sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Frade e a sopa da pedra



Naquela terça feira de sol radioso, projetámos sair após as treze horas. Iamos para o Algarve, mas passariamos a noite em Grândola, à qual o José Afonso chamou de Vila Morena. Mas o programa foi alterado, e só partimos com o bater das dezassete horas, facto que não nos encomodou nada de nada. A viagem foi decorrendo com normalidade e até agradável, e quando o sol começou a perder cor, desistimos de Grândola que estava ainda distante e decidimo-nos por Almeirim, terra de cavalos e toiros ali no coração do Ribatejo. Eu não sou aficionada e até sou contra as touradas, contudo gosto muito de Almeirim, até gostava de lá viver,é uma cidade onde voltamos sempre com agrado.Áh, e também gosto dos tão referenciados melões de Almeirim.E também da sopa da pedra. Foi aliás o que escolhemos para jantar.
Eu também a confeciono e bem, (modéstia à parte, porque ser humilde em excesso sôa a falso) mas sentar-me e ela aparecer ali na mesa a fumegar, bem perfumada, pronta a cair no meu prato, é facto que não me ofende.
A cidade reclama para si a origem da sopa, mas toda aquela zona Ribatejana faz igual, não sei quem tem razão. No entanto aqui num local apropriado, lá está perpétuado no bronze o Frade que pela primeira vez com a sua astúcia conseguiu cosinhar sopa duma pedra.
Só para quem não conhece (e poucos são) eu vou contar a história, se for capaz.

Era uma vez...

Um frade que vinha peregrinando de longa caminhada, e sentiu fome. Estava frente a um portão que indiciava casa de lavrador. Entrou no páteo e pediu ao casal que o recebeu se o deixava dormir no palheiro,pois estava exausto. Condoídos logo concordaram. Ele cheio de modéstia agradeceu, mas disse que vinha com fome, e que com premissão deles, ele próprio cosinhava uma sopinha, só precisava duma panela com água e lume. Com pena do frade, logo o mandaram entrar e sentar à beira da lareira onde a lenha crepitava. Deram-lhe a panela de ferro com a água, que ele logo pôs ao lume.De dentro do hábito escuro e grosso que vestia, tirou uma pedra que colocou dentro da panela. A água entretanto começou a ferver, e a dona da casa fez perguntas; - então a pedra dá bom gosto? - Dá sim, é muito bom sopa da pedra, disse ele; mas sabe, isto precisava dum pouco de feijão de côr e um bocadinho de toucinho, uma orelha... Ela foi logo buscar.Daí a pouco a fervura cheirava bem, e ela elogiou.Ele sorriu agradado, finório, e acrescentou; ainda falta, se tivesse um chouriço, e umas batatinhas...E assim aos poucos o frade conseguiu todos os ingredientes necessários para a sopa, que é de tudo menos da pedra, porque essa não dá gosto.

Actualmente a famosa sopa da pedra, é perfumada com raminhos de coentros, e temperos ao critério do cosinheiro, e no fundo da terrina lá encontrâmos a famosa pedra, a origem do nome da sopa.
    

4 comentários:

Lilasesazuis disse...

Dilita, adorei a foto!!

Vê-se o hematoma ainda no seu joelho!!

Nossa, eu não sabia que essa história era portuguesa!!!

Eu a li várias vezes para meus aluninhos, quando lecionava!!

Amei saber que existe mesmo a região onde o esperto frade fez sua sopa Almeirim, ...puxa!!!

E tem até uma estátua com caldeirão representando o frade!!!Legal mesmo!!!

Adoraria tomar a sopa e guardar minha pedra como lembrança...rsrsrr...
( quem sabe um dia!!!!)

Leila virá nos visitar no domingo, vou ler seu post para mamys e para ela...gostarão, tenho certeza!!!

Querida, fique com Deus, estimo que melhores logo!!

Tenha um lindo final de semana!!

beijinhos,

Lígia e família ✿⊱╮

manuel marques Arroz disse...

é sempre um enorme prazer passar por aqui.

Abraço.

dilita disse...

Amiga Ligia

Quando vier a Portugal,pode visitar a região do Ribatejo porque é plana e muito bonita, mas para comer a sopa da pedra, vem a minha casa, fica já combinado, e se direito a recusa.
Abraço.

dilita disse...


Senhor Marques

Agradecida pela gentileza das suas afirmações.
Dilita