domingo, 6 de abril de 2014

Gato por lebre...

Ainda não me esqueci devidamente da hora de inverno. E como o tempo tem continuado chuvoso, nunca acordo a horas certas. Hoje foi igual, estava escuro, e eu sem vontade nenhuma de sair da cama. Fez-se tarde, de modo que adiámos a saída prevista, que além de se desejar agradável, seria  útil, porque iriamos passar numa feira para comprar uns artigos,que ali são mais baratos. Mas é bem verdade que a perguicite não dá resultados práticos; - não fui passear, não fiz as compras ( e terei de as fazer), o dia esteve bonito cheio de sol, e eu em casa. Em casa e a fazer o almôço. Aqui está no que dá ser mandriôna...
Bem, mas como nada disto me aborrece, tudo bem.
Quando estou na cozinha ligo o rádio, sou fã da antena 1. Assim fiz hoje; eu gosto de ouvir falar. Então ouvi, e ouvi com muita atenção, direi mesmo que ouvi e até respondi para mim própria, porque já me estava a assaltar uma certa indignação.
O tema era sobre o 25 de Abril que vai festejar 40 anos. Eu não consegui guardar os nomes dos entrevistados, mas o que garanto é que eram pessoas de categoria, e a exercerem trabalho no actual momento. O entrevistador pediu a comparação entre o antes do 25 de Abril e o agora... se o País e os Portugueses estão melhor?
O entrevistado principal foi pródigo em apontar só maravilhas. Quem tal ouvisse e não soubesse a verdade,desejaria ser português e aqui residente... Na afirmação dele, dantes é que não havia nada, e pormenorisou; que as mães não tinham água potável para ferver os biberons, e as crianças morriam. Também os nascimentos eram em casa e sem higiene. E que não havia hospitais... Não se vacinavam as crianças contra o tétano e a varíola... Eu páro por aqui, mas o rol de afirmações entre o mal antigo e o belo actual, não acabava mais. Valeu a aproximação do sinal horário...

Todos nós sabemos que o 25 de Abril era esperado, e em boa hora aconteceu. Bastava que com esta revolução só se tivesse conseguido acabar com a Guerra Colonial, essa triste desgraça de tantos anos, e também acabar com a Policia Hedionda que se chama Pide, para todos nós aplaudirmos a Revolta dos Cravos.
Agora não me venham com lérias, porque o bom é inimigo do ótimo... Nem dantes era tudo mau, nem agora é tudo bom.
Em 1967, eu fui pelo meu pé para a Maternidade Alfredo da Costa em Lisboa, e ali nasceu a minha primeira filha. Não paguei nem um tostão. Antes já tinha sido acompanhada (eu e mais grávidas) pela médica “da caixa” era assim que lhe chamavam, e sem pagar nada. Depois tive prémio de nascimento, também comparticipação na alimentação da bébé até aos 8 meses, e abono de familia. Era pouco? Era, mas nunca foi suspenso.

Agora quanto ás vacinas; pois se até eu fui vacinada contra a varíola quando tinha um ano, e depois fui vacinada na escola.Eu e todas as crianças. Ia lá o Sr.Dr.António Afonso delegado de saúde em Montemor-o-Velho, médico pago pela Câmara, chamado o médico dos pobres porque não cobrava nada pelas consultas. Ia com um enfermeiro e vacinava as crianças uma a uma. E dava a ordem para irem na data marcada, ao hospital da Vila para as vacinas injetáveis (estavamos no ano de 1946) nestas estava incluida a do tétano. Lembro-me muito bem porque eram muito dolorosas.

Eu acho que sim, em relação aos quarenta anos passados, havia mais que razão para termos melhor sistema de saúde, e mais melhorias em muita coisa. Mas não temos. O que temos, é lérias.... enquanto os doentes aguardam durante dias em macas, nos corredores de  alguns hospitais. E outros morrem à espera duma ambulância. E as grávidas dão à luz na ambulância porque as maternidades próximas da sua residência foram anuladas. E aqui estão as melhorías tão propaladas que eu hoje ouvi.

4 comentários:

Ivone disse...

Minha amiga Dilita, lendo teu depoimento aqui, percebo que não é nada diferente daqui do meu imenso Brasil, moro em um dos melhores lugares de São Paulo, na Capital e tenho visto tantas coisas que me dá até desânimo em esperar melhoras,em todos os setores, politico-socioeconômico, então imagines como é em lugares não tão bons!
Brasil é imenso, fico pensando como pode haver problemas em lugares como aí, Portugal, um País pequeno, que tenho muita curiosidade em conhecer!
Li sobre a "Revolta dos Cravos", aqui faz cinquenta anos do Golpe Militar de 64,cada brasileiro que viveu esse período sabe bem, eu tenho 65 anos, na época tinha 15, era estudante, bem sei como foi difícil!
Amiga, vamos indo vivendo os tempos em que marcaram, com certeza, todas as vidas dos que sofreram e sofrem por maus políticos e governantes!
Abraços, gosto de ler aqui, sempre aprendo algo mais!

dilita disse...

Querida Ivone

Obrigada por seu comentário.
O nosso Portugal é um País pequeno, é bonito, tem bom clima, é atrativo. Mas actualmente a situação é de espera de melhores dias. Já não é no meu tempo que se irá ter estabilidade. Tenho receio pelos mais novos, as crianças de agora o que irão encontrar? A Europa toda está enredada; se fosse só um país?!
Beijinho.

zito azevedo disse...

Tudo, talvez, aconteça oomo no tempo atmosferico: depois das tempestades acontecem as bonanças!
Abraço de serenidae,
Zito

dilita disse...

Tem razão, Zito.

Depois da tempestade vem a bonança, mas ficam à vista os destroços...

Obrigada pela visita.

Abraço.