quinta-feira, 14 de maio de 2015

Consegui...

Caros visitantes, eu tenho de vos apresentar desculpas, porque desapareci sem aviso - mas não fui para longe, eu nem daqui saí. Mas tenho andado atarefada com um trabalho; eu vou contar.
- Mas antes - conhecem alguém que tenha uma renda para colocar num lençól há cinquenta anos? E alinhavada no mesmo há mais de vinte anos? Pois esse alguém sou eu. Facto muito estranho passado comigo, tendo em conta eu ter sido uma profissional desta arte.
Mas assim aconteceu, e de há uns tempos para cá passei a preocupar-me, porque a renda é obra da minha mãe, e eu não queria que fosse parar ao rol das inutilidades. Ainda pensei procurar uma bordadora, mas acabei por tentar a minha habilidade de outrora.
-Foi com emoção que me sentei à máquina (para bordar) minha companheira de tantos anos, e tantos êxitos, e também ela parada desde há muito, no descanso duma reforma bem merecida.
Como sói dizer-se comecei pelo principio: - coloquei o bastidor num bocado de pano e experimentei fazer uns riscos de cordonett. O resultado foi péssimo, parecia o trabalho duma principiante.
-Tudo tem um fim, disse para mim própria, já não sou capaz, tenho de desistir. E desanimada, chorei chorei, até as lágrimas secarem.
Depois, tristemente, olhei de novo o bastidor, e voltei a tentar... Fui bordando mais riscos, a êsmo e sem esperança, mas a certa altura reparei que estava a aparecer mais perfeito. Então animei-me e pensei - bordar o lençol como estava previsto, isso nem pensar, mas pregar a renda eu vou conseguir, tenho é de treinar um pouco mais. E assim aconteceu.
Exigente como sou, gostaria que tivesse ficado mais perfeito, mas não me foi possível.
Contudo dá para passar "sem distinção..."
Como este é um trabalho fora de época, e será o ultimo, fotografei, e vou colocar aqui.




11 comentários:

Ivone disse...

Amiga Dilita, amei ver isso por aqui, eu também adorava costurar, bordar nunca tentei, mas costurar ,ah, costurei e muito bem, hoje não sei se também terei a habilidade de outrora, mas a saudade e o desafio sempre vale né mesmo?
Requer uma paciência extra, coisa que eu mesma já constatei, não tenho mais, mas você minha amiga, se saiu muito bem, ficou lindo!
Abraços apertados!

jair machado rodrigues disse...

Minha parente Dilita, minha amiga querida, quando comecei a ler não pude evitar de lembrar da fábula, ainda mais quando me falaste em anos, da fábula da princesa que fazia a renda de dia e desmanchava de noite rs...divaguei, mas logo percebi que é mais um laço inquebrável de família, gosto de quanto valorizas estes pactos,estes laços e abraços naturais de família. Renda é um trabalho delicado e rricamente belo,com detalhes que podem parecer impossível de fazer,ou seja, renda é linda. Decerta forma metafórica completas uma cadeia,uma corrente que estava inclompleta, algo se concluiu, apartir de então algo novo surgira o u algo que esperava dcescansou, ainda divagando rs. A renda fez birra, mas tu conheces bem renda de birras,concluindo um lindo trabalho. Sempre bom estar aqui contigo minha amiga.
ps. Carinho respeito e abraço.

Élys disse...

Insististes e conseguiste fazer um belo trabalho.
Um abraço, Élys

Mona Lisa disse...

A renda é belíssima. Uma Relíquia.

Tenho lençóis do meu enxoval com rendas e não os uso. Estão na minha arca!

Beijinhos.

Nouredini.'. Heide Oliveira disse...

