segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

A confissão do Poeta

Hoje apesar da aragem fria, esteve um lindo dia de sol. Grata por esta luminosidade, ainda de manhã abri as janelas e os cortinados. O sol não se fez rogado e entrou; lentamente foi avançando e quando reparei já banhava uma fila de livros, que à falta de melhor sitio ali estão, agora como decoração. Gosto muito do sol, mas fui logo proteger os livros dando-lhes a sombra que eles merecem. Livros "são tentação", levei um comigo, sentei-me e esqueci as horas...

                               Soneto

Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p´ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Quem nem na morte crê, que felicidade!

Encara, rindo, a vida que o tortura,
Sem ver na esmola, a falsa caridade,
Que bem no fundo é só vaidade pura,
Se acaso houver pureza na vaidade.

Já que não tenho, tal como preciso,
A felicidade que esse doido tem
De ver no purgatório um paraíso...

Direi, ao contemplar o seu sorriso,
Ai quem me dera ser doido também
P´ra suportar melhor quem tem juízo.

        António Aleixo

8 comentários:

jair machado rodrigues disse...

Minha adorável amiga Dilita, que belo amanhecer em tua vida, imaginei tu flutuando no quarto, entre cortinas e brisa e livros...não resisto a livros também, sempre tenho um na cabeceira,sempre vou querer ler algo:
"Ser doido-alegre, que maior ventura!
Morrer vivendo p´ra além da verdade.
É tão feliz quem goza tal loucura
Quem nem na morte crê, que felicidade!"
ps. Carinho respeito e abraço.
ps2. Adorei tua visita no último post que não era meu, não comentarei como de costume, mas continuarei a navegar no passado deste blog.

zito azevedo disse...

O Grande Aleixo, será sempre um ícone incontornável da poesia dita não erudita...Este soneto é exemplar da sua perspicaz visão do mundo e das gentes...

Manuel disse...

António Aleixo é um enorme poeta e um homem que parecia adivinhar o futuro.
Infelizmente muitos o desconhecem, é pena, pois devia ser obrigatório.

Manuel disse...

Duas semanas é muito tempo.
Vamos lá deixar um belo escrito.
Um abraço.

dilita disse...

Olá Jair

Grata pela visita.Eu sabia que ia apreciar este soneto.
Tanta riqueza num homem tão pobre...

Abraço amigo.

dilita disse...

Zito amigo

Gosto de "o ver" por aqui.

Sim, um soneto de enorme alcance...

Obrigada

dilita disse...

Olá Manuel,

Bem-vindo.

Pouco se ouve deste poeta, e sempre chamado de popular,e recordado apenas nas suas quadras mais simples. Porém ele é muito mais... ( nós sabemos)

Abraço

dilita disse...

Amigo Manuel

Distraí-me, mas voltei. Quero agradecer as palavras de incitamento.

Agora já são três semanas...
Vou postar um escrito, mas será que vai ser belo?

Saudações amigas.