Foi há muito tempo. Fim dos anos trinta.
sábado, 2 de outubro de 2021
O desejo do peixe...
sábado, 4 de setembro de 2021
Foi há um mês, em principio de Agosto...
Adeus Amiga,
quarta-feira, 25 de agosto de 2021
Já passou um ano. 25 . 8 . 2020 / 25 . 8 . 2021
Foi há vinte cinco anos, mas é assim que eu quero recordar a minha amiga Arminda. Ela sempre esteve comigo nos maus e nos bons momentos. Este foi de alegria, a festa de casamento da minha filha. Num video que guardo, tenho a Arminda a dançar com o marido, e bem, porque ambos eram exímios na dança. E enormes no trato, na educação e na amizade que sempre me dedicaram. Hoje recordo tudo de lágrimas nos olhos. Perdi a minha maior amiga, a minha irmã mais velha como eu lhe chamava, e não é de ânimo leve que aceito esta triste realidade.
sexta-feira, 6 de agosto de 2021
Os Mêdos
As pessoas cultivavam a superstição, toda a gente tinha algo de sobrenatural para contar, que alguém tinha visto. Falavam sem evitar que as crianças ouvissem, e assim eram elas (mais tarde) o veículo transmissor desses episódios então já apontados como verdadeiros. Estamos em Montemor em anos bastante recuados.
quinta-feira, 25 de março de 2021
Versos lindos!
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Confissão...
Há uns anos,
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021
Ainda acerca das Rádios pirata...
- Terminados os esclarecimentos sobre o desaparecimento das morcelas, o nosso amigo Santiago Pinto ainda um tanto irado pelo acontecido, encaminhou-se para o espaço fechado onde se situava o Estúdio da Rádio Montemor. O meu marido como colaborador seguiu-o de perto, e eu preparava-me para ficar na salita ao lado (levei um livro para ler) enquanto durasse aquele tempo de emissão do qual o Santiago Pinto era o produtor e que o havia baptizado de "Uma Hora há Beira do Mondego." Mas logo o ouvi dizer para eu entrar e já, porque estava a aproximar-se a hora. Fiquei contente, eu desejava tanto conhecer um estúdio radiofónico. Eles ocuparam os seus lugares e eu sentei-me na cadeira que me indicou, ao seu lado, e caladinha comecei a observar enquanto ele separava uns papeis e trocava palavras com o meu marido. Há hora certa deu inicio à transmissão e cada um deles ia apresentando o que havia préviamente programado. Aquilo era novidade para mim e eu estava a gostar, quando para surpresa minha ele me estende uma folha de papel A4 e me diz assim em jeito de ordem; "leia isso para ficar a conhecer, porque daqui a pouco vai ler esses versos para os nossos ouvintes; - vá, leia, vá treinando, que quando eu abrir o microfone tem de ler mesmo." Eu fiquei aflita, nem sabia o que dizer, e, não disse nada. Com o papel nas mãos que tremiam, li para mim em jeito de breve ensaio, as quadras da sua autoria dedicadas a Santa Ana, mãe da Virgem Maria, Santa que era venerada na sua Terra Natal. (Vila Nova da Barca) Na devida altura e obedecendo ao seu sinal, eu li para os ouvintes os bonitos e ternos versos, que me pareceram maiores do que toda a escrita do Jornal de Noticias... (passe o exagero) Ele gostou, mas eu não. E quando ouvi a gravação ainda fiquei mais desiludida e afirmava, a minha voz é baixinha, sem corpo, nada radiofónica. Uma vergonha, repetia eu sem parar. E prometi não voltar "nunca mais" ao Estúdio. Porém, nunca digas nunca... No sábado seguinte lá estava eu de novo...
domingo, 31 de janeiro de 2021
Que importa que na rua esteja a chover?! Ao escrever eu vejo o sol a brilhar, claro e lindo...
Encontro ao Domingo
domingo, 31 de maio de 2020
Ainda não esqueci
sábado, 11 de abril de 2020
Desculpas e Saudações Pascais!
sábado, 21 de março de 2020
Nesta altura de tantos receios, tanta incerteza e desânimo que estamos a atravessar, encontrei estes versos do grande Poeta Fernando Pessoa, e pareceram-me escritos para hoje...
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
É Carnaval, ninguém leva a mal... Será ?
Enquanto despia o fraque
Junto ao leito de noivado
Escapuliu-se lhe um traque
De timbre aclarinetado...
A noiva olhou-o de lado
E pôs-se, com ar basbaque,
A remirar o bordado
Das botinas de duraque...
Houve, após esse momento,
Naquela noite de gala,
Um duplo constrangimento.
