domingo, 5 de junho de 2011

Papas de linhaça,um petisco?

Acorda cedo como os passarinhos e vem a correr beijar-me as mãos...
Assim dizia João Vilarett,ao declamar umas belas rimas,na sua arte inconfundivel. Foi hà muito tempo,mas os discos ainda são uns bons amigos...
Mas hoje não venho escrever sobre poetas ou poesia, temas que tanto me prendem,venho antes falar duma amiga, mas também eu acordo cedo como os passarinhos,e naquele sossego matinal,vêm-me à mente recordações quase esquecidas de tão guardadas estarem.
Quase parece uma história,eu própria duvidaría,se não fosse a pessoa em causa, para além de amiga, uma senhora duma integridade a toda a prova, e por isso mesmo, é que recordo o episódio. Há muitos anos que caiu em desuso,mas eu ainda recordo que para doenças do foro gripal,eram aplicadas cataplasmas de papas de linhaça.Como toda a gente sabe,a linhaça é a semente do linho,umas pevidesinhas que até têm um aroma agradável,mas que depois de moídas e transformadas em farinha,e posteriormente cosidas com um pouco de água (são as papas) ficam com um cheiro muito desagradável,e um aspecto horroroso.
Com o filho bastante doente, o médico prescreveu as ditas cujas,e a minha amiga a cumprir na integra lá as cozinhava hora a hora. Porém,ela aguardava outro bébé, e não é que começou a cobiçar as papas? Ela gostava do cheiro,o aspecto não a encomodava,queria era comê-las... Só lhe faltava saber se seriam prejudiciais, tóxicas...Quando foi comprar mais farinha,abriu-se com o farmaceutico para o devido esclarecimento. Ele, um sr. já de idade achou imensa graça, e serenou-a; não era um produto higienizado, e tinha alguns efeitos próprios mas nada de perigoso.
Era o que ela queria ouvir! Agora só faltava saber se o sabor correspondia à expectativa por ela criada. Na próxima cosedura tirou um pouco daquela papa acinzentada,feia, e colocou num pratinho; comeu,e sorridente afirmou que era mesmo aquilo que ela supunha,era mesmo muito bom!!!
Assim continuou a deliciar-se "naquela altura", mas não só, pois nunca deixou de apreciar aquele petisco horroroso. Apenas um senão a desgostou,é que havia umas areiasinhas minusculas,e isso sim era um pouco desagradável,mas só isso,nada mais em contrário.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Uma horta no meio da cidade



Agricultura comunitária no centro da cidade do Porto. Tudo é trabalho voluntário, das pessoas, sem qualquer intervenção de instituições.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Monsanto e as suas pedras

Actualmente todas as conversas vão desaguar na crise,nos politicos,na miséria que já grassa no nosso Portugal. Mas eu não quero falar nisso,prefiro voltar a recordar outros tempos. Também não quero fazer comparações,nem afirmar que dantes é que estava tudo bem, porque na realidade também não estava.Mas eu quero é falar de coisas boas. Eu era ainda muito novinha andava na escola, quando ouvi uma alusão a uma pequena localidade mais própriamente uma aldeia, alcandorada numa alta montanha situada na beira baixa.Utilisando a linguagem adequada para um bando de crianças que ela carinhosamente ensinava, a professora contou quase em geito duma estória,o facto acontecido alguns anos atrás dum concurso entre algumas aldeias e que a dita cuja tinha sido a escolhida, recebendo um prémio e um título. O prémio foi um galinho de prata. O título, Aldeia mais portuguesa de Portugal.
Esta aldeia ainda se chama Monsanto.
Eu nunca esqueci esta aula, e muitos anos mais tarde eu perguntava-me, sem ter resposta,o porquê, de ser mais portuguesa... E pensava,um dia vou lá ver! Pensamento positivo é um bem, quando se concretiza, e assim aconteceu.
Num sábado de primavera, pelo meio dia saímos de casa eu e o meu marido com destino a Monsanto. Eu ainda não sei o porquê de tal "rótulo" nem o acho necessário. O que sei é que esta terra (actualmente Vila) é diferente de tudo o que eu conheço, mercê da Natureza que lhe atribuiu pormenores que aproveitados em parte (pelo Homem) a tornaram única.
Socorro-me duma quadra da autoria de Cardoso Marta:

"Nunca se sabe em Monsanto
(Que as águias roçam com a asa)
Se a casa nasce da rocha
Se a rocha nasce da casa"

Assim é realmente,ali reinam as pedras! Por todo o lado gigantescos barrocos (assim lhes chamam) meio enterrados,outros iguais, ou maiores ainda, sobrepostos, equilibrados, alguns partes de casa,outros até casa duma só porta.... Impossível descrever tal grandiosidade ...
Todo o casario da Vila é de granito,e as ruas e ruelas em calçada irregular são igualmente de pedra.
Antiquissima,tem monumentos,entre eles a Torrre de Lucano,aonde brilha uma réplica do galo de prata, e é coroada pelo castelo que encrostado na penedia se ergue a 758 metros de altitude.
Ainda um louvor para a sua gastronomia!
Chegada a noite um sono reparador naquela envolvência de socego,faz bem ao corpo e à alma,é inesquecivel.
Prometemos voltar!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Prato do Sr. Dr.

