sexta-feira, 11 de novembro de 2016

A rosa da Viviana



Manhã cedinho abri o computador e encontrei uma prenda para mim. "Um abraço e esta rosa"
Agradou-me a beleza da flor e a ternura da dedicatória.
Fiquei tão contente com a bonita atitude da Viviana que decidi contar-vos; é que este facto deixou-me alegre por largas horas.
Depois descobri um problema: a fotografia desaparecia e deixava de ser visível no meu e em outros computadores assim que fechava a sessão. Nem a minha filha percebeu porquê mas deu-lhe um outro nome e tamanho e agora parece que finalmente pode ser admirada por todos!

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

O Portinho da Gala


 Assim carinhosamente lhe chamam os pescadores da Gala. Hoje Vila de São Pedro, só o Rio a separa da Figueira da Foz.
 A quietude da água mais parece um pedaço de espelho,
e o céu azul, uma maravilha - quem dirá que era outono?!

domingo, 23 de outubro de 2016

As Salinas de Rio Maior

 Salinas? Aqui perto? Mas o mar está a 30 kilómetros ?! Bem o melhor é irmos ver.
 Com uma estátua na rotunda representando o Salineiro com o rôdo a apanhar o sal, não havia que duvidar. Mas sim ir em frente...
 Palavras para quê? As letras gravadas na madeira dizem tudo...

O pôço e as picotas

 O pôço de onde é bombeada a água salgada. Tem nove metros de profundidade e perto de quatro de diâmetro. A escada e cordas sempre presentes para socorro, ou mesmo para que o acidentado possa sair por seus próprios meios.
O mesmo pôço mas na estação invernosa quase sem sal no muro à superfície.
As marinhas e as duas picotas que actualmente apenas figuram junto ao pôço como recordação do tempo em que mão humana as moviam para tirar a água a balde.  

Aonde reina o sal

 A brancura do sal no tabuleiro e nas salinas em contráste com a paisagem e o chão escuro de terra sêca.
O Pórtico de entrada para o restaurante SALÁRIUM - e o sal como referência. Estrutura de pedra e madeira.
O restaurante SALÁRIUM frente à brancura das  salinas. Em plano mais elevado a serra.

As casas escurecidas pelo tempo


Os pequenos armazéns doutrora - onde cada salineiro guardava o seu precioso sal. Construções totalmente em madeira, até as fechaduras das portas. Alguns troncos de oliveira não aparelhados também eram matéria prima utilizada.
  Estas casinhas devidamente conservadas guardam ainda toda a rusticidade de outrora, e  são na sua maioria lojinhas de venda de artezanato e recordações.
O sal para venda aos visitantes, em embalagens herméticas normais, ou em forma de queijinhos, embrulhado de forma graciosa, com salofane de côr e laços brancos.


Caras amigas e amigos que costumam vir até ao meu Birras, desta vez eu não contei nenhuma estória,e as Salinas bem o mereciam, mas, chegou-me a preguiça... desculpem. Contudo, permitam-me uma sugestão - Visitem o Blog, Cidadania RM-RioMaior, e lá encontram em pormenor toda a história deste Milagre da Natureza que são as Salinas da Fonte da Bica.

( Quero agradecer ao autor desse Blog a foto do pôço no inverno e esta com os pacotes de sal, ambas da sua autoria.)
Quanto a todas as outras são minhas como é habitual.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Em Armação de Pêra


 Há bastante areal para estender a toalha, porque o  mês é Setembro.
 Um espaço concessionado, como tal, reservado só para alguns.(mas bonito)
Mais concessões, encurtando o espaço de que os menos endinheirados usufruem.

Era Setembro mas parecia Verão

 O mar mais azul do que o céu,e o contraste do verde da palmeira
 A imprevidência como que a desafiar o perigo sempre eminente
Nos locais com perigo os sinais estão lá, e bem visíveis

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Em Santarém

" E sempre quem, quem vai e vem,
  há-de afirmar:
 -que a Santarém, hei-de voltar..."

E é certo, acreditem, porque a nós já aconteceu, várias vezes.

