quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os animais também cantam?!

Quando é Natal até os animais cantam!

Boas Festas a todos os meus amigos e visitantes!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Recordar Guerra Junqueiro

Hoje dei uma espreitadela aos meus poetas de eleição. Eu gosto muito do Guerra Junqueiro. Actualmente não se fala nele, mas a sua obra existe e é valorosa. Todos sabemos que durante a sua vida foi criticado e prejudicado, fruto das suas convicções anticlericais, que manifestava abertamente na sua obra poética. Também não era crente, confessava-se ateu, e sem fé viveu quase até ao fim dos seus dias. E digo quase, porque diz-se que à beira da morte ele se reconciliou com Deus...

Transcrevo um pouco da sua poesia.

Aos crentes

Ó crentes,como vós no íntimo do peito,
Abrigo a mesma crença e guardo o mesmo ideal.
O horizonte é infinito e o olhar humano é estreito:
Creio que Deus é eterno e a alma é imortal.

Toda a alma é clarão e todo o corpo é lama.
Quando a lama apodrece inda o clarão cintila:
Tirai o corpo - e fica uma língua de chama...
Tirai a alma - e resta um fragmento de argila.

A crença é como o luar que nas trevas flutua;
A razão é do céu o explêndido farol:
Para a noite da morte é que Deus deu a lua...
Para o dia da vida é que Deus fez o sol.

(Guerra Junqueiro)

Bonito, sem dúvida...
Não termina aqui esta “alusão aos crentes”, porém eu limitei; e pelo mal que fiz, peço perdão ao Poeta...

O Belo-Canto

Eu me confesso apreciadora do chamado belo-canto, e não apenas duma ária só, mas de todo o espectáculo quando de ópera se trata. Há uns anos largos quando a televisão tinha menos canais, teve uma série de programas de ópera. Era só aos sábados ao fim da tarde. Não era apenas um trecho,era uma ópera transmitida na integra, e mais, legendada! Eu vi todas, deliciada, pois ir a S. Carlos,era proibitivo para mim, e a ópera vir assim ter comigo a casa, foi um privilégio que eu usufruí na totalidade com enorme gosto. Recordo a Tôsca, a Aida, o Rigoleto, a Carmen, e muitas outras, mais própriamente todas as que passaram no meu pequeno “palco”. Toda aquela arte me transcende, as vozes que eu admiro, a música e os músicos,e naturalmente o drama, pois quase sempre é de um drama que se trata. Como não podia deixar de ser também aprecio a operêta, em que a música é tão bonita e alegre, e onde não há drama, mas até algo de humurístico que dispõe bem.
Actualmente a televisão já não nos mostra ópera, nem operêta, nem teatro, nem poesia, nem concertos de música clássica. Resta-nos a discoteca caseira para minorar essa falta, e atender aos nossos gostos, que parece estarem fora de moda.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Gosto de cantores líricos!

A minha filha não gosta das vozes clássicas, apenas de alguns temas. Eu acho impossível que se possa não gostar. Muitas pessoas apenas conhecem os nomes mais recentes. Aqui estão esses e alguns dos anos mais longínquos.Por vezes não se gosta porque não se conhece! Clicando no nome podem ler sobre cada um deles.

Enrico Caruso (Itália, 1873-1921)

Beniamino Gigli (Itália, 1890-1957)

Mario del Mónaco (Itália, 1915-1982)

Luciano Pavarotti (Itália, 1935-2007)

Franco Corelli (Itália, 1921-2003)

Alfredo Kraus (Espanha, 1927-1999)

Mario Lanza (EE. UU., 1921-1959)

Tito Schipa (Itália, 1889-1965)

Plácido Domingo (Espanha, 1941)

José Carreras (Espanha, 1946)

Ramón Vargas (México, 1960)

Andrea Bocelli (Itália,1958)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O ACIDENTE ESPREITA...e eu espreito o acidente!


Na zona onde moro não se passa nada de diferente. É um local agradável, tem horizonte, tem espaço verde, mas o principal ou o pior, é a rua avenida ou estrada, chamem- lhe como entenderem porque ela é utilizada pela maior parte dos automobilistas como se duma via rápida se tratásse. Apesar do seu aspecto limpo, largura razoável e boa iluminação, nunca para aqui se programa nada, por exemplo um cortejo, um desfile de Bandas, em especial no verão, enfim algo que mostrasse aos turistas que nos visitam, que este lado da Figueira é moderno e também é bonito. Excepção para as tardes ou noites em que a Naval joga no seu campo que fica aqui ao lado, ouve-se o hino que é lindo, e depois consoante o desenrolar do encontro, os aplausos e as vozes das claques. A assistência chega apressada para entrar, e sai a correr, e tudo cai no habitual daí a pouco.
Há no entanto algo a acontecer com assiduidade neste local; são os acidentes. Rara será a semana em que não se ouve o estrondo das latas a baterem. Existe um semáforo a regularizar o trânsito, que seria se não existisse ?... contudo, e ainda bem, não chega a haver feridos, mas não impede o aparato da “coisa”... vem a ambulância, vêm os polícias à pressa a apitar para abrir caminho, e depois “a montanha pariu um rato”! Mas aquilo leva tempo, os polícias passeiam-se em medições com a calma toda, e o preenchimento dos papéis idem, idem... e eu gosto de ver... assim aconteceu ontem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O cão,que faz ão, ão....

Pois; primeiro as obrigações, e só depois as devoções...os ensinamentos adquiridos na infância,aderem e jámais descolam; e às ditas obrigações, mais tarde damos-lhe outro nome,tarefas normais de dona de casa. E nesta “confissão” recordo aquela cançoneta de três quadras, engraçada que se ouvia hà muito tempo atrás, numa voz bonita e em português, cuja intérprete simulando ser dona de casa terminava com a última quadra assim:

Ando cansada, ensonada, derreada
Nesta constante luta, sempre em pé!
Mas esta vida má, é a melhor que há
Ai, ai, se está, chegando o meu Zé!

Eu também “canto” de igual forma, só que o meu, não se chama Zé.

Finalmente venho então falar um pouco sobre os animais. Eu gosto deles e não aceito que lhes façam mal. E até me surpreendo quando ouço os toureiros dizer que o toiro é um animal nobre, e que eles (toureiros) o respeitam muito. Não entendo... e acho mais lógico afirmar (eu) que se trata duma falta de respeito agredi-lo, torturá-lo, sendo ele um irresponsável, um animal, que apesar de corpulento não pode ali defender-se, nem sabe, porque está em desvantagem quanto ao factor inteligência.
Mas eu prometi falar do cão, daquele que de vez em quando me entra pela casa dentro,de coleira e trela, e pulso forte da dona.
O tal de raça shar-pei, que eu ainda tive ao colo quando ele era pequenino: era feiinho, mas interessante porque a sua pele era uma repetição de refêgos, com o pêlo aveludado, ele mais parecia um peluche de brincar. Cresceu rápido, forte e elegante, cresceu também em força, e em mim cresceu o medo, mas medo a sério; de me morder, ou de investir por bem e me atirar ao chão. Mas a verdade é que ele ainda não fez asneiras, e comporta-se de modo diferente entre os membros da família, comigo é muito comedido; porém eu ainda não venci o medo, gosto dele e até lhe dou biscoitos, mas não consigo dar- lhos na minha mão, o que provoca a risada entre a família... finalmente lá me aventuro a umas festinhas que ele aceita, e até procura vindo encostar-se.
Há vários anos atrás também andei com a ideia de adquirirmos um cão, estava dependente da casa que iamos comprar. Entretanto optámos por um andar e a prespectiva do cão desvaneceu-se. E ainda bem,porque eu cheguei à conclusão que gosto dos animais, mas dos animais das outras pessoas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Homens e animais, de quais eu gosto mais

Andava à procura da autoria desta frase e achei:
"Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cão."
- Plus je vois les hommes, plus j'aime mon chiens.
- Pascal citado em "Paris et ses environs: manuel du voyageur‎" - Página 342, Karl Baedeker, Karl Baedeker (Firm) - K. Baedeker, 1903 - 500 páginas

E também há esta:
"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais." É do Alexandre Herculano.