Hoje ao verificar se havia pó em dois pratos que guardo como se dum tesouro se tratasse, apenas pelo facto de terem pertencido à minha avó, e eu ser conservadora,retornei ao passado e ao meu Montemor. Montemor-o-Velho,que naquela altura era mesmo velhinho,e pobresinho. Sistema de saúde ainda não tinha nascido, havia um hospital e um médico. Era o médico municipal pois a Câmara custeava o seu vencimento. Chamavam ao médico que ocupava este cargo o Médico dos Pobres,pelo facto deles não pagarem consulta,e os menos pobres pagavam uma vez por ano umas medidas de milho. Recordo-me de ele ir com um pseudo-enfermeiro à escola-primária vacinar-nos contra a varíola; nós em fila,aterradas,e ele a falar grosso,mas com bom modo. Ainda o vejo sentado no automóvel pequeno,com a bengala nas mãos,e o Sr José ao lado a conduzir devagarinho,se calhar a alguns 30 km à hora a caminho do hospital onde ia diáriamente. Quando o chamavam das freguesias limítrofes cujo acesso eram caminhos de lama,ele aceitava a oferta dum burro e cavalgava até à casa do doente. Este Senhor embora fosse de boa compleição fisica,cedo perdeu a saúde; algo no coração funcionava mal,e começou a ser-lhe difícil ir a casas na encosta do castelo,e onde tivesse de subir escadas ou ladeiras; também o frio lhe era prejudicial,de modo que alguns doentes passaram a ter uma assistência diminuta.Em terras pequenas os pensamentos voam, e um dia surgiu um médico jovem,saudável e decidido a estabelecer os seus serviços em Montemor. Foi o primeiro médico particular. Chegou cheio de esperança e de ideais, instalou radioscopia (que era novidade),e logo que teve o seu consultório pronto,foi cumprimentar o Colega veterano como mandam os preceitos de boa vizinhança. Este como cavalheiro que era, recebeu-o bem e apreciou o gesto,mas à despedida não deixou de mostrar um pouquinho de azedume encoberto,ao dizer que não lhe augurava um futuro promissor em Montemor.O outro não ligou à profecia,despediu-se alegre como chegou, e daí a alguns dias iniciou o seu trabalho,e em boa hora o fez.Há um tempo para tudo, e o novo Dr.estava no auge,de tal modo que não tardou que a inimizade se instalásse entre os dois. Ali não eram os lucros que imperavam,era o amor próprio do "velho" Dr. que não aceitava o facto de ser ultrapassado.
Estava a Vila em festa em Setembro por ocasião da feira-anual, e numa das noites em que actuavam ranchos folclóricos,e havia baile e muita gente estava a assistir,procedeu-se a um leilão de ofertas; e chegou a vez de leiloar um prato que nem era bonito,mas era antigo (genuino) . Oferta do Sr. Dr. (mais velho), que apreciador de arte e objectos antigos os adquiria a qualquer preço. Assim ofereceu este para a festa, mas com o intuito de o comprar e de novo o guardar. Só que o novo Dr. quis arreliá-lo,e vai de licitar. Foi hilariante! Um e outro alternando, subiram o valor do prato para uma soma enorme,uma exorbitância mesmo! Até onde chegou a guerrilha, e à vista de todos... E o novo Dr.conseguiu a arrelia completa,pois foi ele que levou o prato para casa!

domingo, 8 de maio de 2011

As Catedrais do descontentamento

Eu também gosto muito de fotografia. Não ando pelas ruas feita turista de máquina na mão, longe vai o tempo em que aos Domingos eu, não como turista, mas como aprendiz de fotografia amadora, calcorreava as ruelas do centro histórico e do castelo do meu Montemor,com o meu pai, que me indicava o melhor ângulo para fixar alguns pormenores em fotografias a preto e branco. Ainda menina pequena tive a minha primeira máquina,um caixotito quadrado que eu adorava, e do qual mais tarde tive muita pena quando da troca por outra de melhor qualidade. Uns anitos depois a nova aquisição que já não me afectou, pelo contrário fiquei contente,esta fazia fotos maiores e com melhor nitidez,e eu também já tinha outro modo de pensar, dando valor ao que era melhor.
Tudo isto ficou há muito para trás,restam as fotografias, a recordação desse tempo e as máquinas, agora velharias, que para mim são relíquias que guardo com estima.
Hoje ao vir aqui ver o correio encontrei um anexo com fotos extraordinárias. Este anexo foi o responsável pelas minhas "viagens ao passado". Mas retomando o assunto, trata-se de fotografias de Catedrais grandiosas ,lindíssimas,magníficas obras de arquitectura, verdadeiros tesouros de arte e beleza. Porém nenhuma delas se situa em Portugal,embora no nosso país também existam muitas e valiosas obras de arquitectura do género, mas de menor dimensão.
Como estou numa de recordar, lembrei-me duma amiga e da histórinha que o avô lhe havia contado, e que ela anos mais tarde me contou,quando eu regressada de Santiago de Compostela lhe confessei o meu pasmo perante a extensão,grandiosidade e beleza da respectiva Catedral de São Tiago.
Era uma vez...
Um espanhol que veio pela primeira vez a Portugal.
Durante o jantar,à conversa com o dono da casa onde ficou, o espanhol falou dos monumentos do seu país com tanta insistência que ao outro até lhe pareceu exagero. Sentiu-se agastado mas disfarçou, e começou também a falar dos monumentos portugueses, tecendo igualmente elogios e fazendo questão que ele fosse ver, que ele mesmo o levaria na visita, visitariam apenas três (era o bastante). O espanhol aceitou e no dia seguinte lá foram até à Torre de Belém. O espanhol observou todos os detalhes devagar e com interesse, e o nosso português cheio de entusiasmo interrogou:- Então o que me diz? . O espanhol respondeu que era muito interessante,muito bonita mas pequenina. Nós temos maior, disse ele. O nosso português não desanimou e disse:-Nós também temos,amanhã vai ver. Cumprindo o propósito levou-o ao Mosteiro da Batalha - e nova opinião similar:- Muito bonito sim,lindíssimo mesmo,mas nós lá em Espanha temos maior. Ainda assim o nosso português não desistiu,e desta vez levou-o ao Mosteiro dos Jerónimos. O espanhol observou,elogiou e até fotografou. O nosso português já não tinha dúvidas (assim pensava) e perguntou:-Então? Que me diz? Este é belo, e enorme... E o outro sorridente murmurou, muito bonito sim,uma grande e bela obra! Magnifica! Mas, nós lá em Espanha temos maior,muito maior,muito maior... Então o nosso português disfarçou,mas alguma revolta lhe povoou o espírito.E como a vingança é prazer, não só dos Deuses, disse à esposa (em segredo) que fosse ao mercado e trouxesse duas dúzias de caranguejos vivos, miúdos. Há noite enquanto o espanhol ceava ele foi ao quarto dele e colocou os caranguejos dentro da cama. Na manhã seguinte o espanhol queixou-se e perguntou que bichos eram aqueles,ao que o outro calmamente respondeu que eram piolhos, se ele não sabia o que são piolhos?! O espanhol respondeu: - Piolhos? Sei,mas lá em Espanha são pequeninos! E o portugues respondeu: - Pois isso é lá em Espanha! Nós cá em Portugal só temos piolhos assim grandes!!!
E no íntimo pensava (com alguma tristeza) afinal aqui, grandes, grandes só mesmo "estes"piolhos...