E o noivo disse-lhe então:
- Ó filha, cu que não fala
é cu sem opinião...
Augusto Gil
(Serão mesmo da sua autoria ? )
terça-feira, 4 de fevereiro de 2020
O que seria do mundo sem os Poetas e a beleza das suas rimas...
Transcrevemos, de Folhas Caídas,
Por teus olhos negros, negros,
Trago eu negro o coração,
De tanto pedir-lhe amores...
E eles a dizer que não.
E mais não quero outros olhos,
Negros, negros como são;
Que os azúis dão muita esp'rança,
Mas fiar-me eu neles, não.
Só negros, negros os quero;
Que, em lhes chegando a paixão,
Se um dia disserem sim...
Nunca mais dizem que não.
sábado, 1 de fevereiro de 2020
Morena
Que tens certa pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena.
Pois eu não gostava,
Parece-me a mim,
De ver o teu rosto
Da cor do jasmim.
Eu não... mas enfim
É fraca a razão,
Pois pouco te importa
Que eu goste ou que não.
Mas olha as violetas
Que, sendo umas pretas,
O cheiro que têm!
Vê lá que seria,
Se Deus as fizesse
Morenas também!
Tu és a mais rara
De todas as rosas;
E as coisas mais raras
São mais preciosas.
Há rosas dobradas
E há-as singelas;
Mas são todas elas
Azuis, amarelas,
De cor de açucenas,
De muita outra cor;
Mas rosas morenas,
Só tu, linda flor.
E olha que foram
Morenas e bem
As moças mais lindas
De Jerusalém.
E a Virgem Maria
Não sei... mas seria
Morena também.
Moreno era Cristo.
Vê lá depois disto
Se ainda tens pena
Que as mais raparigas
Te chamem morena!
Guerra Junqueiro, in 'A Musa em Férias'
// C
segunda-feira, 30 de dezembro de 2019
Feliz Ano-Novo !
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E — ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança…
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…
(Mário Quintana)
domingo, 22 de dezembro de 2019
Cristo, Bébé...
Amigas e Amigos
Que o vosso Natal seja vivido com Paz, Alegria e Esperança!
Boas Festas!
sábado, 14 de dezembro de 2019
Natal
Não sei porquê, mas cada vez me sinto mais triste com a festa do Natal. E chamo-lhe festa porque a recriação do nascimento de Jesus é sempre motivo de muita alegria. Também vivi essa alegria com a minha inocência de criança quando o Menino Jesus entrava pela chaminé e me deixava no borralho um qualquer presente embora modesto.Mais tarde nos tempos de juventude de modo diferente mas com a mesma ansiedade eu aguardava esta data única. Era pelo Natal que eu estreava um vestido, se necessário fôsse também um casaco e os sapatos, esses não podiam faltar. Ia à Missa como de costume mas neste dia para beijar o Menino Jesus, que o Sacerdote retirava do Presépio no fim da Missa e o chegava aos lábios de quem se aproximava do altar e se ajoelhava para proceder a esse ritual. Pelo meio da tarde havia outro Presépio para visitar, era na Capela do Hospital, obra das Irmãs de Caridade ali residentes em semiclausura e que caprichavam, quase rivalizando com o Presépio da Igreja Paroquial. Ir até ao Presépio do Hospital, para além da curiosidade e poder avaliar qual dos dois estava mais bonito, era também um passeio de muito agrado, era um dia diferente para novos e velhos. E depois da festa cristã, vinha o divertimento - à noite havia baile no Teatro. Tudo tão simples, mas cheio de significado para mim...
Mais tarde, quando criei a minha própria família eu continuei a viver o Natal e nem sei se não seria com uma alegria ainda maior do que fora outrora. Eu fazia a Árvore de Natal para as minhas filhas, mas não me excluía e o meu entusiasmo era um facto. Nesta altura já não era o Menino Jesus que trazia os brinquedos, mas sim o Pai Natal que os deixava sempre junto da Árvore, que para esse fim era colocada perto duma janela que eu deixava entreaberta (só até elas adormecerem) para ele entrar, visto que não tinha lareira com chaminé. As minhas filhas na sua inocência, nem por sombras duvidavam da vinda do Homem das barbas brancas, que elas só conheciam das ilustrações nas revistas e na televisão.
Actualmente é censurada esta atitude então usada com as crianças. Diz-se que eram enganadas. De facto assim era, mas viviam uma enorme alegria, alegria que nos contagiava também.
Hoje tudo é real, a fantasia voou não existe mais, e a idade da inocência também não. Mas eu tenho saudades do "meu" Natal.