Eu gosto dos animais e a minha filha mais nova tem um cão de raça shar pei, o Davis. Já lhe consigo fazer festas o que é uma grande evolução. O cão é grande e um pouco assustador. Depois escreverei mais sobre o Davis, agora a cozinha está para arrumar.

domingo, 21 de novembro de 2010

A Cimeira! E a Fome?....

Actualmente os acontecimentos no nosso país surgem assim como se fôssem ondas,seguem-se depois as intermináveis borráscas,intercaládas por pequenas acalmías enevoadas e tristes que servem para descançar,dormitar e sonhar. Sonhar,mas acordar em pesadêlo... Depois de nos ter sido dado de bandeja (finalmente) a informação de que o nosso país está a beira do abismo,quando ainda há dois meses atrás os ministros responsáveis pela finança e não só,sorridentes afirmavam que estava tudo no bom caminho,lá veio então nova onda com um “rebuçadito” que afinal haviamos crescido no ultimo trimestre umas míseras migalhas. Eu não entendo como é que estes politicos que só conseguem governar-se com muito,valorizam tanto esta infima subida,ao ponto de virem fazer gáudio de tal miséria...
Mas entretanto aconteceu a Cimeira!!!! Coisa de estrondo!!! e aí estamos nós a fazer de importantes,e quem viu chega fácilmente à conclusão de que não há tristeza nas nossas altas esferas,afinal só há é o mêdo dos mísseis,vindos lá de longe,e por isso há que acautelar,unindo-nos cada vez mais àqueles que têm razão, êsses sim, para recear retaliações; e nós pacátos pobretes,com tanto para nos preocupar e fazer dentro do nosso pobre rectângulo tão carênciado de tudo,não passâmos duns pacóvios a brincar ao “aí vem a guerra”. Antes que a guerra cá chegue,chegará em fôrça a fome,e essa vai aparecer sem mesmo se fazer anunciar em Cimeiras.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Voltei...

Desde Agosto que nada escrevo neste meu blogue,não sei se por falta de gosto,
ou ausência de paciência,confesso que não encontro razão para o sucessivo adiamento. Mas hoje,mercê duma contrariedade relacionada com um aparelho eléctrico que estava a usar e se avariou,impedindo-me de continuar o trabalho encetado,e que me aborreceu bastante,porque eu não gosto de abdicar das minhas decisões,neste caso tarefas,senti a má disposição a tomar conta de mim. E em ocasiões destas o melhor é procurar algo que me acalme. Mal encarada,olhei em volta,e vi o computador... Sentei-me e abri-o; ele tinha razão para estar zangado comigo e perguntar-me,por onde tens andado?- mas não o fêz... Será que também ele pensará que o silêncio é d’oiro?
Entretanto e por aludir ao silêncio,lembrei-me duma poesia de que gosto muito; e por isso não resisto a transcrevê-la.

A Poesia é Silêncio

Não pares na palavra.Deixa o vento
Levar para as distâncias infinitas
O som de terra que te sai disperso.

Não prendas,com a fala,o pensamento.
És maior sobre o mundo,se não gritas
E deixas no silêncio o melhor verso.

Dor que se diz é dor desperdiçada.
Quando conversas,perdes-te no ar.
Ensina-te o Deserto coisas puras.

É mais bela uma lágrima calada
Do que todos os cânticos do mar
E todas as orquestras das alturas.

No silêncio é que Deus acende a luz
Mais fácil para entrar dentro de nós.
O silêncio tem graças de tesoiro.

Ama o silêncio em ti,como Jesus.
A prece das angústias não tem voz,
Mas o Senhor no céu a grava em oiro.

Benditos sejam os que a língua domem!
Dize-me tu se calas o que sentes,
Eu te direi se vales o que dizes...

A própria natureza avisa o homem:
- A flor vem do silêncio das sementes;
O fruto,do silêncio das raízes.

Faz com Deus,e contigo em oração,
Séria promessa,bem jurada e calma,
Como um profeta há séculos faria.

Escrever é violar a solidão.
Não escrevas. Poeta,cala a alma,
Não mates o silêncio da poesia !


(Assim escreveu,
Padre Moreira das Neves)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

O capitalismo gerou problemas:quem vai resolver?

Porque é que o dinheiro é que manda?

"Uma breve descrição de como os banqueiros nos conseguiram escravizar e de como o dinheiro é sugado dos produtores de riqueza para o governo, corporações, bancos e donos. Para perceber porque é que o colapso financeiro é eminente."

domingo, 22 de agosto de 2010

"Os incendiários"

Já não quero voltar a escrever sobre o fôgo...
Mas quis colocar no blogue este recorte de jornal

sábado, 14 de agosto de 2010

Os Grandes da Nação e o Fogo

Eu queria escrever algo interessante,algo que nascêsse dum estado de espirito calmo e relativamente bem disposto,o que na realidade não acontece. Não é possivel,depois de saber e ver a situação actual do meu país. A televisão mostra em pormenor,e fácilmente posso avaliar a situação de catástrofe que estão a viver as populações,a quem o fogo já roubou tanto... a aflição das pessoas,impotentes na sua maioria contra aquele ladrão maldito, que tudo leva sem dó nem piedade,é imagem que faz doêr e não se esquece.Os bombeiros num esforço constante,”um mundo” em sofrimento,uma tristeza,e já há tantos dias.
O país está a arder e os nossos politicos,os altos dignitários da Nação têm estado afastados de tudo, claro em férias,”o fogo estava bem entregue”,é o que eu tenho ouvido todos os dias repetir ao sr. Ministro (aquele que ficou de serviço) e que diáriamente diz que está muito satisfeito com os bombeiros,parece que está a avaliar um trabalho normal,ainda não arranjou outro adjectivo que substitua a palavra satisfeito,que neste caso até faz doer... grandes homens os bombeiros! eles não carecem de elogios,eles precisam é que prendam e julguem os criminosos que ateiam os fogos,e que são o motivo do seu sofrimento,e também da morte de alguns bombeiros.
Finalmente os grandes da Nação apareceram,não perto do fogo,claro está lá fumo,e calor...
Fizeram questão de sublinhar que tinham interrompido as férias!
( população das zonas ardidas,agradecei.....)
E lá apareceram todos engravatados a trocarem cumprimentos de oportunidade,e a inteirarem-se do fogo,como se ele tivesse começado ontem... Áh, e também voltaram a elogiar o trabalho dos bombeiros,e também pediram para as pessoas terem cuidado,etc,etc,.... porque com tanto calor é fácil atear-se o fogo.
Como se ele ainda não estivesse ateado....
Isto se não fôsse tão triste,dava para rir,assim dá para pensar,e,lamentar!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O verão o fogo e a calma do Ministro

