelho, isto eliminará a neblina e produzirá uma tenra fragrância como no SPA.
4. As lesmas e caramujos arruínam as tuas plantas?Coloca algumas rodelas de pepino num pequeno prato ou forma de lata (não de ferro nem de alumínio ), na tua horta ou jardim, e as pestes ficarão longe toda a temporada. As químicas no pepino reagem com a lata para dar um cheiro detectado por humanos mas que deixam as pestes loucas e as fazem fugir da área.
5. Procuras uma rápida e fácil forma de remover celulite antes de ir à piscina ou praia? Tenta esfregar uma rodela ou duas de pepino nas áreas afectadas por alguns minutos, os fito-químicos no pepino forçam o colágeno de tua pele a encolher, firmando a camada de fora e reduzindo a visibilidade da celulite. Funciona optimamente para as rugas também!
6. Desejas evitar uma ressaca ou dor de cabeça? Come algumas fatias de pepino antes de dormir e acordarás sem dor e sem ressaca. Os Pepinos contêm bastante açúcar, Vitaminas B e electrolises para repor os nutrientes essenciais que o corpo perde, mantendo tudo em equilíbrio, evitando ambos a ressaca e a dor de cabeça.
7. Queres evitar aquela fome à tarde ou à noitinha com alguma coisa? Pepinos têm sido usados por centenas de anos e usados por caçadores europeus, exploradores e comerciantes como uma rápida refeição para evitar a fome.
8. Tens uma importante entrevista de emprego e reparas que não tens tempo para engraxar os sapatos? Simplesmente esfrega uma fatia fresca de pepino sobre o sapato, os químicos proverão rápida e durável brilho que não somente fica óptimo como também repele água.
9. Não tens em casa o WD-40 para consertar aquele barulhinho enjoado de uma porta a ranger? Pega numa fatia de pepino e esfrega no sítio problemático... e o rangido foi-se!
10. Cansado, stressado e sem tempo para uma massagem, facial ou visita ao SPA? Corta um pepino inteiro e coloca numa panela de água a ferver, os químicos e nutrientes do pepino reagem com a água a 100º e soltam-se no vapor, criando um relaxante cheirinho que tem sido mostrado que reduz o stress em novas mamães e estudantes durante exames finais.
11. Acabaste de almoçar e vês que não tens "chewing gum" ou rebuçados de hortelã? Pega numa fatia de pepino e espreme no céu da boca com a língua por 30 segundos para eliminar o sabor da comida, os fito-químicos matarão as bactérias responsáveis por causar mau hálito.
12. Procuras algo ''verde'' para limpar as torneiras, pias ou aço inoxidável? Esfrega uma fatia de pepino na superfície que desejas limpar, isto não só remove anos de zinabre mas traz de volta o brilho, mas também não deixa marcas e não mancham nem prejudicam as tuas unhas e mãos enquanto limpas.
13. Usas a caneta e cometes um erro? Toma a casca do pepino ( o lado de fora ) e devagar usa-a para apagar o erro. Também funciona muito bem nos lápis que as crianças deixam nas paredes!!!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Em Portugal não é só desgraça: o êxito da empresa PORCEL




Porcel - Indústria Portuguesa de Porcelanas SA, ajudou a reconstruir um dos maiores templos da religião Bahá'i, localizado em Israel, destino anual da peregrinação de milhares de fiéis, através da produção de telhas que revestem a cúpula, apropriadamente descrita como "jóia da coroa", do Santuário do Báb considerado de "valor excepcional" na lista de Património da Humanidade da UNESCO.

domingo, 5 de junho de 2011

Papas de linhaça,um petisco?