domingo, 24 de abril de 2011

Quando rir é sofrimento

No passado Domingo a igreja comemorou o dia de Ramos. Vem da tradição cristã e procura reviver a entrada de Cristo em Jerusalém,entrada apoteótica no dizer dos cronistas da época, e cujos escritos chegaram até aos nossos dias. Infelizmente essa alegria do povo, aliás certa ( pois se tratava de aclamar um visitante que mais não queria além da paz entre os povos) cedo terminou, para dar lugar a um crime que a humanidade jamais esquecerá,o seu julgamento e morte,sendo inocente.
O povo que o aclamou,não tardou a clamar pela sua morte. O que prova que nem sempre a voz do povo é a voz de Deus,como temos ouvido dizer muitas vezes. Sobretudo se esse povo não estiver bem informado, pode errar de forma grave.No entanto dizem as Escrituras que toda esta desgraça lhe estava predestinada,e que Jesus teria de sofrer assim, para depois ressuscitar e viver no céu.
Em muitas localidades do nosso País,todos os anos se revive este drama com toda a carga religiosa que ele transporta,sendo os cristãos fiéis parte integrante.
Na minha terra Montemor, também Cristo (o Senhor dos Passos) é muito venerado,a ele recorrem em momentos de aflição, e é na altura das procissões que as pessoas cumprem os seus votos,em circunstâncias penosas,em sofrimento fisico até, mas com uma coragem e alegria, inexplicáveis. A resposta? É a fé !
Hoje recordei os tempos de juventude, e as procissões que eu via das janelas pois passavam na minha rua. Durante a Quaresma todas as sextas-feiras pela tardinha, o sino tocava soando tristemente até ás 8 da noite,hora a que se rezava o terço na igreja dos Anjos,mas ninguém dizia que ia ao terço,dizia-se vou ao beija pé. No meio do templo estava a Imagem do Senhor dos Passos exposta à veneração dos fiéis. A túnica que vestia cobria-o ficando apenas um pé à vista; e durante muito tempo o povo ajoelhava e beijava o pé.Posteriormente passou a beijar-se a corda que lhe pendia da cintura,era assim no meu tempo. Numa dessas sextas-feiras como era costume fui ao beija-pé, e a minha vizinha senhora já idosa saiu de casa na altura,de modo que fomos as duas. Lá chegadas verificámos que a porta da Igreja estava fechada,sendo o acesso por uma entrada lateral passando pelo claustro,e lá fomos com ela á frente. Não tinha dado mais que tres passos, quando uma pedra mandada em pontapé por um grupo de rapazitos que jogavam assim à bola, a atingiu num tornozêlo; ela deu um grito e ficou queixosa... e eu numa aflição de riso contido a enorme custo,sem poder falar nada disse.Entrámos e logo ajoelhei; e enquanto os fiéis ajoelhados rezavam alto,eu de cabeça baixa e olhos no chão,ria,ria,ria, num riso nervoso impossivel de contêr,e que ainda hoje acho dificil de descrever. Foi mesmo sofrimento o que passei,e por isso não esqueci,e ainda hoje me pergunto o porquê do riso?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Opinião de um congressista do PS

Amizade surpreendente!

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A crise, também de valores humanos...

Não sei porquê mas lembrei-me da Cimeira Europeia, realisada à alguns meses atrás em Lisboa, sob enormes medidas de segurança relativamente aos intervenientes nela, e de enorme aparato e espalhafato, a evidenciar uma estabilidade financeira desafogada, que infelismente não existia, e os politicos sorridentes e alegres valorizando o evento como importante, cuja finalidade se traduzia na proteção dos Estados contra uma possível guerra. Posteriormente fruto da minha modesta opinião, eu escrevi que antes que a guerra chegásse cá, chegaria a fome, e sem Cimeira. Infelismente não estava muito longe da realidade, porque actualmente de fome já muitos portugueses sofrem, e como diz o povo " ainda a procissão vai no Adro..." Confesso que não tenho paciência para ouvir os políticos, nem para os ver,sempre de sorriso nos lábios, como se tudo navegásse em mar de rosas... estarão sofrendo de alguma patologia que lhes tenha diminuido faculdades, nomeadamente o sentido do dever,a responsabilidade no trabalho, a honra, a sanidade mental? Sim, porque a vinda do F M I para Portugal, vasculhar as nossas contas (que eles fizeram erradas) é uma certeza de incompetência e inferioridade, que envergonharia qualquer modesto funcionário que fôsse honesto e responsável.
Mas não os vejo penalizados: pelo contrário, têm sempre uma justificação,como se o facto do País estar como está, fosse uma banalidade sem consequências a que eles se julgam alheios.
Com mentalidades assim que futuro para Portugal ?

domingo, 17 de abril de 2011

Casa velha com cão

Esta foto saíu na revista do CM e mostra uma bela casa de pedra antiga, em Parede, Cascais. Dizem que está assombrada! Mas o cão não tem medo!

domingo, 3 de abril de 2011

Para quê europeus? Só portugueses era pouco?