E no passado mês voltámos a Santarém, a linda capital do Ribatejo. Subimos até ás Portas do Sol para mais uma vez apreciarmos dali  o belo panorama da lezíria imensa. Lá está a ponte velhinha e o rio Tejo, que imperturbável segue o seu rumo, correndo calmo agora, mas assustador no inverno quando o seu caudal se eleva e ultrapassa as margens alagando a campina.
Voltamos as costas ao panorama  que nos prende, e olhamos o grande espaço ajardinado; estamos no que foi um grande castelo. Rodeado pelos respectivos panos de muralha, ainda se vêem os recortes das ameias de pedra escura - árvores de grande porte, canteiros com flores,bancos de pedra decorados de azulejos com imagens de cenas históricas, e estátuas  em  pedra, ou bronze, homenagem a portugueses que não devem ser esquecidos - formam um local atractivo onde sempre se quer voltar...
O sol começava a esconder-se, era altura de seguirmos para o centro da cidade, daí a pouco seria hora de jantar.
Gostei do ambiente típico do restaurante - mobiliário escuro, quadros nas paredes com motivos alusivos à campina e aos toiros, e sobretudo espaço. Toalhas brancas de algodão nas mesas, e as louças acastanhadas de barro vidrado, com o nome da casa pintado em cada prato, e os copos do vinho bem pequenos, de vidro liso e grosso. Também o café servido em copos do mesmo género, me trouxe à memória tempos distantes, quando nas festas da minha terra e também nos poucos cafés existentes na altura, o café era servido em copos como aqueles.
Recordar é viver? Neste caso será talvez reviver...
A comida foi do nosso agrado, e a bebida, um vinho do Alentejo.
" O que é Nacional é Bom!"
E numa cidade, acordar de manhã com os trinados dos passarinhos, é quanto a mim um privilégio, e assim nos aconteceu na capital do Ribatejo.

 E por aqui se chega a esta linda cidade - e  em sentido inverso também se lhe diz adeus.
 Em silêncio respeitoso, ficámos estáticos durante alguns momentos recordando Salgueiro Maia.
 É tal a semelhança no bronze que comove e emociona...
 No chão numa placa pode ler-se :

"Por isso ficarás com quem vem
Dar outro rosto ao rosto da cidade
Diz-se o teu nome e sais de Santarém
Trazendo a espada e a flor da liberdade"

(Manuel Alegre)

No canto inferior da mesma, a data da homenagem - 25 anos sobre o dia da revolução
 E no canto oposto, a respectiva dedicatória.

domingo, 9 de outubro de 2016

Ó Ribatejo, pai do meu Tejo, já não te vejo, sempre a cantar?! (Alguém assim o cantou...)

   A campina, a ponte, e o rio, o grande Tejo, com pouca água por agora.
 O rio Tejo arrumadinho entre as margens (não é inverno ainda) vai ao encontro do mar; ele não sabe mas é muito o que tem de correr até lá... mas quanto mais corre, maior se torna, e ao chegar já é um gigante a desafiar o oceano.
 A pomba persistiu em ficar com o Infante D. Fernando. O triste e mártir Infante perpéctuado nesta praça da capital do Ribatejo.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

É no Ribatejo, em Santarém

  Aqui no alto, adivinha-se a tranquilidade dentro destas paredes brancas
                        O acesso à Pousada
                            Miradouro das Portas do Sol
                   Um  monumento ao Soldado Português
       Lá no alto um pouco do antigo castelo, e a Porta do Sol

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Por terras do Ribatejo

Caras amigas e amigos,
Eu sei que mesmo durante a minha ausência aqui têm vindo, facto que agradeço. E eu de modo indelicado nada disse, até saí para umas curtas férias, já regressei, e mesmo assim tenho protelado uma simples explicação que se impunha. Pois é sempre o mesmo, a saúde a pregar-me partidas, e para ajudar até em férias o azar me perseguiu. Mas o pessoal da bata branca, naquele edifício onde todos temos um lugar à nossa espera (e ás vezes espera-se muito) atenderam-me muito bem, e com medicação pude (pudemos) continuar a estadia e regressar na data prevista.

Entretanto fiz algumas fotos. Não são novidade, são locais conhecidos, mas mesmo assim vou colocar. Estas pertencem à cidade do Cartaxo.

                                     O aprazível Jardim
                                    Uma das ruas principais

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Nunca se está acabado, enquanto a vida durar...