Acorda cedo como os passarinhos e vem a correr beijar-me as mãos...
Assim dizia João Vilarett,ao declamar umas belas rimas,na sua arte inconfundivel. Foi hà muito tempo,mas os discos ainda são uns bons amigos...
Mas hoje não venho escrever sobre poetas ou poesia, temas que tanto me prendem,venho antes falar duma amiga, mas também eu acordo cedo como os passarinhos,e naquele sossego matinal,vêm-me à mente recordações quase esquecidas de tão guardadas estarem.
Quase parece uma história,eu própria duvidaría,se não fosse a pessoa em causa, para além de amiga, uma senhora duma integridade a toda a prova, e por isso mesmo, é que recordo o episódio. Há muitos anos que caiu em desuso,mas eu ainda recordo que para doenças do foro gripal,eram aplicadas cataplasmas de papas de linhaça.Como toda a gente sabe,a linhaça é a semente do linho,umas pevidesinhas que até têm um aroma agradável,mas que depois de moídas e transformadas em farinha,e posteriormente cosidas com um pouco de água (são as papas) ficam com um cheiro muito desagradável,e um aspecto horroroso.
Com o filho bastante doente, o médico prescreveu as ditas cujas,e a minha amiga a cumprir na integra lá as cozinhava hora a hora. Porém,ela aguardava outro bébé, e não é que começou a cobiçar as papas? Ela gostava do cheiro,o aspecto não a encomodava,queria era comê-las... Só lhe faltava saber se seriam prejudiciais, tóxicas...Quando foi comprar mais farinha,abriu-se com o farmaceutico para o devido esclarecimento. Ele, um sr. já de idade achou imensa graça, e serenou-a; não era um produto higienizado, e tinha alguns efeitos próprios mas nada de perigoso.
Era o que ela queria ouvir! Agora só faltava saber se o sabor correspondia à expectativa por ela criada. Na próxima cosedura tirou um pouco daquela papa acinzentada,feia, e colocou num pratinho; comeu,e sorridente afirmou que era mesmo aquilo que ela supunha,era mesmo muito bom!!!
Assim continuou a deliciar-se "naquela altura", mas não só, pois nunca deixou de apreciar aquele petisco horroroso. Apenas um senão a desgostou,é que havia umas areiasinhas minusculas,e isso sim era um pouco desagradável,mas só isso,nada mais em contrário.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uma horta no meio da cidade



Agricultura comunitária no centro da cidade do Porto. Tudo é trabalho voluntário, das pessoas, sem qualquer intervenção de instituições.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Monsanto e as suas pedras

Actualmente todas as conversas vão desaguar na crise,nos politicos,na miséria que já grassa no nosso Portugal. Mas eu não quero falar nisso,prefiro voltar a recordar outros tempos. Também não quero fazer comparações,nem afirmar que dantes é que estava tudo bem, porque na realidade também não estava.Mas eu quero é falar de coisas boas. Eu era ainda muito novinha andava na escola, quando ouvi uma alusão a uma pequena localidade mais própriamente uma aldeia, alcandorada numa alta montanha situada na beira baixa.Utilisando a linguagem adequada para um bando de crianças que ela carinhosamente ensinava, a professora contou quase em geito duma estória,o facto acontecido alguns anos atrás dum concurso entre algumas aldeias e que a dita cuja tinha sido a escolhida, recebendo um prémio e um título. O prémio foi um galinho de prata. O título, Aldeia mais portuguesa de Portugal.
Esta aldeia ainda se chama Monsanto.
Eu nunca esqueci esta aula, e muitos anos mais tarde eu perguntava-me, sem ter resposta,o porquê, de ser mais portuguesa... E pensava,um dia vou lá ver! Pensamento positivo é um bem, quando se concretiza, e assim aconteceu.
Num sábado de primavera, pelo meio dia saímos de casa eu e o meu marido com destino a Monsanto. Eu ainda não sei o porquê de tal "rótulo" nem o acho necessário. O que sei é que esta terra (actualmente Vila) é diferente de tudo o que eu conheço, mercê da Natureza que lhe atribuiu pormenores que aproveitados em parte (pelo Homem) a tornaram única.
Socorro-me duma quadra da autoria de Cardoso Marta:

"Nunca se sabe em Monsanto
(Que as águias roçam com a asa)
Se a casa nasce da rocha
Se a rocha nasce da casa"