Hoje ao acordar apercebi-me pela pouca luz que a perciana filtrava que decerto estava tempo de chuva.Daí a pouco tive a certeza ao observar através dos vidros, a rua estava molhada e a chuva embora miudinha ia caindo. Não estava frio, mas de primavera havia pouco. E pensei, ainda ontem esteve um sol tão promissor, mas afinal durou pouco a promessa. Parece que vivemos numa instabilidade alargada a muito do que nos rodeia, e até o tempo se associou. Isto transporta um certo desassossego e consequente desânimo. Não estou já a falar do tempo, mas da situação em que se encontra o nosso país. Afinal para onde caminham os portugueses? Ensinaram-nos na escola a sermos ciosos da nossa Pátria, este pequeno rectângulo que nasceu pela ambição de D. Afonso Henriques, que até se levantou em armas contra a própria mãe, a D. Tareja, e conseguiu retirar-lhe o tal bocadinho a que chamou o Condado Portucalense. Ali começou Portugal que em posteriores lutas muito comuns na época, foi alargando os seus domínios ficando mesmo assim um país pequeno, mas independente. Excepção dolorosa de três reinados de monarcas espanhóis no trono português. Contingências relativas a sucessões, motivaram a perda da nossa independência, e naturalmente o infortúnio dos portugueses, durante esses longos anos de dominio espanhol, que finalmente terminou. Restaurada a nossa monarquia, voltámos a ser governados por reis portugueses. Muitos anos depois, a monarquia findou, e novo regime foi instaurado. Sucederam-se vários governos não isentos de erros, mas também com obras de inegável mérito, e sempre os governantes se bastaram a si próprios: se pediram ajuda, “a coisa” não transpareceu para o domínio público. Eu acho que a emancipação deve existir entre os povos, pois se até existe nos animais: quem é que nunca reparou que os cães, os felinos domésticos e os da selva, marcam o seu território? E fazem - se respeitar, se não o resultado é péssimo. O homem por sua vez, deseja ser e é independente, tem autonomia, e governa o que lhe pertence; poderá até ouvir conselhos, mas a decisão será sempre sua, ou pelo menos deve ser. Não deveria ser este o comportamento dos países, especialmente do nosso? Sim, devia ser, mas infelizmente não é. Os responsáveis resolveram dar as mãos “tocou-os o bichinho da fraternidade” e unificaram-se para sermos todos só Europa. Pois, mas esqueceram-se daquela frase muito comum no tempo dos nossos avós, que diz “muita gente junta não se salva”!

domingo, 20 de março de 2011

A poesia da D.Manuela

Ela se reformou,e como tal deixou o lugar que ocupava no Centro de Saúde aonde eu me dirigia com alguma regularidade.Foi ali que conheci a D. Manuela, há alguns anos atrás, a funcionária que a todos atendia com palavras amenas, e quando alguma situação aparentemente difícil aos nossos olhos, nos preocupava, logo da parte dela com um leve sorriso vinha a promessa de que ia já tratar do assunto. E assim acontecia, sempre de boa vontade, como se a vida para ela fosse um mar de rosas, que presumo não seria na totalidade, como acontece a todos os comuns mortais, pois toda a rosa tem espinhos, embora espaçados entre si.
Mas o que eu desconhecia e fiquei há tempos a saber é que a D. Manuela faz poesia; não fiquei admirada, porque aquela sensibilidade não podia restringir-se apenas ao trato, teria de mostrar-se em algo mais.
Ela colabora no jornal O Dever, o jornal da Paróquia; é nessa folhinha que eu todas as semanas vou procurar e encontrar a D. Manuela.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os melões ali tão perto...


Era noite, hora de dormir mas eu continuava sentada, fechei a T.V. que me estava a enfadar, e distraídamente olhei em redor de modo vazio, digamos olhar por olhar... mas acabei por reparar num album de fotos que ali permanece à anos.
Fui buscá- lo gosto de rever, e ao folheá-lo encontrei entre muitas fotografias que são recordações de bons momentos, estas duas que aqui coloquei, uma feita em Alcácer do Sal, ponto de paragem a caminho do Algarve para as habituais férias, e a outra uns dias depois em Faro junto á Marina.
Mas desta viagem eu tenho um episódio, e vou recordar também.
Era costume na ida tentar conhecer uma cidade ou vila daquelas paragens alentejanas, assim aconteceu com Évora, Beja, Vila Viçosa e mais.
Ficávamos, e só no dia seguinte voltavamos à estrada. Desta vez a escolhida foi Serpa. Estariamos a uns trinta Km. da mesma e resolvemos almoçar.
Deixámos a estrada e entrámos num caminho largo que dava acesso a um Monte Alentejano. Encostámos a um lado; a considerável distancia bem no cimo, estava a casa baixa e branquinha, e à nossa volta só as terras, longas a perder de vista. Nestas, o que restava duma cultura de melões; eram às centenas, pequenos, já refugo. Mesmo assim uma tentação...
Pusemos o carro arejar, estendemos a manta e eu comecei “a pôr a mesa”; então o meu marido sempre com os olhos na casinha branca disse, vou roubar um melão. Não foi só um, entre bons e pôdres trouxe sete, que atirou para o carro de qualquer maneira com medo que alguém visse lá do alto.
Como já tinha feito “a boa acção”, almoçámos calmamente (não comemos melão) tomariamos um café mais adiante, por isso de novo à estrada.
Pois, mas ao rodar a chave o carro disse-nos não! Completamente imobilisado, mortinho, sem bateria. Que sensação desagradável, ali retidos, sem telefone, e sem ideias, o que era pior ainda.
O meu marido atarantado já queria ir devolver os melões à terra. Estava instalado o desencanto...
Eu achei melhor acondicioná-los bem, de modo a viajarem sem serem vistos, e fui tratar disso,(com êxito).
Nisto surge uma carrinha grande que entrando devagar no acesso ao Monte, parou junto a nós; estavamos salvos! Eu sempre tive muito boa opinião acerca dos alentejanos, e neste dia ainda ficou mais forte. O sr. “reanimou” o nosso carro, e seguindo à nossa frente levou-nos a uma oficina, onde se procedeu à colocação de nova bateria.
E agora, vergonha das vergonhas para nós, quem era este homem?
(o nosso salvador)
Era o dono dos melões!!!