Quando eu era menina o verão era aguardado com esperança,antevendo tanta coisa boa que o tempo quente proporcionava. As creanças tinham férias,três meses de férias,muito tempo para brincar,as mais vélhinhas aprendiam a fazer os primeiros pontos,dizia-se assim referindo os bordados simples.Os adultos atarefados com as prespectivas das colheitas,era no tempo que em Portugal havia lavradores,muita gente nova a trabalhar no duro de sol a sol,mas felizes fazendo ecoar as suas vozes bonitas,em desgarradas,cançonetas,até fado... Depois era também no verão que havia festas; primeiro dos Santos populares,e depois a feira do ano (estou a recordar o meu Montemor-o-Velho) com as danças tradicionais,os ranchos tipicos,e mais tarde as artistas da rádio. “ A televisão ainda cá não estava”...
E nestas festas também estoiravam os foguetes,muitos,alguns de lágrimas como então eram conhecidos. E nunca os foguetes que eram lume,incendiaram nada!
E também fazia calor,e bastante,mas era raro incendiarem-se as matas,havia o guarda que fazia a ronda,não por causa de fogo,mas para não irem lá cortar algum pinheiro ou afim,para algo necessário,ou para lenha.
Horrorisada,agora,vejo na televisão há vários dias,aquele mar de fogo que sem piedade tudo consome; são as árvores,os animais,as aves,até vidas humanas...Fico a pensar e com alguma tristeza, na desgraça que de há uns tempos para cá,se instala durante o verão, ano após ano, no nosso país outrora verdejante,e que o vai transformando quase em paisagem lunar,e também tornando os portugueses mais pobres,e mais tristes.
Por outro lado,também não entendo a atitude do Sr.Ministro que tem estado presente nalguns locais do fogo,e quando entrevistado,fála como se estivesse perante uma calamidade natural,inevitável,meteorológica por exemplo...
Dá conselhos,diz que se está a acudir,e que para os culpados há a lei... Mas qual lei? Será a lei do menor esforço? Secalhar é essa mesmo...
Entretanto a floresta vai desaparecendo...

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Laivos de coincidência...

Há uns largos meses atrás, o Dr. Alberto João Jardim Presidente da Madeira, aparecia na T.V.sempre muito insistente com exigências ao “nosso” governo,mas duma forma que tocava as raias do quero posso e mando. Tinha estudado o verbo querer,e ficou adepto do eu quero!
E então surgiam na sua voz aquelas expressões “inflamadas”onde imperava sem reserva o eu quero,mas quero mesmo,senão.......
Sempre que o ouvia nestes termos,lembrava-me duma poesia,que guardo à muito tempo e me parecia alusiva...
Hoje decidi colocá-la no blogue,não é da minha autoria,e tem a data de 1927.

Uma perrice!

Um menino
mui rabino,
um mimalho,
um insensato
tolo e falho
de bom tacto,
quis um dia
(que mania!)
que a mamã lhe desse a lua!
E chorava,
E berrava
que se ouvia em toda a rua!

Que tontice!
que perrice
que é a tua!
- diz- lhe a mãe -
Pois não vês,meu querido bem,
que eu não posso ir buscá-la,
arrancá-la
lá do céu?!

- Lá do céu?! - volve o rapaz -
julgas tu então,mamã,
que o teu filho se compraz
com qualquer desculpa vã?!
Não prossigas!
Antes digas
que não és já minha amiga!
Quero a lua,e hei-de tê-la!
Ralha,báte-me e castiga
que isso tudo é bagatela
cá p’ra mim!...
Foste no pôço escondê-la
para que eu não a apanhásse?
Pois vais ver que nem assim
És capaz de me vencer!

Isto dito,
o dementado
- coitadito! -
põe-se a andar,põe-se a correr
e,afadigado,
desce ao pôço - que loucura! -
onde encontra,não a lua,
causa da perrice sua,
mas a morte e a sepultura!

( A.Serra e Moura)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Saramago,a Bíblia,e eu...

Ontem ainda se falava de Saramago,o “nosso” Nobel !
Eu também quero falar nele,e como ontem não me foi possível,será hoje. Aliás eu já há tempos que me apeteceu falar neste escritor,até me deu vontade de lhe mandar um email lá para Lanzarote,mas depois pensei e respondi a mim própria nestes termos; um Sr. sempre ocupado e com pouca saúde,tem lá paciência para aturar esta espécie vulgar de Lineu... (que sou eu)
Foi quando ele apresentou o livro intitulado Caím,e com a sua habitual e conhecida frontalidade disse que a Bíblia era um manual de maus costumes,e pormenorisou em poucas palavras a razão porque assim falava.
Não pude evitar um sorriso,quando a televisão nos trouxe a afirmação de Saramago conotada de blasfémia... É que eu há uns anos atrás pensei igual,depois de ler essa primeira parte da Bíblia: fiquei decepcionada com o que li, achei horrível! No entanto é valorisada pelos Padres e não só, grande número de Leigos,pessoas instruídas, cultas,erudítas até,encontram na Bíblia um valor que eu francamente não encontrei.
E então senti-me “aconchegada”com a opinião do nosso Nobel!
Recordo que a Bíblia descreve em pormenor digno de todo o crédito (porque segundo vozes mais altas,ali está toda a verdade) factos pavorosos,viganças, assassinatos,promiscuidade em larga escala,sofrimento infligido sem dó nem piedade,emfim,só desgraça moral e fisica:não encontrei ali nada descrito que enaltecêsse a paz ou apelásse à bondade, e...arrumei a Bíblia.
Manual de maus costumes? Sim!!! Saramago disse a verdade!
Hoje tenho pena,de não lhe ter mandado o email...


domingo, 13 de junho de 2010

Passear em Portugal,há muito para vêr...

Apeteceu-me voltar a falar de férias.
Férias, descanço,conhecer outros locais ou revê-los,descurar horários,deixar as preocupações ibernadas,mas quem poderá criticar tal desejo e inerente concretização?... Eu já escrevi que não critico quem prefere o estrangeiro,quem puder “alargar horisontes”bem sabemos que é salutar.
Pela minha parte recordo apenas duas cidades de Espanha onde estive não em férias,mas em fim de semana e em anos diferentes.A primeira foi Santiago de Compostela,atraída pela Catedral que não me deixou desiludida,muito pelo contrário pois fiquei aturdida com a dimenção do monumento,e extasiada com tanta arte e tanta beleza.O meu marido teve de me aturar,pois eu saía da Igreja mas logo entrava,querendo reter na memória a todo o custo toda a sua magnificência.
No ano seguinte fomos a Salamanca,lindas as suas praças,e onde a arte está em cada rua,recordo entre outras a Igreja de Santo Estêvão (para mim) superior à Sé que igualmente é extraordinária. E do estrangeiro nada mais sei.Áh,mas de Portugal sei,e sei muito!
Estou como o Malato,”já fui feliz aqui, ali, e além! Viana do Castelo,Guimarães,Chaves Bragança,Vila Real,Lamego,isto para só falar do norte.E o Gerês? E a Sortêlha ? e em Amarante à beira do Zêzere,e passear de Barco no Douro?E na ria de Aveiro? E um lanche no parque de Viseu numa tarde de verão?!E em Seia até à Serra da Estrela,e a Guarda que dizem que é feia mas que eu discordo,e a Batalha, Alcobaça, Nazaré, Mafra,Ericeira, e Sintra... E fico por aqui porque a continuar a lista,torna-se fastidioso... Mas creiam eu só queria dizer que o nosso País tem muito de belo,cada zona tem as suas caracteristicas,mas todas elas apelativas porque diversificadas. Assim eu voto naquele slogan (já arrumado) “Faça Férias Cá Dentro”!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

O Presidente da Républica e as férias...