Assim é realmente,ali reinam as pedras! Por todo o lado gigantescos barrocos (assim lhes chamam) meio enterrados,outros iguais, ou maiores ainda, sobrepostos, equilibrados, alguns partes de casa,outros até casa duma só porta.... Impossível descrever tal grandiosidade ...
Todo o casario da Vila é de granito,e as ruas e ruelas em calçada irregular são igualmente de pedra.
Antiquissima,tem monumentos,entre eles a Torrre de Lucano,aonde brilha uma réplica do galo de prata, e é coroada pelo castelo que encrostado na penedia se ergue a 758 metros de altitude.
Ainda um louvor para a sua gastronomia!
Chegada a noite um sono reparador naquela envolvência de socego,faz bem ao corpo e à alma,é inesquecivel.
Prometemos voltar!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Prato do Sr. Dr.

Hoje ao verificar se havia pó em dois pratos que guardo como se dum tesouro se tratasse, apenas pelo facto de terem pertencido à minha avó, e eu ser conservadora,retornei ao passado e ao meu Montemor. Montemor-o-Velho,que naquela altura era mesmo velhinho,e pobresinho. Sistema de saúde ainda não tinha nascido, havia um hospital e um médico. Era o médico municipal pois a Câmara custeava o seu vencimento. Chamavam ao médico que ocupava este cargo o Médico dos Pobres,pelo facto deles não pagarem consulta,e os menos pobres pagavam uma vez por ano umas medidas de milho. Recordo-me de ele ir com um pseudo-enfermeiro à escola-primária vacinar-nos contra a varíola; nós em fila,aterradas,e ele a falar grosso,mas com bom modo. Ainda o vejo sentado no automóvel pequeno,com a bengala nas mãos,e o Sr José ao lado a conduzir devagarinho,se calhar a alguns 30 km à hora a caminho do hospital onde ia diáriamente. Quando o chamavam das freguesias limítrofes cujo acesso eram caminhos de lama,ele aceitava a oferta dum burro e cavalgava até à casa do doente. Este Senhor embora fosse de boa compleição fisica,cedo perdeu a saúde; algo no coração funcionava mal,e começou a ser-lhe difícil ir a casas na encosta do castelo,e onde tivesse de subir escadas ou ladeiras; também o frio lhe era prejudicial,de modo que alguns doentes passaram a ter uma assistência diminuta.Em terras pequenas os pensamentos voam, e um dia surgiu um médico jovem,saudável e decidido a estabelecer os seus serviços em Montemor. Foi o primeiro médico particular. Chegou cheio de esperança e de ideais, instalou radioscopia (que era novidade),e logo que teve o seu consultório pronto,foi cumprimentar o Colega veterano como mandam os preceitos de boa vizinhança. Este como cavalheiro que era, recebeu-o bem e apreciou o gesto,mas à despedida não deixou de mostrar um pouquinho de azedume encoberto,ao dizer que não lhe augurava um futuro promissor em Montemor.O outro não ligou à profecia,despediu-se alegre como chegou, e daí a alguns dias iniciou o seu trabalho,e em boa hora o fez.Há um tempo para tudo, e o novo Dr.estava no auge,de tal modo que não tardou que a inimizade se instalásse entre os dois. Ali não eram os lucros que imperavam,era o amor próprio do "velho" Dr. que não aceitava o facto de ser ultrapassado.
Estava a Vila em festa em Setembro por ocasião da feira-anual, e numa das noites em que actuavam ranchos folclóricos,e havia baile e muita gente estava a assistir,procedeu-se a um leilão de ofertas; e chegou a vez de leiloar um prato que nem era bonito,mas era antigo (genuino) . Oferta do Sr. Dr. (mais velho), que apreciador de arte e objectos antigos os adquiria a qualquer preço. Assim ofereceu este para a festa, mas com o intuito de o comprar e de novo o guardar. Só que o novo Dr. quis arreliá-lo,e vai de licitar. Foi hilariante! Um e outro alternando, subiram o valor do prato para uma soma enorme,uma exorbitância mesmo! Até onde chegou a guerrilha, e à vista de todos... E o novo Dr.conseguiu a arrelia completa,pois foi ele que levou o prato para casa!

