quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Recordar Guerra Junqueiro

Hoje dei uma espreitadela aos meus poetas de eleição. Eu gosto muito do Guerra Junqueiro. Actualmente não se fala nele, mas a sua obra existe e é valorosa. Todos sabemos que durante a sua vida foi criticado e prejudicado, fruto das suas convicções anticlericais, que manifestava abertamente na sua obra poética. Também não era crente, confessava-se ateu, e sem fé viveu quase até ao fim dos seus dias. E digo quase, porque diz-se que à beira da morte ele se reconciliou com Deus...

Transcrevo um pouco da sua poesia.

Aos crentes

Ó crentes,como vós no íntimo do peito,
Abrigo a mesma crença e guardo o mesmo ideal.
O horizonte é infinito e o olhar humano é estreito:
Creio que Deus é eterno e a alma é imortal.

Toda a alma é clarão e todo o corpo é lama.
Quando a lama apodrece inda o clarão cintila:
Tirai o corpo - e fica uma língua de chama...
Tirai a alma - e resta um fragmento de argila.

A crença é como o luar que nas trevas flutua;
A razão é do céu o explêndido farol:
Para a noite da morte é que Deus deu a lua...
Para o dia da vida é que Deus fez o sol.

(Guerra Junqueiro)

Bonito, sem dúvida...
Não termina aqui esta “alusão aos crentes”, porém eu limitei; e pelo mal que fiz, peço perdão ao Poeta...

4 comentários:

Marco Rodriguéz disse...

Gostei do texto..
Muito bom...

dilita disse...

Agradecida Marco,
pela visita e apreciação.

Anónimo disse...

outro poeta que lutou entre a fé e descrença, ficando-se por esta foi Miguel Torga...um estilo muito diverso deste, épocas diferentes, diferentes orientações estilístico-literárias,mas o mesmo dissídio: Céu/Terra...

A solução poderá ser entender que em cada pedaço de terra há vida e energia, e , em certa medida, alma...ontem vi um pedaço de um video sobre exoterismo que dizia que se pode ter espiritualidade sem religiosidade..era um bom caminho...que me atrevo a subscrever...

dilita disse...

Gostei do seu comentário.Volte sempre.
Obrigada. Porque prefere o anónimato?