O Jorge e a Rosa estavam ambos perto dos setenta, mas ninguém diria, porque eram pessoas bem dispostas, e de aspecto cuidado, ela em especial, que não descurava a ida periódica ao cabeleireiro, e nunca saia de casa sem antes proceder à respectiva maquilhagem.
Primos direitos, vizinhos e amigos desde a infância, nunca o Cupido os fez olharem-se doutra forma que não fosse a de irmãos muito queridos.
Muito nova ela trocou o conforto modesto de filha única, por um casamento aparentemente vantajoso, na opinião dos pais, e da maioria dos habitantes do lugarejo. E foi pelo braço do pai, que em ambiente de festa naquele Domingo, ela entrou na Igreja, tímida mas feliz, para contrair matrimónio com aquele com quem viveria para além das bodas de ouro.
Casamento vantajoso, no campo material, sim, mas...
Os sogros residiam na Vila, e tinham um empreendimento ligado à restauração - talho, café, restaurante, taberna, e residencial.
Ela foi viver com eles. Era ali a casa dela - em boa verdade era apenas um quarto, preparado e mobilado de novo para o casal de noivos.
Sem privacidade, sem férias, sem Domingos ou dias de descanso, apenas trabalho rotineiro e sorriso no rosto, fingindo uma felicidade que não tinha, calando os dissabores, e as traições do marido, porque era vergonha ter a coragem de se libertar, ou mesmo de se queixar...
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Alguns anos depois o Jorge também casou, e foi viver numa aldeia a alguns kilómetros do seu lugar de infância. Foi feliz - os sogros estimavam-no, assim como as gentes do lugar. Ele era calmo, e sociável, não tardou a ver-se envolvido na maior parte das actividades da terra. Era para o rancho folclórico, para o Teatro, e também fazia parte do grupo de vozes que actuavam  nas cerimónias religiosas. Tocava órgão na Igreja, e com o passar dos anos tornou-se Acólito - por vezes substituía o Padre na recitação do terço,  ia a casa dos doentes levar-lhes a comunhão, e não raro, uma palavra de conforto e de esperança. Tudo isto para além da sua actividade profissional.
E assim viveu uma vida cheia durante vários anos, até ao dia em que a esposa adoeceu - não com uma qualquer febre que se trata e cura, mas com uma doença mental incurável que se agravava dia após dia, não tardando a torná-la numa inválida. Durante muito tempo ele passou a viver em função do necessário que o estado dela exigia - dedicava-lhe todo o tempo possível durante o dia, e na totalidade de noite - melhoras não eram visíveis, e esperanças adivinhavam-se nulas. O médico que desde o inicio a acompanhava, aconselhou vivamente o respectivo internamento.
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E foi de lágrimas nos olhos, no primeiro dia da semana, que o Jorge a deixou naquela Unidade de Saúde entregue aos cuidados duma equipa especializada, e num ambiente em tudo idêntico a um hotel de luxo.
Fóra do átrio, ele ainda olhou demoradamente o edifício que deixava atrás de si, enquanto um pouco distraído entrou no carro, e rodou a chave da ignição -  acelerou, mas logo diminuiu a velocidade, ao mesmo tempo que murmurava: - deixei de ter pressa... Nem sou preciso em casa, e já nem tenho ninguém à minha espera... E pensando em tudo e nada em simultâneo, ia vencendo lentamente os kilómetros  que o separavam da sua aldeia, sem mesmo reparar que o dia estava a chegar ao fim.

Entrou em casa, era já noite. Alguns vizinhos apercebendo-se da sua chegada vieram bater à porta para saber noticias, e dar uma palavra amiga. Depois, antevendo que o descanso era uma prioridade, não tardaram a dar boa noite e a retirarem-se.
Ele fechou a porta, e encaminhou-se para a cozinha.
- Colocou a chaleira ao lume, não tinha fome, apenas um chá quente, isso sim, iria confortar-lhe o estômago. Sentou-se e esperou que a água fervesse.
Um silêncio profundo envolvia a casa. Que tristeza, pensou...  E no seu intimo quase desejou que a sua doentinha (como carinhosamente por vezes lhe chamava) ali continuásse, mesmo sem o deixar dormir...
Aquela foi a sua primeira noite de solidão, porque centos delas lhe estavam prometidos, e se sucederiam durante meses, (anos até) noites intermináveis sempre iguais, numa monotonia arrasadora.
A quebrar aquele silêncio, só o relógio de pêndulo batia as horas, num som melancólico repetitivo, e não raro os ruídos próprios da noite se faziam por vezes notar - um móvel que estalava, o galo que na capoeira nas traseiras da casa, anunciava o alvorecer, o vento em altura de tempestade, ou o bater monótono da chuva na vidraça, e sempre a ausência total duma qualquer voz humana.
E o Jorge detentor duma fé enorme, não ousava revoltar-se, antes dizia "é a Vontade do Senhor" - só tenho de aceitar - Deus assim Quer...
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Como se de uma promessa se tratásse, todos os Domingos e quintas feiras ele viajava para passar longas horas com a sua doentinha. E algumas vezes a trouxe a casa em datas marcantes, mas ela piorava logo, tornava-se agressiva com palavras e atitudes, e tinha de regressar de urgência ao Internamento, onde logo era tratada e se  acalmava.
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Muito tempo depois,