Quando regressámos à Figueira escrevi-lhe a agradecer, e posteriormente telefonei para saber se tinha recebido a nossa carta, mas não tive coragem de confessar o nosso pecado...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Amor ao próximo,perdeu-se...

O Tempo continua chuvoso e escuro.Os dias já cresceram mais duma hora,mas não se nota, pois o céu enevoado parece antecipar o anoitecer. É inverno, é natural, só que convida à nostalgia, principalmente a mim que sou propensa a certas manias.
Também a verdade é que a situação do País não provoca sorrisos, e até os jornais diários só nos mostram desgraças. A rádio e televisão,seguem na mesma linha, mas parece que nos sentimos atraídos para ver os noticiários, sabendo de antemão que nada alegre iremos saber.
Ultimamente um crime e outro caso mórbido têm feito correr muita tinta, e muita palavra de viva voz.
O caso da Sra. que ficou morta em casa durante 8 anos, tem dado pano para mangas, perdôem- me a expressão inadequada.
Apontam-se culpas às instituições, nomeadamente à Segurança Social, que deixou de pagar a pensão,e a respectiva secção não mandou perguntar a razão porque não era recebida ( mas alguma vez ia perguntar?)
Também a EDP que por falta de pagamento cortou a luz, e não foi avisar (mas alguma vez avisa?)
O carteiro que via a caixa do correio ficar sem espaço para mais, e não perguntou o porquê (mas o carteiro tem essa função de investigar a vida dos outros?)
Toda a gente horrorisada, lamenta e dá palpite... eu também, mas nos meus moldes que são algo diferentes.
Eu pergunto onde estava a familia? Afinal existia e muito próxima, de sangue igual nas respectivas veias; mas quanto a estima (já não digo amor) nada,mais longe do que do céu à terra.
A vizinha contou que contactou um sobrinho,e lhe mostrou a caixa do correio: esse Sr. continuou a dormir tranquilo ano após ano, indiferente, descançado porque as leis tolheram-no... “Se uma casa está a arder não se vai apagar porque a porta está fechada”...
Dentro do peito já não há coração? Francamente!
Onde estão os sentimentos pelo próximo?
Acabaram? Passaram de moda? Para esta gente, não tenho a menor duvida!
Até vão receber a herança de ânimo leve... está tudo dito!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Gostam de ver fotografias?

Enviaram-me uma mensagem e em anexo vinham fotografias de um Festival do Gelo espantoso- o Festival de Gelo de Harbin. A minha filha também achou espectacular e encontrou mais fotografias neste link:

http://www.totallycoolpix.com/?s=harbin

Ela colocou este site de fotografias ali ao lado pois, diz ela, "é uma boa maneira de gastar o tempo na internet". Chama-se Tottaly Cool Pix. É só clicarem no link ali à direita. Por baixo de cada fotografia há uma descrição e a seguir OPEN THIS PHOTOGALLERY. Cliquem aí e vejam as fotos.

São grandes e com muito boa definição. E há de tudo:Arte, Pessoas, Política,Natureza, Actualidade... Por exemplo, fotografias sobre a recente tragédia no Brasil:

http://www.totallycoolpix.com/2011/01/brazils-deadly-landslides/#more-470

É uma forma de ficar a conhecer mais sobre o Mundo. Aproveitem!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Acreditar,seria óptimo...

Ontem apelei à paciência para que não me abandonásse ao serão, pois estava interessada em ver um programa na TVI, o qual vinha sendo anunciado à alguns dias. Primeiro sucederam-se as novelas e a publicidade que as antecede, chegando a insistencia ao ponto de num espaço de poucos minutos, o anuncio em questão passar tres vezes. É demasiado maçador, mas só raramente reparo nisto, porque simplesmente não sou “cliente”das ditas cujas,mas não as menosprezo, nem a quem as aprecia. Fiquei então a aguardar o tal programa,suponho que se chama “para lá da vida”, e como o nome indica trata-se de algo a tocar o sobrenatural. Eu confesso que padeço de céticismo, gostava de acreditar sem reservas, mas como assim não acontece, ando sempre à procura e com esperança que algo chegue ao meu subconsciente, e me aponte que estou errada. Foi com um laivo de esperança que me acomodei no sofá, me revesti de atenção e fiquei na expectactiva. O assunto é delicado, trata-se duma senhora inglesa que é apresentada como Médium, e como tal “vê e ouve” pessoas que já morreram ; uma jornalista da TV faz a tradução no momento. Os familiares que ali estavam para saber dos seus mortos, figuras públicas e idóneas, conhecidas de todos nós, entenderam suficiente o que ouviram, para o sentir como verdade. Alguns comoveram-se, tendo mesmo dificuldade em conter as lágrimas. Como eu os invejei! Até pensei, e disse - eu também gostava de passar por esta experiência...
Mas depois,depois... um pequeno pormenor assaltou-me: e ficou “a martelar-me” com insistencia... A sra. é inglesa, não fala português (daí a necessidade da Interprete) como é que ela entende as palavras daqueles que estão no Além? É que neste caso eram todos portugueses!
Responda - me quem souber, eu agradeço desde já.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A Campanha Eleitoral e as Despesas...

