sábado, 9 de abril de 2016

Esqueceram-se do Poeta

Caros visitantes,

Quero deixar desculpas pela minha ausência, não é demasiada é certo, mas um constante adiar tem-me deixado calada mais tempo do que é habitual. Os vírus deram comigo, e tem sido difícil irradicá-los. Mas, como diz a canção "a tempestade há-de passar..."

Sem procurar muito, encontrei um blog da região de Viana do Castelo, mais própriamente de Afife.
Afife, Cabanas, nomes ligados ao Poeta Pedro homem de Melo, que nos deixou há 32 anos. Tanto tempo que já passou... Parece que ainda o estou a ver na TV, e a ouvi-lo declamar com a sua voz forte os lindos versos da sua autoria, ou a falar do folclore e da gente humilde, do povo que ele tanto valorizava.
Nascido no Porto, de ascendência fidalga, iniciou os estudos em Coimbra, continuando depois em Lisboa onde concluiu o curso de Direito, e posteriormente desempenhou vários cargos públicos.
O seu currículo é rico, mas não vou aqui reproduzi-lo, apenas e só, por ser demasiado extenso. E de resto porque é conhecido da maioria dos portugueses.
Estou a escrever porque li no tal blog de Afife, noticias que me deixaram um tanto penalizada.
E porquê ? Pelo que encontrei escrito.

Diz assim o bloguista :-

«Hoje o poeta está esquecido, Cabanas já não é mais o local de inspiração dos poetas, nem tão pouco o terreiro que servia para se dançar o folclore a 6 de Setembro, não tem hoje qualquer significado...
Agora é só lembranças de alguns, e que se vão perdendo conforme as pessoas vão desaparecendo, levando consigo muitas das histórias vividas em Cabanas e do Poeta.»
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Como é possível, murmurei para mim própria...
É simplesmente triste, que no nosso País se votem ao esquecimento homens que foram grandes no seu saber, como é o caso deste Poeta e grande folclorista, que marcou uma época com a sua extraordinária versatilidade. Mas não é só triste, é injusto, é falta de respeito, é ignorância em relação ao belo, às letras, à poesia, aos cantares do povo... Ao que é nosso, e de que actualmente já nem se fala.

Pedro Homem de Melo nasceu no Porto, mas passou grande parte da sua vida em Afife, na localidade de Cabanas, local inspirador para a sua poesia.

A entrada da antiga mata de Cabanas, onde se encontram os poemas de Pedro Homem de Melo, "Eternidade e Ascenção" datados de 1939.


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Estas fotos foram feitas há seis anos - já então era notória a degradação dos muros que outrora receberam os azulejos...
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Pedro da Cunha Pimentel Homem de Melo, faleceu com 74 anos na cidade do Porto, mas por vontade expressa repousa em campa rasa no cemitério de Afife. Ali se encontram há entrada, algumas das suas poesias.

Obviamente destaco esta, "ULTIMAS VONTADES"


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Posteriormente, na data do centenário do seu nascimento, foi-lhe prestada merecida homenagem, póstuma.

E depois, veio o silêncio, e o esquecimento...
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Quero dizer que só me foi possível fazer este post, indo buscar elementos e fotografias ao
Afife Digit@l Jornal on-line de Afife.
E caso alguém se sinta desagradado, agradeço me informe, que apagarei de imediato.

9 comentários:

Graça Sampaio disse...

«Não choreis nunca os mortos esquecidos
Na funda escuridão das sepulturas.
Deixai crescer, à solta, as ervas duras
Sobre os seus corpos vãos adormecidos.

E quando, à tarde, o Sol, entre brasidos,
Agonizar... guardai, longe, as doçuras
Das vossas orações, calmas e puras,
Para os que vivem, nudos e vencidos.

Lembrai-vos dos aflitos, dos cativos,
Da multidão sem fim dos que são vivos,
Dos tristes que não podem esquecer.

E, ao meditar, então, na paz da Morte,
Vereis, talvez, como é suave a sorte
Daqueles que deixaram de sofrer.»

Neste país apenas se dá importância a Dom Dinheiro, tudo o resto, o que é belo, o que é arte, é para esquecer e deixar em ruínas...

Que tristeza!!

Ivone disse...

Querida amiga Dilita, como disse a Graça Sampaio, aqui no Brasil também não é diferente, " o Dom Dinheiro" é o que dita as ordens, infelizmente!
Amei sua bela postagem e espero que já estejas bem e de saúde recuperada!
Abraços bem apertados!

Nouredini.'. Heide Oliveira disse...

Sempre a ter cuidados e a fazer reparos com os esquecidos.
Sua alma bela e singela ilumina meu dia!

Mariangela do lago vieira disse...

Oi Didita, estou vindo conhecer seu blog, e estou encantada!
É muito Interessante!
Mas infelizmente, em todos os lugares é assim!
Um jogo de interesses enorme!
Obrigada por me seguir!
Abraços!
Mariangela

Anónimo disse...

Olá Dilita

Muito bonito este post, como bonita é a sua dedicação aos Artistas, e às Artes.
"Esqueceram-se do Poeta..." E como não havia de ser assim? Esquecem os amigos, os familiares próximos, até esquecem os pais a quem apelidam de os velhos.

Arte, para que serve? Só o futebol está na "berlinda" isso é que arrasta multidões de portugueses, e ocupa as conversas durante a semana.

Futebol, e casos de corrupção escandalosa, em que os protagonistas envolvidos nela, eram considerados pessoas dignas (puro engano) preenchem os noticiários e a imprensa escrita. Arte,conhecimento geral,para quê? Isso não faz adrenalina.

Agradeço a persistência com que recorda quem tanto o merece.
Um abraço.
Luís Manuel Valente de Brito

Jaime Portela disse...

Conheço muito bem Afife e a obra do grande poeta Pedro Homem de Melo. Sou de bem perto de Afife, de resto, mas não sabia que estava tudo tão degradado. Mas talvez a Câmara Municipal pegue no assunto depois desta chamada de atenção.
Boa semana, querida amiga Dilita.
Beijo.

Zilani Célia disse...

OI DILITA!
COMO PODERIA ALGUÉM DESAGRADAR-SE DE CONHECER TÃO BELA HISTÓRIA ?
O BOM É QUE O POETA É COMO SUAS OBRAS, ETERNO.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

jair machado rodrigues disse...

Minha querida amiga Dilita, minha parente portuguesa, conheço bem este esquecimento do belo, do bom, vivo num país sem memória, como dizem, infelizmente. Conheci este poeta aqui em teu blog, e é de muito valor, encontrei alguns poemas na internet e gostei muito. Um post necessário. As fotos da entrada em pedras, com os poemas do poeta cravados ali, é muito lindo. Saudade amiga Dilita, e rezo e espero que fiques bem.
ps. Carinho respeito e abraço

Rosa disse...

É triste mesmo ver assim um grande poeta ser esquecido... Sinal destes nossos tempos onde tudo é fast, onde se quer comer rápido, se quer assistir o filme em pouco mais de uma hora ao invés de levar alguns dias lendo o livro... Mas eu acredito que isso passa e que os bons escritos ficam pacientemente esperando quem os descubra e leia, mais dia, menos dia. Beijos.