domingo, 8 de maio de 2011

As Catedrais do descontentamento

Eu também gosto muito de fotografia. Não ando pelas ruas feita turista de máquina na mão, longe vai o tempo em que aos Domingos eu, não como turista, mas como aprendiz de fotografia amadora, calcorreava as ruelas do centro histórico e do castelo do meu Montemor,com o meu pai, que me indicava o melhor ângulo para fixar alguns pormenores em fotografias a preto e branco. Ainda menina pequena tive a minha primeira máquina,um caixotito quadrado que eu adorava, e do qual mais tarde tive muita pena quando da troca por outra de melhor qualidade. Uns anitos depois a nova aquisição que já não me afectou, pelo contrário fiquei contente,esta fazia fotos maiores e com melhor nitidez,e eu também já tinha outro modo de pensar, dando valor ao que era melhor.
Tudo isto ficou há muito para trás,restam as fotografias, a recordação desse tempo e as máquinas, agora velharias, que para mim são relíquias que guardo com estima.
Hoje ao vir aqui ver o correio encontrei um anexo com fotos extraordinárias. Este anexo foi o responsável pelas minhas "viagens ao passado". Mas retomando o assunto, trata-se de fotografias de Catedrais grandiosas ,lindíssimas,magníficas obras de arquitectura, verdadeiros tesouros de arte e beleza. Porém nenhuma delas se situa em Portugal,embora no nosso país também existam muitas e valiosas obras de arquitectura do género, mas de menor dimensão.
Como estou numa de recordar, lembrei-me duma amiga e da histórinha que o avô lhe havia contado, e que ela anos mais tarde me contou,quando eu regressada de Santiago de Compostela lhe confessei o meu pasmo perante a extensão,grandiosidade e beleza da respectiva Catedral de São Tiago.
Era uma vez...
Um espanhol que veio pela primeira vez a Portugal.
Durante o jantar,à conversa com o dono da casa onde ficou, o espanhol falou dos monumentos do seu país com tanta insistência que ao outro até lhe pareceu exagero. Sentiu-se agastado mas disfarçou, e começou também a falar dos monumentos portugueses, tecendo igualmente elogios e fazendo questão que ele fosse ver, que ele mesmo o levaria na visita, visitariam apenas três (era o bastante). O espanhol aceitou e no dia seguinte lá foram até à Torre de Belém. O espanhol observou todos os detalhes devagar e com interesse, e o nosso português cheio de entusiasmo interrogou:- Então o que me diz? . O espanhol respondeu que era muito interessante,muito bonita mas pequenina. Nós temos maior, disse ele. O nosso português não desanimou e disse:-Nós também temos,amanhã vai ver. Cumprindo o propósito levou-o ao Mosteiro da Batalha - e nova opinião similar:- Muito bonito sim,lindíssimo mesmo,mas nós lá em Espanha temos maior. Ainda assim o nosso português não desistiu,e desta vez levou-o ao Mosteiro dos Jerónimos. O espanhol observou,elogiou e até fotografou. O nosso português já não tinha dúvidas (assim pensava) e perguntou:-Então? Que me diz? Este é belo, e enorme... E o outro sorridente murmurou, muito bonito sim,uma grande e bela obra! Magnifica! Mas, nós lá em Espanha temos maior,muito maior,muito maior... Então o nosso português disfarçou,mas alguma revolta lhe povoou o espírito.E como a vingança é prazer, não só dos Deuses, disse à esposa (em segredo) que fosse ao mercado e trouxesse duas dúzias de caranguejos vivos, miúdos. Há noite enquanto o espanhol ceava ele foi ao quarto dele e colocou os caranguejos dentro da cama. Na manhã seguinte o espanhol queixou-se e perguntou que bichos eram aqueles,ao que o outro calmamente respondeu que eram piolhos, se ele não sabia o que são piolhos?! O espanhol respondeu: - Piolhos? Sei,mas lá em Espanha são pequeninos! E o portugues respondeu: - Pois isso é lá em Espanha! Nós cá em Portugal só temos piolhos assim grandes!!!
E no íntimo pensava (com alguma tristeza) afinal aqui, grandes, grandes só mesmo "estes"piolhos...