Estamos em pleno “arraial”. E qual? Sim, porque durante o ano acontecem vários, uns de pouca monta, outros de grande estrondo, nem precisam de foguetes. Refiro-me ao actual,o arraial que antecede as eleições. É ver aqueles senhores acompanhados dos convidados e amigos, lembram- me a galinha com os pintaínhos um quadro de ternura que se perdeu, pois já nem nas aldeias os pintos têm mãe.
Pois lá seguem os nossos candidatos em desfile, distribuindo sorrisos de ocasião ou melhor, sorrisos de momento, porque tudo aquilo é por de mais fantasia, é caça ao voto, é a pedinchice velada e habitual, e o povo ingenuamente aplaude e ... ri !
Dada a evolução da técnica que se operou a todos os níveis, e principalmente no campo da comunicação, não seria muito mais lógico tirar partido desse “bem”?
Toda a publicidade que os candidatos fazem de si próprios, incluindo promessas (que raramente cumprem) etc, não podia ser feita pelas televisões ? Para quê os tais passeios de terra em terra? Para se mostrarem? Já se mostraram e até demasiado. E ao final do dia as jantaradas, pois; coisa boa, passeio e comida certa! Não conseguem governar o país, mas não travam despesas! apregoam que não há dinheiro, fazem cortes em salários baixos, e em tudo o que lhes lembra,e dirão entre si o povo que aguente! E não sentem remorsos...
Oh Povo deste país, repara que estamos de tanga, não mimes com o teu sorriso ingénuo e franco, aqueles que de estômago aconchegado, não se preocupam se ainda tens pão, e só te sorriem uma vez, em tempo de eleições.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Os Reis Magos na Figueira da Foz

Quase sem eu dar por isso chegou o dia de Reis. Aqui na Figueira da Foz (minha terra adoptiva) ainda se recorda a chegada dos Reis Magos à cabana de Belém. Assim ano após ano um grupo de “resistentes”, e uso esta expressão porque a maioria das pessoas já perdeu a alegria e a paciência para actuar, e dar continuidade a uma tradição que tem valor e é de manter, mas que dá trabalho e faz perder tempo. Eu disse perder, mas está errado, com estas iniciativas não se perde tempo, gánha-se em realisação e convivio o que é bastante salutar.
Hoje a noite não estará talvez de feição, faz vento, o sol que já apareceu muito desmaiado,já se escondeu, secalhar a chuva voltará com o anoitecer, o que é de lamentar. Confesso que também desconheço o programa, mas recordo que há alguns anos atrás, valia a pena sair de casa e ir até à rua da Républica para ver passar o cortejo.Os reis vinham coroados, vestidos com trajes de cetim e veludo, capas longas pendendo dos ombros, montados em cavalos, e até o rei preto (que era branco) se sujeitava a uma maquilhagem forte para que o seu rosto e mãos ficássem de cor negra. Outros figurantes os acompanhavam, pastores com cordeiros ás costas, mulheres do povo trajando ao jeito daquela época, rapazes com archotes, e a filarmónica e gaiteiros. A assistência animada aplaudia com alegria. Depois de desfilarem pelas ruas, havia a representação dum auto dos Reis Magos. Hoje não sei como será, mas algo há-de haver. E depois, adeus até ao ano.

Perdoem, mas eu sou adepta de poesia, e neste fim de festas Natalicias, não podia deixar de incluir umas rimas (lindas). Se gostar de poesia for pecado, então eu sou uma pecadora, sem direito a perdão...
Mas para não “massar” muito, hoje escolhi um pequenino trecho dum grande poeta português, que até sofreu consigo próprio, mas não conseguiu ser crente. Porém a sua sensibilidade é por de mais evidente.

Último Natal (1990)

Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.

(Miguel Torga)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Serenidade!!! diz o Presidente da Républica

Talvez por influencia do tempo chuvoso e triste, sinto necessidade de ouvir barulho à minha volta. Porém não quero musica,eu que tanto a aprecio,agora rejeito qualquer acorde. Quero ouvir falar, e enquanto trato das minhas tarefas ligo o rádio ou a televisão que me proporcionam o que desejo. Tenho ouvido debates e críticas de toda a ordem, numa amalgama de opiniões que por vezes já não sei quem merece aplausos ou pateada. Eu ouço mas não retenho, para quê ocupar a massa cinzenta que já deve ter pouco espaço livre, com tais sermões?
No entanto existem excepções, por vezes lá fica algo que dá para meditar.
Num dos ultimos discursos do Sr. Presidente da Républica reparei ( para além das habituais expressões que ele usa e abusa, apelando à serenidade) numa toada de esperança,relativamente ao futuro do nosso País. Nada mais natural, não estaria certo o comandante desta Nau apontar- nos o abismo como destino.
Sem desanimo, afirmou que Portugal já viveu várias situações dificeis e que as ultrapassou,e recordou algumas. Disse então que Portugal até já tinha perdido a Independência e que depois a recuperou de novo.
Sim é um facto. Mas perdoe-me a ousadia do meu comentário Sr. Presidente, isto dito com esta simplicidade que todo o País deve ter ouvido, parece uma coisa banal do género hoje perde-se e amanhã acha-se...
E no entanto não foi assim tão linear, entre o perder e o recuperar passaram 60 anos,foi muito tempo. Pois; 3 reinados, 3 reis espanhois,os Filipes de Hespanha.
Dos portugueses que assistiram à perda da Independência,poucos terão festejado a sua retoma,pois naquela época a vida não era longa,e entretanto como foi a sua vida? De privações,todos o sabemos, uma desgraça que durou 60 anos.
Estarão os portugueses guardados para nova e idêntica odisseia?
Quem sabe? Mas não se aflijam, porque voltam a ter a independência.
( 60 anos passam depressa...)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Os animais também cantam?!

Quando é Natal até os animais cantam!

Boas Festas a todos os meus amigos e visitantes!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Recordar Guerra Junqueiro

Hoje dei uma espreitadela aos meus poetas de eleição. Eu gosto muito do Guerra Junqueiro. Actualmente não se fala nele, mas a sua obra existe e é valorosa. Todos sabemos que durante a sua vida foi criticado e prejudicado, fruto das suas convicções anticlericais, que manifestava abertamente na sua obra poética. Também não era crente, confessava-se ateu, e sem fé viveu quase até ao fim dos seus dias. E digo quase, porque diz-se que à beira da morte ele se reconciliou com Deus...