O outono tinha começado, as folhas secas já apareciam pelo chão, prenúncio da vinda do inverno que não tardaria muito. Até a claridade do sol era já um tanto menor. O  Jorge apreciava aquele tempo que muitos entendem como triste - ele dizia que estava mais de acordo com o seu sentir. Mas sem saber como, algo estava a mudar na sua vida. Era surpreendente, ele jamais pensara que tal lhe pudesse vir pela porta, como sói dizer-se. E que o coração lhe pregásse aquela partida.
                                    
Assim, ele sentia como que um peso no peito - não era doença, era um misto de satisfação e culpas, uma dualidade que o arrasava dia a dia.
Telefonou a um dos irmãos, tinha de desabafar...

No dia seguinte, à hora marcada, lá estava o irmão, o Rui. Tinha decidido ir com ele porque já há tempo que não visitava a cunhada, e sentia-se em falta - ele sabia  que por vezes ela perguntava por ele.
Ia gostar de estar com ela; e antes, durante a viagem ouviria então o irmão - "mas que raio é que ele terá de importante para me dizer?" pensava para si próprio, oxalá não seja nada mau...

Foram no carro do Jorge; o Rui acomodou-se e logo que arrancaram, foi directo ao assunto.
-Então pá, querias tanto falar comigo, afinal do que se trata?
E o Jorge emocionado até ás lágrimas, começou por dizer:  sabes, eu quero contar à nossa família toda, não quero que venham a saber pelas pessoas de fora, mas decidi que fôsses o primeiro a ouvir ...e cada vez chorava mais.
O Rui começou a sentir-se aflito, e exclamou
- Ai, ai, bem me quis parecer;  é algo de grave? Estás doente? Oh homem, encosta e pára o carro.
E o Rui apreensivo pensou logo em cancro...
O Jorge parou o carro um pouco adiante, e entre dois soluços respondeu; não, não é doença.
- Há, ainda bem! Mas então diz lá, homem, olha que estás a  preocupar-me...

E o Jorge reuniu toda  a coragem que pôde, e disparou:
Estamos apaixonados, eu e a nossa prima Rosa.
O Rui deu uma enorme gargalhada!
- Há, e então  é essa a razão desse teu rio de lágrimas?
Óh homem, deixa-me rir, porque eu já estava com o coração como a noite, a ver-te num hospital gravemente enfermo, e sem esperança de cura.

O Jorge ainda em lágrimas, continuou: mas, não achas mal? A sério?
É que ela é viúva, mas eu não sou, e isso pesa-me muito na consciência, como homem, e como cristão.
- O Rui sorria, agora de simpatia pelo facto, e depois já a sério disse de sua justiça.
-Olha, eu não acho mal, porque te conheço bem, e sei a vida triste que levas. Sempre sozinho, se adoeces de noite, nem um copo de água tens, que alguém te dê.
É muito bonito o teu comportamento respeitoso perante a tua espôsa, mas ninguém lucra com os teus maus bocados, nem  tu, nem  ela.
E não vejo neste vosso encontro uma ofensa, sois ambos idosos, e carentes de apoio. Vejo sim um amparo mutuo muito importante, em especial para ti que és homem, porque uma mulher faz muita falta numa casa.
Continua como tens procedido sempre, para com a tua doentinha, nunca a abandones nem esqueças, e verás que ninguém te vai censurar.
E fez outras considerações que deixaram o irmão mais leve, e mais animado.
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Mais uns dias, e toda a familia estava ao corrente, não por ninguém alheio, mas pela voz do Jorge, como ele entendia que devia ser.
- Mas, uma tempestade não teria feito mais estragos!
Dir-se -ia que começou a guerra...
Tudo de armas apontadas ao par, que só queria paz - irmãos, cunhados, cunhadas, sobrinhos, todos contra. Sorte já não existir Inquisição, porque seria no cadafalso o  fim destas duas almas.