domingo, 24 de abril de 2011

Quando rir é sofrimento

No passado Domingo a igreja comemorou o dia de Ramos. Vem da tradição cristã e procura reviver a entrada de Cristo em Jerusalém,entrada apoteótica no dizer dos cronistas da época, e cujos escritos chegaram até aos nossos dias. Infelizmente essa alegria do povo, aliás certa ( pois se tratava de aclamar um visitante que mais não queria além da paz entre os povos) cedo terminou, para dar lugar a um crime que a humanidade jamais esquecerá,o seu julgamento e morte,sendo inocente.
O povo que o aclamou,não tardou a clamar pela sua morte. O que prova que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus,como temos ouvido dizer muitas vezes. Sobretudo se esse povo não estiver bem informado, pode errar de forma grave.No entanto dizem as Escrituras que toda esta desgraça lhe estava predestinada,e que Jesus teria de sofrer assim, para depois ressuscitar e viver no céu.
Em muitas localidades do nosso País,todos os anos se revive este drama com toda a carga religiosa que ele transporta,sendo os cristãos fiéis parte integrante.
Na minha terra Montemor, também Cristo (o Senhor dos Passos) é muito venerado,a ele recorrem em momentos de aflição, e é na altura das procissões que as pessoas cumprem os seus votos,em circunstâncias penosas,em sofrimento fisico até, mas com uma coragem e alegria, inexplicáveis. A resposta? É a fé !
Hoje recordei os tempos de juventude, e as procissões que eu via das janelas pois passavam na minha rua. Durante a Quaresma todas as sextas-feiras pela tardinha, o sino tocava soando tristemente até ás 8 da noite,hora a que se rezava o terço na igreja dos Anjos,mas ninguém dizia que ia ao terço,dizia-se vou ao beija pé. No meio do templo estava a Imagem do Senhor dos Passos exposta à veneração dos fiéis. A túnica que vestia cobria-o ficando apenas um pé à vista; e durante muito tempo o povo ajoelhava e beijava o pé.Posteriormente passou a beijar-se a corda que lhe pendia da cintura,era assim no meu tempo. Numa dessas sextas-feiras como era costume fui ao beija-pé, e a minha vizinha senhora já idosa saiu de casa na altura,de modo que fomos as duas. Lá chegadas verificámos que a porta da Igreja estava fechada,sendo o acesso por uma entrada lateral passando pelo claustro,e lá fomos com ela á frente. Não tinha dado mais que tres passos, quando uma pedra mandada em pontapé por um grupo de rapazitos que jogavam assim à bola, a atingiu num tornozêlo; ela deu um grito e ficou queixosa... e eu numa aflição de riso contido a enorme custo,sem poder falar nada disse.Entrámos e logo ajoelhei; e enquanto os fiéis ajoelhados rezavam alto,eu de cabeça baixa e olhos no chão,ria,ria,ria, num riso nervoso impossivel de contêr,e que ainda hoje acho dificil de descrever. Foi mesmo sofrimento o que passei,e por isso não esqueci,e ainda hoje me pergunto o porquê do riso?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Opinião de um congressista do PS

Amizade surpreendente!

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A crise, também de valores humanos...

