sexta-feira, 5 de julho de 2013

Ainda as Piteiras

Tinha chuvido muito nos dias anteriores, e à volta da "minha" urbanização, as árvores, arbustos e relvados estavam saudáveis, viçosos, e cada verde mais bonito como que rivalizando entre si. Eu saí para as compras semanais, e se por vezes usufruo da ajuda do meu marido, noutras prefiro bastar-me a mim própria sem ter de observar horários a contento de ambos. É muito perto da nossa casa e com tempo ameno até serve como passeio. Levei o meu carrito, (das compras, não confundir...) e lá fui calmamente. Não desci para a rua, segui no parquinho paralelo aos edificios, e reparei naquelas verduras, e numas piteiras, eu acho que até são piteiras bravas. Parei, e disse para mim própria: tenho aqui passádo tantas vezes,e só hoje reparo; como cresceram!... Foi já há uns anos atrás que um vizinho, um sr. já reformado, tratou de as colocar de forma um tanto simétrica. Retomei o meu caminho, mas não afastei as lembranças; o sr. em questão, não era nada simpático, a esposa era professora reformada, e doente, mas recebia de modo alegre os cumprimentos normais, aquele bom dia há moda antiga, de que eu ainda não me esqueci, mas ele não, nem dava oportunidade para tal. Mas no dia em que ele cultivou as piteiras, eu passei, e reparei que havia mais em cima dum mólho de ervas prontas a ir para o lixo. Eram pequenas, com tres folhas se tanto; aproximei-me, e pedi-lhe se me vendia duas, que seriam para colocar em dois vasos de pedra na rua, ao lado da porta de entrada do salão de cabeleireiro que nessa altura tinhamos na nossa terra, Montemor-o- Velho. O sr. foi muito solicito, até desvalorisou o produto dizendo que iam para o lixo; escolheu as melhores que eu trouxe agradecida. Suponho que foi a unica vez que lhe ouvi a voz. Eles não tinham ainda muita idade, no entanto, ambos já deixaram o nosso mundo.
Quando voltei das compras, parei no mesmo local, mas para descançar um pouco,e
de novo o mesmo assunto me absorveu, de tal modo que nem reparei que alguém se aproximava. Uma senhora ainda nova caminhava no meu sentido,e sorridente, parou perto de mim,parecia que me vinha perguntar algo, mas não. Eu ainda influenciada pelos meus pensamentos disse-lhe à guiza de estar ali parada; - o sr. que vivia nesta casa, e apontei para cima, colocou estas plantas aqui há poucos anos, esta já está mais alta do que ele era... como ele gostaria de as ver, mas já partiu... A Natureza é eterna, mas o homem vive pouco.

Ela respondeu- me sempre a sorrir - olhe, esse sr., está agora a comunicar consigo do Céu! Eu não sube como confirmar ou negar, e por isso fiquei calada.

Ela disse adeus, e retrocedeu (voltou para trás...) 

E eu segui para casa, a perguntar-me se aquilo tinha sido verdade, ou se tinha sonhado....


(uns dias depois fiz a fotografia, mas o sol já tinha mostrado a força do seu demasiado calor)

2 comentários:

zito azevedo disse...

Ora aí está uma planta que às vezes se confunde com a Babosa, ou Aloe-Vera...De qualquer forma, tanto uma como a outra produzem rezinas muito usadas para curar feridas e até o pé-de-atleta...No México, fazem açucar, licor e uma espécid de vinho com o suco das folhas da piteira...É uma planta bem mais valiosa do que parece!
ABRAÇO com grão na asa,
Zito

dilita disse...

Grata pela visita.
Não são muito valorizadas é certo,e deviam ser. Lembro-me dumas que existiam na beira duma estrada camarária na minha terra, que davam uns figos extremamente doces... Não sei se ainda por lá haverá alguma... alargaram a estrada...
Um abraço, e volte sempre.