Transcrevo um pouco da sua poesia.

Aos crentes

Ó crentes,como vós no íntimo do peito,
Abrigo a mesma crença e guardo o mesmo ideal.
O horizonte é infinito e o olhar humano é estreito:
Creio que Deus é eterno e a alma é imortal.

Toda a alma é clarão e todo o corpo é lama.
Quando a lama apodrece inda o clarão cintila:
Tirai o corpo - e fica uma língua de chama...
Tirai a alma - e resta um fragmento de argila.

A crença é como o luar que nas trevas flutua;
A razão é do céu o explêndido farol:
Para a noite da morte é que Deus deu a lua...
Para o dia da vida é que Deus fez o sol.

(Guerra Junqueiro)

Bonito, sem dúvida...
Não termina aqui esta “alusão aos crentes”, porém eu limitei; e pelo mal que fiz, peço perdão ao Poeta...

O Belo-Canto

Eu me confesso apreciadora do chamado belo-canto, e não apenas duma ária só, mas de todo o espectáculo quando de ópera se trata. Há uns anos largos quando a televisão tinha menos canais, teve uma série de programas de ópera. Era só aos sábados ao fim da tarde. Não era apenas um trecho,era uma ópera transmitida na integra, e mais, legendada! Eu vi todas, deliciada, pois ir a S. Carlos,era proibitivo para mim, e a ópera vir assim ter comigo a casa, foi um privilégio que eu usufruí na totalidade com enorme gosto. Recordo a Tôsca, a Aida, o Rigoleto, a Carmen, e muitas outras, mais própriamente todas as que passaram no meu pequeno “palco”. Toda aquela arte me transcende, as vozes que eu admiro, a música e os músicos,e naturalmente o drama, pois quase sempre é de um drama que se trata. Como não podia deixar de ser também aprecio a operêta, em que a música é tão bonita e alegre, e onde não há drama, mas até algo de humurístico que dispõe bem.
Actualmente a televisão já não nos mostra ópera, nem operêta, nem teatro, nem poesia, nem concertos de música clássica. Resta-nos a discoteca caseira para minorar essa falta, e atender aos nossos gostos, que parece estarem fora de moda.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Gosto de cantores líricos!

A minha filha não gosta das vozes clássicas, apenas de alguns temas. Eu acho impossível que se possa não gostar. Muitas pessoas apenas conhecem os nomes mais recentes. Aqui estão esses e alguns dos anos mais longínquos.Por vezes não se gosta porque não se conhece! Clicando no nome podem ler sobre cada um deles.

Enrico Caruso (Itália, 1873-1921)

Beniamino Gigli (Itália, 1890-1957)

Mario del Mónaco (Itália, 1915-1982)

Luciano Pavarotti (Itália, 1935-2007)

Franco Corelli (Itália, 1921-2003)

Alfredo Kraus (Espanha, 1927-1999)

Mario Lanza (EE. UU., 1921-1959)

Tito Schipa (Itália, 1889-1965)

Plácido Domingo (Espanha, 1941)

José Carreras (Espanha, 1946)

Ramón Vargas (México, 1960)

Andrea Bocelli (Itália,1958)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O ACIDENTE ESPREITA...e eu espreito o acidente!


Na zona onde moro não se passa nada de diferente. É um local agradável, tem horizonte, tem espaço verde, mas o principal ou o pior, é a rua avenida ou estrada, chamem- lhe como entenderem porque ela é utilizada pela maior parte dos automobilistas como se duma via rápida se tratásse. Apesar do seu aspecto limpo, largura razoável e boa iluminação, nunca para aqui se programa nada, por exemplo um cortejo, um desfile de Bandas, em especial no verão, enfim algo que mostrasse aos turistas que nos visitam, que este lado da Figueira é moderno e também é bonito. Excepção para as tardes ou noites em que a Naval joga no seu campo que fica aqui ao lado, ouve-se o hino que é lindo, e depois consoante o desenrolar do encontro, os aplausos e as vozes das claques. A assistência chega apressada para entrar, e sai a correr, e tudo cai no habitual daí a pouco.
Há no entanto algo a acontecer com assiduidade neste local; são os acidentes. Rara será a semana em que não se ouve o estrondo das latas a baterem. Existe um semáforo a regularizar o trânsito, que seria se não existisse ?... contudo, e ainda bem, não chega a haver feridos, mas não impede o aparato da “coisa”... vem a ambulância, vêm os polícias à pressa a apitar para abrir caminho, e depois “a montanha pariu um rato”! Mas aquilo leva tempo, os polícias passeiam-se em medições com a calma toda, e o preenchimento dos papéis idem, idem... e eu gosto de ver... assim aconteceu ontem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O cão,que faz ão, ão....

Pois; primeiro as obrigações, e só depois as devoções...os ensinamentos adquiridos na infância,aderem e jámais descolam; e às ditas obrigações, mais tarde damos-lhe outro nome,tarefas normais de dona de casa. E nesta “confissão” recordo aquela cançoneta de três quadras, engraçada que se ouvia hà muito tempo atrás, numa voz bonita e em português, cuja intérprete simulando ser dona de casa terminava com a última quadra assim:

Ando cansada, ensonada, derreada
Nesta constante luta, sempre em pé!
Mas esta vida má, é a melhor que há
Ai, ai, se está, chegando o meu Zé!

Eu também “canto” de igual forma, só que o meu, não se chama Zé.