Não sei porquê mas lembrei-me da Cimeira Europeia, realisada à alguns meses atrás em Lisboa, sob enormes medidas de segurança relativamente aos intervenientes nela, e de enorme aparato e espalhafato, a evidenciar uma estabilidade financeira desafogada, que infelismente não existia, e os politicos sorridentes e alegres valorizando o evento como importante, cuja finalidade se traduzia na proteção dos Estados contra uma possível guerra. Posteriormente fruto da minha modesta opinião, eu escrevi que antes que a guerra chegásse cá, chegaria a fome, e sem Cimeira. Infelismente não estava muito longe da realidade, porque actualmente de fome já muitos portugueses sofrem, e como diz o povo " ainda a procissão vai no Adro..." Confesso que não tenho paciência para ouvir os políticos, nem para os ver,sempre de sorriso nos lábios, como se tudo navegásse em mar de rosas... estarão sofrendo de alguma patologia que lhes tenha diminuido faculdades, nomeadamente o sentido do dever,a responsabilidade no trabalho, a honra, a sanidade mental? Sim, porque a vinda do F M I para Portugal, vasculhar as nossas contas (que eles fizeram erradas) é uma certeza de incompetência e inferioridade, que envergonharia qualquer modesto funcionário que fôsse honesto e responsável.
Mas não os vejo penalizados: pelo contrário, têm sempre uma justificação,como se o facto do País estar como está, fosse uma banalidade sem consequências a que eles se julgam alheios.
Com mentalidades assim que futuro para Portugal ?

domingo, 17 de abril de 2011

Casa velha com cão

Esta foto saíu na revista do CM e mostra uma bela casa de pedra antiga, em Parede, Cascais. Dizem que está assombrada! Mas o cão não tem medo!

domingo, 3 de abril de 2011

Para quê europeus? Só portugueses era pouco?

Hoje ao acordar apercebi-me pela pouca luz que a perciana filtrava que decerto estava tempo de chuva.Daí a pouco tive a certeza ao observar através dos vidros, a rua estava molhada e a chuva embora miudinha ia caindo. Não estava frio, mas de primavera havia pouco. E pensei, ainda ontem esteve um sol tão promissor, mas afinal durou pouco a promessa. Parece que vivemos numa instabilidade alargada a muito do que nos rodeia, e até o tempo se associou. Isto transporta um certo desassossego e consequente desânimo. Não estou já a falar do tempo, mas da situação em que se encontra o nosso país. Afinal para onde caminham os portugueses? Ensinaram-nos na escola a sermos ciosos da nossa Pátria, este pequeno rectângulo que nasceu pela ambição de D. Afonso Henriques, que até se levantou em armas contra a própria mãe, a D. Tareja, e conseguiu retirar-lhe o tal bocadinho a que chamou o Condado Portucalense. Ali começou Portugal que em posteriores lutas muito comuns na época, foi alargando os seus domínios ficando mesmo assim um país pequeno, mas independente. Excepção dolorosa de três reinados de monarcas espanhóis no trono português. Contingências relativas a sucessões, motivaram a perda da nossa independência, e naturalmente o infortúnio dos portugueses, durante esses longos anos de dominio espanhol, que finalmente terminou. Restaurada a nossa monarquia, voltámos a ser governados por reis portugueses. Muitos anos depois, a monarquia findou, e novo regime foi instaurado. Sucederam-se vários governos não isentos de erros, mas também com obras de inegável mérito, e sempre os governantes se bastaram a si próprios: se pediram ajuda, “a coisa” não transpareceu para o domínio público. Eu acho que a emancipação deve existir entre os povos, pois se até existe nos animais: quem é que nunca reparou que os cães, os felinos domésticos e os da selva, marcam o seu território? E fazem - se respeitar, se não o resultado é péssimo. O homem por sua vez, deseja ser e é independente, tem autonomia, e governa o que lhe pertence; poderá até ouvir conselhos, mas a decisão será sempre sua, ou pelo menos deve ser. Não deveria ser este o comportamento dos países, especialmente do nosso? Sim, devia ser, mas infelizmente não é. Os responsáveis resolveram dar as mãos “tocou-os o bichinho da fraternidade” e unificaram-se para sermos todos só Europa. Pois, mas esqueceram-se daquela frase muito comum no tempo dos nossos avós, que diz “muita gente junta não se salva”!