O nosso Presidente da Républica disse aos portugueses para fazerem férias em Portugal,e não no estrangeiro. Trata-se duma opinião baseada na situação do País que como todos sabemos está financeiramente caótica.Isto se não fôsse triste até dava vontade de rir... Mas ele estava a falar para quantos portugueses? Para aquela classe onde ele está inserido,e para aqueles que auferem bons honorários,porque a grande maioria contenta-se com o Algarve,e outros nem a isso podem aspirar.
Há ainda quem trabalhe o ano inteiro e poupe muito,com vista a poder sair do país por uns dias.Eu nunca fiz férias no estrangeiro,mas gostava...Com a maior das franquesas,confesso que não critíco quem opta por viajar ao encontro de locais distantes,para um merecido descanço e lazer,e atrevo-me a ser egoísta ao dizer que se não contribuiram para a críse,porque têm de pagar por ela?
Porque afinal quem foi que não soube governar este país? Sim,se a nossa economia está em baixo,sou forçada a reconhecer que aquela multidão que gravíta nos Ministérios,aceitou um trabalho (jurando pela honra),para o qual não tinha capacidade.E pior! Quando percebeu que estava a falhar,devia ter arrepiado caminho,e não o fez,e o resultado aí está,mais que evidente,e ao que se diz o pior ainda não chegou...

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Em breve será inoportuno acedêr a urgencia hospitalar

De há uns tempos a esta parte eu não paro de me surpreender... pela negativa infelismente.Ainda está fresca a comunicação da ministra da saúde sobre o corte nas despesas com a saúde dos portugueses,e hoje no espaço Opinião Pública,que a SIC Noticias manda para o ar pouco depois das dezassete horas(e do qual eu sou fã) não faltaram os reparos e as queixas por parte de quem pôde manifestar a sua opinião telefónicamente.Havia dois convidados,médicos e com cargos de presidência um no Porto,outro em Coimbra,que foram dando explicações a seu modo,e pasme-se ! pois um deles até admitiu que se os hospitais tiverem de cortar com as horas extraordinárias do pessoal médico das urgências,são os doentes que ficam prejudicados,porque não há quem substitua estes médicos especialistas. Eu fico pasmada,creiam. Mas então se eles morrêrem? Fecham-se as urgências?....
Eu já ontem disse isto e hoje repito:- todos os anos se forma em medicina um elevado numero de jovens.Não é preciso ir muito longe para saber,basta ir ver o cortejo da Queima das Fitas e reparar na quantidade de Cartolas de côr amarela,são os finalistas,que no ano seguinte serão médicos.E só me estou a referir à Universidade de Coimbra... Claro depois é necessário progredir na profissão,e não é isso que um jovem que escolheu medicina quer fazer?
O nosso Governo está a esmifrar dinheiro de tudo quanto é sitio; mas isto já vem de longe.Quando fecharam maternidades,quando fecharam centros de saude e vieram com a lenga-lenga de que as pessoas não eram bem atendidas,já era isto, camuflado aliás como convinha.
Como se atrevêram a tanta hipócrisía,dá para sentir náuseas...
Quantas creanças nasceram em ambulâncias,quantas pessoas faleceram já na demora de atingirem o ponto de socorro,por causa das tais medidas “boas”que eles decretaram: e o povo falou,falou,sofreu na carne e no espirito,e quedou silêncioso...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Agora é que é poupar...

Acabei de saber (porque li) que os hospitais públicos foram avisados de que têm um prazo de 20 dias para apresentar um plano de redução de despesa,incluindo baixar pelo menos 5% da despesa com horas extraordinárias (anunciou a ministra da saúde).
Pois todos nós sabemos que essas horas têm valor acrescido. Mas afinal os hospitais não têm médicos suficientes para trabalhar em tempo normal? Têm de sobrecarregar com mais trabalho e com mais dinheiro,aqueles que já ganharam o dia ?!
Para onde vão aqueles jovens que estudam durante anos e completam o curso de medicina? Não têm lugar nos hospitais para se prepararem, adquirir mais conhecimentos com vista a serem especialistas?Aqueles que hoje dominam o seu trabalho já foram inexperientes,também não saíram perfeitos da Universidade;a habilidade,o empenho,o espirito de sacrificio até,deminuiram lacunas,e tornaram-nos bons médicos,mas pelo modo são poucos,e alguns precisarão de algum descanço,por isso há que chamar os novos, e dar-lhes a oportunidade que certamente desejam,e assim acabar com as horas extraordinárias.

sábado, 1 de maio de 2010

O Cemitério de Montemor...

Ontem estive em Montemor por breves momentos.Ali é a minha terra,nasci no concelho e ainda pequenina fui levada para a vila onde vivi a meninice, a adolescência,e a juventude.Guardo muitas e boas recordações desses anos,em especial a estima de que vivi rodeada pelos mais velhos,que já partiram na viagem sem regresso,mas que continuam a viver na minha lembrança,perdoem-me o exagêro mas direi que talvez mesmo, no meu coração.O tempo sucede ao tempo,e quando reparamos passaram anos,e nós próprios já somos velhos.Poucos são os que admitem tal adjectivo,e contrapõem sem que valha a pena,dizendo “que velhos são os trapos”... A verdade é que actualmente já não há trapos velhos,são destruidos ainda novos porque passaram de moda. Ao contrário de nós que por cá ficamos (fora do prazo de validade) mas à espera da extinção natural que ás vezes até demora,deixando-nos em pior estado que os ditos trapos antigos nomeados em comparação.
Esta conversa a atirar para o mórbido,foi influência de ter estado ontem no cemitério da minha terra,local para onde “espero”também ser levada,quando chegar para mim
a tal necessidade comum a todos os mortais.
Sempre ouvi dizer que ali acaba tudo,concordo,mas não pode acabar a dignidade. E por isso algo me mereceu reparo,reparo negativo.Naquele campo “santo” nota-se um triste abandono.Não pelas pessoas que ali têm os seus entes queridos,porque as campas estão cuidadas e floridas.É o chão todo desnivelado,esburacado, o pavimento de terra solta,como se quem alí repousa não merecesse um pouco mais de respeito.A capela,um desmazêlo total,e a casa do guarda idem,idem...
Eu já senti na carne quando à três anos atrás, acompanhada por pessoas alheias a Montemor,estive na capela e me senti envergonhada... Não bastava a situação penosa em que eu estava de perto envolvida,ainda me esperava aquele antro que de capela pouco tem,e a vergonha perante quem me acompanhava...
Não haverá gente à boa vida,que fosse chamada para proceder às devidas reparações neste local de interesse público? porque não um calcetamento de pedra miuda,dando àquelas ruas e a todo o chão um ar decênte e digno?...
Muita coisa boa se tem feito em Montemor...
Porquê este abandono em relação ao cemitério? Afinal tráta-se da morada definitiva dos Montemorences!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Foje o bem pró bem,e o mal pra quem o tem!

