segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Vinho Salazar

Na passada semana surgiu na imprensa um assunto que desta vez não tinha nada a ver com a crise, nem com os actuais politicos; coisa rara permitam-me que assim diga, porque nós de tão obsecados que estamos com a má situação do País, só pensamos nisso, incluindo os que leem e os que escrevem, de modo que os jornais pouco diferem até de dia para dia, mais forte ou mais leve, o assunto já se adivinha.
Mas este facto era novinho em folha. Foi o caso de alguém de Santa Comba Dão,
parece-me até que foi um membro da Autarquia, que deu a conhecer um produto para venda, ali produzido, nomeadamente um vinho de qualidade e rotulado com o nome de Salazar. "Caiu o Carmo e a Trindade com tal decisão..." As rádios falaram, a TV, os jornais; oh, foi um assunto e peras, para atordoar o Zé Povinho. Foram apontados perigos e coisas más que poderiam suceder, e por isso nada de Salazar, mas parece-me que o vinho não foi proibido, foi só o rótulo! Mas que eu saiba um rótulo não chega para etilizar ninguém, nem para fazer bulha... já o vinho, bem, a gente já viu como é, mas adiante.
Percebe-se fácilmente, que é opinião politica em ação.
Eu cresci ao lado dum pai republicano, (democrata dos antigos) que infelismente já não viu o 25 de abril, mas foi junto á sua campa coberta de cravos vermelhos que foram homenageados os democratas de Montemor-o-Velho. Escusado será dizer que ele detestava o Ditador, e eu sofri alguma influencia no mesmo sentido. Embora de modo mais brando (devido até à minha idade e condição feminina) mas também não simpatizava com um homem que permitia e mandava fazer crimes ( o ultimo foi a morte do general Umberto Delgado.) Com a revolução dos cravos vieram a publico todas, ou quase todas, as desgraças consentidas por aquele Sr. de voz melíflua ouvida nos seus discursos longos de palavras intermitentes; era cristão praticante, mas cuja doutrina não praticava, pois piedade era sentimento que não usava.
Era vaidoso, e era bajulado. Tinha estátuas e bustos por todo o lado. Praças e ruas com o seu nome, e a ponte sobre o Tejo em Lisboa era também ponte Salazar.
Morreu, e posteriormente caiu a Ditadura. Instalou-se a Democracia, e logo após deram cabo das estátuas,(obras de arte) apagaram o nome das ruas e da ponte de Lisboa, a qual passou a chamar-se Ponte 25 de Abril, uma obra inaugurada em1966, e que nada tinha a ver com a revolução de 1974.
Nesta ordem de ideias também não deveriam ter erigido uma estátua ao Marquês de Pombal, mas isso são outras histórias, mais antigas...
Eu escrevi isto tudo porque não encontro razão para a exclusão da marca do vinho, acho que ninguém se estaria a aproveitar como meio de publicidade fácil. - Dirão estes actuais pensadores tão cheios de patriotismo, "tão limpos", que seria uma forma de relembrar Salazar. E porque não? Só se pode recordar os Santos? Então e os Ditadores? - Dá ideia que querem passar uma borracha e apagar da história de Portugal o nome do Ditador Salazar. Não podem, ele ficará eternamente. Como de igual modo ficará para a posteridade a história do seu percurso politico, brilhante no inicio, depois os seus erros, as suas teimosias, as suas vinganças, as suas maldades, os seus crimes... E a Ditadura, quase interminável.

9 comentários:

manuel marques Arroz disse...

Pela parte que me toca este senhor está enterrado.

Abraço.

dilita disse...

Olá Sr. Marques.
Grata pela visita e comentário.
Concordo, o homem está morto e enterrado.É um facto.
Mas a história está sempre viva, e se encarrega de não apagar o passado. Antes o transmite de geração em geração, o bom e o mau.
Assim chegou aos nossos dias a vida de D. Afonso Henriques... e não só.
Abraço, e volte sempre.
Dilita.

Toca do trico e croche disse...

Dilita,
adorei seu blog...acredite !!!
É um imenso prazer passar a te seguir...
Abraços de longe !

Sonia Faria

Lilasesazuis disse...

Dilita, querida...

Vejo pela sua narração que política boa e má, acontece em toda parte. Aqui no Brasil, não é diferente...a ganância pelo poder, prevalecem!!

Gosto de ler seus textos sobre política, pois demonstram todo amor e preocupação que você tem pela sua terra e sua gente.

Amiga querida, vou agora tira fotinhos dos meus lindos presentes!! Iupiiii!!!

Você é um amorr!!!

Tenha um lindo dia,

beijinhos,

Lígia, e família
♥ˆ◡ˆ♥

dilita disse...

Para Toca do Rio.
Olá Sónia!
Obrigada por sua visita e palavras simpáticas.
Surpreza agradável mais uma seguidora do Brasil.
Beijinho de igual distância!
Dilita

dilita disse...

Olá amiga especial!

Eu nem sei como agradecer, fico parada com tantos elogios! Será que vou aprender a ser vaidosa?
Agora?

Beijinho, e obrigada.

dilita disse...

Este ultimo agradecimento é para a Ligia. Desculpas por omitir o nome.
(distração apenas.)

Graça Sampaio disse...

Que nojo! Não entendo como há tanta gente a lembrar esse homem que tanto mal fez ao nosso povo e ao nosso país!

dilita disse...

Olá Graça Sampaio!

Pelo contrário. Para mim esses males não devem nunca ser esquecidos,e deve ser apontado quem os ordenou; neste caso o Ditador. Acha que a terra tudo cobre? Não, a história não cala.

E é bom que assim seja.