Finalmente venho então falar um pouco sobre os animais. Eu gosto deles e não aceito que lhes façam mal. E até me surpreendo quando ouço os toureiros dizer que o toiro é um animal nobre, e que eles (toureiros) o respeitam muito. Não entendo... e acho mais lógico afirmar (eu) que se trata duma falta de respeito agredi-lo, torturá-lo, sendo ele um irresponsável, um animal, que apesar de corpulento não pode ali defender-se, nem sabe, porque está em desvantagem quanto ao factor inteligência.
Mas eu prometi falar do cão, daquele que de vez em quando me entra pela casa dentro,de coleira e trela, e pulso forte da dona.
O tal de raça shar-pei, que eu ainda tive ao colo quando ele era pequenino: era feiinho, mas interessante porque a sua pele era uma repetição de refêgos, com o pêlo aveludado, ele mais parecia um peluche de brincar. Cresceu rápido, forte e elegante, cresceu também em força, e em mim cresceu o medo, mas medo a sério; de me morder, ou de investir por bem e me atirar ao chão. Mas a verdade é que ele ainda não fez asneiras, e comporta-se de modo diferente entre os membros da família, comigo é muito comedido; porém eu ainda não venci o medo, gosto dele e até lhe dou biscoitos, mas não consigo dar- lhos na minha mão, o que provoca a risada entre a família... finalmente lá me aventuro a umas festinhas que ele aceita, e até procura vindo encostar-se.
Há vários anos atrás também andei com a ideia de adquirirmos um cão, estava dependente da casa que iamos comprar. Entretanto optámos por um andar e a prespectiva do cão desvaneceu-se. E ainda bem,porque eu cheguei à conclusão que gosto dos animais, mas dos animais das outras pessoas.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Homens e animais, de quais eu gosto mais

Andava à procura da autoria desta frase e achei:
"Quanto mais conheço as pessoas, mais gosto do meu cão."
- Plus je vois les hommes, plus j'aime mon chiens.
- Pascal citado em "Paris et ses environs: manuel du voyageur‎" - Página 342, Karl Baedeker, Karl Baedeker (Firm) - K. Baedeker, 1903 - 500 páginas

E também há esta:
"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais." É do Alexandre Herculano.

Eu gosto dos animais e a minha filha mais nova tem um cão de raça shar pei, o Davis. Já lhe consigo fazer festas o que é uma grande evolução. O cão é grande e um pouco assustador. Depois escreverei mais sobre o Davis, agora a cozinha está para arrumar.

domingo, 21 de novembro de 2010

A Cimeira! E a Fome?....

Actualmente os acontecimentos no nosso país surgem assim como se fôssem ondas,seguem-se depois as intermináveis borráscas,intercaládas por pequenas acalmías enevoadas e tristes que servem para descançar,dormitar e sonhar. Sonhar,mas acordar em pesadêlo... Depois de nos ter sido dado de bandeja (finalmente) a informação de que o nosso país está a beira do abismo,quando ainda há dois meses atrás os ministros responsáveis pela finança e não só,sorridentes afirmavam que estava tudo no bom caminho,lá veio então nova onda com um “rebuçadito” que afinal haviamos crescido no ultimo trimestre umas míseras migalhas. Eu não entendo como é que estes politicos que só conseguem governar-se com muito,valorizam tanto esta infima subida,ao ponto de virem fazer gáudio de tal miséria...
Mas entretanto aconteceu a Cimeira!!!! Coisa de estrondo!!! e aí estamos nós a fazer de importantes,e quem viu chega fácilmente à conclusão de que não há tristeza nas nossas altas esferas,afinal só há é o mêdo dos mísseis,vindos lá de longe,e por isso há que acautelar,unindo-nos cada vez mais àqueles que têm razão, êsses sim, para recear retaliações; e nós pacátos pobretes,com tanto para nos preocupar e fazer dentro do nosso pobre rectângulo tão carênciado de tudo,não passâmos duns pacóvios a brincar ao “aí vem a guerra”. Antes que a guerra cá chegue,chegará em fôrça a fome,e essa vai aparecer sem mesmo se fazer anunciar em Cimeiras.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Voltei...

Desde Agosto que nada escrevo neste meu blogue,não sei se por falta de gosto,
ou ausência de paciência,confesso que não encontro razão para o sucessivo adiamento. Mas hoje,mercê duma contrariedade relacionada com um aparelho eléctrico que estava a usar e se avariou,impedindo-me de continuar o trabalho encetado,e que me aborreceu bastante,porque eu não gosto de abdicar das minhas decisões,neste caso tarefas,senti a má disposição a tomar conta de mim. E em ocasiões destas o melhor é procurar algo que me acalme. Mal encarada,olhei em volta,e vi o computador... Sentei-me e abri-o; ele tinha razão para estar zangado comigo e perguntar-me,por onde tens andado?- mas não o fêz... Será que também ele pensará que o silêncio é d’oiro?
Entretanto e por aludir ao silêncio,lembrei-me duma poesia de que gosto muito; e por isso não resisto a transcrevê-la.

A Poesia é Silêncio

Não pares na palavra.Deixa o vento
Levar para as distâncias infinitas
O som de terra que te sai disperso.

Não prendas,com a fala,o pensamento.
És maior sobre o mundo,se não gritas
E deixas no silêncio o melhor verso.

Dor que se diz é dor desperdiçada.
Quando conversas,perdes-te no ar.
Ensina-te o Deserto coisas puras.

É mais bela uma lágrima calada
Do que todos os cânticos do mar
E todas as orquestras das alturas.

No silêncio é que Deus acende a luz
Mais fácil para entrar dentro de nós.
O silêncio tem graças de tesoiro.

Ama o silêncio em ti,como Jesus.
A prece das angústias não tem voz,
Mas o Senhor no céu a grava em oiro.

Benditos sejam os que a língua domem!
Dize-me tu se calas o que sentes,
Eu te direi se vales o que dizes...

A própria natureza avisa o homem:
- A flor vem do silêncio das sementes;
O fruto,do silêncio das raízes.

Faz com Deus,e contigo em oração,
Séria promessa,bem jurada e calma,
Como um profeta há séculos faria.

Escrever é violar a solidão.
Não escrevas. Poeta,cala a alma,
Não mates o silêncio da poesia !


(Assim escreveu,
Padre Moreira das Neves)