Eu sou “cliente” dos programas Opinião Pública, na T.V. e na rádio também. Sempre que posso ouço as opiniões sobre os temas que eles propõem para que sejam comentados.Nunca tentei telefonar não sei porquê,nunca sequer me lembrei de tentar para dar a minha opinião: porém sou toda ouvidos,e muitas vezes estou de acordo com o que ouço. As pessoas estão desanimadas e tendo oportunidade manifestam-se.Nestes ultimos dias os temas andaram à volta dos dinheiros que o Estado não tem, ou diz não ter. Eu acredito que não tenha, porque nada pode com o mau governo,e o dinheiro não nasce como as searas,e até essas requerem cuidados,sabedoria,muito trabalho, e até uma certa dose de amor. Ao ouvir nesses programas pessoas exclarecidas,a falar sobre a pobresa que alastra e cresce no nosso país,e da tendência para piores dias, por vezes sinto um certo receio quanto ao futuro,embora no meu caso pessoal o futuro já se anteveja limitado,mas nunca se sabe ao certo. Penso nas creanças, essas sim são o futuro, a esperança, a vida, e poderão vir a sofrer muito,será um castigo que não merecem nem esperam,o que é triste.
E entretanto nas altas esferas perde-se tempo que deveria ser produtivo,e lava-se roupa suja à vista de quem quer ver.Andam preocupados com inquéritos, para limpar nódoas em tecidos que já não aclaram.E também para quê? É tempo perdido;não há culpados,todos são vítimas (coitadinhos) de cabalas ou coisa parecida.
Eu volto a falar das leis que dão benesses aos políticos,ajudas de custo para tudo,casa ou subsídio para ela, reformas triplicadas só porque estiveram ao serviço do Estado (bem pagos enquanto lá estiveram), viagens dos deputados,no caso presente viagens semanais a París ida e volta,na classe dos ricos! E tudo à custa do barba longa, porque devidamente legalisado,nada há a apontar pois claro,é a lei,préviamente cosinhada a gosto... intocável como convém.
Ainda no passado Domingo fui visitar uma sra.que sempre trabalhou no duro,mas diz que até era feliz; e digo era, porque há 15 anos sofreu um AVC e ficou paralisada do lado esquerdo do corpo.Com uma reforma exígua e assistência “idem”,nada recuperou,dividindo as suas longas horas entre o sofá e a cama: todo o organismo está doente o que a obriga amiudadas vezes a chamar um médico,ou a ir ao Hospital: a deslocação custa-lhe 5 euros,que lhe fazem falta para o medicamento,que nem sempre pode comprar no regresso. Pois! É que ela não é deputada,se fôsse... não gastava os 5 euros...
No entanto é um ser humano,e é portuguesa,chama-se Guilhermina.
“E quantas Guilherminas estão em iguais condições no nosso país?”
Não sabemos,mas adivinhamos!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Para os pobres,não se fabricam leis...

Não tenho sentido vontade de escrever;ultimamente as noticias que entram casa dentro são tão inquietantes,que acabam por molestar embora só psicológicamente.E dia após dia o tempo tem passado. Hoje porém resolvi bater as teclas. É que ao ligar “este meu amigo” li algo relacionado com viagens pagas a uma sra.deputada. Senti-me atacada pela curiosidade,e fui ler a noticia em pormenor,e li também os comentários (muitos) relativos ao caso,”e bem mimosos”... Fiquei também admirada,ou melhor eu fiquei foi indignada,porque afinal ao que parece estes srs.que dominam o povo português,sim porque eu não me parece que o termo governam lhes possa ser dirigido,porque governar é equilibrar,para poder distribuir com equidade e respeito,coisa que actualmente bem sabemos que não acontece.Já à alguns anos ( não é meses) que pedem aos portugueses sacrificios de toda a ordem; ordenados baixos para uma grande fatia de trabalhadores,doentes em perigo de vida obrigados a viajar para um hospital distante, porque o socorro que existia a dois passos foi encerrado para deminuir despesas.Ainda na passada semana faleceu um sr. na ambulância,quando aguardava que passassem 10 minutos para o centro de saude abrir as portas: como se de noite as pessoas não adoecessem.Quando decidiram encerrar esses pontos de socorro,veio o ministro apontar o facto como sendo uma melhoria,e reiterava que o era.Como se ele não soubesse que estava a mentir,porque estas decisões tinham em vista economisar à custa do Zé Povinho. O país está em crise, pois está! É o país e os portugueses que trabalham,e os reformados com reformas de miséria e os trabalhadores que vêm as fábricas a fechar e são mandados embora,esta população é que está em crise,e como se não o sentísse na carne e na alma, ainda têm de ouvir os políticos a repetir a frase a toda a hora.
Em contracenso,gasta-se à larga lá nas altas esferas! Vamos ajudar a Grécia,vamos ajudar a Madeira,vai-se gastar porque o Papa tem de ser recebido com dignidade... eu não sabia que dignidade é ostentação... (estou sempre a aprender).
Hoje foi esta;a sra.deputada tem de ir a casa semanalmente a Paris, e o parlamento paga.
Mas onde é que o parlamento ganha o dinheiro,para poder ser assim tão “liberal”?
Eu gostava de saber; mas não sei ...
Mas sei porque li, que este assunto (das viagens pagas) é uma questão administrativa e que os deputados não pedem tratamentos especiais (pois para quê,eles já estão assegurados) não podem,(coitadinhos) porque isto não é um emprego,é um mandato,(é um tacho) e tudo é regido por lei (pois, leis feitas por espertos) não é por vontade própria, (que displicência,até comove) e as viagens pagas são comuns a todos,é a lei...
Com estas “leis” não sei para onde caminhâmos........

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Evolução?ou nem tanto...

Vivemos numa época em que roubar se tornou num mal diário.Antigamente também acontecia,roubávam carteiras,até havia “os especialistas na arte”, eram designados de carteiristas.Em Fátima por exemplo em 13 de maio lá apareciam os ditos cujos,mas a policia já os conhecia e prendia-os antes mesmo deles exercerem a actividade.Mantinha-os detidos até ao fim das celebrações,e depois restituia-os à liberdade.Tudo tão simples que (agora) até dá para sorrir... E hoje ? É tudo bem diferente,já não é só a carteirita com algumas notas,são os cartões e os códigos obtidos à custa de maus tratos,violência,e quantas vezes da própria vida.
Diz quem sabe que tudo isto provém da falta de emprego,da pobrêza,da desigualdade... talvez;mas matar para roubar,tirar a vida assim de ânimo leve,nada justifica,e só demonstra que quem assim procede, não tem só falta de meios de subsistência,tem também uma pedra gelada no lugar do coração.
Se pararmos para refletir,acabamos por concluir que a humanidade continua votada ao sofrimento.Os anos passaram, os ciêntistas trabalharam sem descanço e o progresso é um facto.Mas o espirito humano não acompanhou.O homem não evoluiu para uma mentalidade perfeita, que o colocásse acima de tudo o que é nocivo ao seu semelhante.Claro que há excepções,mas não devia haver, já era tempo de todos serem melhores.Mas não,os que vivem mal e são mal formados matam e roubam,e os grandes fomentam as guerras: e esses conflitos bélicos o que são ?
- O mesmo,mas em larga escala : lá estão os roubos de tudo,e a ordem para matar!