Parabéns,
Parabéns por persistir e por nos ensinar com seu exemplo a perseguir nossos Objetivos.
Se já não bordas, o que eu particularmente duvido (risos), costuras e bem.
Você arrematou com o coração as lembranças da sua mãe e deixou um legado para geração atual e futura.
Estás muito melhor que eu. antes era uma formosa sem dotes e hoje já nem formosa sou!!
Beijos ornados por vossa renda

Nouredini.'. Heide Oliveira disse...

Querida,
tem cafeebolinho para vc, passe lá!

Viviana disse...

Querida Dilita

Surpresa sobre surpresa, amiga.
Este blogue é mesmo assim.
Nunca sabemos qual vai ser a próxima façanha da Dilita.
Sabe que a admiro?
Acho uma riqueza ser assim.

Ah! mas a renda é linda de verdade!
E está tão perfeitinha...
Ficou lindo e valioso esses seu lençol.
Sabe que fiz muitas rendas, incluindo para lençóis.
Muitos entremeios...
Bordei també. Fiz muito ajour:
Creio que não é assim que se escreve.

Estou a pensar repartir pelas netas e netos, estas coisas que considero de valor pessoal.
Já comecei a embalar.

Desculpe lá a conversa longa, mas entusiasmei-me com o seu feito.
Um abraço
Viviana

CÉU disse...

Olá, Dilita!

Encontrei as suas palavras no blogue do Manuel, aquele amigo k conta histórias fantásticas, "Na Volta do Tempo" e onde quer k ele esteja, e, dizia eu, resolvi vir espreitar o seu blogue e ler alguns textos seus, giríssimos e escritos com mta naturalidade e originalidade.

Este está o máximo, e mostra bem o seu interior e o apego ao passado familiar. Parabéns! Gosto de gente, assim.

Eu não sei fazer nada de costura, nem rendas, nem tricô, enfim, os estudos ocuparam-me o tempo, mas, graças a Deus e à minha mãe sei mto bem tratar de uma casa.

Diz k não está um trabalho perfeito, bem, eu acho k está mais k perfeito, e isto visto em fotografia. Sei, pke li aqui k foi modista (gosto tanto deste termo) e vocês eram umas senhoras, com "S" maiúsculo. A minha mãe, também, teve uma, k fazia os meus vestidos, qdo era criança, e a roupa dela. Depois, começou-se a usar o pronto a vestir, e ela, coitada, meteu-se em casa, apanhou uma depressão e nunca mais costurou.

Gostei mto de cá passar e desejo-lhe um bom fim de semana.

Beijinhos.

zito azevedo disse...

Sobre o asssunto, creio que já terei dido quanto baste, no Blog da nossa Nouredini...Venho aqui para lhe agradecer o amável comentário que deixou no Arrozcatum...Na realidade a memória de minha mãe é uma presença constante e, como sobreviveu a meu pai, acabou por ver acumulado nela o carinho que eu nutria pelo meu "velho", um lutador, com uma habilidade manual incrivel...De feitio um tanto arrevezado foi, no entanto, um pai justo e sempre presente na vida dos dois filhos, coisa que, pelos vistos, está caíndo em desuso...
Obrigado, tambem, por me ter dado este ensejo de recordar os meus queridos progenitores...Bem haja!

Manuel disse...

É lindo e reconfortante saber que é obra sua.
Que sabe nunca esquece.
Sem perceber nada do assunto mas, pelo que vejo, está muito bem.
Parabéns!

Clara Fernandes disse...

Retomar trabalhos antigos é difícil pelo tempo e pela carga de memórias que trazem.
o que se deixa pendurado traz energia estagnada que não condiz com uma boa vida, por isso foi ótimo pegar e concluir!
Parabéns pela determinação!
Parabéns pelo resultado!
Claro, já conheço o perfecionismo...mesmo que esteja perfeito, nunca está !!!

hihihihi!

Há um tom de despedida que trai a força com que o trabalho foi feito; contudo , essas despedidas fazem parte de novos recomeços: para que algo comece , algo acaba. E assim, custou-me menos essa "despedida". :)
bjinho