Esqueceram-se de ti Menino Jesus
Ficáste no Presépio abandonado
As ruas resplandécem; tanta luz,
Mas de Natal pouco é o significado.
Boas Festas! Ouve-se aqui e ali.
Porém Natal cristão já não existe.
Mas o Menino Jesus inda sorri,
Embora o seu sorriso seja triste.
sábado, 30 de novembro de 2019
Verdades!
Encontrei este texto e não resisti a trazê-lo para aqui. Eu confessei o roubo à autora, escudando-me naquela máxima "quem confessa a verdade não merece castigo." Veremos...
Façam o maior esforço, possível, para estarem vigilantes.
Quem não ler fica mais pobre...
Do Mural de Lourdes dos Anjos: Quando os meninos me pediam "papel macio pró cu e roupa boa prá gente"…Um dos textos que mais me custou a escrever e por isso tem mais lágrimas do que palavras.
“Estávamos ainda no século XX, no longínquo ano de 1968, quando a vida me deu oportunidade de cumprir um dos meus sonhos: ser professora. Dei comigo numa escola masculina, ali muito pertinho do rio Douro, na primeira freguesia de Penafiel, no lugar de Rio Mau.Era tão longe, da minha rua do Bonfim, não podia vir para casa no final do dia, não tinha a minha gente, e eu era uma menina da cidade com algum mimo, muitas rosas na alma, e tinha apenas 18 anos. Nada me fazia pensar que tanta esperança e tanta alegria me trariam tanta vida e tantas lágrimas. Os meninos afinal eram homens com calos nas mãos, pés descalços e um pedaço de broa no bolso das calças remendadas.
As meninas eram mulheres de tranças feitas ao domingo de manhã antes da missa, de saias de cotim, braços cansados de dar colo aos irmãos mais novos, e de rodilha na cabeça para aguentar o peso dos alguidares de roupa para lavar no rio ou dos molhos de erva para alimentar o gado.
E era uma festa quando começavam a ler as letras gordas dum velho pedaço de jornal pendurado no prego da cagadeira da casa…o menino já lia.. ai que ele é tão fino… se deus quiser, vai ser um homem e ter uma profissão!
Ai como a escola e a professora eram coisas tão importantes!
A escola que ia até aos mais remotos lugares, ao encontro das crianças que afinal até nem tinham nascido crianças…eram apenas mais braços para trabalhar, mais futuro para os pais em fim de vida, mais gente para desbravar os socalcos do Douro, mais vozes para cantar em tempo de colheitas.
E os meninos ensinaram-me a ser gente, a lutar por eles, a amanhar a lampreia, a grelhar o sável nas pedras do rio aquecidas pelas brasas, a rir de pequenas coisas, a sonhar com um país diferente, a saber que ler e escrever e pensar não é coisa para ricos mas para todos, para todos.
E por lá vivi e cresci durante três anos e por lá fiz amigos e por lá semeei algumas flores que trazia na alma inquieta de jovem que julgava conseguir fazer um mundo menos desigual.
E foi o padre António Augusto Vasconcelos, de Rio Mau, Sebolido, Penafiel, que me foi casar ao mosteiro de Leça do Balio no ano de 1971 e aí me entregou um envelope com mil oitocentos e três escudos (o meu ordenado mensal) como prenda de casamento conseguida entre todos os meus alunos mais as colegas da escola mais as senhoras da Casa do Outeiro. E foi na igreja de Sebolido que batizou o meu filho, no dia 1 de janeiro de 1973.
E é deste povo que tenho saudades. O povo que lutou sem armas, que voou sem asas, que escreveu páginas de Portugal sem saber as letras do seu próprio nome.
Hoje, o povo navega na internet, sabe a marca e os preços dos carros topo de gama, sabe os nomes de quem nos saqueia a vida e suga o sangue, mas é neles que vai votando enquanto continua á espera de um milagre de Fátima, duns trocos que os velhos guardaram, do dia das eleições para ir passear e comer fora, de saber se o jogador de futebol se zangou com a gaja que tinha comprado com os seus milhões, e é claro de ver um filmezito escaldante para aquecer a sua relação que estava há tempos no congelador.
As escolas fecharam-se, os professores foram quase todos trocados por gente que vende aulas aqui, ali e acolá, os papás são todos doutores da mula russa e sabem todas as técnicas de educação mas deseducam os seus génios, os pequenos /grandes ditadores que até são seus filhinhos e o país tornou-se um fabuloso manicómio onde os finórios são felizes e os burros comem palha e esperam pelo dia do abate.
Sabem que mais?!
Esta gente foi a gente com quem me fiz gente.
Hoje, não há gente… é tudo transgénico .
