domingo, 4 de maio de 2014

O aluguer...

De há uns anos para cá o primeiro Domingo de Maio passou a ser o dia da Mãe. Os mais novos desconhecem, mas dantes era no dia oito de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, havia festa na Igreja dedicada à Mãe de Jesus, e também a todas as mães sem excepção. Posteriormente, entenderam separar, criar outra data para as mães normais, isto é sem santidade canónica.
Não estou a escrever com o intuito de censurar esta mudança, nada disso, mas não aprecio que tenha de haver um dia especifico para cumprir deveres, ou devoções, quando o ano tem trezentos e sessenta e cinco dias, e ainda mais um, quando é bissexto. Afinal ser-se amigo num só dia, é muito pouco... cheira a obrigação, e isso é triste.
Mas mais triste, é muita coisa que actualmente nos chega através dos meios da Comunicação Social: - Não percebi, se está já aprovado, ou se ainda carece de algo para o ser, uma lei que vai permitir que qualquer pessoa se preste a fabricar um filho por encomenda. Assim o casal fornece "os materiais" e esta pessoa dá (vende) a mão d'obra... Já há nome; "barriga de aluguer." Perdoem, mas eu permito-me dizer, a que estado isto chegou... Decerto que me dirão que a ciência é imparável.
(Mas, não é a maternidade um acto de amor, o amor dum casal vivendo dia a dia as transformações que se operam, os receios, as esperanças, uma espera a dois tão íntima e ansiosa, que só termina na alegria maior do momento do nascimento.)
Barriga de aluguer, que nome feio, e triste! O Ser humano a alugar partes de si próprio... Não sou capaz de entender.
Depois, quem é a mãe?
E mais não digo. Daqui a algum tempo, se ainda se celebrar o dia da mãe, alguém poderá perguntar; -Dia de qual mãe? Da mãe de familia ou da mãe de aluguer?...  

3 comentários:

Nouredini.'. Heide Oliveira disse...

Em verdade, no segundo domingo de maio.
Reivindico, dado o trabalho e dedicação, uma lembrança no dia de todas as Santas.
Abraços

Ivone disse...

Bom post, reflexivo e polêmico!
Mas também fico a pensar se isso dá ou não certo, pois a mãe que "aluga" a barriga pode se sentir com os instintos maternais aflorados, aí é que começa o problema?!
Abraços linda amiga!

zito azevedo disse...

Dia disto, dia daquilo e mais do dia de aqueloutro...Minha amiga, tudo isto são invenções da chamada "sociedade de consumo" pois as pessoas acabam por se sentir obrigadas a comprar prendas para o pai, para a mãe, para os avós...Enfim, como se costuma dizer, Natal deveria ser todos os dias!
Feliz Dia da Sardinha Assada!
Abraços,
Zito