Vai nascer um jardim ?

Passei pelo que era o jardim da Figueira,e digo era, porque actualmente aquilo já não se deve chamar jardim,pois os canteiros com flores desapareceram,e se algumas poucas floritas eu vi, por sinal raquiticas, estavam no topo duns arbustos meio secos,a mostrar algo parecido com desmazêlo a caminho da degradação.
A amputação de que foi alvo,foi desastrosa penso eu:mas quem sou eu para pretender dar opiniões sobre um espaço que é dos Figueirenses? É mesmo meter a foice em seara alheia... nem sei mesmo porque encaminhei “a conversa” neste sentido.Embirração? Quem sabe...
Mas nem tudo eu considero negativo,pois foi com agrado que vi dar inicio a qualquer coisa aprazível que vai nascer num terreno,situado perto da piscina no fim da rua Joaquim Sotto Maior.Já revolveram o chão, já colocaram árvores,e continuam a trabalhar lá.Será que ali vai nascer um jardinzito,um parque ? Confesso que fiquei surpreendida no bom sentido,numa altura em que todo o chão é pouco para fazer subir caixotes de cimento sem arte,onde habitamos,constatar que ali vai surgir uma mancha verde,é deveras gratificante.Porém desejo que não se fiquem só pelas árvores e pela relva expontânea que lá cresce,esta zona merece mais,e as pessoas também.
Vamos aguardar com esperança.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Padre pedófilo em Roma...

Logo de manhã ainda na cama,tirando partido do silêncio que ainda não foi perturbado,estendo o braço e ligo o rádio à caça das noticias.Hoje como sempre cumpri este ritual a que me habituei à muito tempo.Reconheço que já me tem saído “cara” a curiosidade,quando acontecem desgraças,e ao premir a tecla tomo conhecimento delas ao mais infimo pormenor,parecendo talhadas de modo a impressionar,ou até encomodar e entristecer;afinal somos humanos,temos sensibilidade inerente ao nosso ser.
A noticia que hoje me prendeu a atenção tem a ver com os pedófilos.Há anos atrás eu pensava que o comportamento reprovável destes homens,se devia ao facto de serem ignorantes.Afastavam-se do razoável para seguirem os seus instintos quase animalescos, perversos,relegando o respeito por si próprios e pelos outros.
Porém não é bem assim,podem ser ignorantes ou eruditos,e hoje já há uma resposta para tudo,já se afirma até que os coitadinhos são tarados,não têm assim tanta culpa,embora abusem de jovens e creanças,e nalguns casos até as matem e atirem ao rio ou ao mar.Mas o que hoje me chamou a atenção,foi o facto de esta cena ter como actor principal um padre.Julgo que o caso se passou em Roma já não foi agora,e o padre que leccionava, abusava dos meninos que eram surdos.Foram 200 os meninos que foram violentados por este padre.Padre,ou monstro? E surprêsa das surprêsas, até o papa Paulo que em breve será Santo encobriu estes crimes.
Quando um jovem decide abraçar a carreira eclesiástica já sabe que lhe é exigido o celibato.Por vezes o coração fala mais alto,deixam a vida religiosa,casam,ou vivem maritalmente.São cidadãos bons em vez de maus padres. E este padre como se classifica o seu comportamento animalêsco? Certamente dirão, coitadinho,sofre desta tára...todos somos pecadores.- Somos,mas com pecados diferentes.
O planeta tem razão em se enfurecer!
A humanidade está a ficar horrorosa!

Sócrates gasta 57,5 euros em flores...

Eu não sei se estou a ser péssimista,ao pensar e dizer que actualmente vivemos num desassocêgo constante.Por vezes até desejamos nem pensar,preferimos alhear-nos,mas as más noticias em catadupa,nas Rádios, nas estações da T.V.e nos jornais, perseguem-nos qual praga de mosquitos trombeteiros cujo mal estar perdura por muito tempo para além do ataque.É que não somos de ferro,temos sensibilidade,e por isso o mal alheio também nos encomóda.Fálo por mim,não é de ânimo leve que vejo fábricas fechadas e os trabalhadores ali à espera,queixando-se de ordenados em atrazo,já avisados de despedimento,nalguns casos marido e mulher,que em poucas mas tristes palavras dão conta do seu infortúnio.E se fôsse só uma fábrica,mas infelismente são mais que muitas.
Na Assembleia Nacional é aquela desgraça habitual,os deputados com palavras “bonitas” vão atirando pedradas uns aos outros; mas nunca se esquecem ao dirijir-se mutuamente de se chamar de V.Excia. vezes sem conta. Fico sempre com a impressão de que estão mais interessados em si próprios,do que honrar o cargo que ocupam.E agora ainda mais esta de se atreverem a dizer (eu ouvi) que pediam mais sacrificios aos portugueses,e ao que parece sacrificaram-nos mesmo,é de mais.Mas quando é que eles deixam de pedir?
Nós é que lhes deviamos pedir contas.Não estão eles a gerir uma Casa? Uma Casa enorme e de grande responsabilidade que é um País! Parece no entanto que não são capazes.Pois não! E sabem porquê? Porque eles são como o Maltês de Bronze,ganha 10 mas gasta 11.
Li à dois dias num jornal de Lisboa, que o Primeiro Ministro gasta 57,5 euros por dia em flores na residência oficial.Então eu pergunto-me,onde está uma coisa que se chama MORAL ?
O País está endividado,há centenas de portugueses já a passar fome,muitos a procurar a sopa dos pobres,muitos a serem socorridos por instituições da Igreja e particulares,e o Primeiro Ministro que devia dar o exemplo a dar-se ao luxo destes gastos exorbitantes.Isto chama-se falta de respeito por quem tem fome,por quem trabalha,e por quem trabalhou e tem uma reforma insignificante!
Não sou contra o facto das flores na residência,mas mercê da presente situação,deviam ser observados alguns limites.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Natureza em Fúria

Não me tenho sentido atraída pela escrita;olho o computador,mas nada de agir.
Há contudo algo que me tem arrastado para esta apatía,é aquele aparelho,aquele rectangulo,que sem nenhuma contensão,me trás sons e imagens de toda a ordem,e de todo o globo. Não consumo muita televisão,mas não prescindo do noticiário e depois dele,(nesta altura) onde é que eu encontro disposição para “falar”?
Fico a relembrar o que vi... As desgraças vêm sucessivas,ainda não tinhamos esquecido o Haiti,e outra desgraça acontece,esta perto de nós,no que é nosso.
Imagens em video mostraram a Natureza em fúria,e fazem-me refletir e meditar na fragilidade do ser humano,completamente impotente até para se salvar a si próprio, perante a brutalidade que o surpreende.
Há alguém que mereça ver a esposa e bébé ser levada pela torrente? Jovens,idosos,mães,creanças,a água assassina, implacável tudo levou...
E pergunto-me para que servem estas tragédias?
Dir-me-ão os crentes - é a vontade de Deus ! - Não pode ser,direi eu!
Quando eu era creança,ensinaram-me que Deus nos amava,que era uma entidade suprema de bondade,que tudo sabia,tudo podia, e que tudo perdoava!
Durante muitos anos orei a este Deus bom !
Depois começaram a surgir as dúvidas... Vi fotografias,filmes,relatos do que se passou nos campos de concentração nazi,e não só, tragédias naturais,sismos mortiferos, com centenas de milhares de pessoas em cruel sofrimento fisico e moral. Comecei a perguntar a mim própria e aos outros,onde está a bondade de Deus?
Ninguém me exclareceu...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sujar,que mal faz?Virem limpar é uma festa!!!