O povo adormeceu à sombra do muro da eira que construiu mas os senhores do mundo, estão acordadinhos e atentos, escarrapachados nos seus solários “badalhocamente” ricos e extraordinariamente felizes porque inventaram máquinas e reinventaram novos escravos.
Dizem que já estamos no século XXI...”
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
Talvez esteja à beira dos cem anos, e ainda não envelheceu...
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
No Jardim
Não sei porque foram retiradas daqui as fotos deste texto e do seguinte. São fotos de paisagens que eu fiz em Armação de Pêra. São motivos do Jardim com suas palmeiras, e um pouco da Avenida frente à praia.
Um pormenor do Algarve
As palmeiras de Armação de Pêra também estão a começar a envelhecer. É pena, mas a ordem é comum a tudo o que nasce. (nascer, crescer e findar.)
segunda-feira, 4 de novembro de 2019
Este Natal, ofereça Montemor...e Fantasia!
terça-feira, 18 de junho de 2019
Na Feira do Livro em Montemor-o-Velho
segunda-feira, 3 de junho de 2019
Montemor, Verdade e Fantasia: sessão de autógrafos na Feira do Livro de Montemor-o-Velho
Entre 11 e 16 de Junho vai decorrer em Montemor-o-Velho mais uma edição da Feira do Livro. No dia 15 de Junho, pelas 15:00 horas terá lugar uma sessão de autógrafos do meu livro Montemor, Verdade ou fantasia. Convido-vos a aparecerem para trocarmos impressões e também a divulgarem a minha presença no evento!
Recordo aos mais distraídos que o livro foi lançado em Novembro passado e que surgiu depois de, durante alguns anos, ter escrito histórias sobre a minha infância e adolescência na antiga vila, neste blogue. Incitada pelos blogueiros meus leitores, e amigos, acabei por concretizar uma ideia nunca pensada: escrever e publicar um livro. Foram muitas horas a rever e melhorar os textos que escrevera no Renda de Birras, algumas contrariedades e até desânimos, antes do livro chegar à mão dos leitores. Embora seja uma publicação que interesse sobretudo aos nascidos e crescidos em Montemor, o livro já atravessou o Atlântico e chegou a terras brasileiras.
A publicação tem sido bem recebida pelos leitores em geral o que me tem deixado muito satisfeita. Por vezes ainda me surpreendo com aquilo que consegui fazer: um livro. E agora estarei numa Feira de Livro, e até me chamam "escritora", o que não sou, na verdade sou uma amadora da escrita. Só isto já dava uma nova história! Uma sinopse detalhada das diversas histórias pode ser linda aqui, no blogue Renda de Birras, através do qual também podem, os interessados, solicitar a compra de um exemplar.
Sinopse breve
Em Montemor, verdade e fantasia, Dília Brandão Fernandes, junta trinta e uma estórias que resgatam do esquecimento um tempo sem retorno. Através de uma escrita simples mas cativante, onde se entrelaçam realidade e ficção, a autora relata memórias de Montemor-o-Velho, onde nasceu há 81 anos.
Acontecimentos coletivos e fenómenos hoje desaparecidos, usos, costumes e modos de vida dos anos 50-60 sustentam peripécias bem humoradas ou episódios mais sombrios protagonizados pelos habitantes da vila. São as jovens lavadeiras e as suas brincadeiras impensáveis, as bordadeiras e costureiras e o seu lavor, as trabalhadoras do arroz e a sua labuta, a sorte de mulheres companheiras da jornada de homens de virtudes e defeitos, quinteiros, agricultores, soldados, padres, as suas mágoas e os seus triunfos. São as figuras da terra, o gasolineiro, o farmacêutico, os médicos, o melómano, os “doutores” e os trabalhadores do campo, as suas brigas e ajustes de contas, e ainda seus ídolos, o ciclista Alves Barbosa, ou o artista e inventor das Espigas Doces, Henrique Flórido, que conseguiu fazer história na doçaria regional com as Espigas Doces. É também a paisagem anualmente transfigurada pelas cheias do rio Mondego, a escola da disciplina “à reguada” e o recreio, sessões de cinema ao ar livre que provocavam emoções fortes nunca vistas, as feiras da fartura e da miséria humanas, os pobres que pediam esmola de porta em porta aos sábados de manhã quase um ritual, ou ainda a banda filarmónica no olhar de uma criança, entre outros ecos ímpares de um tempo e Montemor hoje incomparáveis.
O livro, uma edição de autor, de 196 páginas, inclui também mais de duas dezenas de fotografias de Montemor antigo, a preto e branco, feitas pela autora, e um prefácio escrito por Manuel Carraco dos Reis.