Os filhos da Rosa, casados e bem na vida, que contra a vontade da mãe a queriam colocar num Lar de Terceira Idade, também lhes moveram guerra aberta.
Só os filhos dele sem alaridos, se mantiveram mais ou menos integros.
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E na quinta feira como de costume, o Jorge foi passar a tarde com a esposa. Porém desta vez, foi logo de manhã.
Como sempre fazia, entrou na Capela privativa para fazer as habituais orações, e depois sentou-se e ficou à espera que o Padre Matos terminásse as suas.

Depois levantou-se, e encontraram-se ambos perto do Altar-Mor.
O Sacerdote admirou-se por ele estar ali tão cêdo, porque não era Domingo, e o Jorge de imediato lhe disse que queria pedir-lhe para ele o ouvir.

-Queres que te ouça em confissão? perguntou a meia voz...
Ao que o Jorge de olhos baixos respondeu; confissão, prevê arrependimento, e eu não reúno para já esse predicado.
Quero contar-lhe os meus pecados, e ouvir a sua recriminação se esse for o caso. Preciso dum amigo que me condene, ou me aceite - tenho-o na minha frente, é o Sr. Padre Matos.
- Compreendo, disse o Sacerdote. Deus está sempre connosco, mesmo na  Sacristia, é para lá que vamos.
O Jorge baixou a cabeça em modo de assentimento, e seguiu o Sacerdote.

O Padre sentou-se, fez o sinal da cruz e aguardou.
Jorge ajoelhou, e disse,
Peço perdão, porque vivo em pecado.
Murmurou uma prece, depois ergueu-se, e tomou lugar na cadeira em frente do Sacerdote.

Talvez pelo ambiente, o Jorge experimentava agora alguma tranquilidade, e com a humildade que sempre o caracterizava, abriu a sua alma perante aquele homem da Igreja, que o escutava em silêncio, sem que um só músculo da sua face denotásse repúdio pelo que estava ouvindo.

Por fim o Jorge calou-se - tinha contado tudo, sem nada omitir.
Estava em pecado, mas agora sentia-se aliviado...

O Padre Matos, sem que ele reparásse, tinha colocado a Estola - assim, aquela conversa fôra uma confissão. Por isso, pediu que ajoelhásse  e deu-lhe a Benção.
Depois falou-lhe:

 - Meu filho,
Quem sou eu para te condenar? Deus não condena, e eu sou um seu pequenino representante...
Compreendo os teus escrúpulos de consciência, porque és cristão praticante, mas já não compreendo a tua familia, tornada Juíz... Os Juízes pronunciam-se nos Tribunais, e por vezes também erram.

Recriminam-te porque és casado, e à tua ligação actual corresponde a palavra adultério... mas todos sabemos que, tu há muito que és viúvo - viúvo de esposa viva, e práticamente morta para o mundo.
Eu sei que nunca a vais abandonar, isso é que é importante, conheço-te o suficiente para fazer esta afirmação. E teres uma companheira a teu lado, não é impeditivo dos teus deveres...
Ela foi e será sempre a mãe dos teus filhos, mas na realidade actual, ela é apenas uma irmã que adoras, e que sempre trazes no pensamento. A sua doença é irreversível; necessita cuidados que aqui lhe são prestados, com saber e carinho. Tudo lhe tens proporcionado, sem nada esperar como troca.
Nada lhe falta, mas nada mais está ao teu alcance - será assim até Deus querer.
Não exijas mais de ti, e nem te mortifiques, porque isso também é pecado.
Fica em paz contigo, e nunca te esqueças que Deus Escreve Direito por Linhas Tortas, e também que os Seus Desígnios são surpreendentes.
Sê igual ao que  tens sido, e Deus não te abandonará.

O Padre pôs-se de pé, e o Jorge curvou-se para lhe beijar a mão.
Ele retribuiu-lhe com um longo abraço.

sábado, 6 de agosto de 2016

Racismo? Nunca! Que importa a côr do pêlo?

Com uma festinha, e duas palavras ditas com bom modo pelo dono,eles subiram, sentaram e fizeram pose...