Tenho estado e estou doente.Para evitar mais mal estar, passo algum tempo deitada,e para não me sentir tão frustrada pela inércia a que sou forçada,socorro-me da leitura.Os livros esses são companheiros de longa data,continuo a comprar,e já me falta espaço para arrumar (depois de ler) mas na verdade caberá sempre mais um.Mas também ólho os jornais,e digo ólho, porque não os leio na integra,o que é errado,mas paciência... mesmo assim reparei numa informação feita à maneira de convite,como se de romaria se tratásse, a entusiasmar para que muitos (todos se possível) adiram ao plano da limpeza que até já tem data marcada.E afinal de que se trata? Tornar Portugal mais limpo! O título é apelativo e lindo,e o facto é meritório. Mas permitam que pergunte,quem é que sujou? No nosso país a população é suficientemente adulta para saber o que faz;não somos um país de creanças inocentes; aprendemos regras de higiene e comportamento,suficientes para vivermos em sociedade,e quem sujar deve ser convidado a limpar... Claro que há muita gente a adorar “este folclore” que parece estar na moda,e aí, sua alma sua palma! Lá irão cantando e rindo,limpar... mas como diz o nosso irmão brasileiro “COMIGO NÃO,VIOLÃO!”

domingo, 31 de janeiro de 2010

Ó tempo volta p'ra trás ? Não ! Tudo está certo na hora certa!



Passaram há dias 44 anos sobre esta foto,e naturalmente sobre o que ela representa especialmente para mim.
Foi um acontecimento na minha terra,como era sempre com todos os casamentos que se realisavam naquela época.Ainda hoje eu retenho na memória a imagem duma multidão postada à entrada da Igreja à minha espera; e eu muito vaidosa (nesse dia) não contive a exclamação ”eia tanta gente! “ Ao que o Sr.Panão que me conduzia no táxi respondeu,então não queria que viessem? Isso até seria um pecado não a virem ver... Outros tempos aqueles ; se eram melhores,se eram piores não dou opinião.Sei porque vivi naquela época, que havia um grande sentido de responsabilidade,respeito pelos pais,mêdo da opinião publica,havia até uma frase muito divulgada que era : ”temos de dar satisfações ao mundo” ... A palavra namorar não tinha o significado que tem agora. Ter namorado (ou conversado), aceitar namoro,era digamos uma promessa mútua com vista a casar; o tempo de namoro antecedia o noivado,(dia do pedido) em que então se marcava o casamento.Mas não havia “estreia antecipada”,e quando o lume ao pé da estôpa vinha o diabo e assoprava,”o tal mundo”, manifestava-se sem dó nem piedade,instalava-se o falatório chuviam as criticas e até más palavras. Em casa era o desanimo; ralhos, tareia,lágrimas,chamavam-lhe mesmo desgosto os pais entristecidos; e casamento seria na missa das 7 da manhã,só com os padrinhos e sem festa.Em circunstâncias “ditas normais”, um casamento era sempre um acontecimento de alegria,e até alguma vaidade entre familiares. E era assim: Sacramento do Matrimónio na Igreja,depois a bôda durante horas, e finalmente então o “enfim-sós”.

Os anos passaram,e muitos! E é com saudade que recordo esse dia único, o do nosso casamento;ainda me vejo vestida de renda, e véu (de metros) a arrastar pelo chão;a cerimónia na Igreja com o Padre paramentado especialmente para o acto,com capa adamascada;o almoço prolongado com os convidados,a viagem para Lisboa em 1ªclasse,no combóio-rápido,tudo já tão distante... Costumamos ano após ano, sempre comemorar indo jantar sózinhos.Este ano queriamos fugir ao habitual,projectámos um fim de semana fora,a data caía nele,e até havia o facto da capicúa,possivelmente seria a ultima,mas o tempo demasiado invernoso mandou que ficássemos em casa,segredando-nos baixinho que já temos idade para ter juíso... e ficámos!

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

O Museu dos Fósforos! Vá ver,vai gostar...

Num daqueles passeios ao Domingo há alguns anos atrás, fomos até à cidade de Tomar.Estivemos no parque,onde é agradável passear especialmente no verão, também visitámos a Igreja principal com o seu belo pórtico de pedra rendilhada, apreciámos a praça onde se situa,e claro não se deixa esta cidade sem visitar o grandioso Convento de Cristo,mais própriamente parte dele. Ver e rever aquela janela da sala do capítulo,valiosa peça de arte manuelina,o exlibris da bela cidade do Nabão é imprescindivel.
Mas havia algo que eu ignorava;a existência nesta cidade, dum Museu que é único em Portugal,o Museu dos Fósforos.Concretamente Museu Aquiles da Mota Lima seu criador e fundador.E digo criador, pois ele próprio custeou a maior parte dos fósforos que ali se encontram. Alguns foram adquiridos em países estrangeiros,para onde por vezes viajava.Estão ali fósforos de 104 países,portanto muitas colecções estrangeiras e nacionais.Conhecemos a filha deste senhor,que ao tempo já tinha falecido,e era ela que naquela altura preenchia o lugar dele,e recebia os visitantes com uma cordialidade e simpatia,que nos fazia desejar que o tempo parásse,para podermos (sem pressa da nossa parte) observar em pormenor todo o potêncial ali exitente.Ali encontramos memórias,em nós arrumadas ou quase esquecidas,e como soe dizer-se”recordar é viver!” Até prometemos voltar...
Muito perto da entrada, sobre uma estante estava uma moldura... não era uma tela,nem tão pouco uma fotografia ou ilustração,mas sim poesia.Uma graça,eu direi um mimo, dum amigo da familia.

O FÓSFORO

Um fósforo! Tão frágil e pequeno
Na sua caixa de madeira fina!
Pode a sua cabeça ser veneno,
Como pode servir de medicina.

Saindo do seu sono mais sereno,
Acorda em chama que nos ilumina
Dentro da noite é como o claro aceno
De uma estrelinha trémula e divina.

Chega um só fósforo para pôr a arder
Uma floresta em que lateja a vida
Ou uma seara donde o pão nos vem.

Mas também basta um fósforo acender
Para achar uma pérola perdida
E ver o céu no olhar da nossa Mãe.

(Monsenhor Moreira das Neves)
(1980)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

APELO DA UNICEF pelo HAITI - divulguém p.f.


A UNICEF Portugal lançou um apelo de recolha de fundos para a ajuda humanitária das crianças e famílias afectadas pelo sismo no Haiti. Os donativos podem ser efectuados:

Nas Caixas Multibanco:
Menu “Transferências”, Seleccionar “Ser Solidário”, Optar por “UNICEF”
(Para obter o comprovativo do donativo, válido para efeitos fiscais,seleccionar a opção “Factura” e introduzir o Número de Contribuinte).

Por Cheque endereçado ao Comité Português para a UNICEF
Av. António Augusto de Aguiar, 56 – 3º Esq.1069-115 Lisboa

Por depósito ou transferência bancária para a Conta na Caixa Geral de Depósitos:
NIB 0035 0097 0000 1996 1303 1

DIVULGUÉM P.F. nos vossos blogues e contactos!

Palavras da Margarida Ramirez Cordeiro
Dir. Recolha de Fundos - Comité Português para a UNICEF

"Não preciso de vos dizer qual é a situação das crianças e mulheres do Haiti, está em todas as televisões e jornais. O que vos venho pedir é que ajudem esta “gente” que tinha tão pouco e agora não têm nada! Dependem desesperadamente da ajuda internacional para sobreviver epara começarem uma nova vida. 80% da população vivia com menos de UM dólar,(=0,68 euros) agora vivem sem nada. Por muito pequeno que seja o donativo ele vai fazer uma enormediferença na vida desta gente. Peço-vos que façam um donativo e que enviem este emails a todos os vossos amigos e conhecidos, passamos tantos emails sem qualquerinteresse, vamos passar este que é mesmo importante! Se cada português doar 1 euro, são 10 milhões de euros!"
Podem ainda ler aqui um post sobre a situação em que as pessoas viviam antes do sismo.

domingo, 3 de janeiro de 2010

O Pai Natal "a fomentar a guerra"


"Pai Natal, Pai Natal,
Não gosto nada de ti...
És mentiroso e mau...
Dizem que trazes brinquedos aos meninos...
- Que meninos ?
Àqueles a quem nada falta.
Porque aos que não têm sapatos
E a lareira está apagada,
P’ra esses não há brinquedos,
Nem nada...
Quanto melhor for o sapato
Melhor é a prenda!
Se for um sapato velho
Não pões nada (não há renda...).
Ou então uma coisa que não presta...
Enfim,sempre é dia de festa!
E que brinquedos trazes
Aos meninos "bem"?
Bombardeiros,foguetões,
Espingardas... Enfim,armas
Para o menino brincar.
Uma boneca está bem,
Uma bicicleta também,
Um livro entretem e consola...
Mas trazes uma metralhadora
Em vez duma bola!
Pai Natal, Pai Natal,
Que farsa tragico-cómica!
Ah! Não te esqueças de mandar
Para o menino brincar
Uma bomba atómica
Para ele aprender melhor,a matar!"
(Maria da Conceição Alvarez Rodrigues)
(Conchita)

sábado, 2 de janeiro de 2010

Caridade esmola e fantasia!


Como eu já tenho dito,não me entusiasmo com a Quadra de Natal:funciona para a minha pessoa de modo inverso,fico apática,triste.Felismente tenho uma familia,um nétinho,e reunimo-nos nas principais refeições dos dias festivos.Como sou a avó,sou também a cosinheira,e gosto de cosinhar,e de caprichar... já ouvi afirmar que cosinhar é uma arte... concordo: se bem que em minha opinião,a arte tem vários patamares,nada de nivelar a direito,pois cosinhar é fácil. Pois enquanto estou à volta dos tachos estou animada,mas depois já sentada à mesa,aí volta a nostalgia acentuada pelo Natal. Bem,mas já passou,e o primeiro dia do Novo Ano também,e em breve tudo volta ao ritmo habitual e normal,para mim e não só.
Falou-se muito (as televisões) nos desprotegidos,fez-se alarido das ceias oferecidas aos sem abrigo,vimos as cenas:rostos tristes,gente de meia idade,outros ainda novos,entrevistados por jovens alegres,perguntas de circunstância,viradas para a alegria da época, feitas a pessoas cheias de amargura,que ali estavam para uma refeição, longe da familia que já não os quer,dos amigos que sumiram,da casa que não têm...dependentes da caridade,o que é deprimente,e no entanto sorriam,sabe Deus com que vontade, mas sorriam,enquanto o pessoal que lhes servia a comida cantava e batia palmas.Todo este "aparato" que foi espalhado aos quatro ventos pelas televisões,aconteceu porque era noite de Natal,como se a fome só existisse nessa noite, e todos ficássem totalmente saciados para as outras 364 noites que o ano transporta,e que eles vão viver...ou antes suportar!
Que raio de sociedade é esta que tem instrução,que se diz católica,e ainda não encontrou tempo para pensar numa maneira de ajudar os mais pobres,mas com dignidade... não com a esmola duma refeição sem privacidade,apenas uma vez no ano,na noite de Natal...
Findo o repasto não dizem, mas pensam ; "vai-te embora"... volta p´ró ano... mas só na Noite de Natal!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Recordações


Não gosto de Boas-Festas,usuais cumprimentos sempre iguais nesta época. Detesto frases feitas,repetidas,frias,ditas e logo esquecidas.Mas é agora,porque dantes eu aguardava os cartões bonitos,entregues pelo correio,e com outros do mesmo teor eu agradecia pelo Ano Novo.Tudo me dava satisfação, até o facto de ir à loja de propósito para os comprar.Eram escolhidos de acordo com as pessoas a quem eram dirigidos,e todo aquele"ritual"fazia parte do meu Natal,do qual eu gostava tanto. Era naquele dia que eu tinha uns sapatos para estrear,comprados em Coimbra,ia à missa e ver o presépio,e de tarde passear e ver o presépio do hospital que era iluminado,e à noite havia baile no Teatro.Quando calhava ser Natal à chuva,chuviam também os meus lamentos, pois assim já não estriava os sapatos; sapatos de camurça logo molhados "à nascença", impossível, nem pensar nisso era bom! Hoje reparo e sinto,como tudo está distante,e como eu estou dferente também...
Da infância ainda me recordo de aparecerem em cima do borralho,colocados pelo "Menino Jesus"(naquela época o Pai Natal ainda não tinha entrado ao serviço) uns brinquedos,que eram a minha alegria e a certeza da minha crença... mas um dia ao avizinhar-se o Natal,sem que a minha mãe desse por isso,eu vi uma caixa com umas pantufas,estava escondida,mas eu vi ; eram de fazenda aos quadradinhos,"ainda as vejo hoje "...
Na manhã do dia de Natal,como era costume, corri p’rá cosinha e lá estavam as pantufas que eu vira escondidas,mas agora já fora da caixa em cima do borralho. Devo ter feito um sorriso amarelo,(as crianças não fingem) e um tanto desapontada e má,comecei a repetir; a Ângela já me tinha dito,e eu dizia que não! - tinha dito o quê? perguntava a minha mãe; que não era o Menino Jesus que dava os presentes,eram as mães que compravam!
Foi impossível esconder a verdade,e manter aquela terna mentira, mas eu fiquei a perder, pois nunca mais apareceram presentes no borralho. Já não se justificavam porque eu já sabia,antigamente era assim.

Herodes o cruel...


Era uma vez,lá na Judeia,um rei.
Feio bicho,de resto:
Uma cara de burro sem cabresto
E duas grandes tranças.
A gente olhava,reparava e via
Que naquela figura não havia
Olhos de quem gosta de crianças.
E, na verdade, assim acontecia.
Porque um dia,
O malvado,
Só por ter o poder de quem é rei
Por não ter coração,
Sem mais nem menos,
Mandou matar quantos eram pequenos
Nas cidades e aldeias da nação.
Mas, por acaso ou milagre,aconteceu
Que,num burrinho pela areia fora,
Fugiu
Daquelas mãos de sangue um pequenito
Que o vivo sol da vida acarinhou;
E bastou
Esse palmo de sonho
Para encher este mundo de alegria;
Para crescer,ser Deus;
E meter no inferno o tal das tranças,
Só porque ele não gostava de crianças.

(Miguel Torga)