Cães criados com rispidez, torna os animais agressivos - é a opinião do dono destes animais, que os trata com brandura e é estimado por eles.

domingo, 31 de julho de 2016

Verdades Amargas


DECADÊNCIA

Afinal, é o costume de viver 
Que nos faz ir vivendo para a frente; 
Nenhuma outra intenção, mas simplesmente 
O hábito melancólico de ser... 

Vai-se vivendo... é o vício de viver... 
E se esse vício dá qualquer prazer à gente, 
Como todo prazer vicioso é triste e doente, 
Porque o Vício é a doença do Prazer... 

Vai-se vivendo... vive-se demais, 
E um dia chega em que tudo que somos 
É apenas a saudade do que fomos... 

Vai-se vivendo... e muitas vezes nem sentimos 
Que somos sombras, que já não somos mais nada 
Do que os sobreviventes de nós mesmos!...

                        Raul de Leoni
                   ( Poeta Brasileiro ) 
                       
               

domingo, 24 de julho de 2016

Com um agradecimento, tardio...

Há muito tempo atrás, a aldeia da Cova Gala era constituída na maior parte por pescadores, alguns vindos de outras localidades igualmente piscatórias, mas que eles deixaram, por constar e ao que parece com base de verdade, que neste mar havia mais peixe. Aqui criaram os filhos, e por cá ficaram, muitos deles ainda hoje recordados em escritos relativos à aldeia de então.
As casas que habitavam, pequeninas, modestas, feitas de madeira, e empoleiradas em estacas, são hoje recordação acarinhada, e existe até uma réplica duma delas, devidamente preservada, um encanto - onde funciona o Turismo.
Há dias fui presenteada com uma peça de artesanato, um miminho, e como eu gosto disto... Ouve um almoço na Colectividade, e como eu não estive presente, veio a prenda ao meu encontro.
É um quadrinho feito em gêsso, para pendurar na parede. Antes porém, encostei na janela e fotografei, e vou colocar aqui.

E também acrescento uma foto da casinha verdadeira, e dum barco na rotunda, que não é da minha autoria. Pelo que se alguém se sentir prejudicado faça favor de dizer que eu retiro de imediato.

Actualmente esta localidade, ascendeu a Vila. E o seu nome é maior.
Chama-se Vila de São Pedro - Cova Gala


sábado, 16 de julho de 2016

A Arte das Caldas da Rainha

Olá amigas e amigos, companheiros nas andanças blogueiras.

Depois dum pequeno período de hibernação, estou a acordar... Porém, ainda um tanto indolente, talvez por causa do calor que se faz sentir, e que tal como o frio em excesso me atrapalha um pouco. Mas nada suficiente para queixas.
Hoje não trago nenhuma estória, nem poesia, trago um pedaço de argila transformado em arte, um prato de louça das Caldas da Rainha. Os motivos nele representados, são todos em relevo, o galo a galinha e os pintos, são peças inteiras só coladas pelas patas. A foto não mostra com exactidão, mas dá uma ideia. Eu sempre o achei  muito bonito, e agora quis vir partilhar convosco esta peça (portuguesa) que guardo com muita estima.
Não será único, naturalmente. Mas na altura só havia este, e nunca mais vi outro igual, apesar de já terem passado 27 anos sobre a data em que veio para mim.




domingo, 26 de junho de 2016

Gratidão e Poesia

Caras amigas e amigos,

Muito grata pelas palavras que encontrei escritas por vós, em resposta ao meu último post. Todas tão certas, tão verdadeiras, tão amigas. Senti-vos  a todas ao meu lado, irmanadas no meu desalento, mas em simultâneo apontando para a mudança, para o reagir embora sem pressa, mas com firmeza e determinação.
Irei visitar os vossos blogs, promessa feita a mim mesmo, a qual não posso descurar - de resto já tenho saudades, e já sinto a falta de "vos ver..."

Entretanto comecei pelo Jair, que é natural do nosso País irmão, o enorme Brasil.
Pois o Jair, é o meu amigo e parente brasileiro, e eu para ele, sou a amiga e parente portuguesa concerteza.
Mas na verdade, somos mesmo amigos - e quem foi o intermediário para tal facto, quem foi ? Foi essa coisa que existe e não se vê, baptizada com o nome de  internet.

Mas, por vezes a amizade presta-se a um ou outro abuso, e foi o caso - passei pelo blog dele, e mesmo estando com pressa, deu tempo para lhe roubar este soneto. É tão bonito, tinha de o trazer comigo para partilhar convosco, e foi o que fiz.

O teor é sobre separação, mas não influi em nós, que naturalmente já estamos todos separados pela distância, mas basta um simples clic, para nos sentirmos juntos no mesmo abraço.(de repente)


Soneto de separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


by Vinicius de Moraes

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Para Vós, um Sorriso e um Olá

Oh minhas amigas, meus amigos, visitantes e conhecidos,quero dizer-vos que ainda cá estou, porém tão cheia de não presta,que não tardarei a começar a detestar-me.
É verdade; sem paciência, sem gosto, sem interesses...
Ainda não foi hoje que escrevi alguma coisa, como dantes fazia.
Estarei a querer equiparar-me ao Jorge Palma que canta assim:-
«Tenho uma página em branco
  E uma guitarra na mão
  Ando nisto há quatro dias
  E não me sai a canção...»

Pois, é isto mesmo, de que estou a enfermar, não sai nada...
E então, fiz uma ronda pelos blogs, porque ler, cura-me de todos os males.
E encontrei estes versos - que não falam de amores, nem de flores, e talvez por isso me agradaram neste dia em que eu me confesso azeda, tipo limão. Melhores dias virão, pelo menos assim espero.
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Onde está o Poema?

Alguns poetas me deixam mais à vontade,
na hora de poetar.
Outros tentam me desestimular,
exibindo poemas
que não consigo “diagnosticar”...

Onde está o poema?
Este é o meu tema...
Ou, para dizer melhor: meu dilema.
Vou ali no mato, e volto...
Para engajar uma rima:
vou fazer uma “obra prima”.

Mas acontece que eu
não primo tanto por “obras primas”...
Primo por obras irmãs,
obras amigas... Obras sãs
e loucas também.
Afinal todos têm
o direito de “obrar”.

A.J. Cardiais

(Poeta Brasileiro
Blog Desvários do Cotidiano)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

As Côres da Primavera

Estamos na Primavera, porém ainda não vi as andorinhas.
A Figueira da Foz, minha actual cidade, tem uma temperatura amena, e cedo elas aqui aterram...
Mas neste ano não sei o que se passa. Terão abandonado a minha zona?
Todos os dias venho à varanda à espreita das asas negras, e nada. Vale-me a presença dum casal de melros que estabeleceu residência por perto há algum tempo já, e agora se passeia na companhia dos seus melritos.
Entretanto as plantas floresceram.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

NA 4ª IDADE (105 anos)

Pois é verdade minhas amigas, continuo a destralhar - será que esta palavra existe?
Bem, o certo é que eu ando a tentar diminuir as tralhas que acumulei durante anos. Mas isto está a fazer-me gastar demasiado tempo. Por vezes dá-me vontade de adoptar o desapego, e despachar pró contentor, sem querer saber o que vai... mas logo, logo, recuo, e volto à escolha prévia. E com esta ocupação que a mim própria impus, estou a descurar outras tarefas, porque encontro livros há muito guardados e fico a "adorá-los" sem reparar no relógio que me informa do tempo que está a passar.
Assim aconteceu com este, A História do Traje, que é veterano, está com 105 anos, mas é tão gracioso, tão bonitinho, não é?
Ou sou eu que exagero?

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Livros Com Idade

Caros amigos

Este tempo cinzento tira-me a disposição. Eu quero rejeitar tal influência, não lhe dar crédito, porém não consigo.
Então resolvi ir fazer umas limpezas nos papéis que acumulei durante anos e anos. E alguma coisa seguiu pró contentor, nesta primeira escolha.
Em contrapartida matei saudades de alguns livros que já não via há muito tempo, gostei de os rever, e até decidi fotografá-los, eles merecem, porque estão na 3ª idade.

 Está com 88 anos este livro, que decerto muitos açoreanos gostariam de folhear. Nele se encontram (fotografadas) cartas escritas manualmente por grandes portugueses, são eles Gago Coutinho, Magalhães Lima, e António José de Almeida.

Um pouco do interior do referido livro; e uma frase de Guerra Junqueiro.
Em segundo plano a contra-capa, achei bonita, alusiva ás antigas Caravelas.